segunda-feira, 18 de setembro de 2017

UNIVERSIDADE CATÓLICA


Sondagem do CESOP da Universidade Católica Portuguesa para o Jornal de Notícias, sobre a eleição para a Câmara de Lisboa. Clique na imagem para ver melhor.

sexta-feira, 15 de setembro de 2017

TERROR EM LONDRES


Esta noite, o Governo britânico subiu para nível crítico a possibilidade de um ataque terrorista. Elementos do exército vão substituir a polícia em pontos-chave de Londres e outras cidades do Reino Unido. Downing Street acredita que um ataque em larga escala possa estar iminente. Entretanto, o Daesh já reivindicou o atentado desta manhã na estação de metro de Parsons Green.

Na imagem do Guardian, o engenho explosivo que não detonou por completo, facto que explica a ausência de mortos e apenas 29 feridos. Clique nela.

RATING

A Standard & Poor’s retirou Portugal do «lixo», colocando a notação do país em «grau de investimento». A decisão deve-se à evolução da economia e ao progresso sólido na consolidação orçamental. 

LONDRES: NOVO ATENTADO


Um atentado terrorista no metro de Londres ocorreu esta manhã por volta das 08:17 na estação de Parsons Green. A polícia metropolitana confirma a existência de muitos feridos, quase todos com queimaduras graves devido à explosão. Theresa May convocou para daqui a pouco o comité de emergência Cobra, anunciou Downing Street.

Clique na imagem.

quinta-feira, 14 de setembro de 2017

MILÁN FÜST


Hoje na Sábado escrevo sobre A História da Minha Mulher, de Milán Füst (1888-1967). Conhecido sobretudo como poeta, Füst é o autor deste romance de 1957 que agora chegou à edição portuguesa em tradução directa do húngaro de Ernesto Rodrigues. Inédito no nosso país, salvo um poema constante da antologia Rosa do Mundo, é provável que o livro suscite o interesse dos editores pela obra restante, teatro incluído. Infelizmente, parte importante do Diário foi destruída. O subtítulo, Apontamentos do Comandante Störr, remete para o fio da intriga. O narrador, Jacob, é um marinheiro holandês que não tem ilusões acerca da natureza do seu casamento: «Que a minha mulher me engana já eu suspeitava há muito.» É a primeira frase do livro e o tiro de partida para um longo monólogo interior acerca do adultério e da moral dissoluta de muitos europeus no período entre duas guerras. A escrita reflecte o ambiente decandentista de certos círculos (não esquecer que o narrador é um homem do mar que tirava desforço da infidelidade da mulher) boémios. Füst publicou o livro quinze anos depois de o ter concluído, na ressaca da fugaz contra-revolução anti-comunista de Outubro de 1956. Quatro estrelas. Publicou a Cavalo de Ferro.

TRAGÉDIA GREGA


Há muito tempo que uma peça de teatro não me impressionava tanto como A Vertigem dos Animais Antes do Abate, do grego Dimítris Dimitriádis, em tradução de José António Costa encenada por Jorge Silva Melo. Os Artistas Unidos não podiam ter começado melhor a temporada 2017/18 do Teatro da Politécnica. Um halo de tragédia percorre o texto, onde bissexualidade, loucura, droga, crime, incesto e suicídio compõem um quadro de disfunção familiar levada ao limite. Porque tudo se passa no seio de uma família assombrada pela profecia de Filon (um admirável Américo Silva), o amigo maldito. Do elenco de nove actores gostaria de destacar os mais jovens, em especial João Pedro Mamede, que está a um passo de ser um nome de referência, bem como os de André Loubet e Pedro Baptista, ambos actuando nus durante boa parte do espectáculo. É evidente que o fundo sonoro, pontuado por excertos de Tchaikovski (1812), Verdi (o Dies irae do Requiem) e Offenbach (Barcarola e Can-Can), sublinha o dramatismo da dramaturgia. Muito boa a cenografia de Rita Lopes Alves. Não aconselhado a espíritos impressionáveis. Agora é esperar pelo juízo dos especialistas.

