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terça-feira, 4 de maio de 2021

JULIÃO SARMENTO 1948-2021


Vítima de cancro, morreu hoje Julião Sarmento, o artista plástico português de maior projecção internacional. Doente há vários meses, Sarmento encontrava-se internado no Centro Clínico Champalimaud, em Lisboa.

Representado em museus e galerias de todo o mundo, a obra de Sarmento desdobra-se pela pintura, desenho, escultura, fotografia, vídeo, instalações e performance. No nosso país, obras suas podem ser vistas no MNAC (Lisboa), no Museu de Serralves (Porto), no CAM da Gulbenkian, no Museu Berardo e outras assinaladas partes.

Retrospectivas suas foram apresentadas em Lisboa (Gulbenkian), Porto (Serralves), Madrid (Museu Nacional Reina Sofia), Londres (Tate Modern), Roterdão (Witte de With Centrum voor Hedendaagse Kuns), Amesterdão (Stedelijk Museum), Nova Iorque (Guggenheim), etc. A partir dos anos 1980 participou nas mais importantes bienais de arte: Paris, São Paulo, Veneza e, por duas vezes, na Documenta de Kassel. 

Após ter vivido em Londres nos anos 1960, Sarmento viveu em Lourenço Marques — mais exactamente na Matola — entre 1972 e o início de 1974. Descobri-o na Galeria Texto, onde expôs Quartos em Maio de 1974 (a abertura agendada para 25 de Abril foi adiada). Se a memória me não falha, havia dépliant de Sílvia Chicó. Terá sido a sua primeira individual.

Em Portugal tornou-se notado após ter participado em Alternativa Zero (1977), o happening conceptual e multidisciplinar que Ernesto de Sousa organizou na Galeria Nacional de Arte Moderna, juntando artistas, músicos e escritores de várias gerações e tendências.

Afinidades Electivas (2015), exposição comissariada por Delfim Sardo, mostrou a colecção particular de Sarmento: mais de trezentas obras de artistas nacionais e estrangeiros com quem se cruzou e de quem foi amigo. Exposta em dois núcleos, um no Museu da Electricidade da Fundação EDP, outro na Fundação Carmona e Costa, encontra-se plasmada em álbum, como tantas outras das suas exposições e ciclos temáticos.

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terça-feira, 5 de janeiro de 2021

JOÃO CUTILEIRO 1937-2021


Vítima de enfisema pulmonar, morreu esta manhã o escultor João Cutileiro. Natural de Lisboa, frequentou a Escola Superior de Belas Artes e a Slade School of Art de Londres. Viveu na Inglaterra entre 1955 e 1970.

No regresso a Portugal radicou-se em Lagos, mas em 1985 transferiu-se para Évora. Antigo militante do PCP, é autor do Monumento ao 25 de Abril colocado no alto do Parque Eduardo VII. Contudo, a sua obra mais emblemática é a estátua de D. Sebastião (1973), da Praça Gil Eanes, de Lagos, verdadeiro ex-libris da cidade algarvia. É também de sua autoria o busto de Natália Correia (1999) que se encontra na Assembleia da República.

Ao longo da carreira expôs em várias cidades e países, sobretudo em Lisboa, no Algarve e no Alentejo, mas também na Bélgica, Alemanha, Luxemburgo, em Macau e nos Estados Unidos. Parte da sua obra foi exposta em Lisboa, numa grande retrospectiva organizada pela Fundação Calouste Gulbenkian em 1990.

Além de Lisboa e Lagos, estatuária sua encontra-se em diversas cidades portuguesas. Em 2018, Cutileiro doou o seu espólio (mais de 900 obras) ao Estado, parte das quais serão expostas no próximo mês de Maio em Vila Nova de Foz Coa.

Doutorado honoris causa pelas Universidades de Évora e Nova de Lisboa, foi também agraciado com a Ordem Militar de Sant'Iago da Espada.

Tinha 83 anos e estava internado no Hospital Pulido Valente, em Lisboa. Era irmão do embaixador José Cutileiro, falecido em 2020.

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segunda-feira, 7 de dezembro de 2020

TATE SEM WHISTLER


Devido ao mural que o decorou durante 93 anos, o restaurante da Tate Britain não vai poder reabrir.

Um comité de ética considerou racista e ofensiva a pintura de Rex Whistler, The Expedition in Pursuit of Rare Meats. O referido mural retrata cenas de caça, escravatura de crianças negras e imagens problemáticas de chineses. 

