sexta-feira, 22 de março de 2019

IRLANDA & BREXIT

A RTP transmitiu ontem uma reportagem muito oportuna sobre as previsíveis consequências do Brexit na Irlanda do Norte, ou seja, nos condados que fazem parte do Reino Unido mas mantêm fronteira aberta com a República da Irlanda.

Depois de trinta anos (1968-98) de conflito sangrento, ninguém quer voltar ao passado. Só depois do Good Friday Agreement, assinado a 10 de Abril de 1998, é que a situação normalizou. Duas gerações nasceram depois do fim da guerrilha entre os separatistas e Londres. Mas os católicos continuam a querer juntar-se à República, enquanto os anglicanos permanecem fiéis a Sua Majestade. Tudo isto é de meridiana clareza.

Portanto, não se percebe a insistência na aprovação do Acordo entre a UE e o Reino Unido.

O Acordo protege a economia europeia, é verdade. Mas há muito que a economia passou a ser sinónimo de interesses financeiros globais de meia dúzia de grandes bancos e fundos soberanos, para os quais as pessoas comuns são números.

O não-Acordo, ou hard Brexit, vai com certeza causar empecilhos no imediato, mas tem a enorme vantagem de impedir o regresso dos velhos fantasmas da guerrilha urbana.

quinta-feira, 21 de março de 2019

A BEM OU A MAL


Theresa May aceitou as novas datas propostas por Bruxelas para o Brexit.

Se o Acordo for aprovado numa terceira votação, o Reino Unido pode sair a 22 de Maio (embora a França preferisse 7 de Maio).

Se for novamente chumbado, 12 de Abril é a data limite.

O tuíte de Tusk é claro. Clique.

TEMER PRESO


Michel Temer, ex-Presidente do Brasil, foi preso esta manhã em São Paulo, ao sair de casa.

Também foram presos: Moreira Franco, ex-ministro; João Batista Lima Filho, coronel da Polícia Militar e amigo íntimo de Temer; Maria Rita Fratezi, arquitecta e mulher do coronel; Othon Luiz Pinheiro, ex-presidente da Eletronuclear; e Carlos Alberto Costa, sócio de Temer.

São todos acusados de corrupção e formação de cartel no âmbito da Operação Lava Jato.

Imagem: manchete do jornal Estado de São Paulo. Clique.

MACRON & BREXIT


O Presidente francês estaria disposto a aprovar uma extensão do Brexit até 22 de Maio. Uma data posterior contará com o veto da França. Macron foi claro: Estamos prontos para uma saída sem acordo.

Entretanto, Donald Tusk já esteve hoje reunido com Theresa May. E voltou a insistir na aprovação do acordo.

Clique no tuíte de Tusk.

LUIZA


Hoje, Dia Mundial da Poesia, quero lembrar Luiza Neto Jorge (1939-1989), mulher e poeta maior, sem salões, sem genealogia no Gotha, mas senhora de Obra ímpar.

O POEMA ENSINA A CAIR

O poema ensina a cair 
sobre os vários solos 
desde perder o chão repentino sob os pés 
como se perde os sentidos numa 
queda de amor, ao encontro 
do cabo onde a terra abate e 
a fecunda ausência excede 

até à queda vinda 
da lenta volúpia de cair, 
quando a face atinge o solo 
numa curva delgada subtil 
uma vénia a ninguém de especial 
ou especialmente a nós uma homenagem 
póstuma

[in O Seu a Seu Tempo, 1966]

NOVE LIVROS


Hoje na Sábado.

Com as livrarias entupidas, há que fazer contas e escolhas. Escolhi nove títulos: obras de Edward St Aubyn, Natalia Ginzburg, Artur Domoslawski, Alice Brito, Fernando Assis Pacheco, Marianne Moore, Lucia Berlin, Nuno Júdice e António Sousa Homem.

Edward St Aubyn (n. 1960), o romancista inglês mais fulgurante da sua geração, faz com Dunbar e as suas filhas a versão contemporânea dessa tragédia familiar que é o Lear de Shakespeare. Depois do quinteto Melrose parecia impossível manter a fasquia, mas St Aubyn chega lá. Henry Dunbar, CEO absoluto de uma multinacional de comunicação (alegoria de Murdoch?), enclausurado pela família numa residência sénior para bilionários, atolado em psicofármacos, consegue fugir, mas não recupera o poder global. Como sempre, St Aubyn é virtuoso na forma como descreve as personagens, os estados de espírito e as planícies geladas do Lake District. Notável. Cinco estrelas. Publicou a Bertrand.

A italiana Natalia Ginzburg (1916-1991), que andava desaparecida das livrarias portuguesas, regressa com Léxico Familiar, obra-chave desta autora que quis que lêssemos a história da sua família como um romance. O livro acompanha os anos da ascensão do fascismo italiano, as leis raciais de Mussolini e a Segunda Guerra Mundial. Os Levi são judeus, Natalia é a mais nova de cinco irmãos. Por sua casa, em Turim, passaram os amigos, intelectuais e poetas, entre eles Pavese. A escrita seca recupera os fulgores da adolescência, as ignomínias da guerra, os combates ideológicos, as dúvidas (América ou Palestina?), em suma, a vida como ela foi. Quatro estrelas. Publicou a Relógio d’Água.

Um dos jornalistas mais célebres do século XX  foi o polaco Ryszard Kapuscinski (1932-2007), autor de livros que foram bestsellers planetários. Mas, como demonstrado na biografia escrita por Artur Domoslawski — Kapuscinski. Uma Vida —, o seu percurso está cheio de zonas de sombra. Domoslawski entrevistou a viúva, que tentou evitar a publicação do livro, incomodada com os detalhes sobre a vida privada de ambos (os casos extra-conjugais) e o facto de Kapuscinski ter sido agente activo dos serviços secretos polacos. A grande surpresa surge com a revelação de que muitos ‘factos’ eram efabulados: as amizades com Che Guevara, Allende e Lumumba; a presença na Praça de Tlatelolco, na Cidade do México, durante o massacre de 1968; a história de como o pai ‘escapou’ ao massacre de Katyn, etc. Kapuscinski defendia-se argumentando com a liberdade do jornalismo literário…  Quatro estrelas. Publicou a Assírio & Alvim.

Todos sabemos que Alice Brito (n. 1954) é uma escritora comprometida com a denúncia do tempo ominoso do fascismo: «Mas será que tem que se escrever […] sobre esta porra de existência que nos aconteceu?» Advogada, feminista e activista política, a nitidez da voz autoral traz com ela a vantagem suplementar da oralidade bem calibrada. A Noite Passada dá testemunho do país acabrunhado dos anos 1950-70, a queda do Estado Novo, os “desacertos” de Setúbal, cidade-palco do romance e, por fim, a ressaca  do 25 de Novembro de 1975. Alice Brito é muito hábil na forma como manipula o fluxo da consciência, encadeando factos reais ou imaginados: subalternidade das mulheres, gravidez fora do casamento, violência, delação, miséria, ignomínia da polícia política, guerra, traição. Quatro estrelas. Publicou a Planeta.

Nunca é de mais sublinhar a importância de Fernando Assis Pacheco (1937-1995) no contexto da poesia portuguesa do século XX. Mantendo o título original, A Musa Irregular, a edição aumentada da sua obra poética, organizada por Abel Barros Baptista, colige os dez livros publicados em vida, o Lote de Salvados que fechava o volume de 1991, o livro póstumo Respiração Assistida, apenas publicado em 2003, bem como um Suplemento ao Lote de Salvados, secção que inclui dez poemas-colagem, mas também inéditos e dispersos. Subsumindo o melhor da tradição, Assis Pacheco fez a síntese do classicismo com o modernismo, a declinação surrealista, o discurso fescenino, formas versificatórias próximas da cantiga popular e, formando um núcleo de grande exigência, os poemas da guerra colonial. Manuel Gusmão assina o posfácio. Cinco estrelas. Publicou a Tinta da China.

