quinta-feira, 7 de outubro de 2021

NOBEL DA LITERATURA 2021


O Nobel da Literatura 2021 foi há pouco atribuído ao tanzaniano Abdulrazak Gurnah, 73 anos, natural de Zanzibar.

Autor de uma dezena de romances, um livro de contos e vários ensaios sobre autores de língua inglesa e literatura pós-colonial, Gurnah estudou na Inglaterra e deu aulas na Nigéria antes de transferir-se para a Universidade de Kent, onde se doutorou em 1982.

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LIVROS PARA O OUTONO


Hoje na Sábado.

A partir da morte de Hamnet Shakespeare, Maggie O’Farrell (n. 1972) escreveu Hamnet, romance inspirado na vida do bardo com Anne Hathaway. É a história de um casal de Stratford-upon-Avon. O’Farrell diz apenas: «Cerca de quatro anos depois, o pai escreveu uma peça chamada Hamlet.» (O mesmo nome escrevia-se nas duas formas.) É desconhecida a causa da morte de Hamnet, mas no romance é vítima da peste. Quando o filho morre, já Shakespeare estava estabelecido em Londres. Portanto, tudo gira em torno de Anne e dos filhos. Mais exactamente, sobre o luto da mulher que se sente responsável pela morte do filho de onze anos. Sem beliscar factos históricos, a narrativa é deveras empolgante. Com Hamnet, O’Farrell ganhou o Women’s Prize for Fiction 2020.

Com nova tradução, temos de volta Olá, América!, uma das distopias mais famosas do inglês J.G. Ballard (1930-2009). Publicado pela primeira vez em 1981, o livro “antecipa” o apocalipse dos Estados Unidos nos anos 2100, após um colapso ambiental (a Rússia barrou o Estreito de Bering que liga o Pacífico ao Ártico) e financeiro de proporções bíblicas. Com Charles Manson na Casa Branca e dois terços dos norte-americanos expatriados na Europa e na Ásia, um grupo de aventureiros parte de Inglaterra para averiguar o que se passa do outro lado do Atlântico. Excessivo, irónico, mordaz, por vezes burlesco, Olá, América! é uma visão dantesca do fracasso do sonho americano.

Com A Anomalia, Hervé Le Tellier (n. 1957) venceu no ano passado o Prémio Goncourt. O livro foi agora traduzido por Tânia Ganho, que encontrou o registo certo do thriller. Dividido em três partes, sinalizadas por versos de Queneau, A Anomalia é uma sucessão de narrativas escritas de acordo com o perfil das respectivas personagens, muito diferentes entre si. Tudo se passa num voo entre Paris e Nova Iorque, mas podia ser num festival literário, tantas são as referências literárias (nomes, citações, trocadilhos, opinião). Ficcionista, ensaísta e colunista político, Le Tellier é o paradigma do intelectual público francês. Mérito maior: ao contrário de outros laureados da sua geração, o que escreve não provoca enfado.

A ficção identitária vive um momento alto, e A Outra Metade de Brit Bennett (n. 1990) é do melhor que tem sido escrito sobre interditos étnicos. Em Mallard, a cidade do romance, ninguém se casava com gente escura. Até aqui, nada que o inventário do racismo não ilustre. O ponto é outro: de forma a ficarem cada vez mais claros, os negros de Mallard fazem casamentos mistos. Com dezasseis anos, as gémeas Vignes fogem da cidade após o linchamento do pai. Contudo, enredam-se noutro tipo de contradições. Stella casa com um branco desconhecedor das suas origens, e Desiree regressa à cidade com uma filha negra como o alcatrão. Estamos nos anos 1950, no auge do segregacionismo. A saga prossegue até aos anos 1970, com as filhas de ambas em confronto com novas realidades (a transexualidade, etc.) e perspectivas de vida opostas. Brit Bennett é um nome a fixar.

