quarta-feira, 18 de outubro de 2017

NOVO MAI


Eduardo Cabrita, actual ministro Adjunto, vai ser o próximo ministro da Administração Interna. A posse é no sábado, dia 21, antes do conselho de ministros extraordinário marcado para esse dia. O lugar de ministro Adjunto será ocupado por Pedro Siza Vieira.

CENSURA


O CDS vai apresentar amanhã uma moção de censura ao Governo. Em princípio, a moção será debatida e votada na próxima terça-feira, dia 24. O PSD já declarou ir votar a favor. Até aqui, nada de especial. As moções de censura fazem parte da vida parlamentar no mundo civilizado. Mas não deixa de ser irónico que seja o CDS (e não o PSD) a avançar com a iniciativa. O país não esquece que a Lei do Eucalipto, o Decreto-Lei n.º 96/2013, de 19 de Julho, saiu das mãos de Assunção Cristas, a actual líder do partido. E também não esquece as palavras de Paulo Portas.

DEMISSÃO


Constança Urbano de Sousa, ministra da Administração Interna, demitiu-se. Foi um erro político ter esperado pela comunicação do Presidente da República para o fazer, embora a ministra diga que já o tinha tentado logo após a tragédia de Pedrógão Grande.

Excerto da carta de demissão:

«Exmo Senhor Primeiro-Ministro,

Logo a seguir à tragédia de Pedrógão pedi, insistentemente, que me libertasse das minhas funções e dei-lhe tempo para encontrar quem me substituísse, razão pela qual não pedi, formal e publicamente, a minha demissão. Fi-lo por uma questão de lealdade. [...] Durante a tragédia deste fim de semana, voltei a solicitar que, logo após o seu período crítico, aceitasse a minha cessação de funções, pois apesar de esta tragédia ser fruto de múltiplos fatores, considerei que não tinha condições políticas e pessoais para continuar no exercício deste cargo, muito embora contasse com a sua confiança. Tendo terminado o período crítico desta tragédia e estando já preparadas as propostas de medidas a discutir no Conselho de Ministros Extraordinário de 21 de outubro, considero que estão esgotadas todas as condições para me manter em funções, pelo que lhe apresento agora, formalmente, o meu pedido de demissão, que tem de aceitar, até para preservar a minha dignidade pessoal

terça-feira, 17 de outubro de 2017

SEDIÇÃO


Acusados de sedição, Jordi Sànchez, presidente da Assembleia Nacional Catalã, e Jordi Cuixart, presidente de Òmnium Cultural, cabecilhas do processo independentista, foram presos em Barcelona e transferidos para uma prisão de Madrid. A detenção de ambos reveste a forma de ‘prisão incondicional’, sem possibilidade de fiança. Os dois são acusados de desrespeito à Coroa e ao Estado espanhol, patrocínio do referendo do passado dia 1 e incitamento à violência.

A imagem é do jornal catalão La Vanguardia. Clique.

CALAMIDADE PÚBLICA

Em dois dias, o país foi assolado por 722 incêndios: 523 no domingo e 199 na segunda-feira. Morreram 36 pessoas, estando feridas 51 e desaparecidas 7. Animais mortos são às centenas. A Norte do Tejo, dezenas de povoações evacuadas e casas reduzidas a cinzas. Por junto, cerca de 60 mil hectares consumidos pelo fogo, incluindo 80% do pinhal de Leiria. Foi gravemente atingida e danificada a central de biomassa da EDP em Mortágua. Mais de 20 fábricas são agora um monte de escombros. Catorze estradas e duas autoestradas tiveram que ser cortadas. Sejamos claros: Portugal não tem, nunca teve, efectivos e meios suficientes para fazer face a uma tragédia desta dimensão.

Mas, no lugar do primeiro-ministro, eu anteciparia para hoje o conselho de ministros extraordinário agendado para o próximo sábado.

segunda-feira, 16 de outubro de 2017

ESTRADAS INTERDITAS


A quem puder interessar, o quadro da GNR com indicação das 16 estradas cortadas por força dos incêndios que assolam o país. Clique na imagem.

ORGULHOSAMENTE SÓS?


Quem responde pela destruição da economia catalã?
Clique na imagem.

NEM SIM NEM SOPAS


Depois de arrastar a Catalunha para um referendo inconstitucional, e de encenar o espectáculo do passado dia 10, Puigdemont não é capaz de assumir os seus actos. À pergunta de Rajoy sobre se declarou ou não a independência unilateral, responde com um pedido de reunião urgente. Devia tê-lo feito há dois meses. A carta que enviou a Madrid é o retrato de alguém que deu um passo maior que a perna.

Clique nas imagens para ler as duas páginas.

