domingo, 12 de julho de 2020

PARA QUANDO REEDITAR JAMES?


Ando deliciado a reler P.D. James (1920-2014), autora de thrillers policiais excelentíssimos, um deles este Pecado Original, nono dos catorze romances que têm Adam Dalgliesh — inspector da Scotland Yard e poeta — como protagonista.

Phyllis Dorothy James, baronesa de Holland Park, publicou 24 livros entre 1962 e 2011. Formada em administração hospitalar, trabalhou durante vinte anos para o NHS. Mais tarde integrou o departamento de Medicina Legal da Yard, o que explica as minuciosas descrições das suas obras.

Foi a partir da morte precoce do marido, ocorrida em 1964, que se dedicou a tempo inteiro à escrita, embora a estreia (com Cover Her Face, romance que inscreve Adam Dalgliesh na galeria de personagens da literatura de língua inglesa) seja anterior.

Por duas vezes desviou-se do thriller clássico: em 1992 com The Children of Men, uma distopia teológica que Alfonso Cuarón levou ao cinema em 2006, com Clive Owen e Julianne Moore nos principais papéis; e em 2011 com Death Comes to Pemberley, uma sequela pós-moderna de Orgulho e Preconceito de Jane Austen. Claro que só uma autora da envergadura de James podia arriscar, sem cair no ridículo, glosar Austen.

Morte em Ordens Sagradas (2001) e A Sala do Crime (2003), ambos com Martin Shaw no papel de Adam Dalgliesh, são dois exemplos de romances seus adaptados à televisão pela BBC.

Não estará na altura de trazer de volta às livrarias portuguesas estes livros admiráveis?

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sábado, 11 de julho de 2020

LEITURA DE SÁBADO


Mexer em estantes de duas filas tem sempre como consequência a descoberta de livros julgados desaparecidos. Este Lorca-Dalí. El amor que no pudo ser (1999) foi-me grato reencontro. São cerca de 380 páginas e dezenas de fotografias.

O autor, Ian Gibson, nasceu (1939) na Irlanda, tendo sido professor de Literatura espanhola em Belfast e Londres. Em 1978 radicou-se definitivamente em Espanha, obtendo a nacionalidade espanhola em 1984. Biógrafo, entre outros, de Lorca e Buñuel, Gibson é considerado o maior especialista de história da Literatura de Espanha do século XX. Vive em Granada.

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sexta-feira, 10 de julho de 2020

PRESIDENCIAIS 2021


A sondagem da Aximage hoje divulgada pelo Económico coloca na calha Marcelo Rebelo de Sousa (65%), Ana Gomes (13%), André Ventura (7%), Marisa Matias (4%), Adolfo Mesquita Nunes (2%) e Jerónimo de Sousa (1%).

É uma sondagem bizarra, porque, dos seis, apenas Marcelo e Ventura confirmaram a intenção de concorrer.

Ana Gomes continua na corda bamba, porque a única certeza seria uma derrota estrondosa. Marisa Matias é uma possibilidade, mas a candidatura do BE mantém-se em aberto. Adolfo Mesquita Nunes terá dito que não estava interessado. E o Comité Central do PCP nada decidiu até ao momento, sendo improvável a opção Jerónimo. Vale o que vale.

Continuo a achar que o PS devia ter candidato próprio, credível, mas percebo a dificuldade.

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quinta-feira, 9 de julho de 2020

O SUCESSOR DE CENTENO


Paschal Donohoe, 45 anos, liberal conservador, ministro das Finanças da Irlanda, é o sucessor de Centeno na presidência do Eurogrupo.

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quarta-feira, 8 de julho de 2020

ACABOU


Realizou-se hoje a 10.ª e última reunião do Infarmed dedicada à pandemia. Foi o Presidente da República quem anunciou em directo o seu fim.

Tiraram o pretexto aos deputados da Oposição que as aproveitavam para fazer campanha contra o Governo, dando eco ao que tinham ouvido lá dentro, quase sempre por intermédio de interpretações pessoais nem sempre correctas e por vezes abusivas.

