Clique na imagem.
terça-feira, 25 de janeiro de 2022
AXIMAGE
segunda-feira, 24 de janeiro de 2022
CARGAS FISCAIS
Mesmo pelo critério falacioso de misturar impostos com descontos para a Segurança Social, mesmo assim, somando duas coisas de natureza diferente, existem dezoito países da UE onde a “carga fiscal” é mais alta do que a nossa. Atrás de nós temos a Irlanda, Malta e um punhado de países do Leste.
Pelo critério correcto (impostos são impostos) existem doze países onde a carga fiscal é superior à nossa, com a Dinamarca, Suécia e Finlândia à cabeça, mas também a França, a Itália, a Bélgica, etc. Verdade que na Alemanha os impostos são inferiores.
Imagem: JN. Clique.
domingo, 23 de janeiro de 2022
DAVID MOURÃO-FERREIRA
Natural de Lisboa, David Mourão-Ferreira foi, além de poeta e brilhante ensaísta, contista e romancista laureado, director de jornais e revistas, professor do ensino secundário, do ISLA e da Faculdade de Letras de Lisboa, secretário de Estado da Cultura em três Governos e personalidade destacada da cena literária.
Estreado em livro com A Secreta Viagem (1950), teria alguns dos seus poemas cantados por Amália — exemplo maior, ‘Barco Negro’ — ainda nos anos 1950, mantendo-se a colaboração de ambos nas décadas seguintes.
Os programas que apresentava na Emissora Nacional e na RTP foram cancelados (1965) por haver protestado contra o encerramento da Sociedade Portuguesa de Escritores. O romance Um Amor Feliz (1986), mais tarde adaptado à televisão, recebeu todos os prémios disponíveis em Portugal. Viajante incansável, a Itália era o seu país de eleição.
O poema desta semana pertence a Matura Idade. A imagem foi obtida a partir de Obra Poética [1948-1995], volume organizado por Luis Manuel Gaspar e publicado pela Assírio & Alvim em 2019.
[Antes deste, foram publicados poemas de Rui Knopfli, Luiza Neto Jorge, Mário Cesariny, Natália Correia, Jorge de Sena, Glória de Sant’Anna, Mário de Sá-Carneiro, Sophia de Mello Breyner Andresen, Herberto Helder, Florbela Espanca, António Gedeão, Fiama Hasse Pais Brandão, Reinaldo Ferreira, Judith Teixeira, Armando Silva Carvalho, Irene Lisboa, António Botto, Ana Hatherly, Alberto de Lacerda, Merícia de Lemos, Vasco Graça Moura, Fernanda de Castro, José Gomes Ferreira, Natércia Freire, Gomes Leal, Salette Tavares, Camilo Pessanha, Edith Arvelos, Cesário Verde, António José Forte, Francisco Bugalho, Leonor de Almeida, Carlos de Oliveira, Fernando Assis Pacheco, José Blanc de Portugal, Luís Miguel Nava, António Maria Lisboa, Eugénio de Andrade, José Carlos Ary dos Santos, António Manuel Couto Viana, Ruy Cinatti, Al Berto, Alexandre O’Neill e Vitorino Nemésio.]
Clique na imagem.
sexta-feira, 21 de janeiro de 2022
VOTAR NO PS
Cito três parágrafos:
«Num momento de tentações autoritárias e populistas, com soluções falsas e fáceis, temos de confiar num partido e num candidato a primeiro-ministro que nos garanta fidelidade indubitável aos princípios democráticos e vontade de os defender e praticar, tornando-os vivos e presentes. [...]
«Num momento de velhas ameaças e novos riscos sociais, precisamos de um partido e de um candidato a primeiro-ministro que, pelo que diz e pelo que já fez, não tem a tentação de voltar às injustas políticas de austeridade, fundadas nas receitas economicistas do neo-liberalismo mais agressivo. [...]
