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sábado, 23 de janeiro de 2021

RESGATAR O PASSADO


Uma exposição do fotógrafo alemão Karsten Thormaehlen, Not Another Second, filmada em 2019, abriu no passado dia 18 no centro de dia para idosos que existe no Watermark de Brooklyn Heights (Nova Iorque). Pode ser vista presencialmente após marcação prévia, ou neste preciso instante via online.

Thormaehlen traça o perfil de doze adultos com idades compreendidas entre os 80 e os 90 anos. Pessoas que, durante décadas, foram obrigadas a esconder a sua orientação sexual. As leis mudaram, certo. Mas, como pergunta Alisha Haridasani Gupta, quem mede «o custo emocional e social da discriminação?» Como foi a vida destas pessoas?

Perturbador, mesmo para quem, como eu, conhece bem essa realidade.

Uma das entrevistadas, a reverendo Magora Kennedy, foi forçada a casar com um homem quando era uma rapariguinha de 14 anos (o marido tinha 35 e era violento). Historiadora, professora de estudos africanos e conferencista, Magora Kennedy tem hoje 82 anos. Em 1969, já divorciada, participou dos motins de Stonewall na sua qualidade de activista lésbica.

Clique na fotografia de Magora Kennedy.


quinta-feira, 31 de dezembro de 2020

VENENO


Vou falar de uma série que não interessará a muita gente. Mas pode servir de alerta, por exemplo, aos associados da AMPLOS, a Associação de Mães e Pais pela Liberdade de Orientação Sexual e Identidade de Género.

Refiro-me a Veneno, em streaming na HBO. Criada por Javier Ambrossi e Javier Calvo a partir da biografia de Cristina Ortiz Rodríguez (1964-2016), conta a história da mais famosa transexual espanhola de sempre, La Veneno...

Analfabeta, La Veneno contou a sua vida a Valeria Vegas, jornalista transexual. Foi Valeria quem escreveu Digo! Ni puta, ni santa. Las memorias de La Veneno, livro publicado em Outubro de 2016. Cerca de um mês depois, La Veneno foi encontrada inanimada em casa, com traumatismo cranioencefálico. Após quatro dias em coma, morreu. Tinha 52 anos. Ainda hoje se discute se foi acidente ou assassínio. Entrevistada na televisão semanas antes de morrer, afirmou ter recebido ameaças de morte por causa da biografia.

A série é composta por oito episódios. Em televisão mainstream nunca vi nada igual: linguagem, sexo explícito, etc. A narrativa começa em Adra, a vilória onde La Veneno nasceu como José Antonio Ortiz Rodríguez, vulgo Joselito. Três actores compõem a personagem de Joselito: criança de 8 anos / adolescente de 14 / jovem adulto homossexual. E três actrizes transexuais a de La Veneno: puta em Madrid / estrela de Esta noche cruzamos el Mississippi, o programa de maior audiência na televisão espanhola / ex-presidiária. La Veneno esteve presa duas vezes: três anos entre 2003 e 2006, numa prisão masculina, e alguns meses em 2014, numa prisão feminina.

O auge da fama ocorreu nos anos 1990, quando futebolistas, políticos, membros do jet-set espanhol e, se non è vero, è ben trovato, um destacado membro da realeza — quem vir a série, dê atenção aos olhos do actor que surge no 8.º episódio dentro da limusine — faziam parte da sua carteira de clientes. Os nomes são omissos, mas as iniciais estão no livro.

Não é um tema fácil. A crueza das situações descritas perturbará muita gente. Mas vale a pena. Ao pé disto, Almodóvar é uma canção de embalar.

Clique na imagem.

terça-feira, 8 de outubro de 2019

IDENTIDADES


Todos sabemos que a extrema-direita não gosta de políticas de género nem reconhece a natureza das identidades étnicas e sexuais.

Surpresa foi descobrir que pessoas sensatas desatinaram com o facto de ter escrito que, 45 anos após o 25 de Abril, o Parlamento terá pela 1.ª vez quem defenda os interesses específicos da comunidade negra residente em Portugal.

