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terça-feira, 14 de janeiro de 2020

TURNING POINT


A decisão tomada pelos duques de Sussex, Harry e Meghan, transcende o anedotário dos tablóides e da imprensa cor-de-rosa. Desde Eduardo VIII que a monarquia não sofria um abanão de tal monta. Pelo andar da carruagem, Carlos chegará a rei, se chegar, daqui a seis ou sete anos (mas Camila, duquesa da Cornualha, nunca será rainha). Será, provavelmente, o fim da monarquia inglesa.

Harry, 6.º na linha de sucessão, percebeu isso e adiantou-se. O comunicado emitido no passado dia 8 diz tudo. Alegadamente terá apanhado a rainha de surpresa, o que não deixa de ser estranho. A ausência de Sandringham, onde a família se junta durante cinco dias no Natal, era um sinal claro. O facto de Harry e Meghan terem passado as Festas em Vancouver, onde decidiram residir em permanência, não tem duas leituras. Também não foi por acaso que o filho de ambos permaneceu em Vancouver, sem a mãe, que veio a Londres com Harry, na semana passada, mas voltou para o Canadá ao fim de três dias.

Ontem, Isabel II juntou os filhos e os netos em Sandringham (onde ainda permanece), tendo Meghan acompanhado o encontro por videoconferência.

O statement da rainha é claro:

«Hoje, a minha família teve discussões muito construtivas sobre o futuro de meu neto e da sua família. A minha família e eu apoiamos totalmente o desejo de Harry e Meghan de criar uma nova vida [...] Embora tivéssemos preferido que continuassem a trabalhar como membros da Família Real a tempo inteiro, respeitamos e entendemos o desejo de viver uma vida mais independente [...] Harry e Meghan deixaram claro que não querem depender de fundos públicos [...] São assuntos complexos para a minha família resolver e há mais trabalho a fazer, mas solicitei que as decisões finais fossem tomadas nos próximos dias

Pode-se dizer que a Firma atingiu o turning point.

Na imagem, o statement da rainha, na íntegra. Clique.

domingo, 17 de dezembro de 2017

THE CROWN


Viver em democracia tem custos. Quem viu ou vê a série britânica The Crown, de Peter Morgan, que passa na Netflix, surpreende-se com a forma como temas ‘melindrosos’ são tratados. A relação de Isabel II com o marido não omite a faceta de mulherengo do Duque de Edimburgo. O próprio passado de Filipe é dissecado sem filtros: as simpatias nazis da família são expostas de forma bruta. Por falar em nazismo, o Duque de Windsor (o rei Eduardo VIII, que abdicou em 1936) não sai nada bem no retrato. O assunto não constitui novidade, mas nunca tinha sido tratado sem ambiguidades. O Duque queria mesmo regressar ao trono pela mão de Hitler. A crise do canal do Suez e a demissão de Eden mostram bem a hipocrisia brit. O mesmo se diga do escândalo Profumo, que não poupa o Duque de Edimburgo, habitué das festas de Stephen Ward, o osteopata que fornecia meninas à alta sociedade. Muito interessante o modo como o casamento da princesa Margarida com Tony Amstrong-Jones é ilustrado: a série põe o futuro Lord Snowdon na cama com outros cavalheiros, o que também não é uma revelação, mas uma coisa são rumores, outra bem diferente pôr os factos na televisão. Junte a tudo isto álcool e drogas. Ainda só vamos na segunda temporada, que termina em 1964, com o nascimento do príncipe Eduardo, o quarto filho da rainha, portanto imagina-se o que virá a seguir, com a entrada em cena de Diana. Não esquecer que a rainha e o marido estão vivos. Em Portugal, nem com gente morta há 500 anos seria possível.