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segunda-feira, 11 de janeiro de 2021

OPERACIONALIZAR, AGORA?


Atrás de mim virá, quem de mim bom fará!, diz o provérbio. Rui Rio deve andar a rebolar-se com as calinadas de Rui Moreira.

A imagem é do Público. Clique.

quarta-feira, 24 de junho de 2020

AKRASIA


O Supremo Tribunal Administrativo aceitou a providência cautelar, apresentada pela Associação Comercial do Porto, contra o apoio do Estado à TAP.

Apoio de que a companhia necessita para evitar ruptura de tesouraria. Dito de outro modo, para evitar ter de declarar insolvência. O Governo tem agora 10 dias para recorrer do efeito suspensivo.

O Orçamento Suplementar ao OE 2020 prevê 946 milhões de euros de ajuda à TAP (verba a reembolsar no prazo de seis meses), embora o Governo esteja autorizado pela Comissão Europeia a emprestar até 1,2 mil milhões de euros.

Antonoaldo Neves, CEO da TAP, foi ontem ouvido no Parlamento antes de ser conhecida a decisão do STA, tendo sido claro no tocante ao estrangulamento da companhia.

Eu também não gosto da TAP privada, sobretudo desta TAP privada onde o Estado detém 50% do capital mas não manda. Mas a iniciativa da Associação Comercial do Porto ultrapassa todos os limites da decência, não faz sentido e vai acabar mal. O país não pode andar a reboque de vaidades pessoais.

Quando, em Setembro ou Outubro, a TAP deixar de poder pagar os salários dos seus dez mil trabalhadores e de honrar compromissos com fornecedores, continuando com 90% da frota no chão, quem vai responder pelas consequências da akrasia...?

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sexta-feira, 7 de junho de 2019

O QUE MAIS IRÁ SABER-SE?


Criada em 2017, no Porto, por José Oliveira e Castro, o cérebro da operação stop nas autoestradas entretanto demitido.

Notícia e imagem do Jornal Económico, Clique. 

quarta-feira, 27 de março de 2019

BALLET NACIONAL DA CHINA


The Yellow River, coreografia de Chen Zemei, pelo Ballet Nacional da China, esta noite no Coliseu do Porto. As outras duas peças do programa, Coppélia (a abrir) e Carmen (a fechar), talvez por muito vistas, não me suscitaram o mesmo entusiasmo. O Ballet Nacional da China actua em Lisboa a partir do próximo sábado, dia 30.

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quinta-feira, 28 de fevereiro de 2019

VERGNE CAIU DO CÉU?


Quase 24 horas depois de se saber que Serralves tinha um novo director, o francês Philippe Vergne, não vejo ninguém fazer as perguntas óbvias:

— por que razão não foi aberto concurso público internacional para escolher o sucessor de João Ribas?

— por que razão foi escolhido o director de um museu que anunciou publicamente, em Maio do ano passado, não tencionar dar continuidade ao contrato desse director?

— por que razão o MOCA anunciou a cessação do contrato de Philippe Vergne dois meses depois do controverso despedimento de Helen Molesworth (a curadora-chefe que Vergne afastou)?

Serralves não é um museu qualquer. Os media e o Porto, por esta ordem, não têm necessidade de ficar ‘deslumbrados’ com a contratação de um director que vem da Califórnia, o qual, em princípio, ia ficar desempregado em Abril.

Na imagem, escultura de Joana Vasconcelos nos jardins de Serralves, da exposição I’m your mirror, exposição patente até ao fim de Junho.

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quarta-feira, 27 de fevereiro de 2019

SERRALVES


O francês Philippe Vergne, 53 anos, actual director do MOCA, o museu de arte contemporânea de Los Angeles, será o novo director artístico do Museu de Serralves. Assume essas funções em Abril.

Em Março do ano passado, Vergne demitiu a curadora-chefe do MOCA, Helen Molesworth, submergindo o museu numa onda de especulações sobre a real motivação do despedimento. Mas, nos círculos bem informados, há quem refira divergências sobre políticas de identidade sexual e racial.

Num statement publicado em ArtNews após a demissão, Ms Molesworth afirmou: «As directorias dos museus são cada vez mais compostas por pessoas excessivamente ricas que não têm formação filantrópica ou cultural

Antes do MOCA, Vergne passou por museus de Marselha, Nova Iorque e Minneapolis.

