quarta-feira, 5 de agosto de 2020

AÇORES

Em acórdão hoje divulgado, o Tribunal Constitucional é claro: o Governo Regional não tem competência para impor quarentenas obrigatórias, matéria exclusiva da Assembleia da República.

Trata-se, sublinha o TC, de «uma restrição desproporcional de direitos fundamentais imposta pelo Governo açoriano, que não tem competências para tal...»

Recorde-se que todos os que chegavam aos Açores eram obrigados a ficar de quarentena num hotel. Até ao dia em que três pessoas se queixaram. O Tribunal Judicial da Comarca dos Açores deu-lhes razão, deixando-os regressar à vida normal. O MP recorreu e o TC pôs os pontos nos ii.

O Governo Regional dos Açores pode vir a ser obrigado a pagar indemnizações a todos os que foram obrigados a quarentena.

BEIRUTE, O HORROR


Subiu para mais de cem o número de mortos da tragédia ocorrida ontem. Entretanto, aos mais de quatro mil feridos somam-se centenas de pessoas desaparecidas.

Desde o 11 de Setembro que não se viam imagens tão terríveis em cenário urbano.

A foto é de Wael Hamzeh para o NYT. Clique.

terça-feira, 4 de agosto de 2020

TRAGÉDIA EM BEIRUTE


Cerca de 80 mortos e mais de quatro mil feridos é o balanço, até ao momento, de duas explosões registadas hoje ao fim da tarde na capital do Líbano. A segunda explosão, ouvida e sentida em Chipre, teve magnitude equivalente a um sismo de grau 3,3 na escala de Richter. Tudo terá começado com um incêndio num armazém onde estavam guardadas 2.750 toneladas de nitrato de amónio.

Num raio de vários quilómetros ficaram destruídos dezenas de edifícios e milhares de automóveis. O Hospital St George, um dos maiores da cidade, com todos os andares danificados, teve de ser evacuado.

Nizar Najarian, secretário-geral do Kataeb, partido político democrata-cristão, encontra-se entre os mortos. O partido, conhecido no Ocidente como Falange, estava reunido ao mais alto nível no momento das explosões.

Entre os feridos estrangeiros estão militares (capacetes azuis) da ONU, uma portuguesa, e pessoal de várias embaixadas.

Imagem: NYT. Clique.

EXÍLIO


Juan Carlos, rei de Espanha entre 1975 e 2014, exilou-se. Segundo o ABC, o rei emérito estará desde ontem na República Dominicana, alegadamente numa das residências de Pepe Fanjul, o bilionário do açúcar com quem mantém laços familiares (ambos se relacionam como irmãos). A viagem terá sido feita no domingo, através de Sanxenxo e do Porto. Mas o destino final poderá ser a Nova Zelândia.

Ontem, a Casa Real tornou pública a carta enviada pelo antigo monarca a Felipe VI:

«Majestad, querido Felipe, con el mismo afán de servicio a España que inspiró mi reinado y ante la repercusión pública que están generando ciertos acontecimientos pasados de mi vida privada, deseo manifestarte mi más absoluta disponibilidad para contribuir a facilitar el ejercicio de tus funciones desde la tranquilidad y el sosiego que requiere tu alta responsabilidad. Mi legado, y mi propia dignidad como persona, así me lo exigen. [...] Una decisión que tomo, con profundo sentimiento pero con gran serenidad. He sido Rey de España durante 40 años y durante todos ellos siempre he querido lo mejor para España y para la Corona

Juan Carlos é acusado de fraude fiscal e corrupção passiva no caso do TGV que ligaria as cidades santas de Meca e Medina, na Arábia Saudita, obra faraónica adjudicada a empresas espanholas. Parte do dinheiro serviria para pôr de pé a Fundação Juan Carlos, mas a fatia de leão (mais de cem milhões de euros, segundo os media) teria ido para uma conta de Corinna Larsen, sua amante. Não esquecer que Felipe VI renunciou à herança do pai assim que teve conhecimento dos factos.

A rainha-mãe, Sofia, permanece em Espanha.

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segunda-feira, 3 de agosto de 2020

A HISTÓRIA SECRETA


Nos meses do PREC foram muitos os que quiserem associar Amália ao Estado Novo. Sim, é verdade que foi cantar a Londres (1949) a convite de António Ferro. E também é verdade que foi à gala do 52.º aniversário do Sporting (1958) num carro escoltado pela PIDE. Nada disso impediu que, desde os anos 1940, tivesse apoiado militantes comunistas na clandestinidade, as famílias de muitos presos políticos, e até sequazes de Humberto Delgado.

Quem não sabe, fica a saber: Abandono (David Mourão-Ferreira, 1959), também conhecido como Fado de Peniche, é directamente inspirado na prisão de Cunhal: «Por teu livre pensamento / Foram-te longe encerrar...»

Decerto não por acaso, foi condecorada por Soares, Sampaio e Mitterrand. Adiante. Não vou aqui fazer a exegese das seiscentas páginas da biografia escrita por Miguel Carvalho, agora editada pela Dom Quixote. No ano do centenário da diva, a homenagem certa.

A extraordinária foto da capa, da autoria de Mariana Correia Pinto, reporta à participação de Amália numa manif (1975) organizada pelo PS em defesa do jornal República.

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domingo, 2 de agosto de 2020

OUTONO NEGRO

Os efeitos colaterais da pandemia vão sentir-se a partir do Outono. Falo da economia em cacos, à qual os milhares de milhões da UE de nada servirão (o seu móbil é o futuro a haver). Ainda não começaram os grandes despedimentos e o desemprego já é o dobro do que era em Março. As insolvências em cadeia vão fazer dos anos da Troika um conto de embalar. E assim sucessivamente. Não vai ser bonito de ver.

Penso nisto, que é o básico, enquanto vejo imagens da manif da extrema-direita que hoje se realizou em Lisboa. Continuem a votar “para chatear” e depois queixem-se.

sábado, 1 de agosto de 2020

OUTROS QUE NOS HABITAM



Vale a pena ir a Setúbal ver a nova exposição de colagens de Maria do Carmo Pais, Outros que nos habitam. Abriu ontem na Casa da Avenida, ou seja, no n.º 286 da Avenida Luísa Todi. No mesmo espaço é possível rever This is Not a Chair, da colecção de design da autora.

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sexta-feira, 31 de julho de 2020

JOAQUIM VERÍSSIMO SERRÃO 1925-2020


Morreu hoje o historiador Joaquim Veríssimo Serrão, catedrático jubilado da Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa, da qual foi reitor nos anos 1970.

Na sua vasta bibliografia, especialmente focada na presença de humanistas portugueses na Europa do século XVI, destacam-se os dezoito volumes da sua História de Portugal — das origens até 1968 —, publicados entre 1977 e 2010. O 19.º volume aguarda publicação.