Graças a Rui Knopfli, descobri Marianne Moore (1887-1972) há perto de cinquenta anos. Agora, Margarida Vale de Gato acrescentou O Pangolim e Outros Poemas à língua portuguesa. Antologia bilingue, a tradutora ilumina a poesia daquela que considera ser «a mais persistente e porventura mais notável voz feminina» do modernismo americano. O gosto pelas aulas de biologia e histologia reflectiu-se no universo imagético, fundindo realidades díspares. Por exemplo, ornitologia, baseball e crustáceos: «caranguejos como lírios / verdes e submarinos / fungos, roçam como juncos.» A consagração chegou em 1951, quando Collected Poems recebeu os três prémios literários de maior prestígio nos Estados Unidos: o Pulitzer, o Bollingen e o National Book Award. Imprescindível. Cinco estrelas. Publicou a Relógio d'Água.

No texto que serve de prefácio à coletânea de contos Anoitecer no paraíso, Mark Berlin explica o que foi a vida da mãe, Lucia Berlin (1936-2004), outsider dos círculos institucionais da comunidade literária americana até à publicação do livro póstumo Manual para Mulheres de Limpeza, publicado onze anos após a sua morte. A vida (alcoolismo, toxicodependência, nomadismo) explica a obra, e é desse magma, mais tarde agravado pela doença, que Lucia extrai histórias prodigiosas, como são, entre outras, “Por vezes, no Verão”, “Anoitecer no paraíso”, “As esposas” ou “Pony Bar, Oakland”. Quatro estrelas. Publicou a Alfaguara.

Autor de uma obra extensa e poeta consagrado, Nuno Júdice (n. 1949) continua a publicar ficção, género em que O Café de Lenine é o título mais recente. Trata-se de uma novela que, a partir de clássicos da literatura universal, põe em pauta o presente. Sirvam de exemplo Madame Bovary, de Flaubert, e A Cartuxa de Parma, de Stendhal. Um divertissement culto com ecos do imaginário “surrealista”, forma enviesada de classificar uma narrativa suportada em personagens e factos concretos, directa ou indirectamente citados, tais como Lenine, Camões, Eça, Dante, Lispector, a Primeira República, o rendimento social de inserção, o ofício de escritor e outras derivas. Não é para qualquer um, mas Júdice consegue. Quatro estrelas. Publicou a Dom Quixote.

António Sousa Homem, heterónimo de um conhecido escritor, deu à estampa mais uma compilação das suas crónicas — O Crepúsculo em Moledo. Acabado de sair dos prelos, com prefácio de João Pereira Coutinho, constitui a quarta colectânea de crónicas deste “reaccionário minhoto”, guardião dos pergaminhos de Moledo, advogado e botânico, porventura o derradeiro miguelista. Numa prosa irrepreensível, Sousa Homem ilustra o presente à luz da tradição histórica: «A verdade é que nunca fomos liberais. Temos um problema grave com o dicionárioQuatro estrelas. Publicou a Porto Editora.

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quarta-feira, 20 de março de 2019

TUSK ENCOSTA LONDRES À PAREDE


Theresa May escreveu a Donald Tusk solicitando um curto adiamento do Brexit. Em vez de 29 de Março, seria 30 de Junho.

Em resposta, o presidente do Conselho Europeu considera que, embora crie uma série de questões de natureza legal e política, a prorrogação curta seria de considerar se os Comuns aprovarem o acordo estabelecido com a UE. Se os Comuns aprovarem o Acordo rejeitado duas vezes...

Excerto da carta de Tusk: «In the light of the consultations that I have been conducting over the past days, I believe that we could consider a short extension conditional on a positive vote on the withdrawal agreement in the House of Commons. The question remains open as to the duration of such an extension. Prime Minister May’s proposal, of the 30th of June, which has its merits, creates a series of questions of a legal and political nature. We will discuss it in detail tomorrow. When it comes to the approval of the Strasbourg agreement, I believe that this is possible, and in my view it does not create risks. Especially if it were to help the ratification process in the UK

A prorrogação teria de ser aprovada por unanimidade. Mas, além da Itália e da Polónia, também a França, Espanha e a Bélgica fizeram hoje saber que se opõem ao adiamento do Brexit.

Face ao ultimato (não se pode chamar outra coisa à posição, a meu ver correcta, de Tusk), John Bercow, que tinha proibido uma terceira votação do mesmo diploma, acedeu a que ela se faça, com carácter de urgência, ainda hoje. Já começou.

Theresa May ainda não chegou a Westminster e fala ao país às 20 horas.

Adivinha-se uma noite longa nos Comuns.

Clique na imagem do Guardian.

TORGA EM ESPANHOL


A Editorial da Extremadura, de Cáceres, tem uma colecção de autores de língua portuguesa. Chama-se Letras Portuguesas e, entre outros, inclui títulos de Eduardo Lourenço, José Gil, António Lobo Antunes, Nuno Júdice, Fernando Pinto do Amaral, Rosa Maria Martelo, bem como uma antologia da minha poesia, Y Si Todo de Repente? (2011), traduzida por Antonio Saez Delgado.

Chegou a vez de Miguel Torga. Amador Palacios, que foi o meu primeiro tradutor em Espanha, e já traduziu, entre outros, Cesário, Pessanha e Al Berto, deu agora à estampa um volume de 64 poemas: os 46 que surgem no primeiro volume do Diário acrescidos das 18 odes do terceiro volume. A uma primeira leitura, as traduções estão à altura do autor de Criação do Mundo.

Los primeros poemas del Diário / Odas foi ontem lançado no Instituto Cervantes de Lisboa, com apresentação de Javier Rioyo e Francisco Javier Amaya. Amador Palacios também falou, e leu alguns poemas. No fim, Teresa Rita Lopes, que estava presente, contou uma experiência sua relacionada com as idiossincrasias de Torga.

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segunda-feira, 18 de março de 2019

BEIRA DESTRUÍDA


Estive a ver imagens da cidade da Beira após a passagem do Idai, o ciclone que atravessou o Malawi, o Zimbabwe (antiga Rodésia do Sul) e a província de Sofala, no centro de Moçambique.

Na Beira, que actualmente tem meio milhão de habitantes, e ficou com 90% da área urbanizada destruída, residem cerca de dois mil portugueses. No centro, o número de mortos é de cerca de cem, mas nas periferias e no conjunto da província de Sofala serão aos milhares, estando mais de cem mil pessoas em risco de vida. Por estarem submersas, dezenas de aldeias desapareceram do mapa, pontes e estradas abateram com a força das chuvas e da água dos rios, em especial o Púngué.

No conjunto dos três países atingidos pelo Idai, o número de vítimas é superior a um milhão e meio.

Uma tragédia.

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AXIMAGE


Sondagem Aximage divulgada hoje no Correio da Manhã e no Negócios.

Maioria de Esquerda = 52,3%. Sozinho, o PS ultrapassa o PSD em 12,4%. E a PAF (PSD+CDS) em 2,7%. Com 9,7% o CDS volta a ser o terceiro partido. O PAN obtém 2,2% e a ALIANÇA (Santana) 1,8%.

Imagem: Negócios. Clique.

domingo, 17 de março de 2019

O MISTÉRIO


Existe um mistério em Portugal, acentuado pelo descaso do Estado, a abulia dos trabalhadores e a indiferença dos media, para quem a questão é um não-assunto.

