Segunda-feira, Janeiro 30, 2012

GRANDES CAPAS


Detalhe da capa da edição de hoje do jornal i. Clique.

Etiquetas:

COMO OS OUTROS NOS VÊEM

Domingo, Janeiro 29, 2012

A HISTÓRIA REPETE-SE?


Esta foto de 27 de Maio de 1941 mostra tanques alemães a passar em frente ao Hotel Grande Bretagne, em Atenas, praticamente ao lado do Parlamento grego. Nas varandas do hotel, o melhor da cidade, o Generalfeldmarschall Wilhelm von List e o seu Estado-Maior fazem a saudação nazi. Agora não são precisos tanques. Burocratas anónimos redigem os termos e as condições da rendição que a nomenklatura de Davos manda executar. Se a Espanha, a Irlanda, a Itália e Portugal continuarem a assobiar para o lado, como até aqui, merecemos que nos tratem abaixo de Piigs.

Etiquetas: ,

Sexta-feira, Janeiro 27, 2012

COISAS BOAS


Nas escassas 140 páginas deste volume cabem alguns dos mais estimulantes ensaios de Borges, incluindo o que dá título ao conjunto. Com esta História da Eternidade chega também às livrarias O Livro de Areia. São os dois primeiros títulos da obra completa que a Quetzal vai publicar. Embora Borges dispense apresentações, lembro o juízo de Ana María Barrechea: «Um escritor admirável, comprometido em destruir a realidade e em converter o homem numa sombra.» Não diria melhor.

Etiquetas: ,

Quinta-feira, Janeiro 26, 2012

GROUND ZERO CARIOCA


O desabamento simultâneo de três prédios impressiona sempre. Se pensarmos que isso aconteceu nas traseiras do Teatro Municipal, a imponente Ópera do Rio de Janeiro, em plena Cinelândia, uma das praças mais movimentadas da cidade, temos a noção do desastre. O maior dos três, com 20 andares, estava com obras no 3.º e no 9.º andar; as obras seriam ilegais e afectaram a estrutura geral do edifício, que levou os outros dois atrás. Passou-se isto ontem à noite. Estão confirmados três mortos e 20 desaparecidos.

[Imagem: infografia do jornal Estado de São Paulo. Clique.]

Etiquetas: ,

ROSA MONTERO


Hoje na Sábado escrevo sobre Lágrimas na Chuva, o romance de Rosa Montero (n. 1951) que é um envio explícito, em clave espanhola, a Blade Runner (o filme Ridley Scott feito a partir de Do Androids Dream of Electric Sheep? de Philip K. Dick). Rosa Montero situa o romance em Madrid, no ano 2109, no meio de um caos ambiental de proporções apocalípticas. A replicante-detective Bruna está no centro deste thriller de género. Uma edição Porto Editora.

Escrevo ainda sobre O Lago, o novo livro de Ana Teresa Pereira (n. 1958), como sempre sob chancela da Relógio d’Água. Desde 1989 que a autora constrói uma obra que vai em trinta títulos, dividida entre o policial e o fairy tale. Como acontece em muitos livros seus, O Lago tem acção localizada na Inglaterra.

Etiquetas: ,

Quarta-feira, Janeiro 25, 2012

OPINIÃO LIVRE


A memória colectiva é curta. Convém lembrar o episódio que há dois anos despoletou a histeria da asfixia democrática:

Em Fevereiro de 2009, almoçando no Hotel Tivoli, Mário Crespo terá ouvido uma conversa entre Sócrates e o director da SIC. Não tendo gostado do que ouviu (alegadamente, Sócrates terá dito que Crespo era um safardana), escreveu um artigo que o Jornal de Notícias não publicou. A direita entrou em transe. Paulo Rangel denunciou o caso no Parlamento Europeu. Pacheco Pereira fez aprovar e dinamizou comissões parlamentares de inquérito. Crespo foi ouvido no Parlamento, onde distribuiu cópias do artigo censurado (o qual foi prontamente editado em livro por iniciativa da editora Alêtheia, de Zita Seabra). Manuela Moura Guedes também fez o seu número. A imprensa ensandeceu. A televisão entrou em órbita com dezenas de comentadores que ameaçavam emigrar. E uma centena de bloggers andou meses a martelar que nada distinguia São Bento de Pyongyang.

