segunda-feira, 25 de julho de 2016

BAVIERA, AGAIN

Desta vez foi um sírio de 27 anos, um refugiado a quem foi recusada autorização de residência na Alemanha. Tudo se passou ontem à noite, em Ansbach (onde existe uma base militar americana), uma cidadezinha colada a Nuremberga, durante um festival de música rock. O atacante deflagrou-se, ferindo 12 pessoas. O festival foi cancelado. Lembrar que, no espaço de uma semana, é o terceiro atentado na Baviera: Würzburg no dia 18, Munique no dia 22, e ontem, dia 24, em Ansbach. Do outro lado do mundo, em Bagdade, a manhã de domingo ficou assinalada por (mais) um homem-bomba que, ao deflagrar-se na Praça Aden, causou 21 mortos e cerca de 40 feridos.

sábado, 23 de julho de 2016

NÃO HÁ COINCIDÊNCIAS


Fez hoje 40 anos, Soares tomou posse como primeiro-ministro do I Governo Constitucional. A efeméride foi assinalada a partir das 18:30 com uma cerimónia informal nos jardins do Palácio de São Bento, residência oficial do primeiro-ministro, António Costa, um dos oradores da sessão, juntamente com Rui Vilar e Pinto Balsemão. Comparecerem cerca de 250 personalidades, entre elas o Presidente da República, o presidente da Assembleia da República, o general Ramalho Eanes, Conselheiros de Estado, deputados, antigos e actuais ministros, Passos Coelho, etc. Internado de urgência, Jorge Sampaio não pôde comparecer. Embora convidado, Sócrates não apareceu.

Também hoje, um grupo de amigos decidiu homenagear Cavaco Silva, organizando um almoço para 80 comensais. A coincidência das datas (a homenagem a Cavaco podia ser feita em qualquer altura) fala por si. Cavaco foi convidado para a homenagem a Soares, tendo declinado com o argumento do seu próprio almoço. Marcelo passou pelo local, mas não participou no repasto. E lembrou a data de Soares. Ter tido educação em casa faz toda a diferença.

A foto é de António Cotrim, para a Lusa. Clique na imagem.

TREINO?

Quem ontem à noite passou — eu estive lá das 21:55 às 22:05 — na Praça de Alvalade, a do Santo António com o Menino ao colo, encontrou o quarteirão do McDonald’s e da ADSE cercados e interditos pela polícia. Quatro viaturas e uma dúzia de agentes à vista. O McDonald’s estava cheio e, na rua, praticamente em cima do cordão da polícia, grupos de adolescentes, à falta de caça mais suculenta, caçavam pokémons. Perguntei a um agente o que estava a acontecer: «Não podemos adiantar nada.» Tenho de tirar o chapéu ao blasé das famílias do McDonald’s e de outros restaurantes da área (cinco, num raio de menos de cem metros, sem contar com os do centro comercial do outro lado da praça). Achei aquilo muito estranho, mas devo ser eu que gosto de tudo bem explicado.

MUNIQUE


Nove mortos e 21 feridos (alguns em estado muito grave) confirmados no ataque de Munique. O atacante, David S., tinha 18 anos e dupla nacionalidade: alemã e iraniana. Através do Facebook, que utilizava com nome feminino num perfil falso, escreveu que o McDonald’s da Hanauerstraße ofereceria nessa tarde refeições grátis. Depois do ataque ao restaurante, correu para o Olympia, o maior centro comercial da cidade, situado no outro lado da rua. Antes de suicidar-se, gritou: «Allahu Akbar. Eu sou alemão.» Aparentemente terá agido sozinho, não se confirmando a existência de três atiradores.

Depois de amanhã, dia 25, começa o Festival de Bayreuth, com a estreia de Parsifal, de Wagner, numa versão de Uwe Eric Laufenberg considerada insultuosa pelo Irão.

