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domingo, 20 de março de 2022

GASTÃO CRUZ 1941-2022


Mais um amigo que parte. Morreu hoje Gastão Cruz, poeta, crítico, ensaísta, teórico do grupo de Poesia 61, mas também encenador de teatro e tradutor de Cocteau, Strindberg, Tchekhov e outros.

Autor de uma obra parcimoniosa, balizada entre A Morte Percutiva (1961) e Existência (2017), Gastão Cruz nasceu em Faro e veio para Lisboa aos dezassete anos. Na Faculdade de Letras conheceu Fiama Hasse Pais Brandão, com quem viria a casar. Data desse tempo o seu interesse pelo teatro: integrou o Grupo de Teatro de Letras, tendo mais tarde dirigido o Grupo de Teatro Hoje/Teatro da Graça. Entre outras, adaptou ao teatro o romance Uma Abelha na Chuva de Carlos de Oliveira.

Foi professor do ensino secundário e, durante seis anos (1980-86), leitor de português no King’s College de Londres.

Tendo, durante três décadas, colaborado largamente na imprensa cultural, coligiu parte desses textos nos volumes A Poesia Portuguesa Hoje (1973) e A Vida da Poesia (2009). Coordenou colecções de poesia, organizou antologias, presidiu à Fundação Luís Miguel Nava, dirigiu a revista Relâmpago e recebeu todos os prémios que havia para receber. Em 2019 foi agraciado com o grau de Grande-Oficial da Ordem do Infante Dom Henrique.

Vítima de doença degenerativa, estava internado no hospital Egas Moniz, de Lisboa.

Até sempre, Gastão.

segunda-feira, 14 de março de 2022

JORGE SILVA MELO 1948-2022


Vítima de doença prolongada, morreu esta noite Jorge Silva Melo, actor, encenador, dramaturgo, editor dos Livrinhos de Teatro, realizador de cinema, guionista, tradutor, cronista, memorialista, crítico, professor na Escola Superior de Teatro e Cinema e director da companhia de teatro Artistas Unidos.

Natural de Lisboa, Silva Melo passou a infância e o início da adolescência em Angola, onde seus pais estavam radicados. Frequentou a Faculdade Letras da Universidade de Lisboa e, a partir de 1969, a London Film School. Fez teatro em Berlim, Paris e Milão. 

Antes de partir para Inglaterra foi um dos fundadores do Grupo de Teatro de Letras. Mais tarde (1973) fundou com Luís Miguel Cintra o Teatro da Cornucópia, onde permaneceu até 1979. Como bolseiro da Gulbenkian estagiou em Berlim com Peter Stein, em Paris com Jean Jourdheuil e em Milão com Giorgio Strehler. Em 1995 fundou os Artistas Unidos (verdadeira escola de teatro), exigente companhia que dirigiu até morrer.

Como realizador de cinema integrou a cooperativa Grupo Zero (1975-79), tendo realizado mais de uma dúzia de filmes, entre eles o mítico António, Um Rapaz de Lisboa (2000). Como actor de cinema trabalhou com Manoel de Oliveira, Paulo Rocha, João César Monteiro, Alberto Seixas Santos, Joaquim Pinto, Manuel Mozos, José Álvaro Morais, João Botelho e outros. Da sua filmografia constam filmes sobre diversos artistas plásticos: António Palolo, Nikias Skapinakis, Álvaro Lapa, Sofia Areal, Joaquim Bravo, Ângelo de Sousa e Fernando Lemos.

Deixa-nos dois excepcionais livros de memórias: O Século Passado (2007) e A Mesa Está Posta (2019). Da restante bibliografia consta o libreto de Le Château dês Carpathes de Philippe Hersant. Entre outras, traduziu obras de Pasolini, Goldoni, Pirandello, Brecht, Oscar Wilde, Harold Pinter, H.P. Lovecraft, Georg Büchner, Heiner Müller e Ramón Gómez de la Serna.