«Num momento de comparação de opções programáticas, é fundamental que confiemos num partido e num candidato a primeiro-ministro que escolha, não um modelo de desenvolvimento assente na mão de obra barata, mas a valorização e a qualificação das pessoas, apostando na economia do conhecimento, na educação, na investigação científica e tecnológica, e na cultura.»
Alguns dos signatários: Alice Vieira, Ana Vidigal, António Carlos Cortez, António Lobo Antunes, António Victorino d'Almeida, Bruno Schiappa, Carlos Albino, Cristina Carvalho, David Santos, Delfim Sardo, Eduardo Souto Moura, Emília Silvestre, Fernanda Fragateiro, Graça Morais, Hélder Costa, Helena Vasconcelos, Henrique Cayate, Irene Flunser Pimentel, Isabel Rio-Novo, Joana Vasconcelos, João Lourenço, João Luís Carrilho da Graça, João de Melo, Lia Gama, Lídia Franco, Lídia Jorge, Luís Filipe Castro Mendes, Maria do Céu Guerra, Maria de Medeiros, Miguel Lobo Antunes, Nuno Júdice, Paula Guedes, Pedro Caldeira Cabral, Pedro Portugal, Richard Zimler, Rui Vieira Nery, Simonetta Luz Afonso, Teresa Rita Lopes, Tiago Bartolomeu Costa e Valter Hugo Mãe.
Clique na imagem.
EMPATE
CESOP da Universidade Católica para a SIC, RTP, Antena Um e Público.
— PS 37% / PSD 33%
Tracking poll da CNN — PS 36,5% / PSD 32,9%
Conclusão: se o resultado das urnas coincidir com estas intenções, só no último minuto se saberá qual o Partido mais votado. Mas algumas coisas parecem certas: nenhum partido obterá maioria absoluta / o CH será a terceira força parlamentar / a IL está empatada com o BE / o CDS dificilmente conseguirá eleger um deputado. São péssimas previsões.
O chumbo do OE vai sair muito caro à Esquerda
Clique na imagem do Público.
quinta-feira, 20 de janeiro de 2022
JAVIER MARÍAS
Filho de um filósofo exilado por causa de Franco, eterno candidato ao Nobel, admirado sem reservas pelos mais ilustres dos seus pares europeus e norte-americanos, romancista, contista, ensaísta, tradutor de Sterne, Conrad, Yeats, Auden, Nabokov, Ashbery e outros, antigo professor de literatura em Oxford, nada na sua obra (várias vezes premiada dentro e fora de Espanha) se confunde com a imagem de marca da literatura espanhola contemporânea. Digamos com clareza: Javier Marías é o mais importante escritor espanhol dos últimos cinquenta anos.
Sob a aparência de um thriller, Tomás Nevinson põe em pauta o dilema moral de matar ou não matar, o “dever” de optar por uma dessas soluções. Veja-se o episódio que une o escritor alemão Friedrich Reck-Malleczewen ao destino de Hitler: podia tê-lo morto em 1936, mudando o curso da História, mas não o fez, acabando morto em Dachau.
Com os massacres da ETA em pano de fundo, detalhando alguns dos mais brutais, o plot é narrado na primeira pessoa, excepto quando Nevinson veste a pele de Miguel Centurión Aguilera, o pacato professor de inglês pelo qual se faz passar em Ruán, a cidade fictícia onde tem por missão descobrir, entre três mulheres — Inés Marzán, Celia Bayo e María Viana —, qual delas é de facto Magdalena Orúe O’Dea, «metade da Irlanda do Norte e metade da Rioja…», o cérebro por trás do crime hediondo. Por se tratar de um exercício sobre o bem e o mal, a culpa, o medo e a memória, e não de mero panfleto sobre espiões e terrorismo político, Shakespeare é citado com propriedade. Mas, como sempre, a vasta erudição da prosa não perturba a fluidez do discurso.
Calibrando cada frase com a precisão de um joalheiro, ao mesmo tempo que mantém a tensão narrativa num jogo de harmónicas não isento de mordacidade e humor, Javier Marías não esquece as vítimas do separatismo basco, o ónus do horror. Tomás Nevinson, o romance, é apenas o invólucro elegante da interpelação que deixa à posteridade.