Agora, seguindo a doutrina de Fernando Lima —  Uma informação não domesticada constitui uma ameaça com a qual nem sempre se sabe lidar.  —, a administração da RDP acabou com um programa de opinião onde participavam António Granado, Gonçalo Cadilhe, Pedro Rosa Mendes, Raquel Freire e Rita Matos. O motivo próximo terá sido uma intervenção de Pedro Rosa Mendes sobre o recente Prós & Contras dedicado a (e emitido a partir de) Angola. Isto é uma vergonha. Mas, aparentemente, preocupa pouca gente.

Se a administração da RDP foi pressionada por Miguel Relvas, como se diz à boca grande nos sítios do costume, os deputados do PS, do PCP e do BE estão à espera de quê para pedir explicações? Se não foi, e apenas quis lamber o ministro da tutela, Miguel Relvas está à espera de quê para substituir a administração da RDP?

Nos media, redes sociais incluídas, a indignação traz a reboque o nome de Pedro Rosa Mendes. É um perigoso enviesamento, pois leva a concluir que ninguém daria um ui se os autores do programa fossem profissionais sem créditos reconhecidos no Meio.

Etiquetas: ,

THEO ANGELOPOULOS 1935-2012


O cineasta grego Theo Angelopoulos morreu ontem, atropelado numa rua de Atenas. O Olhar de Ulisses (1995) é um dos seus filmes mais aclamados, mas foi com A Eternidade e um Dia (1998) que recebeu a Palma de Ouro em Cannes. Actualmente estava a concluir a trilogia do século XX grego, iniciada com The Weeping Meadow (2004) e prosseguida com A Poeira do Tempo (2008); o terceiro filme estava em rodagem. Mais detalhes no Huffington Post.

Etiquetas:

Terça-feira, Janeiro 24, 2012

SEM TABU


No momento em que escrevo, mais de 14 mil pessoas assinaram a petição que pede a demissão do Presidente da República. Catorze mil assinaturas é mais do triplo do necessário para levar o pedido ao Parlamento (onde, presumo, a sua discussão seria bloqueada pela maioria de direita). Mas não é isso que importa. O importante é verificar que foi ultrapassada a linha da conveniência. Nunca tal havia acontecido em Portugal. Cavaco Silva acordou a maioria silenciosa e perdeu o respeito dos portugueses.

Etiquetas: ,

CITAÇÃO, 400


José Vítor Malheiros, Vergonha e desemprego, hoje no Público. Excertos, sublinhados meus:

«Cavaco devia ter vergonha de invocar a sua condição de pensionista e de usufruir de duas pensões quando está ainda no activo, a trabalhar a tempo inteiro, como Presidente de República.

Cavaco devia ter vergonha de ter prescindido do seu salário de Presidente da República para poder receber mais uns milhares de euros, quando deixou legalmente de poder acumular as suas pensões com esse ordenado. E de insinuar que o facto de prescindir do salário de PR em favor das suas pensões se deveu a um gesto voluntário, quando a escolha entre os dois rendimentos era um imperativo legal.

Cavaco devia ter vergonha de insinuar que o facto de prescindir do salário de PR em favor das suas pensões se deveu a um gesto de abnegação, quando a escolha que fez consistiu apenas em escolher o maior rendimento possível.

Cavaco devia ter vergonha de referir a sua pensão de 1300 euros como se fosse a sua única ou principal fonte de rendimento, quando não é. E de escamotear o montante da sua pensão como funcionário do Banco de Portugal, dizendo não saber exactamente qual é.

Cavaco devia ter vergonha de dizer
“aos senhores jornalistas” que poderiam inteirar-se facilmente do valor da sua pensão do BdP, quando sabe que essa informação não é fornecida pela instituição nem seria fornecida por ele próprio.