Em Maio de 2021 foi doutorado honoris causa pela Universidade de Lisboa.

Muito mais haveria a dizer, mas a morte de um amigo deixa-nos sempre interditos. Até sempre, Jorge.

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domingo, 13 de março de 2022

WILLIAM HURT 1950-2022


Vítima de cancro na próstata, morreu este domingo, na sua casa de Portland, no Oregon, o actor William Hurt. Faria 72 anos no próximo dia 20.

Um dos melhores actores da sua geração, notabilizou-se com Noites Escaldantes (1981), recebendo, quatro anos depois, o Óscar de Melhor Actor Principal pela sua interpretação no filme de Hector Babenco O Beijo da Mulher Aranha, de 1985.

Outros êxitos planetários foram Os Amigos de Alex (1983), Filhos de Um Deus Menor (1986), Edição Especial (1987), O Turista Acidental (1988), Uma História de Violência (2005) e O Bom Pastor (2006).

Além de filmes, fez muito teatro em Nova Iorque. No cinema, mesmo quando fazia papéis secundários, e fez vários ao longo dos mais de 40 anos de uma carreira extremamente exigente, a sua presença era decisiva.

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quinta-feira, 3 de fevereiro de 2022

LAURO ANTÓNIO 1942-2022


Vítima de ataque cardíaco fulminante, morreu hoje Lauro António, cineasta, encenador, crítico e professor. Tinha 79 anos.

Notabilizado com Manhã Submersa (1980), o mais célebre dos filmes que realizou, Lauro António desenvolveu grande actividade no cineclubismo, na rádio e na televisão. Foi director de festivais de cinema, arte sobre a qual deixa uma extensa bibliografia de mais de cem títulos.

A partir de uma doação sua à Câmara de Setúbal (milhares de livros, mas também filmes, fotografias, cartazes, documentos, objectos, etc.), foi inaugurada naquela cidade, em Maio do ano passado, a Casa das Imagens.

Os meus sentimentos a Maria Eduarda Colares, a seu filho Frederico Corado, mas também a Alexandra Prado Coelho.

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quarta-feira, 2 de fevereiro de 2022

MONICA VITTI 1931-2022


Morreu hoje Monica Vitti, musa de Antonioni e uma das grandes divas do cinema europeu dos anos 1960-70. Tinha 90 anos e sofria da doença de Alzheimer há mais de 25 anos.

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sábado, 8 de janeiro de 2022

LOURDES CASTRO 1930-2022


Morreu hoje Lourdes Castro, uma das mais importantes artistas plásticas portuguesas.

Natural do Funchal, Lourdes Castro foi aluna do Colégio Alemão antes de partir para Lisboa onde frequentou o curso de pintura da Escola Superior de Belas Artes.

Casada com René Bertholo, partiu para Munique em 1957. No ano seguinte, já em Paris, o casal fundou — com outros artistas, entre eles Christo, Escada e João Vieira — o grupo KWY. Além de exposições, o grupo produziu até 1963 doze números da revista homónima. Depois de 25 anos a viver em Paris, regressou ao Funchal.

Várias vezes premiada e condecorada, Lourdes Castro está representada em museus britânicos e europeus, mas também na Gulbenkian, em Serralves e no Museu de Arte Moderna de Havana.

A partir da segunda metade dos anos 1960 desenvolveu o carácter performativo do seu Teatro de Sombras. Em 2016, a Culturgest mostrou os 36 cadernos a que chamou Álbum de Família. Casou em segundas núpcias com Manuel Zimbro, com quem expôs (2019), na Fundação Carmona e Costa, um núcleo de obras centradas no quotidiano de ambos na Quinta do Monte.

Lourdes Castro tinha 91 anos e as causas da morte não foram tornadas públicas.

