terça-feira, 26 de maio de 2020

COVID-19


Portugal, 26 de Maio de 2020

CENTENÁRIO DE RUBEN A.


Faz hoje 100 anos que nasceu Ruben A., o mais “secreto” dos grandes autores portugueses. Ruben Alfredo Andresen Leitão nasceu em Lisboa (1920) e morreu em Londres (1975), cidade onde viveu entre 1947 e 1952.

Aos 7 anos mudou-se de Lisboa para o Porto, ali tendo ficado até aos 19 anos. Quem leu Os Meninos de Ouro de Agustina Bessa-Luís reconhece-o numa das personagens da quinta do Campo Alegre. Esse intervalo fora de Lisboa coincide com a licenciatura em Ciências Histórico-Filosóficas, na Universidade de Coimbra.

Em Novembro de 1950, já com obra publicada — contos, monografias históricas, uma bibliografia sobre os Arquivos de Windsor, dois volumes do diário, uma peça de teatro e a biografia de D. Pedro V, rei de quem disse ter sido «o primeiro homem moderno que existiu em Portugal...» —, e sendo leitor de português do King’s College de Londres, Salazar foi peremptório: «O Autor não pode representar Portugal nem ensinar português.» Não obstante, o maluco... (assim lhe chamava o ditador) manteve-se no lugar, que dependia do Instituto de Alta Cultura. Durante esses anos, Ruben A. divulgou na Universidade de Londres autores como Gil Vicente, os modernistas portugueses e Miguel Torga, ao mesmo tempo que fazia conferências em Oxford e Cambridge. Datam dessa época as suas relações com T. S. Eliot, de quem viria a traduzir The Cocktail Party (1949, teatro).

De regresso a Lisboa, casou com Rosemary Bach (mãe dos seus quatro filhos) e fez uma passagem fugaz pelo ensino secundário. Entretanto, torna-se funcionário da embaixada do Brasil, onde permanecerá entre 1954 e 1972, ano em que foi para a administração da Imprensa Nacional-Casa da Moeda. Antes de morrer ainda ocupará o cargo de director-geral dos Assuntos Culturais do ministério da Educação e Cultura.

Embora publicasse desde 1949, ano em que deu à estampa o primeiro dos seis volumes do seu diário — Páginas —, o essencial da obra literária arranca com a edição de Garanguejo (1954), atingindo o cume com A Torre da Barbela (1964) e Silêncio para 4 (1973). Os três volumes da autobiografia — O Mundo à Minha Procura — serão publicados entre 1964 e 1968. Depois da sua morte chegou às livrarias o romance Kaos (1981), posfaciado por José Palla e Carmo. A obra de historiador é muito extensa, terminando em 1975: A Acção Diplomática do Conde de Lavradio em Londres 1851-1855. Além dos títulos aqui citados, Ruben A. publicou outros romances, livros de contos, narrativas de viagem, peças de teatro, volumes de correspondência de D. Pedro V e ensaios de investigação histórica.

A 26 de Setembro de 1975, um ataque de coração fulminante impede-o de ocupar o cargo de Senior Fellow no St Antony’s College, de Oxford. Tinha 55 anos e vivia então com Maria Luísa Távora. Está sepultado em campa rasa no cemitério de Carreço, perto de Viana do Castelo.

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segunda-feira, 25 de maio de 2020

COVID-19


Portugal, 25 de Maio de 2020

LEITURAS DO CONFINAMENTO, 10


Os Romances de Machado de Assis, integral em volume único, 2014

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domingo, 24 de maio de 2020

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Portugal, 24 de Maio de 2020

LEITURAS DO CONFINAMENTO, 9


As Fúrias, Agustina Bessa-Luís, 1977

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MARIA VELHO DA COSTA 1938-2020


Maria Velho da Costa morreu ontem à noite, subitamente, em Lisboa. Não é fácil falar de quem fomos próximos.

Contudo, gostaria de destacar da sua obra títulos como Maina Mendes (1969), Casas Pardas (1977), Lucialima (1983), Missa in Albis (1988), Irene ou o Contrato Social (2000), Myra (2008), mas naturalmente também duas obras em co-autoria: Novas Cartas Portuguesas, 1972 (com Maria Teresa Horta e Maria Isabel Barreno) e O Livro do Meio, 2006 (com Armando Silva Carvalho). Na área do ensaio deve referir-se Português, Trabalhador, Doente Mental (1977). Além de romances, ensaios de análise social e crónicas, Maria Velho da Costa é ainda autora de uma curiosa peça de teatro, Madame (1999), obra que põe em confronto as personagens femininas de Eça de Queirós e Machado de Assis.