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quinta-feira, 4 de outubro de 2018

DEPUTADOS EM SERRALVES

Se não tiver havido mudança de agulha, os deputados da comissão parlamentar de Cultura, Comunicação, Juventude e Desporto vão hoje a Serralves ver a exposição de Mapplethorpe, falar com a administração da Fundação e tentar perceber o que se passou para as obras expostas terem sido reduzidas de 179 para 159.

O BE propôs a audição de João Ribas no Parlamento, o requerimento foi aprovado por unanimidade, mas, passados mais de dez dias, nada aconteceu.

sábado, 29 de setembro de 2018

FLOP


Vi esta tarde a exposição de Mapplethorpe no Museu de Serralves. A primeira, desde que me conheço, em Portugal e no estrangeiro, sem legendas. Um panfleto impresso em nano-lettering é tudo o que há. Não substitui as legendas, como implica saber ler mapas.

As exposições não são feitas para intelectuais, nem as pessoas são obrigadas a saber que o autor fez muitos auto-retratos. Entre os fotografados há artistas célebres, galeristas, poetas, actores, modelos, gente que a minha geração conhece, mas os mais novos ignoram. Não se trata, portanto, de haver só 159 retratos (em vez de 179). A exposição está mal montada. Também não há catálogo. Lamentável.

A ver se a gente se entende. Eu gostava de dizer bem da exposição de Mapplethorpe, um artista da minha geração, que frequento desde 1983, dos dois lados do Atlântico. Infelizmente, a exposição, tal como está, é um desastre. A ausência de legendas não é um detalhe menor.

Um exemplo. Um casal jovem comentava a foto de William S. Burroughs com a espingarda, uma foto de 1981, tinha o escritor 67 anos: Esta do velho é porreira. Nenhum deles sabe quem é William S. Burroughs. Ignoram portanto que, em 1951, numa festa onde as lendas de Guilherme Tell eram macaqueadas, Burroughs matou Joan Vollmer (mãe do seu filho) com um tiro na cabeça. Se soubessem, a foto ganhava outro sentido.

Quando pessoas identificam, no acervo exposto, a recriação de A Morte de Marat (1793), de Jacques-Louis David? E assim sucessivamente.

Exemplos como estes multiplicam-se. Portanto, pendurar 159 fotografias sem contexto, não serve para nada.

quarta-feira, 26 de setembro de 2018

SERRALVES & MAPPLETHORPE

Na conferência de imprensa dada esta manhã pelo Conselho de Administração da Fundação de Serralves, terminada há pouco, Ana Pinho foi peremptória:

O Conselho de Administração não mandou retirar quaisquer obras da exposição [...] Todas as fotografias foram escolhidas exclusivamente pelo curador [...] As 20 obras não foram expostas por iniciativa do curador [...] Não haverá complacência com a falta de verdade.

Ana Pinho estava ladeada por Isabel Pires de Lima, José Pacheco Pereira, Manuel Ferreira da Silva e Manuel Cavaleiro Brandão.

terça-feira, 25 de setembro de 2018

A FALÁCIA DO INFARMED

O tema da transferência para o Porto da Autoridade Nacional do Medicamento e Produtos de Saúde, vulgo Infarmed, ocupa várias páginas do Público. A choradeira de Rui Moreira não me interessa. Só lhe fica mal dizer que levou aquilo a sério. Qualquer pessoa com sentido prático percebia que, sem medidas radicais de logística e tesouraria (e porventura de natureza legislativa), a mudança não era viável. Tudo isso é claro desde 21 de Novembro de 2017, data em que o ministro da Saúde anunciou ao país uma medida que não tinha condições de concretizar a 1 de Janeiro de 2019.

O que me interessa no dossiê do Público são os números do relatório do grupo de trabalho criado pelo Governo para avaliar a viabilidade da mudança, mais os da Porto Business School sobre o funcionamento do Infarmed.

Dizem-nos esses números que as obras de adaptação do edifício onde o Infarmed ficaria instalado no Porto teriam o custo de 4,25 milhões de euros, não ficando prontas em menos de 30 meses (dois anos e meio). Esses 4,25 milhões de euros fazem parte do pacote de 17 milhões de euros que custaria a mudança. Verdade que há números sobre hipotéticas poupanças futuras, mas não vale contar com o ovo no cu da galinha.

O mais importante nem são os milhões para adaptar o edifício da Manutenção Militar (na zona ribeirinha), construir o laboratório e o data center. Nenhuma destas obras está sequer planeada, mas isso não preocupa o autarca-mor da Invicta.

