domingo, 26 de maio de 2019

OBVIAMENTE


Qualquer que seja a nossa escolha, o importante é votar. Delegar numa minoria resultados que afectam a vida de todos é um acto irresponsável.

sexta-feira, 24 de maio de 2019

EUROPEIAS


Sondagem da Aximage para o Correio da Manhã e o Negócios, hoje divulgada.

PS = 32,5%

PSD = 25,4% / BE = 11,4% / CDU = 9,3% / CDS = 6,8%

Clique no gráfico do Negócios.

DONE


Ao início da manhã, à porta do n.º 10 de Downing Street, Theresa May anunciou que renuncia ao cargo de líder do Partido Conservador no próximo 7 de Junho.

O próximo primeiro-ministro será o tory que substituir May.

Em síntese, a primeira-ministra lamentou ter sido incapaz de fazer respeitar o resultado do referendo de 2016 que impôs a saída do Reino Unido da UE.

Discurso directo — «Fiz o melhor que pude. Negociei os termos da nossa saída e o novo relacionamento com a Europa. Fiz tudo o que podia para convencer os deputados a apoiar esse acordo. Infelizmente, não consegui fazê-lo. E tentei três vezes. [...] Por isso, anuncio hoje que renunciarei ao cargo de líder do Partido Conservador e Unionista na sexta-feira, 7 de Junho, para que um sucessor possa ser escolhido. Concordei com o presidente do Partido e com o presidente do Comité de 1922 que o processo para eleger o novo líder comece na semana seguinte. Mantive Sua Majestade a rainha plenamente informada das minhas intenções, continuando a servir como seu primeiro-ministro até que o processo esteja concluído. [...] O meu sucessor terá que honrar o resultado do referendo. O referendo não foi apenas um apelo para deixar a UE, mas o começo de mudanças profundas no nosso país, um país que realmente funcione para todos. Tenho orgulho do progresso que fizemos nos últimos três anos

Se nada de extraordinário acontecer, Boris Johnson será o próximo líder tory e, por inerência, primeiro-ministro. Entre os seus apoiantes estão os mais influentes brexiteers do Partido Conservador, casos de Johnny Mercer, Gavin Williamson, Jacob Rees-Mogg e Zac Goldsmith. Boris, 54 anos, historiador, nasceu em Nova Iorque, foi mayor de Londres (2008-16) e ministro dos Negócios Estrangeiros entre 2016 e 2018.

Mas pode dar-se uma reviravolta e a escolhida ser Andrea Leadsom, 56 anos, Lord President of the Council e líder da Câmara dos Comuns, que ontem se demitiu desses cargos para forçar May a resignar. Ms Leadsom, 56 anos, é uma ardente brexiteer.

Agora que May bateu com a porta, são às centenas as mensagens de apoio de membros do seu e de outros partidos, do mayor de Londres e até do primeiro-ministro da República da Irlanda.

Clique na imagem do Guardian.

quinta-feira, 23 de maio de 2019

SERÁ DESTA?


Nos corredores de Westminster são cada vez mais enfáticos os rumores de que Theresa May pode renunciar, nas próximas horas, ao cargo de líder do Partido Conservador.

A decisão abriria caminho à escolha do seu sucessor ou sucessora, na chefia do partido e do Governo, pois uma coisa implica a outra.

No Reino Unido os primeiros-ministros não se demitem. Excepto se puderem garantir à rainha que para o seu lugar irá X ou Y.

O calendário negociado com Sir Graham Brady, presidente do Comité 1922, apontava para 10 de Junho, mas o clima de tensão aumentou (um Brexit com acordo, como May pretende, é cada vez mais contestado pelo partido), e foi o próprio Brady a estabelecer que o prazo limite fora antecipado para amanhã, dia 24.

O líder do partido que chefiar o Governo ocupa por inerência o n.º 10 de Downing Street.

A ver vamos.

Clique na imagem do Guardian.

EUROPEIAS


Sondagem da Pitagórica para o Jornal de Notícias e a TSF hoje divulgada.

PS = 32,4%

PSD = 24,8% / BE = 12,9% / CDU = 7,1% / CDS = 6,7% / PAN = 3,3% / PDR = 2,1%

O gráfico não mostra o PAN, mas o texto do jornal refere a possibilidade de eleger um eurodeputado.

Clique na imagem do JN.

quarta-feira, 22 de maio de 2019

LEGISLATIVAS


LEGISLATIVAS DE OUTUBRO — Sondagem do CESOP da Universidade Católica Portuguesa para o Público e a RTP, hoje divulgada.

PS = 39%

PSD = 28% / BE = 9% / CDU = 8% / CDS = 7% / PAN = 3% / ALIANÇA = 1%

Maioria de Esquerda = 56%

Clique na imagem do Público.

terça-feira, 21 de maio de 2019

CONTAGEM DE TEMPO

Entrou hoje em vigor o Decreto-Lei n.º 65/2019, de 20 de Maio, relativo ao «congelamento ocorrido entre 2011 e 2017 nas carreiras, cargos ou categorias em que a progressão depende do decurso de determinado período de prestação de serviço.»

Este diploma estende a todas as carreiras da Função Pública a fórmula de contagem de tempo (e respectivo calendário) consagrada no Decreto-Lei n.º 36/2019, de 15 de Março, exclusivo da carreira docente.

FALTAM CINCO DIAS


Sondagem do CESOP da Universidade Católica Portuguesa para o Público e a RTP, hoje divulgada.

PS = 33%

PSD = 23% / BE = 9% / CDU = 8% / CDS = 8% / PAN = 3% / ALIANÇA = 3%

Clique na imagem do Público.

segunda-feira, 20 de maio de 2019

BLACKOUT TOTAL?

A Google e uma série de fabricantes de chips (a Intel, a Qualcomm, a Xilinx, a Broadcom) decidiram romper a parceria com a Huawei.

Estamos a falar de uma parceria que inclui acesso às versões actualizadas do sistema Android, bem como à transferência de hardware e software necessários aos telemóveis da marca chinesa. Os alemães da Infineon preparam-se para fazer o mesmo após o período de suspensão em curso.