Entre 1977 e 2013, Maria Velho da Costa recebeu todos os prémios que havia para receber, incluindo, em 2002, o Prémio Camões.

Recordar que participou como argumentista em filmes de João César Monteiro, Margarida Gil e Alberto Seixas Santos.

Funcionária pública toda a vida, primeiro no Instituto Nacional de Investigação Industrial, por último no Instituto Camões, foi leitora de português no King’s College de Londres (1980-87) e adida cultural na embaixada de Portugal na Cidade da Praia (1988-91).

Agora não haverá quem trate do pequeno jardim inglês. Até sempre, Maria de Fátima. E os meus sentimentos a seu filho, João Sedas Nunes.

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sábado, 23 de maio de 2020

MEMORIES


Como eu me lembro de Glória de Sant’Anna.

Em 1968, quando comecei a escrever e a publicar poemas, já Glória de Sant’Anna era um nome consagrado em Moçambique. Um daqueles poetas que admiramos à distância. Nunca tendo ido a Pemba, não a conhecia em pessoa.

Um dia, para vaidade e surpresa minha, recebi pelo correio dois livros seus, autografados — Um Denso Azul Silêncio, de 1965, e Desde Que o Mundo e 32 Poemas de Intervalo, publicado em 1972, com ilustrações de Teresa Roza d’Oliveira.

Só nos conhecemos pessoalmente em Julho de 1974, na tarde do dia 27, o sábado em que Spínola reconheceu o direito à independência das Colónias, dando início ao processo de descolonização. O nosso encontro aconteceu por mero acaso, no gabinete de Rui Knopfli, então director do vespertino A Tribuna, instalado no mesmo edifício do Notícias. Não me recordo se ouvimos juntos o discurso do general. Sei que ficou combinada uma carilada de amendoim para a noite do dia seguinte, em casa do Rui, na Bellegarde da Silva, ou seja, na actual Avenida Francisco Orlando Magumbwe, de Maputo.

Esse jantar, em que também esteve presente o poeta Sebastião Alba, foi o nosso (meu e de Glória de Sant’Anna) segundo e último encontro.

Em Portugal, novo desencontro. Glória de Sant’Anna vivia em Ovar, no distrito de Aveiro, e eu em Cascais, nos arredores de Lisboa. Mas quando, em 1988, a Imprensa Nacional publicou Amaranto, a reunião da sua poesia, escrevi uma recensão crítica que saiu no n.º 108 (Março de 1989) da revista Colóquio-Letras, da Fundação Calouste Gulbenkian.

Ficou a sua poesia, clara, luminosa, atenta aos sinais da terra. Isso basta.

— Eduardo Pitta, in Quando o silêncio é sujeito, Pemba & Sêwi Editores (Moçambique), 2019.

A imagem foi retirada do livro. Clique.

GLÓRIA DE SANT'ANNA


Glória de Sant’Anna (1925-2009) não goza, em Portugal, do reconhecimento que a sua obra poética justifica. Tendo vivido cerca de 26 anos em Moçambique, mais exactamente em Porto Amélia, actual cidade de Pemba, e Vila Pery, actual cidade de Chimoio, compreende-se o relativo descaso. Afinal, Moçambique fica do outro lado do mundo.

Contudo, Glória de Sant’Anna é autora de doze livros de poesia (os primeiros seis publicados em Moçambique), dois livros de literatura infantil e dois volumes de memórias. Em 1988, a Imprensa Nacional publicou Amaranto, volume que colige os seis livros publicados em Moçambique entre 1951 e 1972. O conjunto da obra poética foi reunido em 2010, no volume póstumo Gritoacanto.

Agora, dois antigos alunos seus (Glória era professora do ensino secundário), moçambicanos ambos, Luís Loforte e Edmundo Galiza Matos, organizaram e publicaram em Pemba um volume de homenagem que reúne testemunhos de quem com ela privou mas também breves ensaios críticos — Quando o silêncio é sujeito.