Importantes são as pessoas. Ou seja, os 354 funcionários do Infarmed, dos quais apenas dez mostraram disponibilidade para a mudança. Se o Governo via vantagem na mudança do Infarmed para o Porto, tinha de o explicar. Em seguida, confrontado com recusa geral dos funcionários, devia, logo naquela altura, ter aberto concursos com carácter de urgência para recrutar na área do Grande Porto. Não acredito que ficassem desertos. Mesmo assim, com procedimentos concursais, adjudicações e obras, antes de 2022 nada aconteceria. Se nós tivéssemos uma imprensa atenta, e um jornalista que soubesse contar pelos dedos, o ministro da Saúde teria sido obrigado a esclarecer a natureza falaciosa do calendário.

Se vivêssemos na Coreia do Norte, os funcionários eram arrastados pelos cabelos. Vivendo em democracia, isso não acontece. Transferir 354 funcionários e respectivas famílias, significa obrigar perto de mil pessoas a mudar de vida. Não vale a pena entrar em detalhes de compra ou arrendamento de casa, vagas em escolas e faculdades, gestão de compromissos em Lisboa, etc.

Nas primeiras semanas (ainda em 2017) após a fake new, um punhado de técnicos especializados rescindiu com o Estado e foi trabalhar para o sector privado do medicamento. A sangria estancou quando foi garantido que a mudança não se faria. Mesmo um pólo de natureza administrativa, para manter as aparências, com pessoal reduzido a recrutar in loco, orçaria em seis milhões de euros.

Sobra ainda a posição das associações do sector do medicamento, a indústria farmacêutica, as empresas de dispositivos médicos, etc., todas contra a mudança.

É a Máquina? Claro que é a Máquina. Rui Moreira nasceu ontem?

segunda-feira, 24 de setembro de 2018

MAPPLETHORPE AGAIN


Se, como revela hoje o Público, João Ribas foi forçado a tirar da parede obras já penduradas, aceitando, do mesmo passo, a substituição do vídeo Still Moving por uma tela que veda quase completamente a entrada numa das salas reservadas, por que razão compareceu ao vernissage...?

Sol na eira e chuva no nabal nunca deu bom resultado.

Clique na foto de António Lagarto.

domingo, 23 de setembro de 2018

NOVELA MAPPLETHORPE


Isabel Pires de Lima, administradora da Fundação de Serralves, deu esta noite uma entrevista ao Expresso online. A antiga ministra da Cultura não podia ser mais clara: foi João Ribas quem pôs de lado 20 fotografias, reduzindo a exposição de 179 para 159 trabalhos. Discurso directo: Surpreende-nos que ele tenha excluído 20 obras. É bastante penalizador para a Fundação, que pagou 179. Também não aceita a alegação de censura porque, desde o início, ficou estabelecido criar uma zona interdita (as fotografias de cariz sexual explícito) a menores de 18 anos não acompanhados.

Como João Ribas ainda não se pronunciou, o que é estranho, ficamos só com um dos lados da história.

Importa lembrar que não é a primeira vez que obras de Mapplethorpe são expostas em Portugal. Em 1985, a Galeria Cómicos (Lisboa), de Luís Serpa, expôs Black Flowers, ainda o autor estava vivo. Em 1993, no Mês da Fotografia de Lisboa, e nos Encontros da Imagem, em Braga, mais obras foram expostas. Verdade que nenhuma destas exposições era uma grande retrospectiva, como a que neste momento está em Serralves.

Clique na imagem.

sábado, 22 de setembro de 2018

INFARMED

Acabou a novela da transferência do Infarmed para o Porto, iniciada em Novembro de 2017. Ouvido ontem no Parlamento, o ministro da Saúde revelou que o Governo suspendeu a medida.

Integrada na candidatura falhada do Porto à sede da Agência Europeia do Medicamento, a transferência do Infarmed não podia fazer-se sem os seus 356 funcionários. Sucede que apenas 19 (nenhum dirigente, nenhum quadro superior, nenhum técnico especializado) manifestaram disponibilidade para se deslocar.

Alguém no seu perfeito juízo acreditou ser possível transferir 356 funcionários e respectivas famílias para mais de 300 quilómetros da sua residência?

sexta-feira, 21 de setembro de 2018

MAPPLETHORPE CENSURADO

João Ribas, director do Museu de Serralves, e Paula Fernandes, curadora, organizaram a exposição de Mapplethorpe com 179 trabalhos do fotógrafo americano. A publicidade institucional vinca a existência desse conjunto.