Docente de Cultura Portuguesa na Universidade de Toulouse (1950-60), Veríssimo Serrão exerceu, entre outros cargos, os de director do Centro Cultural Português da Fundação Calouste Gulbenkian em Paris (1967-72) e de presidente da Academia Portuguesa da História (1975-2006). Sócio efectivo da Académie du Monde Latin (Paris), do Instituto Histórico e Geográfico Brasileiro, da Academia Brasileira de Letras, das Academias Nacionais de História de inúmeros países, entre elas a Real Academia de História de Espanha, bem como membro honorário de sociedades científicas nacionais e estrangeiras, foi doutorado honoris causa por universidades portuguesas, francesas e espanholas. Em 1995 recebeu o Prémio Príncipe das Astúrias na categoria Ciências Sociais.

É pai do historiador de arte Vítor Serrão, catedrático da FLUL.

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quinta-feira, 30 de julho de 2020

ESCOLHAS DE VERÃO


Hoje na Sábado.

Por decisão da viúva, foi agora reeditado o livro que Herberto Helder (1930-2015) obliterou da sua obra em 1968 — Apresentação do Rosto. Apreendido pela PIDE pouco depois de chegar às livrarias, não voltou aos prelos. Contudo, fragmentos seus vieram mais tarde a ser integrados noutros livros do autor. A nota editorial que antecede os textos nada esclarece sobre a vontade de Herberto. O recorte autobiográfico aproxima Apresentação do Rosto de obras como Os Passos em Volta (1963) ou Photomaton & Vox (1979). Minudências à parte, trata-se de um texto forte, como são por regra os de Herberto: «Eu tinha a febre de enterrar hastes em amoras e amoras em hastes, e era uma febre quente como não podes supor.» Dividida em seis partes, a narrativa em prosa antecipa o esplendor da poesia a devir.

O albanês Ismail Kadaré (n. 1936) não é um desconhecido dos leitores portugueses. Quem não conhece, tem agora oportunidade de ler o mais famoso dos seus romances, O General do Exército Morto. A partir de uma missão sombria (identificar e recuperar os corpos de soldados italianos mortos na Albânia), o plot flui com precisão. Por muito justa que fosse a pretensão da Itália, não deixava de ser uma nova “violentação” do território da Albânia. Nos diálogos estabelecidos entre o general e o padre que o acompanha, ambos italianos, fica exposta a “fractura” daquela missão impossível. O mérito de Kadaré é fazê-lo com secura não isenta de ironia.

A reedição de Nada a Temer traz de volta Julian Barnes (n. 1946), excelentíssimo autor inglês que há doze anos publicou este primeiro volume de memórias centrado na falta de fé: «Não acredito em Deus, mas sinto a Sua falta.» Está dado o tiro de partida. A partir do axioma, Barnes passa em revista as relações de família, a amizade, o amor, a morte, a arte, as questões ambientais, a própria literatura, etc., apoiando as reflexões na citação de factos vividos ou obras de terceiros (entre outros, Montaigne e Koestler). Como sempre, envolvente e elegante, sem deixar de ser sardónico.

Quem leu A Porta, romance de Magda Szabó (1917-2007) já editado entre nós, ficou com vontade de ler outros romances da autora. Chegou agora A Balada de Iza, traduzido directamente do húngaro por Piroska Felkai. Trata-se da sibilina denúncia do estalinismo, feita a partir dos segredos de um pequeno núcleo familiar. Tudo se passa em poucos meses, na Budapeste do início dos anos 1960, num crescendo de tensão entre mãe (viúva de juiz) e filha (médica). Claustrofóbico, decerto, mas dando testemunho da transição entre duas épocas.

O caso verídico da ocupação, em 2012, do Hotel Cambridge, de São Paulo, pelo colectivo Frente de Luta por Moradia, é o tema do livro-manifesto A Ocupação, do brasileiro Julián Fuks (n. 1981). Sem evasivas: «É uma grande tristeza o que sucede no Brasil de hoje.» Sebastián, narrador e alter-ego do autor, sublinha: «Os ditadores de hoje são papagaios ruidosos. […] Querem ser maiores do que o regime em que se deitam.» Retrato nítido do Brasil actual, algures entre a reportagem literária e o panfleto de causas, A Ocupação inclui, num dos seus 41 breves capítulos, uma carta dirigida por Fuks a Mia Couto.

O romance mais recente da inglesa Pat Barker (n. 1943), O Silêncio das Mulheres, relê a Ilíada para, por interposto cânone feminino, pôr em pauta questões relacionadas com identidade de género. Agora é a vez delas. A narradora não é outra senão Briseida, a princesa troiana que Aquiles sequestrou e fez concubina. Habituados a ler a História escrita por homens, Pat Barker não só inverte as posições como antecipa a cronologia dos factos cantados no poema de Homero: aqui, tudo começa em Lirnesso. Há um senão: a “mensagem” vê-se beliscada pelo proselitismo. Mas talvez fosse mesmo essa a intenção. Ou seja, obrigar-nos a ler a Ilíada em registo feminista.

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AKRASIA INSULAR


Os deputados da Oposição (e os que não são da Oposição mas, tendo noção do ridículo, podem dar-se ao luxo de pensar pela sua cabeça) na Assembleia Legislativa da Madeira já avançaram com uma providência cautelar para impedir o uso obrigatório de máscara em todos os espaços públicos da ilha? Espaços públicos: ruas e jardins.

Providência cautelar por enquanto. O Tribunal Constitucional tem de pôr ordem no abuso de autoridade do Governo regional. Afinal, a limitação de direitos, liberdades e garantias é da competência exclusiva da Assembleia da República.

Decretada anteontem, para ter efeitos a partir do próximo sábado, 1 de Agosto, a medida é ilegal. Dito de outro modo, está ferida de inconstitucionalidade.

Nas últimas 48 horas têm-se sucedido os cancelamentos de viagens e reservas, estando a primeira quinzena de Agosto “queimada”. Quem o diz são as agências da Região. Além de amigos meus que, muito contrariados, desistiram de ir ao Funchal e a Porto Santo.

Quem tem medo arranja um cão. Ou fica em casa.

Obtida do meu quarto, a imagem ilustra a minha última estada no Funchal. Clique.

quarta-feira, 29 de julho de 2020

BESSON


Era Fevereiro, a pandemia ainda era um exclusivo da China e da Itália, quando li este romance de Philippe Besson, amigo de Emmanuel e Brigitte Macron e, portanto, mal visto na França gauchiste.

O azedume acentuou-se em Agosto de 2018 com a sua nomeação para cônsul da França em Los Angeles, cidade onde vivia e leccionava há vários anos. A controvérsia atingiu o paroxismo quando o Syndicat du Ministère des Affaires Étrangères apelou ao Conselho de Estado. Em Março de 2019, sublinhando não estar em causa a pessoa de Besson, mas «o princípio da igualdade», foi anulado o decreto presidencial. Isto na França, país que, à semelhança de dezenas de outros, sempre teve cargos diplomáticos ocupados por escritores. Adiante.

Philippe Besson tem 53 anos, é homossexual, jurista e professor na área do Direito Social. Entre outros cargos, ocupou o de secretário-geral do IFOP, ou seja, o Institut Français d’Opinion Publique. A obra literária inclui mais de vinte romances, alguns dos quais adaptados ao cinema (um deles, Son frère, é o filme homónimo feito por Chéreau em 2003), três novelas e um livro de poesia.