Pode um irlandês, radicado em Nova Iorque, ficcionar o quotidiano da Palestina? Foi o que fez Colum McCann (n. 1965), professor do Hunter College. O livro tem um título estranho, Apeirogon, que significa polígono infinito. McCann conta a história de dois homens, um judeu e um palestiniano, unidos pelo denominador comum de terem perdido as filhas pré-adolescentes: em 1997, Smadar, 13 anos, vítima de bombistas suícidas; em 2007, Abir, 10 anos, com um tiro na nuca. Não são personagens de ficção, isto aconteceu. Os factos foram «compilados a partir de uma série de entrevistas em Jerusalém, Nova Iorque, Jericó e Beit Jala», embora o autor tenha arredondado o discurso. Ao longo de mil e um capítulos (Mitterrand e família, amante incluída, surgem no sexto), como nas mil e uma noites do clássico árabe, McCann tenta expor o absurdo do conflito que opõe os dois Estados. São muitas as derivações de tema e sentido, da Flauta Mágica à Mossad. Vários capítulos resumem-se a uma única linha. Também há ilustrações. Como refere o subtítulo, trata-se de viagens infinitas.

A italiana Rosa Ventrella regressa com A Maledicência. Quem gostou de História de Uma Família Decente vai gostar deste regresso ao coração da Apúlia. Tendo a Segunda Guerra Mundial em pano de fundo (e, mais tarde, a reforma agrária), o romance opõe a fome e a moral, no registo fluente a que a autora nos habituou.

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terça-feira, 5 de outubro de 2021

FERNANDO ECHEVARRÍA 1929-2021


Morreu ontem Fernando Echevarría, um dos grandes poetas portugueses do século XX. Filho de pai português e mãe espanhola, Echevarría nasceu em Cabezón de la Sal, onde seu pai se exilara após o fracasso da denominada Monarquia do Norte. Foi aliás em Espanha que concluiu os estudos de Filosofia e Teologia.

Estreou-se em livro com Entre Dois Anjos (1956), tendo publicado com regularidade durante sessenta anos consecutivos. Em 1961 emigrou para Paris, integrando movimentos oposicionistas, como o Movimento de Acção Revolucionária e a Frente Patriótica de Libertação Nacional, de que foi um dos fundadores. Pertenceu ao Grupo de Argel, país onde se radicou em 1963. Em 1966 regressou a França, onde viveu mais de vinte anos. Regressou a Portugal na segunda metade dos anos 1980, fixando residência no Porto.

Traduzido em vários idiomas, várias vezes premiado, recusou todos os cargos oficiais que depois de 1974 lhe foram sendo propostos.

A notícia só hoje foi divulgada por sua mulher. Echevarría tinha 92 anos e estava internado.

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quinta-feira, 30 de setembro de 2021

DIANA EVANS


Hoje na Sábado:

Ajusta-se perfeitamente a Pessoas Comuns, de Diana Evans, a máxima de Tolstói: cada família infeliz é infeliz à sua maneira. A meia-idade é um período fértil em desacertos conjugais e é deles que o romance trata. Não esquecer que, mesmo de viés, o fracasso do casamento de Diana com o príncipe Carlos paira sobre o seu livro de estreia, o premiado 26a, de 2005.

Filha de pai inglês e mãe nigeriana, Diana Evans nasceu (1972) na Inglaterra mas passou parte da infância na Nigéria. Neste livro, o terceiro que publica, pretende fazer uma grande angular sobre a classe média negra britânica. Tudo começa na festa de sábado à noite dada pelos irmãos Wiley, na sua casa do sudeste de Londres, para celebrar a eleição de Obama. Os convidados, gente glamorosa e bem-sucedida, são advogados, jornalistas, actores e políticos da comunidade negra. Isto coincide com o facto de Wall Street ter arrastado o mundo para o crash de 2008. A partir da realidade concreta da capital britânica, Evans ilustra esse microcosmo de forma minuciosa: «Não paravam de chegar, homens de boa disposição e sapatilhas no ponto, mulheres com diferentes graus de cabelo postiço […] como sócias de Beyoncé.» Sublinhar que o romance progride ao som de playlist adequada (começa logo no título), onde não falta Michael Jackson, cuja morte fecha o livro.