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quinta-feira, 23 de dezembro de 2021

JOAN DIDION 1934-2021


Vítima da doença de Parkinson, morreu hoje Joan Didion, uma das personalidades mais destacadas do New Journalism e da contracultura da costa Oeste norte-americana. Tinha 87 anos.

Membro da Academia Americana de Artes e Letras, jornalista, crítica cultural e escritora, Joan Didion tinha tanta influência em Hollywood como em Manhattan, uma proeza alcançada por muito poucos. 

Várias vezes premiada, autora de cinco romances e dois volumes de memórias — O Ano do Pensamento Mágico, sobre a morte do marido, foi adaptado ao teatro por Vanessa Redgrave; e Noites Azuis, sobre a morte da filha. Ambos traduzidos em Portugal —, além de roteiros para filmes de sucesso e catorze colectâneas dos artigos que escreveu para a New York Review of Books e outras publicações, Didion recebeu doutoramentos honoris causa por Harvard e Yale, mas também a Medalha Nacional das Artes.

Quem quiser saber mais pode ver na Netflix o documentário Joan Didion: The Center Will Not Hold (2017), feito por Griffin Dunne, seu sobrinho. Ou então ler The Last Love Song: A Biography of Joan Didion, a biografia publicada por Tracy Daugherty em 2015.

Na imagem, Didion nos anos 1970. Clique.

sábado, 18 de dezembro de 2021

EVE BABITZ 1943-2021


Vítima de doença de Huntington, morreu ontem Eve Babitz, artista visual e cronista-mor de Hollywood. Quem alguma vez leu a New York Review of Books, Rolling Stone, The Village Voice ou a Vogue norte-americana, para citar apenas quatro das muitas publicações onde colaborava, lembra-se da prosa vibrante e sarcástica desta mulher que tratava por tu todos os grandes do showbiz, de Elizabeth Taylor a Madona e Jim Morrison, mas também escritores como Joseph Heller, Joan Didion e Bret Easton Ellis, ou a fotógrafa Annie Leibovitz.

Alguns dos livros que publicou, sobretudo os de ensaio e as memórias, dão testemunho de uma voz singular. Obras como Eve’s Hollywood (1974), Slow Days, Fast Company (1977), Sex and Rage (1979), Black Swans (1993), Two by Two (1999) ou I Used to Be Charming (2019) estão traduzidas em várias línguas. Para descreverem com propriedade a cena cultural de Los Angeles dos anos 1960 e 1970, os historiadores do futuro não as poderão ignorar. 

Foi também autora das capas de álbuns dos Buffalo Springfield e outras bandas.

Afilhada de Igor Stravinsky, de quem os pais eram íntimos, Eve tornou-se famosa aos vinte anos, quando Julian Wasser a fotografou nua a jogar xadrez com Marcel Duchamp. Infelizmente, aos 54, ficou com grande parte do corpo queimado: o cigarro que fumava (enquanto conduzia) pegou fogo à saia de nylon.

Em 2019, Lili Anolik publicou uma biografia de Eve, Hollywood’s Eve: Eve Babitz and the Secret History of L.A., demonstrando que Eve não era apenas a rainha do Troubadour.

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quarta-feira, 15 de dezembro de 2021

ROGÉRIO SAMORA 1958-2021


Cinco meses após a paragem cardiorrespiratória que sofreu em Julho, e o manteve em coma, morreu hoje o actor Rogério Samora, um dos mais destacados da sua geração. Tinha 63 anos.

Nos últimos quarenta anos, Rogério Samora fez teatro, cinema e televisão. Entre outros, trabalhou com Filipe La Féria, Carlos Avillez, Fernanda Lapa, Luís Miguel Cintra, Solveig Nordlund, Manoel de Oliveira, Fonseca e Costa, António-Pedro Vasconcelos, Fernando Lopes, João Mário Grilo, Luís Filipe Rocha, Manuel Mozos, Joaquim Leitão, Miguel Gomes e João Botelho.