Como sobrevivem os reformados da Segurança Social entre o momento em que, por vontade própria ou imposição da Lei, entram na situação de reforma, e o momento em que começam a receber a pensão a que têm direito?

A pergunta não é retórica. E também se aplica aos que, por morte do cônjuge, têm direito a pensão de sobrevivência.

Neste momento, o intervalo é de um ano. UM ANO. Como é que, durante doze meses, sobrevive o trabalhador na situação de reforma sem pensão atribuída? Ou o cônjuge sobrevivo?

Como é que essas pessoas honram os encargos com a habitação, com os fornecedores de água, electricidade e gás, com os operadores de comunicações fixas, móveis e de internet, com o Serviço Nacional de Saúde (as taxas moderadoras não foram abolidas, as consultas não são gratuitas), com o uso de medicina privada, com a farmácia, com os seguros obrigatórios, com as despesas dos ascendentes a cargo, com a Autoridade Fiscal, com a alimentação? Como? Alguém me consegue explicar?

A bengada do cônjuge que continua no activo, ou já tem pensão atribuída, não serve de argumento. E quem não tem cônjuge?

Verdade que o pagamento dos retroactivos está garantido, mas isso não resolve a questão.

Um grande mistério. 

Algumas grandes empresas (muito poucas) têm fundos de reforma. Continuam a pagar aos trabalhadores como se estivessem no activo, efectuando o acerto no momento em que a Segurança Social liberta a pensão. Mas isso não acontece em 99% do mundo laboral.

Como é, então? Como é que esta situação ainda não provocou tumulto geral?

FREI LUÍS DE SOUSA


Acontece com o Frei Luís de Sousa de Almeida Garrett, epítome do drama romântico, o mesmo que acontece com os Lusíadas, poema épico por excelência. Décadas de leituras enviesadas erigiram uma barragem de anticorpos.

Quem teve de aturar professores tacanhos, tal como quem viu o filme que António Lopes Ribeiro fez em 1950 (vi muito mais tarde na televisão), jurou não voltar a ver a peça que põe em pauta o casamento “ilegítimo” de D. Manuel de Sousa Coutinho, capitão-mor de Almada, com D. Madalena de Vilhena, alegada “viúva” de D. João de Portugal. Tudo se passa no fim do século XVI, quando, por força da crise dinástica, Filipe II de Espanha era rei de Portugal,

Almeida Garrett escreveu Frei Luís de Sousa em 1843, após a morte de Adelaide Pastor, com quem viveu entre 1835 e 1839, embora continuasse casado com Luísa Cândida da Silva Midosi. Garrett e Adelaide, falecida com 21 anos, tiveram uma filha tão problemática como a Maria da peça. A vida de D. Manuel de Sousa Coutinho, mais tarde Frei Luís de Sousa, autor canónico do século XVII, serviu de pretexto para recriar o drama pessoal do autor.

Isto pode ter muitas leituras. Miguel Loureiro fez a dele numa encenação brilhante, enriquecida pelo trabalho de luz de José Álvaro Correia, a cenografia de André Guedes, os figurinos de José António Tenente e, last but not least, as interpretações de Álvaro Correia, Ângelo Torres (um Telmo inesperado e magnífico), Carolina Amaral, Gustavo Salvador Rebelo, João Grosso, Maria Duarte, Rita Rocha, Sílvio Vieira e Tónan Quito. Gonçalo Ferreira de Almeida é o assistente de encenação. A música que encerra os actos não podia ter sido melhor escolhida.

Vi as versões de Ricardo Pais (1979) e de Carlos Avillez (1999), mas não gostei absolutamente nada da primeira (um patchwork de Garrett, Alexandre O'Neill e Maria Velho da Costa), nem me entusiasmei com a segunda. As que foram feitas nos últimos vinte anos não vi.

Miguel Loureiro reconciliou-me com o texto, belíssimo, mas só agora — a dicção dos actores é decisiva — isso me foi evidente. A clareza do texto é o princípio de tudo e talvez seja por isso que este Frei Luís de Sousa nos interpela.

Parabéns a toda a equipa e ao Miguel Loureiro em particular.

A foto é de Filipe Ferreira. Clique.

sábado, 16 de março de 2019

INSCRIÇÃO, OF COURSE


Numa altura em que, acerca do estado do mundo, em geral, e da situação política portuguesa em especial, ninguém sabe o que pensam os artistas, os escritores e os intelectuais portugueses com visibilidade mediática, este statement de Leonor Antunes, a artista plástica escolhida para representar Portugal na Bienal de Veneza deste ano, é eloquente:

«A situação no mundo é bastante triste, com países que se estão a tornar regimes fascistas e populistas. Se tivéssemos um regime diferente, de direita, eu nunca teria aceitado o convite. [...] A situação que vivemos é muito grave. Vivo em Berlim, o governo não é assim tão desinteressante, mas a extrema-direita está no parlamento e era uma voz até há muito pouco tempo proibida, digamos. Sou uma estrangeira que vive em Berlim e não são esses os valores que quero dar à minha filha. Se estivesse o PSD ou o CDS no governo, eu não aceitaria. Embora sejam partidos democráticos, defendem valores em que não acredito

Leonor Antunes está muito acima do patamar partidário, não havia necessidade, mas a frontalidade (a inscrição) é de louvar.

Passou-se isto durante a conferência de imprensa em que foi anunciada a sua escolha entre dezasseis artistas a concurso, doze homens e quatro mulheres, escolha feita por um júri constituído por Cristina Góis Amorim, Nuno Moura, Catarina Rosendo, Jürgen Bock e Sérgio Mah.

A Direita já começou a dar pinotes. Nuno Melo exige a sua cabeça: Tem que ser substituída. Nonsense. Barreto Xavier esperneou.

Leonor Antunes tem 47 anos, vive em Berlim desde 2005, e obras suas fazem parte das colecções de museus importantes em vários países: Reino Unido, Alemanha, França, Espanha, Brasil, México e Estados Unidos. Em Portugal pode ser vista na Gulbenkian e em Serralves.

O trabalho que vai apresentar em Veneza, Uma costura, uma superfície, uma dobradiça e um nó, será exposto no Palazzo Giustinian Lolin, exposição comissariada por João Ribas, antigo director artístico de Serralves.

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sexta-feira, 15 de março de 2019

MASSACRE NA NOVA ZELÂNDIA


Quatro terroristas brancos, supremacistas, atacaram duas mesquitas na cidade de Christchurch (seiscentos mil habitantes), na ilha Sul da Nova Zelândia.

Até ao momento estão confirmados 49 mortos e mais de 50 feridos em estado grave. As duas mesquitas estão separadas uma da outra por pouco mais de seis quilómetros. A maioria dos mortos (41) estava na mesquita de Deans Avenue.

Através de Patsy Reddy, governadora-geral da Nova Zelândia, Isabel II (a rainha) tem estado a acompanhar a situação.

Antes do massacre, o australiano Brenton Tarrant, membro do bando terrorista, escreveu no Twitter um statement de ódio: ‘The Great Replacement’. Deduz-se das suas palavras que o ataque visou vingar a condenação a prisão perpétua de Darren Osborne, autor do ataque à mesquita de Finsbury Park, em Londres (2017).

A equipa de críquete do Bangladesh, que está em Christchurch e se preparava para a ir a uma das mesquitas, encontra-se sob fortes medidas de segurança.

Dois sinais preocupantes: o porta-voz da polícia local diz que a culpa é das fronteiras abertas à imigração; os media neo-zelandezes não utilizam palavras como terrorismo e terroristas.

