terça-feira, 1 de junho de 2021

ACL COM MURAL

Pena o dia estar cinzento, porque com sol é outra coisa. O mural foi inaugurado hoje às cinco da tarde, na presença de amigos.

Na foto de cima estou eu, ladeado pela autora do mural, Vanessa Teodoro, e por José António Borges, presidente da Junta de Freguesia de Alvalade. Na de baixo pode ler-se, em letras vermelhas 3D, o verso que fecha o meu poema, 

Fotos de Jorge Neves. Clique.

ACL, DIA DOIS


Esta noite, no Mercado de Alvalade, debate sobre crítica literária, com Helena Vasconcelos, Isabel Lucas, Manuel Frias Martins, Pedro Mexia e eu próprio. Carlos Vaz Marques modera.

Clique na imagem.

segunda-feira, 31 de maio de 2021

ABERTURA DE ACL


Instantâneo da minha intervenção, esta tarde, na Biblioteca Nacional de Portugal, no início do colóquio sobre poesia, primeira das seis sessões inseridas em Alvalade Capital da Leitura.

Clique na imagem.

ACL 2021



Começa esta tarde, na Biblioteca Nacional de Portugal, a 5.ª edição de Alvalade Capital da Leitura, com curadoria de Carlos Vaz Marques.

Um Colóquio sobre poesia preenche o primeiro de seis dias centrados na minha obra. Farei a intervenção de abertura e depois será a vez de António Carlos Cortez, Fernando Pinto do Amaral, Helga Moreira, Joana Matos Frias e Nuno Júdice apresentarem as suas comunicações.

Esta e as restantes sessões têm assistência, reduzida de acordo com as normas da DGS.

Marcação prévia através de cultura@jf-alvalade.pt

Clique nas imagens.

domingo, 30 de maio de 2021

ANA HATHERLY


UM POEMA POR SEMANA — Para hoje escolhi O Pé na Cabeça de Ana Hatherly (1929-2015), nome destacado da poesia experimental portuguesa.

Natural do Porto, Ana Hatherly perdeu os pais muito cedo, prosseguindo uma educação tradicional em casa da avó materna.

Poetisa, ficcionista, ensaísta, cineasta e artista plástica, fez estudos na Alemanha, na Califórnia e em Londres. Leccionou na Escola de Cinema do Conservatório Nacional e foi professora catedrática da Faculdade de Ciências Sociais e Humanas da Universidade Nova de Lisboa, escola onde co-fundou o Instituto de Estudos Portugueses.

Diplomada em cinema pela London Film School, cópias dos seus filmes estão arquivadas na Cinemateca Portuguesa e no Centro de Arte Moderna da Fundação Calouste Gulbenkian. Como artista plástica expôs a partir dos anos 1960, em Portugal e no estrangeiro.

Ajudou a fundar o PEN Clube Português, instituição que dirigiu durante largos anos, tendo sido (em paralelo) membro de várias organizações internacionais.

O poema desta semana pertence a Estruturas Poéticas — Tipo H (1967). A imagem foi obtida a partir da Antologia da Poesia Experimental Portuguesa. Anos 60 — Anos 80, organizada por Carlos Mendes de Sousa e Eunice Ribeiro, publicada pela Angelus Novus em 2004.

[Antes deste, foram publicados poemas de Rui Knopfli, Luiza Neto Jorge, Mário Cesariny, Natália Correia, Jorge de Sena, Glória de Sant’Anna, Mário de Sá-Carneiro, Sophia de Mello Breyner Andresen, Herberto Helder, Florbela Espanca, António Gedeão, Fiama Hasse Pais Brandão, Reinaldo Ferreira, Judith Teixeira, Armando Silva Carvalho, Irene Lisboa e António Botto.]