Além dos organizadores, o volume colige textos dos filhos de Glória de Sant’Anna e testemunhos de dezenas de personalidades, entre elas Eugénio Lisboa, Teresa Roza d’Oliveira, Mia Couto, José Luís Porfírio, Fátima Mendonça e Celso Muianga

A convite de Inez Andrade Paes, sua filha, também colaboro. Em post separado farei a publicação do meu testemunho. Para já, fica a notícia da homenagem.

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Portugal, 23 de Maio de 2020

LEITURAS DO CONFINAMENTO, 8


Sinais de Fogo, Jorge de Sena, 1979

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sexta-feira, 22 de maio de 2020

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Portugal, 22 de Maio de 2020

LEITURAS DO CONFINAMENTO, 7


Cien Años de Soledad, Gabriel García Márquez, 1967 / Cem Anos de Solidão

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quinta-feira, 21 de maio de 2020

COVID-19


Portugal, 21 de Maio de 2020

DOIS TÍTULOS, UM LIVRO


Mémoires d’Adrien, o clássico que Marguerite Yourcenar publicou em 1951, e Maria Lamas traduziu em 1960 com o título A Vida Apaixonante de Adriano, foi sempre citado no original, mas, em português, só depois do 25 de Abril passou a Memórias de Adriano.

Escritora culta (nem sempre ocorre), comunista, activista do feminismo internacionalista, Maria Lamas fez uma tradução brilhante das Mémoires d’Adrien. Desconheço a razão do título de viés. Opção pessoal? Exigência da censura?

A imagem mostra as duas edições, ambas na Ulisseia. Clique.

LEITURAS DO CONFINAMENTO, 6


Mémoires d’Adrien, Marguerite Yourcenar, 1951 / A Vida Apaixonante de Adriano

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quarta-feira, 20 de maio de 2020

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Portugal, 20 de Maio de 2020.

LEITURAS DO CONFINAMENTO, 5


Obra Poética, Rui Knopfli, 2003

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terça-feira, 19 de maio de 2020

EMIGRANTES SEM QUARENTENA


Depois de falar com Macron, Costa obteve a garantia de que os emigrantes portugueses em França estão dispensados de quarentena após regressarem das férias em Portugal.

Clique no tuíte do primeiro-ministro.

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Portugal, 19 de Maio de 2020.

LEITURAS DO CONFINAMENTO, 4


O Continente, Érico Verissimo, 1949

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segunda-feira, 18 de maio de 2020

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Portugal, 18 de Maio de 2020.

DESCONFINAMENTO, FASE DOIS


Começou hoje a segunda fase do desconfinamento. Reabriram as esplanadas, cafés, pastelarias e restaurantes, mas também os museus, galerias de arte, monumentos e palácios, as creches e, desde que autorizados pela autarquia, os centros comerciais.

Por iniciativa própria, vários cafés e restaurantes reabrem com horário reduzido (não servindo jantares), mas mantêm o serviço de take away.

Grande parte dos trabalhadores regressa hoje às empresas, pondo fim ao teletrabalho. Na maioria dos casos esse regresso faz-se por turnos e sob regras de distanciamento.

Os transportes públicos voltam aos horários pré-pandemia.

A partir de hoje também regressam as visitas aos Lares e residências sénior, condicionadas a uma visita semanal por residente, com marcação prévia e duração máxima de 90 minutos.

Recomeçam as aulas presenciais dos 11.º e 12.º anos, embora um estudo da Universidade do Minho revele que 59% dos visados não esteja de acordo com a medida.

Regressam ainda as aulas presenciais de condução.

Muitos hotéis aproveitam a data para reabrir. Lembrar que ninguém os mandou fechar (o encerramento deu-se por falta de clientes), embora mais de 95% o tenha feito.

Como se vê na imagem, o primeiro-ministro já tomou o pequeno-almoço na esplanada do Califa.

Clique na imagem do Diário de Notícias.

LEITURAS DO CONFINAMENTO, 3


Poesia, Luiza Neto Jorge, 1992

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domingo, 17 de maio de 2020

COVID-19


Portugal, 17 de Maio de 2020.

JOSÉ CUTILEIRO 1934-2020


Morreu hoje em Bruxelas o embaixador José Cutileiro, que não terá um obituário à altura daqueles que durante anos a fio escreveu no Expresso sobre personalidades da política, da diplomacia, da ciência, das artes, dos negócios, do beau monde, etc., não necessariamente as que davam azo a manchetes.

