terça-feira, 3 de agosto de 2021

GIBBON REEDITADO


Esgotada há muito a edição portuguesa de 1994, em boa hora decidiu a Bookbuilders reeditar História do Declínio e Queda do Império Romano, obra-prima de Edward Gibbon.

Os seis volumes escritos por Gibbon entre 1776 e 1788 foram, em 1960, abreviados para dois: The Decline and Fall of the Roman Empire: An Abridgement. Desse homérico trabalho se encarregou D.M. Low, académico de Oxford e biógrafo de Gibbon. Foi a partir dessa suma que os leitores não especializados tiveram acesso à obra fundadora da historiografia moderna em língua inglesa.

Publicados em capa dura pela Bookbuilders, com introdução de Low e lettering agradável à leitura, os dois volumes (cerca de 1.300 páginas) foram traduzidos por Maria Emília Ferros Moura. Indispensável.

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domingo, 1 de agosto de 2021

PESSANHA


UM POEMA POR SEMANA — Para este domingo escolhi Phonographo de Camilo Pessanha (1867-1926), o mais destacado simbolista da língua portuguesa.

Natural de Coimbra, Camilo Pessanha era filho de um juiz e de uma criada. Teve uma infância nómada e atribulada, dividida entre Portugal e os Açores. Estudou Direito, advogou em Óbidos e Trás-os-Montes e, aos 27 anos, radicou-se em Macau, onde foi professor de liceu, conservador do Registo Predial e juiz.

Estudioso da língua e da literatura chinesa, escreveu ensaios coligidos postumamente em China (1944), volume que inclui oito elegias chinesas.

A partir de 1895 publicou poemas avulsos em jornais de Macau e de Lisboa, mas também no número único da revista Centauro (1916). Em 1920, Ana de Castro Osório organizou esse corpus poético, publicando-o como Clepsydra, título inspirado num poema de Baudelaire, L’horloge.

Neurótico, coleccionador de objectos raros, viveu dependente do consumo de ópio. Da sua ligação com Ngan-Yen teve um filho.

Durante os 32 anos de permanência em Macau, veio quatro vezes a Portugal, numa delas tendo assistido ao assassinato de D. Carlos e do príncipe herdeiro. 

Vítima de tuberculose pulmonar, morreu em Macau com 58 anos.

O poema desta semana pertence a Clepsydra (1920), mais exactamente à edição crítica organizada por Paulo Franchetti, publicada pela Relógio d’Água em 1995. A imagem foi obtida a partir dessa edição.

[Antes deste, foram publicados poemas de Rui Knopfli, Luiza Neto Jorge, Mário Cesariny, Natália Correia, Jorge de Sena, Glória de Sant’Anna, Mário de Sá-Carneiro, Sophia de Mello Breyner Andresen, Herberto Helder, Florbela Espanca, António Gedeão, Fiama Hasse Pais Brandão, Reinaldo Ferreira, Judith Teixeira, Armando Silva Carvalho, Irene Lisboa, António Botto, Ana Hatherly, Alberto de Lacerda, Merícia de Lemos, Vasco Graça Moura, Fernanda de Castro, José Gomes Ferreira, Natércia Freire, Gomes Leal e Salette Tavares.]

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quinta-feira, 29 de julho de 2021

PEDRO TAMEN 1934-2021


Morreu hoje Pedro Tamen, poeta, tradutor, um dos fundadores do Centro Cultural de Cinema, antigo editor da Moraes e, durante vinte e cinco anos, administrador da Fundação Calouste Gulbenkian.

Estreado em 1956 com Poema para Todos os Dias, é uma das vozes centrais da poesia portuguesa dos anos 1960-80.

Entre outros, traduziu Proust, Flaubert, Perec, Reinaldo Arenas e Gabriel García Márquez. Homem de esquerda, extremamente afável, fez parte do grupo de católicos progressistas a que pertenceram António Alçada Baptista, João Bénard da Costa (seu primeiro cunhado) e Nuno Bragança. É pai do professor e ensaísta Miguel Tamen.

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LGBTQ ELEITOS


Já que estamos em maré de censos, o Victory Institute divulgou ontem o relatório 2021 sobre pessoas LGBTQ eleitas para cargos públicos nos Estados Unidos.

Em 2021 foram quase mil, mais precisamente 986, entre gays, lésbicas, bissexuais e transgéneros. Todos os Estados, excepto o Mississippi, agora têm agora pelo menos um governante LGBTQ eleito. O maior aumento [75%] de eleitos verificou-se na comunidade negra. 

Entre outros, foram eleitos dois governadores, dois senadores, nove congressistas nacionais, 189 legisladores estaduais e 56 presidentes de câmara. Um dos legisladores estaduais (Oklahoma) é uma mulher negra, muçulmana e não-binária.

Na imagem, o congressista democrata Mondaire Jones, um dos eleitos.


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CENSOS 2021


Foram ontem revelados os dados preliminares dos Censos 2021. Desde 1970 que não se verificava uma tão grande quebra populacional. Infelizmente, a governação PAF não foi uma distopia. E houve mesmo um mamífero que nos mandou sair da zona de conforto.

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domingo, 25 de julho de 2021

SALETTE TAVARES


UM POEMA POR SEMANA — Para este domingo escolhi Hoje de Salette Tavares (1922-1994), nome maior do experimentalismo português.

Natural de Lourenço Marques, onde viveu até 1933, Salette Tavares estudou filosofia em Lisboa antes de radicar-se (1949) em Paris. Na capital francesa trabalhou com Gabriel Marcel, Merleau-Ponty, Étienne Souriau e Louis Lavelle.

Além de poesia, traduziu Pascal e publicou ensaios sobre o existencialismo católico, estética, linguagem e teoria da arte. A partir dos anos 1970 fez exposições individuais da sua poesia visual, na Galeria Quadrum, no CCB, em Serralves, na Gulbenkian, etc. Leccionou estética na Sociedade Nacional de Belas Artes (Lisboa) e foi presidente da secção portuguesa da Associação Internacional dos Críticos de Arte.

Prefaciado por Luciana Stegagno Picchio, o volume Obra Poética 1957-1971 (1992) recebeu o Prémio do PEN Clube. Ao longo da vida voltou várias vezes a Moçambique.

O poema desta semana pertence a Quadrada (1967). A imagem foi obtida a partir do 2.º volume da Terceira Série de Líricas Portuguesas, a mítica antologia organizada por Jorge de Sena, publicada pelas Edições 70 [este segundo volume] em 1983, já depois da morte do antólogo.

[Antes deste, foram publicados poemas de Rui Knopfli, Luiza Neto Jorge, Mário Cesariny, Natália Correia, Jorge de Sena, Glória de Sant’Anna, Mário de Sá-Carneiro, Sophia de Mello Breyner Andresen, Herberto Helder, Florbela Espanca, António Gedeão, Fiama Hasse Pais Brandão, Reinaldo Ferreira, Judith Teixeira, Armando Silva Carvalho, Irene Lisboa, António Botto, Ana Hatherly, Alberto de Lacerda, Merícia de Lemos, Vasco Graça Moura, Fernanda de Castro, José Gomes Ferreira, Natércia Freire e Gomes Leal.]

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OTELO 1936-2021


No Hospital Militar, onde se encontrava internado, morreu hoje Otelo Saraiva de Carvalho, estratega do 25 de Abril e actual coronel de artilharia. Natural de Lourenço Marques, veio para Lisboa em 1955 frequentar a Academia Militar.

Otelo foi Comandante da Região Militar de Lisboa e Comandante do COPCON, tendo pertencido ao Conselho dos Vinte e ao Conselho da Revolução. Depois do 25 de Novembro de 1975 foi preso e afastado de todos os cargos. Libertado ao fim de três meses, concorreu às eleições presidenciais de Junho de 1976, obtendo 16,5% dos votos. Em Dezembro de 1980 voltou a concorrer às presidenciais, obtendo 1,4% dos votos.

Em 1984, acusado de ser o líder das FP-25, foi preso, julgado e condenado a quinze anos. Esteve preso cinco, sendo libertado por indulto da Assembleia da República.

Em 2011 afirmou que, se soubesse como o país ia ficar, não teria realizado o 25 de Abril.

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sexta-feira, 23 de julho de 2021

AUTÁRQUICAS 2021


Sondagem do ISCTE e do Instituto de Ciências Sociais, divulgada hoje no Expresso.

Medina repete o score de 2017. 64% dos eleitores de Lisboa consideram o seu mandato Bom (61%) ou Muito Bom (3%). Os itens melhor avaliados são os transportes públicos, os espaços urbanos, a oferta cultural, a segurança e a limpeza.

Moedas consegue o resultado de Cristas (CDS, 20%) e Teresa Leal Coelho (PSD, 11%) em 2017.

BE ultrapassa o PCP+PEV.

Números:

Medina / PS — 42%

Moedas / PSD+CDS+PPM+MPT+ALC — 31%

Beatriz Gomes Dias / BE — 8%

João Ferreira / PCP+PEV — 6%

Nuno Graciano / CH — 4%

Manuela Gonzaga / PAN — 3%

Bruno Horta Soares / IL — 2%

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quinta-feira, 22 de julho de 2021

POVOS ÁRABES


Foi finalmente traduzida a História dos Povos Árabes, de Albert Hourani (1915-1993), historiador britânico de origem libanesa, professor em Oxford entre 1948 e 1984. Hourani também foi professor em universidades de Beirute, Chicago e Harvard, além de ter trabalhado para a Chatham House, ou seja, para o Royal Institute of International Affairs. Em suma, um nome inquestionável em matéria de estudos árabes.