Clique na imagem.

quinta-feira, 27 de maio de 2021

DESCULPAS PÚBLICAS


Passam hoje 44 anos sobre o início do genocídio dos nitistas. E João Lourenço, o Presidente da República de Angola, pediu desculpas públicas pelas execuções sumárias levadas a cabo pelo Estado na sequência do golpe de 27 de Maio de 1977. Palavras suas:

«Não é hora de nos apontarmos o dedo procurando os culpados. Importa que cada um assuma as suas responsabilidades na parte que lhe cabe. É assim que, imbuídos deste espírito, viemos junto das vítimas dos conflitos e dos angolanos em geral pedir humildemente, em nome do Estado angolano, as nossas desculpas públicas pelo grande mal que foram as execuções sumárias naquela altura e naquelas circunstâncias. [...] O pedido público de desculpas e de perdão não se resume a simples palavras e reflete um sincero arrependimento e vontade de pôr fim à angústia que estas famílias carregam por falta de informação quanto aos seus entes queridos

Liderados por Nito Alves, antigo ministro do Interior, e Sita Valles, mulher de José Van-Dúnem (irmão da actual ministra portuguesa da Justiça), os nitistas, ou Fraccionistas, todos dissidentes do MPLA, foram presos, torturados na ominosa Comissão das Lágrimas e, de seguida, executados sem julgamento prévio. Segundo vários historiadores, o número de vítimas do genocídio é de cerca de trinta mil.

Da vasta bibliografia sobre os acontecimentos, destaco Purga em Angola (2007), de Dalila Cabrita Mateus e Álvaro Mateus, publicado em Portugal pela Asa.

Na imagem, de cima para baixo e da esquerda para a direita, Nito Alves, José Van-Dúnem, Sita Valles e um jovem de barba e bigode que não sei identificar. Clique.

terça-feira, 25 de maio de 2021

CONTOS

 Chegou hoje às livrarias. Clique na imagem.

segunda-feira, 24 de maio de 2021

ALVALADE CAPITAL DA LEITURA


Ainda falta uma semana, mas o programa já pode ser consultado.

Todas as sessões têm assistência, reduzida de acordo com as regras da DGS e sujeitas a marcação prévia através de cultura@jf-alvalade.pt

No Palácio Pimenta, uma vez que a sessão de poesia e música decorrerá nos jardins do museu, o número de espectadores será maior.

Por ser na rua, a inauguração do mural de Vanessa Teodoro, com poema meu, também permite outra folga.

Clique na imagem para ler melhor.

domingo, 23 de maio de 2021

BOTTO


UM POEMA POR SEMANA — Para hoje escolhi o primeiro poema de Adolescente, livro com que António Botto (1897-1959) inicia Canções, conjunto de quinze livros publicados entre 1921 e 1941.

Como corolário de uma violenta campanha de imprensa, a Liga de Acção dos Estudantes de Lisboa teve força para impor ao Governo Civil a apreensão, e ulterior auto-de-fé, da segunda edição (1923) de Canções. O manifesto dos estudantes das escolas superiores deu azo ao famoso contra-manifesto de Álvaro de Campos, Aviso por Causa da Moral.

Natural do Casal da Concavada, Abrantes, Botto nasceu em meio proletário, vindo viver para Lisboa em 1902, ainda D. Carlos era rei. Criado em Alfama, sem educação formal, nómada dos bairros populares, homossexual notório, aspirante a actor, ajudante de livraria, modesto funcionário público entre 1924 e 1942 (o primeiro ano em Angola), mitómano, tudo o afastou do padrão de respeitabilidade do seu tempo. É irrelevante discutir se tinha 15 ou 17 anos quando se estreou. A obra começa em 1921, ano em que sai a primeira edição de Canções, com prefácio de Teixeira de Pascoaes.

Admirado sem reservas por Pessoa, Régio, Aquilino, Nemésio, Carlos Drummond de Andrade, Manuel Teixeira-Gomes, Ferreira de Castro, Adolfo Casais Monteiro, José Gomes Ferreira, Natália Correia, David Mourão-Ferreira, Ruy Belo e outros, abateu-se sobre Botto um silêncio de quase meio século (anos 1940-90). O resgate da obra deve-se a Joaquim Manuel Magalhães, Fernando Cabral Martins, Fernando J.B. Martinho, Carlos Mendes de Sousa, Fernando Pinto do Amaral e, mais recentemente, a Anna M. Klobucka.

Botto foi expulso da Função Pública em 1942, sem direito a pensão, por, alegadamente, recitar poemas durante as horas de serviço e dirigir galanteios a um colega. O despacho consta do Diário do Governo, II Série, n.º 262, de 9 de Novembro desse ano.

