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quarta-feira, 27 de maio de 2020

FOTOGRAFIA EM MOÇAMBIQUE


Quem se interessa por fotografia e, em especial, pela história da fotografia em Moçambique, deve procurar ler Photographos de Paulo Azevedo, que já em 2016 publicara Joseph e Maurice Lazarus. Photographos Pioneiros de Moçambique, 1899-1908.

Em cerca de duzentas páginas, Paulo Azevedo fixa o aparecimento e avanço da fotografia em Moçambique, entre os anos 1800 e 1920, traçando os perfis de pioneiros como Benjaminn Kisch, Manuel Romão Pereira, Louis Hily, Thomas Lee, António Joaquim Cunha, Joseph e Maurice Lazarus, Eduardo Battaglia, José Ferreira Flores, Francisco S. Silva, Ignácio P. Pó, Sidney Hocking e J. Wexelsen.

Descobri muita coisa que desconhecia, como por exemplo a história pregressa da Casa Spanos (onde, com 12 anos, folheava exemplares da revista gay americana Physique Pictorial...) e da Fotografia Bayly, que ainda existiam ao tempo da minha adolescência.

O volume inclui portfolio fotográfico, incluindo fotografias da visita feita a Moçambique (em 1907) pelo príncipe D. Luís Filipe, ao tempo herdeiro do trono português, mas também do 2.º aniversário da implantação da República, bem como várias transcrições do Lourenço Marques Guardian e de anúncios publicados na imprensa da época.

Muito interessante. Editou a Glaciar.

Clique na imagem.

quarta-feira, 18 de dezembro de 2019

FERNANDO LEMOS 1926-2019


Fernando Lemos morreu ontem em São Paulo. Tinha 93 anos. Fotógrafo, poeta, desenhador, artista gráfico, pintor e designer, Lemos foi ainda docente na Faculdade de Arquitetura e Urbanismo da Universidade de São Paulo.

O álbum Eu Sou Fotografia, editado pelo Centro de Estudos do Surrealismo da Fundação Cupertino de Miranda, colige os melhores retratos, feitos entre 1949 e 1952, de Jorge de Sena, Alexandre O’Neill, Mário Cesariny, Alberto de Lacerda, Glicínia Quartin, José Cardoso Pires, Sophia de Mello Breyner Andresen, Arpad Szenes, Maria Helena Vieira da Silva, José-Augusto França e outros.

É autor de cinco livros de poesia: Teclado Universal (1952), Teclado Universal e Outros Poemas (1963), Cá & Lá (1985), O Silêncio é dos Pássaros (2001) e Pegadas na Paisagem (2013). Estes livros foram reunidos em volume único, Poesia, publicado em Junho de 2019.

Por razões políticas, expatriou-se no Brasil em 1953, país onde permaneceu até ao fim da vida, adquirindo dupla nacionalidade. Entre 1956 e 75 colaborou com o jornal Portugal Democrático, órgão da imigração anti-fascista, no qual também colaboravam Sena e Adolfo Casais Monteiro.

O documentário Fernando Lemos. Como, não é retrato? (2017), de Jorge Silva Melo, é porventura a mais tocante abordagem que conheço da obra e do homem.

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quarta-feira, 26 de setembro de 2018

SERRALVES & MAPPLETHORPE

Na conferência de imprensa dada esta manhã pelo Conselho de Administração da Fundação de Serralves, terminada há pouco, Ana Pinho foi peremptória:

O Conselho de Administração não mandou retirar quaisquer obras da exposição [...] Todas as fotografias foram escolhidas exclusivamente pelo curador [...] As 20 obras não foram expostas por iniciativa do curador [...] Não haverá complacência com a falta de verdade.

Ana Pinho estava ladeada por Isabel Pires de Lima, José Pacheco Pereira, Manuel Ferreira da Silva e Manuel Cavaleiro Brandão.

segunda-feira, 24 de setembro de 2018

MAPPLETHORPE AGAIN


Se, como revela hoje o Público, João Ribas foi forçado a tirar da parede obras já penduradas, aceitando, do mesmo passo, a substituição do vídeo Still Moving por uma tela que veda quase completamente a entrada numa das salas reservadas, por que razão compareceu ao vernissage...?

Sol na eira e chuva no nabal nunca deu bom resultado.

