terça-feira, 1 de setembro de 2020

A ORDEM NÃO PIA?


Por causa do que se passou no Lar da Fundação Maria Inácia Vogado Perdigão Silva, em Reguengos de Monsaraz, instituição onde morreram 18 pessoas, a Ordem dos Médicos, controlada pelo PSD, tentou provocar uma crise política.

Agora que morreram 16 pessoas nas Residências Montepio, um lar de luxo situado na Rua do Breiner, no Porto, não se ouve um pio, embora a situação seja do conhecimento da ARS NORTE desde 4 de Agosto.

Nada de novo. A Ordem dos Médicos também ignorou a tragédia do Lar do Comércio de Matosinhos, onde morreram 24 pessoas.

Em vez de se preocuparem com festas, onde só vai quem quer, as pessoas deviam preocupar-se com a situação dos Lares (em todo o país existem 60 com surtos infecciosos), instituições onde 747 pessoas, utentes e trabalhadores, estão infectados.

Não esquecer que, do total de óbitos verificados até anteontem em Portugal, 39% correspondem a utentes de Lares.

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domingo, 30 de agosto de 2020

E.M. DE MELO E CASTRO 1932-2020


E. M. de Melo e Castro, poeta e ensaísta, morreu ontem em São Paulo, no Brasil.

Engenheiro têxtil de formação e antigo professor de design, Melo e Castro foi um dos fundadores — e porventura o nome mais mediático — do Experimentalismo na poesia portuguesa.

Conheci-o pessoalmente em Agosto de 1986, nas terceiras Jornadas Poéticas de Cuenca, onde ambos participámos juntamente com Al Berto. O autor de Caralhamas (1975) revelou-se um homem afável.

Anos mais tarde partiu para o Brasil, onde se doutorou em Letras e leccionou literatura comparada em várias universidades. Foi casado com a escritora Maria Alberta Menéres. Em 2006, uma grande retrospectiva da sua obra (videopoesia, poesia concreta, infopoesia, um ciclo de imagens fractais) foi apresentada no Museu da Fundação de Serralves. Tinha 88 anos.

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quinta-feira, 27 de agosto de 2020

NIKIAS SKAPINAKIS 1931-2020


Morreu ontem Nikias Skapinakis, um dos nomes centrais da pintura portuguesa do século XX. Está agora a fazer um ano que pela última vez o vi em Descontinuando, a exposição de pintura e desenho inaugurada na galeria do Teatro da Politécnica a 11 de Setembro de 2019.

Filho de pai grego e mãe portuguesa, Skapinakis nasceu em Lisboa, frequentou arquitectura, mas abandonou o curso para dedicar-se a tempo inteiro à pintura. Representado nas colecções e museus mais importantes do país, pode ainda ser visto na Brasileira (café do Chiado) e no metropolitano de Lisboa (estação de Arroios). Além de revistas literárias, ilustrou livros de Aquilino e Nemésio. Entre as várias retrospectivas da sua obra, destacam-se as da Fundação Calouste Gulbenkian, Fundação de Serralves, Museu do Chiado, Museu Berardo, Centro Cultural de Cascais e Fundação Carmona e Costa.

Talvez esteja na altura da RTP repor Nikias Skapinakis: O Teatro dos Outros (2007), documentário de Jorge Silva Melo sobre o conjunto da obra.

Várias vezes premiado e nobilitado (Grande-Oficial da Ordem Militar de Sant’Iago da Espada, etc.), o seu nome consta do memorial às vítimas da ditadura instalado em 2019 na estação Baixa-Chiado do metropolitano de Lisboa.

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terça-feira, 25 de agosto de 2020

PENSIONISTAS RESSARCIDOS

Com a publicação em Diário da República da Lei n.º 48/2020, de 24 de Agosto, os pensionistas com pensões atribuídas, com atraso, entre Janeiro de 2017 e Outubro de 2019, podem agora requerer a rectificação das declarações de rendimentos referentes a esses anos. Podem fazê-lo a partir do próximo dia 24 de Setembro, data de entrada em vigor da Lei.

Trata-se de regularizar o IRS cobrado no acto das atribuições (atrasadas) daquele período de tempo, as quais, por força dos retroactivos, sofreram mudança de escalão e consequente subida do valor retido na fonte.

Uma boa notícia para quem se reformou naquelas condições.

domingo, 23 de agosto de 2020

DEPLORÁVEL

No final da entrevista dada pelo primeiro-ministro ao Expresso, a conversa prosseguiu off the record, tendo António Costa dito o que muitos portugueses pensam acerca dos médicos de Reguengos de Monsaraz que, alegadamente, recusaram trabalhar no Lar da Fundação Maria Inácia Vogado Perdigão Silva, onde morreram 18 pessoas.

É precisamente essa parte da conversa em off que chegou às redes sociais em forma de vídeo. Bem pode o Expresso bramar contra o Whatsapp, o Facebook, o Twitter, o Youtube, blogues, etc. O mal está feito. Nunca o jornalismo português desceu tão baixo.

sábado, 22 de agosto de 2020

FOLHETIM


Como é que o primeiro-ministro, um político inteligente e um homem avisado, anuiu a dar uma entrevista em folhetim? Quem não sabe, fica a saber: a “entrevista” hoje publicada é o lead, em forma de teaser, de uma entrevista a publicar na íntegra no próximo dia 29.

Os inconvenientes são óbvios: durante uma semana, toda a especulação é possível.

Deplorável.

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sexta-feira, 21 de agosto de 2020

VACINAS

Serei só eu a considerar irrealista falar de encomendas — efectuadas por dezenas de países, entre eles o nosso — de «vacinas Covid-19» para o fim do ano? E logo 6,9 milhões de doses? Mas quais vacinas?

quinta-feira, 20 de agosto de 2020

AGITPROP CORPORATIVO

O país está à mercê dos humores das Corporações profissionais. Só não vê quem não quer ou anda muito distraído.

quarta-feira, 19 de agosto de 2020

REGUENGOS

Uma das responsáveis pelo Lar da Fundação Maria Inácia Vogado Perdigão Silva, em Reguengos de Monsaraz, onde morreram 18 pessoas, fez ontem uma boa pergunta. Cito de cor: «Os médicos e enfermeiros que deram informações à Ordem dos Médicos não actuaram...? Viram o que dizem ter visto e nada fizeram...?» Na mesma peça, da TVI, um médico é confrontado com a saída do Lar no auge do surto.

Numa cronologia dos factos, o Expresso regista, com data de 3 de Julho, data em que as vítimas mortais eram oito: «Médicos hospitalares deixam de prestar apoio presencial.» Porquê? Por ordem de quem? Com que intuito?

Ainda a cronologia: a 10 de Julho, com dezasseis mortos, «Médicos verificam que em várias ocasiões houve medicação que não foi administrada a múltiplos doentes.» Verificaram. Mas fizeram o que deviam? Ou foram a correr escrever o paper da Ordem?

Disse ao Expresso o presidente da Administração Regional de Saúde do Alentejo que, alegando falta de condições para prestar cuidados aos 84 utentes, «os médicos recusaram-se a trabalhar

Por que razão a Ordem dos Médicos, tão pressurosa em Reguengos de Monsaraz, assobiou para o lado durante o gravíssimo surto do Lar do Comércio, em Matosinhos, onde morreram 24 pessoas?