Esta História dos Povos Árabes foi publicada pela primeira vez em 1991, tendo sido actualizada em 2012 por Malise Ruthven, professor em Cambridge. Ruthven assina um prefácio e o posfácio. No posfácio, de 52 páginas, são analisados todos os acontecimentos ocorridos entre os anos 1990 e o levantamento da Praça Tahrir (2011), no Cairo. 

Como disse Edward Said, «Não há elogios suficientes para a importância deste livro neste tempo.» Com efeito.

Além de doze mapas, o volume inclui, em anexo, listas dos imãs xiitas, dos califas, as dinastias importantes, as famílias reinantes dos séculos XIX e XX, índice remissivo, notas e bibliografia.

Indispensável para quem queira perceber o mundo árabe. Editou a Bookbuilders.

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ABRAPLIP


Por amável convite de Sérgio Nazar David, participarei, em Outubro, no XXVIII Congresso da Associação Brasileira de Professores de Literatura Portuguesa. Outros portugueses presentes são Ana Luísa Amaral, Nuno Júdice e Frederico Lourenço.

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quarta-feira, 21 de julho de 2021

DISTOPIA DE DICK EM SÉRIE


Disponível em streaming na Amazon Prime, descobri por acaso a adaptação feita por Frank Spotnitz, com produção de Ridley Scott, de O Homem do Castelo Alto (1962) de Philip K. Dick.

Quem leu o livro conhece o plot, uma das mais famosas distopias de Dick. Inversamente à realidade, os Aliados perderam a Segunda Guerra Mundial, tendo os nazis (com Hitler ainda vivo) dividido os Estados Unidos em duas zonas: a Leste, o Grande Reich, com a capital em Nova Iorque; a Oeste, os Estados Japoneses do Pacífico, com a capital em São Francisco. Entre ambas, nas Montanhas Rochosas, a Zona Neutra, terra sem lei. Os acontecimentos ocorrem a partir de 1962.

São 40 episódios em 4 temporadas. A 1.ª temporada é de 2015 e ainda só vi oito episódios, mas, do que vi, gostei bastante.

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segunda-feira, 19 de julho de 2021

AXIMAGE


Sondagem da Aximage para a TSF, o DN e o JN, divulgada hoje.

PS 37,6% / PSD 25,2% / BE 7,8% / CH 7,7% / IL 5,5% / CDU 4,8% 

/ PAN 4,6% / CDS 0,9%

Esquerda = 54,8% / Direita = 45,2%

PS e PSD separados por 12,4% / BE e CH empatados / IL ultrapassa a CDU / CDS desaparece.

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DIA DA LIBERDADE


Às zero horas de hoje a Inglaterra levantou as restrições legais decorrentes da pandemia. Mas, pressionado por “especialistas”, Boris Johnson cancelou o discurso que celebraria «a vitória sobre o vírus», tendo, a partir de Checkers (onde se encontra recolhido), aconselhado prudência. 

As discotecas reabriram à meia-noite, momento a partir do qual milhares de pessoas circulam sem máscara nos transportes públicos.

Na imagem, do Guardian, londrinos celebram no The Piano Works, em Farringdon Rd. Clique.

domingo, 18 de julho de 2021

GOMES LEAL


UM POEMA POR SEMANA — Para hoje escolhi Soneto dum poeta morto de Gomes Leal (1848-1921), nome maior do Segundo Romantismo português. Uma forma como qualquer outra de assinalar o centenário da sua morte.

Natural de Lisboa, Gomes Leal ficou reduzido à legenda do Anticristo (1884), um juízo enviesado, porquanto, como lembrou Sena, a ele se devem «algumas das mais esmagadoras líricas da língua portuguesa.» Publicou o primeiro poema em 1866, na Gazeta de Portugal, fazendo-se logo notar pelo dandismo saturniano. Em 1872, com Luciano Cordeiro, Magalhães Lima, Silva Pinto e outros, fundou O Espectro de Juvenal, jornal satírico onde zurzia os «liberalões corruptos» e a caterva dos «literatos oficiais». Depressa adquire o estatuto de panfletário-mor do republicanismo mais radical: poemas e opúsculos políticos como O Tributo do Sangue e A Canalha, ambos de 1873, fixam a lenda.

Uma vida pontuada por incidentes folhetinescos obnubilou a justa avaliação da Obra. O eco provocado pela divulgação de virulentos panfletos poéticos — de que são exemplo A Traição, O Herege e O Renegado, todos de 1881 —, com a celeuma jornalística que os acompanhou e o inevitável escândalo no milieu político e literário, contribuiu para desviar a atenção do essencial.

Por exemplo, A Traição invectiva directamente D. Luís face à atitude ambígua do rei no tocante à possibilidade, insistentemente referida, da venda (aos ingleses) de Lourenço Marques. Gomes Leal classifica o monarca como salafrário, pandilha, assassino e ladrão, esgotam quatro edições, mas o poeta acaba na prisão, destino fatal para quem escolhera dar prioridade ao combate ideológico, questionando a Igreja, os fundamentos da monarquia, a pessoa do rei e as instituições burguesas.

Em 1881 escapou ileso de um atentado e, no ano seguinte, começou a publicar A Orgia, mensário de Política, Literatura e Costumes.

Com a morte da mãe, em Maio de 1910, Gomes Leal converte-se ao catolicismo e rende-se à monarquia que tão insistentemente combatera. Devorado pelo álcool, desencantado com os homens, as convicções estilhaçadas, encontra-se sozinho e na miséria. Uma diatribe em verso contra Afonso Costa, Pátria e Deus e a Morte do Mau Ladrão (1914) tem o simbolismo do último estertor. Passou a viver da caridade alheia, dormindo em bancos de jardim.

Até que um grupo de escritores, liderado por Pascoaes, subscreve um apelo a seu favor e, em 1916, o Parlamento vota a atribuição de uma tença anual de 600$00 (importância significativa para a época). Era hóspede do socialista Ladislau Batalha quando, em Janeiro de 1921, morre meio louco.

Natália Correia e Herberto Helder meteram-no em antologias por si organizadas: O Surrealismo na Poesia Portuguesa (1973, Natália) e Edoi Lelia Doura (1985, Herberto). Natália não fez a coisa por menos: devemos-lhe «o mérito surrealizante de reacender o facho da revolta luciferina contra o tirânico policiamento da racaille tonsurée.» Contudo, continua a ser Vitorino Nemésio o principal dos seus antólogos.

Este texto aproveita passagens do que sobre Gomes Leal escrevi em Metal Fundente, o livro de ensaios que publiquei em 2004.

O poema desta semana pertence a Claridades do Sul (1875). A imagem foi obtida a partir da edição que José Carlos Seabra Pereira organizou deste livro, para a colecção Obras Clássicas da Literatura Portuguesa. O volume foi publicado pela Assírio & Alvim em 1998, assinalando os 150 anos do nascimento do autor.

[Antes deste, foram publicados poemas de Rui Knopfli, Luiza Neto Jorge, Mário Cesariny, Natália Correia, Jorge de Sena, Glória de Sant’Anna, Mário de Sá-Carneiro, Sophia de Mello Breyner Andresen, Herberto Helder, Florbela Espanca, António Gedeão, Fiama Hasse Pais Brandão, Reinaldo Ferreira, Judith Teixeira, Armando Silva Carvalho, Irene Lisboa, António Botto, Ana Hatherly, Alberto de Lacerda, Merícia de Lemos, Vasco Graça Moura, Fernanda de Castro, José Gomes Ferreira e Natércia Freire.]

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quinta-feira, 15 de julho de 2021

GUERRA CIVIL NO HORIZONTE?


Com dez mil soldados na rua, a África do Sul começou a convocar reservistas, o que não acontecia desde os anos 1990. Após sete dias de tumultos e desordem generalizada, o número de mortos subiu para 117, tendo sido efectuadas mais de três mil prisões. Nosiviwe Mapisa-Nqakula, a ministra da Defesa, quer em acção 25 mil efectivos do Exército.

Tudo começou no passado dia 9, nas províncias de KwaZulu-Natal e Gauteng, quando o antigo Presidente Jacob Zuma se entregou à polícia para cumprir a pena de prisão de quinze meses a que foi condenado por ter recusado comparecer perante a Comissão Zondo, um colectivo nomeado para investigar alegados actos de corrupção durante os nove anos (2009-18) em que foi Presidente. 

Neste momento a violência atinge várias regiões do país, com as principais autoestradas cortadas, dezenas de centros comerciais saqueados e incendiados, milhares de lojas vandalizadas, distribuição de alimentos à beira da ruptura desde que a Tiger Brands suspendeu a actividade, postos de combustíveis abandonados e outras infraestruturas críticas nas mãos dos insurrectos. A refinaria de petróleo Sapref, a maior da África Subsariana, também suspendeu a operação.