Por força da profissão do pai, médico ao serviço da OMS, Cutileiro passou a infância em países tão diferentes como a Suíça, a Índia e o Paquistão.

Em Lisboa frequentou a Escola Superior de Belas-Artes e a Faculdade de Medicina da Universidade de Lisboa mas, depois de abandonar os estudos de arquitectura e medicina, partiu para Inglaterra, onde se doutorou em antropologia social, tornando-se fellow do St Antony’s College de Oxford e, a seguir, docente da London School of Economics.

Ingressou na carreira diplomática em 1974, como conselheiro cultural na embaixada de Portugal em Londres. Entre os vários postos que ocupou, contam-se os de representante permanente de Portugal junto do Conselho da Europa, embaixador de Portugal em Maputo, director-geral dos Negócios Político-Económicos do ministério dos Negócios Estrangeiros, coordenador da Conferência de Paz para a Jugoslávia (1992) e secretário-geral da União da Europa Ocidental. Como diplomata, integrou as equipas que negociaram a entrada de Portugal na CEE.

Criou como alter-ego a personagem de Alfred Barnaby Kotter, o aristocrata inglês que a partir de sua casa em Colares discreteava sobre o Portugal pós-revolucionário. Em 2007, a Assírio & Alvim reuniu essas crónicas (1982-1998) no volume Bilhetes de Colares, de A. B. Kotter, o mais conhecido dos nove livros que publicou, laureado com o Grande Prémio de Crónica da Associação Portuguesa de Escritores.

Tinha 85 anos e estava hospitalizado.

LEITURAS DO CONFINAMENTO, 2


Selected Essays [1932-1962], T. S. Eliot  / Ensaios Escolhidos

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sábado, 16 de maio de 2020

LEITURAS DO CONFINAMENTO, 1


A Perfect Spy, John Le Carré, 1986 / Um Espião Perfeito

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COVID-19


Portugal, 16 de Maio de 2020.

CRAVOS & COVID


A propósito da pandemia que a todos afecta, Amador Palacios, poeta, ensaísta, historiador do Postismo (vanguarda espanhola dos anos 1940), colunista, primeiro tradutor espanhol da minha poesia e, desde então, meu amigo, publicou hoje no suplemento Artes & Letras do jornal ABC, de Madrid, um artigo em que recorda o 25 de Abril, aproveitando para comparar o modo como, de cada lado da fronteira, temos reagido ao vírus de forma diferente.

Entre outros, Palacios traduziu Camilo Pessanha, Cesário Verde, Miguel Torga, Lêdo Ivo e Vinicius de Moraes.

Clique na imagem do ABC.

BRASIL: E VÃO DOIS


Nelson Teich, ministro brasileiro da Saúde, só aguentou 28 dias no cargo. Ontem bateu com a porta, no auge da polémica sobre o uso da cloroquina no tratamento da Covid-19. Bolsonaro não gostou das reservas do ministro expressas no Twitter e a coabitação tornou-se insustentável.

O general Eduardo Pazuello, secretário-executivo do ministério da Saúde, substituiu Teich. O seu primeiro acto foi assinar a ordem de uso massivo de cloroquina.

No Brasil, os números oficiais, que tudo indica andarem longe da realidade, registam 221 mil infectados e 15 mil mortos.

Imagem: tuítes de Nelson Teich do passado dia 12. Clique.

sexta-feira, 15 de maio de 2020

COVID-19


Portugal, 15 de Maio de 2020.

INTERCAMPUS


Sondagem Intercampus para o Negócios e o CM divulgada hoje.

PS 40,3% / PSD 23,3% / BE 9% / CHEGA 6,8% / CDU 5,9% / PAN 3,6%
/ CDS 3,6% / IL 3,2%

Em termos de popularidade, Marcelo e Costa estão empatados.

Centeno é o ministro com maior taxa de aprovação.

Clique na imagem do Expresso.

MAIS DO MESMO


Este imbróglio estava anunciado. Clique na imagem do Económico.

quinta-feira, 14 de maio de 2020

COVID-19


Portugal, 14 de Maio de 2020.

EQUÍVOCO


Elementar. Clique na imagem.