Clique na fotografia de João Gonçalves.

quarta-feira, 13 de setembro de 2017

CAMPANHA NEGRA

Os neo-liberais, a Direita, grosso modo, incensa o mercado livre. Mas, pelos vistos, o mercado imobiliário tem de ser regulado à boa maneira soviética. É o que dá ter os jornais, o PSD, o CDS, as agências de comunicação, etc., atolados de antigos militantes do MRPP, da LCI, do PCP-ML, da UDP e afins. Não vale a pena citar nomes porque existe bibliografia sobre o assunto.

A CASA


Vamos lá então esmiuçar o caso que faz salivar a Direita.

Fernando Medina comprou no ano passado, por 645 mil euros, um duplex (usado) na Avenida Luís Bívar, em Lisboa. É o edifício amarelo à direita da imagem. Como a casa tem uma área bruta de 182 metros quadrados, significa que Medina pagou 3.544 euros por cada metro quadrado, valor superior em 47,8% à média das escrituras de 2016.

E quanto pagaram os vizinhos do mesmo prédio?

Celeste Cardona, ex-ministra do CDS, pagou 3.655 euros/m2
Ricardo Bayão Horta, ex-ministro do CDS, pagou 3.456 euros/m2
Jaime Silva, ex-ministro do PS e sogro de Medina, pagou 3.350 euros/m2
Judite de Sousa, pivô da TVI, vendeu o dela por 2.987 euros/m2

Chama-se a isto o mercado.

Por que razão Isabel Teixeira Duarte, em 2010, pagou 4.112 euros/m2, e vendeu, em 2016, por 3.544 euros/m2, é uma questão que só a senhora pode esclarecer.

O Presidente da Câmara de Lisboa publicou entretanto um esclarecimento detalhado com documentação anexa a corroborar isto tudo.

terça-feira, 12 de setembro de 2017

FERNANDO MEDINA


Não é segredo para os meus amigos que apoio a candidatura de Fernando Medina, de cuja Comissão de Honra faço parte. Fui um dos que hoje ao fim da tarde se deslocaram ao Pátio da Galé e pude testemunhar o ambiente de empatia mútua que ali se viveu. Reencontrei amigos (intelectuais, artistas, políticos, gente das profissões liberais) que não via há muito tempo, e isso deu-me uma certeza: nas horas certas, estamos juntos.

domingo, 10 de setembro de 2017

SETÚBAL VERMELHA


Albérico Afonso Costa acaba de publicar Setúbal Cidade Vermelha, relato minucioso de como a cidade viveu os 19 meses do PREC. Não é a primeira vez que o historiador elege Setúbal como foco central da sua obra: Roteiro Republicano de Setúbal», publicado em 2010, ou o mais ambicioso História e Cronologia de Setúbal 1248-1926, publicado em 2011, são obras de referência. Como anteontem lembrou Fernando Rosas na apresentação do livro, sem o detalhe local a História fica incompleta (cito de cor). Certas passagens são de leitura compulsiva. Os ‘insurgentes’ da extrema-esquerda dos anos 1970 encontram aqui um circunstanciado tour d’horizon das suas utopias. Dividido em cinco partes, o volume contém, ao longo de 335 páginas, cronologias dos anos de 1974 e 1975, vasta iconografia (capas de jornais, cartazes, fotografias) do período em análise, inserts de declarações e obras de terceiros, entrevistas com uma vintena de protagonistas, tábua de siglas, bibliografia e um exaustivo índice remissivo, cuja consulta depende do apoio de uma boa lente. A edição é da Estuário.

sexta-feira, 8 de setembro de 2017

EUROSONDAGEM


Maioria de Esquerda = 56%. A diferença entre o PS e o PSD é agora de 11,6%. Sozinho, o PS ultrapassa a PAF. Clique na imagem do Expresso para ler melhor.

IRMA


Sempre que via a série CSI MIAMI ficava fascinado com o waterline da cidade mas, acto contínuo, lembrava-me do tsunami que no Natal de 2004 atingiu a ilha tailandesa de Phi Phi antes das réplicas em catorze países do Índico provocarem mais de duzentos mil mortos, grande parte deles no Sul da Índia e nas Maldivas. A imagem mostra um detalhe da zona de Miami-Dade de onde, neste momento, estão a ser evacuadas cerca de 700 mil pessoas. Não quero imaginar as imagens que veremos este fim-de-semana. Clique na imagem.