Em termos práticos, a consequência mais drástica significa interdição à recepção de correio do @gmail através do telemóvel. Mas há outras, menos radicais.

Isto vai acabar mal.

sexta-feira, 17 de maio de 2019

EUROPEIAS. SONDAGEM


Sondagem do ICS e do ISCTE para o Expresso e para a SIC, divulgada esta noite.

PS = 36%

PSD = 28% / BE = 9% / CDU = 8% / CDS = 8% / PAN = 2%

Os 21 deputados portugueses poderiam ser:

9 do PS / 6 do PSD / 2 do BE / 2 da CDU / 2 do CDS

Clique nas duas imagens para ver os gráficos do Expresso na íntegra.

EUROPEIAS 2019


Em Portugal, as eleições europeias de 2014 tiveram uma participação de 33,8% dos inscritos. Ou seja, uma abstenção de 66,2%. É inadmissível.

Mas nos últimos cinco anos muita coisa aconteceu na Europa: exacerbação dos nacionalismos, avanço da extrema-direita, xenofobia a Leste, paroxismo migratório, triunfo do populismo, novo tipo de relacionamento com países terceiros (em particular com os Estados Unidos, a Rússia e a China), ondas de choque do Brexit, consciência das alterações climáticas, regressão nos costumes, nova liderança do Eurogrupo, etc.

Isto muda por completo o perfil das eleições. A UE de 2014 já não existe. Estamos em 2019. Merkel deixou a liderança da CDU. António Costa substituiu Passos Coelho. Macron substituiu Hollande. Sánchez substituiu Rajoy. May substituiu Cameron. Centeno substituiu Dijsselbloem. Marcelo substituiu Cavaco. Antigos satélites de Moscovo são hoje repúblicas proto-fascistas.

A única coisa que não mudou foi a pobreza (e, muitas vezes, a javardice do discurso conservador-nacionalista) da campanha eleitoral. Mas temos de esquecer os tartufos que monopolizam feiras e televisões. É preciso mostrar-lhes que não vale tudo.

Depois de amanhã, mais de 20 mil portugueses votam por antecipação. É bom saber que tanta gente, impedida de votar no próximo dia 26, se preocupou em assegurar o voto antecipado.

A ver vamos se, no próximo dia 26, a abstenção continua a ser a escolha de dois terços dos potenciais votantes.

Clique na imagem.

quinta-feira, 16 de maio de 2019

AGITPROP PATRIARCAL


A pretexto da “defesa da vida”, eufemismo de combate ao direito das mulheres interromperem voluntariamente a gravidez, o Patriarcado de Lisboa publicou no seu mural um apelo directo ao voto no CDS, na coligação BASTA e no NÓS CIDADÃOS.

São seis os critérios da Federação Portuguesa pela Vida:

«Vida por nascer / Rejeição da eutanásia / Liberdade de educação / Oposição à ideologia de género / Proibição de barrigas de aluguer / Combate à prostituição».

Voltámos aos tempos em que os padres de Braga mandavam incendiar sedes do PCP?

D. Manuel Clemente, o Patriarca de Lisboa, reconheceu a «imprudência» da publicação, que mandou retirar.

Fica a imagem do Facebook para memória futura. Clique.

quarta-feira, 15 de maio de 2019

AINDA BERARDO


Facto: soube-se agora que Berardo alterou os estatutos da Associação Colecção Berardo através de uma assembleia-geral que restringiu o controlo e poder decisório dos outros accionistas. Dito de outro modo: quem manda é ele. Ponto.

Adedota: a referida assembleia-geral foi realizada (em 2013) à revelia dos credores CGD, Millennium-BCP e Novo Banco. E durante seis anos ninguém deu por nada? Tão distraídos que eles andam.

As assembleias-gerais são públicas. Os bancos têm departamentos jurídicos. A Associação Colecção Berardo é parceira do Estado, depositário do respectivo acervo, avaliado em cerca de 350 milhões de euros. Andam a brincar com o pagode. Exactamente, quem?

Clique na imagem.

ATÉ QUE ENFIM

Em Agosto, a Caixa Geral de Aposentações vai corrigir e pagar os retroactivos das pensões de aposentação atribuídas a partir de 2012.

Essa correcção decorre de um acórdão do Tribunal Constitucional, exarado em Fevereiro, que concluiu estarem erradas as normas de cálculo estabelecidas pelo Governo PSD+CDS.

O ministro Vieira da Silva confirmou: «Em Agosto de 2019 estarão a pagamento as correcções das pensões resultantes dessa declaração de inconstitucionalidade, que terá um impacto de 13,5 milhões de euros em 2019

Por seu turno, para obviar ao atraso na atribuição das pensões de reforma da Segurança Social, vão ser fixadas e pagas pensões provisórias enquanto decorre o processo.

A norma tem início em Junho. Inclui pensões de invalidez (doença) e sobrevivência (viúvos e viúvas). Não inclui pensões antecipadas.

terça-feira, 14 de maio de 2019

O SEU A SEU DONO


A Freguesia de Campolide retirou as passadeiras arco-íris por alegada desconformidade com o Código da Estrada.

Lamento que o assunto não tenha sido previamente estudado.

Isto dito, perguntar se a sinalética GECO, da responsabilidade de um grafiteiro italiano que vandalizou os bairros de Lisboa (incluindo painéis informativos do Metro) com total impunidade, não anula os sinais de trânsito?

Claro que anula. A voz aos juristas: Escrever algo ao pé de um sinal anula o seu carácter jurídico.

Vejam bem a imagem, um exemplo entre milhares, e digam-me se aquele sinal é para respeitar.

Não vi ninguém preocupado. Pelo contrário, fartei-me de ouvir elogios.

Uma coisa não anula a outra (arco-íris versus vandalismo), certo. Mas podia ter-se evitado o voluntarismo de Campolide.

Clique na imagem.

CAMPOLIDE


Ao contrário de Arroios, que deixou cair o projecto, a freguesia de Campolide já tem passadeiras arco-íris. Por enquanto são duas (uma na Rua de Campolide, outra na Travessa Estêvão Pinto), mas vão ser cinco.