Além de poesia, na qual incluo Cartas Que Me Foram Devolvidas (sequência em prosa integrada em Canções desde 1941), Botto escreveu contos infantis, peças de teatro, bem como narrativas de vária índole. Em co-autoria com Pessoa organizou a Antologia de Poemas Portugueses Modernos, com edição parcial em 1929, e integral em 1944. Foi reeditada em 2011, com prefácio meu.

A 17 de Agosto de 1947, data do seu 50.º aniversário, partiu para o Brasil na companhia de Carminda da Conceição Silva Rodrigues, mulher com quem coabitava desde 1929. Como tantos homossexuais da sua geração, Botto arranjou uma mulher para lhe servir de criada. Nove anos mais velha do que Botto, Carminda terá sido contratada como enfermeira, mas acompanhou-o até à morte.

A vida no Brasil foi uma espécie de buraco negro. Estão documentados convívios com Manuel Bandeira, Carlos Drummond de Andrade, Érico Verissimo (um trio de gigantes) e outros intelectuais brasileiros, mas o desenraizamento persistiu. Crescentes dificuldades materiais, decisões editoriais equívocas, azares pessoais, rápida progressão da sífilis, crise de fé nos anos 1950 — o que explica um livro como Fátima —, etc., tudo contribuiu para a débâcle.

A morte chegou de forma inesperada: a 4 de Março de 1959 foi atropelado por uma viatura do Estado, na Avenida Nossa Senhora de Copacabana, no Rio de Janeiro. Após doze dias em coma, morreu no dia 17, com 62 anos de idade. Dois meses depois da sua morte, a Ática publicou o livro derradeiro, Ainda Não Se Escreveu. Reconhecida como “viúva”, Carminda passou a receber uma pensão do Estado brasileiro. Foi ela quem enviou o espólio do poeta para a Biblioteca Nacional de Portugal.

Os restos mortais de Botto vieram para Lisboa em 1966, estando depositados no Cemitério do Alto de São João, acto a que assistiram Régio, vindo expressamente de Vila do Conde, Ferreira de Castro, Natália Correia, David Mourão-Ferreira e alguns amigos pessoais. A trasladação fora feita contra a vontade de um grupo de “notáveis”.

Como acima vai dito, o poema desta semana abre Adolescente. A imagem foi obtida a partir de Poesia, volume da sua poesia completa, por mim editado (introdução, notas, variantes, fixação de texto e cronologia), e publicado pela Assírio & Alvim em 2018.

[Antes deste, foram publicados poemas de Rui Knopfli, Luiza Neto Jorge, Mário Cesariny, Natália Correia, Jorge de Sena, Glória de Sant’Anna, Mário de Sá-Carneiro, Sophia de Mello Breyner Andresen, Herberto Helder, Florbela Espanca, António Gedeão, Fiama Hasse Pais Brandão, Reinaldo Ferreira, Judith Teixeira, Armando Silva Carvalho e Irene Lisboa.]

Clique na imagem.

quarta-feira, 19 de maio de 2021

TAP & TJE


Em Junho do ano passado, por intermédio do Orçamento Suplementar ao OE 2020, o Governo fez um empréstimo à TAP no valor de 946 milhões de euros. Com o aval da Comissão Europeia, essa ajuda podia chegar a 1,2 mil milhões de euros. Sem esse dinheiro, a TAP fechava.

Na altura, a Associação Comercial do Porto interpôs providência cautelar contra o apoio estatal à TAP, mas o Supremo Tribunal Administrativo não deu provimento à demanda.

Quem também se queixou foi a Ryanair, companhia privada, irlandesa, que apelou para o Tribunal de Justiça Europeu. O veredicto soube-se hoje: 

«A decisão da Comissão que declara o auxílio de Portugal a favor da companhia aérea TAP compatível com o mercado interno é anulada por não estar suficientemente fundamentada.» 

Não obstante, o efeito do acórdão fica suspenso por dois meses. Até o processo estar dirimido, a TAP não é obrigada a devolver o dinheiro que recebeu desde Junho de 2020. Para já, a Comissão Europeia vai rever o teor da fundamentação que sustenta o apoio. 

Situação análoga se passa nos Países Baixos com a KLM. A companhia holandesa foi ajudada em 3,4 mil milhões de euros e o TJE também quer a ajuda melhor explicada.