Encomendado por Charles Aitken para a inauguração do restaurante em 1927, era um dos hot spots do museu. Em 2013 foi restaurado por 45 milhões de libras. Agora terá de ser removido. Em todo o caso, o restaurante mantém-se encerrado até 31 de Outubro de 2021.

Rex Whistler (1905-1944) morreu em combate na Segunda Guerra Mundial. Tinha 22 anos quando o museu lhe encomendou o mural.

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segunda-feira, 9 de novembro de 2020

CRUZEIRO SEIXAS 1920-2020


A menos de um mês de completar cem anos, morreu ontem, no Hospital de Santa Maria, o pintor e poeta Artur do Cruzeiro Seixas, fundador e figura destacada do Surrealismo português.

Depois de frequentar a Escola António Arroio (1935-41), fez parte das tertúlias do Café Hermínius e do Grupo Surrealista de Lisboa, expondo pela primeira vez em 1949.

Alistado na Marinha Mercante, fixou-se em Angola em 1951, ali vivendo durante catorze anos. Sem abandonar as artes plásticas, foi naquela antiga Colónia que começou a escrever poesia, estando publicados os três volumes da Obra Poética organizados por Isabel Meyrelles (um quarto volume encontra-se em preparação). Em 1967 torna-se bolseiro da Fundação Calouste Gulbenkian, viaja por todo o mundo, dirige várias galerias de arte, expõe em Espanha, no Brasil, na Alemanha, na Inglaterra, na Bélgica, no Chile, nos Estados Unidos e no México, desenha cenários para o Ballet Gulbenkian e para a Companhia Nacional de Bailado e, em 1975, corta relações com Cesariny, o amigo dilecto. A correspondência de ambos (1941-75) foi publicada em 2016 pela editora Sistema Solar.

Ilustrou livros de diversos autores, entre eles a Antologia de Poesia Portuguesa Erótica e Satírica que Natália Correia organizou e publicou em 1966.

Cruzeiro Seixas está representado em colecções públicas e privadas. Entre outras, na Fundação Calouste Gulbenkian, no Museu Nacional de Arte Contemporânea (Chiado), na Biblioteca Nacional de Portugal, no  Museu Machado de Castro (Coimbra), na Biblioteca de Tomar e, naturalmente, no Museu do Surrealismo da Fundação Cupertino de Miranda, em Vila Nova de Famalicão, instituição a que doou toda a sua colecção em 1999.

Radicado no Algarve desde o início dos anos 1980, homossexual assumido, foram realizados sobre a sua vida e obra três filmes: N.O.M.A. Cruzeiro Seixas (2006) de Carlos Cabral Nunes; Cruzeiro Seixas. O Vício da Liberdade (2010) de Alberto Serra e Ricardo Espírito Santo; e As Cartas do Rei Artur (2016) de Cláudia Rita Oliveira.

A ministra da Cultura atribuiu-lhe no mês passado a Medalha de Mérito Cultural.

O corpo estará no Teatro Thalia, em Lisboa, amanhã (10-15h), seguindo depois para o Cemitério dos Prazeres.

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quinta-feira, 1 de outubro de 2020

QUINO 1932-2020


Praticamente cego e vítima de AVC, morreu ontem Quino, i.e., Joaquín Salvador Lavado Tejón, o argentino que criou a Mafalda, personagem de banda desenhada que marcou sucessivas gerações. Tinha 88 anos.

Publicado e traduzido em todo o mundo, Quino era filho de pais espanhois, expressando-se em dialecto andaluz até à adolescência. Mafalda nasceu por causa de uma campanha publicitária (1962) aos frigoríficos e máquinas de lavar roupa Mandsfield, trabalho rejeitado que o levou a publicar cartoons na imprensa, em plena ditadura militar de Onganía.

O ciclo Mafalda vai de 1964 a 1973, caracterizando-se pelo pacifismo (a Guerra do Vietname estava no auge), o feminismo, a crítica ao consumismo e a insatisfação das juventudes rebeldes. A “morte” de Mafalda coincide com o regresso de Perón ao poder e consequente exílio (na Itália) de Quino, que continuou a publicar livros até 2016 e a colaborar semanalmente com o jornal El País durante mais de vinte anos.

