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segunda-feira, 17 de maio de 2021

CONTRA A HOMOFOBIA



Hoje, 17 de Maio, Dia Internacional contra a Homofobia, Transfobia e Bifobia, a residência oficial do primeiro-ministro ostenta a bandeira arco-íris. Foi António Costa em pessoa quem a hasteou. 

O mesmo sucede na Câmara Municipal de Lisboa e no edifício onde funciona o conselho de ministros.

Imagens de São Bento e da CML.

Clique nas imagens.

terça-feira, 16 de junho de 2020

DECISÃO HISTÓRICA

Por 6 votos contra 3, o Supremo Tribunal dos Estados Unidos decidiu ontem que a Lei dos Direitos Civis de 1964 inclui os trabalhadores gays, bissexuais e transgénero. Por estranho que pareça, só agora, ao fim de meio século de activismo, a Lei de 1964 abrange gays, bissexuais e pessoas transgénero. Dito de outro modo: a discriminação por sexo passa doravante a incluir a orientação sexual e a identidade de género.

Até anteontem, em mais da metade dos Estados, era possível despedir trabalhadores com base na sua orientação sexual, como aliás tem acontecido com homens e mulheres que casaram com parceiros do mesmo sexo.

Neil Gorsuch, nomeado por Trump após acesa controvérsia, foi um dos dois juízes conservadores que votaram a favor, deixando estupefactos os seus apoiantes nos círculos ultramontanos. O outro foi John Roberts, Chief Justice of the United States. Garantindo a maioria, ambos se juntaram aos liberais Elena Kagan, Ruth Bader Ginsburg, Sonia Sotomayor e Stephen G. Breyer.

Ao tomar conhecimento do acórdão, Trump confirmou estar surpreendido, sobretudo com o voto de Gorsuch, mas que as decisões do Tribunal são para cumprir.

quarta-feira, 5 de fevereiro de 2020

BUTTIGIEG


Homossexual casado com um homem, Pete Buttigieg, 38 anos, protestante, Democrata, poliglota, formado em História e Literatura por Harvard, antigo tenente da Marinha, mayor de South Bend desde 2012 (venceu os Republicanos em duas eleições consecutivas), foi o inesperado vencedor do Caucus do Iowa com 27% dos votos expressos.

É muito cedo para prever o que vai acontecer em Julho, na Convenção Nacional do Partido Democrata que designará o oponente de Trump. Daqui até lá muita água vai correr sob as pontes. E depois em Novembro o pesadelo.

Mas que já ninguém nos tira esta satisfação.

Na imagem, Buttigieg (esquerda) e o marido, Chasten Glezman. Clique.

sábado, 7 de setembro de 2019

O ARMÁRIO GAY DA LITERATURA NACIONAL


Já está em linha a entrevista que o Bruno Horta me fez para o Observador.
Clique nas imagens.

domingo, 18 de agosto de 2019

NÃO ESQUECER


Mário não pode ficar em Lisboa. Se não puder fazer uma digressão nacional, tem pelo menos de ir ao Porto.

As pessoas têm de saber como era, terem consciência de um tempo em que homens e mulheres eram internados à força (e, em muitos casos, lobotomizados) por serem “diferentes”. Aconteceu com o bailarino Valentim de Barros e com dezenas de outros. Podia ter sido um de nós.

Mário ficciona a vida de um artista que esteve internado durante 38 anos consecutivos. O texto de Fernando Heitor faz um tour d'horizon ao país hipócrita que foi o nosso entre os últimos anos da Primeira República e a queda do Estado Novo. É preciso saber como era. E não esquecer.

Flávio Gil, actor de excepção, dá o corpo e a voz ao monólogo perturbador que Fernando Heitor encenou com alto conseguimento.

No São Jorge até 1 de Setembro.

