Mostrar mensagens com a etiqueta Caso BES. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta Caso BES. Mostrar todas as mensagens

quarta-feira, 15 de julho de 2020

A TRANQUIBÉRNIA


Seis anos e 4.117 páginas depois, foi deduzida ontem a acusação contra Ricardo Salgado e outros dezassete responsáveis pela implosão do Grupo Espírito Santo. Sete empresas também foram acusadas. Está em jogo um buraco de 11,8 mil milhões de euros.

Acusação: associação criminosa, corrupção activa, falsificação de documentos, burla qualificada, etc. Portanto, em 2036 talvez haja novidades.

Ainda bem que a TVI lembrou ontem, com imagens eloquentes, os statements feitos ao longo de meses por Cavaco, Passos Coelho, Maria Luís Albuquerque e Carlos Costa. Em Junho de 2014 ainda o PR, o primeiro-ministro, a ministra das Finanças e o governador do Banco de Portugal garantiam que o Banco Espírito Santo tinha uma idoneidade só comparável à Senhora de Fátima, levando milhares de portugueses (sobretudo emigrantes na Suíça e no Luxemburgo) a comprar acções obrigacionistas e outro tipo de lixo. 

E quando foi da resolução, Passos Coelho e Maria Luís Albuquerque também garantiram enfaticamente que os portugueses não pagariam um cêntimo pelo Novo Banco. Viu-se.

Está na altura de Vítor Gonçalves Loureiro (RTP) fazer duas entrevistas: uma a Cavaco Silva, outra a Miguel Frasquilho.

Imagem: excerto da capa do Público. Clique. 

segunda-feira, 30 de setembro de 2019

NONSENSE


Diz o CM que Manuel Pinho terá comprado um apartamento de luxo em Nova Iorque, junto à Broadway.

Junto à Broadway? Mas junto a que parte da Broadway? Esse detalhe muda tudo.

Porque a Broadway tem 53 quilómetros, dos quais 21 atravessam Manhattan em diagonal. Eu sei que é de uso chamar-se Broadway ao perímetro dos teatros, ou seja, à zona balizada pelas ruas 40 e 54 West. Mas isso é gíria. A Broadway cruza bairros completamente diferentes de Manhattan, do Bronx e de Westchester. Fiquemos por Manhattan.

Onde fica, afinal, a casa de Pinho? Perto de Washington Square Park, ou seja, da Universidade de Nova Iorque? Perto da Juilliard School e do Lincoln Center, ou seja, da Ópera? Perto do campus da Universidade de Columbia? Tudo isto é Broadway (e em Manhattan), variando os preços de cada uma destas três zonas na proporção em que variam os da Buraca com os do Restelo.

No n.º 2109 da Broadway, entre as ruas 73 e 74 West, ou seja, no edifício Ansonia, não terá sido. Os valores que a imprensa tem citado dariam para um T1 num beco esconso. Onde raio terá sido?

Dizer que alguém comprou um apartamento junto à Broadway é o mesmo que dizer que alguém comprou um apartamento junto à EN10, a estrada nacional que vai de Cacilhas a Sacavém, passando pela Serra da Arrábida e atravessando o Tejo na ponte de Vila Franca de Xira. Disparate de quem não sabe do que está a falar.

Clique na imagem.

quinta-feira, 2 de março de 2017

COLAPSO ANUNCIADO

No primeiro capítulo do programa sobre o colapso do BES, que a SIC começou ontem a transmitir, fica estabelecido que o Banco de Portugal tinha em seu poder, desde 8 de Novembro de 2013, todas as informações que conduziram, oito meses mais tarde, ao afastamento (verificado em 13 de Julho de 2014) de Ricardo Salgado da presidência do BES. Três semanas depois, a 3 de Agosto, um domingo, ocorreu a cisão entre BES e Novo Banco. O que significa todas as informações...? Significa um minucioso dossier que põe em causa a idoneidade do presidente e mais três administradores do BES, ou seja, Ricardo Salgado, Amílcar Morais Pires, José Maria Ricciardi e Paulo José Lameiras Martins. Isto no dia 8 de Novembro de 2013. Mas Salgado só saiu oito meses depois. Entretanto, num comunicado difundido horas depois do programa, o BdP esclarece que «a informação existente à data [Novembro de 2013] tinha que ser devidamente verificada e confirmada.» Pronto. Levou oito meses a verificar. Pelo meio, mais exactamente em Maio de 2014, houve uma subscrição pública para aumento de capital. O Presidente da República e o primeiro-ministro vieram à televisão dizer que não havia nada mais sólido e sério do que o BES.

sexta-feira, 19 de fevereiro de 2016

COSTA VS COSTA

Já todos sabemos que o Banco de Portugal é uma entidade independente. Mas a actuação do seu Governador, seja ele qual for, pode e deve ser questionada. O facto de o primeiro-ministro ter dito em público, em Lisboa e em Bruxelas, que não tem confiança nos procedimentos do BdP, em especial nos casos que envolvem o BES e respectivos lesados, o Novo Banco e o Banif, é a primeira batata quente a cair no colo de Marcelo. O histerismo com que o PSD tem reagido a essas declarações é um espectáculo indecoroso. Foi por isso muito oportuno que a TVI tivesse recordado ontem (com imagens eloquentes) o conflito que opôs Miguel Beleza, então Governador do BdP, a Jorge Braga de Macedo, o ministro das Finanças. Macedo disse de Beleza o que Mafoma não disse do toucinho. Pouco depois, Beleza bateu com a porta.

domingo, 26 de julho de 2015

UM ANO DEPOIS

 
«Esta informação foi avançada ao PÚBLICO pela própria Procuradoria-Geral da República, na sequência de um pedido de esclarecimento feito pelo jornal.» — O banqueiro saiu do TCIC pelo seu próprio pé e seguiu para Cascais sem escolta policial. O respeitinho é de facto uma coisa muito bonita. Imagem do Público.