quinta-feira, 25 de março de 2021

PSD PERDE


A palermice foi chumbada. Antes assim.

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MAIS UM

Foi aprovado esta tarde, na Assembleia da República, o 14.º estado de emergência, que vigorará entre os próximos dias 1 e 15 de Abril.

Votos a favor — PS, PSD, CDS, PAN e uma deputada não-inscrita.

Votos contra — PCP, PEV, IL, CH e JKM.

O BE absteve-se.

O Presidente da República fala hoje ao país.

REPRISE


 Páscoa confinada. Clique na imagem.

quarta-feira, 24 de março de 2021

DITO POR NÃO DITO


Eram 02:37 da madrugada de ontem quando, no fim de uma longa reunião com os dezasseis ministros-presidentes dos Estados federados da Alemanha, a Chanceler anunciou o confinamento geral entre os dias 1 e 5 de Abril. 

Hoje, ao início da tarde, Merkel deu o dito por não dito:

«Para ser absolutamente clara, esse erro é única e exclusivamente meu, porque no fim de contas a responsabilidade final é minha. Lamento profundamente e peço perdão a todos os cidadãos. Um erro precisa de ser chamado de erro e precisa de ser corrigido

O confinamento previa o encerramento do comércio (excepto, no dia 3 de Abril, o comércio alimentar), restauração, serviços e espectáculos, bem como a suspensão das celebrações religiosas durante o fim-de-semana da Páscoa.

Mas, perante a possibilidade de incumprimento geral, Merkel recuou. Entre missas e festarolas, os alemães podem portanto celebrar a Páscoa.

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terça-feira, 23 de março de 2021

NOS 80 ANOS DE ESTEIROS


Assinalando os 80 anos da sua publicação, a Quetzal reeditou Esteiros, de Soeiro Pereira Gomes (1909-1949), figura destacada do movimento neo-realista português. Considerado a obra-prima do autor, o livro foi escrito para os filhos dos homens que nunca foram meninos. Publicada em 1941, a primeira edição tem capa e ilustrações de Álvaro Cunhal.

Esteiros conta a história de um punhado de miúdos que, no Telhal Grande, em pleno Ribatejo, ocupavam o Verão a trabalhar como adultos numa fábrica de tijolos.

Militante do PCP, Soeiro Pereira Gomes passou à clandestinidade em 1945, morrendo vítima de cancro do pulmão, aos 40 anos.

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segunda-feira, 22 de março de 2021

CENTENÁRIOS


Estamos no ano dos centenários de Carlos de Oliveira e Natália Nunes. Oliveira nasceu a 10 de Agosto, Natália a 18 de Novembro de 1921. Presumo que a Academia esteja atenta às datas.

Poeta, romancista e cronista, Carlos de Oliveira nasceu em Belém do Pará, no Brasil. Em 1923 veio para Portugal, radicando-se a família na região da Gândara. Estreado em livro em 1937, só considerará como parte da bibliografia a obra publicada a partir de 1942. Unanimemente considerado o poeta mais importante do neo-realismo português, distingue-se também como romancista. Na ficção, a obra mais conhecida é Uma Abelha na Chuva (1953), romance que Fernando Lopes passou ao cinema em 1972. Em Trabalho Poético (1977), Oliveira refunde e reescreve a poesia publicada, acrescentando ao volume os dez poemas de Pastoral. Nunca exerceu qualquer profissão. Viveu em Lisboa entre 1948 e 1981, ano da sua morte. O espólio do autor encontra-se depositado no Museu do Neo-Realismo, em Vila Franca de Xira.

Romancista, contista, ensaísta, memorialista e tradutora, Natália Nunes é natural de Lisboa. Estreada em livro em 1952, pode dizer-se que foi uma feminista avant la lettre, embora o activismo institucional não dê por isso. A vários títulos, Assembleia de Mulheres (1964) é uma obra precursora. Entre outros, escreveu sobre Dostoievski, Raul Brandão e Carlos de Oliveira. Nas muitas traduções que fez, destacam-se as de Balzac e Violette Leduc. Foi bibliotecária-arquivista e conservadora do Arquivo Nacional da Torre do Tombo e da Escola Superior de Belas Artes de Lisboa. Foi casada com António Gedeão, de quem teve uma filha, a escritora Cristina Carvalho. Faleceu em 2018.

