domingo, 29 de maio de 2016

QUEM PAGA?

Os promotores do movimento que defende o financiamento das escolas privadas, na sua maioria católicas, suportadas com o dinheiro dos contribuintes, manifesta-se hoje em Lisboa. Tem do seu lado a hierarquia da Igreja, os sectores ultramontanos da sociedade, os direitolas do PAF e, sem surpresa, os media, que têm manipulado a opinião pública sem resquício de pudor. O Presidente da República desautorizou o movimento. O Tribunal de Contas desmentiu os media («Este Tribunal não se pronunciou, nem tinha que se pronunciar, sobre contratos de associação»), e o Conselho Consultivo da Procuradoria-Geral da República deu razão ao Governo no tocante à redução do financiamento a colégios privados com contrato de associação. Facto é que está prevista manif. Segundo os media, foi fretado um comboio e centenas de camionetas. Quem paga essa logística?

sexta-feira, 27 de maio de 2016

NÃO ESQUECER


Há seis semanas que a RTP2 transmite, de segunda a sexta, a série Uma Aldeia Francesa de Philippe Triboit. Cinco episódios por semana. Não me recordo que algum jornal lhe tenha feito referência. Ontem passou o episódio 42, dos 60 que preenchem as seis temporadas concluídas (2009-16). A 7.ª ainda está em produção. Trata da ocupação da França pela Alemanha nazi. Verdade que a série não tem o glamour das grandes produções da HBO. Mas trata de forma assisada, e pedagógica, o drama da França ocupada, as ignomínias de Vichy, o aviltamento da colaboração, a deportação de judeus, a bufaria generalizada, as vidas dos homens e mulheres que fizeram a Resistência, etc. Um elenco muito vasto de que fazem parte, entre outros, Audrey Fleurot, Thierry Godard, Emmanuelle Bach, Robin Renucci, Marie Kremer, François Loriquet, Nade Dieu, Nicolas Gob, Fabrizio Rongione, Patrick Descamps, Martin Loizillon e Richard Sammel. Ora aí está uma série que devia ser exibida nas escolas de ensino secundário. A deriva da Europa actual não se compadece com o branqueamento da História. Nem sequer há o argumento das imagens insuportáveis. A ocupação da França foi um episódio tenebroso, como aqui documentado, mas o horror na sua forma mais exacta foi a Leste, especialmente na Polónia, Balcãs e União Soviética. Portanto não há nada que as ‘crianças’ não possam ver.

quarta-feira, 25 de maio de 2016

A FEIRA

Telefonema da TSF. O jornalista quer saber o que tenciono comprar na Feira do Livro. Digo-lhe que este ano nem por lá devo passar (não publiquei nenhum livro em 2015), que não gosto da Feira, e que só lá fui a dúzia de vezes em que por obrigação contratual tinha de cumprir o ritual dos autógrafos. Contracorrente? Paciência. Não gosto.

Expliquei porquê: abomino estar sentado ao sol, ficar encharcado dos pés à cabeça porque o toldo do stand não aguentou a bátega, ir a correr para o Hospital da Luz porque a cadeira do Jorge caiu de um estrado com quase um metro, tropeçar em berços do tamanho de caravanas, ficar com um pólo estragado porque uma criança ao colo dos pais deixou cair o gelado em cima de mim, ter que ir ao Ritz se me apetecer urinar, suportar poeira e vento agreste, aturar tontos, etc. Isto dito, das vezes que fui, até tive a companhia de bons amigos, editores e escritores. Não cito nomes porque o risco de esquecer alguém é muito grande. Quanto à Feira, estamos conversados.

