domingo, 21 de novembro de 2021

LUÍS MIGUEL NAVA


Com um poema em prosa, retomo hoje a publicação de um poema por domingo, interrompida em 26 de Setembro.

Para hoje escolhi Matadouro de Luís Miguel Nava (1957-1995), poeta barbaramente assassinado aos 37 anos.

Natural de Viseu, Nava foi poeta e ensaísta. Atravessou a cena literária como uma estrela cadente e deixou uma obra breve mas impressiva. Começou a escrever em criança, mais precisamente aos oito anos (facto que coincidiu com o divórcio dos pais), e ainda não tinha dezasseis quando publicou o primeiro livro, O Perdão da Puberdade (1974), assinado Luís Miguel Perry Nava, título omisso da bibliografia canónica, que começa em 1979, com Películas.

Em 1975, durante alguns meses, foi casado com a poeta Rosa Oliveira. Homossexual assumido, docente na Faculdade de Letras de Lisboa, partiu em 1983 para Oxford como leitor de português. Mais tarde foi tradutor da União Europeia, em Bruxelas. Nómada no Magreb, acalentou nos últimos anos de vida o desejo de um leitorado no Cairo, mas a morte surpreendeu-o em casa, onde foi degolado no dia 9 de Maio de 1995.

O poema desta semana pertence a O Céu Sob as Entranhas (1989). A imagem foi obtida a partir de Poesia (2020), volume organizado por Ricardo Vasconcelos que reúne a obra poética completa.

Depois da sua morte, instituiu-se por testamento a Fundação Luís Miguel Nava, que editou durante anos a revista Relâmpago, atribuindo um prémio anual de poesia.

[Antes deste, foram publicados poemas de Rui Knopfli, Luiza Neto Jorge, Mário Cesariny, Natália Correia, Jorge de Sena, Glória de Sant’Anna, Mário de Sá-Carneiro, Sophia de Mello Breyner Andresen, Herberto Helder, Florbela Espanca, António Gedeão, Fiama Hasse Pais Brandão, Reinaldo Ferreira, Judith Teixeira, Armando Silva Carvalho, Irene Lisboa, António Botto, Ana Hatherly, Alberto de Lacerda, Merícia de Lemos, Vasco Graça Moura, Fernanda de Castro, José Gomes Ferreira, Natércia Freire, Gomes Leal, Salette Tavares, Camilo Pessanha, Edith Arvelos, Cesário Verde, António José Forte, Francisco Bugalho, Leonor de Almeida, Carlos de Oliveira, Fernando Assis Pacheco e José Blanc de Portugal.]

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sexta-feira, 19 de novembro de 2021

ANTÓNIO OSÓRIO 1933-2021


Nunca nos habituaremos à morte de um amigo próximo. António Osório, poeta maior do século XX português, morreu ontem aos 88 anos.

Estreado em livro à beira dos 40 anos, seria só com A Ignorância da Morte (1978) que a crítica dominante fixaria o seu lugar na poesia portuguesa contemporânea.

Várias vezes premiado, com obra traduzida e publicada em Espanha, França e Itália, mas também no Brasil, elogiada por críticos tão diferentes como João Gaspar Simões, David Mourão-Ferreira, Eugénio Lisboa, Joaquim Manuel Magalhães, Vasco Graça Moura, Eduardo Lourenço, Fernando J.B. Martinho, João Bigotte Chorão, Eduardo Prado Coelho, Carlos Reis, Fernando Pinto do Amaral, Diogo Pires Aurélio, Pedro Mexia, António Carlos Cortez, eu próprio, etc. (cito apenas portugueses), Osório é uma das vozes mais marcantes do denominado regresso ao real.