No ano passado posou nu para a fotógrafa Margarida Dias, autora de um calendário cuja venda se destina a apoiar o Banco Alimentar Contra a Fome.

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segunda-feira, 13 de dezembro de 2021

LEONOR XAVIER 1943-2021


Hoje é um dia muito triste: soube-se que Leonor Xavier morreu ontem no IPO de Lisboa. Passaram oito anos sobre o dia em que juntou três dezenas de amigos na sua casa de Verão, em Vila Nova do Coito, para nos dizer a todos, com serenidade, que tinha um cancro e seria submetida dali a dias a uma intervenção cirúrgica.

Jornalista, escritora, mulher ecuménica entre as mulheres ecuménicas e nossa grande amiga, a Leonor foi admirável a vários títulos. Culta, dotada de um senso de humor imbatível, grande hostess, progressista no melhor sentido da palavra, pouca gente na vida cultural portuguesa tinha uma cabeça tão arejada como a sua. 

Oriunda dos círculos mais exclusivos do Estado Novo, licenciada em filologia românica pela Faculdade de Letras de Lisboa, casou com o fiscalista Alberto Xavier, professor da Faculdade de Direito de Lisboa e secretário de Estado do Planeamento no último Governo de Marcelo Caetano. Depois do 25 de Abril, o casal partiu com os filhos para o Brasil onde, depois de uma passagem por São Paulo, se mudaram para o Rio de Janeiro: Alberto Xavier foi dar aulas na Pontífica Universidade Católica e Leonor tornou-se correspondente do Diário de Notícias e colaboradora da revista Manchete

A convite de Soares, Leonor regressou a Portugal em 1987, ano em que conheceu Raul Solnado, com quem manteve durante quinze anos uma união de facto. Em Lisboa, continuando a colaborar no DN, foi redactora da revista Máxima e ocasional colaboradora de muitas outras publicações. Em 1996 foi uma das fundadoras do núcleo português do movimento cristão Nós Somos Igreja, tendo, ainda há dois meses, assinalado os 25 anos da sua actividade no nosso país.

Da obra de Leonor Xavier constam as biografias de Maria Barroso (1995) e Solnado (2003), seis colectâneas de ensaios, crónicas e entrevistas, três romances, dois diários informais — um deles, Passageiro Clandestino, de 2014, sobre o cancro — e o excepcional Casas Contadas (2009), autobiografia dos anos brasileiros. Em data, Há Laranjeiras em Atenas (2019) é o livro mais recente.

O velório decorrerá a partir das cinco da tarde de hoje na Capela do Rato, sendo a missa de amanhã (10:00) celebrada pelo cardeal José Tolentino Mendonça, vindo do Vaticano para o efeito.

Até sempre, Leonor.

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sexta-feira, 19 de novembro de 2021

ANTÓNIO OSÓRIO 1933-2021


Nunca nos habituaremos à morte de um amigo próximo. António Osório, poeta maior do século XX português, morreu ontem aos 88 anos.

Estreado em livro à beira dos 40 anos, seria só com A Ignorância da Morte (1978) que a crítica dominante fixaria o seu lugar na poesia portuguesa contemporânea.

Várias vezes premiado, com obra traduzida e publicada em Espanha, França e Itália, mas também no Brasil, elogiada por críticos tão diferentes como João Gaspar Simões, David Mourão-Ferreira, Eugénio Lisboa, Joaquim Manuel Magalhães, Vasco Graça Moura, Eduardo Lourenço, Fernando J.B. Martinho, João Bigotte Chorão, Eduardo Prado Coelho, Carlos Reis, Fernando Pinto do Amaral, Diogo Pires Aurélio, Pedro Mexia, António Carlos Cortez, eu próprio, etc. (cito apenas portugueses), Osório é uma das vozes mais marcantes do denominado regresso ao real.