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quinta-feira, 14 de março de 2019

FOLHETIM BREXIT


Continuam as votações em Westminster, que hoje começaram mais cedo.

Por 334 votos contra 85, foi rejeitada a hipótese de um segundo referendo. Ainda se usa o termo cabazada? Entre os 334 que votaram contra a hipótese de um segundo referendo, estão 18 deputados trabalhistas (a maioria dos trabalhistas absteve-se).

Por 412 votos contra 202, foi aprovada uma moção para estender o art.º 50 até 30 de Junho. Para surpresa de todos, Steve Baker foi um dos que votou contra. E explica porquê no Twitter.

Por 314 votos contra 312, foi chumbada a tentativa de tirar o Brexit das mãos do Governo, entregando o processo aos Comuns. Por apenas dois votos, Theresa May não perdeu o controlo do Brexit.

Agora resta saber se os 27 estão dispostos a prorrogar o Brexit até 30 de Junho. Em princípio, a Itália e a Polónia vão vetar. E Bruxelas já fez saber que o pedido tem que ser muito bem fundamentado: não é automático.

Clique no tuíte de Steve Baker.

RICHARD ZIMLER


Hoje na Sábado escrevo sobre Os Dez Espelhos de Benjamin Zarco, o romance mais recente do ciclo sefardita de Richard Zimler (n. 1956). O Holocausto continua a ser um dos temas centrais da obra do autor. Trata-se de ficcionar a “culpa” sentida por Benjamin e seu primo Shelley, dois sobreviventes que carregam o peso desse acto de transgressão (a sobrevivência em si mesma). O ponto não é despiciendo: houve quem sobrevivesse aos campos e fosse morto no regresso a casa. Citado de passagem a pretexto da relação amorosa de George com Shelley, o pogrom de Kielce (Polónia), ocorrido em 1946, é eloquente. Para quem vê de fora, parece estranho, mas Zimler dilucida a questão, manipulando com desenvoltura as várias personagens e os tempos da história. Dividida em seis capítulos, a narrativa vai de 1944 a 2018. Uma das chaves encontra-se num manuscrito do século XVI que só na actualidade, depois de lido, esclarece parte do sentido do plot. A fechar, um glossário hebraico/português ajuda o leitor interessado nos interstícios da intriga. Quatro estrelas. Publicou a Porto Editora.

COMER O BOLO E FICAR COM ELE


A esquizofrenia dos parlamentares britânicos ultrapassou todos os limites. Ontem, em duas votações diferentes, rejeitaram o hard Brexit, ou seja, uma saída sem acordo. A primeira votação incidiu sobre o diploma do Governo, chumbada por 312 votos contra 308. Chumbo à tangente. Mas uma segunda votação, incidindo já sobre a nova redacção do diploma (a denominada emenda Spelman), teve resultado mais folgado: 321 votos contra 278. Também rejeitaram uma extensão do art.º 50 até 22 de Maio.

Os cavalheiros e as cavalheiras querem comer o bolo e ficar com o bolo.

Hoje é o terceiro capítulo. Theresa May vai tentar aprovar uma pequena prorrogação técnica do art.º 50, que vigoraria até 30 de Junho, mas Bruxelas já fez saber que o pedido teria que ser muito bem fundamentado. E, claro, aprovado por unanimidade pelos outros 27 Estados-membros, tarefa difícil, porque tanto a Itália como a Polónia tencionam vetar a extensão.

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quarta-feira, 13 de março de 2019

ATÉ QUANDO?


Em vez de se preocupar com publicidade partidária em períodos de campanha eleitoral, um disparate sem classificação, a Comissão Nacional de Eleições devia sensibilizar as autarquias a removerem do espaço público os outdoors gigantes que abastardam o espaço público.

Em Lisboa, sirvam de exemplo o Marquês de Pombal, o Saldanha, o Campo Pequeno, Entrecampos, a Praça de Espanha e outras áreas nobres da cidade.

Para não ferir nenhuma sensibilidade ideológica, e todas estão representadas em Lisboa (incluindo proto-partidos ainda não legalizados), a imagem reporta a um anúncio comercial, o qual não faz sentido ter aquelas dimensões.

Será que queremos, como gente insuspeita quis em 1974-75, ser iguais à Albânia?

TAXA ZERO


Para obviar à desordem aduaneira que se prevê após um Brexit sem acordo, o Reino Unido vai manter em zero as taxas de 87% dos produtos importados de países da UE. Os 13% não contemplados incluem carne de bovino, atum em lata, calçado, vestuário, lingerie masculina e feminina em fibra sintética e automóveis.

Com carácter temporário, a medida visa evitar duas coisas. Primeiro, o choque imediato que representaria o previsto acréscimo de nove mil milhões de libras junto dos importadores britânicos. Segundo, impedir a Irlanda do Norte de transformar-se num paraíso de contrabandistas.

Clique na imagem do Guardian.

terça-feira, 12 de março de 2019

BREXIT AGAIN


Por 391 contra 242 votos, o Parlamento britânico chumbou novamente o acordo de saída controlada da UE.

A questão da fronteira da Irlanda do Norte, parte integrante do Reino Unido, com a República da Irlanda, continua a ser a pedra no sapato dos parlamentares.

Face à derrota, os Comuns votam amanhã duas opções: sair sem nenhum acordo (a forma mais sensata de resolver o assunto), ou pedir uma extensão curta do art.º 50.

Patético como sempre, Corbyn, o líder trabalhista, exorta os deputados a aprovarem a sua opção sugar-Brexit.

Imagem de Theresa May após a divulgação do resultado. Clique.

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No momento em que a sociedade se confronta com o sexo clandestino dos padres, a história de Amaro e Amélia (com aborto pelo meio) vem muito a propósito.

Em 2008, adaptei para os mais novos O Crime do Padre Amaro, de Eça de Queiroz. A segunda edição do livro foi agora posta à venda, ao preço imbatível de 4 euros por exemplar, por se tratar de uma edição exclusiva para o Pingo Doce, editada pela Glaciar de Jorge Reis-Sá.

Mantém as ilustrações originais de Carla Nazareth — razão determinante para ter autorizado a reedição —, que são magníficas. Difere da edição de há 11 anos pelas dimensões: 25cmx23cm em 2008, 20cmx20cm actualmente. Capa dura e grafismo limpo.

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domingo, 10 de março de 2019

LIA EM ALTA DEFINIÇÃO


Lia Gama foi a entrevistada de ontem no programa Alta Definição, do jornalista Daniel Oliveira, na SIC. Vi agora. Um daqueles momentos raros de televisão.

Lia, que no próximo dia 24 vai receber o prémio Sophia Carreira (assunto omisso da conversa), expõe a sua vida com uma naturalidade desarmante, por vezes crua: violência doméstica na infância, maioridade aos 13, Paris, vigilância da Pide, o teatro, o dedo amputado do fotógrafo Sérgio Guimarães, outros amores, noitadas, bezanas, o casamento, os meses de Angola nos anos de brasa da guerra colonial, o filho, a disciplina do actor, a solidão.

Conheci a Lia em Lourenço Marques, no dia do meu 21.º aniversário (1970), em circunstâncias peculiares. Ainda há três dias estivemos juntos, a rir-nos muito, mas ela foi incapaz de mencionar que estava para sair a entrevista, tal como, na conversa com Daniel Oliveira, não faz referência aos autores que interpretou, e foram alguns dos maiores (Shakespeare, Gorki, Beckett, Genet, Sartre, Fassbinder, Gombrowicz e outros), nem aos encenadores com quem trabalhou, e também aí podia ter puxado dos galões, porque trabalhou com toda a gente que importa. Quem a ouvir, parece que só fez teatro de boulevard na companhia de Vasco Morgado. Também não fala dos filmes, e foram tantos, de realizadores tão diferentes como Manoel de Oliveira, Fernando Lopes, Fonseca e Costa, Solveig Nordlund, Alberto Seixas Santos, Joaquim Leitão, Alain Tanner e outros. Nenhuma pose, apenas a vida como ela tem sido. Vale a pena ir ver.