Reagindo ao facto, o presidente da Prevenção Rodoviária Portuguesa afirma:

«Pintar as passadeiras com outras cores, mesmo mantendo o branco e colocando as outras cores nos intervalos, é alterar o sinal, o que significa que deixa de ser uma passadeira. Quem ali for atropelado é como se o tivesse sido numa estrada, e os condutores não são obrigados a respeitá-las, não têm de parar para permitir que os peões passem

Reter: «Os condutores não são obrigados a respeitá-las, não têm de parar para permitir que os peões passem.» Estas afirmações de José Miguel Trigoso são muito graves. Na prática, induzem ao atropelamento. O MP anotou? Ou será que já chegámos ao Brunei?

Na imagem, André Couto, o dinâmico presidente da Junta de Freguesia de Campolide. Clique.

segunda-feira, 13 de maio de 2019

CRISTAS AFUNDA CDS


Assunção Cristas deu um trambolhão. Nem outra coisa seria de esperar. Rui Rio ficou em penúltimo.

Sondagem Aximage hoje divulgada no Correio da Manhã e no Negócios.

Clique na imagem do Negócios.

sábado, 11 de maio de 2019

BERARDO


Lamento, mas tenho de reconhecer que Joe Berardo deu um baile aos deputados da comissão de inquérito à gestão e recapitalização da Caixa Geral de Depósitos: A Caixa não executou acções do BCP porque não quis. Elementar.

Ao fim de cinco horas, quando terminou a performance, os três agentes de execução enviados pelo tribunal que recebeu a queixa da CGD, do Millennium-BCP e do Novo Banco (credores de cerca de mil milhões de euros), esperavam por ele na porta do Parlamento que dá para a Rua de São Bento.

Eram três, mas nenhum foi capaz de lhe entregar a notificação judicial. Berardo tinha seguranças à sua volta? Não. Fugiu de helicóptero? Não. Saltou para uma mota? Não.

Seguido por dúzia e meia de profissionais dos media, e pelos três agentes de execução, Berardo fez um longo trajecto a pé até à Calçada da Estrela, que subiu em passo lento, antes de, calmamente, entrar numa garagem.

Comentários para quê?

ELEMENTAR

«Marcelo e António Costa deixaram muito clarinho quem manda e quem não manda. Manda, através deles, o cidadão eleitor, não mandam os sindicalistas. Por uma vez só temos de agradecer ao primeiro-ministro e ao Presidente da República

— Vasco Pulido Valente, hoje no Público.

sexta-feira, 10 de maio de 2019

LM VS MAPUTO


Estas duas fotografias mostram o mesmo edifício, o Leão Que Ri, um dos quinze ou vinte, ou se calhar mais, que o arquitecto Amâncio de Alpoim Miranda Guedes (1925-2015), vulgo Pancho, espalhou por Lourenço Marques, actual Maputo.

Na foto em cima, vemos o edifício acabado de construir, em 1958. Na de baixo, de 2004 (salvo erro), a degradação não poupou os espaços entre os pilotis do rés-do-chão, outrora vazios, hoje transformados em lojas.

E ainda há quem me pergunte porque nunca quis voltar de visita.

Não vivi no Leão Que Ri, mas recordações muito fortes ligam-me a um dos seus apartamentos. E foi com espanto que ontem ouvi (no primeiro episódio da série documental Brisa Solar, de Ana Pissarra e José Nascimento, transmitida na RTP2) o arquitecto Luís Lage dizer que agora é que está bem, porque, e cito de cor, a arquitectura é o que queremos fazer dela. Então ficamos assim.

Bora lá pôr o Taveira a desconstruir os Jerónimos!

Clique nas imagens para as ver na íntegra.

CHUMBO


Eram sensivelmente 12:30 quando PS, PSD e CDS chumbaram as três propostas de alteração ao Dec-Lei 36/2019, de 15 de Março, relativas à contagem de tempo dos professores.

O PAN absteve-se. BE, PCP e PEV votaram a favor.

Na imagem, o deputado socialista Porfírio Silva invectivando o PSD durante a sua declaração de voto oral. Clique

HORA DA VERDADE

Está em curso no Parlamento a sessão plenária em que serão votados os textos finais, apresentados pela Comissão de Educação e Ciência, relativos à contagem de tempo dos professores do ensino básico e secundário.

São três as propostas de ALTERAÇÃO ao Decreto-Lei n.º 36/2019, de 15 de Março, que estatui no seu art.º 2.º — «A partir de 1 de Janeiro de 2019, aos docentes referidos no artigo anterior são contabilizados 2 anos, 9 meses e 18 dias, a repercutir no escalão para o qual progridam a partir daquela data

Trata-se das propostas de alteração 126/XIII, do BE; 127/XIII, do PCP; e 129/XIII, do PSD. O CDS não apresentou nenhuma. A votação final global deverá ocorrer por volta da uma da tarde, prevendo-se o chumbo das três.

ELEMENTAR


Estudo da Eurosondagem para o jornal i, Diário de Notícias da Madeira, Diário Insular dos Açores e Porto Canal.

Clique na imagem do i.

quinta-feira, 9 de maio de 2019

O FOLHETIM


Se dúvidas houvesse... Afinal, quem fez teatro?
Clique na imagem do Expresso.

NOJO ABSOLUTO


Danny Baker, actor e guionista de stand-up comedy, tinha um programa semanal na BBC. Tinha. Foi hoje demitido por ter publicado um tuíte ilustrado com a imagem de um casal (representando os duques de Sussex) de mão dada com um chimpanzé, e uma legenda inclassificável: «O bebé real sai do hospital

Se isto não é racismo, não sei o que seja racismo.

A VIDA COMO ELA É


Sondagem da Aximage publicada hoje no CM e no NEGÓCIOS sobre o caso dos professores.

57% aprovam o Governo.

49% aprovam a ameaça de demissão feita por António Costa, 44% discordam e para 7% o assunto é indiferente.