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domingo, 21 de março de 2021

SOPHIA


UM POEMA POR SEMANA — Para hoje escolhi Soror Mariana — Beja, de Sophia de Mello Breyner Andresen (1919-2004), voz ática da poesia de língua portuguesa.

Sophia nasceu no Porto em 1919 e passou a infância na casa do Campo Alegre. Em 1944 — ano de publicação do primeiro livro — veio para Lisboa, casando em 1946 com o advogado Francisco Sousa Tavares, de quem se divorciou em 1988. O casal teve cinco filhos, entre eles o jornalista e escritor Miguel Sousa Tavares e a professora e poeta Maria Andresen.

Em Livro Sexto (1962), Salazar é descrito como “velho abutre”. Católica progressista, dirigiu o Centro Nacional de Cultura a partir de 1965. Integrada nas listas da CEUD, concorreu às eleições de 1969 pelo círculo do Porto e, em Dezembro do mesmo ano, com o marido preso em Caxias, fez parte do núcleo fundador da Comissão Nacional de Socorro aos Presos Políticos. 

Amiga desde sempre de Soares e Maria Barroso, abriu a sua casa para o Partido Socialista delinear ali, na Travessa das Mónicas, o primeiro congresso. Eleita deputada do PS à Assembleia Constituinte (1975), recusará mais tarde os cargos de secretária de Estado da Cultura e de embaixadora de Portugal em Paris. Apenas aceitará, em 1987, ser chanceler das Ordens Honoríficas Portuguesas, cargo que manteve durante três anos.

Além da vasta obra poética, de traduções (Camões e Pessoa para francês, Shakespeare e Claudel para português, etc.) e organização de antologias, Sophia escreveu contos, ensaios, peças de teatro e literatura para a infância. Grande Oficial da Ordem Militar de Sant’Iago da Espada (1981), recebeu, entre outros, o Prémio Camões (1999). Vítima de acidente vascular cerebral, faleceu a 2 de Julho de 2004, no Hospital Pulido Valente, de Lisboa.

Em 2014, no dia do décimo aniversário da sua morte, os restos mortais foram trasladados do cemitério de Carnide para o Panteão Nacional, acto transmitido em directo por vários canais de televisão.

Escrito no início dos anos 1970, o poema desta semana pertence ao livro O Nome das Coisas, publicado em 1977. A imagem foi obtida a partir de Obra Poética (2015), publicado pela Assírio & Alvim.

[Antes deste, foram publicados poemas de Rui Knopfli, Luiza Neto Jorge, Mário Cesariny, Natália Correia, Jorge de Sena, Glória de Sant’Anna e Mário de Sá-Carneiro.]

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sábado, 20 de março de 2021

O DEDO NA FERIDA


Ora aqui está o título de um artigo publicado hoje pelo New York Times sobre o desastre que tem sido a vacinação covid na Europa.

Revelações que envergonham a UE:

— Ursula von der Leyen, Macron e Alexander de Croo (o primeiro-ministro belga) não pararam de fazer telefonemas para Washington para saber como se faz. Grotesco!

— A UE vacinou cerca 10% da população dos 27 países, os Estados Unidos vacinaram 23%, e o Reino Unido vacinou 39%.

Síntese da conclusão do artigo:

Os governos europeus costumam ser vistos nos Estados Unidos como liberais e gastadores, mas desta vez foi Washington quem jogou milhares de milhões nas farmacêuticas. Comparativamente, Bruxelas tem tido uma abordagem conservadora, estando a sofrer as consequências. Não se pode adoptar a postura de cliente (como faz a Europa), é preciso entrar nas farmacêuticas para acelerar o desenvolvimento e a produção, como fazem os Estados Unidos.