Clique nos dois instantâneos de Flávio Gil fotografado por Rui Olavo.

sábado, 17 de agosto de 2019

MÁRIO


Tenho tido a sorte de ver grandes actores e actrizes em cena, aqui e lá fora. Mas nunca a performance de alguém me arrasou tanto com a de Flávio Gil, em Mário.

Durante 70 minutos, sozinho no palco, Flávio Gil faz o retrato da repressão homofóbica que foi a imagem de marca de Portugal durante o Estado Novo.

A partir da biografia do bailarino Valentim de Barros (1916-1986), internado no Hospital Miguel Bombarda, de Lisboa, por decisão de um tribunal, o actor e encenador Fernando Heitor escreveu e encenou a peça que está em cena no São Jorge — Mário.

Acusado de «psicopatia homossexual e pederastia passiva», vítima de lobotomia executada por Egas Moniz, o malogrado bailarino esteve preso naquele hospital durante 38 anos consecutivos: entre 1948 e 1986. Foi a partir destes factos que Mário — a peça de Fernando Heitor a que Flávio Gil dá corpo — nasceu.

Um monólogo perturbador servido por um actor de excepção.

Clique na imagem de Flávio Gil fotografado por Fernando Heitor.

quarta-feira, 10 de julho de 2019

IRLANDA DO NORTE MAIS LIVRE

Por 383 votos a favor e 73 contra, o Parlamento britânico aprovou ontem o casamento entre pessoas do mesmo sexo na Irlanda do Norte.

E por 332 a favor e 99 contra, a interrupção voluntária da gravidez. Nada disto era possível na Irlanda do Norte. O aborto até podia ser punido com prisão perpétua.

As duas votações foram livres, isto é, autónomas da disciplina parlamentar.

Entretanto, Westminster estuda a possibilidade de alargar as civil partnerships (uniões de facto) aos casais heterossexuais.

sábado, 29 de junho de 2019

STONEWALL, 50 ANOS


Para a maioria das pessoas, os motins de Stonewall não dizem nada. Mas foi com eles que nasceu a cultura gay, hoje estudada em todas as universidades que se prezam.

Resumidamente: faz agora 50 anos que os motins de Stonewall mudaram tudo. Começaram no dia do funeral de Judy Garland — 27 de Junho de 1969 —, ícone da comunidade gay, falecida em Londres mas trasladada para a América, ocasião para centenas de homossexuais levarem o caos a Greenwich Village, um bairro de Nova Iorque.

Durante três dias consecutivos, entre 27 e 29 de Junho, homens e mulheres fizeram frente ao assédio moral e à reiterada prática de chantagem da polícia, fazendo ver à sociedade americana, e em especial às autoridades, que uma democracia não pode permitir que uns sejam mais iguais do que outros. O ponto de partida das hostilidades foi o bar gay Stonewall Inn, em Christopher Street. Nunca mais nada foi como dantes.

A literatura sobre homossexualidade tem mais de três mil anos: o saco sem fundo da antiguidade clássica, os poetas da antologia grega (onde Safo tem lugar cativo), as contribuições de Homero, Virgílio e Petrónio, o Épico de Gilgamesh, epítome do amor viril, as estrofes espirituais de São João da Cruz, os poetas do Islão, desde o tempo em que as fronteiras do Islão chegavam a Silves, os poetas chineses Hsü Ling e Wu Chün, a decantada Chanson de Roland, os poetas turcos e persas dos divã — fonte do Westöstlicher Divan de Goethe, tal como do Diván del Tamarit de Lorca —, os infernos de Rimbaud e Verlaine, os estudos precursores de John Addington Symonds, Edward Carpenter e Henry Havelock Ellis e, naturalmente, as obras centrais de Whitman, Kavafis, Wilde, Gide, Botto, Gunn e muitos outros.

Contudo, ia ser necessária uma década de intervalo para que pudesse irromper e afirmar-se publicamente uma verdadeira geração de escritores gay pós-Stonewall. É o caso do grupo do Violet Quill Club, de que fazem parte, entre outros, Edmund White, Andrew Holleran e Felice Picano. É a partir daí que nasce a cultura gay. Para uma perspectiva de conjunto, ver The Violet Quill Reader (1994). A cultura gay distingue-se por afirmar a sua condição política sem recurso às madalenas de Proust.