A prisão de Zuma terá sido o detonador da profunda crise económica que afecta a África do Sul, país que se debate com uma taxa de desemprego de 32% (superior a 50% nos menores de 30 anos), corte dos subsídios estatais que vigoraram até 2019 e, agora, os efeitos da pandemia: 2,3 milhões de infectados, mais de 65 mil mortos.

Com cerca de 60 milhões de habitantes (sendo brancos 8%), a África do Sul é a segunda maior economia de África e a 32.ª a nível mundial. A oposição responsabiliza Cyril Ramaphosa, o actual Presidente, de ter negligenciado os repetidos avisos dos serviços secretos.

Sabemos como começou, não sabemos como vai acabar. Guerra civil no horizonte?

Na imagem, uma rua de Joanesburgo no passado dia 11. Clique.

CHRISTIAN BOLTANSKI 1944-2021


Christian Boltanski morreu ontem em Paris, no Hospital Cochin. A causa não foi determinada, há quem fale de cancro, mas Annette Messager, sua mulher, não confirma.

Autodidacta, tornou-se um dos mais importantes artistas visuais franceses, célebre do Japão à Patagónia, conhecido pelas instalações provocatórias — como a pirâmide de roupas usadas que em 2010 ocupou o Grand Palais —, os vídeos escatológicos, a fotografia e os filmes autobiográficos. No ano passado, quando a pandemia encerrou os museus franceses, o Centro Pompidou exibia desde o Outono de 2019 uma grande retrospectiva da sua obra.

Menschlich (1994), um dos seus livros mais conhecidos, reúne mil e trezentos retratos dos anos 1970-80, tendo como denominador comum o horror do Holocausto. Boltanski tem origem judaica, tendo seus pais (uma escritora e um médico) sofrido a violência da França ocupada.

Começou pela pintura (1957-68), mas seria nas artes visuais que se notabilizaria, estando representado em museus de Paris, Grenoble, Madrid, Nova Iorque, Quebec, ilha japonesa de Teshima, etc. Em 2010, em troca de uma choruda renda vitalícia, “vendeu” a sua vida a um milionário australiano, ficando este com o direito de filmar Boltanski 24 horas por dia.

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quarta-feira, 14 de julho de 2021

MAIS ALVALADE


Hoje ao fim da tarde, como previsto, lá nos juntámos todos no Parlatório do Jardim Mário Soares, ali no Campo Grande, para apoiar a recandidatura de José António Borges ao cargo de Presidente da Junta de Freguesia de Alvalade. A data não podia ter sido melhor escolhida.

Muito boa intervenção do incumbente, após Luís Nazaré e Fernando Medina terem feito o balanço do mandato que termina em Setembro.

Quadro do Banco de Portugal desde 2013, membro da Comissão Política Nacional do PS, antigo adjunto ministerial, licenciado em Direito pela Universidade Nova de Lisboa e a terminar um mestrado de Economia e Políticas Públicas no ISCTE, José António Borges tem feito um trabalho notável na Freguesia a que preside.

Como amigo e membro da sua Comissão de Honra, faço questão de assinalar a minha satisfação em vê-lo prosseguir esse trabalho.

Na imagem, José António Borges no uso da palavra, vendo-se, sentados à direita, Luís Nazaré e Fernando Medina. Clique.

terça-feira, 13 de julho de 2021

CULTURA VS PATRIMÓNIO

A minha recente visita a Tomar deu azo a que publicasse no Facebook fotografias do património histórico da cidade. Uma delas, da Janela do Capítulo (Convento de Cristo), gerou uma onda de indignação. A «incúria» da Direcção-Geral do Património Cultural foi apontada, por quase toda a gente, como causa do «estado miserável, vergonhoso, etc.» da referida janela.

Onde é que eu quero chegar? Quem me conhece, ou simplesmente lê o que escrevo à margem da literatura — entre 2005 e 2011 este blogue foi dos mais lidos —, sabe que discordo da existência de ministérios da Cultura, coisa muito apreciada em França, na antiga URSS, em Cuba, na China e afins. Digo-o com o à vontade de quem é ou foi (alguns morreram) amigo de vários titulares do cargo. Um deles, na primeira entrevista que deu após a posse, até me citou a esse respeito. Adiante.

Manda a verdade dizer que o interior do Convento de Cristo se encontra em muito bom estado de conservação. Mas não é isso que me interessa.

Como em tudo na vida, não podemos comer o bolo e ficar com ele. Ou há dinheiro para apoiar o teatro, o cinema, a música, as bolsas de criação literária, as artes performativas, as mil e uma Fundações culturais que existem de Norte a Sul do país, os arraiais temáticos, etc., ou para restaurar e conservar o Património. Para as duas coisas nunca houve: uns remendos aqui, outros ali, queixas de todos os lados.

Enquanto não houver um ministério do Património, com orçamento adequado, o pouco dinheiro do ministério da Cultura terá como prioridade subvencionar, em registo de esmola (ou seja, em termos análogos aos do rendimento social de inserção), um reduzido núcleo de actores, encenadores, músicos, bailarinos, cineastas, performers, etc., negligenciando museus — o MNAA e o MNAC já têm catálogo? —, monumentos, igrejas, bibliotecas públicas, palácios de reconhecido interesse histórico, castelos, pelourinhos, aquedutos (o de Pegões nem sinalizado está), pontes romanas, edifícios classificados, etc. Para tudo não há.

A opção é justa: entre pessoas e pedras, primeiro estão as pessoas. Mas temos de saber, com clareza, aquilo que queremos.

domingo, 11 de julho de 2021

NATÉRCIA FREIRE


UM POEMA POR SEMANA — Para hoje escolhi Braços Longos de Natércia Freire (1919-2004), poetisa que durante vinte anos coordenou a página de Artes & Letras do Diário de Notícias, lugar de que foi afastada no imediato pós-25 de Abril. Foram mais de mil páginas, onde colaboraram todos os nomes que, entre 1954 e 1974, contavam na Literatura portuguesa.

Natural de Benavente, Natércia Freire estudou música (canto e composição), fez o curso do Magistério Primário e leccionou antes de dedicar-se por inteiro à vida literária. Além de poesia escreveu contos, tendo-se estreado com Castelos de Sonho (1935). Recebeu duas vezes o Prémio Antero de Quental (1947 e 1952), o Prémio Ricardo Malheiros da Academia das Ciências de Lisboa (1955) e, em 1971, o Prémio Nacional de Poesia. Era irmã da escritora Maria da Graça Freire.

Entre 1971 e 1974 fez parte da Comissão de Leitura da Fundação Calouste Gulbenkian.

Pedro Sena-Lino, seu neto, organizou — juntamente com Alexandre Nave e José Félix Duque — O Livro de Natércia, publicado em 2005. Volume de evocação da autora, com prefácio de Jorge Sampaio, conta com a colaboração de 51 poetas (um deles eu próprio) e 21 artistas plásticos.

No centenário do seu nascimento (2019) foi nobilitada a título póstumo com o grau de Grande-Oficial da Ordem do Infante D. Henrique.

O poema desta semana integra Anel de Sete Pedras (1952). A imagem foi obtida a partir do 1.º volume da Terceira Série de Líricas Portuguesas, a mítica antologia organizada por Jorge de Sena, publicada pela Portugália [este primeiro volume] em 1972.

[Antes deste, foram publicados poemas de Rui Knopfli, Luiza Neto Jorge, Mário Cesariny, Natália Correia, Jorge de Sena, Glória de Sant’Anna, Mário de Sá-Carneiro, Sophia de Mello Breyner Andresen, Herberto Helder, Florbela Espanca, António Gedeão, Fiama Hasse Pais Brandão, Reinaldo Ferreira, Judith Teixeira, Armando Silva Carvalho, Irene Lisboa, António Botto, Ana Hatherly, Alberto de Lacerda, Merícia de Lemos, Vasco Graça Moura, Fernanda de Castro e José Gomes Ferreira.]

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quinta-feira, 8 de julho de 2021

CARDOSO PIRES BIOGRAFADO


Hoje na Sábado

Chegou finalmente às livrarias a tão aguardada biografia de José Cardoso Pires (1925-1998), nome maior da ficção portuguesa. Bruno Vieira Amaral, o biógrafo, escolheu um título certeiro — Integrado Marginal. Ao contrário de muitos dos seus pares, Cardoso Pires foi uma personalidade de certo modo “secreta”, razão acrescida para o interesse suscitado pelo livro de Amaral.

Sem perder de vista a vida cultural e política do país ao longo de seis décadas, bem como a boémia tão do agrado de Cardoso Pires, o biógrafo ilustra as origens rurais do biografado, o estertor da Primeira República, o tédio precoce pelo quotidiano pequeno-burguês, as primícias literárias, as amizades com Pomar, Castro Soromenho, Luiz Pacheco e outros, a iniciação sexual das «matinées-segóvia», uma viagem a África como tripulante de navio (curiosos os flashes da sua estadia em Lourenço Marques em 1945), o MUD Juvenil, a passagem pelo PCP, a “tutoria” de Mário Dionísio, o primeiro livro em 1949, os anos em que foi guia-intérprete da TAP, experiências como editor, a revista Eva, a cumplicidade com Maria Lamas, atritos com a crítica, apreensão pela PIDE do segundo livro, a morte do irmão, o casamento com Edite («o rochedo da família»), as filhas, desilusão com o Movimento Para a Paz, os retiros na Caparica, a parceria com Figueiredo Magalhães, a consolidação da obra — a partir de O Anjo Ancorado, de 1958 —, o Golpe da Sé, a direcção do Almanaque, o crime da praia do Guincho (móbil de Balada da Praia dos Cães), a fuga para Londres em 1960, a temporada brasileira, o congresso em Itália da Comunità Europea Degli Scrittori, o prémio para O Hóspede de Job, a extinção da SPE, a publicidade, consagração com O Delfim (1968), leitor e depois escritor residente no King’s College de Londres, o Diário de Lisboa, passagem pela Câmara de Lisboa, a ida ao Camboja, o Prémio da União Latina e o Grande Prémio da APE, o reconhecimento institucional, o apagão cerebral de 1995 e um De Profundis por antecipação.