quinta-feira, 7 de setembro de 2017

NGUYEN & AGUSTINA


Hoje na Sábado escrevo sobre O Simpatizante, o primeiro livro de Viet Thanh Nguyen (n. 1971), vencedor do Pulitzer de Ficção 2016. Nguyen tem origem vietnamita, mas radicou-se com a família nos Estados Unidos quando se deu a queda de Saigão. Depois deste romance publicou um ensaio sobre o Vietname. Antes havia publicado contos na imprensa. Sem surpresa, a intriga é um melting pot da actualidade, de histórias com referentes biográficos que Nguyen terá ouvido aos pais (ele era uma criança de quatro anos quando deixou o país onde nasceu), e de metaficção. Um compósito de livro de espionagem apimentado por reminiscências da guerra, e de busca de identidade num país novo. O narrador anónimo é um oficial vietnamita refugiado em Los Angeles, doublé de espião e proprietário de uma loja de bebidas, um intelectual (autor de uma tese sobre Graham Greene), enfim, um homem cheio de contradições, filho ilegítimo de um padre francês. A primeira frase diz tudo: «Sou um espião, um infiltrado, um malsim, um homem de duas faces. Não será porventura uma surpresa que também seja um homem de duas mentes.» O segundo parágrafo abre com a famosa citação de Eliot: «abril, o mês mais cruel.» Saigão, a terra devastada, implodia com fragor. Na precipitação da retirada de Saigão veio tudo: gente comum, militares de alta patente sul-vietnamitas, agentes duplos, informadores de Thang, os pais de Nguyen, uma das centenas de famílias que foram instaladas em Fort Indiantown Gap, um campo de refugiados na Pensilvânia. Não admira que Nguyen utilize o livro para, ao mesmo tempo que exorciza os fantasmas do narrador (que volta ao Vietname para defender os seus ideais), revisita a América profunda dos anos 1970 e 80: cinema, música, tiques geracionais. Tudo sem ignorar as previsíveis comparações com o Vietname, personalidade das mulheres incluída. A actualidade está presente ao longo da narrativa: «Recostado na sua cadeira de junco, com uma t-shirt branca e umas calças de caqui, e os tornozelos perfeitos à mostra porque não usava peúgas com os sapatos de vela, era tão cool como um gelado…» Em suma, a escrita de Nguyen prende o leitor em velocidade cruzeiro. Quatro estrelas. Publicou a Elsinore.

Escrevo ainda sobre A Sibila, de Agustina Bessa-Luís (n. 1922). A reedição planificada da obra ficcional da autora é um acontecimento. Ainda que não publique nenhum romance inédito desde 2006, Agustina continua sendo a maior escritora portuguesa viva. Razão de sobra para saudar a 31.ª reedição de A Sibila, obra-prima que em 1954 provocou ondas de choque no meio literário, tendo recebido de imediato os prémios Delfim Guimarães e Eça de Queiroz. Não esquecer que Agustina foi, antes da queda da ditadura, a única autora de Direita respeitada por críticos de todos os quadrantes ideológicos, posição que mantém mesmo em democracia, sem ter abdicado das suas convicções e nunca se esquivando a militância activa. Com A Sibila, a literatura nacional ganhou uma personagem carismática, essa Quina que nos perturba «desde o alvorecer da razão», mulher indómita adoptada por sucessivas gerações de leitores. A acção do romance decorre na região de Amarante, na casa da Vessada (arrasada pelo fogo em 1870, mas reconstruída), entre meados dos séculos XIX e XX. A narrativa encontra-se pontuada, aqui e ali, por factos reais: a Revolução da Patuleia, o advento da República, etc. Se não leu, tem agora oportunidade. Os clássicos são sempre actuais. Cinco estrelas. Publicou a Relógio d’Água.

segunda-feira, 4 de setembro de 2017

JOHN ASHBERY 1927-2017


Morreu ontem John Ashbery, um dos mais importantes poetas americanos do século XX. A notícia foi dada por David Kermani, seu companheiro de longos anos. Nas décadas de 1950-60, Ashbery foi um dos ícones da denominada Escola de Nova Iorque. Self-Portrait in a Convex Mirror, de 1975, o seu livro mais conhecido (a tradução portuguesa é de António M. Feijó, mas o volume da Relógio d'Água inclui, sob esse título, poemas de vários livros), recebeu no mesmo ano o Pulitzer, o National Book Award e o National Book Critics Circle Award, facto sem precedentes. Em 2012, Obama atribuiu-lhe a Medalha Nacional de Humanidades. De uma obra com mais de trinta títulos, dois estão traduzidos em Portugal. Tinha 90 anos.