Com três romances publicados em Portugal, nem por isso Philippe Besson se tornou um nome familiar. Um quarto título, Deixa-te de Mentiras, primeiro tomo da trilogia autobiográfica, vai com certeza fixar o nome do autor. O livro narra a história de amor de dois rapazes de 17 anos na cidadezinha francesa de Barbezieux. Três anos em três capítulos: 1984, o ano que ocupa dois terços do livro; 2007 e 2016, anos de explicação do day after. Pode-se dizer que Besson escreveu a versão contemporânea de Les Amitiés Particulières, o clássico de Roger Peyrefitte que atordoou a França de 1943. A principal diferença reside no registo cru (sexo sem metáforas), bem como na centralidade das questões identitárias: «No fim de contas, o amor só foi possível porque ele me viu não como eu era, mas como eu iria ser.» O inesperado desfecho tem a seu favor uma narrativa isenta de ênfase e de proselitismo. Há momentos deveras sublimes ao longo deste tão pungente récit. Notável sob vários pontos de vista.

A imprensa cultural portuguesa fez vista grossa ao livro. Jornais conspícuos que todas as semanas promovem lixo inominável, aos costumes disseram nada.

Fazer figas para que a Sextante publique o resto da trilogia: Un Certain Paul Darrigrand e Dîner à Montréal, ambos em 2019.

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terça-feira, 28 de julho de 2020

CONFLITO DE INTERESSES

A SIC e a TVI decidiram acabar com os programas de futebol em que os comentadores residentes são representantes dos clubes. Neste caso, representantes dos clubes significa representantes do FCP, do Benfica e do Sporting.

A decisão da SIC teve efeitos imediatos. A TVI mantém por enquanto o formato, mas acaba com ele após a próxima final da Taça de Portugal. Atenção: não acaba o comentariado futebolístico, o que acaba nestas duas estações é a presença de representantes dos clubes.

A medida podia (e devia) ser extensiva aos programas de comentário político, na rádio e na televisão, bem como às colunas de ‘opinião’ assinadas por deputados e ‘notáveis’ dos Partidos com representação parlamentar. Muita gente deixou de comprar jornais porque, em vez de notícias, progressivamente reduzidas à sua expressão mínima, vêem-se confrontadas com panfletos ‘ideológicos’ orientados para campanhas pessoais. São notórios os casos de Paulo Rangel e Francisco Assis (cito-os porque ambos têm noções de gramática), mas há mais.

Que saudades de Vasco Pulido Valente, Victor Cunha Rego e Nuno Brederode Santos. Com certeza que nenhum deles era independente. Mas nenhum escrevia sob tutela. Muito pelo contrário!

domingo, 26 de julho de 2020

OLIVIA DE HAVILLAND 1916-2020


Olivia de Havilland, última sobrevivente do star system, morreu hoje na sua casa do Bois de Boulogne, em Paris. Tinha 104 anos.

Para a minha geração, Ms Havilland será sempre Melanie Hamilton, a seráfica rival de Scarlett O'Hara na luta por Ashley Wilkes. Sim, falo de E Tudo o Vento Levou, o épico de Victor Fleming que há mais de 80 anos emociona milhões de pessoas em todo o mundo, agora em plataformas de streaming. O mês passado, em nome da political correctness, a HBO retirou o filme do catálogo americano. Mas já o repôs, com uma introdução paternalista de Jacqueline Stewart. Durante quatro minutos e meio, a professora da Universidade de Chicago explica que o filme de 1939 ilustra a realidade dos anos 1860 e da Guerra Civil Americana. Olha que novidade.

Tirando o clássico de Fleming, lembro-me de ter visto Lágrimas de Mãe (1946), A Herdeira (1949), A Difamação (1959), Aeroporto 77 (1977) e, em televisão, a mini-série Roots (1979). Muito pouco, tendo em vista uma carreira de mais de cinquenta filmes. Mas, na geração a que pertencia, as minhas preferidas eram outras.

Nomeada cinco vezes para o Óscar, recebeu dois.

Numa vida pontuada pela discrição, a excepção foi o permanente conflito com sua irmã, a actriz Joan Fontaine.

Imagem: Olivia de Havilland aos 101 anos. Clique.

UK BLOQUEOU ESPANHA

Os media britânicos registaram a notícia de El País (os mortos em Espanha, por Covid-19, eram ontem 45 mil e não apenas os 28 mil dos boletins oficiais) e o Governo britânico tomou a decisão de imediato: desde as zero horas de hoje, todos os viajantes regressados de Espanha, cidadãos britânicos incluídos, têm de cumprir quarentena.

Dominic Raab foi explícito: «We took the decision as swiftly as we could... And we can’t make apologies for doing so. We must be able to take swift, decisive action, particularly in relation to localised [surges], or internationally in relation to Spain or a particular country, where we see we must take action. Otherwise, we risk reinfection into the UK, potentially a second wave here and then another lockdown

Conhecida ontem a seguir ao almoço, a medida apanhou de surpresa as companhias aéreas, as agências de turismo e os turistas britânicos em Espanha, pois muitos arriscam-se a perder o emprego se não se apresentarem ao serviço na data estabelecida. Entretanto, em poucas horas, foram canceladas mais de metade das reservas para Agosto. Ansiedade geral, desorientação e caos.

Se estiver a ser cumprida, a decisão vira do avesso a vida de quem foi apanhado de calças na mão. Porém, como os viajantes oriundos de Portugal estão ameaçados do mesmo há três semanas e ainda nenhum foi incomodado, pode ser que tudo não passe de uma manobra inócua, e de mau gosto, do Governo de Sua Majestade.

sábado, 25 de julho de 2020

BRUNO CANDÉ 1981-2020


Bruno Candé, actor, 39 anos, foi morto com quatro tiros disparados à queima-roupa na Avenida de Moscavide. Aconteceu hoje por volta da uma da tarde.

O autor dos disparos, um homem branco, foi neutralizado por populares e entregue à PSP. O caso está a ser investigado pela PJ. Em consequência do grave acidente de bicicleta que o deixou em coma vários meses, Bruno Candé, natural da Guiné-Bissau, tinha grandes limitações de mobilidade desde 2017.

Segundo um comunicado da família, «O assassino já o havia ameaçado de morte três dias antes, proferindo vários insultos racistas. [...] Face a esta circunstância, fica evidente o carácter premeditado e racista deste crime hediondo.»​

Entretanto, a actriz Marta Félix disse ao PÚBLICO: «Terá havido uma discussão na quarta-feira [dia 22] depois de o homem ter tropeçado na cadela do Bruno, da qual era inseparável e que foi importante na sua recuperação. O homem terá ameaçado o Bruno de morte e, hoje, quando ele estava numa esplanada na avenida principal de Moscavide, onde ia assiduamente, o homem avistou-o, terá ido pouco depois a casa buscar uma arma, e disparado quatro tiros

Bruno Candé formou-se no Chapitô e pertencia à Casa Conveniente, de Mónica Calle, companhia de teatro onde se estreou com A Missão. Memórias de uma Revolução (1979), de Heiner Müller. Actualmente participava num workshop da companhia. Deixou mulher e três filhos menores.