Cavaco devia ter vergonha de esconder o facto de, apesar de não receber salário como PR, ter as suas despesas pessoais pagas pela Presidência da República.
[...]

Cavaco devia ter vergonha de se recusar a esclarecer cabalmente os seus negócios com o BPN e a compra da sua casa em Albufeira e de tentar intimidar quem pede os esclarecimentos a que todos temos direito.

Cavaco devia ter vergonha de dizer que já esclareceu tudo o que há para esclarecer sobre as suas finanças quando apenas publica notas crípticas a propósito de metade dos factos que todos os portugueses gostariam de conhecer.

Cavaco devia ter vergonha de ter uma tal duplicidade de critérios
[...] Mas não tem. Cabe-nos a nós ter vergonha por ele. [...]»

Etiquetas: ,

Segunda-feira, Janeiro 23, 2012

FOI PARA ISTO?


Cavaco Silva foi reeleito Presidente da República faz hoje um ano. Uma abstenção de 54% permitiu-lhe ganhar à primeira volta: votaram nele 2,2 milhões dos 9,7 milhões de eleitores inscritos. Na noite da vitória, fez no CCB um discurso azedo que não prenunciava nada de bom. Vasco Pulido Valente foi peremptório: «Temos de voltar ao essencial. O dr. Cavaco perdeu. E fez mais do que perder uma eleição. Comprometeu gravemente o regime, que daqui em diante já não pode funcionar com qualquer espécie de “regularidade”...» A 9 de Março, ao tomar posse, fez no Parlamento um discurso que era um convite à demissão do governo. Mais: dirigindo-se aos deolindos, apelou directamente à insurreição civil. Palavras suas: «Façam ouvir a vossa voz. Este é o vosso tempo. Mostrem a todos que é possível viver num País mais justo e mais desenvolvido, com uma cultura cívica e política mais sadia, mais limpa, mais digna. Mostrem às outras gerações que não se acomodam nem se resignam.» Sócrates fez mal em não ter batido com a porta nesse dia.

Passou um ano sobre a reeleição de Cavaco. Nos últimos doze meses muita coisa aconteceu. O PEC IV foi chumbado, Teixeira dos Santos pediu ajuda externa, Sócrates demitiu-se (a 23 de Março), o Parlamento foi dissolvido, o governo assinou (a 11 de Maio) com o FMI e a Comissão Europeia o acordo de resgate da dívida, realizaram-se eleições legislativas, Passos Coelho tornou-se primeiro-ministro, o novo governo aplica todos os meses sucessivas medidas de austeridade, o desemprego disparou para números obscenos, a recessão é um dado adquirido, a Madeira vive dias de pré-default sem solução à vista. E Cavaco? Cavaco perdeu o respeito do país. A lamúria das pensões fez estalar a película de verniz que impedia o insulto soez. Não tarda, as vaias de Guimarães vão repercutir nos vidros de Belém.

Etiquetas:

Domingo, Janeiro 22, 2012

CITAÇÃO, 399


Vasco Pulido Valente, O Presidente em crise, hoje no Público. Excertos, sublinhados meus:

«Aníbal Cavaco Silva, cidadão português, reformado e Presidente da República, recebeu em 2009, segundo ele próprio declarou, 140 mil euros em pensões de vária espécie e género. [...] O primeiro ponto a notar sobre toda esta história é que os 140 mil euros em pensões que o Presidente declarou em 2009 não são evidentemente a soma das contribuições da CGA, que andam, na melhor aritmética, por menos de um décimo. O que significa que o Banco de Portugal é responsável pelo resto, ninguém sabe a que título e por que razão, uma vez que o dr. Cavaco passou 17 anos da sua vida útil no Governo e na Presidência da República. Não duvido de que haja uma justificação exemplar. De qualquer maneira, e fora a trapalhada, o episódio do Porto ressuscita, e no pior momento, o velho homem de Boliqueime, com a sua arrogância, a sua cegueira e a sua habitual hipocrisia. [...] Cavaco renunciou ao vencimento de lei (à volta de 6 mil euros por mês), que ficava longe do total das pensões (10 mil euros por mês). Mas não renunciou, nem podia renunciar, aos privilégios do cargo. [...] Que o Presidente da República esqueça quem é a benefício da populaça e uma dose obscena da mais baixa demagogia de rua é uma vergonha nacional. Ne chassez pas la nature, elle revient au galop.»