Clique na imagem.
domingo, 16 de janeiro de 2022
NEMÉSIO
Natural de Praia da Vitória, na Ilha Terceira (Açores), Nemésio publicou em Angra do Heroísmo o primeiro livro, Canto Matinal, não tinha ainda quinze anos feitos.
Depois do serviço militar, já em Lisboa, colaborou na imprensa da época. Em 1922, em Coimbra, concluiu o ensino secundário, matriculando-se na Faculdade de Direito, ao mesmo tempo que trabalhava como revisor da Imprensa da Universidade. No ano seguinte foi admitido na Maçonaria. Em 1925 trocou o curso de Direito pelo de Filologia Românica, tornando-se docente da Faculdade de Letras de Lisboa em 1931.
Além de poesia, publicou um dos mais importantes romances portugueses de sempre, Mau Tempo no Canal (1944). Mas também contos, teatro, ensaios, crónicas, uma biografia de Herculano e uma antologia de poesia brasileira dos séculos XVII e XVIII.
Durante quase sessenta anos, colaborou activamente em jornais e revistas (algumas das quais fundou), tendo, após 25 de Novembro de 1975, sido o primeiro director do jornal conservador O Dia, lançado pelos jornalistas despedidos do Diário de Notícias durante o PREC.
Antes de tornar-se catedrático da Faculdade de Letras de Lisboa (1940), foi leitor de português em Montpellier (1934-36) e Bruxelas (1937-39). Ao longo da vida ministrou cursos em vários países, do Brasil a Moçambique.
Ligado ao separatismo açoriano durante o PREC, nem por isso deixou de ser uma personalidade extremamente popular, celebrizado pelas crónicas da Emissora Nacional e pelo programa Se Bem Me Lembro que a RTP transmitiu a partir de 1969.
Continuam inéditos os poemas eróticos, de que se conhece apenas um, Pedra de Canto, publicado no n.º 35 (1977) da revista Colóquio-Letras.
O poema desta semana pertence a Sapateia Açoriana (1976). A imagem foi obtida a partir do Volume II de Obras Completas (1989), organizado por Fátima Freitas Morna e publicado pela Imprensa Nacional.
[Antes deste, foram publicados poemas de Rui Knopfli, Luiza Neto Jorge, Mário Cesariny, Natália Correia, Jorge de Sena, Glória de Sant’Anna, Mário de Sá-Carneiro, Sophia de Mello Breyner Andresen, Herberto Helder, Florbela Espanca, António Gedeão, Fiama Hasse Pais Brandão, Reinaldo Ferreira, Judith Teixeira, Armando Silva Carvalho, Irene Lisboa, António Botto, Ana Hatherly, Alberto de Lacerda, Merícia de Lemos, Vasco Graça Moura, Fernanda de Castro, José Gomes Ferreira, Natércia Freire, Gomes Leal, Salette Tavares, Camilo Pessanha, Edith Arvelos, Cesário Verde, António José Forte, Francisco Bugalho, Leonor de Almeida, Carlos de Oliveira, Fernando Assis Pacheco, José Blanc de Portugal, Luís Miguel Nava, António Maria Lisboa, Eugénio de Andrade, José Carlos Ary dos Santos, António Manuel Couto Viana, Ruy Cinatti, Al Berto e Alexandre O’Neill.]
Clique na imagem.
domingo, 9 de janeiro de 2022
O'NEILL
Natural de Lisboa, O’Neill atravessou a infância e adolescência com largas temporadas em casa da bisavó materna, em Amarante, cidade onde publicou (1943) os primeiros versos e conheceu Pascoaes. Fez estudos com professores privados e em colégios particulares, tendo ainda frequentado a Escola Náutica.
Foi funcionário da Caixa de Previdência dos Profissionais do Comércio (1946-52) até ser demitido compulsivamente, amanuense na Companhia de Seguros Metrópole, tradutor e publicista.