Advogado de profissão, Bastonário da respectiva Ordem entre 1984 e 1986, membro da Academia das Ciências de Lisboa, presidente da Associação Portuguesa para o Direito do Ambiente (1994-96), administrador da Comissão Portuguesa da Fundação Europeia da Cultura, representante de Portugal na Convenção da Haia (1980), presidente da delegação portuguesa no Tribunal Europeu de Arbitragem (com sede em Estrasburgo), fundador da revista de Direito do Ambiente e do Ordenamento do Território, membro do Instituto de Direito Comparado Luso-Brasileiro, director da Biblioteca da Ordem dos Advogados (1995-2002), director da revista de Direito do Ambiente e do Ordenamento do Território, director da revista Foro das Letras, exerceu diversos outros cargos de interesse público.

A Luz Fraterna (2009, Assírio & Alvim) colige a sua obra poética completa.

Até sempre, António.

quinta-feira, 18 de novembro de 2021

NATÁLIA NUNES, CEM ANOS


Passam hoje cem anos sobre o nascimento de Natália Nunes (1921-2018), romancista, contista, dramaturga, ensaísta, memorialista e tradutora. Entre outros, Óscar Lopes cedo destacou a importância da sua Obra, publicada entre 1952 e 2006.

Estreada em 1952 com Horas Vivas: Memórias da Minha Infância, foi sempre, à margem de holofotes mediáticos e respaldo partidário ou corporativo, uma feminista avant la lettre.

Autora de extensa bibliografia em vários géneros, Natália Nunes distinguiu-se sobretudo na área da ficção. Obras como Autobiografia de uma Mulher Romântica (1955), O Caso de Zulmira L. (1967), A Nuvem (1970), Da Natureza das Coisas (1985) e As Velhas Senhoras e Outros Contos (1992) fazem dela um nome de referência na literatura portuguesa do século XX.

Publicada em 1970, a peça de teatro Cabeça de Abóbora é uma farsa demolidora do totalitarismo de Estado.

Na área do ensaio, destaque para As Batalhas Que Nós Perdemos (1973), obra que colige estudos sobre Augusto Abelaira, José Cardoso Pires e Raul Brandão.

Traduziu Dostoievski, Tolstoi, Simonov, Elsa Triolet e Violette Leduc, tendo, durante quarenta anos, colaborado com regularidade nos títulos mais relevantes da imprensa portuguesa.

Foi casada com o cientista, pedagogo e professor Rómulo de Carvalho, mais conhecido pelo pseudónimo de António Gedeão. Exerceu o cargo de conservadora da Torre do Tombo (1957-68) e fez parte da última direcção da Sociedade Portuguesa de Escritores, extinta pelo Estado Novo em Maio de 1965.

Sua filha, a escritora Cristina Carvalho, participa hoje, juntamente com a professora Teresa Sousa de Almeida, da Faculdade de Ciências Sociais e Humanas da Universidade Nova de Lisboa, num colóquio de homenagem moderado pela professora Margarida Braga Neves, do Centro de Literaturas e Culturas Lusófonas e Europeias da Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa, que terá lugar via zoom, a partir das 18 horas.

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terça-feira, 16 de novembro de 2021

NONSENSE

Com um ano de antecedência, começaram esta manhã as comemorações do centenário do nascimento de José Saramago, nascido a 16 de Novembro de 1922. Hoje faria apenas 99 anos.

Percebo que a efeméride seja assinalada com pompa e circunstância: colóquios internacionais, conferências, reedições especiais, encontros com leitores, debates, etc. Trata-se, afinal, do único Nobel da literatura portuguesa. Mas, a ter de durar um ano, ou mesmo mais, não teria sido lógico começar em Novembro de 2022?

Tudo isto se passa no país que celebrou de forma quase clandestina os centenários de Fernando Namora (2019), Jorge de Sena (2019), Carlos de Oliveira (2021), Maria Judite de Carvalho (2021) e outros, preparando-se para fazer o mesmo, daqui a dias, com Natália Nunes (2021). Escapou Sophia (2019), mas Sophia foi apropriada pelo Regime.

AGITPROP


Começou a campanha pela abstenção. A imagem do Correio da Manhã mete no mesmo saco um estudo norte-americano e a realidade portuguesa.

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segunda-feira, 15 de novembro de 2021

GLÓRIA


Comecei ontem a ver a série Glória de Pedro Lopes, disponível na Netflix desde o passado dia 5.