A partir daqui parece-me fútil perguntar das razões das marchas do orgulho gay, iniciadas em 1970, em Nova Iorque, e hoje realizadas em mais de 60 países (em Portugal começaram em 2000). Mandela, por exemplo, participou numa das marchas sul-africanas. A mim, o que me faz confusão, é o défice de políticos e personalidades públicas portugueses capazes de darem a cara.

Na imagem, o livro editado em 1994 por David Bergman (na St Martin Press) sobre a emergência da literatura gay pós-Stonewall. Clique.

terça-feira, 14 de maio de 2019

CAMPOLIDE


Ao contrário de Arroios, que deixou cair o projecto, a freguesia de Campolide já tem passadeiras arco-íris. Por enquanto são duas (uma na Rua de Campolide, outra na Travessa Estêvão Pinto), mas vão ser cinco.

Reagindo ao facto, o presidente da Prevenção Rodoviária Portuguesa afirma:

«Pintar as passadeiras com outras cores, mesmo mantendo o branco e colocando as outras cores nos intervalos, é alterar o sinal, o que significa que deixa de ser uma passadeira. Quem ali for atropelado é como se o tivesse sido numa estrada, e os condutores não são obrigados a respeitá-las, não têm de parar para permitir que os peões passem

Reter: «Os condutores não são obrigados a respeitá-las, não têm de parar para permitir que os peões passem.» Estas afirmações de José Miguel Trigoso são muito graves. Na prática, induzem ao atropelamento. O MP anotou? Ou será que já chegámos ao Brunei?

Na imagem, André Couto, o dinâmico presidente da Junta de Freguesia de Campolide. Clique.

quarta-feira, 27 de fevereiro de 2019

INTOLERÂNCIA EM COIMBRA


O brasileiro Jean Wyllys, deputado federal do Rio de Janeiro eleito nas listas do PSOL, o Partido Socialismo e Liberdade, foi ontem atacado com ovos durante uma conferência na Faculdade de Economia da Universidade de Coimbra. Por que será que não me admiro?

É provável que o atacante fosse um dos indivíduos que participou na manif do PNR contra a conferência de Wyllys.

Lembrar que Wyllys renunciou ao mandato de deputado no passado 24 de Janeiro, após receber várias ameaças de morte e não querer acabar como Marielle Franco, a vereadora lésbica-feminista assassinada em Março do ano passado.

Wyllys, 44 anos, homossexual assumido, professor universitário de cultura brasileira e de teoria da comunicação, foi, em 2010, o primeiro deputado eleito que fez campanha afirmando a sua condição homossexual.

Activista LGBTI responsável por parte da legislação que alterou e revogou artigos do Código Civil brasileiro na parte respeitante às uniões de facto e ao casamento entre pessoas do mesmo sexo, tornou-se um homem a abater pela extrema-direita pentecostal, razão pela qual, após renunciar ao mandato, abandonou o Brasil.

Em 2015, a revista The Economist incluiu Wyllys na Lista Global da Diversidade, ao lado de Hillary Clinton, o Dalai Lama, Bill Gates e outras 46 personalidades.

No passado dia 8, por proposta do PAN, a Assembleia da República aprovou (com os votos favotáveis do PAN, PS, BE, PCP, PEV, Paulo Trigo Pereira e três deputados do CDS) uma moção condenando «as ameaças à integridade física de titulares de cargos políticos e activistas dos direitos humanos no Brasil.»

Clique na imagem.

quarta-feira, 20 de fevereiro de 2019

VENCEDOR DO ÓSCAR?


