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quarta-feira, 30 de dezembro de 2020

PASSOU UM ANO


Faz hoje um ano que, após análise de um relatório do Dr. Zhong Nanshan, epidemiologista e pneumologista com prestígio científico e força política, a China reconheceu oficialmente a existência de um vírus letal, semelhante a uma pneumonia misteriosa e difícil de tratar, com origem no mercado de peixe de Wuhan.

Não obstante o quadro exposto por Nanshan (o cientista que em 2002 identificou a síndrome respiratória aguda grave), Xi Jinping só mandou fechar a capital da província de Hubei no dia 23 de Janeiro. Era tarde.

Sabe-se hoje que tudo terá começado em Agosto ou Setembro de 2019, mas os avisos da comunidade científica chinesa foram sistematicamente desvalorizados em Pequim.

Esse gap provocaria uma pandemia de proporções inimagináveis. 

Lembrar que, só em 2019, mais de seis milhões de chineses fizeram férias em Itália, país onde vivem cerca de 350 mil imigrantes chineses, metade dos quais na Toscana.

Assim nasceu o Covid-19.

Clique na imagem.

domingo, 19 de abril de 2020

TRUMP SABIA?

De uma forma ou de outra, toda a gente acompanhou as teorias de conspiração relacionadas com o surgimento do Covid-19.

Para os que estão sempre prontos a dizer mal da América, teriam sido os americanos a introduzir o vírus na China. A primeira vez que ouvi a tese foi da boca de um professor catedrático que teria recebido a informação, muito bem fundamentada, de um reputado fellow.

Hoje, com atraso, porque o artigo é de terça-feira passada, li a coluna de Josh Rogin no Washington Post, na qual refere o seguinte: os Estados Unidos estão, desde Janeiro de 2018 — atenção: 2018 —, informados sobre pesquisas de risco em coronavírus de morcegos, na cidade chinesa de Wuhan.

Mais: a Casa Branca recebeu duas advertências oficiais sobre o assunto, assinadas por Jamison Fouss, cônsul-geral em Wuhan, e Rick Switzer, conselheiro de embaixada em Meio Ambiente, Ciência, Tecnologia e Saúde.

O artigo prossegue com outras revelações melindrosas para a Casa Branca.

Aqui chegados, cada vez se percebe menos o descaso de Washington face à pandemia.

Lembram-se do famoso relatório, que alegadamente ninguém leu, embora estivesse na secretária (mesa) de Bush desde 6 de Agosto de 2001, sobre um hipotético «mas muito provável...» ataque a Nova Iorque com aviões suicidas?

A história repete-se?

sábado, 14 de março de 2020

GAP FATAL


O vasto mundo soube da tragédia de Wuhan no dia 5 de Janeiro.

Alegadamente, tudo começara a 27 de Dezembro, com a divulgação do relatório do dr. Li Wenliang, o médico chinês que foi preso por divulgar a existência do vírus. Boatos, disseram os bonzos. Libertado por pressão internacional, morreu em serviço no dia 7 de Fevereiro, com 33 anos de idade.

Pouco depois da sua libertação, soube-se que o relatório do fim de Dezembro reportava a casos do início do mês. É natural: nenhum médico, em nenhuma parte do mundo, identifica um vírus novo em 24 horas.

Mas agora sabe-se mais:

O primeiro caso de infecção pelo Covid-19 foi registado a 17 de Novembro, e não a 8 de Dezembro, como referem algumas revistas médicas.

— As autoridades de Wuhan proibiram o registo de doenças infecciosas, sugerindo a indicação de outras patologias.

Os detalhes não ficam por aqui: vem tudo bem explicado no South China Morning Post.

Vamos ao que interessa.

— Apesar das medidas draconianas, a China anda há quatro meses a tentar conter o Covid-19.

— Durante 50 dias, dezenas de milhares de chineses fizeram viagens ao estrangeiro. A tragédia italiana não tem mistério: em 2019, a Itália recebeu cerca de cinco milhões de turistas chineses.

— Até à segunda semana de Janeiro, a opinião pública internacional desconhecia a existência da nova estirpe de coronavírus.

— Durante 50 dias, navios de cruzeiro atravessaram os mares com passageiros e tripulantes de todas as nacionalidades.