Advogado de profissão, Bastonário da respectiva Ordem entre 1984 e 1986, membro da Academia das Ciências de Lisboa, presidente da Associação Portuguesa para o Direito do Ambiente (1994-96), administrador da Comissão Portuguesa da Fundação Europeia da Cultura, representante de Portugal na Convenção da Haia (1980), presidente da delegação portuguesa no Tribunal Europeu de Arbitragem (com sede em Estrasburgo), fundador da revista de Direito do Ambiente e do Ordenamento do Território, membro do Instituto de Direito Comparado Luso-Brasileiro, director da Biblioteca da Ordem dos Advogados (1995-2002), director da revista de Direito do Ambiente e do Ordenamento do Território, director da revista Foro das Letras, exerceu diversos outros cargos de interesse público.

A Luz Fraterna (2009, Assírio & Alvim) colige a sua obra poética completa.

Até sempre, António.

terça-feira, 19 de outubro de 2021

ARMANDA PASSOS 1944-2021


Vítima de cancro, morreu hoje Armanda Passos, uma das grandes pintoras portuguesas do século XX.

Obras suas podem ser vistas em Serralves, na Gulbenkian, no Museu do Chiado, no CCB, no Museu Nogueira da Silva (Braga), no Museu Amadeo de Souza-Cardoso (Amarante), etc., mas também em salas da Fundação Oriente, Fundação Champalimaud, Fundação Casa de Mateus (Vila Real), Fundação Dom Luís (Cascais) e outras instituições, como a Reitoria da Universidade do Porto, a Sé de Braga e o Palácio de Belém. O Museu do Douro, em Peso da Régua, cidade onde a artista nasceu, reuniu 83 obras suas numa ala com o seu nome.

Várias vezes premiada, Armanda Passos foi (nos anos 1970) professora de tecnologia de serigrafia no Centro de Reabilitação Vocacional da Granja, e monitora de tecnologia de gravura na Escola Superior de Belas Artes do Porto. Tinha 77 anos.

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segunda-feira, 18 de outubro de 2021

COLIN POWELL 1937-2021


Vítima de Covid 19 morreu hoje o general Colin Powell, antigo secretário de Estado norte-americano.

Além de responsável máximo pela política externa de Washington entre 2001 e 2005, Powell foi Conselheiro de Segurança Nacional dos Estados Unidos (1987-89) e Presidente da Junta de Chefes do Estado-Maior (1989-93). Uma sua intervenção na ONU, em 2003, deu o tiro de partida para a invasão do Iraque.

Embora vacinado, não resistiu à Covid 19, provavelmente por sofrer de  mieloma múltiplo, uma comorbilidade fatal. Tinha 84 anos.

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terça-feira, 5 de outubro de 2021

FERNANDO ECHEVARRÍA 1929-2021


Morreu ontem Fernando Echevarría, um dos grandes poetas portugueses do século XX. Filho de pai português e mãe espanhola, Echevarría nasceu em Cabezón de la Sal, onde seu pai se exilara após o fracasso da denominada Monarquia do Norte. Foi aliás em Espanha que concluiu os estudos de Filosofia e Teologia.

Estreou-se em livro com Entre Dois Anjos (1956), tendo publicado com regularidade durante sessenta anos consecutivos. Em 1961 emigrou para Paris, integrando movimentos oposicionistas, como o Movimento de Acção Revolucionária e a Frente Patriótica de Libertação Nacional, de que foi um dos fundadores. Pertenceu ao Grupo de Argel, país onde se radicou em 1963. Em 1966 regressou a França, onde viveu mais de vinte anos. Regressou a Portugal na segunda metade dos anos 1980, fixando residência no Porto.

Traduzido em vários idiomas, várias vezes premiado, recusou todos os cargos oficiais que depois de 1974 lhe foram sendo propostos.

A notícia só hoje foi divulgada por sua mulher. Echevarría tinha 92 anos e estava internado.