Clique na imagem.

segunda-feira, 17 de maio de 2021

CONTRA A HOMOFOBIA



Hoje, 17 de Maio, Dia Internacional contra a Homofobia, Transfobia e Bifobia, a residência oficial do primeiro-ministro ostenta a bandeira arco-íris. Foi António Costa em pessoa quem a hasteou. 

O mesmo sucede na Câmara Municipal de Lisboa e no edifício onde funciona o conselho de ministros.

Imagens de São Bento e da CML.

Clique nas imagens.

INTERCAMPUS


Sondagem da Intercampus para o CM, a CMTV e o Negócios, divulgada hoje:

PS 37,9% / PSD 21,7% / BE 8,3% / CH 8,3% / CDU 5,5% / PAN 4,8% / IL 4,2% / 

/ CDS 2,9%

A soma do PSD+CH+IL+CDS é inferior à do PS sozinho.

Clique na imagem do Expresso.

domingo, 16 de maio de 2021

IRENE LISBOA


UM POEMA POR SEMANA — Para hoje escolhi Nova, Nova, Nova, Nova! de Irene Lisboa (1892-1958), poetisa que até 1942 assinou com o pseudónimo de João Falco.

Natural do Casal da Murzinheira, Arruda dos Vinhos, Irene Lisboa foi professora do ensino primário, pedagoga e, após estudos na Bélgica, em França e na Suíça, tornou-se especialista em Ciências da Educação. Mulher de Esquerda, o Estado Novo afastou-a do ensino e de todos os cargos públicos em 1940. Além de João Falco (em livro), Irene usou outros pseudónimos masculinos para colaborar na imprensa.

Além de poesia, escreveu novelas, contos infantis, ensaios, crónicas e três diários. Colaborou nas revistas mais importantes do seu tempo e fez conferências sobre pedagogia.

Entre outros, Régio, Nemésio, Sena, José Gomes Ferreira, Adolfo Casais Monteiro, José Rodrigues Miguéis e Óscar Lopes tinham-na em alta consideração. Foi Paula Morão quem, a partir de 1991, editou as suas obras completas, publicadas em vários volumes pela Editorial Presença.

O poema desta semana pertence a Outono Havias de Vir (1936). A imagem foi obtida a partir de Do Corpo: Outras Habitações, antologia de poesia identitária organizada por Ana Luísa Amaral e Marinela Freitas, publicada pela Assírio & Alvim em 2018.

[Antes deste, foram publicados poemas de Rui Knopfli, Luiza Neto Jorge, Mário Cesariny, Natália Correia, Jorge de Sena, Glória de Sant’Anna, Mário de Sá-Carneiro, Sophia de Mello Breyner Andresen, Herberto Helder, Florbela Espanca, António Gedeão, Fiama Hasse Pais Brandão, Reinaldo Ferreira, Judith Teixeira e Armando Silva Carvalho.]

Clique na imagem.

quinta-feira, 13 de maio de 2021

CESOP


Sondagem do Cesop da Universidade Católica para o Público e a RTP, divulgada hoje.

Esquerda = 54% / Direita+liberais+extrema-direita = 42% / Brancos e nulos = 4%

Clique na imagem.

quarta-feira, 12 de maio de 2021

MANUEL ALEGRE


Nos 85 anos de Manuel Alegre — Águeda, 12 de Maio de 1936 —, um dos seus magníficos sonetos.

Clique na imagem.

segunda-feira, 10 de maio de 2021

CICLO EM ALVALADE


No passado 23 de Abril, Dia Mundial do Livro, revelei ser eu, este ano, o autor homenageado em Alvalade Capital da Leitura. Hoje acrescento os nomes de quem participará nos vários momentos do ciclo literário, que tem curadoria de Carlos Vaz Marques.

A 31 de Maio | 14:30 | Colóquio sobre poesia, na Biblioteca Nacional de Portugal, com António Carlos Cortez, Fernando Pinto do Amaral, Helga Moreira, Joana Matos Frias, Nuno Júdice e eu próprio. 

A 1 de Junho | 17:00 | Inauguração de mural público, na Rua Flores do Lima. Poema meu, mural de Vanessa Teodoro. 