Melissa, a personagem mais forte, é uma jornalista freelance residente na área de Crystal Palace. Entedia-se com as rotinas domésticas como acontece com a maioria das mulheres (e homens) da sua geração que têm uma profissão absorvente. Nada de extraordinário. O melhor do livro acaba por ser o tour d’horizon pela Grande Londres gentrificada, vista a partir das duas margens do rio, num périplo que se estende a Dorking, trinta quilómetros a Sul. ‘Exilado’ no Surrey por vontade da dona de casa convencional com quem casou, Damian, um aspirante a escritor cujo pai fora um conhecido activista negro, sonha com a Londres da sua vida de solteiro. Denominador comum aos casais retratados, a incomunicabilidade e o tédio de vidas que chegaram ao ponto de não retorno, após crises de identidade, equívocos embaraçosos e ocasional adultério. Terá sido pelo facto de tentarem decalcar o padrão de vida dos homens e mulheres que alimentam a imprensa cor-de-rosa? Mas Torremolinos, onde fazem férias, não é exactamente um destino trendy.

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quarta-feira, 29 de setembro de 2021

A TRAPALHADA

O statement que o Presidente da República fez ontem de manhã (aos media que o abordaram na rua) foi uma desautorização clara do ministro da Defesa.

João Gomes Cravinho havia proposto a demissão do Chefe de Estado-Maior da Armada, colocando no seu lugar o vice-almirante Gouveia e Melo. Aparentemente, o PR fora apanhado de surpresa. Afinal não foi assim.

Como se soube mais tarde, o almirante Mendes Calado, actual CEMA, foi reconduzido no cargo no passado mês de Fevereiro com o compromisso de sair em Fevereiro de 2022, compromisso que era do conhecimento do PR. Mais: Mendes Calado fora informado pessoalmente pelo ministro da antecipação da sua saída.

O primeiro-ministro não gostou do bruá e, na companhia do ministro, foi a Belém. Após a reunião, a Presidência esclareceu: «O Presidente da República recebeu, a seu pedido, o Primeiro-Ministro, que foi acompanhado pelo Ministro da Defesa Nacional. Ficaram esclarecidos os equívocos suscitados a propósito da Chefia do Estado-Maior da Armada.» O laconismo diz mais que mil palavras.

Repito um breve trecho do que escreveu o deputado Porfírio Silva: «Hoje ouvi o PR dizer que se tinha combinado com um altíssimo responsável de uma prestigiadíssima instituição nacional, aquando da respectiva nomeação, que não cumpriria o seu mandato até ao fim... para dar a oportunidade a outro camarada de ocupar esse lugar de altíssima responsabilidade antes de abandonar o activo

Comentários para quê?

ESTUDOS LGBTQ+


A Escócia tornou-se oficialmente o primeiro país do mundo a incluir, nos currículos do ensino secundário, uma disciplina obrigatória de estudos LGBTQ+.

Nos Estados Unidos, uma disciplina similar, porém facultativa, faz parte dos currículos escolares de sete Estados federais: Califórnia, Colorado, Connecticut, Illinois, Nevada, New Jersey e Oregon. 

Na imagem, Nicola Sturgeon, primeira-ministra da Escócia, rodeada por alunos. Clique.

terça-feira, 28 de setembro de 2021

O CÉU É O LIMITE


Elenco muito resumido das promessas feitas por Carlos Moedas, o novo Edil da cidade:

— Transportes públicos gratuitos para menores de 23 anos e maiores de 65.

— Transformação de todos os prédios devolutos, propriedade da Câmara, em habitação para jovens.

— Seguro de saúde gratuito para pessoas “carenciadas” maiores de 65 anos.

— Eliminação da ciclovia na Avenida Almirante Reis.

— Eliminação da linha férrea entre o Cais do Sodré e Algés.

— Criação de uma Assembleia de Cidadãos para dialogarem com o executivo municipal. 

— Despachar em 180 dias todos os processos de licenciamento urbanístico, acelerando a renovação da cidade.

— Criação de uma fábrica de unicórnios [seja lá o que isso for] para empresas startup.

— Construção de um teatro em cada uma das 24 freguesias da cidade.

— Construção de um silo automóvel em cada uma das 24 freguesias da cidade. 

— Construção de parques “dissuasores” nas periferias da cidade.

— Isenção de IMT na compra de casa por parte de menores de 35 anos.