Tudo isto levanta uma série de interrogações. Cabe ao DIAP de Évora esclarecer o imbróglio. Face à gravidade do ocorrido, o modus operandi do gabinete da ministra é um detalhe absolutamente irrelevante.

segunda-feira, 17 de agosto de 2020

MUDANÇA DE CICLO


Soube-se hoje: em Setembro, Manuel Alberto Valente abandona o cargo que ocupa há doze anos no Grupo Porto Editora (o de director da Divisão Editorial Literária de Lisboa). Palavras suas:

«A Porto Editora proporcionou-me 12 anos de trabalho editorial quando outros me consideravam já “velho” para me adaptar às novas realidades desse mundo. Só isso bastaria. Mas ajudar a salvar ou recuperar chancelas como a Sextante, a Assírio & Alvim e a Livros do Brasil — e fazê-lo sem constrangimentos de qualquer espécie e com o apoio e a cumplicidade de todos — foi realmente a cereja no topo do bolo

Manuel Alberto Valente, de quem sou amigo há quase trinta anos, marcou como poucos a edição portuguesa: primeiro na Editorial Inova (1969-1981), depois como director editorial da Dom Quixote (1981-1991), a seguir como director-geral da Asa (1991-2008), desde 2008 na Porto Editora. A partir de Setembro será consultor do Grupo.

Para o seu lugar entra Vasco David, o editor que garantiu o padrão de qualidade da Assírio & Alvim. Dispensa mais apresentações.

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CAÇA


Começou a caça à ministra do Trabalho, Solidariedade e Segurança Social. O país beato e hipócrita não tolera que Ana Mendes Godinho tenha tido a franqueza de dizer o óbvio, ou seja, que não leu o relatório da auditoria feita pela Ordem dos Médicos no Lar de Reguengos de Monsaraz, um estabelecimento da Fundação Maria Inácia Vogado Perdigão Silva.

Para ler relatórios existem os assessores. Sempre assim foi e será. Os assessores da ministra e os assessores dos secretários de Estado responsáveis pela área em pauta: Gabriel Bastos, da Segurança Social, Ana Sofia Antunes, da Inclusão das Pessoas com Deficiência, e Rita da Cunha Mendes, da Acção Social. E a seguir os directores-gerais. Chama-se hierarquia.

O que se terá passado no Lar de Reguengos de Monsaraz tem de ser investigado, claro que sim, e rapidamente, mas pelo Ministério Público. Ou será que a referida Fundação tem imunidade?

O que o Governo devia fazer era aproveitar o pretexto para inspeccionar todos os lares da terceira idade, chamem-se Casa de Repouso, Clube Sénior ou outra coisa qualquer, sejam propriedade de quem forem (Santa Casa, Igreja, Bancos, Empresas públicas e privadas, Associações, empresários em nome próprio, Estado, sindicatos, Fundações, etc.) e, em consequência, agir. O busílis, diz quem conhece bem o sector, é que uma inspecção a sério levaria ao encerramento imediato de 6 em cada 10 estabelecimentos existentes no país. E falo apenas dos legais.

O único erro de Ana Mendes Godinho foi ter dado a entrevista a quem deu. O resto é chicana política.

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domingo, 16 de agosto de 2020

RITZ & SILLY SEASON


A pandemia não acabou com a silly season. Este ano as televisões apostaram no ‘faça férias cá dentro’ em formato publicitário. Restaurantes do Portugal profundo, resorts exclusivos que há seis meses não queriam saber dos portugueses para nada, empresas de turismo fluvial, e por aí fora.

Ontem, a TVI dedicou largo espaço ao Ritz de Lisboa, que reabriu no passado dia 1 após quatro meses de encerramento.

Não me lembro de ter ouvido nenhuma referência a Pardal Monteiro, o arquitecto que desenhou o hotel inaugurado há 60 anos. Estamos a falar do arquitecto do Instituto Superior Técnico, da Biblioteca Nacional, da Reitoria e das Faculdades de Direito e de Letras da Universidade de Lisboa, do Instituto Nacional de Estatística, da Igreja de Nossa Senhora do Rosário de Fátima, das Gares Marítimas de Alcântara e da Rocha do Conde de Óbidos, da Estação Ferroviária do Cais do Sodré, do edifício onde funcionou (entre 1940 e 2016) o Diário de Notícias, do Laboratório Nacional de Engenharia Civil, do Hotel Tivoli, etc. Dito de outro modo, do arquitecto que fixou a imagem da Lisboa moderna. Qualquer das obras mencionadas faria boa figura em Berlim, Londres, Paris, Madrid e qualquer outra cidade europeia. Só me recordo de ouvir dizer: «O hotel ocupa um quarteirão inteiro... nestes corredores cabe um carro... » Se for um Smart cabem dois, diria eu.

Também não me recordo de ouvir referir o nome de nenhum dos artistas (e são dezenas) com obras espalhadas pelo átrio, paredes, salões, galerias, bar, restaurante, escadarias e quartos. Assim de repente, lembro-me de Almada Negreiros, cujas tapeçarias são uma das imagens de marca do hotel, Sarah Afonso, Carlos Botelho, Querubim Lapa, Sá Nogueira, Lagoa Henriques, Jorge Vieira, Carlos Calvet, Martins Correia e Bartolomeu Cid dos Santos. Mas sobram muitos, muitos mesmo. São poucos, em Portugal, os lugares em que a arte portuguesa está representada a este nível.

Alguém devia ter dado uma cábula ao autor da peça. É curto dizer que o hotel aproveitou o confinamento para «fazer barulho», metáfora usada para as obras de remodelação dos terraços e renovação total do restaurante Varanda «a caminho de uma estrela Michelin» e de todos os quartos.

Não tenho nada contra a publicidade, neste caso focada na certificação Clean and Safe. Mas o essencial ficou de fora. E tanto que havia para dizer.

Na imagem, a sala que serve de antecâmara do restaurante. Clique.

sexta-feira, 14 de agosto de 2020

MANOBRAS

E se tudo não passar de manobra de branqueamento do Chega antes da Grande Aliança da Direita?

Haveria, haverá, sabemos que há, pior do que o partido do deputado Ventura. Portanto, a manobra visaria reforçar o contraste. Até aqui, nada de novo. Faz parte dos manuais. Pode ser que me engane, mas devemos considerar a possibilidade.

Compete aos serviços de informações desatar o nó górdio, investigando, aconselhando as autoridades em matéria de protecção dos visados pela ameaça, actuando no âmbito das suas competências.

Sobre o tema, o Presidente da República devia guardar de Conrado o prudente silêncio (cf Boileau). E quem diz o PR diz todos os órgãos de soberania.

A indignação mediática gera audiências mas não tem eficácia prática.

quarta-feira, 12 de agosto de 2020

TAP NAS MÃOS DA BCG


A TAP escolheu a consultora Boston Consulting Group para elaborar o plano de reestruturação que tem de ser apresentado à Comissão Europeia. O plano visa a redução de rotas, aviões e pessoal. O próximo CEO (o actual é interino) também será escolhido pela BCG.

A ver vamos quando e como acaba a saga.

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KAMALA HARRIS


Kamala Harris, 55 anos, senadora, antiga procuradora-geral da Califórnia, antiga promotora pública de São Francisco, filha de imigrantes (a mãe, cientista e especialista em cancro da mama, nasceu na Índia; o pai, professor emérito de economia na Universidade de Stanford, nasceu na Jamaica), foi a escolha de Biden para a vice-Presidência.