BIPOLARIDADE

Metade do país execra Sócrates por, no auge da crise das dívidas soberanas, ter alegadamente conduzido o país à beira do incumprimento.

Agora que temos as contas certas, e um ministro das Finanças respeitado dentro e fora do país, são praticamente os mesmos que pedem a cabeça de Centeno.

Nada disto surpreende. Quatro quintos dos votantes portugueses regem-se pela velha dicotomia Benfica / Sporting. A maioria vota para contrariar, muito poucos por convicções ideológicas.

Repito o já dito: os mais reaccionários dos meus amigos votam todos no BE porque, dizem eles, é a única forma de impedir uma maioria absoluta do PS. Podiam votar no PCP, ou no PSD, partidos transversais à sociedade portuguesa, com base social de apoio bem definida num caso como noutro, mas não o fazem. (Claro que tenho amigos progressistas que votam no BE, mas são uma minoria.) Isto para não falar das contradições entre mais Estado e menos Estado, querela resolvida com a eleição de um deputado liberal.

E assim sucessivamente. De repente, toda a gente exige layoff porque sim, à revelia de procedimentos mínimos. Sabendo nós como se processa o modus operandi da economia portuguesa, todo o relaxe deve ser evitado.

O melodrama à volta do “destino” de Centeno radica nesta bipolaridade.

quarta-feira, 13 de maio de 2020

CENTENO & NB


Toda a gente se lembra da noite do primeiro domingo de Agosto de 2014, quando Carlos Costa, governador do Banco de Portugal, anunciou em directo a Resolução do BES. O Grupo Espírito Santo implodia em horário nobre e das cinzas do BES nascia o Novo Banco. Nunca tal se tinha visto na Europa. Embora previsto pelo BCE, foi uma estreia absoluta. No dia seguinte ficou a saber-se que mais de metade dos ministros (era o Governo Passos & Portas) tinham assinado na praia. 

Passaram seis anos. O Fundo de Resolução, constituído pelos Bancos a operar no país, enterrou 3,9 mil milhões de euros no Novo Banco. Mas a venda ao Lone Star, em 2017, não exonerou os compromissos contratuais. Dito de outro modo, os Governos de António Costa não podem assobiar para o lado. Há poucos dias foram mais 850 milhões, devidamente inscritos no OE 2020. Mas ainda faltam mais mil milhões.

Encenar uma ópera-bufa a pretexto de uma verba inscrita no Orçamento de Estado (ou seja, um diploma escrutinado por todos os deputados, aprovado por uma maioria deles, promulgado pelo Presidente da República, referendado pelo primeiro-ministro e publicado em Diário da República), não lembra ao Diabo. Abstenho-me de comentar a polémica em torno de gaps de comunicação.

A Direita, no seu conjunto, e uma parte significativa da Esquerda, julgou ter chegado o momento de abater Centeno, que ainda esta tarde, ouvido no Parlamento, foi claro: «Os senhores fizeram na praia a mais desastrosa Resolução da história da Europa...» Rui Rio pediu a demissão do ministro das Finanças. Deputadas do BE e do CDS deram pinotes de corça. Pivôs de telejornal salivaram com o desfecho da reunião que à mesma hora juntava Centeno e o primeiro-ministro. Nenhuma destas criaturas parou para pensar nas consequências financeiras e reputacionais de um incumprimento?

Mas tudo acabou em anticlímax. Os dois abandonaram juntos a residência oficial e uma nota esclarece:

«O Primeiro-Ministro e o Ministro de Estado e das Finanças tiveram hoje uma reunião de trabalho, no quadro da preparação da próxima reunião do Eurogrupo, que terá lugar sexta-feira, e da definição e calendário de elaboração do Orçamento Suplementar que o Governo apresentará à Assembleia da República durante o mês de Junho. [...] Ficou também confirmado que as contas do Novo Banco relativas ao exercício de 2019, para além da supervisão do Banco Central Europeu, foram ainda auditadas previamente à concessão deste empréstimo. [...] Este processo de apreciação das contas do exercício de 2019 não compromete a conclusão prevista para Julho da auditoria em curso a cargo da Deloitte, relativa ao exercício de 2018, que foi determinada pelo Governo nos termos da Lei n.º 15/2019, de 12 de Fevereiro. O primeiro-ministro reafirma publicamente a sua confiança pessoal e política no Ministro de Estado e das Finanças, Mário Centeno