Em 1947, durante as festas do Festival Mundial da Juventude, conheceu Cesariny. Nesse mesmo ano participa na reunião fundadora do Grupo Surrealista de Lisboa. Ingressa no MUD-Juvenil em 1948, ano em que publica o primeiro livro, A Ampola Milagrosa, e conhece Nora Mitrani, a trotskista búlgara por quem se apaixonou e esteve na origem do mais famoso dos seus poemas, Um Adeus Português.
Por ter ido esperar Maria Lamas ao aeroporto de Lisboa, foi preso pela PIDE em 1953, ficando detido em Caxias durante quarenta dias. Nesse ano, por empenho de José Cardoso Pires, começa a trabalhar na Telecine.
Foi casado com a realizadora Noémia Delgado e, mais tarde, com Teresa Patrício Gouveia, secretária de Estado da Cultura e duas vezes ministra (Ambiente, Negócios Estrangeiros), sendo pai de um filho de cada uma.
O poema desta semana pertence a No Reino da Dinamarca (1958). A imagem foi obtida a partir de Poesias Completas & Dispersos (2017), volume editado por Maria Antónia Oliveira, biógrafa do autor, e publicado pela Assírio & Alvim.
[Antes deste, foram publicados poemas de Rui Knopfli, Luiza Neto Jorge, Mário Cesariny, Natália Correia, Jorge de Sena, Glória de Sant’Anna, Mário de Sá-Carneiro, Sophia de Mello Breyner Andresen, Herberto Helder, Florbela Espanca, António Gedeão, Fiama Hasse Pais Brandão, Reinaldo Ferreira, Judith Teixeira, Armando Silva Carvalho, Irene Lisboa, António Botto, Ana Hatherly, Alberto de Lacerda, Merícia de Lemos, Vasco Graça Moura, Fernanda de Castro, José Gomes Ferreira, Natércia Freire, Gomes Leal, Salette Tavares, Camilo Pessanha, Edith Arvelos, Cesário Verde, António José Forte, Francisco Bugalho, Leonor de Almeida, Carlos de Oliveira, Fernando Assis Pacheco, José Blanc de Portugal, Luís Miguel Nava, António Maria Lisboa, Eugénio de Andrade, José Carlos Ary dos Santos, António Manuel Couto Viana, Ruy Cinatti e Al Berto.]
Clique na imagem.
sábado, 8 de janeiro de 2022
LOURDES CASTRO 1930-2022
Natural do Funchal, Lourdes Castro foi aluna do Colégio Alemão antes de partir para Lisboa onde frequentou o curso de pintura da Escola Superior de Belas Artes.
Casada com René Bertholo, partiu para Munique em 1957. No ano seguinte, já em Paris, o casal fundou — com outros artistas, entre eles Christo, Escada e João Vieira — o grupo KWY. Além de exposições, o grupo produziu até 1963 doze números da revista homónima. Depois de 25 anos a viver em Paris, regressou ao Funchal.
Várias vezes premiada e condecorada, Lourdes Castro está representada em museus britânicos e europeus, mas também na Gulbenkian, em Serralves e no Museu de Arte Moderna de Havana.
A partir da segunda metade dos anos 1960 desenvolveu o carácter performativo do seu Teatro de Sombras. Em 2016, a Culturgest mostrou os 36 cadernos a que chamou Álbum de Família. Casou em segundas núpcias com Manuel Zimbro, com quem expôs (2019), na Fundação Carmona e Costa, um núcleo de obras centradas no quotidiano de ambos na Quinta do Monte.
Lourdes Castro tinha 91 anos e as causas da morte não foram tornadas públicas.
EM QUE FICAMOS?
Portanto, é simples. Querem outro OE? Votem em quem tenha condições de formar novo Governo. Supor que das eleições do próximo dia 30 possa resultar correcção de pontaria, é o mesmo que acreditar no sexo dos anjos.