Recordar que Ms Harris, uma progressista moderada, foi a mais dura opositora de Biden nas Primárias do Partido Democrata (está na memória de todos a forma como embaraçou o antigo vice-Presidente nas questões raciais), tornando-se, com esta nomeação, a quarta mulher em toda a História dos Estados Unidos a ser escolhida como candidata a eleições presidenciais. Isto depois de ter sido a segunda mulher não branca eleita para o Senado.

Infelizmente, Trump deve ser reeleito, mas fica aberto o caminho para 2024, então já como candidata a Presidente.

Imagem: NYT. Clique.

terça-feira, 11 de agosto de 2020

ABATE DE VELHOS


Todos os dias regredimos um passo. Agora discute-se se o direito de voto deve ser interdito a partir dos 70 anos. Parece anedota, mas não é.

O n.º 141 da Philosophie Magazine (Agosto, 2020) publica sobre o assunto uma entrevista com Andrei Poama, docente da Universidade de Leiden. Síntese: «Avec ce système, on passerait de Une Personne, Une Voix... à Un Futur, Un Vote

Em pauta, distinguir direitos em função da idade. Raciocínio: se os mais velhos participam em maior escala, face à apatia dos mais jovens, então o escrutínio reflecte as opções dominantes dos soi disant idosos. O Brexit e Trump seriam exemplos. E esta?

Ao longo da entrevista são citados filósofos, politólogos e scholars de várias nacionalidades, como Philippe Van Parijs, Richard Posner, William MacAskill, Robert Goodin, Douglas Stewart, Silvano Möckli e Alexandru Volacu.

Imagem: Philosophie Magazine. Clique.

segunda-feira, 10 de agosto de 2020

TVI & DGS

Quatro dirigentes da Direcção-Geral de Saúde interromperam as suas comissões de serviço.

Uma morreu. Outra, tendo concorrido a um cargo na ONU, foi exercer as suas novas funções (internacionais). O antigo subdirector-geral havia pedido em 2019 para regressar ao lugar de origem. O quarto caso é análogo e também está documentado.

Por que raio a TVI insiste na chicana tablóidesca, falando com aleivosia de coincidências...? Nem os mortos escapam?

Já agora: o que é um dirigente de topo...?

TWILIGHT ZONE


Caiu perto da barragem do Lindoso, mas já em território de Espanha, um avião anfíbio Canadair que participava no combate aos fogos do Gerês. O piloto português morreu, o co-piloto espanhol ficou ferido em estado grave. Tudo aconteceu anteontem.

Narrativa dos media: socorros do INEM chegaram ao fim de três horas.

Fita do tempo: socorro do INEM chegou em oito minutos.

Imagem do Twitter. Clique.

quarta-feira, 5 de agosto de 2020

AÇORES

Em acórdão hoje divulgado, o Tribunal Constitucional é claro: o Governo Regional não tem competência para impor quarentenas obrigatórias, matéria exclusiva da Assembleia da República.

Trata-se, sublinha o TC, de «uma restrição desproporcional de direitos fundamentais imposta pelo Governo açoriano, que não tem competências para tal...»

Recorde-se que todos os que chegavam aos Açores eram obrigados a ficar de quarentena num hotel. Até ao dia em que três pessoas se queixaram. O Tribunal Judicial da Comarca dos Açores deu-lhes razão, deixando-os regressar à vida normal. O MP recorreu e o TC pôs os pontos nos ii.

O Governo Regional dos Açores pode vir a ser obrigado a pagar indemnizações a todos os que foram obrigados a quarentena.

BEIRUTE, O HORROR


Subiu para mais de cem o número de mortos da tragédia ocorrida ontem. Entretanto, aos mais de quatro mil feridos somam-se centenas de pessoas desaparecidas.

Desde o 11 de Setembro que não se viam imagens tão terríveis em cenário urbano.

A foto é de Wael Hamzeh para o NYT. Clique.

terça-feira, 4 de agosto de 2020

TRAGÉDIA EM BEIRUTE


Cerca de 80 mortos e mais de quatro mil feridos é o balanço, até ao momento, de duas explosões registadas hoje ao fim da tarde na capital do Líbano. A segunda explosão, ouvida e sentida em Chipre, teve magnitude equivalente a um sismo de grau 3,3 na escala de Richter. Tudo terá começado com um incêndio num armazém onde estavam guardadas 2.750 toneladas de nitrato de amónio.

Num raio de vários quilómetros ficaram destruídos dezenas de edifícios e milhares de automóveis. O Hospital St George, um dos maiores da cidade, com todos os andares danificados, teve de ser evacuado.

Nizar Najarian, secretário-geral do Kataeb, partido político democrata-cristão, encontra-se entre os mortos. O partido, conhecido no Ocidente como Falange, estava reunido ao mais alto nível no momento das explosões.

Entre os feridos estrangeiros estão militares (capacetes azuis) da ONU, uma portuguesa, e pessoal de várias embaixadas.

Imagem: NYT. Clique.

EXÍLIO


Juan Carlos, rei de Espanha entre 1975 e 2014, exilou-se. Segundo o ABC, o rei emérito estará desde ontem na República Dominicana, alegadamente numa das residências de Pepe Fanjul, o bilionário do açúcar com quem mantém laços familiares (ambos se relacionam como irmãos). A viagem terá sido feita no domingo, através de Sanxenxo e do Porto. Mas o destino final poderá ser a Nova Zelândia.

Ontem, a Casa Real tornou pública a carta enviada pelo antigo monarca a Felipe VI:

«Majestad, querido Felipe, con el mismo afán de servicio a España que inspiró mi reinado y ante la repercusión pública que están generando ciertos acontecimientos pasados de mi vida privada, deseo manifestarte mi más absoluta disponibilidad para contribuir a facilitar el ejercicio de tus funciones desde la tranquilidad y el sosiego que requiere tu alta responsabilidad. Mi legado, y mi propia dignidad como persona, así me lo exigen. [...] Una decisión que tomo, con profundo sentimiento pero con gran serenidad. He sido Rey de España durante 40 años y durante todos ellos siempre he querido lo mejor para España y para la Corona

Juan Carlos é acusado de fraude fiscal e corrupção passiva no caso do TGV que ligaria as cidades santas de Meca e Medina, na Arábia Saudita, obra faraónica adjudicada a empresas espanholas. Parte do dinheiro serviria para pôr de pé a Fundação Juan Carlos, mas a fatia de leão (mais de cem milhões de euros, segundo os media) teria ido para uma conta de Corinna Larsen, sua amante. Não esquecer que Felipe VI renunciou à herança do pai assim que teve conhecimento dos factos.

A rainha-mãe, Sofia, permanece em Espanha.

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segunda-feira, 3 de agosto de 2020

A HISTÓRIA SECRETA


Nos meses do PREC foram muitos os que quiserem associar Amália ao Estado Novo. Sim, é verdade que foi cantar a Londres (1949) a convite de António Ferro. E também é verdade que foi à gala do 52.º aniversário do Sporting (1958) num carro escoltado pela PIDE. Nada disso impediu que, desde os anos 1940, tivesse apoiado militantes comunistas na clandestinidade, as famílias de muitos presos políticos, e até sequazes de Humberto Delgado.

Quem não sabe, fica a saber: Abandono (David Mourão-Ferreira, 1959), também conhecido como Fado de Peniche, é directamente inspirado na prisão de Cunhal: «Por teu livre pensamento / Foram-te longe encerrar...»

Decerto não por acaso, foi condecorada por Soares, Sampaio e Mitterrand. Adiante. Não vou aqui fazer a exegese das seiscentas páginas da biografia escrita por Miguel Carvalho, agora editada pela Dom Quixote. No ano do centenário da diva, a homenagem certa.