Clique na imagem do Expresso.

quarta-feira, 8 de maio de 2019

DESFAÇATEZ


Entrevistado ontem no Jornal das 8 da TVI, Rui Rio disse o equivalente de dizer que a terra não é redonda. Não vi em directo, apenas o podcast que me chegou agora às mãos. Ora vejam:

«O PSD nunca recuou na questão das carreiras dos professores. Na última quinta-feira não houve uma votação geral, mas sim a aprovação de um texto feita artigo a artigo. Se tivesse havido uma votação na comissão, teríamos votado contra. Há sempre muita confusão nas comissões e eu nem deputado sou, muito menos daquela comissão.»  —  [síntese, citada de cor]

O descaramento não tem limites.

A imagem, obtida no passado dia 2, e publicada no Expresso, mostra os deputados do PSD, CDS, BE e PCP a selarem o aggiornamento. Clique.

segunda-feira, 6 de maio de 2019

PREMONITÓRIO


Em 1980, Jean-Jacques Servan-Schreiber (1924-2006) escreveu um livro premonitório, Le Defi Mondial, publicado em simultâneo em quinze países: França, Arábia Saudita, Argentina, Áustria, Brasil, Espanha, Finlândia, Holanda, Índia, Israel, Itália, Japão, Líbano, Noruega e Portugal. No ano seguinte venceu a barreira do mundo de língua inglesa, tornando-se um bestseller planetário. Quanto sei, depois dele apenas publicou, em dois volumes, as suas memórias. Uma doença do foro neurológico afastou-o de tudo em 1996.

Escritor, jornalista, fundador de L’Express, presidente do Parti Radical e, mais tarde, do Mouvement Réformateur, “inventor” da UDF, ministro de Giscard d’Estaing, mogul da vida política parisiense, Servan-Schreiber provoca muitos anticorpos.

Mas é fascinante ver como, há trinta anos, foi capaz de fazer a radiografia do mundo em que vivemos hoje: guerras por causa do petróleo, terror global, microcomputadores, robotização crescente, afirmação das monarquias do Golfo, migrações em massa, etc. As cabecinhas bem-pensantes franziram os sobrolhos, mas todos os dias acordamos com a realidade descrita por antecipação neste livro que reencontrei há pouco por acaso.

RESSACA

Vendo bem, a posição do PSD e do CDS na ressaca da quinta-feira frentista resume-se assim:

O Estado caucionará as contas da Fenprof no momento em que, sendo a dívida externa de Portugal inferior a 25% do PIB (actualmente corresponde a 101%), for possível fixar, em simultâneo:

— O indexante dos apoios sociais em 1.307,28 euros [actual: 435,76 euros]
— O salário mínimo em 1.800 euros [actual: 600 euros]
— A pensão mínima do regime não contributivo em 600 euros [actual: em média 180 euros]
— A remuneração mínima nos serviços do Estado em 900 euros [actual: 635 euros]
— A devolução a todos os pensionistas do valor da CES, a celerada Contribuição Extraordinária de Solidariedade, que afectou exclusivamente os pensionistas, variando entre um mínimo de 3,5% e um máximo de 10% (conforme o valor bruto das pensões), incluindo o adicional de 40% aplicado cumulativamente a uma fracção das pensões de valor superior a 7.545,96 euros.
— A indexação a todos os funcionários públicos das contas da Fenprof, corrigindo o valor das pensões de reforma (Segurança Social) e aposentação (Caixa Geral de Aposentações) entretanto atribuídas.

Se estamos a falar de crescimento económico, isto é o básico. O básico.

domingo, 5 de maio de 2019

PIRUETA

Ouvi agora Rui Rio. Depois de insultar o primeiro-ministro, afirmou:

«A contabilização do tempo total das carreiras dos professores deverá ser considerada de forma proporcional ao crescimento da economia, observado o respeito pela regra da despesa contida no Pacto de Estabilidade e Crescimento. [...] Se esta formulação for aprovada pelo PS no Parlamento, a proposta passa. Se os socialistas voltarem a votar contra este articulado, o PSD também votará contra o projecto final encontrado na comissão parlamentar

Que palavrão para classificar isto?

O líder do PSD sabe perfeitamente que a alegada “cláusula de salvaguarda” (esperar pelo crescimento da economia) foi e voltará a ser chumbada pelo PS. Não vale a pena chover no molhado.

Nisto tudo, continuo sem compreender o medo das eleições antecipadas.

SOPHIA


Chega às livrarias na próxima terça-feira, dia 7, a primeira biografia de Sophia de Mello Breyner Andresen (1919-2004).

Para a escrever, Isabel Nery entrevistou mais de sessenta pessoas — família, amigos, escritores, intelectuais, políticos, tradutores, investigadores, gente comum —, consultou arquivos em Portugal, na Dinamarca e na Alemanha, consultou documentação de vária índole, cotejou correspondência, livros, imprensa, teses, filmes e documentários.

O livro tem 336 páginas e inclui portofolio fotográfico. Publica a Esfera dos Livros.

Clique na imagem.

VALE TUDO


Trampolinice como modo de vida.
Clique na imagem do Expresso.

sábado, 4 de maio de 2019

DESAPARECIDO

Depois de cancelar a sua agenda pública, Rui Rio, líder da Oposição, desapareceu em parte incerta. Nem a CMTV o encontra.

Estará na Baviera a redigir a carta de demissão de presidente do PSD?

A última vez que foi visto, ontem de manhã cedo, comentou um paper (a deliberação frentista votada pelos seus deputados) que, sabe-se hoje, ainda não tinha lido.

Afinal, quem brinca com o quê?

RECORDAR 1987


A ideia de que eleições em Julho são más, não faz sentido. A primeira maioria absoluta de Cavaco saiu das eleições de 19 de Julho de 1987.

Nessas eleições, o PSD venceu por 50,2% (contra os 4,7% do PRD, o partido de Eanes que provocou eleições antecipadas), elegendo 148 deputados. A abstenção foi de 28,5%.

À época, Soares fez muito bem em dissolver a Assembleia da República, em vez de ter aceite um Governo do PS chefiado por Vítor Constâncio, condição para ser apoiado pelo PRD. Nessas eleições, o PS obteve 22%.

Na imagem, Soares e Constâncio em 1987. Clique.