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sábado, 18 de setembro de 2021

JOSÉ-AUGUSTO FRANÇA 1922-2021


Morreu hoje José-Augusto França, historiador de arte e olissipógrafo, autor de uma obra muito vasta que inclui ensaio, crítica, romance, conto, poesia, teatro, monografias sobre Lisboa, e outra sobre Tomar, cidade onde nasceu.

Professor catedrático jubilado da Universidade Nova de Lisboa, era considerado o guru da historiografia nacional de Arte. Fez parte (1947-49) do Grupo Surrealista de Lisboa, polemizou com os neorrealistas, organizou o primeiro salão de arte abstracta, editou revistas de vanguarda, leccionou na Sociedade Nacional de Belas Artes, presidiu ao Centro Nacional de Cultura, dirigiu a revista Colóquio-Artes (Gulbenkian) entre 1970 e 1997, criou em 1975 a primeira licenciatura em História da Arte, etc. Em suma, participou activamente na vida cultural portuguesa durante mais de meio século.

Em Paris, onde viveu largas temporadas e terminou a formação universitária que tinha abandonado em Lisboa, obteve os graus de Doutor em História (1962), Letras (1969) e, mais tarde, em Sociologia da Arte. Na capital francesa foi ainda director (1980-86) do Centro Cultural Calouste Gulbenkian.    

Em mais de cem títulos, gostaria de destacar Lisboa. História Física e Moral (2008), Lisboa Pombalina e o Iluminismo (1977), A Arte em Portugal no Século XX (1974, edição revista em 2008) e Arte Portuguesa do Século XIX (1967, edição revista em 1981), sem esquecer, naturalmente, as obras que dedicou a Almada e Amadeo. 

Prevê-se a publicação de Estudos das Zonas ou Unidades Urbanas de Carácter Histórico-Artístico de Lisboa, obra que inclui plantas, desenhos e levantamento fotográfico em 292 imagens.

Várias vezes condecorado, José-Augusto França vivia em França desde 2001. Estava internado há três anos numa unidade de cuidados continuados de Jarzé Villages e faria 99 anos no próximo mês de Novembro. Era casado com Marie-Thérèse Mandroux, historiadora de arte.

Imagem: fotografia de 1949, por Fernando Lemos, in Eu Sou Fotografia (2011), álbum editado pela Fundação Cupertino de Miranda. Clique.

sexta-feira, 10 de setembro de 2021

JORGE SAMPAIO 1939-2021


Vítima de insuficiência respiratória, morreu hoje Jorge Sampaio, antigo Presidente da República. Sampaio encontrava-se hospitalizado desde o passado dia 27 de Agosto. Faria 82 anos no próximo dia 18.

Activista estudantil contra a ditadura, advogado de profissão, fundador do MES (1974), ingressou no Partido Socialista em 1978. 

Por nomeação de Soares, chefiou a delegação portuguesa que negociou com a Frelimo o contencioso financeiro com Moçambique. Eleito deputado em 1979, foi líder da respectiva bancada parlamentar, chegando a secretário-geral do PS em 1988, cargo em que se manteve até 1992. Presidente da Câmara de Lisboa (1990-1995) e Presidente da República em dois mandatos (1996-2006), foi uma figura respeitada por todos os quadrantes políticos.

Por escolha das Nações Unidas, exerceu os cargos de Enviado Especial para a Luta contra a Tuberculose (2006) e Alto Representante da ONU para a Aliança das Civilizações (2007-2013). Era doutorado honoris causa pelas universidades de Aveiro, Coimbra, Lisboa e Porto.

Casou duas vezes, primeiro com a médica Karin Schmidt Dias, depois com Maria José Ritta, ex-supervisora da TAP, mãe dos seus filhos.

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quinta-feira, 2 de setembro de 2021

ISABEL DA NÓBREGA 1925-2021


Morreu hoje Isabel da Nóbrega, escritora e tradutora, Grande Oficial da Ordem da Liberdade. Tinha 96 anos.