Com realização de Tiago Guedes, junta cerca de oitenta actores nacionais e estrangeiros, sendo Miguel Nunes, Carolina Amaral, Afonso Pimentel, Victoria Guerra, Marcello Urgeghe, Maria João Pinho, Carloto Cotta, Leonor Silveira, Albano Jerónimo, Joana Ribeiro, João Pedro Mamede, Adriano Luz, Teresa Madruga, Gonçalo Waddington, Inês Castel-Branco, Ivo Canelas, Sandra Faleiro, Pêpê Rapazote, Rita Durão e Rodrigo Tomás alguns deles. A fotografia é de André Szankowski.

O título remete para Glória do Ribatejo, a vila ribatejana do concelho de Salvaterra de Magos (Santarém) onde funcionou a RARET, o centro retransmissor instalado pelos Estados Unidos no nosso país para difundir a Radio Free Europe, o emissor anti-comunista dirigido à URSS e outros países da Cortina de Ferro, apenas desactivado em 1996. Juntamente com a Base das Lajes, nos Açores, a RARET era o osso que garantia o apoio de Washington à ditadura portuguesa.

Ainda só vi três episódios. Para já, numa escala de zero a vinte, daria onze. A trama começa em 1968, em plena Guerra Fria. João Vidal [Miguel Nunes] é um jovem da alta sociedade de Lisboa que foi recrutado pelo KGB após cumprir serviço militar em Angola. Filho de um membro do Governo de Salazar, é ele o epicentro da intriga.

A ver vamos os próximos episódios.

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quinta-feira, 4 de novembro de 2021

JONATHAN FRANZEN


Hoje na Sábado.

Tem saudades de, ou quer saber como se vivia nos anos 70 do século passado? Então leia Encruzilhadas, o romance mais recente de Jonathan Franzen (n. 1959), primeiro título de uma anunciada trilogia sobre a América comtemporânea, A Key to All Mythologies. Desde as obras-primas de Updike, Roth e DeLillo que a literatura norte-americana não atingia tal fôlego, mas isso ficou estabelecido há vinte anos, quando Franzen publicou Correcções.

O título original, Crossroads, remete para um gangue de adolescentes da Comunidade de Deus. Tudo se passa num subúrbio de classe-média de Chicago, onde vivem os Hildebrandt. Russ, o patriarca da família, pastor na igreja local, via-se a si próprio, aos 47 anos, como um «tolo, obsoleto e repelente palhaço». Estamos nos últimos anos da Guerra do Vietname e, para os Hildebrandt , o Natal de 1971 desata o nó górdio das tensões (o romance ocupa-se de duas gerações da família). O plot inclui desastres, sexo, estupro, aborto, drogas, renascimento do cristianismo moderno, crises de fé, internamento psiquiátrico, costumes Navajo, contracultura hippie, guerra vs pacifismo, voluntariado, frustração, memórias recalcadas, ressentimento, psicanálise grupal, conflito étnico, dilemas morais, epifanias, crime, suicídio e blues de Robert Johnson. Leitores familiarizados com a cultura pop dos seventies, sobretudo música e cinema, identificam com facilidade os envios.

A mais-valia de toda a arquitectura romanesca encontra-se na forma como Franzen radiografa cada um dos cinco membros da família. Por exemplo, Perry (o filho mais novo), um toxicodependente de 15 anos intelectualmente sobredotado, terá sido inspirado na personalidade de David Foster Wallace, que foi íntimo do autor. Em suma, uma versão actual dos Buddenbrook de Thomas Mann não andaria longe deste quadro.

Encruzilhadas é realismo histérico (como James Wood bem observa) em todo o seu esplendor, calibrado com o virtuosismo a que Franzen nos habituou. A partir de incidentes paroquiais e das disfunções de uma família sem glamour, o autor constrói um épico irrepreensível, onde não faltam juízos morais: «Como podia uma nação que se intitulava cristã gastar milhares de milhões de dólares em armas mortíferas?» Nada que surpreenda quem conheça a obra do autor.