PROGNÓSTICO


Não é difícil imaginar o que vai acontecer em Plenário no próximo dia 15.

PSD, BE, CDS e PCP vão apresentar, cada um per se, diplomas conflituantes uns com os outros. A manobra permitirá que todos mantenham a face, deixando o problema por resolver.

Ter presente que, na Comissão de Educação e Ciência, PSD, BE, CDS e PCP apenas coincidiram na contagem da Fenprof.

Em tudo o resto (modus operandi do processo, prazos, substituição de pagamentos por reformas antecipadas, etc.), cada cabeça sua sentença. Nem todos aprovaram tudo. Dos sete anos de dilação do BE ao imediatismo do PCP, passando pela evolução do PIB imposta como condição sine qua non pelo PSD e o CDS, houve de tudo. Uma pena não ser pública a acta da sessão.

Após o statement do primeiro-ministro, foi eloquente a pirotecnia semântica dos líderes do PSD, BE, CDS e PCP

O chumbo cruzado evitará a demissão do Governo e, desse modo, Marcelo pode manter as eleições dentro do calendário estabelecido.

A ver vamos.

Imagem do Expresso. Clique na foto de Tiago Miranda.

sexta-feira, 3 de maio de 2019

A VIDA COMO ELA É


Portanto, em princípio, temos Governo para mais 12 dias.

Numa comunicação incisiva, o primeiro-ministro primou pela clareza: se, no próximo dia 15, a Assembleia da República aprovar um diploma que confirme as decisões ontem tomadas na Comissão de Educação e Ciência pela coligação negativa formada por PSD+BE+CDS+PCP, o Governo demite-se.

Discurso directo: «A aprovação desta lei condiciona de forma inadmissível a governação futura em termos que só o eleitorado tem legitimidade para aprovar. Será uma ruptura irreparável com a consolidação das contas públicas e compromete a credibilidade de Portugal. E forçará o Governo a apresentar a sua demissão

Muito bem. Nem outra coisa seria de esperar.

Podia tê-lo feito ontem, mas o respeito pelo protocolo institucional adia o acto para o dia da votação em plenário.

Até lá, os partidos têm tempo de explicar aos seus militantes onde vão buscar o dinheiro, como vão proceder com os restantes corpos especiais da Administração Pública (magistrados, médicos, enfermeiros, diplomatas, militares, polícias e outros), bem como com os funcionários públicos do regime geral, o que farão se o Tribunal Constitucional vetar com base na violação do princípio da equidade, ou se, afinal, tudo não passou de um equívoco.

A ver vamos. Eleições a 21 ou 28 de Julho seriam perfeitas.

Na imagem, António Costa a falar ao país, hoje. Clique.

DEMISSÃO NA CALHA?


O tuíte do primeiro-ministro que põe o país de sobreaviso.
Clique na imagem.

quinta-feira, 2 de maio de 2019

POESIA MALDITA


Voltou às livrarias, desta vez numa edição extremamente cuidada da editora Ponto de Fuga, a famosa Antologia de Poesia Portuguesa Erótica e Satírica organizada por Natália Correia em 1965. O volume inclui as ilustrações originais de Cruzeiro Seixas.

São 94 autores, nascidos entre 1230 e 1938, sendo mulheres apenas quatro. Vivos à data de publicação eram 23. Natália organizou, seleccionou os autores, anotou e prefaciou a obra, que a ditadura apreendeu e proibiu.

O processo-crime por abuso de liberdade de imprensa ocupou o Tribunal Plenário durante sete anos e cinco meses (1966-73). Curiosamente, dos 23 autores vivos em 1966, apenas cinco foram julgados e condenados: Natália, Cesariny, Ary dos Santos, Melo e Castro e Luiz Pacheco. Fernando Ribeiro de Mello, editor da Afrodite, editora responsável pela publicação, também se sentou no banco dos réus. O mesmo aconteceu a Geraldo Soares, pela cedência de alegados inéditos de António Botto (mas o jornalista morreu no decurso do processo), e Francisco Marques Esteves, por ter feito o mesmo com inéditos de Carlos Queiroz.

Vladimiro Nunes, editor da Ponto de Fuga, e Francisco Topa, docente da Universidade do Porto, assinam longos textos introdutórios, intercalados de iconografia atinente, tais como fac-símiles de requerimentos, autos, despachos e correspondência. Ambos fazem o levantamento exaustivo das circunstâncias que rodearam a edição da antologia e peripécias judiciais subsequentes: acidentes processuais, testemunhas, advogados, etc. Uma edição histórica.

Clique nas imagens da capa e do fac-símile do auto de destruição.

quarta-feira, 1 de maio de 2019

FLOP


Aparentemente, o golpe de Guaidó borregou. Mas a situação permanece ambígua. Maduro não falou ao país nem foi visto por jornalistas. Guaidó não conseguiu mobilizar o grosso das Forças Armadas, o que não espanta, num país em que os sectores-chave da economia (entre outros a exploração de petróleo e a distribuição de medicamentos) estão nas mãos dos generais de topo.

Por outro lado, não deixa de ser estranho que os apoiantes de Maduro, que devem representar um terço da população da Venezuela, não tenha aparecido nas ruas a fazer frente aos seus adversários.

Soube-se entretanto que, a conselho de Vladimir Padrino, ministro da Defesa, Mikael Moreno, presidente do Supremo Tribunal, e Rafael Hernández Dala, general da Guarda Nacional, Maduro teria concordado em deixar a Venezuela. O avião chegou a estar em prontidão, mas, alegadamente por pressão de Moscovo, a fuga não se realizou.

Ainda ontem, Leopoldo López, o líder da oposição, transferiu-se com a mulher e a filha da embaixada do Chile para a de Espanha.

Resumo: Maduro não falou, a maioria dos militares assobiou para o lado (a excepção terá sido o blindado que atropelou civis), López bateu com a porta, o povo chavista não saiu de casa, Guaidó ficou a falar sozinho.

A ver vamos como a situação evolui.