Joacine Katar Moreira, Beatriz Gomes Dias e Romualda Fernandes, eleitas, respectivamente, nas listas do LIVRE, do BE e do PS, são mulheres negras. A primeira fez campanha nessa qualidade. As outras passaram relativamente despercebidas, embora Romualda Fernandes, do PS, tenha divulgado a mensagem recebida de uma amiga:

«A partir de agora nós, mulheres negras, cada vez que olharmos para a escadaria da Assembleia da República não nos iremos ver apenas com baldes e esfregonas para limpar: estamos lá dentro, temos voz e podemos sonhar

A eleição destas três mulheres permite mudar o paradigma da representação parlamentar. Assim estejam à altura do que se espera delas.

Verdade que, nos últimos 44 anos, passaram pela AR alguns deputados negros. Mas nunca vimos nenhum preocupado com os vários tipos de discriminação (sobretudo no emprego e na habitação) e os problemas específicos da comunidade que deviam representar.

Portanto não se trata de terem passado por São Bento o deputado A ou o deputado B. Anteontem tratou-se de eleger pessoas que têm o compromisso de lutar por causas concretas.

O mesmo se diga de homossexuais e lésbicas. Interessa pouco saber se há 10 ou 20 deputados/as gays... se uns e outras continuarem, como continuam, no armário.

Em 2009, Miguel Vale de Almeida foi eleito deputado nas listas do PS e, no Parlamento, lutou pela legalização do casamento entre pessoas do mesmo sexo, pela possibilidade de casais gays adoptarem crianças, por políticas de identidade de género, etc. Em 2015, Alexandre Quintanilha foi eleito deputado nas listas do PS sem fazer segredo do facto de ser casado com o escritor Richard Zimler. Em 2017, Graça Fonseca, actual ministra da Cultura, assumiu publicamente ser gay quando já era secretária de Estado. Em 2018, Adolfo Mesquita Nunes, então vice-presidente do CDS, assumiu publicamente a sua homossexualidade. Nenhuma destas personalidades precisa de fazer proselitismo. Mas o gesto que os une tem simbolismo e eficácia pedagógica.

Portanto, nunca como hoje foi tão importante a afirmação de identidade. Não estamos a falar de moda, mas do nosso quotidiano.

Na imagem, da esquerda para a direita, Joacine Katar Moreira, Beatriz Gomes Dias e Romualda Fernandes. Clique.

quarta-feira, 31 de julho de 2019

PADEIRO VS MANICURE

Noto que a defesa de género, da sua dignidade, não entrou no folhetim das golas. E devia. Porque mete um alegado padeiro.

Explico: se em vez de um padeiro fosse uma manicure, as manchetes e o comentariado universal fariam pontaria a ligações de natureza passional. Como é que a gaja lá chegou...? É fácil adivinhar os adjectivos se fosse uma mulher a saltar das profissões proletárias para um gabinete ministerial...

Mas como é homem, a possibilidade não se lhes colocou.

Isto não tem importância nenhuma. Prova apenas o óbvio.

terça-feira, 19 de junho de 2018

TRANSEXUALIDADE


A Organização Mundial de Saúde retirou a transexualidade da lista de transtornos psicológicos. Dito de outro modo, reconhece que a identidade de género transexual não é uma doença. Já não era sem tempo.

Clique na imagem com o aviso da OMS.

quinta-feira, 10 de maio de 2018

IDENTIDADE DE GÉNERO


A propósito da lei de mudança de género aos 16 anos, o Presidente da República enviou uma mensagem à Assembleia da República solicitando que, no caso de menores, os deputados ponderem a inclusão de relatório médico prévio à decisão.

Diz Marcelo, e diz bem: «havendo a possibilidade de intervenção cirúrgica para mudança de sexo, e tratando-se de intervenção que, como ato médico, supõe sempre juízo clínico, parece sensato que um parecer clínico possa também existir mais cedo, logo no momento inicial da decisão de escolha de género

Afinal, trata-se de «deixar a quem escolhe o máximo de liberdade ou autonomia para eventual reponderação da sua opção, em momento subsequente, se for caso disso

Fotos do álbum Queer Portraits, do fotógrafo canadense JJ Levine. Clique.

sexta-feira, 13 de abril de 2018

IDENTIDADE DE GÉNERO


Por 109 contra 106 votos, o Parlamento aprovou hoje a nova lei de identidade de género, baixando para 16 anos a idade para mudar de sexo no Cartão do Cidadão. Acaba também a obrigatoriedade de apresentar relatório médico. Votaram a favor: PS, BE, PAN, PEV e Teresa Leal Coelho, do PSD. Votaram contra: PSD e CDS. O PCP absteve-se.