CLARICE LISPECTOR


Hoje na Sábado escrevo sobre a integral dos contos de Clarice Lispector (1920-1977), que Benjamin Moser juntou num único volume. São oitenta e cinco. Os que tiveram publicação em volume, mais os avulsos repescados em jornais, revistas e outras publicações, um texto arquivado na Fundação Casa Rui Barbosa, bem como inéditos do espólio. Atentas as variantes ocorridas ao longo do tempo, Moser optou pelas edições originais. Portanto, depois da integral das crónicas, temos Todos os Contos. Clarice é a déracinée típica, a mulher que nasceu na Ucrânia, à época território russo, no seio de uma família judaica, mas foi ainda bebé para o Brasil (a família teve de fugir dos pogroms anti-semitas), onde o pai lhe mudou o nome: Haia virou Clarice. Nessa altura ainda não tinha a nacionalidade brasileira, que só obteve em Janeiro de 1943, já com o curso de Direito concluído, onze dias antes de casar com um diplomata e no mesmo ano em que publicou Perto do Coração Selvagem, o romance de estreia que provocou ondas de choque nos círculos literários mais exigentes. Tinha nascido uma lenda. No prólogo, Moser faz notar que a obra «é o registo da vida inteira de uma mulher, escrito ao longo da vida inteira de uma mulher […] o primeiro registo do género em qualquer país.» É uma afirmação temerária, mas Moser defende-a bem. O volume está dividido em oito partes. Primeiros contos colige os textos escritos até 1941. Laços de Família (1960), A Legião Estrangeira (1964), Felicidade Clandestina (1971), Onde estivestes de noite? (1974) A Via Crucis do Corpo (1974) e Visão do Esplendor (1975), reproduzem as colectâneas homónimas. A fechar, Últimos Contos. Em apêndice, um texto no qual Clarice explica a génese da sua escrita. Deste vasto corpus, quero destacar “Eu e Jimmy”, “A Fuga”, “Amor”, “Uma Galinha”, “Feliz Aniversário”, “O Jantar”, “Preciosidade”, “O Crime do Professor de Matemática”, “O Búfalo”, “Os Obedientes”, “A Criada” e “Melhor do que Arder”. Alguns são clássicos absolutos. Para quem nunca leu Clarice, parecem-me uma boa introdução à obra. Katherine Boo disse: «Senti-me fisicamente abalada pelo seu génio.» O primeiro embate é sempre assim. Cinco estrelas. Publicou a Relógio d’Água.

Escrevo ainda sobre Tudo o que ficou por dizer, livro de estreia de Celeste NG, americana de origem chinesa, largamente elogiada por parte da crítica mais conspícua. As questões identitárias estão na ordem do dia e o livro põe em pauta os direitos das mulheres e problemas associados à integração de imigrantes asiáticos na sociedade americana. Detonador da intriga: a morte de Lydia, uma adolescente filha de pai chinês e mãe americana. Estamos em 1977, no coração do Ohio. A polícia encontra o corpo num lago. Acidente? Suicídio? A narrativa intercala passado e presente. Professor, o pai tem como prioridade “ser” americano. Dona de casa, a mãe projectou em Lydia as suas próprias aspirações. Os flashbacks compõem dois retratos: o da imigração chinesa nos primeiros anos do século XX, quando o avô de Lydia chegou à Califórnia; e a subalternização das mulheres como norma dos anos 1950. O desaparecimento de Lydia é um pretexto para Celeste NG, ela mesma filha de um casal de cientistas chineses imigrados, questionar os equívocos das relações familiares. Três estrelas e meia. Publicou a Asa.