A extraordinária foto da capa, da autoria de Mariana Correia Pinto, reporta à participação de Amália numa manif (1975) organizada pelo PS em defesa do jornal República.

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domingo, 2 de agosto de 2020

OUTONO NEGRO

Os efeitos colaterais da pandemia vão sentir-se a partir do Outono. Falo da economia em cacos, à qual os milhares de milhões da UE de nada servirão (o seu móbil é o futuro a haver). Ainda não começaram os grandes despedimentos e o desemprego já é o dobro do que era em Março. As insolvências em cadeia vão fazer dos anos da Troika um conto de embalar. E assim sucessivamente. Não vai ser bonito de ver.

Penso nisto, que é o básico, enquanto vejo imagens da manif da extrema-direita que hoje se realizou em Lisboa. Continuem a votar “para chatear” e depois queixem-se.

sábado, 1 de agosto de 2020

OUTROS QUE NOS HABITAM



Vale a pena ir a Setúbal ver a nova exposição de colagens de Maria do Carmo Pais, Outros que nos habitam. Abriu ontem na Casa da Avenida, ou seja, no n.º 286 da Avenida Luísa Todi. No mesmo espaço é possível rever This is Not a Chair, da colecção de design da autora.

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sexta-feira, 31 de julho de 2020

JOAQUIM VERÍSSIMO SERRÃO 1925-2020


Morreu hoje o historiador Joaquim Veríssimo Serrão, catedrático jubilado da Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa, da qual foi reitor nos anos 1970.

Na sua vasta bibliografia, especialmente focada na presença de humanistas portugueses na Europa do século XVI, destacam-se os dezoito volumes da sua História de Portugal — das origens até 1968 —, publicados entre 1977 e 2010. O 19.º volume aguarda publicação.

Docente de Cultura Portuguesa na Universidade de Toulouse (1950-60), Veríssimo Serrão exerceu, entre outros cargos, os de director do Centro Cultural Português da Fundação Calouste Gulbenkian em Paris (1967-72) e de presidente da Academia Portuguesa da História (1975-2006). Sócio efectivo da Académie du Monde Latin (Paris), do Instituto Histórico e Geográfico Brasileiro, da Academia Brasileira de Letras, das Academias Nacionais de História de inúmeros países, entre elas a Real Academia de História de Espanha, bem como membro honorário de sociedades científicas nacionais e estrangeiras, foi doutorado honoris causa por universidades portuguesas, francesas e espanholas. Em 1995 recebeu o Prémio Príncipe das Astúrias na categoria Ciências Sociais.

É pai do historiador de arte Vítor Serrão, catedrático da FLUL.

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quinta-feira, 30 de julho de 2020

ESCOLHAS DE VERÃO


Hoje na Sábado.

Por decisão da viúva, foi agora reeditado o livro que Herberto Helder (1930-2015) obliterou da sua obra em 1968 — Apresentação do Rosto. Apreendido pela PIDE pouco depois de chegar às livrarias, não voltou aos prelos. Contudo, fragmentos seus vieram mais tarde a ser integrados noutros livros do autor. A nota editorial que antecede os textos nada esclarece sobre a vontade de Herberto. O recorte autobiográfico aproxima Apresentação do Rosto de obras como Os Passos em Volta (1963) ou Photomaton & Vox (1979). Minudências à parte, trata-se de um texto forte, como são por regra os de Herberto: «Eu tinha a febre de enterrar hastes em amoras e amoras em hastes, e era uma febre quente como não podes supor.» Dividida em seis partes, a narrativa em prosa antecipa o esplendor da poesia a devir.

O albanês Ismail Kadaré (n. 1936) não é um desconhecido dos leitores portugueses. Quem não conhece, tem agora oportunidade de ler o mais famoso dos seus romances, O General do Exército Morto. A partir de uma missão sombria (identificar e recuperar os corpos de soldados italianos mortos na Albânia), o plot flui com precisão. Por muito justa que fosse a pretensão da Itália, não deixava de ser uma nova “violentação” do território da Albânia. Nos diálogos estabelecidos entre o general e o padre que o acompanha, ambos italianos, fica exposta a “fractura” daquela missão impossível. O mérito de Kadaré é fazê-lo com secura não isenta de ironia.

A reedição de Nada a Temer traz de volta Julian Barnes (n. 1946), excelentíssimo autor inglês que há doze anos publicou este primeiro volume de memórias centrado na falta de fé: «Não acredito em Deus, mas sinto a Sua falta.» Está dado o tiro de partida. A partir do axioma, Barnes passa em revista as relações de família, a amizade, o amor, a morte, a arte, as questões ambientais, a própria literatura, etc., apoiando as reflexões na citação de factos vividos ou obras de terceiros (entre outros, Montaigne e Koestler). Como sempre, envolvente e elegante, sem deixar de ser sardónico.

Quem leu A Porta, romance de Magda Szabó (1917-2007) já editado entre nós, ficou com vontade de ler outros romances da autora. Chegou agora A Balada de Iza, traduzido directamente do húngaro por Piroska Felkai. Trata-se da sibilina denúncia do estalinismo, feita a partir dos segredos de um pequeno núcleo familiar. Tudo se passa em poucos meses, na Budapeste do início dos anos 1960, num crescendo de tensão entre mãe (viúva de juiz) e filha (médica). Claustrofóbico, decerto, mas dando testemunho da transição entre duas épocas.

O caso verídico da ocupação, em 2012, do Hotel Cambridge, de São Paulo, pelo colectivo Frente de Luta por Moradia, é o tema do livro-manifesto A Ocupação, do brasileiro Julián Fuks (n. 1981). Sem evasivas: «É uma grande tristeza o que sucede no Brasil de hoje.» Sebastián, narrador e alter-ego do autor, sublinha: «Os ditadores de hoje são papagaios ruidosos. […] Querem ser maiores do que o regime em que se deitam.» Retrato nítido do Brasil actual, algures entre a reportagem literária e o panfleto de causas, A Ocupação inclui, num dos seus 41 breves capítulos, uma carta dirigida por Fuks a Mia Couto.

O romance mais recente da inglesa Pat Barker (n. 1943), O Silêncio das Mulheres, relê a Ilíada para, por interposto cânone feminino, pôr em pauta questões relacionadas com identidade de género. Agora é a vez delas. A narradora não é outra senão Briseida, a princesa troiana que Aquiles sequestrou e fez concubina. Habituados a ler a História escrita por homens, Pat Barker não só inverte as posições como antecipa a cronologia dos factos cantados no poema de Homero: aqui, tudo começa em Lirnesso. Há um senão: a “mensagem” vê-se beliscada pelo proselitismo. Mas talvez fosse mesmo essa a intenção. Ou seja, obrigar-nos a ler a Ilíada em registo feminista.

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AKRASIA INSULAR


Os deputados da Oposição (e os que não são da Oposição mas, tendo noção do ridículo, podem dar-se ao luxo de pensar pela sua cabeça) na Assembleia Legislativa da Madeira já avançaram com uma providência cautelar para impedir o uso obrigatório de máscara em todos os espaços públicos da ilha? Espaços públicos: ruas e jardins.

Providência cautelar por enquanto. O Tribunal Constitucional tem de pôr ordem no abuso de autoridade do Governo regional. Afinal, a limitação de direitos, liberdades e garantias é da competência exclusiva da Assembleia da República.