Cidadão espanhol desde 1990, Quino deixou de viver em Espanha em 2014, ano em que recebeu o Prémio Príncipe de Astúrias de Comunicação e Humanidades. Antimonárquico de formação, tornou pública a sua admiração por Felipe VI.

A imagem mostra Quino em Setembro de 2014, sentado ao lado de Mafalda, Manolito e Susanita, obra de 2009 do escultor Pablo Irrgang. O banco encontra-se no bairro de San Telmo, em Buenos Aires.

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quinta-feira, 27 de agosto de 2020

NIKIAS SKAPINAKIS 1931-2020


Morreu ontem Nikias Skapinakis, um dos nomes centrais da pintura portuguesa do século XX. Está agora a fazer um ano que pela última vez o vi em Descontinuando, a exposição de pintura e desenho inaugurada na galeria do Teatro da Politécnica a 11 de Setembro de 2019.

Filho de pai grego e mãe portuguesa, Skapinakis nasceu em Lisboa, frequentou arquitectura, mas abandonou o curso para dedicar-se a tempo inteiro à pintura. Representado nas colecções e museus mais importantes do país, pode ainda ser visto na Brasileira (café do Chiado) e no metropolitano de Lisboa (estação de Arroios). Além de revistas literárias, ilustrou livros de Aquilino e Nemésio. Entre as várias retrospectivas da sua obra, destacam-se as da Fundação Calouste Gulbenkian, Fundação de Serralves, Museu do Chiado, Museu Berardo, Centro Cultural de Cascais e Fundação Carmona e Costa.

Talvez esteja na altura da RTP repor Nikias Skapinakis: O Teatro dos Outros (2007), documentário de Jorge Silva Melo sobre o conjunto da obra.

Várias vezes premiado e nobilitado (Grande-Oficial da Ordem Militar de Sant’Iago da Espada, etc.), o seu nome consta do memorial às vítimas da ditadura instalado em 2019 na estação Baixa-Chiado do metropolitano de Lisboa.

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terça-feira, 18 de fevereiro de 2020

COLECÇÕES DO ESTADO


David Santos, 48 anos, historiador e crítico de arte, antigo director do Museu Nacional de Arte Contemporânea do Chiado, bem como do Museu do Neo-Realismo (em Vila Franca de Xira), com larga experiência em curadoria artística, é o novo Curador da Colecção de Arte do Estado.

As novas funções implicam que abandone a direcção-geral do Património, onde, desde Fevereiro de 2016, exercia o cargo de subdirector-geral.

A partir de Março, David Santos terá a responsabilidade de gerir a circulação das cerca de mil e trezentas obras do património artístico público. Ou seja, de acordo com o comunicado do ministério da Cultura, «dar um novo passo no desenvolvimento de uma estratégia pública para a arte contemporânea.» Trata-se, portanto, de agilizar a prometida descentralização das colecções do Estado, em articulação com outros museus nacionais.

O David, de quem sou amigo há trinta anos, é o homem certo no lugar certo.

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domingo, 16 de fevereiro de 2020

SERRALVES A TRÊS DIMENSÕES


Provavelmente o sítio mais cosmopolita do Porto, visitado por turistas de todas as origens, o Museu de Serralves distribui óculos de três dimensões de formato XXL às pessoas (um terço dos quais serão estudantes menores) que vão ver a mostra colectiva Electric.

Existem óculos para todas as pessoas? Não havendo, o museu desinfecta os que tem?

É que anda muita gente a crucificar a directora-geral da Saúde por, alegadamente, ter uma postura soft face ao problema do Covid-19 mas, neste caso concreto, nem um pio. A arte justifica o desleixo?

Clique na imagem da TVI.

sábado, 15 de fevereiro de 2020

ELECTRIC


Estou há três dias no Porto mas não fui a Serralves ver Electric, a exposição de realidade virtual que junta Anish Kapoor, Nathalie Djurberg, R. H. Quaytman, Hans Berg, Koo Jeong A e Olafur Eliasson.

Ilusionismo bidimensional e realidade tridimensional não são a minha chávena de chá.

A fotografia de Paulo Pimenta inserta no Público mostra o buraco, perdão, a obra de Kapoor onde um visitante italiano do museu caiu de uma altura de dois metros e meio, tendo de ser internado no Hospital de São João, do Porto.

Comentários para quê?