Na imagem, Guaidó e López. Clique.

terça-feira, 30 de abril de 2019

OPERACIÓN LIBERTAD


Leopoldo López, 48 anos, economista, líder do Voluntad Popular, o maior partido da oposição venezuelana, foi libertado esta manhã por militares desafectos ao regime de Maduro

Estava preso desde 2014, a cumprir uma pena de 13 anos, 9 meses, 7 dias e 12 horas.

Ele e Guaidó estão neste momento em La Carlota, a principal base aérea militar de Caracas.

Pompeo, o Secretary of State (MNE) americano, já transmitiu o apoio formal dos Estados Unidos à Operación Libertad.

Entretanto, em Brasília, Bolsonaro convocou para uma reunião de emergência o general Hamilton Mourão, vice-Presidente do Brasil, o ministro da Defesa, o ministro das Relações Exteriores, o ministro da Segurança Institucional e as mais altas chefias militares.

A ver vamos.

Clique nos tuítes de López e Pompeo.

NOVA GUERRA DE CARTOONS?


Sobe de tom a polémica à volta do cartoon em que António põe Netanyahu em forma de cão com a estrela de David na coleira, a ser guiado por Trump, com trela, óculos de cego e quipá.

Originalmente publicado no Expresso, foi a sua reprodução na edição internacional do New York Times, no passado dia 25, a ilustrar a coluna de Tom Friedman, que deu azo ao sururu.

A Casa Branca condenou o cartoon. O mesmo fizeram diversas associações judaicas norte-americanas. No dia 28, o NYT pediu desculpas aos seus leitores e à comunidade judaica em particular, tendo retirado o cartoon.

Angela Buchdahl, Peter J. Rubinstein, Joshua M. Davidson e Elliot Cosgrove, rabinos de quatro sinagogas de Nova Iorque (Sinagoga Central, Sinanoga 92Y, Congregação Emanu-El e Sinagoga Park Avenue), publicaram no NYT um abaixo-assinado onde, entre outras coisas, afirmam que «a caricatura trafica descaradamente o antiquíssimo ódio antissemita que contribui para a violência contra os judeus...»

Bret Stephens, colunista do NYT, considera que o cartoon podia ter sido publicado pelo Der Stürmer, jornal de referência do regime nazi. «Nada justifica esta caricatura desprezível...», sublinhou.

Por seu turno, o Haaretz, influente jornal israelita, em artigo assinado por Zeev Engelmayer, defende o cartoon de António:

«The Star of David on Netanyahu’s collar is totally justified, and there’s a reasonable chance that if Netanyahu had to choose a symbol to wear around his neck, he’d pick this one. Netanyahu is leading Trump, his steps a little tense, but the leadership role is definitely flattering for the head of a small country

No ponto 5 da sua retractação, em português e inglês, o Expresso esclarece:

«A membros da comunidade judaica e aqueles que se possam ter sentido ofendidos e face à polémica gerada, o Expresso esclarece que nunca foi intenção retratar Israel ou a religião judaica e o seus fiéis de forma menos digna

A CNN e a Fox News não largam o caso.

Clique na imagem.

segunda-feira, 29 de abril de 2019

ESPANHA VERMELHA


Espanha ficou assim.
Clique na imagem do jornal catalão La Vanguardia.

PSOE VENCEU


Com 7,5 milhões de votos [28,7% dos eleitores], o PSOE saiu vencedor das eleições gerais de ontem. Elegendo 123 deputados, foi o partido mais votado para o Congresso. E obteve maioria absoluta no Senado: 139 senadores. Aconselha-se Guronsan a quem antecipou a pasokização do partido de Sánchez.

A soma do PSOE e do PODEMOS ultrapassa em 18 deputados a soma do PP com o CIUDADANOS e o VOX. Maioria de Esquerda clara, portanto.

O PSOE ganhou 38 deputados.

O CIUDADANOS ganhou 25 deputados.

O VOX elegeu deputados pela primeira vez: 24.

O PP perdeu 71 deputados.

O PODEMOS perdeu 29 deputados.

Pela primeira vez, o PSOE ganhou na Galiza. E recuperou Andaluzia e Castilla-La Mancha. A Direita não conseguiu um único lugar no País Basco.

A abstenção foi de 24,2%.

Clique no gráfico de El País.

domingo, 28 de abril de 2019

ESPANHA EM TRANSE


Os espanhóis começaram hoje a votar naquelas que são as eleições mais importantes desde 1978.

Segundo todas as sondagens (a imagem mostra a mais recente), o PSOE continua a ser o potencial vencedor, mas longe da maioria absoluta, mesmo coligado com o PODEMOS, que tudo indica irá perder metade dos deputados.

A grande incógnita é o VOX, o partido de extrema-direita que pode eleger cerca de 40 deputados.

Como é que 12% dos eleitores espanhóis estão dispostos a votar num partido que propõe acabar com as dezassete comunidades autónomas de Espanha (mediante revogação do artigo 2.º da Constituição de 1978); revogar toda a legislação sobre igualdade de género, direitos LGBTI, aborto, etc. Não obstante, Pablo Casado, líder do PP, já disse estar disposto a uma coligação com o VOX.

Se estes números se confirmarem, só Rivera, de CIUDADANOS, pode desatar o nó. Sánchez tem a obrigação de, engolindo todos os sapos, fazer um compromisso histórico. Os dois, Sánchez e Rivera, andam muito exaltados um com o outro, mas, repito, se estes números se confirmarem, têm de escolher entre o caos ou novas eleições no fim do Verão.

No transe actual, Espanha não se pode dar ao luxo de fundamentalismos ideológicos.

Clique no gráfico de El País.

LEGISLATIVAS


Sondagem da Pitagórica para a TSF e o Jornal de Notícias, divulgada esta manhã.

Maioria de esquerda = 52%. Sozinho, o PS obtém mais 19,9% que a PAF [PSD+CDS]. Uma maioria de 67% de eleitores considera que António Costa vencerá as eleições de Outubro.

Clique no gráfico da TSF.

sexta-feira, 26 de abril de 2019

EUROPEIAS


Sondagem da Pitagórica para a TSF e o Jornal de Notícias, divulgada esta manhã.