Na imagem, Lia Gama fotografada por Jorge Gonçalves durante a representação de Aos Que Nasceram Depois de Nós, de Brecht, dirigida por Jorge Silva Melo para os Artistas Unidos e Companhia de Teatro de Braga, em 1998.

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sábado, 9 de março de 2019

LIBERDADES & GARANTIAS LGBT


Num total de 197 países, Portugal, a Suécia e o Canadá são os países mais amigáveis ​​e seguros para as pessoas LGBT viajarem.

Portugal passou do 27.º para o primeiro lugar.

A Índia passou de 104.º para 57.º (enquanto a França desceu onze posições). Devido ao aumento da violência homofóbica, a situação também piorou na Alemanha, que caiu da 3.ª para a 23.ª posição, no Brasil e nos Estados Unidos.

Os países mais perigosos são Arábia Saudita, o Irão, a Rússia, a Somália e a Tchetchênia.

O Spartacus Gay Travel Index utiliza catorze critérios em três categorias. A primeira categoria reporta a direitos civis: idade de consentimento, casamento e adopção entre pessoas do mesmo sexo, leis anti-ódio, paridade legislativa com os heterossexuais e outras. A segunda categoria inclui restrições de viagem para pessoas seropositivas, proibição de marchas de orgulho gay e outro tipo de manifestações. A terceira categoria analisa ameaças de perseguição, sentenças de prisão e pena de morte.

As fontes são creditadas pela Human Rights Watch, a campanha “Free & Equal” da ONU, bem como informações oficiosas sobre violações de direitos humanos contra membros da comunidade LGBT.

Clique na imagem para ler.

sexta-feira, 8 de março de 2019

SONDAGEM EXPRESSO/SIC


A sondagem do ICS/ISCTE, com trabalho de campo feito pela GfK Metris, para o Expresso e a SIC, diz-nos que somando o PS (37%) ao BE (8%) e à CDU (8%) existe uma maioria de Esquerda de 53%.

A PAF [PSD+CDS] soma 33%. O partido de Santana, a ALIANÇA, obtém 2%.

Diz mais: 54% dos inquiridos considera que o Governo de António Costa está a fazer um bom trabalho.

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quinta-feira, 7 de março de 2019

EBA VAI PARA PARIS

Nathalie Loiseau, ministra francesa dos Assuntos Europeus, confirmou esta manhã a mudança da sede da EBA de Londres para Paris. A EBA — European Banking Authority —, órgão regulador dos bancos da UE, vai ocupar os andares superiores da Torre Europlaza, localizada na Défense.

A decisão tem efeitos práticos a partir de 29 de Março próximo, mas os cerca de 160 funcionários têm até Junho um prazo para a recolocação. Paris foi escolhida após um inquérito efectuado juntos dos mais importantes bancos europeus.

terça-feira, 5 de março de 2019

PRITZKER 2019


Vemos aqui um ângulo do Weill Cornell Medical College, no Qatar, obra de 2004 do arquitecto japonês Arata Isozaki, 87 anos, o mais recente laureado com o Prémio Pritzker.

Quem não possa ir tão longe, encontra obras suas na Coruña, em Bilbao, Barcelona, Milão e outras cidades europeias.

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segunda-feira, 4 de março de 2019

GUAIDÓ VOLTOU


Aguardado por treze embaixadores — sete de países do Grupo de Lima, seis de países da União Europeia, um deles o de Portugal —, Guaidó desembarcou esta tarde em Caracas.

Clique no tuíte do autoproclamado Presidente interino da Venezuela.

FOLHETIM PEDRÓGÃO GRANDE

Numa entrevista hoje publicada no Diário de Notícias, Valdemar Alves, presidente da Câmara de Pedrógão Grande, diz estar convencido de ter feito «tudo bem dentro da lei». Não é uma certeza, é um convencimento. Diz mais: «Tenho a consciência tranquila, não fiquei com um cêntimo de ninguém.» Não terá ficado, mas não é isso que está em causa. Também não percebe a razão pela qual foi constituído arguido.

Sucessivas reportagens de Ana Leal, na TVI, têm ilustrado o desnorte do autarca e o modus operandi da sua camarilha. Mas não só. A Cruz Vermelha Portuguesa não sai ilesa do retrato.

Afinal, quem responde pela incúria? Por que razão continuam por distribuir os 360 mil euros de donativos (em dinheiro depositado no BPI) de particulares?

Por que razão continuam armazenados e a degradar-se os bens que deviam ter sido distribuídos há 20 meses?

As reportagens da TVI são eloquentes. Foram reconstruídas cerca de 150 casas, mas nem todas eram de primeira habitação, como a lei prescreve, tendo algumas sido construídas em lugares onde, antes dos incêndios, repito, ANTES dos incêndios, só existiam ruínas.

No passado 28 de Fevereiro, Ana Leal entrevistou Francisco George, antigo director-geral da Saúde e actual presidente da Cruz Vermelha Portuguesa. Balbúrdia total, com o entrevistado a pôr um fim violento aos ‘esclarecimentos’. Ficámos sem saber quem tinha mandado demolir, e porquê, uma habitação em fase de reconstrução. Lembrar que estão por reconstruir cerca de 30 primeiras habitações.

Face a toda esta trapalhada, causa perplexidade o facto de Valdemar Alves continuar à frente da autarquia. Também é muito estranho que nenhum media ‘de referência’ tenha entrevistado Francisco George. Um alto funcionário (como é o presidente da Cruz Vermelha Portuguesa) não pode, como fez George, arrogar-se o direito de falar off the record. Pode recusar entrevistas, claro que sim. Mas, uma vez concedida, o mais que pode é ficar pelo ‘não comento’.

Fui só eu que fiquei admirado com o silêncio dos media à peixeirada de 28 de Fevereiro? Será que o DN, agora que entrevistou Valdemar Alves, tenciona ouvir o que Francisco George não disse na televisão?

PE


Sondagem da Aximage para as eleições europeias, divulgada hoje no Negócios e no CM.

Treze eurodeputados para a Esquerda, oito para a Direita.

Clique no gráfico do Negócios.

sábado, 2 de março de 2019

VIOLÊNCIA DOMÉSTICA


O Presidente da República promulgou ontem o decreto do Governo que declara Dia de Luto Nacional Pelas Vítimas de Violência Doméstica o dia 7 de Março.

Exarou Marcelo: «Mais do que mero ato simbólico, o luto ora decretado significa maior mobilização nacional, incluindo todos os Órgãos de Soberania, no combate a este flagelo da nossa sociedade...»

Proposto por Mariana Vieira da Silva, ministra da Presidência e da Modernização Administrativa, o diploma foi aprovado anteontem em Conselho de Ministros. Uma equipa técnica, multidisciplinar, coordenada pelo procurador Rui do Carmo, foi mandatada para apresentar propostas concretas em matéria de violência doméstica. A primeira reunião ocorre no próximo dia 7.

E que tal começar por uma proposta de alteração do Código Penal na parte atinente ao crime de violência doméstica, seja ela física ou psicológica?

sexta-feira, 1 de março de 2019

PE


Vale o que vale. Uma sondagem divulgada hoje pelo Parlamento Europeu (a parte portuguesa foi trabalhada pela Aximage) prevê:

— subida do PS de 8 para 10 eurodeputados;
— subida do BE de 1 para 2 eurodeputados;
— queda da CDU, que ficaria apenas com um eurodeputado; 
— estagnação do PSD e do CDS;
— e, sem surpresa, desaparecimento do MPT.