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sábado, 19 de outubro de 2019

PRÉMIO PRINCESA DAS ASTÚRIAS


A escritora norte-americana Siri Hustvedt, 64 anos, recebeu ontem o prémio Prémio Princesa das Astúrias de Letras. Siri Hustvedt, mulher de Paul Auster, tem origem norueguesa, mas tanto ela como os pais já nasceram nos Estados Unidos.

Siri Hustvedt é romancista, contista e ensaísta, mas também publicou um livro de poemas. Em Portugal estão traduzidos seis dos seus livros de ficção.

Refiro o facto porque o Prémio Princesa das Astúrias de Letras tem mantido, desde a sua criação, em 1981, um assinalável nível de coerência.

Entre outros, foram laureados José Hierro, Gonzalo Torrente Ballester, Juan Rulfo, Mario Vargas Llosa, Camilo José Cela, Günter Grass, Doris Lessing, Arthur Miller, Susan Sontag, Claudio Magris, Nélida Piñón, Paul Auster, Amos Oz, Margaret Atwood, Ismail Kadaré, Amin Maalouf, Leonard Cohen, Philip Roth, John Banville, Leonardo Padura, Richard Ford e Adam Zagajewski.

Entre 1981 e 2013, o prémio designou-se Príncipe das Astúrias. A partir de 2014, com a subida ao trono de Filipe VI, a titularidade passou para a herdeira da Coroa, a princesa Leonor, princesa das Astúrias.

Além das Letras, o prémio distingue as Humanidades, as Ciências Sociais, as Artes, a Investigação Científica, a Cooperação Internacional, a Paz e os Desportos.

Ontem, o prémio das Artes foi atribuído a Peter Brook, 94 anos, considerado por muitos o maior encenador vivo. Brook foi durante muitos anos a imagem de marca da Royal Shakespeare Company,

A cerimónia decorreu como sempre em Oviedo, capital das Astúrias, com a presença da família real (incluindo a rainha-mãe), do duque de Alba, e de vários líderes políticos.

Clique nas imagens de El País. Siri Hustvedt, a chegar; e Peter Brook a receber o diploma das mãos de Leonor, princesa das Astúrias.

quarta-feira, 10 de abril de 2019

GLEN HAGUE NO FAROL


Estava no Porto quando a exposição abriu, mas fui hoje a Cascais ver a nova exposição de Glen Hague, pintor inglês meu amigo, radicado em Portugal desde 1980, cuja obra acompanho há muito.

Os dezassete quadros de On the water estão espalhados pelo lobby, salas e bar do Hotel do Farol, na Avenida Rei Humberto II de Itália, em Cascais.

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terça-feira, 9 de abril de 2019

TERESA ROZA d’OLIVEIRA 1945-2019


Vítima de problemas cardíacos, morreu ontem a Teresa Roza d’Oliveira (1945-2019), artista plástica com lugar cativo nas minhas memórias. Tinha 74 anos.

Fomos amigos desde 1961, estivemos juntos em Lisboa na semana que antecedeu o 25 de Abril, foi ela a autora da capa do meu primeiro livro (1974), e escrevo estas linhas defronte de um dos seus quadros. Natural da Ilha de Moçambique, cedo acompanhou a família para Lourenço Marques. Foi casada com o poeta Lourenço de Carvalho, pai dos seus dois filhos, de quem se separou no fim dos anos 1970.

Teresa Roza d’Oliveira, que fez parte do grupo de artistas revelado pelo Núcleo de Arte de Lourenço Marques, tem obra espalhada por museus de Maputo, Joanesburgo, Pretória e Durban, bem como pelas colecções de arte da Universidade Eduardo Mondlane (Maputo), BNU, Banco Central de Moçambique, Instituto de Crédito de Moçambique, Linhas Aéreas de Moçambique, Petróleos de Moçambique, Banco Pinto & Sotto Mayor, Banco de Fomento Exterior, Portugal Telecom, Petróleos de Angola, Organização Nacional dos Jornalistas (Maputo), Cimpor, outras empresas e coleccionadores particulares. O espólio de arte de Natália Correia inclui obras suas. Entre outros, trabalhou com os pintores João Ayres, Bertina Lopes, José Júlio e Malangatana.