Fui hoje ver A Favorita, o filme de Yorgos Lanthimos sobre a rivalidade entre as duas amantes oficiais da rainha Anne (1665-1714) da Inglaterra, Escócia e Irlanda. No papel da rainha, Olivia Colman está superlativa, mas Emma Stone e Rachel Weisz, nos papéis de Abigail e Sarah, as duas primas que disputam o leito da monarca que apenas reinou cinco anos (1702-1707), período durante o qual a Grã-Bretanha se envolveu na Guerra da Sucessão Espanhola e na invasão de França, não lhe ficam atrás. Ambas excelentes.

Nomeado para dez Óscares, o filme é muito interessante, muito cru e muito glamoroso. A fotografia de Robbie Ryan é magnífica e a música vai de Händel e Bach a Elton John.

Na imagem, Olivia Colman e, de costas, Rachel Weisz. Clique.

domingo, 27 de janeiro de 2019

CRISTANDADE & EUROPRIDE

No Panamá, Marcelo conseguiu convencer o Papa a patrocinar em Portugal, em 2022, as Jornadas Mundiais da Juventude, encontro da cristandade global que dura sete dias. Para o ajudar no trabalho de lobista, meteu na comitiva o presidente da Câmara de Lisboa e o Patriarca de Lisboa. Assunto arrumado. O Vaticano confirmou.

Para o mesmo ano, 2022, Portugal candidatou-se a acolher o EuroPride, o maior evento LGBTI do mundo, que tem a duração de um ano, exigindo um orçamento nunca inferior a 1,5 milhões de euros (o Estado apoiaria com 25%). A candidatura portuguesa distingue-se das outras por ter carácter nacional: abertura no Porto, encerramento em Lisboa, raves na Abrançalha, etc. A Espanha e a Sérvia são os outros países concorrentes. Em Setembro saberemos.

Se ganharmos o EuroPride, haverá uma semana em que os dois eventos coincidem. É capaz de ser a semana mais interessante.

sexta-feira, 25 de maio de 2018

QUEERQUIVO


André Murraças criou um arquivo LGBTI a que chamou Queerquivo. Ali se publicam testemunhos pessoais sobre personalidades queer portuguesas. Como este que escrevi sobre Guilherme de Melo.

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Tinha 12 anos quando foi anulado o casamento de Guilherme de Melo. O Guilherme tinha então 30 anos e a família era amiga da minha. A revelação caiu como uma bomba em Lourenço Marques. Como era hábito, os jornais publicavam placards junto aos cafés mais movimentados da cidade (o Continental e o Scala) sempre que uma notícia de última hora o justificava. Foi o que aconteceu a meio da tarde daquele dia de 1961: a Santa Sé dissolvera e anulara, por non consummatum, o casamento do influente jornalista. Nunca esqueci as ondas de choque que o facto provocou.

Embora fosse um miúdo, estava consciente da minha condição homossexual. À época, por força da diferença de idades, as relações com o Guilherme eram nulas: uns vagos cumprimentos em festas de aniversário e pouco mais. Mas, a partir daquele dia, o meu interesse aumentou. Lembrava-me de histórias nebulosas, comentadas aqui e ali, bem como de conversas com uma das irmãs do Guilherme (a propósito de me saber diferente). Excitando a imaginação de todos, a Casa dos Rapazes era a minha preferida. Que casa era essa? Era uma instituição informal que acolhia rapazes sem família e outros a quem chamaríamos hoje problemáticos. Acabou por pressões junto das autoridades, em especial as movidas pela mulher com quem o Guilherme ainda estava casado. E foi por esse motivo, soube muito mais tarde, que a decisão de pôr fim ao casamento foi tomada. O acidente de carro em que o Guilherme quase perdeu a vida era outro episódio que alimentava o gossip. Afinal, era ela que ia ao volante…

Os detalhes vieram com a nossa amizade, cimentada a partir de 1967, ano em que comecei a ser convidado para as famosas festas de sábado à noite. Em Lourenço Marques, a comunidade homossexual tinha por hábito juntar-se nos parties de fim-de-semana. A eclosão da guerra colonial encheu a cidade de militares em trânsito para o Norte, e uma grande parte desses rapazes alinhou com a transgressão. Por volta de quarta-feira, o Guilherme perguntava aos mais próximos o que preferiam para o party dessa semana: Fuzos? Páras? Comandos? Polícias militares?… E lá eram convidados catorze ou quinze centuriões dispostos a tudo. Foi a época de ouro da liberdade sexual. Os rótulos não tinham minado a itinerância das identidades, e em Moçambique, que fica do outro lado do mundo, os mancebos portugueses descobriam que há muitas moradas no céu.