FOGOS

A situação dos fogos é muito grave, com 27 mortos confirmados até ao momento, cerca de 60 feridos em estado grave, pessoas desaparecidas, aldeias evacuadas, estradas cortadas e centrais da EDP atingidas.

domingo, 15 de outubro de 2017

MOGADÍSCIO

O atentado que hoje teve lugar na capital da Somália provocou mais de 300 mortos e cerca de 500 feridos, números que devem aumentar pois os escombros ainda estão a ser removidos. O ataque foi reivindicado pelo grupo islamista al-Shabaab. Modus operandi: um camião com cem quilos de explosivos fez-se detonar junto a um hotel que desabou.

sábado, 14 de outubro de 2017

HAPPY VALLEY?

Como vi a entrevista de Sócrates em diferido, julguei que o aparecimento inopinado da série policial Happy Valley fosse defeito da gravação.

Só hoje soube, pelo Observador, ter-se tratado de ‘erro técnico’ da RTP. Há coincidências tramadas! Logo no meio de uma das respostas mais esperadas do antigo primeiro-ministro. Paulo Dentinho, o director de informação, desculpa-se com o prolongamento da entrevista. A série teria sido activada automaticamente no momento previsto.

Tudo isto pode ser verdade, mas o público tem direito a um esclarecimento formal da RTP e a um pedido de desculpas do senhor Dentinho.

sexta-feira, 13 de outubro de 2017

SÓCRATES NA RTP

Acabo de ver em diferido a entrevista que Vítor Gonçalves fez hoje à noite, na RTP, a José Sócrates. O antigo primeiro-ministro rebateu, ponto por ponto, as perguntas do jornalista. Sabemos que Sócrates é um orador imbatível, mas hoje não se limitou a dar asas à retórica. Pelo contrário, mostrou documentação oficial que contradiz as alegações do MP nos assuntos em pauta. Vítor Gonçalves é suposto ser o melhor entrevistador da RTP, sendo de admitir que fez o trabalho de casa. Então, convinha, para a próxima, que a RTP arranjasse alguém com outra estaleca. Infelizmente, a entrevista terminou com a pergunta abominável: «Como é que o senhor vive, como é que o senhor paga as suas despesas?» Sócrates foi liminar: «Vivo daquilo que é a minha pensão como deputado. Essa pergunta é indigna e não o dignifica.» Assim não vamos lá.

EUROSONDAGEM


Maioria de Esquerda = 57,5%. A diferença entre o PS e o PSD é agora de 13%. Sozinho, o PS ultrapassa a PAF em 7%. Clique na imagem do Expresso para ler melhor.

quinta-feira, 12 de outubro de 2017

ROTH & TELLER


Hoje na Sábado escrevo sobre O Escritor Fantasma, de Philip Roth (n. 1933), um dos mais importantes autores americanos contemporâneos. O Escritor Fantasma inaugurou a série de Nathan Zuckerman, composta por nove romances publicados entre 1979 e 2007. Zuckerman, alter-ego do autor, começa a compor aqui o seu sulfuroso retrato da América. Diz-se muitas vezes que um livro vale pela primeira frase, e este corrobora a lenda: «Era a última hora de luz de uma tarde de dezembro, há mais de vinte anos…» Foi a tarde em que Zuckerman encontrou Lonoff. Nathan Zuckerman, o narrador, é um escritor em início de carreira apostado em pedir o «patrocínio moral» de Emanuel Isidore Lonoff, um par consagrado. O encontro de ambos suscita uma digressão pelas origens de Roth (a comunidade judaica de Newark), vários aspectos das obras respectivas, alfinetadas no meio literário, a moda dos questionários e, como sempre, muito sexo. O virtuosismo é de regra: «trocar insultos em pleno cio não era o meu afrodidíaco preferido…» Tudo se passa em Nova Iorque, nos fifties, e ambos são judeus. Tratando-se de um microcosmo tão peculiar, a paleta de temas é dominada pelos avatares da literatura e as idiossincrasias identitárias dos judeus. O Holocausto não é esquecido. A saga de Anne Frank vem à baila, a partir da encenação do Diário na Broadway, mas o imaginário de Roth causou atrito com os judeus novaiorquinos, enfurecidos com a licença poética de fazer de Amy Bellett, uma protégé de Lonoff, a verdadeira Anne Frank. Dito de outro modo: Anne Frank teria sobrevivido ao tifo contraído no campo de Bergen-Belsen, vivendo com um nome falso nos Estados Unidos (o Diário perderia todo o interesse se soubessem que estava viva). Com essa convicção, Zuckerman prolonga e acrescenta a odisseia de Anne Frank, numa longa narrativa pontuada de detalhes heterodoxos. A heresia não foi esquecida, e o anunciado Pulitzer foi parar às mãos de Norman Mailer. De nada lhe valeu insistir na dicotomia entre autor e narrador. O prémio chegaria dezoito anos mais tarde, por Pastoral Americana, o sexto romance de Zuckerman. Cinco estrelas. Publicou a Dom Quixote.