É sintomático dos novos tempos que tenha de ser um grande jornal norte-americano, bastião do establishment capitalista, a lembrar aos europeus que vacinas não são automóveis.

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sexta-feira, 19 de março de 2021

ELEMENTAR


Se não fosse assim, era um regabofe. Um regabofe e falta de respeito pelos outros.

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quinta-feira, 18 de março de 2021

SISMO EM LISBOA


Eram 09:50h, mais coisa menos coisa, quando senti o chão descer. Segundos.

Diz o Instituto Português do Mar e da Atmosfera que foi um abalo sísmico com magnitude de 3,4 na escala de Richter, com epicentro a dez quilómetros a Noroeste de Alcochete.

Imagem: IPMA. Clique.

quarta-feira, 17 de março de 2021

INTERCAMPUS

Sondagem da Intercampus para o Negócios e o Correio da Manhã divulgada hoje.

PS 37,6% / PSD 23,6% / CH 9% / BE 8,3% / CDU 5,5% / IL 5,3% / PAN 2,5% /

CDS 2,3%.

Catorze pontos separam o PS do PSD.

segunda-feira, 15 de março de 2021

NONSENSE


Alguém no Público confunde o Golpe das Caldas, desencadeado e abortado a 16 de Março de 1974, com o Golpe Botelho Moniz, tentado e abortado a 13 de Abril de 1961.

Em 1961, tudo se passou no gabinete do ministro da Defesa. Os revoltosos (o general Botelho Moniz e todos os altos comandos militares, com excepção de Kaúlza de Arriada, subsecretário de Estado da Força Aérea, alegado denunciante da intentona) ainda discutiam como depor Salazar quando souberam que o ditador os tinha demitido com efeitos imediatos. Ainda não eram cinco da tarde. À noite, Salazar deu o tiro de partida para Angola.

Em 1974, o capitão Armando Marques Ramos saiu do quartel das Caldas da Rainha à frente de duzentos homens de Infantaria 5, mas a coluna militar foi interceptada antes de chegar a Lisboa.

O mais ridículo é que o insert não ilustra nenhuma passagem do texto de Ana Sá Lopes, que em parte nenhuma do seu artigo cita o Golpe das Caldas.

Clique na imagem do Público.

domingo, 14 de março de 2021

MÁRIO DE SÁ-CARNEIRO


UM POEMA POR SEMANA — Para hoje escolhi Feminina, de Mário de Sá-Carneiro (1890-1916), voz central do Modernismo português e da geração do Orpheu.

No meu ensaio Fractura (2003) escrevi que a obra do autor traz consigo «o travo desabusado de um deboche camp com seu quê de fundador…» Seria fútil acrescentar uma palavra ao que escrevi há dezoito anos.

Natural de Lisboa, Mário de Sá-Carneiro, órfão de mãe desde os dois anos de idade, partiu para Paris em 1912, meses após o suicídio, no pátio do Liceu Camões, do seu muito querido amigo Tomás Cabreira Júnior, com quem escrevera Amizade (1910), peça representada no Clube Estefânia. Data dessa época o convívio com Fernando Pessoa.

Antes da partida do pai para Lourenço Marques, cidade onde o poeta cogitou fixar-se (o avô paterno dirigia os Portos e Caminhos de Ferro de Moçambique), viaja pela Europa. Por fim estabelecido em Paris, Mário de Sá-Carneiro matricula-se no curso de Direito da Sorbonne, que nunca frequentará, frequenta o milieu literário e artístico, e termina A Confissão de Lúcio, narrativa camp publicada em 1914.

O essencial da obra foi escrito na capital francesa, onde se suicida com cinco frascos de estricnina, num quarto do Grand Hôtel de Nice (Montmartre), no dia 26 de Abril de 1916, três semanas antes de completar 26 anos. O amigo José Araújo assiste aos últimos estertores.