Em poucos dias, é a segunda vez que a Baviera sofre um ataque terrorista.

quinta-feira, 21 de julho de 2016

WILLIAM BOYD


Hoje na Sábado escrevo sobre Doce Carícia, de William Boyd (n. 1952). Glosando Flaubert com inteira propriedade, o autor pode afirmar: Amory Clay sou eu. Tudo começou com uma fotografia encontrada por acaso. Aquela que vemos no frontispício, uma mulher a chapinhar na água em 1928. A partir daí, Boyd construiu a intriga que dá consistência ao seu livro mais recente. De certo modo, repete o que fez com Nat Tate: An American Artist 1928-1960, biografia imaginária de um pintor abstracto. Em 1998, quando foi publicado, o livro desconcertou o milieu artístico anglo-americano. Desta vez, apesar do virtuosismo, ninguém tem dúvidas sobre o carácter ficcional da história. Criação do autor, Amory Clay, nascida em 1908, impôs-se como fotógrafa num mundo dominado por homens. Boyd criou o equivalente de Martha Gellhorn, famosa correspondente de guerra nascida no mesmo ano que a sua personagem. É impossível não sentir, no backstage, a presença de Martha Gellhorn, uma das mais notáveis e aclamadas fotógrafas do século XX. Boyd não se esqueceu dela, e de mais uma dúzia, nos agradecimentos. As fotos que intercalam a narrativa não foram creditadas, são imagens avulsas cuja função é ilustrar as memórias de Amory, uma mulher que atravessou duas guerras mundiais e viu o pai (um escritor obscuro) morrer louco. Doce Carícia é uma revisão do século: o desmoronar do mundo anterior à Primeira Grande Guerra, os intrépidos anos 1920 (os bas-fond de Berlim e Londres), os equívocos dos thirties, a Segunda Grande Guerra observada a partir da França ocupada, a hegemonia americana, a Guerra do Vietname, os sobressaltos de uma repórter na frente de combate. Extractos do diário de Amory introduzem os recuos do tempo. Boyd faz um patchwork minucioso: a informação flui com naturalidade, mas o essencial é Amory. Recorrente, o sexo é descrito com as palavras adequadas, sem nunca cair na vulgaridade ou beliscar a elegância da prosa, como demonstrado na cena em que Amory perde a virgindade: para facilitar o acto, o parceiro usa banha de porco como lubrificante. Oriunda de uma família com pretensões aristocráticas, Amory está à-vontade em todo o tipo de meio, seja o lumpemproletariado ou as classes altas. Deveras interessante. Quatro estrelas.

Escrevo ainda sobre A Rota da Porcelana, de Edmund de Waal (n. 1964). O que define um autor de excepção? Quando de Waal publicou o primeiro livro, centrado nos Ephrussi, uma família de banqueiros judeus, a questão colocou-se. E quem leu A Lebre de Olhos Cor de Âmbar ficou na expectativa de nova obra. Ela chegou agora. A Rota da Porcelana mexe directamente com a profissão do autor, oleiro e professor de cerâmica há duas décadas. Se o livro anterior era sobre os netsuke (mini-esculturas de madeira ou marfim), este é sobre o «ouro branco». A partir da história da porcelana, de Waal escreveu um livro difícil de classificar. Podemos lê-lo como monografia biográfica de Tschirnhaus, o matemático; Böttger, o alquimista que introduziu a porcelana na Europa; Espinoza e Leibniz, os grandes racionalistas do século XVII. Mas também como diário de viagem: de Jingdezhen a Londres, com passagens por Versalhes, Dresden, Plymouth, a Etrúria, a Cornualha e outras partes. Ainda como romance histórico. Uma obra perfeita sob qualquer ângulo, porque de Waal alia erudição com humor, sem nunca descurar uma escrita de indiscutível virtuosismo. Cinco estrelas. Publicou a Sextante.

segunda-feira, 18 de julho de 2016

TERROR NA BAVIERA

Entretanto, em Würzburg, um rapaz de 17 anos, afegão, atacou com um machado várias pessoas que estavam na estação de comboios da cidade. Há pelo menos 20 feridos. A polícia alemã abateu o agressor.

domingo, 17 de julho de 2016

REALPOLITIK

O apoio de Obama e Merkel a Erdogan traz Nixon à lembrança. Interpelado sobre Pinochet por um jornalista acreditado na West Wing, terá dito: «É ditador? Talvez seja. Mas é o nosso ditador.» São ínvios os caminhos da realpolitik.

sábado, 16 de julho de 2016

DAY AFTER


Na Turquia, o número de militares detidos ultrapassa já os três mil. Mas também foram presos dez juízes do Danistay, um dos órgãos de cúpula da Justiça turca. Entretanto, foram emitidos mandados de captura contra 140 juízes do Supremo Tribunal (o Yargitay, ou Tribunal de Apelação), tendo sido destituídos 2.745 de magistrados. Segundo as últimas informações, a golpada causou cerca de 300 mortos e 1.500 feridos.