Etiquetas: ,

Sábado, Janeiro 21, 2012

PRIMEIRO ENTRE IGUAIS


Comentários para quê? A manchete é do i. Clique.

Etiquetas: ,

Sexta-feira, Janeiro 20, 2012

VASCO GRAÇA MOURA NO CCB


Vasco Graça Moura vai ocupar o cargo de presidente da Fundação Centro Cultural de Belém, sucedendo a António Mega Ferreira, que cessou o seu mandato. Social-democrata não filiado, sucede a um socialista de mérito (ao menos no CCB, a fasquia não desce). Autor de uma obra literária de proporções homéricas, na poesia, na ficção, no teatro e no ensaio, tradutor de Dante, Shakespeare, Racine, Corneille, Rilke, etc., homem de vasta erudição, ocupou diversos cargos, tais como: secretário de Estado em dois governos (1975-76), director da RTP-2 (1978), administrador da Imprensa Nacional (1979-89), comissário-geral de Portugal para a Exposição Universal de Sevilha (1988-92), presidente da Comissão dos Descobrimentos Portugueses e director da revista Oceanos (1988-95), director do serviço de Bibliotecas e Apoio à Leitura da Fundação Calouste Gulbenkian (1996-99). Eleito como independente nas listas do PSD, foi deputado ao Parlamento Europeu durante dez anos (1999-2009). Nunca foi ministro da Cultura porque não quis. Parabéns, Vasco.

Etiquetas: ,

LÁ COMO CÁ


Fazendo uso de um fundo de 265 mil milhões de libras, a China Investment Corporation comprou por montante não divulgado cerca de 9% do capital da Thames Water, o equivalente britânico das Águas de Portugal. Foi Osborne, o chanceler do Tesouro, quem fechou o negócio. Detalhes aqui.

Nos dias que correm, 55 Days at Peking (1963), o clássico de Nicholas Ray, tem de ser visto como parábola do futuro a haver.

Etiquetas: ,

Quinta-feira, Janeiro 19, 2012

RUI COSTA 1972-2012


Rui Costa foi dado como desaparecido há dias. O seu corpo terá sido encontrado entretanto no rio Douro.  Poeta jovem, chamou a atenção da opinião pública por duas vezes: em Maio de 2005, ao vencer o prémio de poesia Daniel Faria com o livro A Nuvem Prateada das Pessoas Graves; e em Janeiro de 2009, quando, ao lado dos poetas Rui Lage e Rui Cóias, apresentou uma lista alternativa à direcção do PEN Clube Português. A imagem foi tirada daqui.

Etiquetas:

E ELES VÃO


Merkel tem andado a receber os chefes das tribos. Monti, o primeiro-ministro italiano, teve naturalmente direito a audiência individual. Mas o pessoal menor vai em grupo. Passos Coelho, que foi convocado para hoje ao fim da tarde, é recebido em simultâneo com os primeiros-ministros austríaco e sueco (a Suécia não faz parte da zona euro mas não está isenta de trabalhos de casa). Simplesmente obsceno.

Etiquetas: ,

RUBEM FONSECA


Hoje na Sábado escrevo sobre A grande arte, de Rubem Fonseca (n. 1925). Rubem, que foi polícia durante seis anos, entre 1952 e 1958, tornou-se escritor em 1963. É hoje o maior escritor brasileiro vivo. Publicou trinta livros, sendo A grande arte (1983) uma indiscutível obra-prima. O romance voltou às livrarias portuguesas com o prefácio que Francisco José Viegas escreveu para esta edição. A servir de posfácio, um ensaio de Mario Vargas Llosa, inédito em Portugal. O romance é sobre a arte de matar com faca. Triângulo fatal: Rio de Janeiro, Pantanal, cartéis bolivianos da droga. Mosaico da sociedade carioca com enfoque no bas-fond do crime e suas ramificações na alta sociedade, tem como narrador o advogado criminalista Mandrake, que os leitores de Rubem conhecem de outras obras (a HBO fez a partir dele uma série de televisão). No meio do crime e da sacanagem, surge Edith Wharton, ela-mesma. Se ler, percebe porquê.