Imagem: sondagem da Católica para a RTP e Público. Clique.
sexta-feira, 7 de janeiro de 2022
TIRO PELA CULATRA
A sondagem da Universidade Católica divulgada esta noite pela RTP não acrescenta nada às projeções de voto, mas traz um dado importante:
«[...] 43% dos votantes PS em 2019 são favoráveis a entendimento preferencial com o PSD...»
Este score ultrapassa a minha percepção, que ficava por 30 ou 32%. Foi isto que o chumbo do OE conseguiu. As pessoas cansaram-se e, provavelmente, teremos novas eleições no Outono.
quinta-feira, 6 de janeiro de 2022
domingo, 2 de janeiro de 2022
AL BERTO
Nascido em Coimbra como Alberto Raposo Pidwell Tavares, foi viver para Sines no ano seguinte. Frequentou a Escola António Arroio, em Lisboa, antes de partir para a Bélgica em Abril de 1967.
Em Bruxelas frequentou a École Nationale Supérieure d’Architecture et des Arts Visuels, tendo vivido na comunidade hippie onde conheceu Joëlle de La Casinière, amiga com quem fundaria, em 1972, o Montfaucon Research Center.
Regressado a Portugal em Novembro de 1975, foi viver para Sines, onde publicou À Procura do Vento Num Jardim d’Agosto (1977). Em Sines foi editor e livreiro, animador cultural da autarquia e director do Centro Cultural Emmerico Nunes.
A partir de 1987, ano de publicação de O Medo, Al Berto tornou-se uma figura mediática, com presença regular em festivais e outros eventos da cena literária. Em 1992 foi feito Oficial da Ordem Militar de Sant’Iago da Espada. Horto de Incêndio (1997), o livro derradeiro, foi escrito e publicado no âmbito de uma bolsa de criação literária do ministério da Cultura.
Sofrendo de um linfoma, foi internado no Hospital dos Capuchos no dia 25 de Abril de 1997, morrendo naquele hospital a 13 de Junho.
Vinte anos após a sua morte estreou (em Outubro de 2017) o filme Al Berto, de Vicente Alves do Ó.
O poema desta semana pertence a Livro Décimo (1985). A imagem foi obtida a partir da 1.ª edição de O Medo, editada pela Contexto.
[Antes deste, foram publicados poemas de Rui Knopfli, Luiza Neto Jorge, Mário Cesariny, Natália Correia, Jorge de Sena, Glória de Sant’Anna, Mário de Sá-Carneiro, Sophia de Mello Breyner Andresen, Herberto Helder, Florbela Espanca, António Gedeão, Fiama Hasse Pais Brandão, Reinaldo Ferreira, Judith Teixeira, Armando Silva Carvalho, Irene Lisboa, António Botto, Ana Hatherly, Alberto de Lacerda, Merícia de Lemos, Vasco Graça Moura, Fernanda de Castro, José Gomes Ferreira, Natércia Freire, Gomes Leal, Salette Tavares, Camilo Pessanha, Edith Arvelos, Cesário Verde, António José Forte, Francisco Bugalho, Leonor de Almeida, Carlos de Oliveira, Fernando Assis Pacheco, José Blanc de Portugal, Luís Miguel Nava, António Maria Lisboa, Eugénio de Andrade, José Carlos Ary dos Santos, António Manuel Couto Viana e Ruy Cinatti.]
Clique na imagem.
quinta-feira, 30 de dezembro de 2021
INTENÇÕES DE VOTO
Além das intenções de voto por partido, o estudo contempla variantes como com quem deve o PS negociar. Sem surpresa — face à ausência de maioria absoluta —, 38% do eleitorado PS prefere que o Partido negoceie com o PSD.
Não é novidade para quem tem amigos que sempre votaram PS. À mais pequena indicação de que o Partido possa vir a tentar repetir a geringonça (escrevo esta palavra pela primeira vez em seis anos), grande parte do eleitorado PS tomará uma de duas opções: ou fica em casa, abstendo-se de votar, ou vota PSD. A realidade é esta e não vale a pena dourar a pílula.