Imagem: BlogOperatório. Clique.

sexta-feira, 24 de julho de 2020

CESOP


Sondagem do CESOP da Universidade Católica para a RTP e o Público, divulgada hoje.

PS alarga vantagem sobre o PSD. BE e CHEGA empatados, porque a extrema-direita sobe de 1,4% para 7%.

PS 39% / PSD 26% / BE 7% / CHEGA 7 % / CDU 6% / CDS 3% / PAN 3% / IL 3%

Imagem: Público. Clique.

quinta-feira, 23 de julho de 2020

O CORREDOR DE BORIS

Parece estar por dias a mudança de agulha do Governo britânico em matéria de corredores aéreos. Dito de outro modo: os viajantes oriundos de Portugal (cidadãos britânicos incluídos) vão deixar de ter de cumprir quarentena à chegada ao UK. Esta é a versão oficial. Porque ninguém, oriundo de Portugal, foi sujeito ao vexame.

Esta treta nunca funcionou. Conheço gente que foi (nos últimos 15 dias) de Lisboa para Londres e Oxford e ninguém lhes ligou peva à chegada. Alguns são portugueses em viagem de férias.

Tudo não passou de uma directiva não respeitada? Com que intuito? Para além de desviarem a inglesada com destino ao Algarve, propósito foleiro, não vejo outro.

quarta-feira, 22 de julho de 2020

GARANTIR MÍNIMOS


Sem a persistência de Merkel, Macron e Ursula não teria havido, como houve, acordo ao fim de quatro dias. Aqui os vemos aos três, anteontem, numa das muitas reuniões que fizeram.

Por volta de Junho de 2021, se tudo correr bem, Bruxelas começa a distribuir o dinheiro do Fundo de Recuperação, ou seja, 750 mil milhões de euros, dos quais Portugal tem direito a 15,3 mil milhões.

Mas desengane-se quem julgue que o dinheiro é para o SNS ou para pagar layoffs. O fundo aprovado visa apoiar a economia real. Dito de outro modo: evitar que colapsem os sectores essenciais da economia.

Como disse o príncipe de Salina, Alguma coisa terá de mudar para que tudo fique na mesma.

terça-feira, 21 de julho de 2020

REBOTE


E, de repente, Espanha voltou a ocupar um lugar cimeiro no ranking Covid-19.

Actualmente conta com 17,64 casos por cada cem mil habitantes.

O gráfico é do ABC, a partir dos dados oficiais. Clique para abrir.

DEAL


Tudo está bem quando acaba bem? Ia alta a madrugada quando o Conselho Europeu deu por aprovados o Quadro Financeiro Plurianual 2021-2027, no valor de um bilião e 74 mil milhões de euros, bem como o Fundo de Recuperação (um pacote extraordinário de 750 mil milhões de euros) para fazer face à pandemia entre 2021-2026.

Entre os dois, Portugal tem direito a receber um total de 45,1 mil milhões de euros: 29,8 do QFP e 15,3 do Fundo.

Imagem: tuíte do primeiro-ministro. Clique.

segunda-feira, 20 de julho de 2020

FUMO BRANCO?


Terá sido nesta reunião, que juntou Merkel com Conte, Mitsotakis, Macron, Costa e Sánchez que ficou decidido o pacote final de 750 mil milhões de euros? Ou seja, 390 mil milhões a fundo perdido e 360 mil milhões em empréstimos. Contrapartida: os frugais passarão a pagar contribuições mais baixas.

Salvo percalço de última hora, o montante destinado a Portugal será de 15,3 mil milhões de euros, a disponibilizar entre 2021 e 2026.

Parece muito, mas não é. Isso mesmo sublinhou o primeiro-ministro: «Para já, serve...» (mas tudo dependerá da dimensão da crise). A ver vamos. Daqui até Janeiro muita água passará sob as pontes.

Imagem: Twitter de Mitsotakis. Clique.

VERGONHA

O que está a passar-se no Conselho Europeu é uma vergonha. Como disse António Costa, e bem, são cada vez mais os países que não se reconhecem nesta “união europeia”. Querem apenas o mercado comum.

Ontem, terceiro dia, realizaram-se sessões bilaterais durante dezoito horas consecutivas. O plenário voltou a reunir às 05:45 da manhã de hoje, sendo interrompido pouco depois. Charles Michel agendou nova reunião para as quatro da tarde, hora de Bruxelas.

A opinião pública anda entretida com frioleiras porque o tecto só nos (aos europeus) vai cair em cima no Outono, quando for evidente a ineficácia dos paliativos layofianos e outros que tais.

Esperar para ver.

domingo, 19 de julho de 2020

AXIMAGE


Sondagem da Aximage para a TSF e o Jornal de Notícias, divulgada hoje.

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sábado, 18 de julho de 2020

CIMEIRA PANDÉMICA


Após 26 horas de negociações, divididas entre sexta-feira e sábado, a cimeira dos 27 ainda não conseguiu desbloquear a ajuda de emergência aos seus membros. O obstáculo tem sido Mark Rutte, o primeiro-ministro dos Países Baixos que exige direito de veto sobre os empréstimos, alguns a fundo perdido.

Os países do Sul teriam que, diz o mamífero holandês, antecipar reformas estruturais no mercado laboral e na segurança social, sem as quais o dinheiro não seria disponibilizado. Isto parece uma anedota, mas, até prova um contrário, reveste a forma de ultimatum.

Charles Michel, presidente do Conselho Europeu, já cortou uma fatia do bolo, mas nem assim amansou o frugal-mor, que tem toda a gente contra ele, mas vai impondo a sua vontade.

A ver vamos o que acontece amanhã, terceiro dia da cimeira. Dará Merkel o esperado murro na mesa?

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PEQUENOS FORMATOS


São difíceis de arrumar, os pequenos formatos. Hoje andei às voltas com este octecto. De cima para baixo e da esquerda para a direita:

— O 90.º volume, publicado em 2015, da colecção Livrinhos de Teatro, dirigida por Jorge Silva Melo. Três peças de Albee, duas traduzidas por Rui Knopfli [The Zoo Story e The Sandbox] e uma por Egito Gonçalves [The Death of Bessie].

— Um conto de Susan Sontag sobre a Sida, The way we live now (1986), publicado no Brasil em 1995.

— Primeira edição de O Morto. Ode Didáctica, de João Pedro Grabato Dias. Lourenço Marques, 1971.

— Primeira edição de A Arca. Ode Didáctica na Primeira Pessoa, de João Pedro Grabato Dias. Lourenço Marques, 1971.

Insónia em Segunda Mão, 2010, poesia de Jorge Aguiar Oliveira, com argumento de Henrique Manuel Bento Fialho.

— Dois contos do século XI recolhidos da tradição oral celta Mabinogion [The Lady of the Fountain e The Dream of Macsen Wledig]. Phoenix, 1996.