Decretada anteontem, para ter efeitos a partir do próximo sábado, 1 de Agosto, a medida é ilegal. Dito de outro modo, está ferida de inconstitucionalidade.

Nas últimas 48 horas têm-se sucedido os cancelamentos de viagens e reservas, estando a primeira quinzena de Agosto “queimada”. Quem o diz são as agências da Região. Além de amigos meus que, muito contrariados, desistiram de ir ao Funchal e a Porto Santo.

Quem tem medo arranja um cão. Ou fica em casa.

Obtida do meu quarto, a imagem ilustra a minha última estada no Funchal. Clique.

quarta-feira, 29 de julho de 2020

BESSON


Era Fevereiro, a pandemia ainda era um exclusivo da China e da Itália, quando li este romance de Philippe Besson, amigo de Emmanuel e Brigitte Macron e, portanto, mal visto na França gauchiste.

O azedume acentuou-se em Agosto de 2018 com a sua nomeação para cônsul da França em Los Angeles, cidade onde vivia e leccionava há vários anos. A controvérsia atingiu o paroxismo quando o Syndicat du Ministère des Affaires Étrangères apelou ao Conselho de Estado. Em Março de 2019, sublinhando não estar em causa a pessoa de Besson, mas «o princípio da igualdade», foi anulado o decreto presidencial. Isto na França, país que, à semelhança de dezenas de outros, sempre teve cargos diplomáticos ocupados por escritores. Adiante.

Philippe Besson tem 53 anos, é homossexual, jurista e professor na área do Direito Social. Entre outros cargos, ocupou o de secretário-geral do IFOP, ou seja, o Institut Français d’Opinion Publique. A obra literária inclui mais de vinte romances, alguns dos quais adaptados ao cinema (um deles, Son frère, é o filme homónimo feito por Chéreau em 2003), três novelas e um livro de poesia.

Com três romances publicados em Portugal, nem por isso Philippe Besson se tornou um nome familiar. Um quarto título, Deixa-te de Mentiras, primeiro tomo da trilogia autobiográfica, vai com certeza fixar o nome do autor. O livro narra a história de amor de dois rapazes de 17 anos na cidadezinha francesa de Barbezieux. Três anos em três capítulos: 1984, o ano que ocupa dois terços do livro; 2007 e 2016, anos de explicação do day after. Pode-se dizer que Besson escreveu a versão contemporânea de Les Amitiés Particulières, o clássico de Roger Peyrefitte que atordoou a França de 1943. A principal diferença reside no registo cru (sexo sem metáforas), bem como na centralidade das questões identitárias: «No fim de contas, o amor só foi possível porque ele me viu não como eu era, mas como eu iria ser.» O inesperado desfecho tem a seu favor uma narrativa isenta de ênfase e de proselitismo. Há momentos deveras sublimes ao longo deste tão pungente récit. Notável sob vários pontos de vista.

A imprensa cultural portuguesa fez vista grossa ao livro. Jornais conspícuos que todas as semanas promovem lixo inominável, aos costumes disseram nada.

Fazer figas para que a Sextante publique o resto da trilogia: Un Certain Paul Darrigrand e Dîner à Montréal, ambos em 2019.

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terça-feira, 28 de julho de 2020

CONFLITO DE INTERESSES

A SIC e a TVI decidiram acabar com os programas de futebol em que os comentadores residentes são representantes dos clubes. Neste caso, representantes dos clubes significa representantes do FCP, do Benfica e do Sporting.

A decisão da SIC teve efeitos imediatos. A TVI mantém por enquanto o formato, mas acaba com ele após a próxima final da Taça de Portugal. Atenção: não acaba o comentariado futebolístico, o que acaba nestas duas estações é a presença de representantes dos clubes.

A medida podia (e devia) ser extensiva aos programas de comentário político, na rádio e na televisão, bem como às colunas de ‘opinião’ assinadas por deputados e ‘notáveis’ dos Partidos com representação parlamentar. Muita gente deixou de comprar jornais porque, em vez de notícias, progressivamente reduzidas à sua expressão mínima, vêem-se confrontadas com panfletos ‘ideológicos’ orientados para campanhas pessoais. São notórios os casos de Paulo Rangel e Francisco Assis (cito-os porque ambos têm noções de gramática), mas há mais.

Que saudades de Vasco Pulido Valente, Victor Cunha Rego e Nuno Brederode Santos. Com certeza que nenhum deles era independente. Mas nenhum escrevia sob tutela. Muito pelo contrário!

domingo, 26 de julho de 2020

OLIVIA DE HAVILLAND 1916-2020


Olivia de Havilland, última sobrevivente do star system, morreu hoje na sua casa do Bois de Boulogne, em Paris. Tinha 104 anos.

Para a minha geração, Ms Havilland será sempre Melanie Hamilton, a seráfica rival de Scarlett O'Hara na luta por Ashley Wilkes. Sim, falo de E Tudo o Vento Levou, o épico de Victor Fleming que há mais de 80 anos emociona milhões de pessoas em todo o mundo, agora em plataformas de streaming. O mês passado, em nome da political correctness, a HBO retirou o filme do catálogo americano. Mas já o repôs, com uma introdução paternalista de Jacqueline Stewart. Durante quatro minutos e meio, a professora da Universidade de Chicago explica que o filme de 1939 ilustra a realidade dos anos 1860 e da Guerra Civil Americana. Olha que novidade.

Tirando o clássico de Fleming, lembro-me de ter visto Lágrimas de Mãe (1946), A Herdeira (1949), A Difamação (1959), Aeroporto 77 (1977) e, em televisão, a mini-série Roots (1979). Muito pouco, tendo em vista uma carreira de mais de cinquenta filmes. Mas, na geração a que pertencia, as minhas preferidas eram outras.

Nomeada cinco vezes para o Óscar, recebeu dois.

Numa vida pontuada pela discrição, a excepção foi o permanente conflito com sua irmã, a actriz Joan Fontaine.

Imagem: Olivia de Havilland aos 101 anos. Clique.

UK BLOQUEOU ESPANHA

Os media britânicos registaram a notícia de El País (os mortos em Espanha, por Covid-19, eram ontem 45 mil e não apenas os 28 mil dos boletins oficiais) e o Governo britânico tomou a decisão de imediato: desde as zero horas de hoje, todos os viajantes regressados de Espanha, cidadãos britânicos incluídos, têm de cumprir quarentena.

Dominic Raab foi explícito: «We took the decision as swiftly as we could... And we can’t make apologies for doing so. We must be able to take swift, decisive action, particularly in relation to localised [surges], or internationally in relation to Spain or a particular country, where we see we must take action. Otherwise, we risk reinfection into the UK, potentially a second wave here and then another lockdown

Conhecida ontem a seguir ao almoço, a medida apanhou de surpresa as companhias aéreas, as agências de turismo e os turistas britânicos em Espanha, pois muitos arriscam-se a perder o emprego se não se apresentarem ao serviço na data estabelecida. Entretanto, em poucas horas, foram canceladas mais de metade das reservas para Agosto. Ansiedade geral, desorientação e caos.

Se estiver a ser cumprida, a decisão vira do avesso a vida de quem foi apanhado de calças na mão. Porém, como os viajantes oriundos de Portugal estão ameaçados do mesmo há três semanas e ainda nenhum foi incomodado, pode ser que tudo não passe de uma manobra inócua, e de mau gosto, do Governo de Sua Majestade.

sábado, 25 de julho de 2020

BRUNO CANDÉ 1981-2020


Bruno Candé, actor, 39 anos, foi morto com quatro tiros disparados à queima-roupa na Avenida de Moscavide. Aconteceu hoje por volta da uma da tarde.