Mas a administração da Fundação vetou 20, reduzindo a mostra a 159. Também impôs proibição a menores de 18 anos.

João Ribas demitiu-se esta noite do cargo de director.

A administração da Fundação é composta por Ana Pinho, Manuel Cavaleiro Brandão, Manuel Ferreira da Silva, Isabel Pires de Lima, Vera Pires Coelho, Carlos Moreira da Silva, António Pires de Lima e José Pacheco Pereira.

A decisão de interditar as 20 obras foi tomada por maioria ou por unanimidade? Quem votou a favor da interdição?

De que modo a Fundação de Serralves tenciona ressarcir quem (como eu) comprou ingressos por via electrónica?

quinta-feira, 20 de setembro de 2018

MAPPLETHORPE EM SERRALVES


É hoje inaugurada em Serralves uma exposição de Robert Mapplethorpe. Junta 179 trabalhos do autor, incluindo as fotografias de cariz sexual que têm sido boicotadas por museus dos dois lados do Atlântico. Comissariada por João Ribas e Paula Fernandes, arrisca-se a ser o acontecimento cultural mais importante do ano em Portugal. Mapplethorpe (1946-1989) é um dos artistas mais importantes do século XX, e quem não conhece tem aqui uma boa oportunidade. Não voltei a vê-lo desde o Whitney, lá terei que voltar à Marechal Gomes da Costa. Vale uma ou várias deslocações ao Porto. Fica até 6 de Janeiro de 2019.

Clique na imagem.

sábado, 21 de abril de 2018

A INVICTA


Tendo visitado o Porto umas seis dúzias de vezes, nunca ali tinha permanecido cinco dias seguidos. Gostei francamente da experiência. O Porto que me era familiar circunscreve-se ao eixo Campo Alegre/Foz, porque é lá que moram os amigos e, por essa razão, a deslocação para o downtown revelou outra cidade. Verdade que o downtown de 2018 não é o de 1988. Obras de reordenamento urbano, limpeza, recuperação de edifícios, comércio de qualidade, oferta de hotéis, cafés restaurados com bom gosto, esplanadas, tudo contribui para fazer do Porto actual uma cidade convidativa.

Fiquei fã da zona de Sá da Bandeira. E descobri a Rua das Flores, onde fica a Ourivesaria Alliança, durante décadas a maior da Península Ibérica. Os lisboetas conhecem a Alliança da Rua Garrett, mas a casa-mãe, fundada em 1925, embora já não disponha dos cinco andares originais, tem uma elegante casa de chá no piso térreo. Quem for avesso a baixelas e cristais pode ir ao Mercador Café fazer uma refeição ligeira ou beber um copo em ambiente simpático e civilizado. Os bibliófilos encontram dois alfarrabistas, sendo um deles o famoso Chaminé da Mota. A Igreja da Misericórdia merece uma visita, bem como o MMIPO (museu da Misericórdia) e a Chocolataria das Flores. Uma dúzia de barzinhos frequentados por malta nova, trendy, e franceses estruturalistas, dão um toque de cosmopolitismo soixante-huitard. No topo Sul fica o Largo de São Domingos, com esplanadas e a cara lavada. Dois restaurantes merecem atenção: o Traça e o LSD, especialmente o primeiro, que entrou para a minha lista portuense.

É evidente que o centro histórico do Porto não se resume à Rua das Flores, mas foi a zona mais agradável que visitei. Quanto à Rua de Santa Catarina, outrora aprazível, está transformada numa espécie de Chinatown, não tanto pelas lojas, pois há de tudo, mas pelo tipo de esquizofrenia universal. Numa altura em que a cidade se renova, é incompreensível o estado de decadência do magnífico edifício do antigo Cinema Batalha. A reabilitação prevista para 2019 avança? Oxalá. Do outro lado da praça, o Teatro de São João está um brinco.

Clique na imagem.

sexta-feira, 24 de novembro de 2017

INFARMED, AGAIN

Cada cavadela sua minhoca. Entrevistado esta manhã pela Antena 1, o primeiro-ministro revelou que a transferência do Infarmed para o Porto fazia parte da candidatura da cidade para receber a Agência Europeia do Medicamento. Ora aí está uma informação desconhecida, até hoje, pelos trabalhadores do Infarmed e pela opinião pública. Porquê o secretismo?

Já agora: como a EMA vai para Amesterdão, o Pacote Invicta mantém-se?