Escrevo ainda sobre Minha querida Inês, de Margarida Rebelo Pinto. A Inês em pauta é a que foi rainha depois de morta. MRP podia ter escrito um romance naïf que ninguém levava a mal, mas a tentação da monografia histórica deu cabo do projecto.

Etiquetas: ,

Quarta-feira, Janeiro 18, 2012

O ESTADO A QUE ISTO CHEGOU


Teixeira dos Santos foi crucificado por ter deixado chegar aos 7% os juros da dívida pública. Carlos Moedas, negociador do PSD junto da troika, disse mesmo que bastava mudar o governo (i.e., afastar Sócrates) para fazer descer as taxas de juro. Disse mais: por causa das reformas que o PSD faria no governo, as agências de notação iriam subir o rating da República. Foi esse o mote da campanha eleitoral. O PSD ganhou as eleições. Carlos Moedas tornou-se secretário de Estado adjunto do primeiro-ministro.

E então? Nos últimos seis meses, o governo aumentou o IVA, as propinas, a electricidade, o gás e os transportes; reduziu as prestações sociais (subsídio de desemprego, RSI e outras); impôs um imposto extraordinário de 50% sobre o subsídio de Natal de 2011; reduziu em 15% o rendimento anual bruto dos pensionistas, funcionários públicos e trabalhadores do sector empresarial do Estado; introduziu portagens nas Scuts; eliminou deduções em sede de IRS nas despesas de habitação, saúde e educação; aumentou em mais de 100% o valor dos actos médicos e das taxas moderadoras; facilitou os despedimentos; prepara-se para aprovar um novo Código de Trabalho, etc. Há mais, mas isto chega. Aconteceu o quê?

Por duas vezes, nos últimos seis meses, as agências de notação baixaram o rating da República. E os juros romperam a barreira dos 14%.

Afastado Sócrates, a culpa é naturalmente da Grécia.

[Imagem: Público.]

Etiquetas: ,

Terça-feira, Janeiro 17, 2012

TRAPALHADA


Lendo a imprensa de hoje ninguém percebe nada do que terá ficado acordado ontem em sede de concertação social.

Dois exemplos.

Público: «Na proposta que durante a manhã de ontem o Governo apresentou aos parceiros penalizam-se os trabalhadores que faltem sem justificação junto do fim-de-semana ou dos feriados. No documento fica claro que “a falta injustificada a um ou meio período normal de trabalho diário imediatamente anterior ou posterior a dia de descanso ou a feriado” implica a perda de retribuição relativamente ao dia de descanso ou feriado imediatamente anterior ou posterior

Diário de Notícias: «As faltas injustificadas antes ou imediatamente a seguir às folgas ou feriados vão traduzir-se na perda do correspondente a dois dias de salário, o da falta e o do feriado ou folga. Esta foi uma das medidas que o Governo introduziu na proposta de acordo [em] reunião da Concertação Social

Os dois jornais têm como denominador comum o conceito de “falta injustificada”. Aparentemente, os jornalistas desconhecem que uma “falta injustificada” determina sempre a perda de remuneração (e, no Estado, ao fim de três, obrigam mesmo à abertura de processo disciplinar). Se a culpa não é dos jornalistas, i.e., se os jornalistas se limitaram a citar cábulas, então alguém anda a tramar o Álvaro.

O DN até introduz o conceito de “folga”. Não imagino o que possa ser.