Maioria de esquerda = 48,1%. PSD+CDS = 35,6%.

Clique na imagem.

quinta-feira, 25 de abril de 2019

CANTO PENINSULAR


Canto Peninsular /  Manuel Alegre


Estar aqui dói-me. E eu estou aqui
há novecentos anos. Não cresci nem mudei.
Apodreci.
Doem-me as próprias raízes que criei.

Foi a guerra e a paz. E veio o sol. Veio e passou
a tempestade.
Muita coisa mudou. Só não mudou
este monstro que tem a minha idade.

E foi de novo a guerra e a paz. Muita coisa mudou
em novecentos anos.
Eu é que não mudei. Neste monstro que sou
só os olhos ainda são humanos.

Quantas vezes gritei e não me ouviram
quantas vezes morri e me deixaram
nos campos de batalha onde depois floriram
flores e pão que do meu sangue se criaram.

Andei de terra em terra
por esse mundo que de certo modo descobri.
E fui soldado contra a minha própria guerra
eu que fui pelo mundo e nunca saí daqui.

Mil sonhos eu sonhei. E foram mil enganos.
Tive o mundo nas mãos. E sempre passei fome.
Eis-me tal como sou há novecentos anos
eu que não sei escrever o meu próprio nome.

Falam de mim e dizem: é um herói.
(Não sei se por estar morto ou porque ainda não morri)
Mas nunca ninguém disse a razão porque me dói
estar aqui.

45 ANOS


Completam-se hoje 45 anos de regime democrático, ou, se preferirem, 45 anos de Segunda República. O facto de já ter durado mais do que durou o Estado Novo (1933-1974) não nos autoriza a baixar a guarda.

A Primeira República (1910-1926) foi interrompida pelo pronunciamento dos militares que desceram de Braga a Lisboa para impor a ditadura militar, travestida de civil com a eleição de Carmona, por sufrágio universal, em 1928.

Infelizmente, tal como a Primeira República não conseguiu mudar as mentalidades do país monárquico, conservador e ultramontano que dominou o país durante a primeira metade do século XX, o regime democrático, ou, se preferirem, a Segunda República, não tem sido capaz de fazer a pedagogia da democracia.

É contra o laissez-faire galopante que temos de lutar todos os dias.

terça-feira, 23 de abril de 2019

DAESH REIVINDICOU


À medida que surgem novas revelações, aumenta o horror e a perplexidade sobre o massacre de Domingo de Páscoa no Sri Lanka. O número de mortos identificados subiu para 359, sendo estrangeiros 36 (um português). Um terço dos mortos eram crentes que estavam na Igreja de São Sebastião, em Negombo. Continuam internadas 532 pessoas, 29 das quais nos cuidados intensivos.

Sete das oito explosões foram efectuadas por bombistas suicidas (seis homens e uma mulher), e apenas uma por detonador à distância. Os sete bombistas suicidas pertenciam a famílias das altas classes médias do Sri Lanka, tendo alguns estudado em universidades do Reino Unido. Continuam a ser encontrados explosivos em vários locais de Colombo, incluindo o aeroporto internacional.

Até ao momento, foram presas 40 pessoas ligadas ao grupo extremista National Thowheeth Jama'ath.

Ranil Wickremesinghe, o primeiro-ministro, confirmou que os serviços secretos foram avisados com quinze dias de antecedência por homólogos seus estrangeiros, mas não fizeram circular a informação pelos canais apropriados. A Índia até fez dois avisos, um deles duas horas antes dos ataques.

Ruwan Wijewardene, o ministro da Defesa, alega que os ataques foram uma resposta à morte de muçulmanos em Christchurch, na Nova Zelândia.

Na imagem, detalhe da fachada da Igreja de Santo António, em Colombo.

DIA MUNDIAL DO LIVRO


No Dia Mundial do Livro quero chamar a atenção para uma obra há muito esgotada que importa trazer de volta às livrarias — Declínio e Queda do Império Romano, de Edward Gibbon (1737-1794), editado por D.M. Low.

Originalmente publicado em seis volumes, a edição portuguesa, e presumo que outras, compactou-o em dois, de 500 páginas cada, apesar da mancha gráfica apertada e do corpo de letra micro. Mais de duzentos anos após a sua publicação (1789), a historiografia do período deu um salto, mas o livro de Gibbon continua a ser fascinante.

Clique na imagem.

segunda-feira, 22 de abril de 2019

ACTOR. E DAÍ?


Não percebo o espanto com a eleição de Volodymyr Zelenskiy. O novo Presidente da Ucrânia foi ontem eleito com 73,5% dos votos expressos, derrotando e humilhando Poroshenko.

Zelenskiy é actor de cinema e televisão. E daí? Catarina Martins, a líder do BE, não foi actriz? Ronald Reagan era actor, facto que não o impediu de ser duas vezes eleito Presidente dos Estados Unidos. Arnold Schwarzenegger, que até nasceu na Áustria e tem dupla nacionalidade, foi actor até ser duas vezes eleito Governador da Califórnia. Melina Mercouri, actriz, foi eleita deputada e mais tarde nomeada ministra da Cultura da Grécia. Os cinemas inglês, francês e americano estão cheios de actores e actrizes que fazem política activa. Os exemplos não acabam.

Zelenskiy começou aos 17 anos como moranguito...? E daí? Reagan não passou de cowboy em westerns de série B e Schwarzenegger notabilizou-se como Terminator. E nem vale a pena falar de Trump, que era apresentador de reality shows nos intervalos de ser promotor imobiliário.

Também me parece excessivo dizer que Zelenskiy «não tem» experiência política. É activista do Partido Sluha Narodu (Servo do Povo), designação actual do Partido da Mudança Decisiva. «Servo do Povo» é também o nome da série de televisão em que Zelenskiy faz de presidente.

Para quem não tem experiência política, é curioso que tenha opiniões claras sobre os temas que defende: acabar com a guerra no Donbass (o Leste russófilo da Ucrânia); a legalização do aborto, da cannabis para uso clínico, da prostituição e do jogo; a ilegalização da venda livre de armas. Favorável ao ingresso do país na UE e na NATO, diz que nada se fará nesse sentido sem referendos prévios. Também se opõe à discriminação de intelectuais e artistas em função das suas opções ideológicas.