O país não pode ficar refém da teimosia de minorias iluminadas. As próximas eleições são mais importantes do que todas as anteriores.
Clique na imagem.
quarta-feira, 29 de dezembro de 2021
FUTUROS CLÁSSICOS?
Nem sempre acontece, mas o ano que agora termina foi pródigo na edição de livros que podem vir a tornar-se clássicos. Estamos a falar de poesia, ficção, biografia e História. Do que li gostaria de destacar oito títulos.
Um deles é Poemas, reunião da poesia completa de António Franco Alexandre, oportunidade para nos deixarmos absorver pelo estranhamento desta poesia sem predecessores em língua portuguesa: «Vamos a ver se dois incêndios se juntam, / se a folha do corpo fica a arder. / Os dentes que riem, saberão morder?» Outro é o primeiro volume de uma trilogia sobre a América contemporânea, Encruzilhadas, de Jonathan Franzen. A família Hildebrandt pode não ter glamour, mas só um escritor com o fôlego de Franzen podia dar-nos um épico desta natureza. Noutro registo, Maggie O’Farrell demonstra que Shakespeare é um personagem em aberto, servindo-se da morte precoce do filho do bardo para escrever Hamnet, romance centrado na vida de Anne Hathaway. Mas também Paul Auster, que resgata a vida e obra de Stephen Crane, um gigante da literatura norte-americana do século XIX, na monumental biografia a que deu o título de Um Homem em Chamas. Por falar em biografias, não podemos ignorar a de Philip Roth escrita por Blake Bailey, desassombrado registo de uma época e seus temas-fétiche. Ainda no domínio da compreensão do outro, a História dos Povos Árabes de Albert Hourani, historiador britânico de origem libanesa, finalmente traduzida e actualizada, é indispensável para entender o mundo árabe. Entretanto, numa altura em que foi tudo escrito sobre disfunções (sexuais e outras), a holandesa Marieke Lucas Rijneveld consegue surpreender-nos com O Desassossego da Noite. Por último mas não em último, Trilogia de Jon Fosse, volume que colige três novelas, traduzidas directamente do norueguês por Liliete Martins, que respeita a peculiar pontuação (ou falta dela) do autor. Rompendo mais uma vez com os modelos convencionais, Fosse não abdica de construir uma linguagem própria.
António Franco Alexandre, Poemas / Assírio & Alvim
Jonathan Franzen, Encruzilhadas / Dom Quixote
Maggie O’Farrell, Hamnet / Relógio d’Água
Paul Auster, Um Homem em Chamas / Asa
Blake Bailey, Philip Roth / Dom Quixote
Albert Hourani, História dos Povos Árabes / Book Builders
Marieke Lucas Rijneveld, O Desassossego da Noite / Dom Quixote
Jon Fosse, Trilogia / Cavalo de Ferro
Clique na imagem.
terça-feira, 28 de dezembro de 2021
GRABATO DIAS EM ANTOLOGIA
Para quem não sabe: João Pedro Grabato Dias é o principal pseudónimo literário de António Augusto de Melo Lucena e Quadros (1933-1994), personalidade irreverente da vida cultural moçambicana.
Nascido em Viseu, foi para Lourenço Marques em 1964, tendo vivido em Moçambique até 1984. Além de pintor sob o nome civil — António Quadros —, com obra espalhada por colecções exigentes e museus de referência, o António fez tudo: encenou peças para o teatro universitário, escreveu canções para Zeca Afonso (então professor em Moçambique), deu aulas na Universidade, co-editou com Rui Knopfli os cadernos de poesia Caliban, fascinou Sena com as Qvybyrycas de Frey Ioannes Garabatus (outro pseudónimo seu), convenceu Samora Machel da existência de um guerrilheiro-poeta chamado Mutimati Barnabé João (outra vez ele), mais o que aqui se não diz por ser de natureza privada.
Agora, quem nunca leu «o Grabato», tem as Odes Didácticas para o fazer.