Autora de romances, contos, três peças de teatro e literatura para a infância, foi várias vezes premiada. Colaborou intensamente na imprensa, tendo escrito, a partir dos anos 1950, cerca de três mil crónicas.

A partir de edições inglesas e francesas traduziu obras de Tolstoi, Pirandello, Erich Maria Remarque, Graham Greene e outros. Na rádio e na televisão foi responsável por diversos programas culturais, tais como O Prazer de Ler e Largo do Pelourinho. O romance Viver com os outros (1964) é considerado a sua obra-prima.

Depois do cardiologista Abreu Loureiro, pai dos seus filhos, viveu com João Gaspar Simões entre 1954 e 1968, tornando-se companheira de Saramago em 1970 (viveu com o futuro Nobel durante dezasseis anos), mas o seu nome desapareceu das dedicatórias.

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terça-feira, 24 de agosto de 2021

JEAN-LUC NANCY 1940-2021


De causa desconhecida, morreu ontem à noite o filósofo francês Jean-Luc Nancy, professor emérito de filosofia na Universidade de Estrasburgo e membro do Collège International de Philosophie.

Discípulo de Derrida, que sobre ele escreveu um livro — Le Toucher. Jean-Luc Nancy, 2000 —, e amigo de Philippe Lacoue-Labarthe, com quem escreveu vários, entre eles Le Mythe Nazi (1991), Nancy pensou sempre em termos de ‘comunidade’. Sirvam de exemplo obras como La Communauté Désœuvrée (1986) e La Communauté Confrontée (2001). 

Deixa uma bibliografia de mais de duzentos títulos, sobre temas tão diversos como história da filosofia, literatura, sexualidade, psicanálise, teologia, pandemia Covid-19 [Un Trop Humain Virus, 2020], política, ociosidade, transplantes (a partir da sua experiência pessoal de transplante de coração em 1992), arte, democracia e outros. Em Portugal estão traduzidos nove, mas nenhum dos títulos aqui citados.

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quinta-feira, 29 de julho de 2021

PEDRO TAMEN 1934-2021


Morreu hoje Pedro Tamen, poeta, tradutor, um dos fundadores do Centro Cultural de Cinema, antigo editor da Moraes e, durante vinte e cinco anos, administrador da Fundação Calouste Gulbenkian.

Estreado em 1956 com Poema para Todos os Dias, é uma das vozes centrais da poesia portuguesa dos anos 1960-80.

Entre outros, traduziu Proust, Flaubert, Perec, Reinaldo Arenas e Gabriel García Márquez. Homem de esquerda, extremamente afável, fez parte do grupo de católicos progressistas a que pertenceram António Alçada Baptista, João Bénard da Costa (seu primeiro cunhado) e Nuno Bragança. É pai do professor e ensaísta Miguel Tamen.

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domingo, 25 de julho de 2021

OTELO 1936-2021


No Hospital Militar, onde se encontrava internado, morreu hoje Otelo Saraiva de Carvalho, estratega do 25 de Abril e actual coronel de artilharia. Natural de Lourenço Marques, veio para Lisboa em 1955 frequentar a Academia Militar.

Otelo foi Comandante da Região Militar de Lisboa e Comandante do COPCON, tendo pertencido ao Conselho dos Vinte e ao Conselho da Revolução. Depois do 25 de Novembro de 1975 foi preso e afastado de todos os cargos. Libertado ao fim de três meses, concorreu às eleições presidenciais de Junho de 1976, obtendo 16,5% dos votos. Em Dezembro de 1980 voltou a concorrer às presidenciais, obtendo 1,4% dos votos.

Em 1984, acusado de ser o líder das FP-25, foi preso, julgado e condenado a quinze anos. Esteve preso cinco, sendo libertado por indulto da Assembleia da República.

Em 2011 afirmou que, se soubesse como o país ia ficar, não teria realizado o 25 de Abril.

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