COUP d’ÉTAT NA TURQUIA

O que se passa, de facto, na Turquia? Eram 19:30 em Lisboa quando ontem se soube que os militares tinham ocupado o aeroporto internacional de Istambul, a televisão estatal e as pontes sobre o Bósforo. A Internet e as redes sociais foram bloqueadas. Foi imposta a Lei Marcial. Erdoğan estaria em parte incerta. Até se conjecturou que estava a caminho da Alemanha. Apareceu mais tarde num vídeo do FaceTime, incitando o povo a ir para a rua. Segundo ele, o golpe seria obra de um grupo minoritário das Forças Armadas, seguidores de Fethullah Gülen, um imã sunita de 75 anos, radicado nos Estados Unidos desde 1998.

Erdoğan e Gülen foram aliados até 2013, ano em que Gülen denunciou a corrupção da magistratura e do Estado turco. Dissidente declarado do AKP, entrou em rota de colisão com o regime. Mas Gülen fez um statement claro: «Condeno de forma veemente a tentativa de golpe militar na Turquia. Como alguém que que nas últimas cinco décadas foi vítima de golpes militares, é especialmente insultuoso ser acusado de ligação com estes acontecimentos. Nego categoricamente tais acusações

O golpe seria uma espécie de abrilada: «Repôr a ordem constitucional, o respeito pelos direitos humanos e as liberdades individuais

Oficialmente, nas últimas doze horas, morreram 194 pessoas e foram presos 1.563 militares e 336 golpistas civis. À cautela, convém multiplicar estes números por três. Não esquecer que, a partir de tanques e helicópteros, os militares dispararam sobre a população. A BBC falou em banho de sangue. Dos militares presos fazem parte um almirante, cinco generais e trinta coronéis. Em Ankara, o Parlamento foi atingido à bomba.

Como Binali Yildirum, o primeiro-ministro, participou esta manhã numa conferência de imprensa, a normalidade parece ter sido reposta. O Chefe do Estado-Maior do Exército esteve sequestrado mais de dez horas, antes de ser libertado. Aparentemente, o aeroporto internacional foi reaberto.

No meio do imbróglio, não passou despercebido o silêncio (mais de quatro horas) dos parceiros da Nato. Obama terá sido o primeiro a pronunciar-se. Apelou à defesa da legalidade democrática, uma forma de não dizer nada.

Acabou? Não acabou? A ver vamos.

sexta-feira, 15 de julho de 2016

A BANALIDADE DO MAL


A tragédia de Nice tornou-se trivial na Europa. Um pesadelo: vindo do nada, um camião de grande porte avançou ontem à noite sobre a multidão que assistia ao fogo-de-artifício na Promenade des Anglais. Até ao momento, estão confirmados 84 mortos e mais de 150 feridos, um terço dos quais em estado grave. Sem pudor, as televisões mostraram corpos despedaçados. Depois de percorrer dois quilómetros, o condutor (um franco-tunisino de 31 anos) foi abatido. Num ápice, vários hoteis foram transformados em hospitais de campanha. Hollande prolongou o estado de urgência por mais três meses. De que serve, se um camião de grande porte pôde percorrer dois quilómetros de uma área vedada ao trânsito?