— Edição autónoma, publicada no Brasil em 2002, do capítulo dedicado à Revolução Francesa no livro A Era das Revoluções (1962), de Eric Hobsbawm.

— Primeira edição de O Vale dos Malditos, de Ana Teresa Pereira. Black Son Editores, 2000.

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SALÁRIOS


De regresso à TVI, Cristina Ferreira vai ganhar 2,6 milhões de euros por ano. Com a publicidade, esse valor ultrapassará 3 milhões anuais. Não esquecer que só o IRS lhe vai comer 48% do bolo.

Por curiosidade, fui conferir o Relatório & Contas da EDP. Fiquei a saber que António Mexia, CEO da empresa até há poucos dias, auferiu, em 2019, um milhão de euros (ou, para ser exacto, um milhão e quinze mil euros). Em matéria de IRS está no escalão de Cristina.

Tudo visto, não vale a pena rasgar as vestes.

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sexta-feira, 17 de julho de 2020

OZONOTERAPIA


Como sabe qualquer funcionário público, os beneficiários da ADSE esperam em média 96 dias pelo reembolso de 20% do dinheiro pago em consultas ou tratamentos. Noventa e seis dias (média) contados a partir do dia em que entregam a factura-recibo da despesa. O prazo pode ser, e muitas vezes é, maior.

Contudo, as clínicas visadas na Operação Terapia, que levou à prisão (ontem) de três médicos e dois enfermeiros, conseguiram receber meio milhão de euros da ADSE no curto lapso de tempo que decorreu desde o início da pandemia. Ou seja, pouco mais de 120 dias foram suficientes para pôr de pé o esquema fraudulento, convencer os incautos e pedir o reembolso. É obra!

Clique na imagem da TVI.

CIMEIRA COVID EM DIA DE ANIVERSÁRIO


Angela Merkel e António Costa celebram hoje os respectivos aniversários. A chanceler alemã faz 66 anos, e o primeiro-ministro português 59.

Nenhum dos dois podia imaginar que num dia de aniversário estariam juntos em Bruxelas, numa Cimeira da UE agendada para discutir e aprovar o plano de recuperação económica exigido pelos efeitos da pandemia Covid-19.

Desde o início da pandemia, é a primeira vez que o Conselho Europeu faz uma reunião presencial.

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quinta-feira, 16 de julho de 2020

ESTADO SEGURA TAP

O Estado detém, a partir de hoje, maioria na TAP. Exactamente 72,5% do capital da companhia.

O decreto-lei que autoriza o Estado a adquirir as participações sociais, os direitos económicos e as prestações acessórias da TAP SGPS, bem como o alinhamento dos direitos económicos com os direitos de voto, foi hoje aprovado em Conselho de Ministros.

Parte do auxílio de emergência chega já este mês, sob a forma de pagamento dos salários dos trabalhadores, situação que de outro modo não seria ultrapassada.

POR FIM


Mário Centeno é o novo Governador do Banco de Portugal, decidiu hoje o Conselho de Ministros. A posse está marcada para a próxima segunda-feira, dia 20.

Lembrar que, na audição parlamentar (meramente consultiva), BE, PAN, CDS, IL e um deputado do PSD, votaram contra a nomeação do antigo ministro das Finanças e presidente do Eurogrupo.

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FRAUDE COVID-19


No âmbito da Operação Terapia, em curso, a PJ deteve até ao momento cinco pessoas, dois homens e três mulheres, alegadamente três médicos e dois enfermeiros.

Segundo o comunicado da polícia, as prisões «relacionam-se com a realização de ozonoterapias, que não são comparticipadas pelos subsistemas de saúde, sendo que também não existe qualquer convenção ou protocolo entre a ADSE e as ditas clínicas. Acresce que as mesmas são realizadas por profissionais que não estão devidamente habilitados [...] Existem indícios de que os suspeitos recorrem ainda a práticas pouco esclarecedoras, convencendo os utentes de que a ozonoterapia se mostra eficaz no tratamento do Covid-19 ou que permite ganhar imunidade, explorando a fragilidade e vulnerabilidade de pessoas receosas do vírus ou mesmo infectadas...»

A fraude é susceptível de enquadrar os crimes de corrupção activa e passiva, burla qualificada, falsificação de documentos e propagação de doença.

As buscas, que prosseguem, envolvem clínicas que realizavam testes ao Covid-19 «sem para tal estarem licenciadas ou reunirem as condições necessárias, designadamente de direcção clínica

Clique na imagem da RTP.

FUTEBOL & PANDEMIA


O FCP ganhou mais uma vez o campeonato nacional e, como é natural, milhares de adeptos invadiram a Praça Velasquez e os Aliados. A festa estendeu-se pela madrugada. Nada de novo.

A tranquibérnia repete-se em Lisboa quando ganha o Benfica. Novidade mesmo só a reacção dos moralistas de serviço. Desta vez não arrancaram as vestes como fizeram aquando da parcimoniosa celebração do 25 de Abril no Parlamento e da coreografia do 1.º de Maio na Alameda.

Diz a imprensa que, com a intervenção do Corpo de Intervenção da PSP, tudo acabou a murro e pontapé.

Rui Moreira bem pode dizer que uma situação não prevista (não prevista na Coreia do Norte, presumo), por oposição às datas fixas dos feriados nacionais, é insusceptível de controlo. Então ficamos assim.

A foto é do Expresso. Outras há mais eloquentes, mas não serei eu a divulgar os rostos da tranquibérnia portista. Clique.

quarta-feira, 15 de julho de 2020

A TRANQUIBÉRNIA


Seis anos e 4.117 páginas depois, foi deduzida ontem a acusação contra Ricardo Salgado e outros dezassete responsáveis pela implosão do Grupo Espírito Santo. Sete empresas também foram acusadas. Está em jogo um buraco de 11,8 mil milhões de euros.

Acusação: associação criminosa, corrupção activa, falsificação de documentos, burla qualificada, etc. Portanto, em 2036 talvez haja novidades.

Ainda bem que a TVI lembrou ontem, com imagens eloquentes, os statements feitos ao longo de meses por Cavaco, Passos Coelho, Maria Luís Albuquerque e Carlos Costa. Em Junho de 2014 ainda o PR, o primeiro-ministro, a ministra das Finanças e o governador do Banco de Portugal garantiam que o Banco Espírito Santo tinha uma idoneidade só comparável à Senhora de Fátima, levando milhares de portugueses (sobretudo emigrantes na Suíça e no Luxemburgo) a comprar acções obrigacionistas e outro tipo de lixo. 

E quando foi da resolução, Passos Coelho e Maria Luís Albuquerque também garantiram enfaticamente que os portugueses não pagariam um cêntimo pelo Novo Banco. Viu-se.

Está na altura de Vítor Gonçalves Loureiro (RTP) fazer duas entrevistas: uma a Cavaco Silva, outra a Miguel Frasquilho.