O que fez do Guilherme uma figura única foi o à-vontade com que, a partir de 1961, numa sociedade fechada como era Lourenço Marques, impôs as suas escolhas à opinião pública. Para adolescentes como eu, foi um exemplo. Saber que aquele homem, um jornalista muito influente, tão depressa estava numa esplanada com “um amante”, sem disfarçar a natureza da relação entre ambos, como era convidado para as recepções da Ponta Vermelha, era a prova provada de que podíamos romper a normatividade.

Quando o Guilherme veio para Portugal, em Outubro de 1974, já essas pontes tinham sido queimadas. Mas se há precursores da cultura gay em Portugal, ele é um deles.


[Guilherme de Melo, 1931-2013, foi jornalista e escritor. Publicou nove romances, dois volumes de contos, dois ensaios sobre homossexualidade, uma compilação de reportagens sobre a guerra colonial, um livro de poesia e a biografia romanceada de Gungunhana.]

A imagem é de André Murraças. Clique.

segunda-feira, 14 de maio de 2018

NETTA & SOBRAL


Vi algumas passagens das semi-finais do festival da Eurovisão e o que vi era agitprop LGBT+ sem disfarce. Nada contra, pelo contrário.

Hoje, o embaixador de Israel em Lisboa confirmou o meu juízo: «Será uma grande celebração, uma grande festa para a comunidade LGBT e será uma outra oportunidade para a comunidade LGBT receber e celebrar com gays de toda a Europa, e nós damos as boas-vindas a todos na Gay Parade, do próximo mês e na Eurovisão do próximo ano

Terá sido isso que incomodou o rapaz Sobral? O vencedor do ano passado considerou a canção vencedora uma merda, e está no seu direito de achar isso mais um par de botas, mas não havia necessidade.

Na imagem, a vencedora Netta Barzilai. Clique.

quinta-feira, 26 de abril de 2018

LÉSBICAS


Como em todos os 26 de Abril, celebra-se hoje o Dia da Igualdade Lésbica, e o Parlamento Europeu promove uma sessão sobre os direitos das mulheres homossexuais. Sabemos o nome das espanholas, francesas, alemãs, inglesas e dinamarquesas que vão estar na sessão. E portuguesas? Vai haver?

No El País, 26 espanholas dão a cara: são médicas, advogadas, polícias, empresárias, desportistas, executivas, jornalistas, modelos, guionistas, professoras, e outras de outras profissões. Clique na imagem.

IGUALDADE

Um detalhe lateral, porém marcante, da inauguração, ontem, do Jardim Mário Soares, sobressai do à-vontade com que homens e mulheres de várias gerações afirmaram em público as suas identidades, outrora rotuladas de ‘desviantes’. Deputados, autarcas, professores, intelectuais, profissionais liberais, quadros de empresa, escritores, artistas plásticos, actores, estudantes, etc., levaram os seus maridos, as suas mulheres, os seus companheiros e namorados de todos os sexos, fazendo juntos a festa. É claro que não foi a primeira vez. Mas ontem foi na rua, a sol aberto, e foi bonito de ver.

sábado, 17 de fevereiro de 2018

DO ENRUSTIMENTO, 2

Miguel Vale de Almeida — «Quando os discursos críticos contra a homonormatividade se transformam em desprezo pelos pequenos gestos e pequenos avanços que beneficiam vidas, e ainda por cima glorificam os armários com uma postura superior de eu estou acima da banalidade dos termos em que vocês colocam as questões [...]»