— Duplicação do benefício fiscal de dedução à colecta do IRS. [Os tais 32 milhões de euros.]

— Requalificação do Parque Mayer, criando um centro cultural, espaços de aprendizagem artística e laboratórios que acolham a ciência. [Obrigar as coristas a estudar biologia?]

— Desconto de 50% no estacionamento destinado a residentes inscritos na EMEL.

— Atribuição a fundo perdido do cheque Recuperar+ destinado a empresários em nome individual (indústria, comércio a retalho, restauração), à reabertura de negócios encerrados pela pandemia, bem como às actividades desportivas, culturais e artísticas.

— Construção das infraestruturas necessárias para tornar Lisboa uma capital global da economia do Mar...

Entre parêntesis rectos, comentários meus.

segunda-feira, 27 de setembro de 2021

AUTÁRQUICAS 2021


Com 99,58% da contagem oficial fechada, e apenas treze freguesias por apurar, os resultados são claros:

O PS ganhou as eleições nacionais em votos e mandatos.

— O PSD obteve melhor resultado do que em 2017.

— A CDU continuou a perder Câmaras.

— O BE continua sem nenhuma Câmara.

— O CHEGA obteve, a nível nacional, mais 70 mil votos do que o BE.

— Embora reeleito, o independente Rui Moreira perdeu a maioria no Porto.

— Basílio Horta (PS) foi reeleito em Sintra, onde o CHEGA ultrapassou a CDU e o BE.

— Santana Lopes, sem partido, venceu na Figueira da Foz.

— Isaltino Morais, independente, foi reeleito em Oeiras

— Inês Medeiros (PS) foi reeleita em Almada por larga margem.

— Na Amadora, Carla Tavares (PS) cilindrou Suzana Garcia (PSD).

— O PS conquistou (58%) Vila Nova de Gaia com maioria absoluta.

Imagem: detalhe do mapa do MAI com os resultados nacionais. Clique.

LISBOA MUDA DE COR


Terminou assim a noite mais longa.

Embora o Partido Socialista tenha sido, a nível nacional, o partido mais votado, e aquele que obteve mais presidências de Câmaras, mais vereadores e mais Juntas de Freguesia, perdeu Lisboa para a grande coligação de Direita — PSD+CDS+PPM+MPT+AL — liderada por Carlos Moedas.

O antigo comissário europeu a ganhou a presidência por 2.299 votos de diferença, mas apenas conseguiu 7 mandatos, tantos quantos os de Medina.

A distribuição de mandatos (a Esquerda obteve dez) não augura uma gestão fácil para os novos senhores.

Imagem: mapa do MAI com os resultados definitivos do concelho de Lisboa. Clique.

domingo, 26 de setembro de 2021

JOSÉ BLANC DE PORTUGAL


UM POEMA POR SEMANA — Para este domingo escolhi Carne de José Blanc de Portugal (1914-2000), um dos fundadores dos Cadernos de Poesia.

Natural de Lisboa, Blanc de Portugal foi poeta, ensaísta, crítico musical e, após passagem pelo ensino, meteorologista (a bibliografia inclui obras nesta área científica). Depois de trabalhar na Pan American Airways, ingressou no Serviço Meteorológico Nacional, tendo dirigido os centros meteorológicos da Madeira, Açores, Cabo Verde, Angola e Moçambique. 

Mais tarde foi adido cultural na embaixada de Portugal em Brasília (1973-78) e vice-presidente do Instituto de Cultura e Língua Portuguesa (1978-82). Entre outros, traduziu obras de Shakespeare, Chesterton, Eliot, Jung, Coccioli, Pratolini, bem como os poemas ingleses de Fernando Pessoa.

O poema desta semana pertence a O Espaço Prometido (1960). A imagem foi obtida a partir do 1.º volume da Terceira Série de Líricas Portuguesas, a mítica antologia organizada por Jorge de Sena, publicada pela Portugália [este primeiro volume] em 1972.

