sábado, 1 de outubro de 2016

IMI CAVACAL


A partir da próxima segunda-feira, dia 3, o Público tem nova direcção. David Dinis, que vem da TSF, é o sucessor de Bárbara Reis. Talvez seja por isso que o jornal resolveu dar hoje um arzinho da sua graça. Esta notícia seria possível daqui a meia dúzia de dias?

sexta-feira, 30 de setembro de 2016

O METRO DE LISBOA

A linha verde do Metropolitano de Lisboa, que liga Telheiras ao Cais do Sodré, é a única onde os comboios não circulam com seis carruagens. Motivo: a estação continua como era em 1972, ano em que abriu. Das treze estações da linha verde, só Arroios mantém o formato original. Dito de outro modo: por causa de uma estação, os utentes das outras doze são fortemente penalizados. Esteve previsto o seu encerramento para que as obras pudessem realizar-se com celeridade, mas um coro de críticas obviou essa solução. As pessoas preferem viajar comprimidas em três carruagens (muitas vezes impedidas de entrar porque a bagagem dos turistas bloqueia o acesso) a terem uma estação encerrada durante seis meses.

Entretanto, os cartões VIVA — sem os quais é impossível circular no metro — estão esgotados na estação do Saldanha II. Não é anedota. Os crânios que são pagos para planificar e gerir não se lembraram que os turistas também os usam, sendo portanto necessário triplicar ou quadruplicar o stock. Conferir no local (Saldanha II, com ligação ao aeroporto), onde o aviso está redigido em... inglês.

A administração do Metropolitano assobia para o lado.

quinta-feira, 29 de setembro de 2016

MÁRIO DE CARVALHO & CAMILO



Hoje na Sábado escrevo sobre Ronda das Mil Belas em Frol, de Mário de Carvalho (n. 1944), título que a alguns parecerá obscuro, mas pode ler-se como “belas em flor”, ou, atento o teor das narrativas, ilustrando a efemeridade dos encontros à superfície dos dias, senão mesmo das ondas… Num tempo em que o vocabulário comum se vê reduzido a cem palavras, e este patamar já corresponde a gente com responsabilidades na área da comunicação e da Cultura, ler Mário de Carvalho reconcilia-nos com a língua. Volta a ser assim com este novo livro, uma colectânea de dezassete contos eróticos isentos de muleta metafórica, embora o universo fescenino não pise nunca o risco do soi-disant mau gosto, facto que tranquilizará os leitores mais sensíveis ao jargão rude. Não fica nada por dizer, mas o autor tem recursos de sobra para dispensar o vernáculo atinente. Exemplo: «Não é que eu desgoste da outra coisa, mas só me desencadeio com os dedos. Antes assim que Fulana […] que só goza por trás. Mesmo por trás, percebe?» Na realidade, Ronda das Mil Belas em Frol é um exercício bem esgalhado sobre o género feminino. Do epílogo: «Não poucas mulheres são intensas, efusivas, entusiásticas e, não seria exagero dizer, desvairadas, no momento da verdade.» O epílogo vale como conto. Retratos de mulheres: Gherda, Madalena, Antonieta, Cremilde, Mónica, Olga, Marta, Patrícia, Magda, Flora, Dionilde, Zulmira, Bruna, Aurora, Adozinda, Yolanda, Sílvia. E mais duas sem nome: uma executiva e a dona de uma tabacaria de shopping. Sandra e Rebeca não contam. Algumas são casadas. Apenas Mónica é citada com nome de família. Perfis breves, porém nítidos. Licenciosidade («Detesto coisas moles na minha mão»), ironia, cinismo, crítica social. Importa menos o recorte gráfico da coreografia libidinal («Vá, crava! — E, desfalecendo: — Crava!») do que o olhar arguto das circunstâncias, digamos, “transgressoras”, das classes médias urbanas. Dito de outro modo, a função dos sketches não se esgota na crónica dos engates do narrador. Estes contos fixam um tempo preciso, que talvez coincida com os anos 1970 e 80 do século passado, mas isto é presunção de leitor atento à linguagem e ao modus operandi das personagens, sem resquício de juízo valorativo. O feminismo ortodoxo vai torcer o nariz. Quatro estrelas. Publicou a Porto Editora.