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COVID-19


Portugal, 13 de Maio de 2020.

terça-feira, 12 de maio de 2020

COVID-19


Portugal, 12 de Maio de 2020.

segunda-feira, 11 de maio de 2020

COVID-19


Portugal, 11 de Maio de 2020.

domingo, 10 de maio de 2020

NÃO ESQUECER

Na noite de 11 para 12 de Março, Ihor Homenyuk, cidadão ucraniano, foi torturado e assassinado nas instalações do Serviço de Estrangeiros e Fronteiras do Aeroporto de Lisboa. Foi encontrado de mãos algemadas atrás das costas, tornozelos amarrados ao corpo e calças puxadas até aos joelhos.

Encoberto durante 18 dias, o crime foi tornado conhecido no dia 29 de Março à noite, graças a uma denúncia anónima divulgada pela TVI. A embaixada da Ucrânia soube do acontecido pela televisão. No dia seguinte, foram demitidos e presos os três inspectores do SEF suspeitos de homicídio. Uma juíza mandou-os para casa em regime de prisão domiciliária.

Na noite da barbárie, durante o período em que esteve detido, «inspectores, seguranças, enfermeiros, o médico que declarou o óbito, entraram ou ficaram à porta da sala e viram-no assim...», pode ler-se no Público.

Não se sabe que medidas foram tomadas contra outro pessoal do SEF que terá testemunhado ou tido conhecimento dos factos: «[...] pelo menos mais três inspectores, entre eles um coordenador, estiveram no local. Isso mesmo mostram as imagens de videovigilância...», lê-se no Público.

Isto é muito grave, mas, aparentemente, pouca gente ficou impressionada.

SÉRGIO SANT'ANNA 1941-2020


Vítima de Covid-19 morreu hoje no Hospital Quinta d’Or, do Rio de Janeiro, o escritor brasileiro Sérgio Sant’Anna, infelizmente pouco conhecido em Portugal, não obstante ter aqui publicados alguns livros.

Embora tenha escrito romances, novelas, teatro e poesia, foi como contista que se notabilizou. Entre outros títulos, destacaria A Senhorita Simpson (1989), o volume antológico Contos e Novelas Reunidos (1997) e O Vôo da Madrugada (2003), mas também o romance As Confissões de Ralfo (1975). Quatro vezes laureado com o Prémio Jabuti, contos seus foram adaptados ao teatro e ao cinema. Tinha 78 anos.

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COVID-19


Portugal, 10 de Maio de 2020.

sábado, 9 de maio de 2020

VACINAS

O meu optimismo já conheceu melhores dias, mas, mesmo agora, não quero ser (nem parecer) pessimista. Isto para dizer que me parece mais sensato deixar de falar em vacinas para o Covid-19.

Vejamos: não há vacina para o SARS, que apareceu em 2002. Passaram 18 anos. Nem para o MERS, que apareceu em 2012. Passaram 8 anos. Recuando ao século XX, convém lembrar que ainda não existe vacina contra a SIDA, surgida em 1981. Até 2019, a SIDA matou cerca de trinta e dois milhões de pessoas.

Então por que carga de água surgiria uma vacina para o Covid-19, de preferência a tempo do Verão de 2021? Porque as televisões contratam funâmbulos para entreter a malta?

Quero acreditar que, nos próximos 12 ou 15 meses, possa ser viável uma terapêutica que minimize o Covid-19, que até ao momento infectou quatro milhões de pessoas (exactamente 4.077.936) e matou outras 280 mil em todo o mundo.

A SIDA também se tornou uma doença crónica graças aos retrovirais. É nisso que temos de acreditar. Vir à televisão prometer vacinas não me parece sério.

COVID-19


Portugal, 9 de Maio de 2020.

UK APERTA CONTROLO


Com mais de duzentos mil infectados, o Reino Unido aperta o controlo de fronteiras.

Boris Johnson explica amanhã os detalhes da “quarentena” que será imposta aos nacionais e estrangeiros que entrem no país a partir da próxima segunda-feira, dia 11. A medida inclui chegadas por comboio (o Eurostar), navio e avião.