O autor dos disparos, um homem branco, foi neutralizado por populares e entregue à PSP. O caso está a ser investigado pela PJ. Em consequência do grave acidente de bicicleta que o deixou em coma vários meses, Bruno Candé, natural da Guiné-Bissau, tinha grandes limitações de mobilidade desde 2017.

Segundo um comunicado da família, «O assassino já o havia ameaçado de morte três dias antes, proferindo vários insultos racistas. [...] Face a esta circunstância, fica evidente o carácter premeditado e racista deste crime hediondo.»​

Entretanto, a actriz Marta Félix disse ao PÚBLICO: «Terá havido uma discussão na quarta-feira [dia 22] depois de o homem ter tropeçado na cadela do Bruno, da qual era inseparável e que foi importante na sua recuperação. O homem terá ameaçado o Bruno de morte e, hoje, quando ele estava numa esplanada na avenida principal de Moscavide, onde ia assiduamente, o homem avistou-o, terá ido pouco depois a casa buscar uma arma, e disparado quatro tiros

Bruno Candé formou-se no Chapitô e pertencia à Casa Conveniente, de Mónica Calle, companhia de teatro onde se estreou com A Missão. Memórias de uma Revolução (1979), de Heiner Müller. Actualmente participava num workshop da companhia. Deixou mulher e três filhos menores.

Imagem: BlogOperatório. Clique.

sexta-feira, 24 de julho de 2020

CESOP


Sondagem do CESOP da Universidade Católica para a RTP e o Público, divulgada hoje.

PS alarga vantagem sobre o PSD. BE e CHEGA empatados, porque a extrema-direita sobe de 1,4% para 7%.

PS 39% / PSD 26% / BE 7% / CHEGA 7 % / CDU 6% / CDS 3% / PAN 3% / IL 3%

Imagem: Público. Clique.

quinta-feira, 23 de julho de 2020

O CORREDOR DE BORIS

Parece estar por dias a mudança de agulha do Governo britânico em matéria de corredores aéreos. Dito de outro modo: os viajantes oriundos de Portugal (cidadãos britânicos incluídos) vão deixar de ter de cumprir quarentena à chegada ao UK. Esta é a versão oficial. Porque ninguém, oriundo de Portugal, foi sujeito ao vexame.

Esta treta nunca funcionou. Conheço gente que foi (nos últimos 15 dias) de Lisboa para Londres e Oxford e ninguém lhes ligou peva à chegada. Alguns são portugueses em viagem de férias.

Tudo não passou de uma directiva não respeitada? Com que intuito? Para além de desviarem a inglesada com destino ao Algarve, propósito foleiro, não vejo outro.

quarta-feira, 22 de julho de 2020

GARANTIR MÍNIMOS


Sem a persistência de Merkel, Macron e Ursula não teria havido, como houve, acordo ao fim de quatro dias. Aqui os vemos aos três, anteontem, numa das muitas reuniões que fizeram.

Por volta de Junho de 2021, se tudo correr bem, Bruxelas começa a distribuir o dinheiro do Fundo de Recuperação, ou seja, 750 mil milhões de euros, dos quais Portugal tem direito a 15,3 mil milhões.

Mas desengane-se quem julgue que o dinheiro é para o SNS ou para pagar layoffs. O fundo aprovado visa apoiar a economia real. Dito de outro modo: evitar que colapsem os sectores essenciais da economia.

Como disse o príncipe de Salina, Alguma coisa terá de mudar para que tudo fique na mesma.

terça-feira, 21 de julho de 2020

REBOTE


E, de repente, Espanha voltou a ocupar um lugar cimeiro no ranking Covid-19.

Actualmente conta com 17,64 casos por cada cem mil habitantes.

O gráfico é do ABC, a partir dos dados oficiais. Clique para abrir.

DEAL


Tudo está bem quando acaba bem? Ia alta a madrugada quando o Conselho Europeu deu por aprovados o Quadro Financeiro Plurianual 2021-2027, no valor de um bilião e 74 mil milhões de euros, bem como o Fundo de Recuperação (um pacote extraordinário de 750 mil milhões de euros) para fazer face à pandemia entre 2021-2026.

Entre os dois, Portugal tem direito a receber um total de 45,1 mil milhões de euros: 29,8 do QFP e 15,3 do Fundo.

Imagem: tuíte do primeiro-ministro. Clique.

segunda-feira, 20 de julho de 2020

FUMO BRANCO?


Terá sido nesta reunião, que juntou Merkel com Conte, Mitsotakis, Macron, Costa e Sánchez que ficou decidido o pacote final de 750 mil milhões de euros? Ou seja, 390 mil milhões a fundo perdido e 360 mil milhões em empréstimos. Contrapartida: os frugais passarão a pagar contribuições mais baixas.

Salvo percalço de última hora, o montante destinado a Portugal será de 15,3 mil milhões de euros, a disponibilizar entre 2021 e 2026.

Parece muito, mas não é. Isso mesmo sublinhou o primeiro-ministro: «Para já, serve...» (mas tudo dependerá da dimensão da crise). A ver vamos. Daqui até Janeiro muita água passará sob as pontes.

Imagem: Twitter de Mitsotakis. Clique.

VERGONHA

O que está a passar-se no Conselho Europeu é uma vergonha. Como disse António Costa, e bem, são cada vez mais os países que não se reconhecem nesta “união europeia”. Querem apenas o mercado comum.

Ontem, terceiro dia, realizaram-se sessões bilaterais durante dezoito horas consecutivas. O plenário voltou a reunir às 05:45 da manhã de hoje, sendo interrompido pouco depois. Charles Michel agendou nova reunião para as quatro da tarde, hora de Bruxelas.

A opinião pública anda entretida com frioleiras porque o tecto só nos (aos europeus) vai cair em cima no Outono, quando for evidente a ineficácia dos paliativos layofianos e outros que tais.

Esperar para ver.

domingo, 19 de julho de 2020

AXIMAGE


Sondagem da Aximage para a TSF e o Jornal de Notícias, divulgada hoje.

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sábado, 18 de julho de 2020

CIMEIRA PANDÉMICA


Após 26 horas de negociações, divididas entre sexta-feira e sábado, a cimeira dos 27 ainda não conseguiu desbloquear a ajuda de emergência aos seus membros. O obstáculo tem sido Mark Rutte, o primeiro-ministro dos Países Baixos que exige direito de veto sobre os empréstimos, alguns a fundo perdido.

Os países do Sul teriam que, diz o mamífero holandês, antecipar reformas estruturais no mercado laboral e na segurança social, sem as quais o dinheiro não seria disponibilizado. Isto parece uma anedota, mas, até prova um contrário, reveste a forma de ultimatum.

Charles Michel, presidente do Conselho Europeu, já cortou uma fatia do bolo, mas nem assim amansou o frugal-mor, que tem toda a gente contra ele, mas vai impondo a sua vontade.

A ver vamos o que acontece amanhã, terceiro dia da cimeira. Dará Merkel o esperado murro na mesa?

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PEQUENOS FORMATOS


São difíceis de arrumar, os pequenos formatos. Hoje andei às voltas com este octecto. De cima para baixo e da esquerda para a direita:

— O 90.º volume, publicado em 2015, da colecção Livrinhos de Teatro, dirigida por Jorge Silva Melo. Três peças de Albee, duas traduzidas por Rui Knopfli [The Zoo Story e The Sandbox] e uma por Egito Gonçalves [The Death of Bessie].