Doravante, a cidade fictícia de New Prospect passa a integrar a geografia da literatura contemporânea. E Marion, mulher mal amada, mãe de cinco filhos e co-autora dos sermões do marido, tem a espessura de uma heroína de Balzac.

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sexta-feira, 29 de outubro de 2021

EM QUE FICAMOS?

Se o Presidente da República publicar o decreto de dissolução do Parlamento até ao próximo dia 15 de Novembro, as eleições antecipadas podem realizar-se a 9 de Janeiro de 2022, uma vez cumprido o intervalo de 55 dias prescrito pela Constituição. 

Mas como, aparentemente, o calendário anda a ser gizado entre o PR e Paulo Rangel, o candidato a líder que quer eleições a 27 de Fevereiro, o país vai ter de esperar pelo desfecho das convulsões internas do PSD. E se agora, com a crise instalada, Rui Rio conseguir impor o adiamento das directas marcadas para 4 de Dezembro? Ou se, não as conseguindo adiar, vencer Rangel?

O imbróglio repete-se no CDS, mas o CDS não risca.

Entretanto, deputados de vários partidos querem fazer aprovar, antes da dissolução, catorze diplomas (eutanásia, fundos do PRR, outros). Porque a única mudança garantida, apesar da dissolução, é o aumento do salário mínimo, o qual apenas depende de portaria do Governo.

Tudo isto se resolvia com novo OE para 2022 se apresentado no prazo de 90 dias. Não sabemos se o PR subscreve o solução, já sugerida por Bruxelas. O PCP quer, mas suponho que não seja a vontade do Governo.

PARA MEMÓRIA FUTURA


Quem durante o debate do OE 2022 ouviu Rui Rio e outros próceres da Direita e extrema-direita, julgaria o país à beira de novo resgate.

A imagem é do Expresso. Clique.

quinta-feira, 28 de outubro de 2021

ELEIÇÕES ANTECIPADAS

Não sou de prognósticos, mas não é difícil antecipar o resultado das eleições antecipadas. 

— Se não se bater por (e obtiver) maioria absoluta, o PS não terá condições para formar Governo. É preciso convencer os eleitores dessa necessidade, dizendo com clareza ao que vai. Se ficar pela ambiguidade da “maioria reforçada” não vai a lado nenhum. Ser o Partido mais votado não chega.

— Se o PSD concorrer coligado com o CDS e a Iniciativa Liberal, é grande a probabilidade de obter maioria absoluta. A ver vamos quem lidera o Partido a partir das directas de Dezembro. Rui Rio parece aberto à grande coligação. Paulo Rangel, por enquanto, quer concorrer sozinho e fazer acordos pós-eleitorais. A ver vamos.

— Se uma hipotética maioria relativa PSD+CDS+IL depender do CHEGA (muito provavelmente a terceira força política) para obter maioria absoluta, Ventura será o suporte do tripé.

— Na próxima Primavera falamos.

VIGDIS HJORTH


Hoje na Sábado.

Com Herança, a norueguesa Vigdis Hjorth (n. 1959) tornou-se uma das autoras mais discutidas da literatura europeia contemporânea. Vigdis começou pela literatura infantil, mas de seguida publicou cerca de trinta romances, sendo a Herança o primeiro a chegar à edição portuguesa.

No ano em que foi publicado (2016) o livro gerou controvérsia pela sua natureza autobiográfica. À laia de recado, a autora cita A Festa, o filme de Thomas Vinterberg. Na Noruega, foram muitos os que reconheceram no plot nada menos que três gerações da família Hjorth. Vigdis foi acusada de usar diverso material privado, como por exemplo correspondência familiar. A irmã, Helga, até publicou a sua versão dos factos, num livro que foi um bestseller. E a mãe de ambas processou a companhia de teatro que encenou uma adaptação da obra.