No Económico, a síntese omite a “injustificação” da ausência: «Quando o trabalhador faltar num dia anterior ou posterior a um dia de descanso ou feriado vai perder também a retribuição desse dia de descanso. E isto também acontece quando o trabalhador só falta meio dia

Não sei se as pessoas estão cientes, mas o Código do Trabalho que Bagão Félix fez aprovar em 2003, quando, no governo Barroso, era ministro da Segurança Social e do Trabalho  —  é o Código que está em vigor  —, majora as férias em três dias (de 22 para 25) desde que se verifique total ausência de faltas. Total. Se o trabalhador perder uma manhã ou uma tarde no médico, com conhecimento prévio e autorizado da entidade patronal, fica logo sem um dos dias da majoração. É isto que a lei diz e é isto que se pratica nas grandes empresas, com as excepções informais que sempre houve e haverá. A norma acaba? Não é por aqui que o gato vai às filhós.

A fazer fé na imprensa, tudo isto em troca da famosa meia hora diária de trabalho a mais. Patético!

Etiquetas: , ,

Segunda-feira, Janeiro 16, 2012

PARA MEMÓRIA FUTURA


West Wing à portuguesa. O quadro é do Público. Clique.

Etiquetas:

Sexta-feira, Janeiro 13, 2012

SEXTA-FEIRA NEGRA


Não há coincidências. Clique na imagem.
O quadro é do Le Monde.

Etiquetas:

DUMPING


Durante seis anos consecutivos (a Era Sócrates), dezenas de bloggers da direita rasgaram as vestes contra a ASAE. Na versão moderada, promovida por alguns dos actuais membros do governo, a Autoridade de Segurança Alimentar e Económica era um sintoma de autoritarismo do Estado. Na versão radical, promovida por gente que está hoje a assessorar ministros e secretários de Estado, era um sucedâneo da Pide. Ainda me lembro de Portas a bramar no Parlamento contra a proibição dos galheteiros. Hoje, o regime não passa sem a ASAE, que não foi uma invenção de Sócrates.

Sócrates apenas mudou o nome à Inspecção-Geral das Actividades Económicas, entidade com mais de 70 anos nas suas diversas encarnações: em 1931 chamava-se Inspecção-Geral dos Serviços de Fiscalização dos Géneros Alimentícios, a seguir (1965) Inspecção-Geral das Actividades Económicas, depois (1984) Direcção-Geral de Inspecção Económica, depois (1993) outra vez IGAE, etc. Durante a campanha eleitoral, lembro-me de ouvir um tonto dizer que era preciso votar no PSD para correr com o Pinto Monteiro, acabar com as Novas Oportunidades e extinguir a ASAE.

Vem isto a propósito da operação ontem desencadeada pela ASAE junto dos hipers Continente e Pingo Doce, os quais estavam a vender leite abaixo do preço de custo, ou seja, a praticar dumping.  Mas tudo isto é hoje música celestial para os tais bloggers que arrancavam as vestes.

Etiquetas: ,

A CASTA


Depois um dia aparece um Viktor Orbán qualquer e fica toda a gente muito admirada. A imagem é do i.

Etiquetas: ,

Quinta-feira, Janeiro 12, 2012

GABRIEL GARCÍA MÁRQUEZ


Hoje na Sábado escrevo sobre Contos Completos de Gabriel García Márquez (n. 1927). Estes contos andavam dispersos por quatro colectâneas e podem agora ser lidos em sequência. A edição mantém a estrutura original dos volumes autónomos. O autor criou um universo capaz de provocar a reverberação da terra, como ficou demonstrado nessa obra-prima absoluta que é Cem Anos de Solidão (1967). Duas evidências: o virtuosismo semântico faz com que literatura e realidade se confundam, e o prazer da leitura é alheio ao conhecimento prévio do Leitmotiv ficcional. Os quarenta contos são traduzidos por Luís Nazaré, Pedro Tamen, Maria da Piedade Ferreira e Miguel Serras Pereira.