Escrevo ainda sobre Nada, da dinamarquesa Janne Teller (n. 1964). Publicado em 2001 e destinado a adolescentes, gerou controvérsia na Escandinávia, tendo sido retirado das bibliotecas das escolas do ensino secundário. Mas o ministério da Cultura atribuiu-lhe o prémio de Literatura Infantil, e a situação foi sendo revertida. Porquê a controvérsia? Porque o livro faz luz sobre a imensa crueldade das crianças. Pierre Anthon, filho de hippies retardados, é o herói deste Satyricon para menores. Nada vale a pena é o seu lema e, nessa medida, cada um deve desfazer-se de algo que tenha significado para si. A purga existencial começa com tralha doméstica, mas depressa atinge o paroxismo. Se uma aluna quer cortar o dedo indicador de um colega, corta-se o dedo ao colega. Se outra quer exumar um bebé, faz-se a exumação do cadáver. Se outra quer decapitar uma cadela, serra-se a cabeça do animal. E assim sucessivamente, com envios a Nietzsche para caucionar a “criatividade”. Os rapazes colaboram. Janne Teller é uma economista que trabalhou nas Nações Unidas e na Comissão europeia e viveu em vários países. Escreve romances e ensaios. Três estrelas. Publicou a Bertrand.

quarta-feira, 11 de outubro de 2017

SÓCRATES ACUSADO

O Ministério Público concluiu a acusação da Operação Marquês. Os arguidos são 28. Segundo uma nota da Procuradoria-Geral da República, o antigo primeiro-ministro é acusado de 31 crimes: dezasseis de branqueamento de capitais, nove de falsificação de documentos, três de corrupção passiva de titular de cargo político, e mais três de fraude fiscal qualificada. Os crimes teriam sido cometidos entre 2006 e 2015.

Lembrar que uma acusação não é uma sentença judicial transitada em julgado, e que todos os acusados se presumem inocentes até prova em contrário.

DO PLENÁRIO PARA O PÁTIO


Na sala do Plenário, Puigdemont fez um discurso alambicado. No pátio, assinou a declaração de independência unilateral da Catalunha: «Contituimos la República catalana, como Estado independiente y soberano, de derecho, democrático y social Terá sido forçado pela CUP, dizem uns. Terá sido forçado pelo Junts pel Sí, dizem outros. Foi tudo combinado antecipadamente com Carme Forcadell, a Presidenta del Parlament, dizem muitos. Seja como for, o Presidente da Generalitat cobriu-se de ridículo. Pior: deu de bandeja a Rajoy o pretexto para accionar todos os mecanismos de ocupação da Catalunha.

terça-feira, 10 de outubro de 2017

A FOTO


Momento em que Puigdemont assina a declaração de independência unilateral da Catalunha. Clique no Twitter da Generalitat.

DUI EM LETRA DE FORMA


A independência unilateral da Catalunha foi proclamada e suspendida ao fim de 25 segundos. Excerto (em castelhano) da Declaração formal. 

«[...] CONSTITUIMOS la República catalana, como Estado independiente y soberano, de derecho, democrático y social.

DISPONEMOS la entrada en vigor de la Ley de transitoriedad jurídica y fundacional de la República.

INICIAMOS el proceso constituyente, democrático, de base ciudadana, transversal, participativo y vinculante.

AFIRMAMOS la voluntad de abrir negociaciones con el estado español, sin condicionantes previos, dirigidas a establecer un régimen de colaboración en beneficio de ambas partes. Las negociaciones deberán ser, necesariamente, en pie de igualdad. [...]»

O documento tem 61 subscritores: o Presidente da Generalitat, deputados de Junts pel Sí, representantes da CUP, membros do Governo catalão e os independentistas da Mesa del Parlament.

Imagem: 1.ª página da Declaração. Clique.

DUI PROCLAMADA E SUSPENSA


Depois de falar 20 minutos, Puigdemont declarou o direito da Catalunha à independência sob a forma de República. Mas suspendeu (adiou) os seus efeitos por duas semanas, para, diz ele, tentar a via da negociação com Madrid. Chama-se a isto um balde de água fria. Rajoy não se comove com o delay e considera que houve uma declaração unilateral de independência, facto que obriga o Governo espanhol a agir em conformidade.

Clique na imagem do jornal catalão La Vanguardia.

O DIA DA DUI?


Quando forem cinco da tarde em Portugal, seis em Espanha, Puigdemont vai ao Parlamento catalão «explicar la situación política», o que quer que seja que isto signifique. Toda a área circundante está vedada ao trânsito e ao público desde as primeiras horas da manhã, embora os partidos separatistas tenham convocado uma manifestação para o local. Como se vê na imagem, o bloqueio da Ciutadella é da responsabilidade dos Mossos d'Esquadra.

Entretanto, o valor das empresas que já transferiram as suas sedes para fora da Catalunha ultrapassa 78 mil milhões de euros (o resgate a Portugal foi de 70 mil milhões). Nada será como dantes. O futuro dos filhos dos separatistas vai ser pior, e Puigdemont terá de responder um dia por isso.

Clique na imagem.