Bruno Vieira Amaral calibra bem a vasta informação de que dispõe, analisa com argúcia a obra de Cardoso Pires e abstém-se de especulações laterais. Apenas lamento a ausência de uma bibliografia activa do biografado. No mais, Integrado Marginal cumpre com brio o protocolo do género.

Publicou a Contraponto. Clique na imagem.

quarta-feira, 7 de julho de 2021

LFV PRESO

Foi preso o presidente do Benfica. Desde Sócrates que não havia, no país, uma detenção tão importante. A diferença é que a de hoje não foi em directo.

A NOVELA DE TANCOS


Durante mais de três anos, a pretexto do alegado desaparecimento de material de guerra dos paióis de Tancos, Azeredo Lopes foi enxovalhado por todos os media, acabando por demitir-se do cargo de ministro da Defesa Nacional do XXI Governo Constitucional.

Ontem, o Ministério Público pediu a absolvição de Azeredo Lopes da trapalhada em que o envolveram.

Em simultâneo, o MP pediu penas para 12 dos restantes 22 arguidos do caso que, quando começou, metia no mesmo saco o alegado tráfico de armas, terrorismo, associação criminosa e denegação de justiça.

Antigo director da Faculdade de Direito da Universidade Católica Portuguesa do Porto, terá sido a sua passagem pela Entidade Reguladora para a Comunicação Social, da qual foi presidente entre 2006 e 2011, que fez dele um alvo a abater.

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segunda-feira, 5 de julho de 2021

RECANDIDATURA FORMALIZADA


Na presença do primeiro-ministro, Fernando Medina formalizou há pouco, na Estufa Fria do Parque Eduardo VII, a sua recandidatura à Câmara de Lisboa. António Costa abriu a sessão, sublinhando o apoio incondicional do PS.

Medina falou a seguir: «Nenhuma acção nos distrairá do fundamental: auxiliar os mais necessitados, apoiar a economia e o emprego, promover a testagem em massa, apoiar a aceleração da vacinação. Nada nem nenhuma campanha nos distrairá

Ora bem.

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MOBILIDADE


É hoje assinado o protocolo para a construção da nova linha de metro de superfície entre Odivelas e Loures, numa extensão de 12,1 quilómetros.

A futura linha terá dezoito estações, servindo uma população de cerca de 180 mil pessoas, distribuídas por oito freguesias. Se não surgir nenhum percalço, começará a funcionar no Outono de 2025.

Clique na imagem do Público.

domingo, 4 de julho de 2021

NOVE MILHÕES


Incomoda a caterva dos tremendistas, mas é um facto. O número de inoculações ultrapassou hoje a fasquia de nove milhões: até ao fim da tarde, em Portugal, foram inoculadas 9.060.568 doses.

O mapa é do passado dia 1 e já nos colocava acima da média da UE. Clique.

JOSÉ GOMES FERREIRA


UM POEMA POR SEMANA — Para hoje escolhi Viver sempre também cansa de José Gomes Ferreira (1900-1985), publicado em 1931, no n.º 33 da revista Presença. Lutador antifascista, a obra oscila entre o neo-realismo e uma certa ideia de surrealismo. Reunida em três volumes, a sua obra poética completa leva o título de Poeta Militante.

Natural do Porto, veio para Lisboa aos 4 anos de idade. Após a formatura em Direito, foi cônsul de Portugal na cidade norueguesa de Kristiansund entre 1926 e 1930. Afastado pela ditadura de todos os cargos públicos, foi jornalista e, sob pseudónimo, tradutor de filmes.

Estreado em 1918 com Lírios do Monte, a obra canónica arranca de facto em 1948. Colaborou nas mais importantes publicações do seu tempo, tendo escrito, além de poesia, contos, ensaio, teatro, crónicas, memórias e um diário publicado em vários volumes.

Em democracia, foi o primeiro presidente da Associação Portuguesa de Escritores.

O poema desta semana integra Poesia I (1948). A imagem foi obtida a partir de Poemas Portugueses Antologia da Poesia Portuguesa do Séc. XIII ao Séc. XXI, organizada por Jorge Reis-Sá e Rui Lage, publicada pela Porto Editora em 2009.

[Antes deste, foram publicados poemas de Rui Knopfli, Luiza Neto Jorge, Mário Cesariny, Natália Correia, Jorge de Sena, Glória de Sant’Anna, Mário de Sá-Carneiro, Sophia de Mello Breyner Andresen, Herberto Helder, Florbela Espanca, António Gedeão, Fiama Hasse Pais Brandão, Reinaldo Ferreira, Judith Teixeira, Armando Silva Carvalho, Irene Lisboa, António Botto, Ana Hatherly, Alberto de Lacerda, Merícia de Lemos, Vasco Graça Moura e Fernanda de Castro.]

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ANA LUÍSA AMARAL NO Y


Excelente entrevista de Ana Luisa Amaral, conduzida por Luís Miguel Queirós, publicada hoje no Público

Ao longo de sete páginas, Ana Luísa fala da obra, da traumática ida para o Norte quando tinha 9 anos (nasceu em Lisboa, vive em Leça da Palmeira desde 1965), do doutoramento em Dickinson, dos anos americanos, da docência, do prémio Reina Sofia de Poesia Ibérica que lhe foi atribuído há dois meses, de feminismo, da famosa despensa, do poema-panfleto de Amanda Gorman e do nonsense que representa a obrigatoriedade de ser uma mulher negra a traduzir, da cadela Milly, etc. Vale a pena ler.

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sexta-feira, 2 de julho de 2021

COMEÇA HOJE


Restrições à circulação entre as 23h e as 5 da manhã. Mas convém não confundir dever de [a Resolução com força de lei: «devem abster-se»] com obrigação. Ainda vivemos em democracia.

Imagem: recorte da Resolução do Conselho de Ministros n.º 86-A/2021, in Diário da República n.º 126/2021, 3.º Suplemento, Série I, de 1 de Julho.

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quinta-feira, 1 de julho de 2021

RESILIÊNCIA

Com os bares e discotecas de todo o país de portas fechadas há 15 meses, a sobrevivência do sector (empregados e proprietários) é um mistério.

Se as estatísticas estão correctas, cerca de 70% da hotelaria nacional esteve encerrada entre 2020 e 2021, conforme os casos, entre seis e oito meses. Porém, algumas unidades fecharam de vez.

Quanto se sabe, um terço dos restaurantes, de Norte a Sul, encerrou a sua actividade logo no ano passado, uns durante o primeiro confinamento, outros no Outono. Mesmo podendo fazê-lo, vários restaurantes do eixo Lisboa-Cascais deixaram de servir jantares, encerrando às 20h (não estou a falar de pequenas unidades familiares, mas de estabelecimentos altamente profissionalizados). Apesar do layoff, os despedimentos sucedem-se.

Alegadamente, o alojamento local sofreu um rombo superior a 60%.

Com tudo isto, era de supor uma correcção de preços e regras. Mas em Portugal acontece exactamente o contrário. Reservas que podiam ser canceladas até à antevéspera, ficam agora bloqueadas com oito dias de antecedência. Os hotéis subiram as tarifas. Tradicionalmente feito no checkout, o pagamento passou a ser efectuado no acto da reserva. A maioria dos restaurantes aumentou os preços. Mesmo nos matos mais desleixados, tudo o que seja campestre, seja lá o que isso for, faz-se pagar ao nível de Mustique (ilhas Granadinas). A TAP ainda não reembolsou passageiros impedidos por lei de viajarem para o Brasil em Fevereiro. E por aí fora.

É bem verdade que as leis do mercado não correspondem, entre nós, ao bom senso.

quarta-feira, 30 de junho de 2021

EM QUE FICAMOS?

O Presidente da República não percebe, e eu também não, que o primeiro-ministro tenha que estar em isolamento profiláctico por ter tido contacto com um membro infectado do seu gabinete.

De facto: inoculado com duas doses de vacina há mais de um mês, o PM testou negativo. Diz Marcelo, e diz bem, que isto descredibiliza as vacinas.

Acrescento eu: e quem viaja para Berlim ou Londres, vacinado, teste na mão (redundância), e mesmo assim fica obrigado a quarentena?

Alguém, na OMS e na DGS, terá de explicar tudo muito bem.

terça-feira, 29 de junho de 2021

ACONTECEU


O país já tem como curar a ressaca da saída do Euro 2020: prenderam o inimigo público número um.