Escrevo ainda sobre Todos os Contos, Novelas curtas e Romances breves de Camilo Castelo Branco (1825-1890), primeiro dos quatro volumes com que o Círculo de Leitores dará a conhecer a parte menos conhecida da Obra do autor de Amor de Perdição, ou seja, os contos, novelas curtas e romances breves, mas também, em próximos tomos, os textos polémicos e parte da correspondência do autor. Este primeiro volume inclui a famosa novela Maria! Não Me Mates Que Sou Tua Mãe!, bem como o romance inacabado A Infanta Capelista (1872), de certo modo inédito, pois teve difusão “clandestina”. Trata-se de um roman à clef sobre os Braganças e a família imperial brasileira. A sua escrita foi interrompida depois da visita que o imperador D. Pedro II fez ao escritor. Em carta a um amigo, Camilo não tergiversa: «A consciência entrou-me na algibeira.» O volume inclui cronologia biográfica, iconografia relacionada com a vida e obra do autor e notas. Parece-me pouco feliz a opção de paginar a duas colunas os textos de Camilo, suponho que com a intenção de os distinguir da vasta e criteriosa hermenêutica de José Viale Moutinho, responsável pela edição, autor dos preâmbulos e restante aparato crítico. Indispensável para melhor compreender Camilo. Cinco estrelas. Publicou o Círculo de Leitores.

quinta-feira, 22 de setembro de 2016

MATHIAS ENARD


Hoje na Sábado escrevo sobre Bússola, do francês Mathias Enard (n. 1972), prémio Goncourt 2015. Publicado em França no ano passado, Bússola segue o ar do tempo, que o mesmo é dizer, a querela que opõe Ocidente e Oriente a reboque da guerra civil na Síria, país onde alemães, franceses e espanhóis dividiam entre si os campos de petróleo. Dito de outro modo, a jihad explicada aos incréus. Para contextualizar, Enard cita dezenas de autores e personagens («Hercule Poirot, o herói de Agatha Christie…»), cruza factos históricos, como por exemplo a colonização do Médio Oriente por parte das potências ocidentais, ponto de partida de todos os males. A mnemónica de Franz Ritter, o narrador, é pontuada com passagens vagamente eróticas («Sulco o seu corpo esguio, musculado…»), uma sobrecarga de referências culturalistas («No oriente do Ocidente, como diz Pessoa») e, sobretudo, muita retórica de salão parisiense. Nem Lou Andreas-Salomé e Peter Fleming escapam ao inventário. Os costumes da sociedade iraniana trazem Verlaine à colação por via de um exame proctológico. Afinal, para a República Islâmica do Irão, público e privado confundem-se. Hitler também entra na intriga. Duas estrelas. Publicou a Dom Quixote.

quarta-feira, 21 de setembro de 2016

O IMPOSTO DA MARIANA

Desde 2012, por iniciativa do Governo PSD/CDS, a Tabela Geral do Imposto do Selo abrange o património de luxo. Nos termos da lei, «os proprietários, usufrutuários e superficiários de prédios urbanos sitos em Portugal, cujo valor patrimonial tributário seja igual ou superior a um milhão de euros...», pagam uma taxa de imposto de 1%. Em tratando-se de prédios detidos por sociedades residentes em paraísos fiscais essa taxa é de 7,5%. Este imposto não exclui o IMI. É obrigatório pagar o IMI mais o imposto adicional. Se a lei é cumprida, ou não, é outro campeonato.

Esta realidade acentua o carácter leviano do statement da deputada Mariana Mortágua, que não foi a primeira, nem será a última, a não saber estar calada (vale para gente de todos os partidos). Subscrevo as declarações de Fernando Medina, que foi de meridiana clareza. Disse o Presidente da Câmara de Lisboa: Não é bom ter deputados a apresentar medidas importantes. Isso cabe ao ministério das Finanças no tempo próprio.

Lembrar que, segundo dados da Autoridade Tributária, o IRS pago pelas novecentas famílias mais ricas de Portugal (as que detêm património superior a 25 milhões de euros ou rendimento médio anual acima de 5 milhões) corresponde a 0,5% do total imposto cobrado. Os restantes 99,5% são pagos pela classe média, porque os pobres estão isentos.

segunda-feira, 19 de setembro de 2016

BÍBLIA DA QUETZAL?