Nice não é uma vilória obscura, é a 5.ª cidade de França, apenas superada por Paris, Marselha, Lyon e Toulouse. Com uma população equivalente à do Porto, cerca de 360 mil habitantes e uma área metropolitana de dois milhões, é também um símbolo da Côte d’Azur. Detalhe curioso: só desde 1860 faz parte do território francês.

quinta-feira, 14 de julho de 2016

JORGE DE SENA


Hoje na Sábado escrevo sobre a sequência de contos Os Grão-Capitães, obra emblemática de Jorge de Sena (1919-1978). Com uma década de intervalo, regressou às livrarias. Escrito durante o exílio brasileiro, seria preciso esperar pela queda da ditadura para que o livro fosse publicado em Portugal. Dois dos nove contos agora reunidos haviam sido publicados na revista O Tempo e o Modo, em 1966 e 68, truncados pela censura. Seria pleonástico sublinhar as capacidades narrativas de Sena, autor de Sinais de Fogo (1979), um dos romances mais importantes do século XX em língua portuguesa. Contudo, importa pôr o acento tónico no desembaraço com que Sena ficciona as sexualidades itinerantes. Dito de outro modo, a forma como desmonta os mitos associados à normatividade heterossexual. No conto Os Irmãos, ambientado na Lisboa de 1945, diz o prostituto: «Viu aqueles gajos que estavam ali sentados? […] Gajos como aqueles paneleiros não deviam poder entrar nos cafés dos homens. […] E, distraidamente, as mãos saem-lhe dos bolsos e afagam suavemente as nádegas.» Noutro registo, O Bom Pastor (um quartel do Porto, em 1943), expõe a difusa linha de fronteira entre identidades sexuais de sinal oposto. O mesmo sucede no epílogo fantasmático de Boa Noite. Três exemplos que antecipam a grand finale de A Grã-Canária. Seria fútil ignorar o contributo de Sena para a inscrição da homotextualidade na literatura nacional, explícita em muitos poemas, mas sobretudo na prosa. A Grã-Canária relata a viagem feita por Sena, como cadete, entre Outubro de 1937 e Fevereiro de 1938, no navio-escola Sagres. O seu ingresso na Marinha de Guerra seria gorado, alegadamente devido a perfil inadequado para oficial, facto lembrado por Arnaldo Saraiva em 1982, originando acesa polémica centrada na questão homossexual. Verdade que o conto permite todas as conjecturas, como o próprio Sena fez notar: «no plano da insinuação torpe, ou virtuosa […] será possível adivinhar, de olho guloso, muita coisa nestas páginas.» Conto admirável, com passagens sem equivalente na nossa ficção, tais como, entre outras, o episódio do bordel de Las Palmas e uma ambígua cena de wrestling entre cadetes: «O outro, com as calças deitadas abaixo e enrodilhadas nos pés, as mãos amarradas…» Indispensável. Cinco estrelas. Publicou a Guimarães.

Escrevo ainda sobre Chega de Saudade, do brasileiro Ruy Castro (n. 1948). Não é novidade: as literaturas portuguesa e brasileira vivem de costas voltadas uma para a outra. A situação agravou-se nos últimos cinquenta anos. Isso explica que o autor tenha apenas três livros publicados em Portugal: Carnaval no Fogo, obra-prima sobre a fundação do Rio de Janeiro; Era no tempo do rei, romance sobre a chegada da Corte portuguesa ao Brasil; e Chega de Saudade, a história da Bossa Nova. Chega de Saudade foi publicado em 1990, mas a edição portuguesa é a de 2016, profundamente revista pelo autor. Só uma prosa de primeiríssima água como a de Ruy Castro faria da história da Bossa Nova uma obra de referência. Nove em cada dez portugueses não faz a mais pequena ideia de quem o autor fala. Quem, com menos de 70 anos, sabe quem foi Maysa Matarazzo? Mas o brilhantismo da narrativa permite ler o livro como um romance: factos, pessoas, intrigas, música e sobressaltos estão lá, mais os retratos nítidos de Vinicius de Moraes, Tom Jobim, João Gilberto e outros. O volume inclui portfolio fotográfico, uma cançãografia e índice remissivo. Quatro estrelas. Publicou a Tinta da China.

IGNORÂNCIA OU MANIPULAÇÃO?

O Sindicato Nacional da Polícia exige o fim dos descontos para o subsistema de saúde da PSP nos subsídios de Férias e de Natal porque... «os funcionários públicos, que têm ADSE, não sofrem estes descontos.» Antes de dizer disparates, o SINAPOL devia ir ler a Lei. Se isso lhes dá muito trabalho, peçam para ver o recibo de um funcionário público. Ficam logo a saber que os funcionários públicos, no activo ou aposentados, descontam para a ADSE catorze vezes por ano. 3,5% sobre o salário bruto. Catorze: doze meses, mais subsídios de Férias e de Natal.

quarta-feira, 13 de julho de 2016

E ESTA?