domingo, 22 de maio de 2016

NOTEBOOK DA GARDUNHA


Os festivais de literatura são todos iguais, embora uns sejam mais simpáticos do que outros. O da Gardunha foi especialmente caloroso. Começou bem, sexta-feira à noite, com um jantar volante na Casa dos Maias, um solar barroco do século XVIII. Dividimos uma mesa no jardim com o embaixador Marcello Duarte Mathias e o Gonçalo M. Tavares. Boa conversa durante umas horas. Reencontrei o Fernando Echevarría que não via desde Paris e o Pedro Loureiro que não via desde que deixou de ser nosso vizinho (ainda tivemos tempo de ir ver a sua exposição de fotografia). Conheci o Fernando Paulouro das Neves e o filho, Ricardo, bem como o Tiago Salazar. Amigos que revi foram vários: Ana Nunes Cordeiro, José Mário Silva, Manuel da Silva Ramos e Rui Lagartinho. Ao longe vi Fernando Dacosta, que desapareceu entre as palmeiras. Havia mais umas trinta pessoas, mas a minha memória já não é o que era. Razões sérias de saúde impediram a ida de Cristina Carvalho, José Viale Moutinho, Manuel Gusmão e Paula Tavares. Sempre atenta, Margarida Gil dos Reis, a alma da organização, zelava por tudo. Passava da meia-noite quando regressámos ao hotel, o Cerca Design House, em Donas.

Por razões de ordem particular, estive no Fundão apenas dois dias. Margarida Gil dos Reis foi uma anfitriã de mão cheia, atenta aos horários e outros pormenores. Ontem, sábado, foi a abertura oficial, no edifício da Moagem, dita Cidade do Engenho e das Artes. Fernando Paulouro das Neves fez as honras da casa e apresentou o poeta e ensaísta espanhol César Antonio Molina (antigo ministro da Cultura de Estanha), que fez uma conferência sobre o tema da ‘caminhada’ em literatura, com enfoque em Cervantes. Como não via Molina há quase trinta anos, foi um reencontro. Seguiu-se a primeira mesa, com Ana Margarida de Carvalho, Fernando Dacosta e Gonçalo M. Tavares. Margarida Gil dos Reis moderou. Tive oportunidade de conhecer Mbate Pedro, poeta moçambicano nascido em 1978, membro da União Mundial dos Escritores Médicos. Seguiu-se o almoço, que juntou oitenta pessoas, distribuídas por oito mesas com dez comensais cada. Na minha ficaram Margarida Gil dos Reis, Marcello Duarte Mathias, José Carlos de Vasconcelos, Paula Morão, Fernando Guimarães, Maria de Lourdes Guimarães, Ricardo Paulouro Neves, mais um jovem que não consegui identificar e, naturalmente, o Jorge, meu marido. Duas horas de boa disposição. Seguiu-se a mesa em que participei, com Paula Morão e Marcello Duarte Mathias, moderada por Maria João Costa. Conversa rápida com Helena Buescu. Depois não vi mais nada, porque tive de regressar a Lisboa. Hoje, domingo, chegam a Clara Ferreira Alves e o Pedro Mexia, mas já não ando por lá.

E agora a parte antipática. Presumo que seja do interesse dos editores vender os livros que publicam. Digo eu, que não sou comerciante. Seria natural que estivessem atentos aos festivais literários e eventos afins. Infelizmente, nem todas as casas editoras pensam assim. Isto para dizer o seguinte: a organização do Festival Literário da Gardunha contactou cinco editores de livros meus, e eu próprio alertei as pessoas certas. Aconteceu o quê? A Dom Quixote, a Tinta da China e a Planeta fizeram o que deviam. Mandaram os livros e eles venderam-se todos: Desobediência, poesia (o primeiro a esgotar); Cadernos Italianos, diário de viagem; e Cidade Proibida, romance. A Quetzal e a Ulisseia assobiaram para o lado. Em vão as pessoas procuraram Um Rapaz a Arder, volume de memórias, e Pompas Fúnebres, colectânea de crónicas. Os livros existem para estar disponíveis. Eu sei que não é de ‘bom tom’ falar destas coisas. Mas esse é o lado para que durmo melhor.