— Um conto de Susan Sontag sobre a Sida, The way we live now (1986), publicado no Brasil em 1995.

— Primeira edição de O Morto. Ode Didáctica, de João Pedro Grabato Dias. Lourenço Marques, 1971.

— Primeira edição de A Arca. Ode Didáctica na Primeira Pessoa, de João Pedro Grabato Dias. Lourenço Marques, 1971.

Insónia em Segunda Mão, 2010, poesia de Jorge Aguiar Oliveira, com argumento de Henrique Manuel Bento Fialho.

— Dois contos do século XI recolhidos da tradição oral celta Mabinogion [The Lady of the Fountain e The Dream of Macsen Wledig]. Phoenix, 1996.

— Edição autónoma, publicada no Brasil em 2002, do capítulo dedicado à Revolução Francesa no livro A Era das Revoluções (1962), de Eric Hobsbawm.

— Primeira edição de O Vale dos Malditos, de Ana Teresa Pereira. Black Son Editores, 2000.

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SALÁRIOS


De regresso à TVI, Cristina Ferreira vai ganhar 2,6 milhões de euros por ano. Com a publicidade, esse valor ultrapassará 3 milhões anuais. Não esquecer que só o IRS lhe vai comer 48% do bolo.

Por curiosidade, fui conferir o Relatório & Contas da EDP. Fiquei a saber que António Mexia, CEO da empresa até há poucos dias, auferiu, em 2019, um milhão de euros (ou, para ser exacto, um milhão e quinze mil euros). Em matéria de IRS está no escalão de Cristina.

Tudo visto, não vale a pena rasgar as vestes.

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sexta-feira, 17 de julho de 2020

OZONOTERAPIA


Como sabe qualquer funcionário público, os beneficiários da ADSE esperam em média 96 dias pelo reembolso de 20% do dinheiro pago em consultas ou tratamentos. Noventa e seis dias (média) contados a partir do dia em que entregam a factura-recibo da despesa. O prazo pode ser, e muitas vezes é, maior.

Contudo, as clínicas visadas na Operação Terapia, que levou à prisão (ontem) de três médicos e dois enfermeiros, conseguiram receber meio milhão de euros da ADSE no curto lapso de tempo que decorreu desde o início da pandemia. Ou seja, pouco mais de 120 dias foram suficientes para pôr de pé o esquema fraudulento, convencer os incautos e pedir o reembolso. É obra!

Clique na imagem da TVI.

CIMEIRA COVID EM DIA DE ANIVERSÁRIO


Angela Merkel e António Costa celebram hoje os respectivos aniversários. A chanceler alemã faz 66 anos, e o primeiro-ministro português 59.

Nenhum dos dois podia imaginar que num dia de aniversário estariam juntos em Bruxelas, numa Cimeira da UE agendada para discutir e aprovar o plano de recuperação económica exigido pelos efeitos da pandemia Covid-19.

Desde o início da pandemia, é a primeira vez que o Conselho Europeu faz uma reunião presencial.

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quinta-feira, 16 de julho de 2020

ESTADO SEGURA TAP

O Estado detém, a partir de hoje, maioria na TAP. Exactamente 72,5% do capital da companhia.

O decreto-lei que autoriza o Estado a adquirir as participações sociais, os direitos económicos e as prestações acessórias da TAP SGPS, bem como o alinhamento dos direitos económicos com os direitos de voto, foi hoje aprovado em Conselho de Ministros.

Parte do auxílio de emergência chega já este mês, sob a forma de pagamento dos salários dos trabalhadores, situação que de outro modo não seria ultrapassada.

POR FIM


Mário Centeno é o novo Governador do Banco de Portugal, decidiu hoje o Conselho de Ministros. A posse está marcada para a próxima segunda-feira, dia 20.

Lembrar que, na audição parlamentar (meramente consultiva), BE, PAN, CDS, IL e um deputado do PSD, votaram contra a nomeação do antigo ministro das Finanças e presidente do Eurogrupo.

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FRAUDE COVID-19


No âmbito da Operação Terapia, em curso, a PJ deteve até ao momento cinco pessoas, dois homens e três mulheres, alegadamente três médicos e dois enfermeiros.

Segundo o comunicado da polícia, as prisões «relacionam-se com a realização de ozonoterapias, que não são comparticipadas pelos subsistemas de saúde, sendo que também não existe qualquer convenção ou protocolo entre a ADSE e as ditas clínicas. Acresce que as mesmas são realizadas por profissionais que não estão devidamente habilitados [...] Existem indícios de que os suspeitos recorrem ainda a práticas pouco esclarecedoras, convencendo os utentes de que a ozonoterapia se mostra eficaz no tratamento do Covid-19 ou que permite ganhar imunidade, explorando a fragilidade e vulnerabilidade de pessoas receosas do vírus ou mesmo infectadas...»

A fraude é susceptível de enquadrar os crimes de corrupção activa e passiva, burla qualificada, falsificação de documentos e propagação de doença.

As buscas, que prosseguem, envolvem clínicas que realizavam testes ao Covid-19 «sem para tal estarem licenciadas ou reunirem as condições necessárias, designadamente de direcção clínica

Clique na imagem da RTP.

FUTEBOL & PANDEMIA


O FCP ganhou mais uma vez o campeonato nacional e, como é natural, milhares de adeptos invadiram a Praça Velasquez e os Aliados. A festa estendeu-se pela madrugada. Nada de novo.

A tranquibérnia repete-se em Lisboa quando ganha o Benfica. Novidade mesmo só a reacção dos moralistas de serviço. Desta vez não arrancaram as vestes como fizeram aquando da parcimoniosa celebração do 25 de Abril no Parlamento e da coreografia do 1.º de Maio na Alameda.

Diz a imprensa que, com a intervenção do Corpo de Intervenção da PSP, tudo acabou a murro e pontapé.

Rui Moreira bem pode dizer que uma situação não prevista (não prevista na Coreia do Norte, presumo), por oposição às datas fixas dos feriados nacionais, é insusceptível de controlo. Então ficamos assim.

A foto é do Expresso. Outras há mais eloquentes, mas não serei eu a divulgar os rostos da tranquibérnia portista. Clique.

quarta-feira, 15 de julho de 2020

A TRANQUIBÉRNIA


Seis anos e 4.117 páginas depois, foi deduzida ontem a acusação contra Ricardo Salgado e outros dezassete responsáveis pela implosão do Grupo Espírito Santo. Sete empresas também foram acusadas. Está em jogo um buraco de 11,8 mil milhões de euros.

Acusação: associação criminosa, corrupção activa, falsificação de documentos, burla qualificada, etc. Portanto, em 2036 talvez haja novidades.

Ainda bem que a TVI lembrou ontem, com imagens eloquentes, os statements feitos ao longo de meses por Cavaco, Passos Coelho, Maria Luís Albuquerque e Carlos Costa. Em Junho de 2014 ainda o PR, o primeiro-ministro, a ministra das Finanças e o governador do Banco de Portugal garantiam que o Banco Espírito Santo tinha uma idoneidade só comparável à Senhora de Fátima, levando milhares de portugueses (sobretudo emigrantes na Suíça e no Luxemburgo) a comprar acções obrigacionistas e outro tipo de lixo. 

E quando foi da resolução, Passos Coelho e Maria Luís Albuquerque também garantiram enfaticamente que os portugueses não pagariam um cêntimo pelo Novo Banco. Viu-se.