— Só a partir da segunda semana de Janeiro o vasto mundo começou a reagir. Fê-lo de forma tímida (veja-se o comportamento da OMS) e por vezes incoerente.

— De forma criminosa, a UE não foi capaz de coordenar planos de contingência supranacionais. Cada um faz o que quer.

Aqui chegados, esperar dias difíceis para os próximos meses.

Clique na dupla imagem do dr. Li Wenliang.

quarta-feira, 12 de fevereiro de 2020

COVID 19


Já todos percebemos que a situação é mais grave do que nos fizeram crer. Estamos noutro patamar.

Entretanto, são cada vez mais as vozes (incluindo médicos de todo o mundo) que exigem o afastamento de Tedros Adhanom Ghebreyesus do cargo de director-geral da OMS, considerado por muitos incapaz de gerir a situação.

O etíope é acusado de usar paninhos quentes para não melindrar Pequim nem beliscar os grandes interesses económicos internacionais. Ontem, finalmente, descobriu que o Covid 19 é o inimigo público número um.

As Nações Unidas já receberam um relatório com mais de trezentas mil assinaturas questionando a actuação de Tedros Adhanom Ghebreyesus:

«Em 23 de Janeiro de 2020, ainda Tedros Adhanom Ghebreyesus se recusava a declarar emergência mundial de saúde o surto de vírus na China. A OMS tem de ser neutra em termos políticos. Sem nenhuma investigação, Tedros Adhanom Ghebreyesus acredita apenas nos dados fornecidos pelo Governo chinês. [...]»

Há quinze dias, com um mês de atraso relativamente aos primeiros casos identificados na China, onde tudo começou a 27 de Dezembro, a nova estirpe de coronavírus estava alegadamente controlada.

Hoje sabemos que não está. Pior: o período de incubação não é de 14 dias, mas de 24. Os números oficiais registam 1.115 mortos até ontem, mas na China nem sempre os números oficiais coincidem com a realidade.

Artigos publicados na imprensa chinesa, quem diria, reportam casos de dezenas de famílias infectadas, em Wuhan, as quais estariam sem qualquer tipo de acompanhamento médico.

Quatro navios de cruzeiros estão em regime de quarentena. E só no Diamond Princess, ancorado em Yokohama (Japão) com 2.670 passageiros e mil tripulantes a bordo, foram registados 174 casos de infecção letal.

Sem as amarras da UE, o Reino Unido (oito casos identificados) já decretou emergência de saúde pública.

Clique na imagem.

domingo, 2 de fevereiro de 2020

ACABOU O FOLHETIM?

Com a chegada, esta noite (20:20), à base militar de Figo Maduro, dos dezassete portugueses repatriados da China, espero que tenha acabado o folhetim do repatriamento de nacionais.

Pela conferência de imprensa que se seguiu, ficámos a saber duas coisas:

— Todos os repatriados se voluntariaram para ficar em isolamento durante 14 dias, uns no Hospital Pulido Valente, outros no Hospital Júlio de Matos, aka Parque da Saúde, ambos de Lisboa.

— Um avião que fazia a ligação entre Hong Kong e Reykjavik foi proibido de aterrar na Islândia, tendo de ser desviado para os Açores, onde os passageiros desembarcaram.

quinta-feira, 30 de janeiro de 2020

RESGATE


Partem hoje de Beja três aviões da Hi Fly com a missão de resgatar cidadãos europeus retidos em Wuhan: o primeiro às 10 da manhã, o segundo às 11 e o terceiro às 15. Foi à companhia da família Mirpuri, especializada no fretamento de aviões comerciais, que a Comissão Europeia, através do Mecanismo Europeu de Protecção Civil, os fretou.

O voo das 10 da manhã será feito por um A-380, o maior avião comercial do mundo, com capacidade máxima para 853 passageiros, embora as companhias que o utilizam (casos da Emirates, Etihad, Quatar, Singapore Airlines, Qantas, Lufthansa, Air France, British Airways, etc.) tenham optado pela versão de 520 lugares em três classes. Desconhece-se a versão a utilizar no voo da Hi Fly.