[Antes deste, foram publicados poemas de Rui Knopfli, Luiza Neto Jorge, Mário Cesariny, Natália Correia, Jorge de Sena, Glória de Sant’Anna, Mário de Sá-Carneiro, Sophia de Mello Breyner Andresen, Herberto Helder, Florbela Espanca, António Gedeão, Fiama Hasse Pais Brandão, Reinaldo Ferreira, Judith Teixeira, Armando Silva Carvalho, Irene Lisboa, António Botto, Ana Hatherly, Alberto de Lacerda, Merícia de Lemos, Vasco Graça Moura, Fernanda de Castro, José Gomes Ferreira, Natércia Freire, Gomes Leal, Salette Tavares, Camilo Pessanha, Edith Arvelos, Cesário Verde, António José Forte, Francisco Bugalho, Leonor de Almeida, Carlos de Oliveira e Fernando Assis Pacheco.]

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sexta-feira, 24 de setembro de 2021

GALINÁCEOS

Hoje vou falar de coisas triviais que deviam incomodar as pessoas comuns. Aparentemente, não incomodam.

Falo das galinhas e frangos de aviário que se vendem nas chamadas grandes superfícies. Não terá passado despercebido a nenhum consumidor atento que os confinamentos deram origem a um downsizing generalizado. A distribuição nunca parou, é verdade, mas os despedimentos de que ninguém fala (e foram muitos), bem como a quebra de importações, fazem-se sentir desde o Outono do ano passado.

Estando obrigada a conhecer e fazer respeitar as regras de criação, abate, conservação e comercialização dos galináceos — matéria de grande minúcia e sofisticação —, a ASAE não pode fechar os olhos à realidade: sangue pisado, aves com pernas partidas (não é piada), sinais de infecção, pigmentação evidenciando sangramento deficiente, resíduos de penas, etc., temos encontrado de tudo, em lojas de topo e outras de baixo perfil.

O problema é comum porque todos se abastecem nos sítios do costume. E passo por cima do habitat em que são criados esses galináceos. Apesar de tudo, quero acreditar que não são forçados a viver em ambientes sujos e infestados de doenças, como tem sido denunciado acontecer noutros países do primeiro mundo. Repito: quero crer que tudo não passa de desleixo e falta de respeito pelo consumidor. Não é pouco!

Dizer a um gestor de grande superfície que «a galinha não pode ter sangue pisado» é o mesmo que dizer a um yuppie que não pode deixar o Land Rover em cima do passeio. Não sabem do que estamos a falar.

quinta-feira, 23 de setembro de 2021

PITAGÓRICA


Sondagens para todos os gostos. Esta é da Pitagórica para a TVI e foi divulgada há pouco no Jornal das 8. Clique na imagem.

CÂMARA DE LISBOA


Sondagem do CESOP da Universidade Católica Portuguesa para o Público e a RTP, divulgada hoje: 

Medina 37% / Moedas 28% / João Ferreira 11%

BE 7% / IL 5% / PAN 3% / CH 3% / Os restantes seis candidatos ficam abaixo de 1%.

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terça-feira, 21 de setembro de 2021

A INCUBADORA DE RUI RIO

«O que é uma bazuca? Uma bazuca dispara tiro a tiro e o dr. António Costa dispara de rajada, não é uma bazuca, é uma metralhadora.» — Rui Rio, ontem.

[A incubadora: «Este Governo é como um bebé nascido de um parto difícil e, por isso, a necessitar de incubadora e que vê os irmãos mais velhos a dar-lhe estaladas e pontapés.» — Santana Lopes, 2004.]

domingo, 19 de setembro de 2021

FERNANDO ASSIS PACHECO


UM POEMA POR SEMANA — Para este domingo escolhi A Bela do Bairro de Fernando Assis Pacheco (1937-1995), poeta maior da geração de 70.

Natural de Coimbra, onde estudou (seria sobre o poeta inglês Stephen Spender que faria a sua tese de licenciatura), nunca teve outra profissão senão a de jornalista. Na juventude foi actor de teatro no TEUC e no CITAC. 

Assinava uma coluna de crítica literária — o Bookcionário — sem rival na imprensa portuguesa, sínteses breves, bem fundamentadas, do que importava destacar. Estreou-se em livro com Cuidar dos Vivos (1962), chamando a atenção da crítica dez anos mais tarde, quando publicou Câu Kiên: Um Resumo (1972), reeditado em 1976 como Catalabanza, Quilolo e Volta para melhor se perceber de que guerra os poemas falavam.