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domingo, 27 de junho de 2021

FERNANDA DE CASTRO


UM POEMA POR SEMANA — Para hoje escolhi O Cauteleiro de Fernanda de Castro (1900-1994), poetisa esquecida, mesmo tendo sido uma personalidade destacada da vida literária portuguesa, incansável contadora de histórias, testemunha privilegiada do seu tempo, «sebastianista por nascimento e vocação», espírito superior e feminista avant la lettre.

Natural de Lisboa, Fernanda de Castro notabilizou-se na poesia, ficção, teatro, literatura para a infância, memorialismo e tradução. A vulgata política retém o facto de ter sido mulher de António Ferro, mítico editor da revista Orpheu, criador e ideólogo do Secretariado da Propaganda Nacional (o futuro Secretariado Nacional da Informação), mais tarde ministro de Portugal em Berna e Roma. Razões atinentes ao foro da sociologia da literatura explicam o ónus que fez ricochete na obra da autora.

Aos 12 anos acompanhou a mãe ao encontro do pai, oficial da Marinha de Guerra, então colocado como capitão-do-porto em Bolama, na Guiné. Aos 19, de novo em Lisboa, frequenta os salões de Veva de Lima, de quem talvez se possa dizer que foi, na Lisboa buliçosa dos twenties, uma Lady Ottoline Morrell à escala portuguesa.

Foi através de Veva que Fernanda de Castro acedeu ao millieu literário e artístico da época. Nesse mesmo ano (1919) estreia-se com Ante-Manhã, assinado ainda como Maria Fernanda de Castro e Quadros. Em 1921 começa a escrever no Diário de Lisboa. Em 1922 casa por procuração com António Ferro, ela em Lisboa, na igreja de Santa Isabel, ele no Rio de Janeiro, no Consulado-Geral de Portugal. Gago Coutinho é uma das testemunhas. Depois parte ao encontro do marido, que apresentava no Brasil a peça Mar Alto. Sucedem-se recitais (dela) e conferências (dele) no Rio, São Paulo e outras cidades. A estadia foi marcada pelos ecos da Semana de Arte Moderna de São Paulo e pelo convívio com os modernistas brasileiros.

O casal regressa a Lisboa em Maio do ano seguinte, a tempo do nascimento do primeiro filho, o futuro escritor e filósofo António Quadros (1923-1993). Pouco depois mudam-se para o Bairro Alto, ocupando o 1.º andar do n.º 6 da Calçada dos Caetanos, que fora residência do historiador Oliveira Martins e cenário das tertúlias do grupo dos Vencidos da Vida. Fernanda de Castro e António Ferro instalaram-se a seguir à morte da viúva do autor de Portugal Contemporâneo. Tinham como vizinhos o poeta José Gomes Ferreira, os pintores Fred Kradolfer, Ofélia e Bernardo Marques. O prédio ficou conhecido como Soviete dos Caetanos. Mais tarde, Mircea Eliade, Natália Correia, David Mourão-Ferreira, Amália e Ary dos Santos tornam-se habitués.

Em 1937, durante a Exposição Internacional de Paris, Fernanda de Castro priva com Pirandello, Larbaud, Maeterlinck, Colette, Valéry e outros grandes nomes da cultura europeia. São anos de intenso labor, durante os quais, a par de obra própria, traduz Sófocles, Rilke, Pirandello, Ionesco, Katherine Mansfield, etc. Pouco antes de completar 56 anos, Fernanda de Castro fica viúva e, durante seis anos, não publica poesia.

Nesse intervalo, associada a Mariana Avillez, abre em Cascais um pequeno hotel de charme, o Solar D. Carlos, onde Marguerite Yourcenar e Grace Frick estiveram hospedadas dois meses.

Entre outras actividades, deu corpo a um projecto de educação artística para crianças, ‘O Pássaro Azul’, no qual colaboram Sarah Affonso, Eunice Muñoz, Carmen Dolores, Ana Máscolo, Águeda Sena, Júlia d’Almendra, Arminda Correia, Nina Marques Pereira, Germana Tânger e outras. Faz entretanto uma longa viagem a Moçambique, com passagem pelo Parque Selvagem da Gorongosa, de que resultará Fim de Semana na Gorongosa, romance de aventuras para a juventude.

No regresso de Moçambique, cria (1963) o Teatro de Câmara António Ferro. A seu lado estão jovens artistas, encenadores e poetas, entre eles Ary dos Santos, Vasco Wellenkamp, Norberto Barroca e João Perry. Mais tarde, a partir do Castelo de Silves, organiza os Festivais do Algarve, iniciativa em que participam inúmeros poetas e actores, como António Manuel Couto Viana, Isabel Ruth, Ary dos Santos, Manuela de Freitas, João Perry, Lídia Franco, João d’Ávila, além de amigas inseparáveis como Amália, Edith Arvelos e Inês Guerreiro.

A queda do Estado Novo arrastou o silenciamento de Fernanda de Castro, que não abjura o pensamento e, em consequência, paga o preço do desassombro. Em 1981, um acidente vascular cerebral afecta de forma irreversível a sua mobilidade. É por essa altura que começa a ditar as memórias, cobrindo o período que vai de 1906 a 1987 e publicadas em dois volumes.

Em 1990, o Círculo Eça de Queiroz presta homenagem à sua vida e obra, Natália e David organizam na Calçada dos Caetanos uma festa de jubilação, e a Fundação Calouste Gulbenkian atribui-lhe o Grande Prémio de Literatura Infantil.

Com a idade do século, Fernanda de Castro morreu a 19 de Dezembro de 1994. O romance Tudo É Princípio, inédito à data da sua morte, teve publicação póstuma em 2006, ano em que organizei para o Círculo de Leitores as suas Obras Completas, publicadas em dezasseis volumes.

O poema desta semana integra Asa no Espaço (1955), livro escrito durante os anos que viveu em Roma. A imagem foi obtida a partir de Poesia II (1969), edição da autora.

[Antes deste, foram publicados poemas de Rui Knopfli, Luiza Neto Jorge, Mário Cesariny, Natália Correia, Jorge de Sena, Glória de Sant’Anna, Mário de Sá-Carneiro, Sophia de Mello Breyner Andresen, Herberto Helder, Florbela Espanca, António Gedeão, Fiama Hasse Pais Brandão, Reinaldo Ferreira, Judith Teixeira, Armando Silva Carvalho, Irene Lisboa, António Botto, Ana Hatherly, Alberto de Lacerda, Merícia de Lemos e Vasco Graça Moura.]

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sábado, 26 de junho de 2021

TERRORISMO OU SIMPLES ESTUPIDEZ?

A forma como todos os canais de televisão têm estado a fazer a cobertura da pandemia ficará nos anais como epítome de abjecção.

O agitprop político percebe-se. É lamentável, mas faz parte do jogo democrático. O espírito pidesco é outra coisa. Vem isto a propósito dos checkpoints montados na Gare do Oriente (e outras partes) a pretexto das normas de circulação, aos fins-de-semana, na Área Metropolitana de Lisboa.

Vamos admitir que os assalariados de serviço, tendo nascido todos depois de 1974, não conheceram o Portugal da ditadura. Não é desculpa para terem um polícia dentro da cabeça. E é isso que tenho visto, pessoas a serem inquiridas como se estivessem numa Esquadra, o mesmo acontecendo a agentes da PSP e da GNR que, em vez de um seco não respondo (a perguntas idiotas), aturam a caterva.

quinta-feira, 24 de junho de 2021

SEIS ESCOLHAS


Hoje na Sábado

Começar pelo princípio: Marilynne Robinson (n. 1943), voz maior da literatura norte-americana, está de volta com Jack. Com acção em Gilead, a cidade que empresta o nome ao título do romance que a fez vencer o Pulitzer de Ficção em 2005, o livro conta a história de Jack Boughton, filho “problemático” de um pastor presbiteriano. Já o conhecemos de Gilead, Home e Lila, os romances anteriores da tetralogia. O ponto crítico está na ligação amorosa de um homem branco com uma mulher negra, na América dos anos 1950. Ser professora e filha de um bispo metodista influente na comunidade negra não isenta Della Miles dos interditos da lei. Mas a vexata quaestio nem sequer reside aí. Para Marilynne Robinson, a questão central é pôr em pauta o tipo de país em que a América se transformou. O dilema de Hamlet paira como uma sombra nas discussões “teológicas” de Jack e Della. Notável. Publicou a Relógio d'Água.

Finalmente podemos ler Luto em português. Trata-se do romance mais traduzido e premiado do guatemalteco Eduardo Halfon (n. 1971), judeu mizrahim que nos faz mergulhar no horror de um país destroçado pela guerra civil. No Verão de 1981, antes de completar dez anos, o narrador muda-se com os pais para os Estados Unidos. O relato será feito a partir da Flórida, a pretexto da memória de um tio que nunca conheceu: «Chamava-se Salomón. Morreu aos cinco anos, afogado no lago Amatitlán.» Filtrada pelas raízes familiares — polacas por parte da mãe, libanesas do lado paterno —, a escavação do passado expõe o conflito entre culpa e curiosidade. Publicou a Dom Quixote.