A 1 de Junho | 21:30 | Debate sobre crítica literária, no Mercado de Alvalade, com Helena Vasconcelos, Isabel Lucas, Manuel Frias Martins, Pedro Mexia e eu próprio. Moderação de Carlos Vaz Marques.

A 2 de Junho | 21:30 | Noite Laurentina (memórias coloniais), na Galeria 111, com Eugénio Lisboa, Isabela Figueiredo, José Gil e eu próprio. Moderação de Maria João Seixas.

A 3 de Junho | 21:00 | Exibição, no auditório do Caleidoscópio, do filme The Untold Tales of Amistead Maupin, de Jennifer M. Kroot, seguido de debate sobre literatura LGBT — Fractura exposta —,  com Ana Luísa Amaral, Marinela Freitas e eu próprio. Moderação de Miguel Vale de Almeida.

A 4 de Junho | 21:30 | Noite de poesia e música, nos jardins do Museu Palácio Pimenta, com Maria João Luís e Manuel Wiborg. Leitura de poemas de Alberto de Lacerda, Fiama Hasse Pais Brandão, Herberto Helder, Jorge de Sena, Luiza Neto Jorge, Mário Cesariny, Reinaldo Ferreira, Rui Knopfli, Sophia de Mello Breyner Andresen e Eduardo Pitta.

A 5 de Junho | 18:00 | No Museu Bordalo Pinheiro, lançamento de Devastação, o meu novo livro de contos, editado pela Dom Quixote. Teresa Sousa de Almeida apresenta e o actor Luís Lucas lerá um conto.

Oportunamente darei detalhes sobre as inscrições de quem quiser assistir presencialmente.

Clique na imagem.

domingo, 9 de maio de 2021

ARMANDO SILVA CARVALHO


UM POEMA POR SEMANA — Para hoje escolhi Citações perversas ou da poesia que se pode de Armando Silva Carvalho (1938-2017), poeta central da poesia portuguesa contemporânea.

Natural de Olho Marinho, Óbidos, Armando Silva Carvalho estreou-se com Lírica Consumível (1965). Poeta e ficcionista, exerceu várias profissões antes de dedicar-se a tempo inteiro à escrita: foi advogado, professor do ensino secundário, jornalista, tradutor, publicitário e consultor de marketing.

Além de poesia, publicou contos e narrativas de mais largo fôlego, entre elas, em 1977, Portuguex — obra que urge reeditar —, radiografia mordaz de um certo Portugal. Entre outros, traduziu Genet, Beckett e Mallarmé.

Homem de esquerda, homossexual discreto, foi uma figura respeitada da vida literária portuguesa. Várias vezes premiado, encontra-se representado nas mais importantes antologias de poesia.

O poema desta semana pertence a Sol a Sol (2005). A imagem foi obtida a partir de O Que Foi Passado A Limpo, volume que reúne poemas publicados entre 1965 e 2005, editado pela Assírio & Alvim em 2007.

[Antes deste, foram publicados poemas de Rui Knopfli, Luiza Neto Jorge, Mário Cesariny, Natália Correia, Jorge de Sena, Glória de Sant’Anna, Mário de Sá-Carneiro, Sophia de Mello Breyner Andresen, Herberto Helder, Florbela Espanca, António Gedeão, Fiama Hasse Pais Brandão, Reinaldo Ferreira e Judith Teixeira.]

Clique na imagem.

sábado, 8 de maio de 2021

ZMAR


Ainda o imbróglio do eco camping resort construído em cima de uma reserva ecológica e declarado insolvente no passado 10 de Março, por decisão do Tribunal de Odemira.

Com a falta de tacto que o caracteriza, o ministro da Administração Interna geriu o processo que levou à instalação, no referido resort, de alguns migrantes que trabalham em explorações agrícolas do concelho de Odemira. Trata-se de pessoas que viviam em condições de habitabilidade infra-humana.

Para resolver um problema que a pandemia (e a cerca sanitária que isola duas freguesias do concelho) agravou, o Governo accionou a requisição civil do Zmar, instalando ali, em dez bungalows — 10 dos 260 distribuídos por 81 hectares —, essas pessoas.