Hoje mesmo, alguns manifestaram desapontamento com o fim dessas reuniões que juntavam o Presidente da República, o Presidente da Assembleia da República, o primeiro-ministro, a ministra e a directora-geral da Saúde, outros ministros, autoridades sanitárias, epidemiologistas e pneumologistas, médicos de saúde pública e um deputado por cada partido.

É um ciclo que se fecha. Não era sem tempo.

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terça-feira, 7 de julho de 2020

TURISMO & COVID-19

Dizem os media que, anteontem, centenas de estudantes holandeses levaram o caos a Albufeira, tendo a GNR sido obrigada a mandar encerrar os estabelecimentos da Rua da Oura.

Por “estabelecimentos” entendam-se os bares que, devido à pandemia, alteraram a sua actividade para snack-bar, desse modo torneando a proibição de abertura e funcionamento.

Hoje já são mais de dois mil os meninos e as meninas em férias.

Parece que a Câmara de Albufeira quer regras definidas para a abertura dos bares de forma a facilitar a dispersão de clientes. Dispersão? Então se forem 20 grupos de 100 pessoas dispersas por 20 bares já não há problema?

Em contexto de pandemia faz-me confusão que sejam autorizadas viagens de grupos desta dimensão, mas nem é esse o ponto que me encanita.

A questão coloca-se em saber se queremos turistas ou não queremos turistas. Se queremos, não podemos exigir o famoso “distanciamento social”, seja lá o que isso for. Se não queremos, devemos encerrar o espaço aéreo e as fronteiras marítimas e terrestres. Afinal, o que são duzentos mil desempregados na hotelaria e actividades conexas?

É impossível comer o bolo e ficar com o bolo.

segunda-feira, 6 de julho de 2020

NONSENSE


Fotos como esta, obtida anteontem numa rua de Londres, correm mundo. A reabertura de bares, restaurantes, cinemas, etc., teve como consequência ajuntamentos assim, sobretudo numa área boémia como é o Soho. Até aqui, nada de novo. Vêem-se dois patuscos de máscara (se não estão a beber deviam ter ficado em casa, ou ido passear para os jardins da periferia), mas o resto das pessoas comporta-se como é de regra.

Quando oiço, e já ouvi várias vezes, os locutores de televisão execrarem a falta de distanciamento social no desconfinamento de Londres, fico com vontade de lhes perguntar que raio de distanciamento social querem que se mantenha num bar. Ou na cama, já agora. Nem toda a gente é obrigada a conhecer o tamanho standard de um pub inglês, nem o hábito de beber na rua, mas um mínimo de bom senso exigiria recato no tremendismo.

Por alguma razão, em Portugal, bares e discotecas permanecem de portas fechadas.

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ENNIO MORRICONE 1928-2020


Morreu hoje o compositor italiano Ennio Morricone, o mais importante compositor de cinema de todos os tempos.

Autor de uma centena de peças clássicas, Morricone notabilizou-se no vasto mundo pela música que compôs para cinema, em especial para filmes de Sergio Leone. Quem não se lembra da extraordinária trilha sonora de Il buono, il brutto, il cattivo (1966), o terceiro filme da Trilogia do Dólar? Os mais jovens, que não têm idade para ter visto o filme, podem e devem ouvir a música numa das muitas versões disponíveis. A minha preferida é a da Danish National Symphony Orchestra.

Além de Leone, Morricone compôs também para filmes de Duccio Tessari, Giuseppe Tornatore, John Carpenter, Mike Nichols, Oliver Stone, Terrence Malick, Brian De Palma, Barry Levinson, Roland Joffé, Quentin Tarantino e outros.

Recebeu dois Óscares, onze David di Donatello, seis Bafta, quatro Grammy e dezenas de outros prémios e distinções pelos mais de 500 filmes que musicou. De bandas rock & heavy metal a orquestras sinfónicas, passando por Joan Baez, toda a gente que conta reinterpretou obras suas.

Uma queda com fractura do fémur levou ao internamento de Morricone numa clínica de Roma, onde morreu. Tinha 91 anos.