Imagem: excerto da capa do Público. Clique. 

terça-feira, 14 de julho de 2020

O ÓBVIO ULULANTE


O Supremo Tribunal Administrativo mandou o deputado Cotrim Figueiredo dar uma volta ao jardim da Celeste. Dito de outro modo: rejeitou a providência cautelar interposta pela IL para impedir a posse de Mário Centeno como Governador do Banco de Portugal.

Não estando em causa uma quebra da legalidade, o STA declarou-se incompetente para avaliar uma acção de natureza política: «A nomeação do Governador do Banco de Portugal resulta de uma escolha e vontade do Conselho de Ministros mediante proposta do ministro das Finanças e após audição por parte da comissão competente da Assembleia da República, nomeação essa que é uma escolha política...»

Um dos argumentos da IL prende-se com o diploma do PAN que visava introduzir um período de nojo de cinco anos. Mas o processo abortou. O STA lembra que «a lei ainda não foi aprovada e não está em vigor, sendo irrelevante, até porque só dispõe para futuro...»

Clique na imagem.

GEDEÃO


Descobri António Gedeão (1906-1997) por intermédio deste volume de 1964. Estava em Lisboa de férias, tinha 15 anos e ia a subir a Rua do Carmo quando vi o livro na montra da Livraria Portugal. Não conhecia nenhum dos quatro livros anteriores de Gedeão.

Num extenso e polémico prefácio, Jorge de Sena sublinha: «O tremendo mal do nosso tempo, que é a cisão entre uma cultura literária que se pretende largamente humanística e é apenas uma forma organizada de ignorância do mundo em que vivemos...»

Ora bem. Nesta breve síntese talvez resida a desconfiança com que a Academia avalia Gedeão (não confundir Academia com honrarias oficiais e genuíno apreço popular). É um erro, porquanto todos devemos a Gedeão «a inteligência das coisas» que nos deu, como ele diz num poema dedicado a Galileo.

Havendo uma edição mais recente da obra completa do autor, arrumada em lugar visível, tinha este volume da Portugália em segunda fila. Hoje, procurando em vão outro livro, dei com ele, ficando a pensar no que escrevi há anos: «A partir do não-lugar que fizeram seu, Gedeão assombra a normatividade.» [cf. Eduardo Pitta, Um Rapaz a Arder, Lisboa: Quetzal, 2013]

É só ler e tirar conclusões.

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segunda-feira, 13 de julho de 2020

E NÓS POR CÁ?

Oitenta e três bilionários da Alemanha, Canadá, Dinamarca, Estados Unidos, Nova Zelândia, Países Baixos e Reino Unido, divulgaram em carta aberta a necessidade de ser agravada a carga fiscal dos muito ricos:

«À medida que a Covid-19 atinge todo o mundo, milionários e bilionários como nós têm um papel importante a desempenhar no mundo. [...] Não somos nós quem cuida dos doentes internados em unidades de cuidados intensivos, nem conduzimos ambulâncias [...] nem fazemos o reabastecimento de supermercados. [...] Mas temos muito dinheiro. Dinheiro que é extremamente necessário agora e que vai continuar a ser necessário nos próximos anos, à medida que o mundo recupera desta crise. Hoje, nós, milionários que assinamos esta carta, pedimos aos nossos governos que subam os impostos sobre pessoas como nós. Imediatamente. Substancialmente. Permanentemente. [...] A crise vai durar décadas. [...] É necessário reequilibrar o mundo antes que seja demasiado tarde. [...] Não estamos a lutar na linha da frente desta emergência e temos menos probabilidade de sermos vítimas. Por isso, por favor, tributem-nos. Tributem-nos. Tributem-nos. É a escolha certa

Entre os signatários estão Richard Curtis, Abigail Disney e Jerry Greenfield.

domingo, 12 de julho de 2020

PARA QUANDO REEDITAR JAMES?


Ando deliciado a reler P.D. James (1920-2014), autora de thrillers policiais excelentíssimos, um deles este Pecado Original, nono dos catorze romances que têm Adam Dalgliesh — inspector da Scotland Yard e poeta — como protagonista.

Phyllis Dorothy James, baronesa de Holland Park, publicou 24 livros entre 1962 e 2011. Formada em administração hospitalar, trabalhou durante vinte anos para o NHS. Mais tarde integrou o departamento de Medicina Legal da Yard, o que explica as minuciosas descrições das suas obras.

Foi a partir da morte precoce do marido, ocorrida em 1964, que se dedicou a tempo inteiro à escrita, embora a estreia (com Cover Her Face, romance que inscreve Adam Dalgliesh na galeria de personagens da literatura de língua inglesa) seja anterior.

Por duas vezes desviou-se do thriller clássico: em 1992 com The Children of Men, uma distopia teológica que Alfonso Cuarón levou ao cinema em 2006, com Clive Owen e Julianne Moore nos principais papéis; e em 2011 com Death Comes to Pemberley, uma sequela pós-moderna de Orgulho e Preconceito de Jane Austen. Claro que só uma autora da envergadura de James podia arriscar, sem cair no ridículo, glosar Austen.

Morte em Ordens Sagradas (2001) e A Sala do Crime (2003), ambos com Martin Shaw no papel de Adam Dalgliesh, são dois exemplos de romances seus adaptados à televisão pela BBC.

Não estará na altura de trazer de volta às livrarias portuguesas estes livros admiráveis?

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sábado, 11 de julho de 2020

LEITURA DE SÁBADO


Mexer em estantes de duas filas tem sempre como consequência a descoberta de livros julgados desaparecidos. Este Lorca-Dalí. El amor que no pudo ser (1999) foi-me grato reencontro. São cerca de 380 páginas e dezenas de fotografias.

O autor, Ian Gibson, nasceu (1939) na Irlanda, tendo sido professor de Literatura espanhola em Belfast e Londres. Em 1978 radicou-se definitivamente em Espanha, obtendo a nacionalidade espanhola em 1984. Biógrafo, entre outros, de Lorca e Buñuel, Gibson é considerado o maior especialista de história da Literatura de Espanha do século XX. Vive em Granada.

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sexta-feira, 10 de julho de 2020

PRESIDENCIAIS 2021


A sondagem da Aximage hoje divulgada pelo Económico coloca na calha Marcelo Rebelo de Sousa (65%), Ana Gomes (13%), André Ventura (7%), Marisa Matias (4%), Adolfo Mesquita Nunes (2%) e Jerónimo de Sousa (1%).

É uma sondagem bizarra, porque, dos seis, apenas Marcelo e Ventura confirmaram a intenção de concorrer.

Ana Gomes continua na corda bamba, porque a única certeza seria uma derrota estrondosa. Marisa Matias é uma possibilidade, mas a candidatura do BE mantém-se em aberto. Adolfo Mesquita Nunes terá dito que não estava interessado. E o Comité Central do PCP nada decidiu até ao momento, sendo improvável a opção Jerónimo. Vale o que vale.

Continuo a achar que o PS devia ter candidato próprio, credível, mas percebo a dificuldade.

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quinta-feira, 9 de julho de 2020

O SUCESSOR DE CENTENO


Paschal Donohoe, 45 anos, liberal conservador, ministro das Finanças da Irlanda, é o sucessor de Centeno na presidência do Eurogrupo.