Muita gente percebeu tarde que o Assis não era apenas o gajo porreiro (e culto) dos jornais, o autor da novela pícara Walt (1978), o tradutor de Neruda e Gabriel García Márquez, o jornalista que tratava os grandes por tu. Quando Rui Martiniano, o editor da Hiena, pôs na rua A Musa Irregular (1991), o grande público descobriu um grande poeta.

Morreu subitamente aos 58 anos, à porta da Livraria Buchholz, de Lisboa.

O poema desta semana pertence à plaquette privada A Bela do Bairro e Outros Poemas (1986), mais tarde integrado em volume próprio. Consta da obra poética completa do autor: A Musa Irregular (1991). A imagem foi obtida a partir da referida plaquette.

[Antes deste, foram publicados poemas de Rui Knopfli, Luiza Neto Jorge, Mário Cesariny, Natália Correia, Jorge de Sena, Glória de Sant’Anna, Mário de Sá-Carneiro, Sophia de Mello Breyner Andresen, Herberto Helder, Florbela Espanca, António Gedeão, Fiama Hasse Pais Brandão, Reinaldo Ferreira, Judith Teixeira, Armando Silva Carvalho, Irene Lisboa, António Botto, Ana Hatherly, Alberto de Lacerda, Merícia de Lemos, Vasco Graça Moura, Fernanda de Castro, José Gomes Ferreira, Natércia Freire, Gomes Leal, Salette Tavares, Camilo Pessanha, Edith Arvelos, Cesário Verde, António José Forte, Francisco Bugalho, Leonor de Almeida e Carlos de Oliveira.]

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sábado, 18 de setembro de 2021

JOSÉ-AUGUSTO FRANÇA 1922-2021


Morreu hoje José-Augusto França, historiador de arte e olissipógrafo, autor de uma obra muito vasta que inclui ensaio, crítica, romance, conto, poesia, teatro, monografias sobre Lisboa, e outra sobre Tomar, cidade onde nasceu.

Professor catedrático jubilado da Universidade Nova de Lisboa, era considerado o guru da historiografia nacional de Arte. Fez parte (1947-49) do Grupo Surrealista de Lisboa, polemizou com os neorrealistas, organizou o primeiro salão de arte abstracta, editou revistas de vanguarda, leccionou na Sociedade Nacional de Belas Artes, presidiu ao Centro Nacional de Cultura, dirigiu a revista Colóquio-Artes (Gulbenkian) entre 1970 e 1997, criou em 1975 a primeira licenciatura em História da Arte, etc. Em suma, participou activamente na vida cultural portuguesa durante mais de meio século.

Em Paris, onde viveu largas temporadas e terminou a formação universitária que tinha abandonado em Lisboa, obteve os graus de Doutor em História (1962), Letras (1969) e, mais tarde, em Sociologia da Arte. Na capital francesa foi ainda director (1980-86) do Centro Cultural Calouste Gulbenkian.    

Em mais de cem títulos, gostaria de destacar Lisboa. História Física e Moral (2008), Lisboa Pombalina e o Iluminismo (1977), A Arte em Portugal no Século XX (1974, edição revista em 2008) e Arte Portuguesa do Século XIX (1967, edição revista em 1981), sem esquecer, naturalmente, as obras que dedicou a Almada e Amadeo. 

Prevê-se a publicação de Estudos das Zonas ou Unidades Urbanas de Carácter Histórico-Artístico de Lisboa, obra que inclui plantas, desenhos e levantamento fotográfico em 292 imagens.

Várias vezes condecorado, José-Augusto França vivia em França desde 2001. Estava internado há três anos numa unidade de cuidados continuados de Jarzé Villages e faria 99 anos no próximo mês de Novembro. Era casado com Marie-Thérèse Mandroux, historiadora de arte.