Relatos de sordidez familiar não são novidade em literatura. Os noruegueses tinham o precedente de Karl Ove Knausgård, mas o quinteto Melrose, do inglês Edward St Aubyn, continua sem equivalente em matéria de transgressão. Isto dito, a Herança não surpreende pelo tema. O que o distingue é a escrita da autora, nem sempre linear, porém estimulante nos seus avanços, recuos e minúcia descritiva. Certas repetições parecem-me escusadas, mas terá que ver com o discurso obsessivo compulsivo. Curiosamente, críticos de língua inglesa têm falado de Vigdis Hjorth como de um híbrido de Jane Austen e Agatha Christie, com laivos de Ibsen.

Incesto (em criança, Bergljot foi várias vezes abusada sexualmente pelo próprio pai) e disputas patrimoniais entre quatro irmãos constituem uma mistura explosiva. Vigdis Hjorth constrói a narrativa explicando as razões que levam a sua narradora a aliar-se ao irmão mais velho, contra as irmãs mais novas, na querela que o opõe à partilha das casas de férias dos pais. No momento em que decide expor as memórias acumuladas da infância traumática, Bergljot é uma escritora e crítica de teatro, mãe de três filhos adultos, divorciada, há muito afastada do núcleo familiar. A herança é o detonador do conflito. Com prejuízo dos filhos mais velhos, Bergljot e Bård, o testamento do patriarca beneficia as filhas mais novas (menos ausentes da casa-mãe). Sem essa disputa, provavelmente Bergljot não traria à tona o recalque de anos de manipulação e abuso.

Por causa deste livro, há cinco anos que os media e a intelligentsia da Noruega discutem os limites da literatura “da realidade”.

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quarta-feira, 27 de outubro de 2021

E AGORA, SENHOR PRESIDENTE?

Consumado o chumbo da proposta de OE 2022, aguarda-se a dissolução do Parlamento. O Presidente da República, que jantou com o primeiro-ministro, começa a ouvir os Partidos sexta-feira, tendo convocado o Conselho de Estado para o próximo 3 de Novembro.

Uma vez que a Constituição estabelece o prazo mínimo de 55 dias entre a publicação do decreto presidencial de dissolução da AR e as eleições antecipadas, dificilmente poderíamos ter novas eleições antes do fim do ano. Mas nada, excepto a vontade do Presidente, impede que se realizem a 9 de Janeiro. Sucede que PSD e CDS têm congressos agendados para precisamente Janeiro e, nessa medida, o mais provável é que as eleições sejam marcadas para 13 de Fevereiro.

Não foi por simples cortesia que Marcelo recebeu Paulo Rangel. No auge de uma crise política, a prioridade do Presidente diz tudo sobre a sua vontade. Rui Rio tem razão para dar pinotes de corça.

Entretanto vão pelo cano as creches gratuitas, o reforço do SNS, o aumento das pensões, o desdobramento dos escalões de IRS, as novas leis laborais, etc. Com sorte, estaremos a discutir novo Orçamento lá para Maio do próximo ano, em condições análogas às desta semana, salvo se o PS (ou o PSD) conseguirem maioria absoluta. Continuem a brincar às coligações nórdicas e depois queixem-se.

OE CHUMBADO


Estava escrito nas estrelas: aliada à Direita e à extrema-direita, a Esquerda à esquerda do PS acaba de chumbar a proposta de Orçamento de Estado para 2022.

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POESIA PORTUGUESA EM FRANÇA


Chega amanhã às livrarias de Paris. Organizado por Max de Carvalho, editado por Chandeigne, La Poésie du Portugal des Origines au XXe Siècle colige poetas portugueses nascidos entre o século XII e 1949. Representado com oito poemas, sou o mais novo.

Capa dura, edição bilingue, vários tradutores, quase mil e novecentas páginas em papel bíblia, notas, índices, verbetes biográficos. Um dos meus poemas não consta do corpus que seleccionei para Desobediência (2011), mas o editor aduziu argumentos que me convenceram.

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segunda-feira, 25 de outubro de 2021

ELEIÇÕES À VISTA

Vamos portanto para eleições, porque António Costa — e muito bem — não aceitará apresentar novo orçamento. O Presidente da República talvez preferisse um delay, mas o primeiro-ministro não está para aí virado.