Escrevo ainda sobre Quando o Diabo Reza, vadiário lisboeta de Mário de Carvalho (n. 1944), que entra com o pé direito no catálogo da Tinta da China. A malta mais nova é capaz de ficar desorientada com o vocabulário: basófio, narigonço, camandro, belfas, trambolho, serrazina, niquices, beque, facha, palheta, frosques, cassa, os verbos abichar e afincar, etc. Ainda bem. A literatura não pode ficar confinada a autores que fazem livros à volta de cinco palavras. Quando o Diabo Reza é um thriller contemporâneo sobre a malandragem portuguesa.

Etiquetas: ,

Quarta-feira, Janeiro 11, 2012

ABOMINÁVEL


Não vi o debate da SICN em directo, vi hoje uma gravação do programa de Ana Lourenço. À questão de saber se o Serviço Nacional de Saúde deve garantir tratamento por hemodiálise a doentes com 70 anos, Manuela Ferreira Leite afirmou: Tem sempre direito se pagar. António Barreto, António Vitorino e Manuel Sobrinho Simões reagiram com incredulidade. Barreto classificou a questão como abominável e Vitorino obrigou a antiga líder do PSD a reformular a questão, levando-a a dizer, sem convicção, que «racionamento não é exclusão». Em abono da tese, MFL insistiu: «O país não produz riqueza para manter o SNS tal como está.» Mas produz o suficiente para permitir acumulação de pensões do Estado com chorudas remunerações no privado!

Etiquetas: ,

Terça-feira, Janeiro 10, 2012

TWILIGHT ZON


Depois de amanhã começa o apagão analógico, que vai afectar muita gente. Quem não tem televisão por cabo ou satélite terá de fazer opções. Os descodificadores não são acessíveis a pessoas de baixos rendimentos (os mais baratos que vi custam 46 euros), nem podem ser vendidos como quem vende laranjas. Já sei que a rapaziada é toda muito esperta, diria mesmo Android, mas o ponto são os pais e avós da rapaziada, vivendo sozinhos em Castramenha da Serra ou em Rabaçal de Avintes. Homens e mulheres de 80 e muitos anos, que nunca viram um router na vida, são agora forçados à imersão digital.

Nada contra a televisão digital terrestre. Pelo contrário. Tudo a favor.

Mas convinha explicar. Os sketches do Nicolau Breyner devem ter custado uma pipa de massa e pouco ou nada adiantarão. Em seu lugar, os deputados deviam ir aos círculos que representam explicar às pessoas, por A+B, o que é preciso fazer. É também para isso que foram eleitos. Infelizmente, não passa pela cabeça de suas excelências perder tempo com ninharias.

Vejamos um caso que acompanhei. Numa freguesia (com 25 mil habitantes) do concelho de Almada, os filhos da senhora A chegam à conclusão de que, despesa por despesa, é preferível que a mãe adira à ZON ou ao MEO. Optam pela ZON porque viram na televisão anúncios de Pacotes ZON a 9,99 euros. Vão portanto a uma loja ZON: Não temos conhecimento. Telefonam para a ZON: Nessa rua não temos cabos. Mas, num breve inquérito à vizinhança, os filhos da senhora A verificam que na mesma rua há clientes ZON por cabo. Novo contacto com a ZON: Ah! Mas isso tem de ser através do serviço de telemarketing. Esses pacotes são um exclusivo telemarketing. A senhora A tem dois filhos teimosos, que perderam tempo a investigar e telefonar. E quem não tem ninguém que o faça?

Já agora, por que carga de água a empregada ZON foi tão afoita a afirmar que naquela rua não havia televisão por cabo?

Etiquetas: ,

ATÉ QUANDO?


Dez dias depois de tomar posse como primeiro-ministro, Passos Coelho, o homem que antes e durante a campanha eleitoral disse que “mexer no subsídio de Natal seria um disparate”, anunciou com estrondo a criação de uma taxa especial de IRS sobre o subsídio de Natal de 2011. Todos sentimos no bolso a sua aplicação.