Imagem: fotografia de 1949, por Fernando Lemos, in Eu Sou Fotografia (2011), álbum editado pela Fundação Cupertino de Miranda. Clique.

quarta-feira, 15 de setembro de 2021

CÁTEDRA LÍDIA JORGE


É hoje apresentada na Université de Genève a cátedra Lídia Jorge, instituída no passado mês de Junho por aquela universidade centenária, com o fim de divulgar e promover a sua obra, mas também a língua portuguesa e as culturas de expressão portuguesa, como vem fazendo o respectivo Centre International d’Études Portugaises.

Integrada na Faculdade de Letras da referida universidade, a formalização da cátedra Lídia Jorge assenta num Colóquio internacional no qual participam cerca de vinte professores e investigadores portugueses, brasileiros, franceses, suíços, britânicos e norte-americanos, distribuídos por sete painéis, a partir do tema central — “o poder da imagem na obra de Lídia Jorge”.

Augusto Santos Silva, ministro de Estado e dos Negócios Estrangeiros, fará a primeira comunicação: A imagem de Portugal na obra de Lídia Jorge. Os trabalhos prosseguem amanhã.

Parabéns, Lídia.

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POR FIM


Quatro anos e 6,7 milhões de euros depois, reabriu ontem a estação do metro de Arroios. O cais foi prolongado quarenta metros, permitindo a paragem de comboios com seis carruagens, como no resto da rede.

Foram limpos os azulejos de Maria Keil e colocado um grande painel de Nikias Skapinakis, Cortina Mirabolante, encomendado para o efeito. Quem não quiser descer as escadas tem elevador.

Como é do conhecimento geral, o primeiro empreiteiro faliu, obrigando a Câmara de Lisboa a tomar posse administrativa da obra. Isso explica o salto de seis meses para quatro anos e a derrapagem de 50% no custo final.

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segunda-feira, 13 de setembro de 2021

UM MILHÃO DE RECUPERADOS


Portugal ultrapassou hoje a barreira do milhão de recuperados. Clique na imagem.

domingo, 12 de setembro de 2021

CARLOS DE OLIVEIRA


UM POEMA POR SEMANA — Para este domingo escolhi Leitura de Carlos de Oliveira (1921-1981), poeta maior, cuja Obra transcende as balizas do neo-realismo a que o seu nome é por regra associado.

Natural de Belém do Pará, no Brasil, veio para Portugal em 1923, radicando-se na região da Gândara, onde seu pai exerceu medicina.

Estreado em livro em 1937, só considerará como parte da bibliografia a obra publicada a partir de 1942, ou seja, a partir de Turismo. Unanimemente considerado o poeta mais importante do neo-realismo português, distingue-se também como romancista. Na ficção, a obra mais conhecida é Uma Abelha na Chuva (1953). Nunca tendo exercido qualquer profissão, colaborou na imprensa cultural de Lisboa, do Porto e de Lourenço Marques. Viveu em Lisboa entre 1948 e 1981, ano da sua morte. O seu espólio encontra-se depositado no Museu do Neo-Realismo, em Vila Franca de Xira. No passado 10 de Agosto passaram cem anos sobre o seu nascimento.

O poema desta semana pertence a Pastoral (1977), o derradeiro ciclo de Oliveira. A imagem foi obtida a partir de Trabalho Poético, volume da obra poética completa [Assírio & Alvim, 2003] na qual o autor refunde e reescreve toda a poesia publicada, acrescentando-lhe Pastoral.

[Antes deste, foram publicados poemas de Rui Knopfli, Luiza Neto Jorge, Mário Cesariny, Natália Correia, Jorge de Sena, Glória de Sant’Anna, Mário de Sá-Carneiro, Sophia de Mello Breyner Andresen, Herberto Helder, Florbela Espanca, António Gedeão, Fiama Hasse Pais Brandão, Reinaldo Ferreira, Judith Teixeira, Armando Silva Carvalho, Irene Lisboa, António Botto, Ana Hatherly, Alberto de Lacerda, Merícia de Lemos, Vasco Graça Moura, Fernanda de Castro, José Gomes Ferreira, Natércia Freire, Gomes Leal, Salette Tavares, Camilo Pessanha, Edith Arvelos, Cesário Verde, António José Forte, Francisco Bugalho e Leonor de Almeida.]

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