A Trilogia da Cidade de K. traz de volta os livros mais famosos de Agota Kristof (1935-2011), a escritora que fugiu para a Suíça após o fracasso da Revolução Húngara de 1956. Radicada em Neuchâtel, tornou-se cidadã helvética e publicou a obra em francês. Reunidos em volume único, O Caderno Grande (1986), A Prova (1988) e A Terceira Mentira (1992) contam a história de dois gémeos amorais, vítimas da guerra e toda a espécie de iniquidades. Escrito em capítulos muito curtos, O Caderno… suscitou controvérsia quando foi publicado, dando origem a um processo judicial (as cenas de sexo e crime foram consideradas pornográficas). Os outros dois romances têm uma estrutura mais convencional, desdizendo, cada um a seu modo, as “verdades” do Caderno… Publicou a Relógio d'Água.

Sessenta anos após a sua primeira publicação, Chamada Para o Morto volta às livrarias, desta vez com uma introdução escrita para assinalar a data pelo próprio John le Carré (1931-2020). O livro marca o “nascimento” de Smiley, o espião improvável com quem Le Carré cresceu e amadureceu. Chamada Para o Morto é o primeiro de nove romances centrados na figura desse erudito da cultura alemã que fará dos serviços secretos a sua razão de vida (a mulher, Lady Ann Sercomb, trocou-o por um piloto cubano de Fórmula Um). O plot gira em torno do alegado suicídio de Samuel Fennan, funcionário do Foreign Office britânico. Foi o primeiro, mas já era vintage. Publicou a Dom Quixote.

Condensar a história inglesa entre o século V e o fim dos anos 1990 numa síntese rigorosa, foi o que fez Simon Jenkins (n. 1943) ao escrever esta Breve História de Inglaterra. Em menos de quatrocentas páginas, o autor faz um tour d’horizon deveras estimulante, que nos leva da Alvorada Saxónica ao legado de Thatcher, dissecando temas tão importantes como a Reforma religiosa (o conflito com o Papa) ou o Estado-Providência criado em 1945. A obra inclui uma cronologia de datas-chave, bem como a lista de todos os soberanos e primeiros-ministros do Reino Unido. Publicou A Esfera dos Livros.

A morte de Marcelino da Mata, controverso oficial dos Comandos, acordou velhos fantasmas da Guerra Colonial. Um deles, porventura o mais polémico, foi a invasão falhada da Guiné-Conacry, em Novembro de 1970. Efectuado por via marítima, o golpe visava capturar Amílcar Cabral, líder do PAIGC, libertar prisioneiros portugueses, levar os oposicionistas de Sékou Touré ao poder, e destruir os caças russos Mig. Operação Mar Verde, de António Luís Marinho, expõe os factos com exemplar minúcia: Amílcar Cabral não foi encontrado, não havia Migs no aeroporto de Conacry, os oposicionistas da FLNG não conseguiram eliminar Sékou Touré. Portugal desmentiu tudo. Prefaciado por Guilherme Alpoim Calvão, responsável pela tentativa desse coup d'État, o volume inclui dezenas de fotografias, índice onomástico e, em anexo, documentação militar. Um documento para a História. Publicou a Temas & Debates.

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quarta-feira, 23 de junho de 2021

UM TORNEIO PARA TODOS?


A UEFA não permitiu que o Allianz Arena, onde esta noite jogam as selecções alemã e húngara, fosse iluminado com as cores da bandeira arco-íris, símbolo da comunidade LGBTI. A acção visava dar um sinal à Hungria, país da UE que recentemente aprovou legislação discriminatória da comunidade homossexual. 

Heiko Maas, ministro alemão dos Negócios Estrangeiros, já criticou a decisão da UEFA: «Es stimmt, auf dem Fußballplatz geht’s nicht um Politik. Es geht um Menschen, um Fairness, um Toleranz. Deshalb sendet die UEFA das falsche Signal. Aber man kann heute ja zum Glück trotzdem Farbe bekennen im Stadion und außerhalb.» — Sinal errado, diz ele.

A ver vamos se a equipa alemã toma posição logo à noite.

A ideia de iluminar o estádio com as cores LGBTI partiu de Dieter Reiter, presidente da Câmara de Munique (capital do Estado da Baviera), que afirmou: «Queremos enviar um sinal claro à Hungria e ao mundo

Em protesto contra a UEFA, vários estádios alemães vão iluminar-se com as referidas cores assim que começar o jogo do Allianz Arena. A decisão da UEFA é tanto mais contraditória quanto a própria organização publicou um statement no Twitter, ilustrado com o símbolo do arco-íris, defendendo a inclusão da comunidade LGBTI no mundo do futebol.

Mas, como toda a gente sabe, o futebol é o último reduto da vida colectiva a seguir a divisa da rainha Vitória: «Homossexualidade? Isso não existe.» A soberana referia-se em particular às lésbicas.

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domingo, 20 de junho de 2021

VASCO GRAÇA MOURA


UM POEMA POR SEMANA — Para hoje escolhi os fantasmas coloquiais de Vasco Graça Moura (1942-2014), voz central da poesia portuguesa contemporânea e um dos intelectuais mais influentes do século XX português.

Natural do Porto, advogado, deputado à Assembleia Constituinte, eurodeputado no Parlamento Europeu (1999-2009), exerceu vários cargos institucionais, tais como, entre outros, os de secretário de Estado em dois Governos Provisórios (no IV, da Segurança Social; no VI, dos Retornados), director-geral da RTP, presidente da Imprensa Nacional-Casa da Moeda, representante de Portugal no Conselho da Europa, presidente da comissão executiva das comemorações do centenário de Fernando Pessoa, presidente da Comissão Nacional para as Comemorações dos Descobrimentos Portugueses (1988-95), comissário de Portugal para a Exposição Universal de Sevilha, director da Fundação Casa de Mateus, membro do conselho consultivo da FLAD, membro do conselho-geral da Comissão Nacional da UNESCO, director do Serviço de Bibliotecas e Apoio à Leitura da Fundação Calouste Gulbenkian e, nos dois últimos anos de vida, presidente do CCB.

Além de poesia, escreveu ensaio, ficção, crónicas e um diário, tendo organizado antologias de poesia e prosa. Traduziu Dante, Shakespeare (os sonetos), Petrarca, Rilke, Villon, Ronsard, Moliére, Voltaire e outros.

Em 1998 foi-lhe atribuída a Medalha de Ouro da Cidade de Florença pelas suas traduções de Dante. Mais tarde (2002), o ministério italiano da Cultura distinguiu-o pelas traduções de Dante e Petrarca. Uma das marcas da sua passagem pela IN-CM foi a edição integral da Enciclopédia Einaudi. Em Portugal recebeu todos os prémios que havia para receber, incluindo, em 1995, o Prémio Pessoa. Foi condecorado várias vezes, em Portugal e no Brasil.

Militante do PPD/PSD, apoiou a reeleição de Eanes (contra o candidato da AD) e, a partir de 1986, liderou o Movimento Contra o Acordo Ortográfico. Por mais de uma vez recusou ser ministro da Cultura. Homem de Direita, o seu ecumenismo é reconhecido por todos os quadrantes ideológicos. Teve quatro filhos de três casamentos. À data da sua morte vivia com a investigadora Maria Bochicchio.

O poema desta semana integra A Furiosa Paixão Pelo Tangível (1987). A imagem foi obtida a partir do primeiro volume de Poesia Reunida, publicado pela Quetzal em 2012.

[Antes deste, foram publicados poemas de Rui Knopfli, Luiza Neto Jorge, Mário Cesariny, Natália Correia, Jorge de Sena, Glória de Sant’Anna, Mário de Sá-Carneiro, Sophia de Mello Breyner Andresen, Herberto Helder, Florbela Espanca, António Gedeão, Fiama Hasse Pais Brandão, Reinaldo Ferreira, Judith Teixeira, Armando Silva Carvalho, Irene Lisboa, António Botto, Ana Hatherly, Alberto de Lacerda e Merícia de Lemos.]

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sábado, 19 de junho de 2021

MARCHA CANCELADA


Após parecer desfavorável da DGS entregue ontem ao início da noite, no termo de dois meses de contactos entre as partes, a comissão organizadora da marcha do Orgulho LGBTI+ de Lisboa decidiu cancelar a Marcha agendada para este sábado, a 22.ª desde que o evento se realiza.

Reunidos depois das 21h, os representantes das catorze organizações que compõem a comissão organizadora da marcha do Orgulho LGBTI+ de Lisboa lamentam a «desconsideração pelas sucessivas tentativas de contacto para planeamento duma marcha política segura, e ainda um profundo desconhecimento sobre a sua natureza e o que esta representa para a nossa comunidade

A decisão apanha de surpresa dezenas de activistas vindos de todo o país, neste momento impedidos de sair da área metropolitana de Lisboa.

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sexta-feira, 18 de junho de 2021

INVASÃO DE PRIVACIDADE

O envio de dados pessoais de activistas políticos às representações diplomáticas estrangeiras é uma prática indigna de um Estado democrático.

O procedimento acabou em Abril deste ano, mas vem do tempo dos governos-civis (extintos em 2011), órgãos da Administração Pública que representavam o Governo da República nos vários distritos.