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quinta-feira, 19 de maio de 2016

TATIANA SALEM LEVY


Hoje na Sábado escrevo sobre Paraíso, de Tatiana Salem Levy (n. 1979), brasileira nascida em Lisboa porque era aqui que os pais viviam, fugidos à ditadura militar. Anda cá e lá. Escreveu um ensaio sobre Blanchot, Foucault e Deleuze, contos, dois livros infantis e três romances. O mais recente, Paraíso, chegou agora às livrarias portuguesas. Se é verdade que a primeira frase marca um romance, Tatiana faz jus ao clichê: «O dia estava nascendo quando Ana ouviu do homem ao seu lado tenho Aids.» Para o leitor preguiçoso que tropeça no pós-Garrett, traduzo: Ana, a protagonista, descobre ao acordar que o parceiro tem Sida. Está dado o tom. Paraíso é um patchwork de memórias construídas, um exercício de mnemónica que recua aos barões do café (e, por consequência, ao arbítrio do esclavagismo), mas também aos judeus que a Inquisição perseguiu, como aconteceu com os avós da autora. Romance identitário, portanto. Paraíso é um bom exemplo da ruptura semântica que a partir dos anos 1960 “libertou” a literatura brasileira da tradição portuguesa (isso não aconteceu em 1922, como pretendeu Oswald de Andrade). Vamos ter de seguir Tatiana Salem Levy. Três estrelas. Publicou a Tinta da China.

CABALA

Não é de agora. Sempre os estrangeirados foram olhados de soslaio pelo establishment nacional. Tiago Brandão Rodrigues é o alvo mais recente. Oriundo do Cancer Research da Universidade de Cambridge, o ministro da Educação tem contra ele o poderoso lobby católico que sustenta os colégios ‘privados’ que comem à mesa do Orçamento de Estado. Para fazer o trabalho sujo aparece sempre alguém.

Desta vez foi um docente da Universidade de Coimbra a acusar Tiago Brandão Rodrigues de ‘burla’ — uso indevido de dinheiros da FCT —, em 2001, durante a primeira fase do um projecto de investigação. Sucede que Tiago Brandão Rodrigues foi para a Universidade do Texas, desligando-se do projecto inicial, e devolveu à FCT o montante da bolsa que lhe fora atribuída. A FCT já desmentiu a cabala («Nunca existiu sobreposição entre a bolsa de doutoramento atribuída pela FCT e qualquer outra bolsa»), tendo facultado cópia do cheque de 2002 que prova a devolução do dinheiro. O ministro vai processar a criatura que fez a denúncia.

O RODAPÉ

Quem assistiu ontem em directo à audição de Sérgio Figueiredo, director de informação da TVI, na comissão parlamentar de inquérito ao Banif, ficou com a sensação de que o banco foi ao ar por causa do rodapé que esteve no ar durante dezassete minutos na noite de domingo, 13 de Dezembro de 2015. A avaliar pelas reacções de alguns deputados, a culpa foi do rodapé que esteve em linha entre as 22:49 e as 23:06 dessa noite. Sem ele, o Banif estaria aí, sólido como uma rocha, desafiando os potentados da City e de Wall Street. Todos sabemos como a história acabou.

Verdade que o rodapé dizia uma coisa às 22:49 e outra às 23:06. Na 1.ª versão, nenhum depósito, qualquer que fosse o seu montante, estava assegurado, mas isso foi corrigido no espaço de um quarto de hora. A notícia provou ser factual. Sem disfarçar o enfado (e a irritação que o levou a tratar João Almeida, do CDS, por Você), Sérgio Figueiredo esteve quatro horas a repetir as mesmas coisas: as fontes eram credíveis, a informação foi validada, o desfecho confirmou tudo. Eu não tenho que avaliar a oportunidade das notícias. Não sou governante, nem regulador, nem banqueiro. Sou director de informação. A Direita não gostou nada de o ouvir pôr em causa o modus operandi de Maria Luís Albuquerque.

quarta-feira, 18 de maio de 2016

HORROR

Acompanhar o que se passa na Venezuela é um pesadelo. Já não se trata de liberdades e garantias, autoritarismo bolivariano ou mesmo inflação: a cada dia que passa, o preço da alimentação, escassíssima, triplica o preço. Não. Estamos a falar de água, electricidade, sabão, medicamentos rudimentares. Bebés prematuros que morrem (vários por dia) porque os apagões desligam as incubadoras. Adultos que morrem por falta do mais prosaico dos antibióticos. Cirurgias onde falta água para lavar o sangue. Cirurgiões sem sabão para lavar as mãos. É o horror na sua forma mais exacta.

