Um livro cada domingo. Quando se fala de Pessoa, é raro referir o único livro em língua portuguesa que o poeta publicou em vida —
Mensagem (1934). Com ele concorreu ao Prémio Antero de Quental, patrocinado pelo Secretariado de Propaganda Nacional, classificando-se na “segunda categoria” (o vencedor é um ilustre desconhecido). Sobre outras que conheço, a presente edição tem a vantagem do aparato crítico, da responsabilidade de António Apolinário Lourenço, professor de literatura espanhola da Universidade de Coimbra. Acerca da estrutura formal e simbólica da obra, Lourenço sublinha, na esteira de outros estudiosos, o seu carácter tripartido:
[i] fundação da nacionalidade,
[ii] dinastia de Avis,
[iii] decadência da Pátria. As quarenta páginas da introdução ajudam a contextualizar a génese deste poema profético e utópico — esteve para chamar-se
Portugal — que faz a síntese das teses de Oliveira Martins com a corrente messiânico-sebástica do pensamento português. Uma das vantagens do domínio público (como acontece com as obras de Pessoa desde 2005) é justamente permitir a diferentes editores uma abordagem particularizada da obra. Esta de António Apolinário Lourenço, para a
Angelus Novus — inserida na colecção Biblioteca Lusitana, onde encontramos também uma criteriosa edição de
Menina e Moça ou Saudades, de Bernardim Ribeiro, da responsabilidade de Juan M. Carrasco González —, merece todos os encómios.
O
Mar Salgado completou cinco anos no passado dia 8. Parabéns à equipa, em particular a Filipe Nunes Vicente e Nuno Mota Pinto.
Filipe Nunes Vicente: «Agora que Israel já não está no Líbano, não há imagens de ambulâncias atacadas, de meninos trucidados, de famílias sob escombros. Meteram férias, os repórteres humanistas»
Henrique Fialho: «Eis senão quando a rubrica do Vasco começa. No canto superior direito do ecrã, uma caricatura do próprio. A apresentadora Manuela (ou alguém parecido com ela) lia os textos, intercalados com imagens das personagens visadas. Do Vasco, ah! Valente, nem miragem. Resta uma hipótese, não sei se já aflorada, mas plausível. Quem apresentou o
Jornal da Noite não foi a Manuela Moura Guedes, foi o próprio Vasco travestido de Manuela.»
José Pacheco Pereira: «Na verdade, o país fecha com o telejornal da noite para tudo o que não sejam irrelevâncias e, a partir daí, pouco mais do que repetições
[...] uma gala, ou um jogo de futebol.»
Luís Mourão: «O pensamento (em filosofia, mas não só) vale verdadeiramente a pena a partir deste caminho de solidão. Porque mais do que concordância ou discordância, o que o pensamento nos pede é esta solidão do próprio, o que cada um tem condições de dizer por si próprio.»
Pedro Vieira: «parece que o bob geldof não curte do mantorras.»
Rogério da Costa Pereira: «Ou seja, o Vasco não aparece na rubrica do Vasco. Escreve os comentários e manda-os para a Manela. Antes de cada comentário passa o tal
sketch alusivo, e eis-nos, então, perante a imagem da Manela a declamar Vasco. Coloca a voz, entoa a ironia, se calha, e eis-nos o Vasco lido pela Manela. Nunca vi nada assim.»
Tiago Barbosa Ribeiro: «Afinal, 1h30 depois do começo do telejornal, Vasco Pulido Valente não apareceu.
O “comentário da semana” é na realidade a teatralização performativa de Manuela Moura Guedes sobre textos escritos por Pulido Valente. Uma “instalação”, como diriam os pós-modernos que ainda restam. Que coisa confrangedora.»