O avião sai de Beja, único aeroporto português onde o A-380 pode operar, com destino a Paris, para embarcar médicos e outros profissionais de saúde, num total de 30 pessoas. De Paris segue para Hanói, sendo a ligação com Wuhan efectuada por outro avião, provavelmente chinês. O voo das 11 horas segue o mesmo percurso. O das 15 não passa por Paris, mas por Bruxelas. O destino final é sempre o Vietname.

Os dezassete tripulantes são portugueses. A partir de Beja, seguem técnicos da direcção-geral de Saúde.

Clique na imagem.

sábado, 25 de janeiro de 2020

CORONAVÍRUS GLOBAL


Por causa do Coronavírus, hoje, dia de Ano Novo chinês, mais de 56 milhões de pessoas estão impedidas de celebrar a data devido às restrições de circulação, não só em Wuhan, mas também em Pequim e noutras cidades.

O que são 56 milhões num país com 1,4 mil milhões de habitantes?, dirão alguns. Em todo o caso, a maior quarentena jamais posta em prática.

Foram cancelados os festejos públicos. A Grande Muralha e a Disneylândia de Xangai foram encerradas por tempo indeterminado, o mesmo acontecendo a templos e feiras de 30 províncias.

Até ao momento, estão reportados casos na China (com 1.372 doentes infectados e 41 mortos), Macau, Hong Kong, Taiwan, Coreia do Sul, Japão, Singapura, Tailândia, Nepal, Malásia, Vietname, Austrália, Estados Unidos e França. 

Vários países, entre os quais Portugal, estão a tomar medidas para retirarem os seus cidadãos (vivem 14 portugueses em Wuhan). O primeiro avião americano, com pessoal médico a bordo e capacidade para 230 passageiros, já aterrou em Wuhan. Mas só nessa cidade vivem mais de mil americanos.

Clique no gráfico do Guardian, que reporta às 15:20 de hoje.

sexta-feira, 24 de janeiro de 2020

CIDADE SITIADA


Em Wuhan, na China, cerca de 20 milhões de pessoas (onze milhões no centro da cidade) vivem o terror do Coronavírus.

Sem transportes públicos de qualquer espécie, o aeroporto encerrado e as autoestradas bloqueadas, o pesadelo instalou-se. Fechados nos hotéis, os turistas não podem regressar aos seus países. Trata-se da maior operação de quarentena pública de todos os tempos.

Um novo hospital, com mil camas, começou hoje a ser construído. Prazo limite da obra: dez dias. No próximo 3 de Fevereiro terá de receber os primeiros doentes.

A coreografia das escavadoras antecipa a desmesura. É outra a escala chinesa.

Clique na imagem do Financial Times.

quinta-feira, 15 de agosto de 2019

NOVO TIANANMEN?


Ao fim de dez semanas de protestos, a situação em Hong Kong está prestes a atingir o turning point.

A imagem mostra uma parte das centenas de blindados chineses na cidade de Shenzhen, ou seja, na linha de fronteira que separa Hong Kong do resto da China.

Os 300 mil cidadãos britânicos residentes em Hong Kong têm constituído um factor dissuasor, mas vamos ver até quando. As declarações proferidas hoje em Londres pelo embaixador chinês não auguram nada de bom. Trinta anos passados irá Pequim repetir a tragédia?

Clique na imagem do Guardian.

segunda-feira, 20 de maio de 2019

BLACKOUT TOTAL?

A Google e uma série de fabricantes de chips (a Intel, a Qualcomm, a Xilinx, a Broadcom) decidiram romper a parceria com a Huawei.

Estamos a falar de uma parceria que inclui acesso às versões actualizadas do sistema Android, bem como à transferência de hardware e software necessários aos telemóveis da marca chinesa. Os alemães da Infineon preparam-se para fazer o mesmo após o período de suspensão em curso.

Em termos práticos, a consequência mais drástica significa interdição à recepção de correio do @gmail através do telemóvel. Mas há outras, menos radicais.

Isto vai acabar mal.

segunda-feira, 2 de abril de 2018

TIANGONG


A estação espacial chinesa Tiangong-1 caiu no Pacífico Sul, perto da costa chilena. Lá se foi a fantasia minhota, fabricada pela TVI, SIC e outros media nacionais, do fogo de artifício de sarrabulhos entre Seixas e Ponte de Lima.

Clique no tuíte do 18.º Esquadrão de Controlo Espacial americano.