terça-feira, 17 de maio de 2016

BANDEIRA LGBT NA CÂMARA DE LISBOA


Hoje, por ser Dia Internacional contra a Homofobia e Transfobia, a Câmara Municipal de Lisboa hasteou a Bandeira LGBT. A iniciativa partiu do movimento Cidadãos por Lisboa, que tem dois vereadores no executivo liderado por Fernando Medina. Clique na imagem.

segunda-feira, 16 de maio de 2016

CURIOSIDADE

Tenho evitado falar do Governo Temer. Estou razoavelmente informado da situação no Brasil, vista do lado das classes médias tradicionais (as profissões liberais clássicas, docentes universitários, escritores, intelectuais), mas o meu conhecimento dos bastidores do milieu político é reduzido. Escrevo hoje porque todos os dias leio dezenas de textos — na imprensa, Facebook, blogues — a invectivarem a falta de qualidade dos novos ministros, a ausência de mulheres e negros, etc. Eu não teria tanta certeza sobre não haver negros, mas isso agora não interessa. Visto à distância, o actual Governo brasileiro parece mau de facto e de jure. É evidente que ter o ministério da Ciência tutelado por um pastor da IURD não lembrava ao Diabo. A questão que gostaria de colocar é a seguinte: alguém é capaz de nomear três ministros de Dilma com currículo profissional e perfil pessoal que os habilitassem a integrar um Governo europeu civilizado? Não estou a defender o golpe constitucional que afastou Dilma. Estou só curioso de conhecer a opinião das pessoas que, pelos vistos, são tu-cá-tu-lá com os ministros cessantes.

sexta-feira, 13 de maio de 2016

TAMBÉM TU, AXIMAGE?


A sondagem da Aximage, para o Correio da Manhã e o Negócios, divulgada esta tarde, ainda enfatiza mais a subida da Esquerda: 54,8%. Aqui, o PS está 6,2% à frente do PSD. Mesmo somando PSD e CDS (36,3%), o PS vence.

A imagem é do Negócios. Clique para ver melhor.

EUROSONDAGEM EXPRESSO & SIC


Maioria de Esquerda = 52,8%. Subiu 0,5% relativamente a Abril. PSD e CDS desceram. Em matéria de popularidade, António Costa sobe: tem agora 43,5% de avaliação positiva. Mas Marcelo continua a liderar, com 68,4% de avaliação positiva. Clique na imagem para ler melhor.

FEITO

O diploma do BE sobre ‘gestação de substituição’, vulgo barrigas de aluguer, foi aprovado com os votos do PS, BE, PEV, PAN e 24 deputados do PSD, um dos quais foi Passos Coelho. O PCP e o CDS votaram contra.

As alterações à Lei da Procriação Medicamente Assistida foram igualmente aprovadas com os votos do PS, BE, PCP, PEV, PAN e 16 deputados do PSD. O CDS votou contra e houve 3 abstenções no PSD. A nova redacção da lei vem permitir o recurso a técnicas de fertilização a mulheres sozinhas, bem como a mulheres casadas ou em união de facto com outra mulher. Até aqui, só os casais heterossexuais tinham direito a PMA.

DIREITO DE ESCOLHA

Segundo a VISÃO, «a mãe de uma criança de 13 anos com necessidades educativas especiais terá sido aconselhada a procurar uma escola pública...» quando tentou inscrever o filho no Colégio Liceal de Santa Maria de Lamas, «um estabelecimento de ensino privado situado no concelho de Santa Maria da Feira que mantém um contrato de associação com o Estado no valor de quase seis milhões de euros anuais relativos a 74 turmas.» Comentários para quê?