Nem o PAN nem a ALIANÇA conseguiriam ter representação.

Clique na imagem da RTP.

AGUSTINA POR ISABEL RIO NOVO


Por norma, não comento livros antes de sobre eles escrever em sede própria. Abro uma excepção para assinalar a publicação de O Poço e a Estrada, a biografia de Agustina Bessa-Luís escrita por Isabel Rio Novo. Porquê a excepção? Porque o livro é muito bom.

Em 503 páginas — sendo 80 de Notas e 7 de índice remissivo —, Isabel Rio Novo faz o retrato de uma vida. Que o tenha feito sem acesso aos arquivos pessoais de Agustina (a família recusou), facto que provavelmente explicará a ausência de portfolio fotográfico, e, mesmo assim, tenha atingido tamanho grau de conseguimento, dá a medida da seriedade da obra.

Escrita num registo de grande desenvoltura narrativa, trata-se de uma verdadeira biografia: factos, datas, endereços, nomes, genealogias, a figura tutelar do Pai, interditos, correspondência, entrevistas, depoimentos, equívocos e tensões familiares, petite histoire, zonas de sombra, milieu literário do Porto e de Lisboa, close reading da obra agustiniana, etc., nada fica de fora.

Conhecia algum do anedotário citado, mas foram-me grata surpresa as páginas dedicadas ao Norte, em especial à Póvoa dos anos 1930. Lê-se como um romance, mas não é um romance. É uma biografia como deve ser.

Eu teria acrescentado a bibliografia de Agustina, mas esse é o tipo de ‘falha’ que pode (e deve) resolver-se em próxima edição ou simples reimpressão.

O Poço e a Estrada suscita um problema: fica muito alta a fasquia para os outros títulos já anunciados (as biografias de Natália Correia, José Cardoso Pires, Herberto Helder, Amália, etc.) pela Contraponto. A ver vamos.

quinta-feira, 28 de fevereiro de 2019

VERGNE CAIU DO CÉU?


Quase 24 horas depois de se saber que Serralves tinha um novo director, o francês Philippe Vergne, não vejo ninguém fazer as perguntas óbvias:

— por que razão não foi aberto concurso público internacional para escolher o sucessor de João Ribas?

— por que razão foi escolhido o director de um museu que anunciou publicamente, em Maio do ano passado, não tencionar dar continuidade ao contrato desse director?

— por que razão o MOCA anunciou a cessação do contrato de Philippe Vergne dois meses depois do controverso despedimento de Helen Molesworth (a curadora-chefe que Vergne afastou)?

Serralves não é um museu qualquer. Os media e o Porto, por esta ordem, não têm necessidade de ficar ‘deslumbrados’ com a contratação de um director que vem da Califórnia, o qual, em princípio, ia ficar desempregado em Abril.

Na imagem, escultura de Joana Vasconcelos nos jardins de Serralves, da exposição I’m your mirror, exposição patente até ao fim de Junho.

Clique na imagem.

PATUSCADA

Por 323 contra 240 votos, o Parlamento britânico chumbou a proposta de Corbyn para um Brexit soft.

O líder trabalhista (até quando?) pretendia impor um Brexit que mantivesse o Reino Unido na união aduaneira europeia, nos programas de financiamento da UE, nos esquemas de segurança, etc. Levou por tabela. Ressabiado, diz agora que o Labour vai lutar por um segundo referendo. Os seja, tudo fará para transformar o Reino Unido no Zimbabué.

COHEN VS TRUMP


Michael Cohen, ex-advogado e conselheiro pessoal de Trump, foi ontem ouvido no Congresso. Durante oito horas, cinco das quais transmitidas em directo pela televisão, Cohen disse do Presidente o que Mafoma não disse do toucinho: «Estou aqui para dizer a verdade sobre Trump. Ele é racista, mentiroso, vigarista e trapaceiro. Arrependo-me de ter colaborado com uma fraude

Aparentemente, nada ficou de fora do testemunho de Cohen: conluio de Trump com a Wikileaks durante a campanha de 2016 (o cartel de Julian Assange colocou hackers a piratear o correio electrónico pessoal de Hillary Clinton, bem como o dos Democratas); os pagamentos efectuados a prostitutas para pagar o seu silêncio; o projecto de construção de uma Trump Tower em Moscovo; fraudes fiscais e bancárias; racismo assumido e apoio aos supremacistas brancos; interferência russa na campanha de 2016 intermediada pelo filho e pelo genro de Trump; financiamentos ilegais; o apagão dos registos escolares do Presidente; etc.

Condenado a três anos de prisão efectiva (começará a cumprir a pena no próximo 6 de Maio) por ter colaborado na violação das leis de financiamento da campanha de Trump, Cohen não tem nada a perder. Não admira que ontem tenha desopilado o fígado.

quarta-feira, 27 de fevereiro de 2019

SERRALVES


O francês Philippe Vergne, 53 anos, actual director do MOCA, o museu de arte contemporânea de Los Angeles, será o novo director artístico do Museu de Serralves. Assume essas funções em Abril.

Em Março do ano passado, Vergne demitiu a curadora-chefe do MOCA, Helen Molesworth, submergindo o museu numa onda de especulações sobre a real motivação do despedimento. Mas, nos círculos bem informados, há quem refira divergências sobre políticas de identidade sexual e racial.

Num statement publicado em ArtNews após a demissão, Ms Molesworth afirmou: «As directorias dos museus são cada vez mais compostas por pessoas excessivamente ricas que não têm formação filantrópica ou cultural

Antes do MOCA, Vergne passou por museus de Marselha, Nova Iorque e Minneapolis.

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INTOLERÂNCIA EM COIMBRA


O brasileiro Jean Wyllys, deputado federal do Rio de Janeiro eleito nas listas do PSOL, o Partido Socialismo e Liberdade, foi ontem atacado com ovos durante uma conferência na Faculdade de Economia da Universidade de Coimbra. Por que será que não me admiro?

É provável que o atacante fosse um dos indivíduos que participou na manif do PNR contra a conferência de Wyllys.

Lembrar que Wyllys renunciou ao mandato de deputado no passado 24 de Janeiro, após receber várias ameaças de morte e não querer acabar como Marielle Franco, a vereadora lésbica-feminista assassinada em Março do ano passado.

Wyllys, 44 anos, homossexual assumido, professor universitário de cultura brasileira e de teoria da comunicação, foi, em 2010, o primeiro deputado eleito que fez campanha afirmando a sua condição homossexual.

Activista LGBTI responsável por parte da legislação que alterou e revogou artigos do Código Civil brasileiro na parte respeitante às uniões de facto e ao casamento entre pessoas do mesmo sexo, tornou-se um homem a abater pela extrema-direita pentecostal, razão pela qual, após renunciar ao mandato, abandonou o Brasil.

Em 2015, a revista The Economist incluiu Wyllys na Lista Global da Diversidade, ao lado de Hillary Clinton, o Dalai Lama, Bill Gates e outras 46 personalidades.

No passado dia 8, por proposta do PAN, a Assembleia da República aprovou (com os votos favotáveis do PAN, PS, BE, PCP, PEV, Paulo Trigo Pereira e três deputados do CDS) uma moção condenando «as ameaças à integridade física de titulares de cargos políticos e activistas dos direitos humanos no Brasil.»