António Costa reconheceu o gap comunicacional, e disse ainda:

«Pondo-me na posição de um funcionário do Infarmed, encararia a mudança com tranquilidade, quer porque a Lei me protege relativamente aos meus direitos quanto à mobilidade, quer porque sei que tenho seguramente uma administração e um Governo que saberá dialogar para encontrar as melhores soluções, para que o Porto possa ter o Infarmed e eu possa ter boas condições para, no Infarmed ou noutro serviço, poder continuar a desempenhar a minha actividade

Alguém anda a tramar o PM.

quinta-feira, 23 de novembro de 2017

A VIDA COMO ELA É


Reunidos ontem em plenário, 97% dos funcionários do Infarmed manifestaram-se indisponíveis para ir para o Porto, mesmo com incentivos Os questionários individuais já estão nas mãos do ministro da Saúde.

A imagem é do Expresso. Clique nela.

quarta-feira, 22 de novembro de 2017

INFARMED


Disclaimer: é-me indiferente que a Autoridade Nacional do Medicamento e Produtos de Saúde esteja sedeada em Lisboa ou na Alpendurada. Isto dito, vamos ao que interessa. Quando ontem, alegadamente às 08:35 da manhã, o ministro da Saúde telefonou ao Presidente da Câmara do Porto para lhe dizer que, a partir de Janeiro de 2019, o Infarmed seria transferido para o Porto, apanhou toda a gente de surpresa (até o primeiro-ministro, segundo consta). A presidenta do Infarmed, Maria do Céu Machado, terá sabido minutos antes. Os funcionários da casa souberam pela imprensa. A indústria farmacêutica, idem. Os outros ministros, idem.

A ideia de Adalberto Campos Fernandes será a de criar dois pólos: a sede no Porto, e uma delegação em Lisboa que asseguraria 30% das actuais competências do Infarmed. Para o Porto seriam transferidos 350 funcionários, ficando em Lisboa cerca de 50. Tudo isto é muito bonito, e pôs Rui Moreira em ponto de rebuçado, mas como os funcionários públicos não podem, contra sua vontade, ser transferidos para mais de 50 quilómetros da sua residência, é preciso cortar o nó górdio.

A Federação de Sindicatos da Administração Pública foi clara: «É uma situação caricata. Não é possível obrigar os trabalhadores a mudar para 300 quilómetros de distância da residência.» Acresce que Maria do Céu Machado não vê como possa ser feita a escolha de uns e de outros, «porque as pessoas trabalham em conjunto

Recrutar funcionários no Porto parece-me a solução mais prática, embora um concurso público dessa natureza leve, no mínimo, 18 meses (sem recursos). Transferir um serviço público não é o mesmo que transferir uma galeria de arte. Passando por cima disto tudo, sobra o detalhe da habitação (decisivo na escolha da EMA), porque a maioria dos portugueses estão amarrados a hipotecas de casas, factor que muito prejudica a mobilidade de profissionais de todas as áreas. Mais: os maridos e as mulheres dos funcionários do Infarmed demitem-se dos respectivos empregos para acompanharem os cônjuges?

Hoje há plenário de trabalhadores indignados com o voluntarismo do ministro da Saúde. Aguardar os próximos capítulos.

terça-feira, 21 de novembro de 2017

JOGO DE SOMBRAS


Era neste edifício de Jean Nouvel, a Torre Agbar, que a edilidade de Barcelona tencionava instalar a Agência Europeia do Medicamento. O facto de lá estar a funcionar a Companhia das Águas da cidade é um pormenor descartável. Ada Colau, a alcaldesa da capital catalã, no melhor espírito aqui quem manda sou eu, ofereceu a torre icónica na convicção de deslumbrar este mundo e o outro. Agora, face à escolha de Amesterdão, andam todos (em Barcelona) a arrancar os cabelos uns aos outros, com acusações mútuas de boicote.

A DUI é o pretexto mais enfático, mas, com DUI ou sem DUI, nenhuma cidade situada fora do eixo Bruxelas/Berlim teria condições de ser escolhida. Barcelona gastou milhões numa candidatura tão mirífica como a do Porto, que não sei quanto gastou, mas terão sido centenas de milhares de euros, que faziam mais falta para requalificar toda a área da Campanhã, entre outros exemplos possíveis.

Se Rui Moreira, o presidente da Câmara do Porto, fosse inteligente, teria percebido, no dia em que Lisboa desistiu, que tudo não passava de um jogo de sombras.