Está na altura de Vítor Gonçalves Loureiro (RTP) fazer duas entrevistas: uma a Cavaco Silva, outra a Miguel Frasquilho.

Imagem: excerto da capa do Público. Clique. 

terça-feira, 14 de julho de 2020

O ÓBVIO ULULANTE


O Supremo Tribunal Administrativo mandou o deputado Cotrim Figueiredo dar uma volta ao jardim da Celeste. Dito de outro modo: rejeitou a providência cautelar interposta pela IL para impedir a posse de Mário Centeno como Governador do Banco de Portugal.

Não estando em causa uma quebra da legalidade, o STA declarou-se incompetente para avaliar uma acção de natureza política: «A nomeação do Governador do Banco de Portugal resulta de uma escolha e vontade do Conselho de Ministros mediante proposta do ministro das Finanças e após audição por parte da comissão competente da Assembleia da República, nomeação essa que é uma escolha política...»

Um dos argumentos da IL prende-se com o diploma do PAN que visava introduzir um período de nojo de cinco anos. Mas o processo abortou. O STA lembra que «a lei ainda não foi aprovada e não está em vigor, sendo irrelevante, até porque só dispõe para futuro...»

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GEDEÃO


Descobri António Gedeão (1906-1997) por intermédio deste volume de 1964. Estava em Lisboa de férias, tinha 15 anos e ia a subir a Rua do Carmo quando vi o livro na montra da Livraria Portugal. Não conhecia nenhum dos quatro livros anteriores de Gedeão.

Num extenso e polémico prefácio, Jorge de Sena sublinha: «O tremendo mal do nosso tempo, que é a cisão entre uma cultura literária que se pretende largamente humanística e é apenas uma forma organizada de ignorância do mundo em que vivemos...»

Ora bem. Nesta breve síntese talvez resida a desconfiança com que a Academia avalia Gedeão (não confundir Academia com honrarias oficiais e genuíno apreço popular). É um erro, porquanto todos devemos a Gedeão «a inteligência das coisas» que nos deu, como ele diz num poema dedicado a Galileo.

Havendo uma edição mais recente da obra completa do autor, arrumada em lugar visível, tinha este volume da Portugália em segunda fila. Hoje, procurando em vão outro livro, dei com ele, ficando a pensar no que escrevi há anos: «A partir do não-lugar que fizeram seu, Gedeão assombra a normatividade.» [cf. Eduardo Pitta, Um Rapaz a Arder, Lisboa: Quetzal, 2013]

É só ler e tirar conclusões.

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segunda-feira, 13 de julho de 2020

E NÓS POR CÁ?

Oitenta e três bilionários da Alemanha, Canadá, Dinamarca, Estados Unidos, Nova Zelândia, Países Baixos e Reino Unido, divulgaram em carta aberta a necessidade de ser agravada a carga fiscal dos muito ricos:

«À medida que a Covid-19 atinge todo o mundo, milionários e bilionários como nós têm um papel importante a desempenhar no mundo. [...] Não somos nós quem cuida dos doentes internados em unidades de cuidados intensivos, nem conduzimos ambulâncias [...] nem fazemos o reabastecimento de supermercados. [...] Mas temos muito dinheiro. Dinheiro que é extremamente necessário agora e que vai continuar a ser necessário nos próximos anos, à medida que o mundo recupera desta crise. Hoje, nós, milionários que assinamos esta carta, pedimos aos nossos governos que subam os impostos sobre pessoas como nós. Imediatamente. Substancialmente. Permanentemente. [...] A crise vai durar décadas. [...] É necessário reequilibrar o mundo antes que seja demasiado tarde. [...] Não estamos a lutar na linha da frente desta emergência e temos menos probabilidade de sermos vítimas. Por isso, por favor, tributem-nos. Tributem-nos. Tributem-nos. É a escolha certa

Entre os signatários estão Richard Curtis, Abigail Disney e Jerry Greenfield.

domingo, 12 de julho de 2020

PARA QUANDO REEDITAR JAMES?


Ando deliciado a reler P.D. James (1920-2014), autora de thrillers policiais excelentíssimos, um deles este Pecado Original, nono dos catorze romances que têm Adam Dalgliesh — inspector da Scotland Yard e poeta — como protagonista.

Phyllis Dorothy James, baronesa de Holland Park, publicou 24 livros entre 1962 e 2011. Formada em administração hospitalar, trabalhou durante vinte anos para o NHS. Mais tarde integrou o departamento de Medicina Legal da Yard, o que explica as minuciosas descrições das suas obras.

Foi a partir da morte precoce do marido, ocorrida em 1964, que se dedicou a tempo inteiro à escrita, embora a estreia (com Cover Her Face, romance que inscreve Adam Dalgliesh na galeria de personagens da literatura de língua inglesa) seja anterior.

Por duas vezes desviou-se do thriller clássico: em 1992 com The Children of Men, uma distopia teológica que Alfonso Cuarón levou ao cinema em 2006, com Clive Owen e Julianne Moore nos principais papéis; e em 2011 com Death Comes to Pemberley, uma sequela pós-moderna de Orgulho e Preconceito de Jane Austen. Claro que só uma autora da envergadura de James podia arriscar, sem cair no ridículo, glosar Austen.

Morte em Ordens Sagradas (2001) e A Sala do Crime (2003), ambos com Martin Shaw no papel de Adam Dalgliesh, são dois exemplos de romances seus adaptados à televisão pela BBC.

Não estará na altura de trazer de volta às livrarias portuguesas estes livros admiráveis?

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sábado, 11 de julho de 2020

LEITURA DE SÁBADO


Mexer em estantes de duas filas tem sempre como consequência a descoberta de livros julgados desaparecidos. Este Lorca-Dalí. El amor que no pudo ser (1999) foi-me grato reencontro. São cerca de 380 páginas e dezenas de fotografias.

O autor, Ian Gibson, nasceu (1939) na Irlanda, tendo sido professor de Literatura espanhola em Belfast e Londres. Em 1978 radicou-se definitivamente em Espanha, obtendo a nacionalidade espanhola em 1984. Biógrafo, entre outros, de Lorca e Buñuel, Gibson é considerado o maior especialista de história da Literatura de Espanha do século XX. Vive em Granada.

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sexta-feira, 10 de julho de 2020

PRESIDENCIAIS 2021


A sondagem da Aximage hoje divulgada pelo Económico coloca na calha Marcelo Rebelo de Sousa (65%), Ana Gomes (13%), André Ventura (7%), Marisa Matias (4%), Adolfo Mesquita Nunes (2%) e Jerónimo de Sousa (1%).

É uma sondagem bizarra, porque, dos seis, apenas Marcelo e Ventura confirmaram a intenção de concorrer.

Ana Gomes continua na corda bamba, porque a única certeza seria uma derrota estrondosa. Marisa Matias é uma possibilidade, mas a candidatura do BE mantém-se em aberto. Adolfo Mesquita Nunes terá dito que não estava interessado. E o Comité Central do PCP nada decidiu até ao momento, sendo improvável a opção Jerónimo. Vale o que vale.

Continuo a achar que o PS devia ter candidato próprio, credível, mas percebo a dificuldade.

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quinta-feira, 9 de julho de 2020

O SUCESSOR DE CENTENO


Paschal Donohoe, 45 anos, liberal conservador, ministro das Finanças da Irlanda, é o sucessor de Centeno na presidência do Eurogrupo.

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