domingo, 3 de setembro de 2017

BOMBA H


A contagem acelera. Desta vez não foi um teste de míssil, foi mesmo uma explosão nuclear. Eram 08:29 em Portugal quando a Coreia do Norte fez explodir uma bomba de hidrogénio. O abalo sísmico (6.3 na escala de Richter) decorrente da explosão subterrânea fez-se sentir nos países vizinhos e numa larga área do Pacífico. Esta bomba pode ser acoplada a um míssil intercontinental. Washington ainda não reagiu, o que pode prenunciar o pior. A Rússia, a China, o Japão e a Austrália já condenaram o acto. Seul garantiu esta manhã que os Estados Unidos vão fixar na Coreia do Sul os seus «activos tácticos mais poderosos». Enquanto isto, a Europa goza o domingo.

A imagem é do Guardian. Clique.

sexta-feira, 1 de setembro de 2017

AXIMAGE


Sondagem Aximage para o Correio da Manhã e o Negócios. Maioria de Esquerda = 59,9%. A diferença entre o PS e o PSD é superior a vinte pontos (20,1%). Sozinho, o PS ultrapassa a PAF, que continua a descer e soma agora 28,1%. Clique na imagem para ler melhor.

quinta-feira, 31 de agosto de 2017

BANVILLE & REIS


Hoje na Sábado escrevo sobre Retalhos do Tempo, do irlandês John Banville (n. 1945). Infelizmente tenho de me repetir: cada novo livro seu coloca o leitor no patamar do virtuosismo. Acabado de traduzir, não se esgota na categoria de livro de viagens, como aquele que em 2003 dedicou a Praga. Este volume de memórias de Dublin é um longo e fascinante ensaio ilustrado com fotografias de Paul Joyce. Sabíamos que Banville é sempre exemplar na forma como recorta as personagens, ficcionais ou reais (exemplos ao acaso: Newton e Anthony Blunt), mas, doravante, sabemos que estamos mesmo nos lugares que evoca. Desde Luz Antiga (2012), o admirável romance sobre a erosão do tempo que, num hábil jogo de mnemónica, mete Paul de Man na intriga, não me recordo de páginas tão certeiras como estas em que revisita a Dublin dos anos 1950, uma cidade flagelada «pela pobreza, um lugar cinzento e feio» que, mesmo assim, «não maculava os sonhos» do rapazito que o autor então era. Banville nasceu em Wexford e, como o próprio recorda, Dublin era para ele «o que Moscovo era para a Irina em Três Irmãs, de Tchékhov, um lugar mágico…» Apesar da aventura que a viagem representava (ia lá no dia de aniversário, coincidente com um feriado católico), as anotações são o exacto contrário da primeira vez que viu Paris, aos dezoito anos: passeando no Jardim do Luxemburgo, sentiu «que penetrara numa tela de Renoir ou de Raoul Dufy, ou até numa das fêtes galantes de Watteau.» As evocações têm enfoque em locais e pessoas concretas, como ruas, jardins (muitos), bibliotecas, lojas, bares, edifícios, monumentos e, sem surpresa, Yeats. Não são bilhetes postais. Banville envolve tudo num fio condutor, onde História, experiências pessoais, envios literários, tradição e anedotário compõem um quadro vivo. A história de Phoenix Park dá azo a um impressivo retrato de James Butler (1610-1688), 1.º duque de Ormonde e criador daquele que é o maior parque público da Irlanda. Não falta sequer o furto do volume da poesia completa de Dylan Thomas: «enfiei-o debaixo do casaco e saí à socapa, com as mãos a tremer…» Em suma, leitura obrigatória. Cinco estrelas. Publicou a Relógio d’Água.