Chega esta semana às livrarias o primeiro dos seis volumes da Bíblia traduzida do grego por Frederico Lourenço. Um acontecimento. Mas não é, como lhe chama o Diário de Notícias, a Bíblia da Quetzal. É a Bíblia publicada pela Quetzal. É provável que, em conversa despreocupada, o autor tenha utilizado a expressão. Mas o jornalista, ao transcrever, deveria ter feito a precisão. Acredito que Frederico Lourenço tenha sido o primeiro a ficar de cabelos em pé ao descobrir que há uma Bíblia da Quetzal. Clique na imagem.

NOVELA DO ABSURDO

Afinal, a revelação de que Joaquim Paulo Conceição teria subornado Sócrates com não sei quantos milhões (ver manchete do Correio da Manhã de sexta-feira), não passa de uma conjectura do procurador Rosário Teixeira, do Ministério Público. O presidente do Grupo Lena disse exactamente o contrário. E reagiu à notícia: «Nunca houve qualquer pagamento. Mentiras absurdas e inventadas não é jornalismo. É crime e têm de ser punidas.» O jornal já se retratou.

sábado, 17 de setembro de 2016

EDWARD ALBEE 1928-2016


Na sua casa de Montauk, perto de Nova Iorque, morreu ontem Edward Albee, um dos mais importantes dramaturgos norte-americanos, três vezes Prémio Pulitzer: em 1967, 1975 e 1994. Entre The Zoo Story (1958), a primeira peça, e Me Myself and I (2007), a última, publicou três dezenas de obras. A mais conhecida será porventura Who’s Afraid of Virginia Woolf? (1962), que Mike Nichols levou ao cinema com Elizabeth Taylor Richard Burton nos protagonistas. Homossexual assumido (o escultor Jonathan Thomas foi seu companheiro até morrer em 2005), Albee recusou sempre a designação de autor gay. Tinha 88 anos.

sexta-feira, 16 de setembro de 2016

EUROSONDAGEM


Maioria de Esquerda = 53%. Clique nas imagens do Expresso para ler melhor.

INCLASSIFICÁVEL

Passos Coelho vai apresentar no próximo dia 26, no Corte Inglês, um livro de mexericos — Eu e os Políticos, edição Gradiva — de José António Saraiva. Sabendo-se que o livro contém «revelações sobre a vida íntima» de 42 personalidades da vida pública portuguesa, e que essas revelações, muitas de carácter sexual, são decorrentes de conversas privadas com os visados e com terceiros, alguns já falecidos, o patrocínio do presidente do PSD é inclassificável. Saraiva assume que o livro é duro e roça «a violação da privacidade».

Alguns dos visados: Balsemão, Barroso (o da Goldman Sachs), Beleza (a presidente da Fundação Champalimaud e conselheira de Estado), Cavaco, Costa (o primeiro-ministro), Cunhal, Eanes, Guterres, Marcelo (o Presidente da República), os irmãos Portas (Miguel & Paulo), Sampaio, Santana, Soares, Sócrates. Mas também há banqueiros: António Horta Osório, CEO do Lloyds, e Jorge Jardim Gonçalves, ex-BCP, são dois exemplos.

Para quem não sabe, Saraiva foi director do Expresso durante 23 anos e depois fundou o Sol. Ao que isto chegou.