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quarta-feira, 8 de julho de 2020

ACABOU


Realizou-se hoje a 10.ª e última reunião do Infarmed dedicada à pandemia. Foi o Presidente da República quem anunciou em directo o seu fim.

Tiraram o pretexto aos deputados da Oposição que as aproveitavam para fazer campanha contra o Governo, dando eco ao que tinham ouvido lá dentro, quase sempre por intermédio de interpretações pessoais nem sempre correctas e por vezes abusivas.

Hoje mesmo, alguns manifestaram desapontamento com o fim dessas reuniões que juntavam o Presidente da República, o Presidente da Assembleia da República, o primeiro-ministro, a ministra e a directora-geral da Saúde, outros ministros, autoridades sanitárias, epidemiologistas e pneumologistas, médicos de saúde pública e um deputado por cada partido.

É um ciclo que se fecha. Não era sem tempo.

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terça-feira, 7 de julho de 2020

TURISMO & COVID-19

Dizem os media que, anteontem, centenas de estudantes holandeses levaram o caos a Albufeira, tendo a GNR sido obrigada a mandar encerrar os estabelecimentos da Rua da Oura.

Por “estabelecimentos” entendam-se os bares que, devido à pandemia, alteraram a sua actividade para snack-bar, desse modo torneando a proibição de abertura e funcionamento.

Hoje já são mais de dois mil os meninos e as meninas em férias.

Parece que a Câmara de Albufeira quer regras definidas para a abertura dos bares de forma a facilitar a dispersão de clientes. Dispersão? Então se forem 20 grupos de 100 pessoas dispersas por 20 bares já não há problema?

Em contexto de pandemia faz-me confusão que sejam autorizadas viagens de grupos desta dimensão, mas nem é esse o ponto que me encanita.

A questão coloca-se em saber se queremos turistas ou não queremos turistas. Se queremos, não podemos exigir o famoso “distanciamento social”, seja lá o que isso for. Se não queremos, devemos encerrar o espaço aéreo e as fronteiras marítimas e terrestres. Afinal, o que são duzentos mil desempregados na hotelaria e actividades conexas?

É impossível comer o bolo e ficar com o bolo.

segunda-feira, 6 de julho de 2020

NONSENSE


Fotos como esta, obtida anteontem numa rua de Londres, correm mundo. A reabertura de bares, restaurantes, cinemas, etc., teve como consequência ajuntamentos assim, sobretudo numa área boémia como é o Soho. Até aqui, nada de novo. Vêem-se dois patuscos de máscara (se não estão a beber deviam ter ficado em casa, ou ido passear para os jardins da periferia), mas o resto das pessoas comporta-se como é de regra.

Quando oiço, e já ouvi várias vezes, os locutores de televisão execrarem a falta de distanciamento social no desconfinamento de Londres, fico com vontade de lhes perguntar que raio de distanciamento social querem que se mantenha num bar. Ou na cama, já agora. Nem toda a gente é obrigada a conhecer o tamanho standard de um pub inglês, nem o hábito de beber na rua, mas um mínimo de bom senso exigiria recato no tremendismo.

Por alguma razão, em Portugal, bares e discotecas permanecem de portas fechadas.

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ENNIO MORRICONE 1928-2020


Morreu hoje o compositor italiano Ennio Morricone, o mais importante compositor de cinema de todos os tempos.

Autor de uma centena de peças clássicas, Morricone notabilizou-se no vasto mundo pela música que compôs para cinema, em especial para filmes de Sergio Leone. Quem não se lembra da extraordinária trilha sonora de Il buono, il brutto, il cattivo (1966), o terceiro filme da Trilogia do Dólar? Os mais jovens, que não têm idade para ter visto o filme, podem e devem ouvir a música numa das muitas versões disponíveis. A minha preferida é a da Danish National Symphony Orchestra.

Além de Leone, Morricone compôs também para filmes de Duccio Tessari, Giuseppe Tornatore, John Carpenter, Mike Nichols, Oliver Stone, Terrence Malick, Brian De Palma, Barry Levinson, Roland Joffé, Quentin Tarantino e outros.

Recebeu dois Óscares, onze David di Donatello, seis Bafta, quatro Grammy e dezenas de outros prémios e distinções pelos mais de 500 filmes que musicou. De bandas rock & heavy metal a orquestras sinfónicas, passando por Joan Baez, toda a gente que conta reinterpretou obras suas.

Uma queda com fractura do fémur levou ao internamento de Morricone numa clínica de Roma, onde morreu. Tinha 91 anos.

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sábado, 4 de julho de 2020

EM QUE FICAMOS?


Com tanto escrutínio, tantas lições de moral, tanto alarido e, afinal, vem-se a saber que a realidade a Norte não coincide com os boletins da DGS.

Então porquê? Porque médicos, laboratórios e universidades da região «não registam os positivos». Quem o diz são médicos de hospitais do Norte. Concelhos visados: Porto, Matosinhos, Maia, Gondomar, Lousada e outros.

Clique na imagem do Expresso.

ASCENSO & SIMONE


O artigo é sobre a TAP e contra o apoio do Estado à companhia. São opiniões, não comento.

Mas por que carga de água o deputado Ascenso Simões (PS) coloca Simone de Oliveira a desembarcar de um avião da TAP, em Março de 1969, depois da sua participação no 14.º Festival da Eurovisão?

Escreve o deputado-colunista: «uma referência de saudade visível na chegada de Simone depois de um Festival da Eurovisão...»

Na realidade, Simone viajou de Madrid para Lisboa de comboio, tendo desembarcado na Estação de Santa Apolónia, onde era aguardada por mais de vinte mil pessoas, equipas da RTP (reportagem disponível no YouTube) e GNR a cavalo.

Verdade que, em Março de 1969, o deputado tinha 5 anos. Mas actualmente tem 57 e obrigação de não efabular sobre um facto largamente documentado.

Lembram-se dos «violinos de Chopin» de Santana Lopes?

Clique na imagem do Público.

sexta-feira, 3 de julho de 2020

SUPLEMENTAR APROVADO

Com os votos do PS, o Orçamento Suplementar ao OE 2020 foi esta manhã aprovado em votação final global.

PSD, BE e PAN abstiveram-se. PCP, PEV, CDS, CHEGA e IL votaram contra. A deputada Joacine Katar Moreira não compareceu.

FESTIVAL DE ALMADA


Bruscamente no Verão Passado, de Tennessee Williams, pelo Teatro Experimental de Cascais, é um dos espectáculos que hoje marcam o início da 37.ª edição do Festival de Almada.

Uma obra-prima que põe em pauta temas como hipocrisia, canibalismo, homossexualidade, abuso e loucura. Encenada por Carlos Avilez, a peça (1958) de Williams é interpretada por Bárbara Branco, Bernardo Souto, João Gaspar, Lídia Muñoz, Luísa Salgueiro, Manuela Couto e Teresa Côrte-Real.

Às 21:00 no Teatro Municipal Joaquim Benite.