quinta-feira, 12 de maio de 2016

RABINDRANATH TAGORE


Hoje na Sábado escrevo sobre A Asa e a Luz, de Rabindranath Tagore (1861-1941), um nome familiar aos leitores do Ocidente, embora a cultura bengali não sobreviva sob o holofote mediático. Tendo visitado a Inglaterra na adolescência, ainda no tempo da rainha Vitória, Tagore desde cedo desenvolveu contactos e amizades com várias das personalidades que marcaram o século XX: Gandhi, Einstein, Yeats e Gide são alguns exemplos. Essa circunstância talvez explique o espectro de interesses que a obra reflecte. Dito de outro modo, foi um intelectual comprometido com o seu tempo. Isso é mais visível na literatura e na música (a título de curiosidade, refira-se que Tagore é o autor dos hinos nacionais da Índia e do Bangladesh), mas estende-se a outras áreas da criação artística. Neste volume, coligem-se aforismos de duas obras: Stray Birds (1916) e Fireflies (1928), inéditas em Portugal. Poemas muito breves que podemos ler como haikus: «O mundo sabe que o pouco / é mais do que o muito.» A tradução foi feita a partir das edições de língua inglesa organizadas pelo próprio autor. Três estrelas.

DILMA AFASTADA


Aconteceu. 55 senadores votaram a favor do impeachment. O último acto de Dilma como Presidente foi exonerar Lula e os membros do seu Governo. A imagem é do Estadão. Clique.

FESTIVAL LITERÁRIO DA GARDUNHA


Depois de nos últimos doze meses ter recusado todos os convites, estarei presente no Festival Literário da Gardunha, que se realiza no Fundão nos próximos dias 21 e 22. Comigo estarão, entre outros, Ana Margarida de Carvalho, Cesar Antonio Molina, Clara Ferreira Alves, Cristina Carvalho, Dulce Maria Cardoso, Fernando Dacosta, Fernando Echevarría, Gonçalo M. Tavares, Helena Buescu, José Viale Moutinho, Julieta Monginho, Manuel da Silva Ramos, Marcello Duarte Mathias, Manuel Gusmão, Mário Zambujal, Paula Morão, Pedro Mexia e Tiago Salazar. Margarida Gil dos Reis é a alma do Festival. Camané e Mário Laginha também vão estar.

ATÉ TU, ITÁLIA!

Por 372 votos a favor, 51 contra e 99 abstencões, o Parlamento italiano aprovou ontem a lei das uniões civis entre pessoas do mesmo sexo. As ‘uniões civis’ são casamentos que não se chamam casamentos: o acto é formalizado no Registo Civil e tem associados todos os direitos do casamento. Só não tem o nome. (Era o que a Direita portuguesa queria. A Direita e alguma Esquerda.) A Itália segue o modelo vigente na Alemanha. Matteo Renzi declarou: «As leis são feitas para pessoas, não para ideologias. Hoje é um dia feliz para todos

Neste momento, o casamento entre pessoas do mesmo sexo é legal nos seguintes países: África do Sul, Argentina, Bélgica, Brasil, Canadá, Colômbia, Dinamarca, Espanha, Estados Unidos (em todos os Estados), Finlândia, França, Gronelândia, Holanda, Islândia, Irlanda, Luxemburgo, Malta, México, Nova Zelândia, Noruega, Portugal, Reino Unido (inclui Escócia e País de Gales), Suécia e Uruguai.

quarta-feira, 11 de maio de 2016

DIREITOS HUMANOS


O estudo é da ILGA-EUROPA e abrange 49 países. Malta foi uma revelação. Um exemplo que distingue Malta de Portugal: em Malta, o reconhecimento legal da identidade transexual exclui parecer médico. É mesmo proibido. Pelo contrário, em Portugal exige-se um diagnóstico de disforia de género para os documentos de identificação registarem o [novo] sexo. O estudo assinala que 34% dos portugueses considera ‘errada’ a prática de actos sexuais entre pessoas do mesmo sexo. Em Malta, só 24% da população tem esse preconceito.

Infografia do Público. Clique para ler melhor.