quinta-feira, 15 de setembro de 2016

JOHN STEINBECK


Hoje na Sábado escrevo sobre Viagens com o Charley, de John Steinbeck (1902-1968), um dos pilares do cânone americano, autor de clássicos da literatura em qualquer idioma, como, por exemplo, As Vinhas da Ira, romance de 1939 que para sempre fixou o seu nome. Publicado no ano em que recebeu o Prémio Nobel da Literatura, a singularidade deste relato de viagem radica no tom desembaraçado da narrativa. O autor assume o carácter autobiográfico do livro, atípico no conjunto da bibliografia. Em 1960 descobriu que não conhecia o seu próprio país, porque viver em Nova Iorque, com ocasionais visitas a Chicago e São Francisco, não significava conhecer a América, razão que o levou à peregrinação aqui descrita. Planeou tudo ao pormenor, começando por mandar construir uma camioneta apta a vencer adversidades logísticas e atmosféricas. Chamou-lhe Rocinante em homenagem ao Quixote. Dispunha de cama, fogão, frigorífico, calorífero, retrete química, mosquiteiros, acessórios de vária índole, etc., mas tendo de recorrer a motéis para «um banho quente e abundante». Vantagem suplementar: «Era quase tão fácil de conduzir como um carro de passageiros.» Aos 58 anos, Steinbeck cumpria um velho sonho da infância, tentando apaziguar o «vírus do desassossego». Em vez da mulher, levou consigo o Charley, um cão-d’água bleu, nascido em Bercy, habituado a reagir a ordens dadas em francês. (O volume inclui foto desse companheiro.) Mas Charley padecia de prostatite, e a situação só foi resolvida no Texas por um veterinário de Amarillo. Essa fase da viagem contou com a presença da mulher, vinda de Nova Iorque para celebrarem juntos o dia de Acção de Graças. Os milhares de quilómetros percorridos da costa Leste à costa Oeste dão azo a páginas brilhantes, onde se misturam apontamentos nostálgicos, um agudo sentido da realidade e das condições de vida da classe trabalhadora (característica da obra do autor), sketches do quotidiano das pessoas comuns, mas também o escrutínio das «práticas decadentes dos texanos ricos», tudo matizado por notações de humor e um peculiar distanciamento crítico. É de uso dizer-se que um livro se define pela primeira frase. Neste caso, o punch está na última. Cinco estrelas. Publicou a Livros do Brasil.

quarta-feira, 14 de setembro de 2016

O RIO


Com O Rio, de Jez Butterworth, abre hoje, às 19:00, a temporada dos Artistas Unidos. Jorge Silva Melo encenou. Bora ao Teatro da Politécnica ver o Rúben Gomes, a Inês Pereira (ambos na fotografia de Jorge Gonçalves), a Vânia Rodrigues e a Maria Jorge. A seguir, na galeria do lado esquerdo do lobby, inaugura uma exposição de João Jacinto. Clique na imagem.

A VIDA COMO ELA É


Não tinha percebido a entrevista? Aí tem a explicação. A imagem é do Correio da Manhã, a fonte mais autorizada em matérias relacionadas com o Ministério Público.

Aquele «Se o inquérito avançar» é todo um programa! Clique na imagem.

terça-feira, 13 de setembro de 2016

MAQUIAVEL CASSADO

Por 450 votos contra 10, Eduardo Cunha perdeu ontem o mandato de deputado, tornando-se inelegível durante nove anos (o prazo pode ser alargado). Cunha, mentor do impeachment de Dilma, foi presidente da Câmara dos Deputados do Brasil até ao passado 5 de Maio, data em que o Supremo Tribunal Federal o afastou do cargo. Arguido da Operação Lava Jato, agora sem imunidade parlamentar, pode ser preso a qualquer momento. O móbil da cassação foi o facto de ter afirmado que não possuía contas secretas na Suíça, o que se provou ser mentira.

domingo, 11 de setembro de 2016

QUINZE ANOS


A Terceira Grande Guerra começou faz hoje quinze anos. Eram 13:46 em Lisboa quando Nova Iorque, sítio entre todos improvável, sofreu o grande embate. O 11 de Setembro de 2001 mudou as nossas vidas para sempre. Quem nasceu depois terá dificuldade em perceber como era dantes. Transcrevo do meu livro de memórias:

«No 11 de Setembro o Jorge estava de baixa. Eu fui trabalhar. Nesse dia, almocei com duas amigas numa esplanada da Alexandre Herculano. [...] Quase no fim do almoço, o telemóvel tocou. Era o Jorge — “Um avião chocou com uma das Torres Gémeas.” Às 13.57 a notícia não impressionou. O que podia um avião contra o WTC? Novo telefonema, passados poucos minutos — “Mais um. Acaba de chocar com a outra torre. Estão a dar em directo.” Os profiteroles ficaram no prato. Eu e as minhas amigas corremos para o metro. Entrei em casa no preciso momento em que a SIC repetia o segundo embate. A imagem provocou ansiedade, tensão e atrito. Os telefones não paravam. O ataque ao Pentágono não permitia duas leituras. A América estava a ser atacada. Um quarto avião despenhou-se num campo da Pensilvânia, perto de Shanksville, antes de alcançar o Capitólio. Saberemos mais tarde que por acção directa dos passageiros. O voo 93 da United Airlines entrava na lenda. Bush desapareceu a bordo do Air Force One enquanto centenas de corpos saltavam para o vazio. Com um fragor sem precedentes, as torres colapsaram com vinte e nove minutos de intervalo, primeiro a torre Sul (a segunda a ser atacada), depois a torre Norte. Arrastaram com elas vários edifícios, incluindo o Winter Garden. Quando uma onda de gases, detritos e fumo engoliu a baixa de Manhattan [...] soubemos que o mundo tal como o conhecíamos tinha acabado naquele momento.» — Eduardo Pitta, Um Rapaz a Arder, Quetzal, 2013.