Radicada em Portugal a partir de 1977, depois de uma estadia fugaz na África do Sul, manteve presença discreta no milieu artístico nacional, em exposições individuais e colectivas, na Galeria Moira (Lisboa), na Bienal de Pintura de Óbidos, na Biblioteca-Museu República e Resistência, na Galeria Paula Cabral (Lisboa), na Galeria de Arte Lóios (Porto), na Galeria Arade (Portimão), na Fundação Sousa Pedro (Lisboa), na Cooperativa Árvore (Porto), na Casa da Imprensa, na Faculdade de Ciências e Tecnologia da Universidade Nova de Lisboa, etc. Nos anos 1990 voltou a Moçambique, onde permaneceu cerca de um ano. Vivia há largos anos na aldeia do Meco, na companhia de Maria Emília Moraes, sua companheira.

Na imagem, eu e a Teresa, fotografados por Kok Nam, na noite de 2 de Março de 1974, em Lourenço Marques. Clique.

quarta-feira, 27 de março de 2019

JOANA EM SERRALVES


Fui a Serralves ver I'm Your Mirror, de Joana Vasconcelos. Gostei muito.
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segunda-feira, 25 de março de 2019

I'M YOUR MIRROR


Uma boa notícia, para variar. Clique na notícia do Expresso.

sábado, 16 de março de 2019

INSCRIÇÃO, OF COURSE


Numa altura em que, acerca do estado do mundo, em geral, e da situação política portuguesa em especial, ninguém sabe o que pensam os artistas, os escritores e os intelectuais portugueses com visibilidade mediática, este statement de Leonor Antunes, a artista plástica escolhida para representar Portugal na Bienal de Veneza deste ano, é eloquente:

«A situação no mundo é bastante triste, com países que se estão a tornar regimes fascistas e populistas. Se tivéssemos um regime diferente, de direita, eu nunca teria aceitado o convite. [...] A situação que vivemos é muito grave. Vivo em Berlim, o governo não é assim tão desinteressante, mas a extrema-direita está no parlamento e era uma voz até há muito pouco tempo proibida, digamos. Sou uma estrangeira que vive em Berlim e não são esses os valores que quero dar à minha filha. Se estivesse o PSD ou o CDS no governo, eu não aceitaria. Embora sejam partidos democráticos, defendem valores em que não acredito

Leonor Antunes está muito acima do patamar partidário, não havia necessidade, mas a frontalidade (a inscrição) é de louvar.

Passou-se isto durante a conferência de imprensa em que foi anunciada a sua escolha entre dezasseis artistas a concurso, doze homens e quatro mulheres, escolha feita por um júri constituído por Cristina Góis Amorim, Nuno Moura, Catarina Rosendo, Jürgen Bock e Sérgio Mah.

A Direita já começou a dar pinotes. Nuno Melo exige a sua cabeça: Tem que ser substituída. Nonsense. Barreto Xavier esperneou.

Leonor Antunes tem 47 anos, vive em Berlim desde 2005, e obras suas fazem parte das colecções de museus importantes em vários países: Reino Unido, Alemanha, França, Espanha, Brasil, México e Estados Unidos. Em Portugal pode ser vista na Gulbenkian e em Serralves.

O trabalho que vai apresentar em Veneza, Uma costura, uma superfície, uma dobradiça e um nó, será exposto no Palazzo Giustinian Lolin, exposição comissariada por João Ribas, antigo director artístico de Serralves.

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quarta-feira, 10 de outubro de 2018

DRAWING ROOM LISBOA


É hoje inaugurado na Sociedade Nacional de Belas Artes o salão de desenho de Lisboa, uma feira de arte internacional onde estão representadas galerias de Portugal, Espanha, França, Alemanha, Grécia, Colômbia e Brasil. As portuguesas são a 111, a mais antiga do país, a Módulo, a Miguel Nabinho, a Monumental, a Presença (Porto), a Graça Brandão, a Fonseca Macedo (Açores), a Arte Periférica, a Pedro Oliveira (Porto) e a Carlos Carvalho. Oportunidade para ver, a partir das 17:00, dezenas de obras de artistas contemporâneos. À margem da Feira vão realizar-se conferências.

Hoje é para convidados, de amanhã a domingo para o público.

