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quinta-feira, 28 de dezembro de 2017

BEST OF INTERNACIONAL 2017


As minhas escolhas estrangeiras de 2017, publicadas hoje na revista Sábado. Três romances, uma biografia e uma colectânea de ensaios.

Celebrado como contista, George Saunders estreou-se no romance com Lincoln no Bardo. Em registo tardo-modernista, o livro ficciona a depressão sofrida por Abraham Lincoln após a morte do terceiro filho. A sintaxe desconcerta, a filiação à literatura do absurdo obscurece por vezes a narrativa, mas o leitor deixa-se levar pelos fantasmas que assombram a obra.

Toda a gente ouviu falar de Nathan Zuckerman, o protagonista de nove romances que Philip Roth publicou entre 1979 e 2007. O Escritor Fantasma inaugurou a série, mas chegou ao nosso país depois dos outros. Digressão sobre as origens judaicas do autor, a cena literária de Manhattan, a vida americana nos fifties e as contingências do sexo, o livro é um prodígio de sarcasmo em prosa de primeiríssima água.

Romance em três partes, O Teu Rosto Amanhã é provavelmente a obra mais famosa do espanhol Javier Marías, eterno nobelizável. Oscilando entre presente e passado, cruzando toda a sorte de referências culturais, políticas e sociológicas, o virtuosismo do autor faz um tour d’horizon ao século. Os volumes subtitulam-se, respectivamente, Febre e lança / Dança e sonho / Veneno e sombra e adeus. Notável.

A biografia de Nelson Rodrigues escrita por Ruy Castro é um monumento do género. Nelson, dramaturgo, cronista, romancista, contista, repórter e guionista, não foi um personagem liso, e é provável que só Ruy Castro estivesse à altura de pôr em letra de forma a vida do homem controverso que fez o teatro brasileiro entrar no século XX. A vários títulos, O Anjo Pornográfico é um capítulo da História do Brasil.

Seguir o raciocínio de George Steiner, o último renascentista vivo, releva do puro prazer. A selecção de 28 ensaios publicados na revista New Yorker, entre 1967 e 97, corroboram o papel central do autor no pensamento crítico dos últimos 60 anos. Soljenítsin, Orwell, Céline, Borges, Chomsky, Brecht, o caso Anthony Blunt visto sob nova luz, etc., são dissecados com a ‘força bruta de inteligência’ com que Steiner agarra o leitor da primeira à última página.

BEST OF NACIONAL 2017


As minhas escolhas de ficção nacional publicadas hoje na revista Sábado.

Chegada tarde à vida literária, Cristina Carvalho tem vindo a impor-se à revelia dos lobbies instalados. Rebeldia, o seu romance mais recente, conta a história de uma mulher que, no auge do salazarisno, decide ser senhora do seu destino. Narrado com a tinta forte do realismo sem filtro, o romance tem passagens de rara violência verbal, carga sexual incluída.

Com uma escrita limpa e polida até ao osso, Bruno Vieira Amaral é das vozes mais assertivas da ficção nacional — ao ponto de ter inscrito o Bairro Amélia no cânone. Hoje Estarás Comigo no Paraíso demonstra como, a partir de uma grelha autobiográfica habilmente ficcionada, o romance coloca ao leitor questões da sua própria contemporaneidade.

O romance de estreia de Dulce Garcia, Quando perdes tudo não tens pressa de ir a lado nenhum, confirmou a vitalidade da ficção nacional escrita por mulheres. Numa prosa seca, isenta de autocomplacência, a autora ilustra o terreno movediço de todos os interditos: sexo, droga, violência e disfunções familiares, atrito conjugal. Epítome do estranhamento, a  ‘mulher do saco’ entrou assim na galeria das heroínas de ficção.

quinta-feira, 29 de dezembro de 2016

BEST OF


O Best Of da Sábado saiu hoje. Aqui ficam a minhas escolhas:

Todos os Contos, Clarice Lispector / Relógio d’Água
Uma rapariga é uma Coisa Inacabada, Eimear McBride / Elsinore
Túnel de Pombos, John Le Carré / Dom Quixote
A Gorda, Isabela Figueiredo / Caminho
A Última Noite e Outras Histórias, James Salter / Livros do Brasil

Clique na imagem.

terça-feira, 22 de dezembro de 2015

BEST OF 2015


Por causa do Natal, a Sábado antecipou a saída para hoje. Aqui ficam as minhas escolhas do ano, em ficção: os três melhores e a grande desilusão. Três mais um são três mais um. Não há preâmbulos para registo de... “mas também o livro de fulano que me pôs em ponto de rebuçado, etc.” Fica-se sempre sem saber o que é mais importante: se os da lista seca, se os “mas também”.

Portanto, é assim: 1. A Senda Estreita Para o Norte Profundo, de Richard Flanagan / 2. Em Movimento. Uma Vida, de Oliver Sacks, ambos publicados pela Relógio d'Água / 3. Cidade em Chamas, de Garth Risk Hallberg, publicado pela Teorema.

Flop — Um Anjo Impuro, de Henning Mankell, publicado pela Presença.

Clique na imagem para ler os textos.