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sábado, 4 de julho de 2020

EM QUE FICAMOS?


Com tanto escrutínio, tantas lições de moral, tanto alarido e, afinal, vem-se a saber que a realidade a Norte não coincide com os boletins da DGS.

Então porquê? Porque médicos, laboratórios e universidades da região «não registam os positivos». Quem o diz são médicos de hospitais do Norte. Concelhos visados: Porto, Matosinhos, Maia, Gondomar, Lousada e outros.

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ASCENSO & SIMONE


O artigo é sobre a TAP e contra o apoio do Estado à companhia. São opiniões, não comento.

Mas por que carga de água o deputado Ascenso Simões (PS) coloca Simone de Oliveira a desembarcar de um avião da TAP, em Março de 1969, depois da sua participação no 14.º Festival da Eurovisão?

Escreve o deputado-colunista: «uma referência de saudade visível na chegada de Simone depois de um Festival da Eurovisão...»

Na realidade, Simone viajou de Madrid para Lisboa de comboio, tendo desembarcado na Estação de Santa Apolónia, onde era aguardada por mais de vinte mil pessoas, equipas da RTP (reportagem disponível no YouTube) e GNR a cavalo.

Verdade que, em Março de 1969, o deputado tinha 5 anos. Mas actualmente tem 57 e obrigação de não efabular sobre um facto largamente documentado.

Lembram-se dos «violinos de Chopin» de Santana Lopes?

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sexta-feira, 3 de julho de 2020

SUPLEMENTAR APROVADO

Com os votos do PS, o Orçamento Suplementar ao OE 2020 foi esta manhã aprovado em votação final global.

PSD, BE e PAN abstiveram-se. PCP, PEV, CDS, CHEGA e IL votaram contra. A deputada Joacine Katar Moreira não compareceu.

FESTIVAL DE ALMADA


Bruscamente no Verão Passado, de Tennessee Williams, pelo Teatro Experimental de Cascais, é um dos espectáculos que hoje marcam o início da 37.ª edição do Festival de Almada.

Uma obra-prima que põe em pauta temas como hipocrisia, canibalismo, homossexualidade, abuso e loucura. Encenada por Carlos Avilez, a peça (1958) de Williams é interpretada por Bárbara Branco, Bernardo Souto, João Gaspar, Lídia Muñoz, Luísa Salgueiro, Manuela Couto e Teresa Côrte-Real.

Às 21:00 no Teatro Municipal Joaquim Benite.

Nesta 37.ª edição, o Festival de Almada apresentará dezassete espectáculos (não confundir com sessões, que são mais), catorze dos quais de companhias portuguesas.

Além do próprio Teatro de Almada, também os Artistas Unidos, a Comuna, o Teatro Nacional D. Maria II (Lisboa), o Teatro Nacional São João (Porto), o TEC (Cascais), o Teatrão (Coimbra), etc. Devido às contingências internacionais da pandemia, a presença de companhias estrangeiras é reduzida a três companhias de Espanha, com obras de Celso Giménez, Dario Fo/Franca Rame e Agnès Mateus/Quim Tarrida.

Nem toda a gente saberá, mas o Festival [internacional] de Almada é um dos de maior prestígio na Europa.

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OS NÉONS DE LISBOA


Ontem fomos finalmente ver a exposição de néons que Rita Múrias e Paulo Barata abriram no espaço da Stolen Books, praticamente na esquina da Avenida dos Estados Unidos da América com a Avenida de Roma.

Prevista para abrir no passado 19 de Março, no âmbito do Festival da Palavra, esteve suspensa pela pandemia até à semana passada. Trata-se de uma exposição de design urbano, feita a partir da enorme colecção de néons que Rita Múrias e Paulo Barata resgataram de estabelecimentos desactivados ou intervencionados.

Mantém-se aberta até ao próximo dia 12, de quinta-feira a domingo (entre as 15 e as 19:00 horas), no n.º 105 da Avenida dos Estados Unidos da América. Entra-se pela garagem.