Portugueses representados, alguns por galerias estrangeiras:

Adriana Molder (1975), Ana Jotta (1946), Cecilia Costa (1971), Fernando Marques de Oliveira (1947), Joana Fervença (1988), Joana Pimentel (1971), João Felino (1962), João Gomes Gago (1991), Jorge Martins (1940), José Loureiro (1961), Luisa Cunha (1949), Luís Nobre (1971), Manuel San-Payo (1958), Marco Pires (1977), Margarida Lagarto (1954), Maria José Cavaco (1967), Martinho Costa (1977), Miguel Palma (1964), Nuno Gil (1983), Nuno Henrique (1982), Paulo Lisboa (1977), Pedro A.H. Paixão (1971), Pedro Cabrita Reis (1956), Pedro Calhau (1983), Pedro Gomes (1972), Pedro Vaz (1977), Rui Moreira (1971), Susana Gaudêncio (1977), Tiny Domingos (1968) e Vera Mota (1982). Mas também há Maria Helena Vieira da Silva (1908-1992).

Mónica Álvarez Careaga, Maria do Mar Fazenda, Adelaide Ginga (curadora) e Ivania Gallo são quatro das nove mulheres que fizeram o Drawing Room.

A imagem do convite é de Pedro A.H. Paixão, da 111. Clique.

quinta-feira, 4 de outubro de 2018

DEPUTADOS EM SERRALVES

Se não tiver havido mudança de agulha, os deputados da comissão parlamentar de Cultura, Comunicação, Juventude e Desporto vão hoje a Serralves ver a exposição de Mapplethorpe, falar com a administração da Fundação e tentar perceber o que se passou para as obras expostas terem sido reduzidas de 179 para 159.

O BE propôs a audição de João Ribas no Parlamento, o requerimento foi aprovado por unanimidade, mas, passados mais de dez dias, nada aconteceu.

sábado, 29 de setembro de 2018

FLOP


Vi esta tarde a exposição de Mapplethorpe no Museu de Serralves. A primeira, desde que me conheço, em Portugal e no estrangeiro, sem legendas. Um panfleto impresso em nano-lettering é tudo o que há. Não substitui as legendas, como implica saber ler mapas.

As exposições não são feitas para intelectuais, nem as pessoas são obrigadas a saber que o autor fez muitos auto-retratos. Entre os fotografados há artistas célebres, galeristas, poetas, actores, modelos, gente que a minha geração conhece, mas os mais novos ignoram. Não se trata, portanto, de haver só 159 retratos (em vez de 179). A exposição está mal montada. Também não há catálogo. Lamentável.

A ver se a gente se entende. Eu gostava de dizer bem da exposição de Mapplethorpe, um artista da minha geração, que frequento desde 1983, dos dois lados do Atlântico. Infelizmente, a exposição, tal como está, é um desastre. A ausência de legendas não é um detalhe menor.

Um exemplo. Um casal jovem comentava a foto de William S. Burroughs com a espingarda, uma foto de 1981, tinha o escritor 67 anos: Esta do velho é porreira. Nenhum deles sabe quem é William S. Burroughs. Ignoram portanto que, em 1951, numa festa onde as lendas de Guilherme Tell eram macaqueadas, Burroughs matou Joan Vollmer (mãe do seu filho) com um tiro na cabeça. Se soubessem, a foto ganhava outro sentido.

Quando pessoas identificam, no acervo exposto, a recriação de A Morte de Marat (1793), de Jacques-Louis David? E assim sucessivamente.

Exemplos como estes multiplicam-se. Portanto, pendurar 159 fotografias sem contexto, não serve para nada.

quarta-feira, 26 de setembro de 2018

HELENA ALMEIDA 1934-2018


Com 84 anos, morreu esta madrugada Helena Almeida, uma das mais importantes artistas plásticas portuguesas do século XX. Ainda a semana passada vi obras suas na Tate Modern, em Londres. Quem estiver em Madrid encontra novos trabalhos seus na Galeria Helga de Alvear.

Clique na foto de 1976.

SERRALVES & MAPPLETHORPE

Na conferência de imprensa dada esta manhã pelo Conselho de Administração da Fundação de Serralves, terminada há pouco, Ana Pinho foi peremptória:

O Conselho de Administração não mandou retirar quaisquer obras da exposição [...] Todas as fotografias foram escolhidas exclusivamente pelo curador [...] As 20 obras não foram expostas por iniciativa do curador [...] Não haverá complacência com a falta de verdade.

Ana Pinho estava ladeada por Isabel Pires de Lima, José Pacheco Pereira, Manuel Ferreira da Silva e Manuel Cavaleiro Brandão.