Caiu o Carmo e a Trindade. Bem vistas as coisas, não estamos a falar da Cova da Moura. Criado por Francisco de Mello Breyner, o Zmar tem (ou teve) Marcela de Mello Breyner como administradora da área financeira, Francesca de Mello Breyner como responsável pelas relações públicas, a ceramista Anna Westerlund (viúva do actor Pedro Lima) entre os proprietários indignados, Pedro Pidwell como administrador de insolvência, etc. Tanto bastou para pôr os media a salivar.

Ontem, na SICN, a advogada Rita Garcia Pereira explicou com detalhe as consequências da requisição civil, da eficácia do despacho, da falta de efeitos práticos da providência cautelar interposta por um grupo de proprietários dos bungalows amovíveis (o STA recusou o decretamento imediato), da resolução fundamentada a apresentar pelo Governo, do tempo da Justiça, etc. Coisa para anos.

Entre outras coisas, disse: «Ao contrário do que tem sido noticiado, a providência cautelar foi recebida e a isto se resume a atitude do tribunal. Verificou os pressupostos do ponto de vista formal e, depois disso, é que irá analisar inclusivamente os fundamentos da mesma. Estamos numa apreciação muito preliminar ainda...» Claro como água.

Imagem: Rita Garcia Pereira na SICN. Clique.

quarta-feira, 5 de maio de 2021

MADRID RECONDUZ AYUSO


A vitória do PP reconduz Isabel Díaz Ayuso como presidente da Comunidade de Madrid.

Juntos, o PP (com 65 lugares, mais do dobro do que em 2019) e a extrema-direita do VOX (com 13) obtiveram maioria absoluta: 78 em 136.

O PSOE ficou empatado com o Más Madrid: 24 cada. O PODEMOS obteve 10. Pablo Iglesias abandona o cargo e a vida política. CIUDADANOS sai de cena: zero lugares (em 2019 conseguiu 26). Tudo isto tendo votado ontem mais 11% dos madrilenos que votaram nas eleições anteriores.

Clique na imagem de El País.

terça-feira, 4 de maio de 2021

JULIÃO SARMENTO 1948-2021


Vítima de cancro, morreu hoje Julião Sarmento, o artista plástico português de maior projecção internacional. Doente há vários meses, Sarmento encontrava-se internado no Centro Clínico Champalimaud, em Lisboa.

Representado em museus e galerias de todo o mundo, a obra de Sarmento desdobra-se pela pintura, desenho, escultura, fotografia, vídeo, instalações e performance. No nosso país, obras suas podem ser vistas no MNAC (Lisboa), no Museu de Serralves (Porto), no CAM da Gulbenkian, no Museu Berardo e outras assinaladas partes.

Retrospectivas suas foram apresentadas em Lisboa (Gulbenkian), Porto (Serralves), Madrid (Museu Nacional Reina Sofia), Londres (Tate Modern), Roterdão (Witte de With Centrum voor Hedendaagse Kuns), Amesterdão (Stedelijk Museum), Nova Iorque (Guggenheim), etc. A partir dos anos 1980 participou nas mais importantes bienais de arte: Paris, São Paulo, Veneza e, por duas vezes, na Documenta de Kassel. 

Após ter vivido em Londres nos anos 1960, Sarmento viveu em Lourenço Marques — mais exactamente na Matola — entre 1972 e o início de 1974. Descobri-o na Galeria Texto, onde expôs Quartos em Maio de 1974 (a abertura agendada para 25 de Abril foi adiada). Se a memória me não falha, havia dépliant de Sílvia Chicó. Terá sido a sua primeira individual.

Em Portugal tornou-se notado após ter participado em Alternativa Zero (1977), o happening conceptual e multidisciplinar que Ernesto de Sousa organizou na Galeria Nacional de Arte Moderna, juntando artistas, músicos e escritores de várias gerações e tendências.

Afinidades Electivas (2015), exposição comissariada por Delfim Sardo, mostrou a colecção particular de Sarmento: mais de trezentas obras de artistas nacionais e estrangeiros com quem se cruzou e de quem foi amigo. Exposta em dois núcleos, um no Museu da Electricidade da Fundação EDP, outro na Fundação Carmona e Costa, encontra-se plasmada em álbum, como tantas outras das suas exposições e ciclos temáticos.

Clique na imagem.