Boris Johnson, o campeão do Brexit, foi escolhido por Theresa May para ministro dos Negócios Estrangeiros. E, afinal, o Chancellor of the Exchequer continua ser um homem: Philip Hammond, ex-MNE. Por seu turno, David Davis, um tory que não fazia parte do executivo de Cameron, foi escolhido para coordenar as negociações do Brexit.

A imagem da BBC mostra a capa do Mirror de amanhã. Clique.

A SENHORA MAY


Em Buckingham, perante a rainha, Theresa May tornou-se hoje primeira-ministra do Reino Unido. Depois seguiu para o n.º 10 de Downing Street. Vai remodelar profundamente o executivo, constando que o cargo de Chancellor of the Exchequer possa vir a ser ocupado por uma mulher, o que acontecerá pela primeira vez na História. Osborne sai de cena. Também haverá ministro ou ministra para conduzir as negociações do Brexit. Antiga ministra do Interior, Theresa May, 59 anos, tem sido uma declarada opositora de todas as leis que a Direita considera fracturantes. Mas não só. Na Primavera, a propósito da vaga de refugiados, declarou que o Reino Unido não deve assinar a Convenção Europeia de Direitos Humanos, «seja qual for o resultado do referendo». Ao pé dela, Cameron é um leftist. Clique na imagem.

terça-feira, 12 de julho de 2016

CONTAS DE 2015


Então ficamos assim. Manchete do Expresso. Clique.

segunda-feira, 11 de julho de 2016

CAMERON OUT

Theresa May será primeira-ministra do Reino Unido a partir de quarta-feira. Cameron já comunicou a decisão à rainha. Candidata única depois da renúncia, hoje ao meio-dia, de Andrea Leadsom, o Partido Conservador será liderado pela nova inquilina do n.º 10 de Downing Street. Um feliz acaso de coincidências antecipou a sucessão em dois meses. Ainda bem.

CHEGARAM


A Selecção já aterrou em Lisboa. Os F-16 que escoltaram o Boeing 737-400 da Gain Jets fizeram um barulho ensurdecedor aqui mesmo por cima. A imagem é do Jornal de Notícias. Clique.

ANDREA SALTOU FORA

Andrea Leadsom, ministra da Energia e candidata à sucessão de Cameron, anunciou (12:12) a sua desistência à liderança dos Conservadores e, como consequência, ao lugar de primeira-ministra. Motivo? A polémica gerada por uma declaração tola proferida na sexta-feira: «Tenho a certeza de que a Theresa se sente triste por não ter filhos. Genuinamente, sinto que o facto de ser mãe faz com que o futuro do nosso país seja muito importante para mim, verdadeiramente importante. Ela possivelmente terá sobrinhos e sobrinhas, mas eu tenho filhos que vão ter filhos e que vão fazer parte do que vier a seguir.» Andrea diz que o Times deturpou as suas palavras. «Estou enojada.» O statement caiu como uma bomba no milieu político. O alegado ‘mau gosto’ releva do facto de Theresa May, ministra do Interior, e candidata favorita, estar impossibilitada de ter filhos: «Não consegui ter filhos com o meu marido», disse numa entrevista recente.

POR ENQUANTO, O JOELHO

Não dou dez anos para que os jogos de futebol passem a reger-se pelas regras das lutas de gladiadores na Roma Antiga. Ontem, em Paris, na final do Euro 2016, o aniquilamento de Ronaldo (ao fim de um quarto de hora) foi um claro prenúncio. Não serviu de nada, o que significa que da próxima vez será pior.

domingo, 10 de julho de 2016

QUER SER?

O que é «uma lucidez SEM desculpas»? E, já agora, uma lucidez COM desculpas? Vem isto a propósito do livro de uma catedrática dos Açores a quem o Público chama, na primeira página, filósofa. (A autora, Maria do Céu Patrão Neves, foi eurodeputada pelo PSD e consultora de Cavaco.) Segundo a entrevistadora, Andrea Cunha Freitas, o livro «quer ser de uma lucidez sem desculpas». E se o livro não quisesse?