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terça-feira, 26 de fevereiro de 2019

VICE


Se tinha dúvidas acerca do poder real de Dick Cheney, vice-presidente dos Estados Unidos nos dois mandatos de Bush W (2001-09), deve ir ver Vice, o filme de Adam McKay que não recebeu o Óscar de melhor do ano porque a Academia de Hollywood faz questão de distinguir xaropadas.

Está lá tudo: o 11 de Setembro, o Patriot Act (conjunto de leis que caucionam a tortura, o acesso ilimitado a registos privados de telefone e correio electrónico, bem como toda a sorte de atropelos a liberdades e garantias individuais), as guerras do Afeganistão e do Iraque, o reforço do poder executivo, as querelas ambientais, a filha lésbica, etc. O filme é muito bom e Christian Bale, no protagonista, não podia estar melhor.

Quem acompanha de perto a política americana, tal como quem conhece a vasta bibliografia entretanto publicada, sabe que Cheney foi, de facto, o Presidente. Quem não sabe, tem oportunidade de conferir.

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BREXIT AGAIN

Jeremy Corbyn, o homem que está a destruir metodicamente o Labour, vai propor ao Parlamento britânico uma votação sobre o impasse do Brexit.

Os deputados teriam de escolher entre aprovar o acordo negociado por Theresa May com a UE ou, em caso de chumbo, darem luz verde a um segundo referendo, o que obrigaria a estender o calendário do artigo 50.

Corbyn, um antissemita teimoso que participou em comícios do Hezzbollah, fez esta nova pirueta a pensar naquilo que julga ser o seu eleitorado. Vai-lhe sair o tiro pela culatra. Cerca de 30 deputados trabalhistas já se demarcaram da iniciativa e, do lado dos tories, ninguém de bom senso está disposto a pôr em cheque o resultado do referendo de 2016.

segunda-feira, 25 de fevereiro de 2019

ÓSCARES 2019


Ontem foi noite de Óscares. A cerimónia, desta vez sem apresentador/a (opção tomada para evitar discursos heterodoxos), seguiu à risca o protocolo da political correctness.

Mais uma vez, Glenn Close, 72 anos em Março próximo, candidata pela oitava vez, perdeu o prémio de Melhor Actriz.

Verdade que Olivia Colman está superlativa no overacting que este ano lhe valeu o Óscar, mas eu teria preferido a subtileza de Glenn Close em The Wife. Provavelmente vai-lhe acontecer o mesmo que aconteceu a Peter O’Toole, oito vezes nomeado, teve de contentar-se em 2003 com um Óscar Honorário pelo conjunto da carreira.

Ontem, os prémios principais foram:

Como esperado, Olivia Colman, inglesa, activista da luta contra a violência exercida sobre mulheres, recebeu o Óscar de Melhor Actriz pela sua interpretação de Queen Anne (a rainha lésbica) em A Favorita.

Rami Malek, americano de origem egípcia, recebeu o Óscar de Melhor Actor pela sua interpretação de Freddie Mercury (o cantor homossexual que fez a fama dos Queen) em Bohemian Rhapsody.

Regina King recebeu o Óscar de Melhor Actriz Coadjuvante pela sua interpretação em Se esta rua falasse, inspirado no livro homónimo do escritor negro James Baldwin.

Mahershala Ali, muçulmano americano, premiado em 2017 com o Óscar de Melhor Actor Coadjuvante pela sua interpretação em Moonlight, repetiu o prémio pela sua interpretação em Green Book.

Green Book, de Peter Farrelly, recebeu o Óscar de Melhor Filme.

Álfonso Cuarón, mexicano, recebeu o Óscar de Melhor Realizador.

Roma, de Álfonso Cuarón, recebeu o Óscar de Melhor Filme Estrangeiro. É a primeira vez que um filme produzido por uma produtora de televisão (a Netflix), para exibição exclusiva em televisão, recebe um Óscar.

Nas imagens, de cima para baixo e da esquerda para a direita, Olivia Colman, Rami Malek, Regina King e Mahershala Ali. Clique.

domingo, 24 de fevereiro de 2019

JOÃO BIGOTTE CHORÃO 1933-2019


Morreu ontem à noite o crítico e ensaísta João Bigotte Chorão, membro da Academia das Ciências de Lisboa, do Instituto Luso-Brasileiro de Filosofia, e antigo director (1997-2003) do Círculo Eça de Queiroz.

Bigotte Chorão foi um dos grandes especialistas de Camilo Castelo Branco. Da sua vasta obra destacaria O Discípulo Nocturno (1965), Camilo, a Obra e o Homem (1979), O Escritor na Cidade (1986), O Reino Dividido (1999), Galeria de Retratos (2000), Diário Quase Completo (2001), obra que recebeu o Grande Prémio da Literatura Biográfica da Associação Portuguesa de Escritores, Além da Literatura (2014) e Diário 2000-2015 (2018).

Na Editorial Verbo, de que foi director, coordenou e editou várias enciclopédias, tais como, entre outras, a BIBLOS, dedicada às literaturas de língua portuguesa, ou a luso-brasileira LOGOS, de filosofia.

Personalidade discreta da vida cultural portuguesa, Bigotte Chorão é pai do crítico e poeta Pedro Mexia.

VENEZUELA EM TRANSE


Cada vez mais confusa a situação na Venezuela. Maduro continua de pedra e cal. Guiaidó continua a circular livremente e a nomear representantes diplomáticos em vários países. Portugal foi um deles. Foram encerradas as fronteiras da Venezuela com a Colômbia e o Brasil. Camiões TIR da ajuda humanitária americana (alimentação e medicamentos) foram incendiados, tendo morrido, até ao momento, quatro pessoas.

Apesar de proibido de sair do país, Guiaidó atravessou a fronteira com a Colômbia para participar no happening organizado em Cúcuta em simultâneo com o concerto bolivariano. Mas a marcha humana que Guaidó queria que fosse de um milhão, não aconteceu.

Amanhã, Guaidó vai a Bogotá participar numa cimeira do Grupo de Lima (Argentina, Brasil, Canadá, Chile, Colômbia, Costa Rica, Guatemala, Guiana, Honduras, México, Panamá, Paraguai, Peru e Santa Lúcia), criado expressamente para monitorizar a situação na Venezuela. O Grupo de Lima é reconhecido e apoiado pela UE e pelos Estados Unidos. De Bogotá seguirá para Washington. Ontem, não se coibiu de pedir uma intervenção militar internacional, escrevendo no Twitter:

«Los acontecimientos de hoy me obligan a tomar una decisión: plantear a la comunidad internacional de manera formal que debemos tener abiertas todas las opciones para lograr la liberación de esta patria que lucha y seguirá luchando. ¡La esperanza nació para no morir, Venezuela!»

Por enquanto parece a guerra do Solnado. A ver vamos.

Clique na foto de El País.

sábado, 23 de fevereiro de 2019

ARNALDO MATOS 1939-2019


A propósito da morte de Arnaldo Matos, fundador do MRPP em 1970, advogado, Pacheco Pereira escreve hoje no Público um texto que põe os pontos nos is.

Lembra, por exemplo, que, «Depois do 25 de Abril, [o MRPP] entrou em choque com o MFA, tendo sido a única organização que foi sujeita a uma prisão em massa por parte dos militares no poder, com a preciosa ajuda do PCP, que os considerava “contra-revolucionários” e agentes da CIA. Arnaldo Matos foi igualmente preso e gerou um grande movimento exigindo a sua libertação

Detido pelo Copcon, a polícia revolucionária de Otelo, Arnaldo Matos foi o primeiro preso político após o 25 de Abril. E o MRPP foi proibido de concorrer às eleições para a Assembleia Constituinte.