sexta-feira, 16 de fevereiro de 2018

DO ENRUSTIMENTO

Em Portugal, como em toda a parte, existem muitos paneleiros. As pessoas aceitam os paneleiros porque eles fazem parte da ordem ‘natural’ das coisas. Acontece o mesmo com as bichas fluorescentes. O ‘folclore’ não belisca o establishment. O fantasma identitário, o ressabiamento social e a homofobia militante fazem pontaria aos homossexuais tranquilos e ao activismo gay. Dois homens a viverem a sua conjugalidade perturbam o conservadorismo dominante. Por maioria de razão, um activista gay obriga a reflectir. Homem a abater, portanto. Manuel Clemente, o cardeal, subscreveria as teses do enrustimento mais azedo.

sábado, 10 de fevereiro de 2018

LIÇÃO


Eu não tenho vergonha, nem tenho qualquer problema em ser quem sou. — É desta forma simples que Adolfo Mesquita Nunes, 40 anos, deputado e vice-presidente do CDS, esclarece tudo. Já o havia feito num comício na Covilhã, durante as últimas autárquicas, a pretexto de um cartaz grafitado, mas o assunto morreu.

Hoje, no Expresso, vem tudo em letra de forma numa entrevista de vida. Nada disto é novidade para os duzentos happy few do costume, mas Adolfo Mesquita Nunes deu uma lição a dezenas dos seus pares no Parlamento e nos partidos, incluindo os da esquerda dura, que têm os armários a rebentar pelas dobradiças. É bom saber que há gente com a fibra de Graça Fonseca (PS) e Adolfo Mesquita Nunes. Porque, ao contrário do que defendem alguns, a inscrição pública é um dever para legisladores, governantes, intelectuais, artistas e, grosso modo, formadores de opinião.

Clique na imagem do Expresso.

sábado, 20 de janeiro de 2018

CALL ME BY YOUR NAME


Sim, fui ver. Não, não é uma obra-prima. Mas devia ser visto por todos os papás e mamãs com filhos menores. E talvez exibido em escolas do ensino secundário. Adaptado do romance homónimo de André Aciman, o escritor judeu sefardita, nascido em Alexandria, que ensina teoria literária em Nova Iorque, o filme sinaliza todas as idiossincrasias do autor: tradição hebraica, cultura árabe e homossexualidade. O romance é de 2007, o filme é de 2017. James Ivory escreveu o argumento e co-produziu. A realização é de Luca Guadagnino, que passou a infância na Etiópia e é filho de mãe argelina. Sublinho intencionalmente o melting pot.

Timothée Chalamet, 22 anos, e Armie Hammer, 31, são os protagonistas desta história de amor vivida em 1983, em Crema, na Lombardia. Plot: arqueólogo italiano de origem judaica contrata assistente judeu-americano para o ajudar nos meses de férias, filho do arqueólogo (dezassete anos) apaixona-se pelo assistente do papá (vinte e muitos anos), o qual retribui com o dobro da convicção, os pais do adolescente percebem e apoiam, as férias acabam, os dois passam uma semana sozinhos nas montanhas, o americano regressa a casa e, na tarde do Hanukkah, telefona a dizer que vai casar por imperativo social. Seguir com atenção a conversa do pai com o filho depois da separação. As cenas entre os dois rapazes são persuasivas e estão filmadas com elegância, mesmo a do pêssego besuntado com esperma. Não esquecer que tudo isto se passa na Itália de 1983, entre gente culta, com desafogo económico e respeito pelas tradições hebraicas. Ecos de Visconti e vagas reminiscências de Il giardino dei Finzi-Contini (Vittorio de Sica, 1970) vêm-me à memória. Por último, a música de Sufjan Stevens não me parece nada adequada ao ambiente encantatório do filme, mas se calhar sou eu que sou cota.