Nesta 37.ª edição, o Festival de Almada apresentará dezassete espectáculos (não confundir com sessões, que são mais), catorze dos quais de companhias portuguesas.

Além do próprio Teatro de Almada, também os Artistas Unidos, a Comuna, o Teatro Nacional D. Maria II (Lisboa), o Teatro Nacional São João (Porto), o TEC (Cascais), o Teatrão (Coimbra), etc. Devido às contingências internacionais da pandemia, a presença de companhias estrangeiras é reduzida a três companhias de Espanha, com obras de Celso Giménez, Dario Fo/Franca Rame e Agnès Mateus/Quim Tarrida.

Nem toda a gente saberá, mas o Festival [internacional] de Almada é um dos de maior prestígio na Europa.

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OS NÉONS DE LISBOA


Ontem fomos finalmente ver a exposição de néons que Rita Múrias e Paulo Barata abriram no espaço da Stolen Books, praticamente na esquina da Avenida dos Estados Unidos da América com a Avenida de Roma.

Prevista para abrir no passado 19 de Março, no âmbito do Festival da Palavra, esteve suspensa pela pandemia até à semana passada. Trata-se de uma exposição de design urbano, feita a partir da enorme colecção de néons que Rita Múrias e Paulo Barata resgataram de estabelecimentos desactivados ou intervencionados.

Mantém-se aberta até ao próximo dia 12, de quinta-feira a domingo (entre as 15 e as 19:00 horas), no n.º 105 da Avenida dos Estados Unidos da América. Entra-se pela garagem.

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quinta-feira, 2 de julho de 2020

ESTADO CONTROLA TAP

À quarta foi de vez. Em conferência de imprensa terminada há pouco, Pedro Nuno Santos anunciou estar fechado o acordo entre o Governo e os accionistas privados da TAP. O Estado fica com 72,5% do capital da companhia, impõe mudança de direcção e saída imediata de Antonoaldo Neves, o actual CEO. Também vai dar início a um vasto processo de reestruturação: «Não queremos uma empresa sobredimensionada, porque estaríamos a desperdiçar recursos, mas queremos uma TAP que responda aos interesses dos portugueses.» Reestruturar significa reduzir pessoal, frota e rotas.

O acordo permite ao Estado desbloquear o empréstimo de 1,2 mil milhões de euros autorizado pela Comissão Europeia.

A futura direcção será recrutada através de concurso público internacional. Até esse processo ficar concluído, a TAP será gerida por uma direcção interina.

Além do ministro das Infraestruturas e da Habitação, participaram na conferência de imprensa o ministro das Finanças e o secretário de Estado do Tesouro.

NOVA CAMBALHOTA NA TAP

Primeiro sim, depois não, agora de novo sim. Falamos de David Neeleman, o principal accionista privado da TAP.

Na 25.ª hora, aceitou vender ao Estado, por 55 milhões de euros, as acções que detém na companhia. Deste modo, sem necessidade de nacionalização, o Estado passa a deter 72,5% do capital, em vez dos 50% actuais.

O impasse resolveu-se porque a companhia aérea brasileira Azul, de Neeleman, abdicou do direito de converter as obrigações da TAP em acções. Também abdicou dos direitos económicos e de litigância futura.

Assim, a estrutura accionista da TAP passa a ser a seguinte: 72,5% do Estado / 22,5% da Atlantic Gateway de Humberto Pedrosa / 5% dos trabalhadores.

A ver vamos.

quarta-feira, 1 de julho de 2020

CONTROLO DA PANDEMIA



O país conta a partir de hoje com três regimes: Mantém-se a calamidade em 19 freguesias de cinco concelhos da Área Metropolitana / As restantes freguesias da AML e da Região de Lisboa e Vale do Tejo passam a estado de Contingência / O resto do país passa a estado de Alerta.

Entretanto reabrem hoje as fronteiras terrestres com Espanha.

terça-feira, 30 de junho de 2020

EM QUE FICAMOS?


Em poucas horas tudo mudou. Ontem de manhã foi dito que Neeleman, o principal accionista privado da TAP, aceitava as condições do empréstimo do Governo, incluindo a presença de um representante do Estado na comissão executiva. Mas a reunião da noite acabou em ruptura.

Quem o disse há pouco, no Parlamento, foi Pedro Nuno Santos, ministro das Infraestruturas e da Habitação:

«A proposta do Estado foi chumbada. [...] Neste momento estamos preparados para tudo. Não vamos ceder nas nossas convicções e estamos preparados para intervencionar e salvar a empresa. [...] A TAP é muito importante para o país para a deixarmos cair. E 1.200 milhões de euros é muito dinheiro. Espero que se encontre uma saída acordada que garanta paz à TAP e evite litígios futuros

Por seu turno, o Expresso avança: «O diploma de nacionalização vai agora seguir para a Presidência do Conselho de Ministros...»

Clique na imagem do Expresso.

segunda-feira, 29 de junho de 2020

NEELEMAN CEDE


Caiu na real. Antes tarde que nunca. Afinal, estão em jogo milhares de postos de trabalho.

Clique na imagem do Expresso.

DISTOPIA MACABRA


Agora é oficial: os teatros e outras casas de espectáculos da Broadway vão permanecer encerrados até 3 de Janeiro de 2021. Se houver condições, as reaberturas ocorrerão a partir dessa data.

Lembrar que a Broadway encerrou a 12 de Março.

Está garantido o reembolso do preço dos bilhetes a quem os comprou.

Clique na imagem do New York Times.

COVID-19 ABRIL VS JUNHO



Recordar aos distraídos. Clique nas imagens.

domingo, 28 de junho de 2020

COVID-19 NO MUNDO


O estado do mundo, hoje. Mais de dez milhões de infectados, mais de meio milhão de mortos, mais de cinco milhões de recuperados.

Imagem: Worldometer. Clique.

sábado, 27 de junho de 2020

POESIA GREGA


Numa bela edição de capa dura, com sobrecapa em papel mate, a Quetzal publicou Poesia Grega de Hesíodo a Teócrito. A edição é bilingue, com fixação de texto, tradução, notas e comentários de Frederico Lourenço, que seleccionou poemas e fragmentos de onze autores.

Trata-se da reedição “revista” do volume publicado em 2006, Poesia Grega de Álcman a Teócrito (Cotovia), com algumas diferenças: edição bilingue / 11 autores em vez de 10 / maior número de poemas seleccionados. Baquílides desaparece desta edição. Em seu lugar entram Hesíodo e Calímaco.

Autor e editora estão de parabéns.

Clique na imagem.

NONSENSE


Como é que um país com 43.514 mortes em hospital (as únicas registadas) tem o topete de impor regras a países terceiros?

Diz a BBC que o Reino Unido abrirá as suas fronteiras no próximo 6 de Julho, impondo quarentena a pessoas oriundas de vários países, entre eles Portugal. A medida inclui, portanto, os cidadãos britânicos regressados de férias no estrangeiro.

Aguardar para ver o que decide, de facto, o Governo britânico.

Clique no gráfico do Worldometer.