Portanto é fácil antever o resultado. Eleições em Fevereiro ou Março, provável maioria de Direita (mesmo que o PS seja o partido mais votado) se, como tudo indica, PSD, CDS e IL concorrerem coligados, impossibilidade de refazer a maioria parlamentar de Esquerda, aprovação garantida de um Orçamento de Estado feito à medida do patronato, etc. Mas não é isso mesmo que os esquerdalhaços querem?

PCP OUT

Pela boca de Jerónimo de Sousa ficou há pouco a saber-se que o PCP também votará contra o OE 2022. Ficámos portanto a saber que parte significativa da Esquerda anseia pelo regresso da Direita ao poder. De certo modo compreende-se: sobreviver à boleia de protestos não tem o ónus da responsabilidade. Que lhes faça bom proveito.

domingo, 24 de outubro de 2021

AS CHAFARICAS

Curioso, para não lhe chamar pateta, o raciocínio de transformar o chumbo do OE na vitória do partido A ou B. Julgava que o diploma nos implicava a todos. Afinal é das contas da chafarica A ou B que andamos a tratar. Ora bolas.

sábado, 23 de outubro de 2021

IMPASSE

Parece que chegámos ao sábado de todas as decisões. Regressado de Bruxelas, António Costa tem agendadas reuniões com Jerónimo de Sousa e Catarina Martins. A ver vamos o resultado.

Entretanto, os representantes das confederações patronais abandonaram a Comissão Permanente de Concertação Social, solicitando, todos em bloco, audiência ao Presidente da República.

Embora não as deseje, o primeiro-ministro não tem medo de eleições antecipadas. E é o que acontecerá se o OE 2022 for chumbado, porque não o estou a ver a apresentar segunda versão à medida dos caprichos de uns e de outros. 

Por muito rápido que seja o processo, não haveria eleições antes do fim de Março. O prazo mínimo entre a dissolução do Parlamento e o acto eleitoral não pode ser inferior a 42 dias, mas há que contar com a coreografia institucional: demissão do PM, eventual convite do PR para que Costa se mantenha, reuniões com partidos, convocação do Conselho de Estado, etc. (e tudo isto com a lentidão suficiente para que PSD e CDS realizem os seus congressos). Dito de outro modo, com eleições no fim de Março, apenas no fim de Junho seria provável novo OE.

Mas o que são seis meses com o país a viver de duodécimos, com os fundos europeus geridos pelo Governo demissionário e com todas as alterações laborais metidas na gaveta?

Os princípios são muito bonitos mas não pagam contas ao fim do mês.

quinta-feira, 21 de outubro de 2021

ABRAPLIP, HOJE


Participo hoje, quando forem 19:30 em Portugal, no XXVIII Congresso Internacional da Associação Brasileira de Professores de Literatura Portuguesa, tendo como mediadores da minha intervenção os professores Emerson Inácio e Jorge Vicente Valentim.

Emerson Inácio é professor de Estudos Comparados de Literaturas de Língua Portuguesa no Departamento de Letras Clássicas e Vernáculas da Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas da Universidade de São Paulo, especializado em poesia contemporânea de língua portuguesa, teoria queer, género, estudos culturais, etc. Jorge Vicente Valentim é professor de Literaturas de Língua Portuguesa na Universidade Federal de São Carlos, especializado em literatura portuguesa, estudos literários, género, homoerotismo, etc. Dito de outro modo, estou muito bem acompanhado.

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quarta-feira, 20 de outubro de 2021

PRÉMIO CAMÕES


A escritora moçambicana Paulina Chiziane, 66 anos, venceu a 33.ª edição do Prémio Camões, atribuído por unanimidade por um júri constituído por Ana Martinho, Carlos Mendes de Sousa, Jorge Alves de Lima, Raul César Fernandes, Teresa Manjate e Tony Tcheka.

Antiga militante da FRELIMO com formação em linguística, Paulina Chiziane tem livros publicados, desde 1990, em Moçambique, Portugal e Brasil, estando alguns deles traduzidos em inglês, francês, alemão, espanhol, italiano e servo-croata.

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