Clique na imagem.

sexta-feira, 9 de setembro de 2016

EM QUE FICAMOS?

Pela boca de Manuel Caldeira Cabral, ministro da Economia, ficou a saber-se que o OE 2017 prevê diminuição de IRS por via do ajustamento dos escalões. Ressalva: os escalões «mais elevados» podem ser agravados. A partir de que montante são elevados? Os media andam há uma semana a dizer que o tecto será de quarenta mil euros. Mas um casal com 40 mil euros de rendimento anual é um casal com rendimento mensal de 2.857 euros (vezes catorze). É esta a linha de fronteira? A doutrina Gaspar vai ser recuperada? Já agora: por que não foi Centeno a explicar isto?

AKRASIA


Alguém me explica o que quer dizer este título do Público? Clique na imagem.

quinta-feira, 8 de setembro de 2016

O MURO DE CALAIS

Ando desde ontem atordoado com a notícia da construção de um muro em Calais, iniciativa conjunta do Reino Unido e da França, destinada a impedir a entrada de refugiados e imigrantes no reino de Sua Majestade. Robert Goodwill, ministro britânico do Interior, explicou que o muro terá quatro metros de altura, estendendo-se ao longo de um quilómetro, no perímetro de acesso à zona do túnel e dos ferries do Canal da Mancha. Muro e novos “equipamentos” dissuasores. O que significa, exactamente, “equipamentos”? Tudo estará pronto antes do Natal.

Aparentemente, o controlo de fronteiras é insuficiente. Afinal, o Reino Unido nunca fez parte do Espaço Schengen. E, na prática, o Brexit está em vigor (o formalismo do artigo 50.º apenas visa definir o início das negociações formais). A Europa torna-se mais irrespirável a cada dia que passa.

PHILIP K. DICK


Hoje na Sábado escrevo sobre O Homem do Castelo Alto, de Philip K. Dick (1928-1982). Para muita gente, Dick é o homem por trás de Blade Runner, o filme que Ridley Scott fez a partir do romance Do Androids Dream of Electric Sheep?, uma das suas obras mais conhecidas. Desde 1962, quando publicou O Homem do Castelo Alto, Dick era tido como um dos gurus da ficção distópica. Narrado a partir do ponto de vista de Mr. Childan, proprietário de uma loja de bricabraque em São Francisco, o plot é perturbador: vencedores da Segunda Grande Guerra após a derrota da URSS e rendição dos aliados ocidentais, a Alemanha e o Japão dividem entre si os Estados Unidos da América. Hitler foi afastado por causa da sífilis e Bormann é o novo chanceler do Reich. Goebbels sobreviveu. Sob desconfiança mútua, a costa do Atlântico é administrada pelos alemães e a do Pacífico pelos japoneses. Espécie de linha de fronteira, subsiste no centro uma zona neutra. Dick torce a História para escrever um romance. Faz parte do protocolo. Azar: o tradutor confunde o New Deal (Roosevelt) com o Plano Marshall. Três estrelas.

FOLHETIM MNAA

A propósito das declarações proferidas no passado dia 2 na Escola de Quadros do CDS, António Filipe Pimentel, director do Museu Nacional de Arte Antiga, enviou uma carta de desculpas ao ministro da Cultura: «É desnecessário fazer pensar que quero incendiar o paiol, porque não quero.» Luís Filipe Castro Mendes, o ministro, deve regressar hoje a Portugal. O ministério confirmou ter recebido a carta. A imagem é do Diário de Notícias. Clique.