Clique na imagem.
segunda-feira, 27 de dezembro de 2021
APENAS UM CONVIDADO
Sucede que Strindberg (1849-1912) também foi romancista, contista, diarista, ensaísta, pintor, fotógrafo, alquimista, activista político do movimento operário, polemista assíduo sobre as questões que moldaram o seu tempo, teosofia incluída.
Strindberg defendeu o direito das mulheres a votarem embora as considerasse seres inferiores. Misógino assumido, casou três vezes. Não gostava do rei, nem de militares, nem da Igreja, nem de capitalistas, nem de judeus. Também não gostava de Ibsen. E invejava Selma Lagerlöf.
Cristina Carvalho calibra bem todas estas harmónicas no romance biográfico Strindberg — Neste Mundo Fui Apenas Um Convidado. Vale a pena ler para perceber melhor este proto-anarquista pouco simpático de que a Suécia (e com razão) tanto se orgulha.
Numa acção concertada entre o Instituto Camões e a embaixada de Portugal em Estocolmo, o livro foi apresentado no Strindbergsmuseet — aka Museu Strindberg — no passado dia 9, pelo seu director Erik Höök.
Clique na imagem.
domingo, 26 de dezembro de 2021
RUY CINATTI
Nascido em Londres, onde seu avô materno exercia o cargo de cônsul-geral de Portugal, Ruy Cinatti formou-se em agronomia (Lisboa) e antropologia social e cultural (doutoramento em Oxford). Aos 19 anos, o pai expulsou-o de casa.
Com Tomaz Kim e José Blanc de Portugal fundou em 1940 os Cadernos de Poesia, estreando-se em livro no ano seguinte, com Nós Não Somos Deste Mundo. Trabalhou dois anos na Pan-American como meteorologista, partindo em 1944 para Timor como secretário do governador-geral. Mais tarde seria o responsável máximo dos Serviços de Agricultura de Timor, ingressando no quadro da Junta de Investigações do Ultramar.
Viveu em Timor entre 1944 e 1966, mas viajou intensamente pelo extremo-Oriente, Europa, Estados Unidos e México, proferindo conferências e participando de seminários científicos. Antes de deixar Timor, fez juramento de sangue com dois liurais timorenses.
Deixou uma obra poética muito extensa, estando editados em volume único — mais de 1.400 páginas — todos os livros que publicou em vida.
Monárquico, católico, conservador, ficou profundamente abalado com a ocupação de Timor. Além de poesia, publicou o conto Ossobó (1936), diários de viagem às colónias portuguesas, excepto Moçambique, bem como monografias botânicas e antropológicas.
Morreu em Outubro de 1986, em Lisboa, estando sepultado no Cemitério dos Ingleses.
O poema desta semana pertence a Paisagens Timorenses Com Vultos (1974). A imagem foi obtida a partir do primeiro volume de Obra Poética, organizado por Luis Manuel Gaspar e publicado pela Assírio & Alvim em 2016.
[Antes deste, foram publicados poemas de Rui Knopfli, Luiza Neto Jorge, Mário Cesariny, Natália Correia, Jorge de Sena, Glória de Sant’Anna, Mário de Sá-Carneiro, Sophia de Mello Breyner Andresen, Herberto Helder, Florbela Espanca, António Gedeão, Fiama Hasse Pais Brandão, Reinaldo Ferreira, Judith Teixeira, Armando Silva Carvalho, Irene Lisboa, António Botto, Ana Hatherly, Alberto de Lacerda, Merícia de Lemos, Vasco Graça Moura, Fernanda de Castro, José Gomes Ferreira, Natércia Freire, Gomes Leal, Salette Tavares, Camilo Pessanha, Edith Arvelos, Cesário Verde, António José Forte, Francisco Bugalho, Leonor de Almeida, Carlos de Oliveira, Fernando Assis Pacheco, José Blanc de Portugal, Luís Miguel Nava, António Maria Lisboa, Eugénio de Andrade, José Carlos Ary dos Santos e António Manuel Couto Viana.]
Clique na imagem.