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quarta-feira, 11 de novembro de 2020

ARTUR PORTELA FILHO 1937-2020


Vítima de Covid-19 morreu ontem à noite, no Hospital de Abrantes, o jornalista, investigador e escritor Artur Portela Filho, fundador do Jornal Novo e da revista Opção, órgãos de combate à deriva totalitária do PREC. 

O primeiro livro, A Feira das Vaidades (1959), foi apreendido pela PIDE. Nesse mesmo ano lançou a primeira coluna regular de crítica de televisão na imprensa portuguesa. Mas seria com A Funda, série de crónicas coligidas em sete volumes, publicados entre 1972 e 77, que o seu nome entraria por direito próprio na literatura portuguesa. 

Artur Portela Filho também escreveu ficção e ensaio. Da vasta bibliografia destaco colectâneas de contos como, entre outras, A Gravata Berrante (1960), Avenida de Roma (1961), Thelonious Monk (1962) e Os Peixes Voadores (2006), romances como O Código de Hamurabi (1962), Marçalazar (1977), História Fantástica de António Portugal (2004), As Noivas de São Bento (2005) e A Guerra da Meseta (2009), a peça de teatro O General (1962), ensaios sobre Eça de Queirós — autor de quem adaptou para teatro A Capital —, Cardoso Pires, artes plásticas e Salazarisno, cultura em ditadura (Salazarismo vs Franquismo), investigação histórica sobre os anos 1930 na Espanha franquista e na Itália fascista, ética jornalística, etc., além das famosas crónicas dispersas pelo Jornal do Fundão, Diário de Lisboa, República, A Capital, Portugal Hoje, A Luta, O Jornal, TSF, etc., que fizeram dele um nome de referência. Na imprensa, ninguém escrevia como ele. Infelizmente, a sua heterodoxia não fez escola. O Novo Conde de Abranhos (1971) e O Regresso do Conde de Abranhos (1976) são sátiras violentas ao Estado Novo (a primeira) e ao PREC (a segunda). 

Filho do jornalista do mesmo nome, cresceu numa família de intelectuais. Eleito pela Assembleia da República, foi presidente da Alta Autoridade para a Comunicação Social. Membro da candidatura de Humberto Delgado, activista da CDE (1969), antifascista e anticomunista, Artur Portela Filho sofreu o ónus de pensar e escrever sempre contra o ar do tempo. Tinha 83 anos.

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terça-feira, 8 de setembro de 2020

VICENTE JORGE SILVA 1945-2020


Morreu hoje Vicente Jorge Silva, fundador do Público (1990) e seu director até 25 de Setembro de 1996. Ficou célebre o editorial Geração rasca?, publicado em Maio de 1994, no auge das manifestações dos alunos do ensino secundário que se realizaram em Lisboa como consequência da introdução de provas globais no 10.º ano de escolaridade, uma decisão de Manuela Ferreira Leite, então ministra da Educação.

Além do Público, Vicente Jorge Silva deixou a sua marca noutros títulos, em particular no Comércio do Funchal (1966-74) e no Expresso (1974-90), cuja revista criou. Mas foi igualmente colunista no Diário de Notícias e no Económico, comentador da SICN, etc. Além de jornalista, realizou seis filmes.

Em paralelo foi deputado do PS eleito pelo círculo de Lisboa.

Faria 75 anos em Novembro próximo.

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terça-feira, 15 de maio de 2018

TOM WOLFE 1930-2018


Morreu ontem Tom Wolfe, o escritor e jornalista americano que nos anos 1960 inventou o conceito de New Journalism. Autor de quatro romances, vinte colectâneas de ensaios e dezenas de artigos publicados nos últimos 60 anos, Wolfe foi, depois de Gore Vidal, o crítico mais mordaz da realidade americana. Radical Chic, um termo que é hoje património da língua inglesa, foi um dos muitos que grafou. A Fogueira das Vaidades (1987), um dos seus livros traduzidos em Portugal, foi levado ao cinema em 1990 por Brian De Palma. Wolfe tinha 88 anos e estava internado num hospital de Manhattan. A notícia da sua morte só hoje foi divulgada.

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