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quinta-feira, 2 de julho de 2020

ESTADO CONTROLA TAP

À quarta foi de vez. Em conferência de imprensa terminada há pouco, Pedro Nuno Santos anunciou estar fechado o acordo entre o Governo e os accionistas privados da TAP. O Estado fica com 72,5% do capital da companhia, impõe mudança de direcção e saída imediata de Antonoaldo Neves, o actual CEO. Também vai dar início a um vasto processo de reestruturação: «Não queremos uma empresa sobredimensionada, porque estaríamos a desperdiçar recursos, mas queremos uma TAP que responda aos interesses dos portugueses.» Reestruturar significa reduzir pessoal, frota e rotas.

O acordo permite ao Estado desbloquear o empréstimo de 1,2 mil milhões de euros autorizado pela Comissão Europeia.

A futura direcção será recrutada através de concurso público internacional. Até esse processo ficar concluído, a TAP será gerida por uma direcção interina.

Além do ministro das Infraestruturas e da Habitação, participaram na conferência de imprensa o ministro das Finanças e o secretário de Estado do Tesouro.

NOVA CAMBALHOTA NA TAP

Primeiro sim, depois não, agora de novo sim. Falamos de David Neeleman, o principal accionista privado da TAP.

Na 25.ª hora, aceitou vender ao Estado, por 55 milhões de euros, as acções que detém na companhia. Deste modo, sem necessidade de nacionalização, o Estado passa a deter 72,5% do capital, em vez dos 50% actuais.

O impasse resolveu-se porque a companhia aérea brasileira Azul, de Neeleman, abdicou do direito de converter as obrigações da TAP em acções. Também abdicou dos direitos económicos e de litigância futura.

Assim, a estrutura accionista da TAP passa a ser a seguinte: 72,5% do Estado / 22,5% da Atlantic Gateway de Humberto Pedrosa / 5% dos trabalhadores.

A ver vamos.

quarta-feira, 1 de julho de 2020

CONTROLO DA PANDEMIA



O país conta a partir de hoje com três regimes: Mantém-se a calamidade em 19 freguesias de cinco concelhos da Área Metropolitana / As restantes freguesias da AML e da Região de Lisboa e Vale do Tejo passam a estado de Contingência / O resto do país passa a estado de Alerta.

Entretanto reabrem hoje as fronteiras terrestres com Espanha.

terça-feira, 30 de junho de 2020

EM QUE FICAMOS?


Em poucas horas tudo mudou. Ontem de manhã foi dito que Neeleman, o principal accionista privado da TAP, aceitava as condições do empréstimo do Governo, incluindo a presença de um representante do Estado na comissão executiva. Mas a reunião da noite acabou em ruptura.

Quem o disse há pouco, no Parlamento, foi Pedro Nuno Santos, ministro das Infraestruturas e da Habitação:

«A proposta do Estado foi chumbada. [...] Neste momento estamos preparados para tudo. Não vamos ceder nas nossas convicções e estamos preparados para intervencionar e salvar a empresa. [...] A TAP é muito importante para o país para a deixarmos cair. E 1.200 milhões de euros é muito dinheiro. Espero que se encontre uma saída acordada que garanta paz à TAP e evite litígios futuros

Por seu turno, o Expresso avança: «O diploma de nacionalização vai agora seguir para a Presidência do Conselho de Ministros...»

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segunda-feira, 29 de junho de 2020

NEELEMAN CEDE


Caiu na real. Antes tarde que nunca. Afinal, estão em jogo milhares de postos de trabalho.

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DISTOPIA MACABRA


Agora é oficial: os teatros e outras casas de espectáculos da Broadway vão permanecer encerrados até 3 de Janeiro de 2021. Se houver condições, as reaberturas ocorrerão a partir dessa data.

Lembrar que a Broadway encerrou a 12 de Março.

Está garantido o reembolso do preço dos bilhetes a quem os comprou.

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COVID-19 ABRIL VS JUNHO



Recordar aos distraídos. Clique nas imagens.