Clique na foto de António Lagarto.

domingo, 23 de setembro de 2018

NOVELA MAPPLETHORPE


Isabel Pires de Lima, administradora da Fundação de Serralves, deu esta noite uma entrevista ao Expresso online. A antiga ministra da Cultura não podia ser mais clara: foi João Ribas quem pôs de lado 20 fotografias, reduzindo a exposição de 179 para 159 trabalhos. Discurso directo: Surpreende-nos que ele tenha excluído 20 obras. É bastante penalizador para a Fundação, que pagou 179. Também não aceita a alegação de censura porque, desde o início, ficou estabelecido criar uma zona interdita (as fotografias de cariz sexual explícito) a menores de 18 anos não acompanhados.

Como João Ribas ainda não se pronunciou, o que é estranho, ficamos só com um dos lados da história.

Importa lembrar que não é a primeira vez que obras de Mapplethorpe são expostas em Portugal. Em 1985, a Galeria Cómicos (Lisboa), de Luís Serpa, expôs Black Flowers, ainda o autor estava vivo. Em 1993, no Mês da Fotografia de Lisboa, e nos Encontros da Imagem, em Braga, mais obras foram expostas. Verdade que nenhuma destas exposições era uma grande retrospectiva, como a que neste momento está em Serralves.

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sexta-feira, 21 de setembro de 2018

MAPPLETHORPE CENSURADO

João Ribas, director do Museu de Serralves, e Paula Fernandes, curadora, organizaram a exposição de Mapplethorpe com 179 trabalhos do fotógrafo americano. A publicidade institucional vinca a existência desse conjunto.

Mas a administração da Fundação vetou 20, reduzindo a mostra a 159. Também impôs proibição a menores de 18 anos.

João Ribas demitiu-se esta noite do cargo de director.

A administração da Fundação é composta por Ana Pinho, Manuel Cavaleiro Brandão, Manuel Ferreira da Silva, Isabel Pires de Lima, Vera Pires Coelho, Carlos Moreira da Silva, António Pires de Lima e José Pacheco Pereira.

A decisão de interditar as 20 obras foi tomada por maioria ou por unanimidade? Quem votou a favor da interdição?

De que modo a Fundação de Serralves tenciona ressarcir quem (como eu) comprou ingressos por via electrónica?

quinta-feira, 20 de setembro de 2018

MAPPLETHORPE EM SERRALVES


É hoje inaugurada em Serralves uma exposição de Robert Mapplethorpe. Junta 179 trabalhos do autor, incluindo as fotografias de cariz sexual que têm sido boicotadas por museus dos dois lados do Atlântico. Comissariada por João Ribas e Paula Fernandes, arrisca-se a ser o acontecimento cultural mais importante do ano em Portugal. Mapplethorpe (1946-1989) é um dos artistas mais importantes do século XX, e quem não conhece tem aqui uma boa oportunidade. Não voltei a vê-lo desde o Whitney, lá terei que voltar à Marechal Gomes da Costa. Vale uma ou várias deslocações ao Porto. Fica até 6 de Janeiro de 2019.

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terça-feira, 19 de junho de 2018

OS ANOS KENNEDY


Le Consulat, o hotel do topo do Largo do Camões, tem a partir de amanhã expostas ao público as 160 fotografias dos Kennedy Years, oriundas do Museu JFK de Boston, acervo organizado por Frédéric Lecomte-Dieu. Abriu hoje, para convidados do American Club de Lisboa. Fica até Setembro, na galeria de arte do hotel, ao lado do bar do primeiro piso. Vale a pena.

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quarta-feira, 31 de agosto de 2016

MARC RIBOUD 1923-2016


Morreu ontem o fotógrafo francês Marc Riboud, referência incontornável da fotografia do século XX, em especial pelas reportagens da Revolução Cultural Chinesa e da Guerra do Vietname, registadas na imprensa de todo o mundo mas também em livros como Les Trois Bannières de la Chine (1966) e Face of North Vietnam (1970). Mas não só. A Cuba de Fidel, o caso Watergate, a Primavera de Praga, a invasão da embaixada dos Estados Unidos em Teerão, o contributo do sindicato Solidariedade para a queda do regime comunista na Polónia, o julgamento do nazi Klaus Barbie, o apartheid sul-africano, etc., foram alguns dos temas que o ocuparam. Membro da resistência francesa durante a Segunda Grande Guerra, Riboud tinha 93 anos. A notícia da sua morte só hoje foi tornada pública.