Só o futuro dirá se, como afirma Poroshenko, é um pau mandado de Ihor Kolomoyskyi, o oligarca ucraniano que detém a maior fortuna do país. Zelenskiy até pode ser um desastre, mas não será por ser actor. A ver vamos.

Clique na imagem.

domingo, 21 de abril de 2019

PÁSCOA DE SANGUE


Oito explosões em três cidades diferentes, das quais seis em simultâneo (08:45 da manhã em Colombo, no Sri Lanka), e as duas mais recentes nos últimos 50 minutos, fizeram até ao momento cerca de seiscentas vítimas: 185 mortos, um deles português, e mais de 400 feridos.

Foram atacadas três igrejas, quatro hotéis de luxo e uma rua movimentada.

Ruwan Wijewardene, ministro da Defesa, declarou que os autores do massacre, extremistas religiosos, estão identificados. Foi decretado o recolher obrigatório a partir das 18 horas locais, 12:30 em Portugal.

Clique na imagem.

quinta-feira, 18 de abril de 2019

EUROPEIAS


Sondagem da Aximage hoje divulgada no CM e no Negócios.

Maioria de esquerda = 51%.

Se este estudo for confirmado nas urnas, PS e PSD elegem o mesmo número de deputados.

A soma da Direita [PSD+CDS+ALIANÇA] corresponde a 39,2%.

A tese do puxão de orelha aos Governos, sejam eles quais forem (uma única vez, em 1999, o partido que estava a governar ganhou as Europeias: foi o PS, mas Soares era o cabeça de lista), é equivalente a brincar com o fogo. A ver vamos.

Clique no gráfico do Negócios.

DÉJÀ VU

Chegou esta madrugada ao fim a greve dos motoristas de matérias perigosas. Muita gente não se lembra, mas uma greve igual paralisou o país entre 9 e 11 de Junho de 2008. Déjà vu, portanto.

Daqui até às eleições legislativas de Outubro vai ser assim. PSD, CDS, BE, PCP e PEV tudo farão para evitar a vitória do PS.

quarta-feira, 17 de abril de 2019

O ESPLENDOR DO CINISMO

Os partidos da Oposição aproveitaram o ano eleitoral para trazer à colação o tema da contagem de tempo dos professores do ensino básico e secundário. Até aqui, nada de novo. Faz parte das regras de jogo da democracia.

Aqui chegados, uma coligação negativa [PSD+CDS+BE+PCP+PEV] permitiria aprovar, imediatamente, a recuperação do tempo de serviço congelado pelo Governo PAF/Troika. Bastaria cada um destes partidos apresentar um diploma nesse sentido. A aprovação estava garantida.

O que fizeram então os estrénuos defendores dos docentes? O PSD e o CDS apresentaram diplomas sibilinos: sim senhor, têm direito aos 9 anos, se as condições económico-financeiras do país (subida do PIB e outros detalhes), na próxima legislatura, o permitirem. Se. A Esquerda chumbou. O BE, o PCP e o PEV querem novas negociações do Governo com os sindicatos com vista a estabelecer um calendário até 2025. A Direita chumbou. Os cinco diplomas baixaram à comissão parlamentar de Educação.

Dito de outro modo, toda a gente se esforçou por garantir que tudo ficava na mesma.

Por que carga de água ninguém teve tomates para apresentar um diploma sem reticências? Medo de que o Governo bata com a porta e provoque eleições antecipadas? É uma possibilidade real. Mas isso é outro campeonato. A Oposição não pode querer comer o bolo e ficar com ele.

FRÉDÉRIC MARTEL


Hoje na Sábado escrevo sobre a obra mais recente do francês Frédéric Martel (n. 1967), No Armário do Vaticano. E começo por notar que certo tipo de publicidade pode induzir em erro. No original, o livro chama-se Sodoma. Enquête au cœur du Vatican. Não se trata, como alguma gente supõe, de um manifesto gay. É uma investigação exaustiva, conduzida durante quatro anos. Para escrever o livro, o autor contou com a colaboração de 80 investigadores espalhados por cerca de quarenta países, que entrevistaram mais de 1500 pessoas. Martel entrevistou ele próprio 41 cardeais, 52 bispos, 45 núncios apostólicos, mais de 200 padres e seminaristas, embaixadores, adidos de imprensa, funcionários do Vaticano e membros da Guarda Suíça. Dividido em quatro partes, o livro aborda o pontificado de vários Papas, as lutas pelo poder, as correntes ideológicas, o predomínio da extrema-direita no pontificado de João Paulo II, a guerra movida por Roma aos defensores da Teologia da Libertação, as idiossincrasias da Igreja em África e na América Latina, a ‘ditadura’ da Congregação para a Doutrina da Fé, a vida dupla de centenas de padres de todos os escalões hierárquicos, os excessos do cardeal guineense Robert Sarah, a biografia mirabolante do cardeal colombiano Alfonso López Trujillo, «essa diva do catolicismo moribundo» que durante dezoito anos presidiu ao Conselho Pontifício para a Família, corrupção e escândalos financeiros na Santa Sé, a reiterada indiferença de Bento XVI face aos relatórios sobre abuso de menores, a clínica Gemelli, onde altos dignitários da Igreja são discretamente tratados de sida e doenças correlatas, o assédio sexual aos membros da Guarda Suíça, o outing do teólogo Krzysztof Charamsa (expulso do Vaticano), a protecção de padres pedófilos, etc. O dia em que Bento XVI sagrou arcebispo o seu secretário particular, Georg Gänswein, último acto oficial antes da renúncia, está fixado em páginas magníficas. Martel explica com minúcia a esquizofrenia que sustenta parte significativa dos altos escalões do Vaticano. O agitprop contra a comunidade homossexual não impede cardeais influentes de organizarem orgias chemsex com prostitutos. O triplo homicídio que envolveu Cédric Tornay, membro da Guarda Suíça, ilustra a bipolaridade. Um documento para a História. Quatro estrelas. Publicou a Sextante.