Ontem, na apresentação das conclusões preliminares da auditoria interna, Fernando Medina explicou tudo com detalhe. Resumindo muito: desrespeitando normas fixadas por António Costa, quando o primeiro-ministro era o edil da cidade, a Câmara de Lisboa continuou a proceder como no tempo de António Galamba, governador-civil de Lisboa até 2011. Entre a documentação entregue aos media, constam cópias de faxes do governo-civil galambino enviados às embaixadas da Guiné-Bissau e de Israel. Não era com certeza o único, outros fariam o mesmo, mas mais valia estar calado.

Entretanto, Medina comunicou a exoneração de Luís Feliciano, responsável pela Protecção de Dados da CML, bem como a extinção do Gabinete de Apoio à Presidência, transferindo as suas competências para a Polícia Municipal.

quinta-feira, 17 de junho de 2021

AML COM RESTRIÇÕES À CIRCULAÇÃO


Entre as 15:00 de sexta-feira e as 06:00 de segunda-feira, pode-se circular na Área Metropolitana de Lisboa, mas não entrar ou sair

Começa já amanhã. Pode prolongar-se por vários fins-de-semana.

Os dezoito concelhos abrangidos: Alcochete, Almada, Amadora, Barreiro, Cascais, LISBOA, Loures, Mafra, Moita, Montijo, Odivelas, Oeiras, Palmela, Seixal, Sesimbra, Setúbal, Sintra e Vila Franca de Xira.

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OLHA SE NÃO FIZESSE


Concelho de Lisboa: mais de sete mil testes por cada cem mil habitantes, ou seja, quase tantos como as outras regiões do país, todas somadas.

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domingo, 13 de junho de 2021

MERÍCIA


UM POEMA POR SEMANA — Para hoje escolhi Nasceu Um Menino Morto» de Merícia de Lemos (1913-1996), poetisa expatriada e, portanto, esquecida.

Natural da cidade da Beira, Moçambique, veio para Portugal em 1929 a fim de prosseguir estudos na Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa. Em 1941 publicou o primeiro livro, Mar Interior. Em 1945 partiu para Paris, onde viveu até morrer. Com capas e hors-texte de Vieira da Silva, Dacosta, Cícero Dias e outros, os seus livros foram publicados na Guimarães, na Ática, na Imprensa Nacional, etc., mas também na Pierre Seghers, de Paris.

Tendo privado com a intelectualidade francesa do seu tempo, viajou por todo o mundo, colaborou na Seara Nova e outras publicações de prestígio. Interessada em artes plásticas — frequentou a École du Louvre —, foi, na capital francesa, durante meio século, antiquária.

O poema desta semana pertence a Rosa Rosae (1958). A imagem foi obtida a partir do 1.º volume da Terceira Série de Líricas Portuguesas, a mítica antologia organizada por Jorge de Sena, publicada pela Portugália [este primeiro volume] em 1972.

[Antes deste, foram publicados poemas de Rui Knopfli, Luiza Neto Jorge, Mário Cesariny, Natália Correia, Jorge de Sena, Glória de Sant’Anna, Mário de Sá-Carneiro, Sophia de Mello Breyner Andresen, Herberto Helder, Florbela Espanca, António Gedeão, Fiama Hasse Pais Brandão, Reinaldo Ferreira, Judith Teixeira, Armando Silva Carvalho, Irene Lisboa, António Botto, Ana Hatherly e Alberto de Lacerda.]

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sexta-feira, 11 de junho de 2021

NINGUÉM É INOCENTE

A troca de informações entre Estados faz-se desde que o mundo é mundo. Não vale a pena discutir o mérito da prática. Sempre se fez, sempre se fará.

O que há de novo no caso que envolve a Câmara de Lisboa e a embaixada da Federação Russa levanta outro tipo de interrogações e acrescenta uma nota de incredulidade.

Toda a gente sabe, ou devia saber, que as manifestações (um direito garantido pela Constituição da República) não carecem de autorização. A única formalidade consiste na comunicação prévia, às autoridades, do local, data e hora da sua realização. É o que fazem os sindicatos, por exemplo. Quem quiser manifestar-se à margem de qualquer tipo de associação — como, alegadamente, terão feito os imigrantes russos —, não fica dispensado dessa comunicação: as autoridades exigem a identidade de três promotores. Um devia chegar, mas manda quem pode e obedece quem deve.

O Regulamento Geral sobre Protecção de Dados existe desde Agosto de 2019. 

A Lei n.º 58, de 8 de Agosto de 2019, «assegura a execução, na ordem jurídica nacional, do Regulamento (UE) 2016/679 do Parlamento e do Conselho, de 27 de abril de 2016, relativo à proteção das pessoas singulares no que diz respeito ao tratamento de dados pessoais e à livre circulação desses dados.» Claro como água. 

Aparentemente, ninguém informou as autarquias. Face ao que se passou entre a Câmara de Lisboa e a embaixada da Federação Russa, é sintomático o silêncio das outras 307 autarquias nacionais.

Aqui chegados, dizer três coisas: o que se passou é grave / os funcionários das autarquias têm que respeitar o RGPD / nesta história mal contada ninguém é inocente.

HIGHLIGHT


Helena Vasconcelos, hoje no Público, sobre Devastação

«[...] É essa sensação de incómodo, a que não falta um arrepio de excitação, que acompanha a leitura destes seis contos de Eduardo Pitta, reunidos sob o título Devastação. Eduardo Pitta é um daqueles autores que é capaz de escrever poesia, ensaio, literatura de viagens e prosa sem nunca abandonar uma espécie de “lirismo selvagem”, em que a crueldade natural do ser humano se conjuga elegantemente com as evocações mais refinadas, as referências mais requintadas. [...] Com uma concisão que lembra os contos de Lydia Davis e a poética desencantada dos de Raymond Carver, Eduardo Pitta é, no entanto, original e único na forma como, em poucas palavras sabiamente escolhidas, cria tensão, drama, angústia e desassossego. [...] São contos cruéis e surpreendentemente exaltantes

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quinta-feira, 10 de junho de 2021

ANGOCHE POR VALE FERRAZ


Cinquenta anos passados sobre o Caso Angoche, mistério por decifrar, Carlos Vale Ferraz (n. 1946) deu à estampa Angoche — Os Fantasmas do Império. Vale Ferraz, pseudónimo literário do coronel Carlos Matos Gomes, na dupla qualidade de oficial do Exército e de investigador de História contemporânea, sabe do que fala. 

Oficialmente, os factos são estes: no dia 24 de Abril de 1971, entre as cidades de Quelimane e da Beira, na costa de Moçambique, foi avistado à deriva, com fogo na ponte de comando e na casa das máquinas, o navio de cabotagem Angoche, que transportava material de guerra, treze tripulantes negros, dez tripulantes brancos, um passageiro e um cão. O alerta foi dado no dia 27 pelo petroleiro Esso Port Dickson, com pavilhão do Panamá, continuando por esclarecer o hiato de três dias. Nunca foram encontrados corpos, desconhecendo-se o destino de quem ia a bordo. O Angoche foi rebocado para a baía de Lourenço Marques, onde chegou a 6 de Maio. Mais vírgula menos vírgula, dependendo do jornal ou das fontes “autorizadas”, é aquilo a que a opinião pública tem direito desde 1971.

Há especulações e perguntas para todos os gostos. O Angoche foi atacado? Por quem? Foi vítima de golpe da ARA ou da FRELIMO? Submarino russo ou chinês? Que papel tiveram os serviços secretos sul-africanos? O que aconteceu aos 24 homens? Foram para a Tanzânia? Por que razão o radiotelegrafista se “esqueceu” de embarcar, ficando em Nacala? Que papel tinha na história a mulher de alterne “suicidada” na Beira?

Sobre o assunto existe bibliografia documental, mas Angoche — Os Fantasmas do Império é um romance. A fórmula permite a Carlos Vale Ferraz inserir a intriga ficcional nos interstícios dos factos. E faz isso muito bem.

Angoche — Os Fantasmas do Império é dedicado «a quem morreu por saber de mais sobre o caso. Mortos por uma causa que ninguém teve a coragem de assumir

Para desenvolver o plot, o narrador apoia-se nos conhecimentos do “tio Dionísio”, oficial da Marinha portuguesa com ligações aos serviços secretos sul-africanos. Narrativa aliciante, faz o retrato dos últimos anos da colonização, vistos a partir de Moçambique. Por exemplo, é muito curiosa a caricatura a traço grosso de alguma burguesia de Lourenço Marques (Eduardo de Arantes e Oliveira, governador-geral de Moçambique à data do caso Angoche, surge mais de uma vez), os atritos entre a PIDE e os militares, etc. A sombra da operação Alcora — aliança militar secreta entre Portugal, a África do Sul e a Rodésia — perpassa no relato. Em suma, 170 páginas de boa ficção sobre factos obscuros da guerra colonial.

Lembrar que da obra ficcional de Carlos Vale Ferraz faz parte Nó Cego (1982, reeditado em 2018), título incontornável da bibliografia sobre a guerra em Moçambique.

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quarta-feira, 9 de junho de 2021

TAP COM LIDERANÇA FEMININA


Após dias de rumores, foi hoje confirmado que Christine Ourmières-Widener, 57 anos, engenheira aeronáutica diplomada pela École Nationale Supérieure de Mécanique et d'Aérotechniqueé, será a nova CEO da TAP.

Madame Ourmières-Widener foi CEO da britânica Flybe, a maior companhia aérea regional europeia que, por insolvência, cessou toda a operação em Março do ano passado.