Percebo as razões da má-vontade de muita gente contra Arnaldo Matos, porque vivi os anos em que, como recorda Pacheco Pereira, assumiu posições que o colocaram «próximo do PS e de um grupo de militares ligados a Eanes, na resistência ao PCP e às outras organizações da extrema-esquerda, como a UDP

Se estivesse vivo, faria amanhã 80 anos. A História não deve ser apagada.

Clique na imagem.

sexta-feira, 22 de fevereiro de 2019

AVISO À NAVEGAÇÃO


Na passada terça-feira, dia 19, a RTP2 começou a transmitir a segunda temporada da série sueca Vår tid är nu, dirigida por Harald Hamrell, exibida entre nós como O Restaurante.

Quem viu, sabe que o pano de fundo da história é a reconstrução da sociedade sueca após 1945, ou seja, o avanço da social-democracia: arranque da segurança social, ascensão dos sindicatos, paridade de género, etc. Personalidades políticas suecas continuam a surgir no plot.

A primeira temporada terminou em 1951. A segunda vai de 1955 a 1962, sublinhando a irrupção do rock, os direitos dos imigrantes e as identidades sexuais.

Hoje passa o 4.º episódio desta segunda temporada. Nina divorciou-se do herdeiro rico e casou com Calle, o chef de cozinha proletário. Gustaf continua escroque e a papar meninos (a mulher assiste sem querer a um fellatio). Peter, o filho pródigo, e Helga, a matriarca da família, continuam iguais a si mesmos. Uma vilã dinamarquesa, Henriette, entrou nos negócios da família Löwander. E um imigrante italiano, Angelo, vai atormentar a líbido de Gustaf.

Excelente. Clique na imagem.

SEQUEIRA COSTA 1929-2019


Vítima de cancro, morreu ontem no Kansas o pianista Sequeira Costa. Tinha 89 anos. Sequeira Costa nasceu em Luanda, mas foi ainda bebé para Lourenço Marques, cidade onde viveu até 1937, ano em que veio para Lisboa estudar com Vianna da Motta. Em 1948 foi para Londres continuar os estudos com Mark Hambourg, e mais tarde para Paris, onde trabalhou com Marguerite Long e Jacques Février, seguindo-se Edwin Fischerem em Lucerna. Não admira que o seu estilo subsuma as tradições alemã e francesa.

Aclamado em dezenas de países do mundo inteiro (China incluída), especialmente pelas suas interpretações de Bach, Chopin, Ravel, Liszt, Beethoven, Schumann, Albeniz, Busoni, Rachmaninov e Vianna da Motta, tocou com orquestras tão diferentes como a London Symphony Orchestra, a Royal Philharmonic Orchestra, a Filarmónica de Moscovo, a Filarmónica de Leningrad, a Sinfónica de Praga, a Bamberger Symphonikern (Alemanha), a Filarmónica do Japão, a Sydney Symphony Orchestra, a Tokyo Metropolitan, a Orquestra Gulbenkian e muitas outras. Da vasta discografia faz parte a integral das sonatas de Beethoven.

Aos 22 anos venceu o Grande Prémio no Marguerite Long International Piano Competition. E em 1957 fundou em Lisboa o Concurso Internacional de Música Vianna da Motta. Nesse mesmo ano, Shostakovich convidou-o a integrar o júri do primeiro Concurso Internacional Tchaikovsky, em Moscovo, função que desempenhou durante seis anos. Em 1979 criou o Festival Internacional de Música da Póvoa de Varzim, por onde passaram Rostropovitch, Tortelier, Alfred Brendel e outros.

Radicou-se nos Estados Unidos em 1976, ocupando o cargo de Cordelia Brown Murphy Distinguished Professor of Piano, da Universidade do Kansas. A estreia americana ocorreu em 1979, no Alice Tully Hall do Lincoln Center, em Nova Iorque. Desde então, tem feito parte dos júris dos concursos de piano mais importantes do mundo

O pianista português Artur Pizarro foi seu aluno durante dezasseis anos.

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quinta-feira, 21 de fevereiro de 2019

TERROR SUPREMACISTA

Christopher Paul Hasson, 49 anos, veterano dos Fuzileiros e actual tenente da Guarda Costeira dos Estados Unidos, preso no passado dia 16, em Maryland, tencionava levar a cabo um massacre de proporções inimagináveis, assassinando centenas de civis: congressistas do Partido Democrata, políticos esquerdistas, juízes, professores universitários, jornalistas da CNN e da MSNBC, etc. Ou seja, repetir em solo americano o massacre de 2011 na ilha norueguesa de Utøya, onde morreram cerca de 80 pessoas, na maioria jovens.

Supremacista branco neo-nazi, Hasson tinha em casa uma lista de alvos a abater: Nancy Pelosi, presidente da Câmara dos Representantes (Congresso), o senador Richard Blumenthal e a congressista Alexandria Ocasio-Cortez, estão no topo. Além da lista, o FBI encontrou um vasto arsenal de armas e munições. Mas também o manifesto de Anders Breivik e grande quantidade de droga.

O original de uma mensagem enviada a amigos continua no computador: «Sonho com uma forma de matar quase todas as pessoas na terra. Penso que uma praga seria mais eficaz. Mas como adquiro a febre espanhola, o botulismo e o antraz necessários? Ainda não tenho a certeza, mas vou encontrar o modo de o fazer

Em caso de uma hipotética destituição de Trump, Hasson propõe uma guerra civil para exterminar todos os esquerdistas.

quarta-feira, 20 de fevereiro de 2019

VENCEDOR DO ÓSCAR?


Fui hoje ver A Favorita, o filme de Yorgos Lanthimos sobre a rivalidade entre as duas amantes oficiais da rainha Anne (1665-1714) da Inglaterra, Escócia e Irlanda. No papel da rainha, Olivia Colman está superlativa, mas Emma Stone e Rachel Weisz, nos papéis de Abigail e Sarah, as duas primas que disputam o leito da monarca que apenas reinou cinco anos (1702-1707), período durante o qual a Grã-Bretanha se envolveu na Guerra da Sucessão Espanhola e na invasão de França, não lhe ficam atrás. Ambas excelentes.

Nomeado para dez Óscares, o filme é muito interessante, muito cru e muito glamoroso. A fotografia de Robbie Ryan é magnífica e a música vai de Händel e Bach a Elton John.

Na imagem, Olivia Colman e, de costas, Rachel Weisz. Clique.

MOÇÃO CHUMBADA

Por 115 contra 103 votos, o Parlamento chumbou a moção de censura apresentada hoje pelo CDS contra o Governo.

PS, BE, PCP, PEV e PAN votaram a favor do Governo. PSD e CDS votaram a favor da censura. Mais do que derrubar o Governo, o intuito da moção era entalar Rui Rio.

DERRUBAR, JÁ

É hoje que a senhora Cristas avança sobre o Palácio de Inverno para lá instalar os mencheviques do Caldas?

terça-feira, 19 de fevereiro de 2019

SANDERS VS TRUMP?


Bernie Sanders, 77 anos, senador, independente (ex-Democrata), anunciou hoje a sua candidatura às eleições presidenciais americanas de 2020.

Não questiono as boas intenções do senador do Vermont. Até consigo imaginar os tremeliques de júbilo nos sofisticados círculos bem-pensantes da costa Leste e nas universidades da Ivy League. Mas espero que o Partido Democrata tenha juízo.

Entregar a candidatura democrata a Sanders, seria o equivalente a ter Ana Gomes como candidata oficial do PS às eleições presidenciais portuguesas.

Para brincadeiras, basta o que basta. Como sabemos, nunca se caçaram moscas com vinagre.

Clique na imagem do NYT.