Duas semanas passadas, descobriu um desvio colossal nas contas públicas. Nunca ninguém, nem o ministro das Finanças, conseguiu explicar a natureza de tal desvio. Estribado nele, o governo aumentou em Agosto os transportes públicos: aumento médio de 15%, embora, em valores absolutos, algumas tarifas tivessem subido 25%. O aumento do IVA sobre a electricidade e o gás natural, em vigor desde o Verão passado, fez disparar o preço no consumidor. Por mim falo: a tarifa mensal fixa que tenho contratada passou de 91 para 106 euros com efeitos a 1 de Setembro.

A 13 de Outubro, à laia de preâmbulo do OE, o primeiro-ministro comunicou ao país uma série de medidas de austeridade. Destaco três: 1. novo aumento do IVA (aumentando de 6% para 23% dezenas de produtos de alimentação); 2. eliminação dos subsídios de férias e de Natal para pensionistas, funcionários da Administração Pública e trabalhadores do sector empresarial do Estado que aufiram pensões ou remunerações de valor igual ou superior a mil euros por mês (as pensões e remunerações de valor situado entre 485 e 1000 euros serão sujeitos a uma taxa de redução progressiva); 3. eliminação das deduções fiscais em sede de IRS para os escalões contributivos superiores, ou seja, a partir de um rendimento anual bruto de 66 mil euros (exemplo: um casal em que marido e mulher sejam professores há 25 anos).

Nos hospitais e centros de saúde, as taxas moderadoras e os actos médicos tiveram aumentos superiores a 100%. E os transportes públicos vão aumentar outra vez a partir de 1 de Fevereiro.

Agora, com a desculpa de que o défice de 2012 deverá ser de 5,4% (uma parte do fundo de pensões da banca teria sido desviado para pagar dívidas dos hospitais), estão na calha novas medidas de austeridade. Dito de outra forma: desde que tomou posse, não houve mês em que o governo não tivesse anunciado medidas cada vez mais gravosas. Até quando?

Etiquetas:

Segunda-feira, Janeiro 09, 2012

O DECLÍNIO DA EUROPA


Este quadro do Eurostat que o Público hoje divulga é eloquente. O desemprego alastra na Europa e a quota de desempregados jovens (i.e., com menos de 25 anos) é cada vez maior. Nos 27 países da UE, o desemprego atinge hoje 5,6 milhões de indivíduos com menos de 25 anos. Só em Espanha, onde o desemprego atinge 22,9% da população activa, a percentagem de jovens é de 49,6% (em Portugal são 30,7%). Presumidamente, toda esta gente saiu de universidades, como há cem anos os avós da instrução primária. Verdade que o mundo mudou muito depressa nos últimos quinze anos. Mas alguém falhou. Aqui e lá fora.

Etiquetas: ,

Sábado, Janeiro 07, 2012

OUTING


Em directo na SICN, Fernando Nobre assumiu ontem à noite a sua qualidade de maçon. Só lhe fica bem. Não tenho nenhuma simpatia por Nobre, mas é louvar a tomada de posição nesta altura de caças às bruxas. Ainda ontem, num almoço em que dividi a mesa com personalidades ligadas aos media, o tema foi tratado com relativa aspereza. Há maçons sacanas? Claro que sim. Como há médicos, jornalistas, advogados, escritores, banqueiros e ministros sacanas. Quem diz sacanas diz corruptos. A venalidade não é património de nenhum grupo social. Por isso me faz confusão a fronda anti-maçónica que varre a imprensa. Os líderes parlamentares do PSD, do PS e do CDS-PP são maçons? E daí? Alguém está a ver o New York Times a exigir declaração de interesses à elite de Washington ou de Wall Street?

Contudo, a Skull & Bones tem lugares cativos na West Wing (Casa Branca), Departamento de Estado, Senado, Congresso, Supremo Tribunal, Reserva Federal, FMI, Forças Armadas, NASA, CIA, universidades da Yvy League, administrações dos grandes bancos, etc. Et pour cause...

[Um dos cavalheiros da imagem chegou a Presidente dos Estados Unidos. Clique.]

Etiquetas: ,