Do seu currículo consta a passagem (1988-2016) pela administração da Air France, companhia onde foi responsável pela operação do Concorde. Mais tarde integrou a administração da Air France/KLM. Também passou pela companhia aérea irlandesa CityJet.

Entretanto, Miguel Frasquilho deixa o cargo de chairman, sendo substituído por Manuel Beja.

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OS 16 ANOS DA CNCDP

Alguém se lembra de quanto tempo durou, i.e., esteve em funções a Comissão Nacional para as Comemorações dos Descobrimentos Portugueses?

A Comissão presidida por Vasco Graça Moura e outros durou dezasseis anos (1986-2002). Portanto, Rui Rio devia pôr um assessor a consultar o Diário da República antes de efabular sobre «os cinco anos» de Pedro Adão e Silva.

Exactamente: começou a preparar-se em 1986 o V Centenário da Viagem de Vasco da Gama (1497-1498) e da Descoberta do Caminho Marítimo para a Índia.

Vasco Graça Moura, que fez um trabalho notável, não exerceu, tal como os outros, pro bono.

Rui Rio não se lembra. Estaria ocupado com os cargos que exercia no BCP, nas tintas CIN, na Boyden Executive Search e outras empresas do mercado de capitais.

As pessoas comuns não têm obrigação de recordar estes detalhes. Mas um líder partidário tem. O presidente do PSD não se sente confortável com as celebrações da queda da ditadura? Problema dele.

terça-feira, 8 de junho de 2021

TRANQUIBÉRNIA


A nomeação de Pedro Adão e Silva para presidir à Comissão Executiva das Comemorações dos 50 anos do 25 de Abril parece ter irritado muita gente. Mas fica mal ao líder da Oposição referir-se-lhe nos termos em que o fez.

Queriam o quê? Um neto de Salazar à frente das comemorações da queda da ditadura? Um antigo membro da Falange?

É natural que o PS tenha escolhido um antigo Secretário Nacional seu. Antigo porque Pedro Adão e Silva abandonou a política activa em 2005. O PSD escolheria um vice-presidente, o PCP um membro destacado do Comité Central, etc.

Nascido em 1974, o ano da revolução, doutorado em Ciências Sociais e Políticas pelo Instituto Europeu de Florença, professor de sociologia e políticas públicas no ISCTE, autor de obras sobre o estado social, surfista, meu amigo, Pedro Adão e Silva parece-me um boa escolha. O próprio Presidente da República enalteceu as suas qualidades.

contabilidade de Rui Rio é de merceeiro deprimido. As insinuações são indignas do chefe da Oposição.

domingo, 6 de junho de 2021

LACERDA


UM POEMA POR SEMANA — Para hoje escolhi Depois de Veres Guerra e Paz de Sergei Bondarchuk de Alberto de Lacerda (1928-2007), poeta duplamente expatriado, uma das grandes vozes da poesia portuguesa da segunda metade do século XX. Simplificando muito, pode dizer-se que a sua obra vive em permanente confronto com a tripla pulsão da melancolia, da liberdade e da iconoclastia.

Natural da Ilha de Moçambique, homossexual, Lacerda veio para Portugal pouco antes de completar 18 anos. Em Lisboa depressa fez amizade com Cinatti, Sophia, Cesariny, David, Ramos Rosa, Raul de Carvalho e Luís Amaro. Em 1950, com David, Couto Viana e Luiz de Macedo fundou as folhas de poesia Távola Redonda.

Mas foi curto o intervalo português: no Verão de 1951, quando o n.º 8 dos Cadernos de Poesia, então dirigidos por Jorge de Sena, lhe foi integralmente dedicado, partiu para Londres, onde viveu até morrer.

Na capital britânica trabalhou na BBC, divulgando a cultura portuguesa. Num curto espaço de tempo frequentava os salões literários mais exclusivos da cidade. Talvez por isso, Herberto Helder tenha dito que «Alberto de Lacerda tem Londres invadida por sofás» [cf Photomaton & Voz, 1979]. Tinha 23 anos quando Edith Sitwell o convidou para almoçar com T. S. Eliot e William Walton. Não por acaso, foi em Londres que foi publicado o seu primeiro livro, 77 Poems (1955), sob chancela da Allen & Unwin e prefácio do sinólogo Arthur Waley. Esse livro de estreia teve calorosa recepção crítica por parte de gurus como Quentin Stevenson, J. M. Cohen e David Wright. E terá sido no momento em que o Times Literary Supplement dedicou ao livro uma recensão atenta, que Portugal começou a fazer de conta que ele não existia.

Em 1959, a convite de Manuel Bandeira e Carlos Drummond de Andrade, permaneceu um ano no Brasil, dando conferências e recitais em universidades e outras instituições. Finalmente, em 1961, um livro em Portugal: «Palácio». Críticos empenhados, como Sena, Eduardo Lourenço e Ramos Rosa, sempre o elogiaram, mas a ortodoxia vigente ignorava.

Entre 1967 e 1993, Alberto de Lacerda leccionou em universidades americanas, primeiro em Austin (no Texas), depois em Nova Iorque, por último em Boston, onde esteve a partir de 1972. Durante esses vinte e seis anos, passava um semestre de cada lado do Atlântico.

Um dia, já depois do 25 de Abril, o dirigente máximo do Instituto de Alta Cultura “descobriu” que Lacerda não tinha habilitação própria, ou seja, licenciatura. E não hesitou: mandou rescindir o contrato. Incrédulas, as autoridades académicas americanas não queriam acreditar que o “seu” professor de Poética fosse posto de lado por tal motivo. E fizeram o óbvio: contrataram-no directamente, não aceitando receber o licenciado proposto por Portugal.

Tal como acontecera em Inglaterra, o convívio com a intelligentzia norte-americana foi fácil. Privou com Marianne Moore, Thom Gunn, Robert Duncan, David Hockney e outros. Em 1969 tinha uma antologia publicada pela Universidade do Texas, Sellected Poems. Foi o primeiro e único autor de língua portuguesa a dar um recital da sua poesia na Biblioteca do Congresso, em Washington. Em 1973, editou Maio, International Poetry Magazine, de que saiu um único número, com colaboração de Cesariny, Guillén, Octavio Paz, Murilo Mendes, Dominique Fourcade e Augusto de Campos.

Coleccionador de arte, ele próprio autor de colagens (em 1987 expôs pela última vez na Sociedade Nacional de Belas Artes de Lisboa), são lendárias as suas amizades com Vieira da Silva, Arpad Szenes, Paula Rego, Victor Willing, Menez, Jorge Martins, etc., artistas sobre quem escreveu na imprensa portuguesa mas também na Encounter, The Listener e outras publicações. 

Também em 1987, a sua colecção privada de artistas do vasto mundo (arte, correspondência, retratos) foi mostrada ao público no Centro de Arte Moderna da Gulbenkian, tendo a Fundação editado um precioso catálogo com texto introdutório de Eduardo Lourenço. Outro volume indispensável para “mergulhar” no universo de Lacerda é o álbum fotográfico The Sea That Lies Beyond My Rocks, organizado por Luís Amorim de Sousa e publicado em 2010 pela Assírio & Alvim em parceria com a Fundação Mário Soares.

Em 27 de Agosto de 2007, a um mês de completar 79 anos, foi encontrado em coma na sua casa de Londres, pelo crítico de arte John McEwen (iam almoçar juntos), seu confidente e autor do obituário publicado no Independent. Hospitalizado de seguida, morreria horas depois.

O poema desta semana pertence a Mecânica Celeste (1994), que colige poemas escritos entre 1963 e 1970. A imagem foi obtida a partir de Oferenda II, segundo volume da obra poética quase completa, publicado pela Imprensa Nacional em 1994.

[Antes deste, foram publicados poemas de Rui Knopfli, Luiza Neto Jorge, Mário Cesariny, Natália Correia, Jorge de Sena, Glória de Sant’Anna, Mário de Sá-Carneiro, Sophia de Mello Breyner Andresen, Herberto Helder, Florbela Espanca, António Gedeão, Fiama Hasse Pais Brandão, Reinaldo Ferreira, Judith Teixeira, Armando Silva Carvalho, Irene Lisboa, António Botto e Ana Hatherly.]

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sábado, 5 de junho de 2021

ACABOU A FESTA


Com o lançamento de Devastação, o mais recente dos meus livros, terminou esta tarde a 5.ª edição de Alvalade Capital da Leitura.

Tudo aconteceu no Museu Bordalo Pinheiro e não podia ter corrido melhor. Cecília Andrade, editora da Dom Quixote, abriu a sessão com palavras de extrema generosidade. Teresa Sousa de Almeida apresentou a obra com o rigor académico a que nos habituou. Luis Lucas leu um dos contos com a sagesse de um grande actor.

A José António Borges, presidente da Junta de Freguesia de Alvalade, coube fazer a síntese da semana, fazendo-o com desenvoltura, eloquência e verdadeira empatia.

Os amigos que estavam vieram todos de longe. Em suma, foi deveras emocionante.

Nos instantâneos fotográficos vêm-se, de cima para baixo e da esquerda para a direita, Cecília Andrade, Teresa Sousa de Almeida, Luís Lucas, José António Borges e eu próprio no uso da palavra.

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