Escrevo ainda sobre Poemas Quotidianos, de António Reis (1927-1991). Quando passam 50 anos da sua publicação, eis que o livro volta às livrarias, resgatando o autor do silêncio injusto a que estava votado. Salvo para as gerações nascidas antes de 1940, a que se juntam alguns happy few mais jovens, o nome de António Reis era sobretudo associado ao cinema: assistente de Manoel de Oliveira, guionista, realizador de, entre outros, Jaime (1974) e Trás-os-Montes (1976), filmes míticos. Malgrado ter colaborado na imprensa cultural, foi assim que as coisas se passaram: a poesia ficou para coevos. Estamos portanto perante uma edição histórica. Poeta oriundo da segunda fase do neo-realismo, António Reis escolheu a elipse, lá onde outros ecoavam o derrame operático, para dizer a condição dos desapossados: «Também eu trago a saudade / nos sentidos // se dissesse que não / era mentira // também eu perdi um cão / casas / rios // Mas hoje / tenho mulher / amigos / e uma saudade mais real / é que me inspira.» Por último mas não em último, sublinhar a pertinência do esclarecedor prefácio de J.B. Martinho e do posfácio de Joaquim Sapinho. Cinco estrelas. Publicou a Tinta da China.

DIANA


Diana, princesa de Gales, morreu faz hoje 20 anos. Tudo aconteceu em Paris, na companhia de Dodi al-Fayed, seu amante. Estando grávida, é de supor que Dodi fosse o pai. Depois do jantarem no Ritz, propriedade dos al-Fayed, os dois abandonaram o hotel e foram vítimas de um acidente no viaduto subterrâneo Pont de l’Alma. Eram 04:44 da madrugada quando a BBC confirmou o óbito de Diana. Dodi e o motorista também morreram. Apenas sobreviveu Trevor Rees-Jones, guarda-costas do casal. Ainda há muita coisa por explicar, desde logo por que razão o dossier da polícia francesa, relativo ao caso, desapareceu num ápice. Lembrar que Diana foi casada com Carlos, o herdeiro do trono britânico, entre Julho de 1981 e Agosto de 1996, embora a separação de facto fosse anterior. A opinião pública reteve a frase famosa: Éramos três no nosso casamento. Diana referia-se a Camilla (ex-Parker Bowles), actual duquesa da Cornualha.

quarta-feira, 30 de agosto de 2017

UM HOMEM SENSATO


O escritor britânico Terry Pratchett (1948-2015), que terá uma dúzia de livros publicados em Portugal, dos mais de cem que escreveu, viu agora satisfeito um desejo testamentário: o disco rígido do seu computador deveria se destruído num rolo compressor, para evitar a divulgação de obras inacabadas, rascunhos, notas pessoais, etc. O desejo foi agora cumprido. Pratchett está publicado em 70 países e 40 línguas, tendo vendido, enquanto vivo, mais de 85 milhões de exemplares dos seus livros. Nos anos 1990 foi mesmo o autor mais vendido no Reino Unido. O canibalismo post mortem tem feito muitos estragos na história literária.

sábado, 26 de agosto de 2017

MACAU


Imagens do rescaldo do tufão Hato, anteontem. Nove mortos e cerca de duzentos feridos, centenas de desalojados e de lojas destruídas, prejuízos no valor de milhões de milhões. Até ontem, só havia água e electricidade nos organismos do Governo e da polícia, hospitais, embaixadas, casinos e hotéis de luxo. O aeroporto cancelou mais de 500 voos. As pessoas comuns, que vivem em prédios de 40 e mais andares, tiveram de safar-se sem elevadores. Mas tudo isto passou entre os pingos da chuva da imprensa portuguesa. Amanhã vai haver outro, quando forem 5 da madrugada em Portugal.

Mas até do ponto de vista sensacionalista, que faz vender jornais, o tufão Hato tem pontas por onde vale a pena pegar. Uma delas diz respeito à demissão do director dos Serviços Meteorológicos e Geofísicos de Macau. O homem foi obrigado a demitir-se por ter mandado hastear o sinal de tempestade às 9 da manhã de quarta-feira (duas da madrugada em Lisboa), quando devia tê-lo feito duas horas mais cedo. E porquê só às 9? Porque às 8 da manhã ocorre a mudança de turno nos casinos, que funcionam ininterruptamente durante 24 horas. Macau tem mais casinos que Las Vegas, sabia? Com o sinal de tempestade hasteado antes das 8, ou mesmo às 8, ninguém poderia sair nem entrar. Às 9 permitiu isso tudo, e pior: centenas de milhares de pessoas vieram para a rua fazer a sua vida e caiu-lhes o inferno em cima.

Entretanto, já sabemos quase tudo sobre o tufão Harvey que ontem começou a fustigar o Texas.