As únicas excepções são as pessoas oriundas das ilhas anglo-normandas, da Ilha de Mann e da República da Irlanda. Todos os outros terão de preencher um formulário electrónico, com indicação de morada fixa, para efeito de controlo policial.

Clique na imagem do Times.

sexta-feira, 8 de maio de 2020

CENTENO & O FAZ


O artigo do Frankfurter Allgemeine Zeitung sobre Centeno provocou orgasmos-gêiser no comentariado de Direita. Foi penoso de ver a forma como os pivôs portugueses entraram em transe.

Segundo o jornal alemão, Centeno apresenta-se «mal-preparado nas reuniões [demonstrando] incapacidade para promover compromissos...» Insistindo na saída do ministro, que estaria interessado em trocar a presidência do Eurogrupo pela governança do Banco de Portugal, o FAZ faz o óbvio: lobby a favor de Nadia Calviño, ministra espanhola dos Assuntos Económicos.

Há meses que Espanha tenta colocar a sua ministra à frente do Eurogrupo, intenção desmentida pela própria, que não poupa elogios a Centeno.

Este tipo de campanhas faz parte do jogo político (com manobras de artilharia pesada nos canais diplomáticos). Nada de novo.

Novo, diria mesmo repelente, só mesmo a forma como a “notícia” tem sido tratada em Portugal. Vendo bem, nem isso é novo. Assim que chegou ao Governo, em Novembro de 2015, Centeno tornou-se um homem a abater. E não só pela Direita. Alguma razão haverá.

Clique na imagem do Frankfurter Allgemeine Zeitung.

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Portugal, 8 de Maio de 2020.

quinta-feira, 7 de maio de 2020

COVID-19


Portugal, 7 de Maio de 2020.

quarta-feira, 6 de maio de 2020

RECESSÃO 2020


Estamos a dar um grande trambolhão mas, se as projecções da UE para 2020 estiverem certas, só a Alemanha dará um tombo menor.

Fica o registo para conferir em Janeiro de 2021.

Clique na imagem.

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Portugal, 6 de Maio de 2020.

terça-feira, 5 de maio de 2020

REGIME DE EXCEPÇÃO?

Hoje, à saída de Belém, onde o Presidente da República os anda a receber, alguns patrões dos media (Observador, Público, Visão, DN, TSF, etc.) queixaram-se do atraso no prometido apoio, ou seja, na compra de publicidade institucional no valor de quinze milhões de euros, verba considerada insuficiente por todos.

Dispenso detalhes de mercearia. Vamos ao que interessa. São os mesmos media que, todos os dias, fazem chicana com ajustes directos na compra, pelo ministério da Saúde, de máscaras e material médico.

Os mesmos que omitem o essencial: no âmbito da pandemia, os ajustes directos para aquisição de máscaras e material médico têm cobertura legal desde, salvo erro, 18 de Março.

Portanto, qual é a pressa? Publicidade institucional não cabe na categoria de «máscaras e material médico...» Presumo que tudo se faça por concurso (com visto do Tribunal de Contas), como é de regra, e eles são os primeiros a lembrar.

NÃO É ESPANTOSO?

Foi preciso dois médicos do Hospital Universitário Paris Seine-Saint-Denis revelarem, no International Journal of Antimicrobial Agents, que o vírus chegou a França em Dezembro do ano passado, para Christian Lindmeier, porta-voz da OMS, vir hoje dizer o óbvio: «Não é surpreendente e é possível que mais casos possam ser detectados.» Ao mesmo tempo, aconselhou outros países a fazerem investigações a casos no final de 2019. É preciso lata.

Vejamos a cronologia:

06 de Janeiro — a OMS revela pela primeira vez a existência de uma nova estirpe de coronavírus, datando o seu aparecimento de 27 de Dezembro de 2019, na China. Sabe-se hoje que a data real é 17 de Novembro.

30 de Janeiro — a OMS decreta Emergência de Saúde Pública de Interesse Internacional.

11 de Fevereiro — a OMS baptiza a nova estirpe de coronavírus como SARS-CoV-2, vulgo Covid-19.

11 de Março — Com cinco mil mortos em 114 países, a OMS declara pandemia.

05 de Maio — 3,7 milhões de infectados e mais de 253 mil mortos em todo o mundo.

Um dia saberemos quem sabia o quê desde quando.

COVID-19


Portugal, 5 de Maio de 2020.