Datado de 1916, o poema desta semana surgiu na edição póstuma de Poesias Completas, volume organizado por João Gaspar Simões e publicado em 1946 pela Ática. Faz parte dos poemas ‘irritantes’ — o adjectivo é do autor —, inseridos na extensa correspondência trocada com Pessoa. Na carta que o acompanha, esclarece tê-lo escrito no dia em que lhe roubaram um guarda-chuva.

A imagem foi obtida a partir de Poesia Completa de Mário de Sá-Carneiro (2017), editado por Ricardo Vasconcelos e publicado pela Tinta da China.

[Antes deste, foram publicados poemas de Rui Knopfli, Luiza Neto Jorge, Mário Cesariny, Natália Correia, Jorge de Sena e Glória de Sant’Anna.]

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quinta-feira, 11 de março de 2021

MAIS UM

Foi aprovado esta tarde, na Assembleia da República, o 13.º estado de emergência, que vigorará entre os próximos dias 17 e 31.

Votos a favor — PS, PSD, CDS, PAN e uma deputada não-inscrita.

Votos contra — PCP, PEV, IL, CH e JKM.

O BE absteve-se.

António Costa fala ainda hoje ao país para anunciar as medidas de desconfinamento aprovadas em Conselho de Ministros.

PRÉMIO PESSOA 2020


A engenheira Elvira Fortunato, 56 anos, investigadora e professora catedrática da Faculdade de Ciências e Tecnologia da Universidade Nova de Lisboa (escola onde ocupa o cargo de vice-reitora), recebeu hoje o Prémio Pessoa relativo a 2020.

Elvira Fortunato notabilizou-se pela criação do transístor de papel e do primeiro ecrã transparente concebido a partir de materiais sustentáveis.

O júri foi constituído por Pinto Balsemão, Rui Vilar, Ana Pinho, António Barreto, Clara Ferreira Alves, Diogo Lucena, Eduardo Souto de Moura, José Luís Porfírio, Maria Manuel Mota, Pedro Norton, Rui Magalhães Baião, Rui Vieira Nery e Viriato Soromenho-Marques.

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FRANCISCO CONTENTE DOMINGUES 1959-2021


Morreu ontem o historiador Francisco Contente Domingues, professor catedrático do Departamento de História da Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa e reconhecido especialista em História da Expansão. Tinha 62 anos.

Da sua bibliografia destaco a coordenação do Dicionário da Expansão Portuguesa (2016), obra que abrange 21 temas desenvolvidos em 390 entradas por 79 autores de diferentes nacionalidades.

Francisco Contente Domingues era membro da Academia Portuguesa da História, da Academia das Ciências de Lisboa, e membro emérito da Academia de Marinha. Ainda fez parte do International Committee for the History of Nautical Science e da International Society for the History of the Map.

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terça-feira, 9 de março de 2021

MARCELO II


Teve hoje início o segundo mandato de Marcelo. Como em 2016, o Presidente da República desceu a pé a Calçada da Estrela, entrando no Parlamento à hora protocolar. As restrições da pandemia acentuaram a sempre deficiente coreografia das cerimónias oficiais portuguesas.

No hemiciclo estariam as 76 pessoas previstas: cinquenta deputados, seis membros do Governo e vinte convidados.

Coisas que me chamaram a atenção:

— Muito bom o discurso de Ferro Rodrigues. Gostei especialmente da referência às obrigações da Assembleia da República no tocante ao novo aeroporto de Lisboa. Cito de cor: «Ao fim de 52 anos de discussão, chegou o tempo de decidir.» Ora bem.

Com Cavaco sentado na tribuna VIP, o Presidente da Assembleia da República não deixou escapar a oportunidade de devolver a mordaça ao homem de Boliqueime.

— Muito bem construído o discurso de Marcelo: «Teremos de reconstruir a vida das pessoas. É mais do que regressar a 2019. Só haverá verdadeira reconstrução se a pobreza diminuir. Reconstruir sem corrigir as desigualdades é reconstruir menos para todos porque sobretudo para alguns privilegiados

Sobre o combate à pandemia, foi claro: «É parcialmente injusta a recriminação feita a tudo o que não se antecipou.» 

O Presidente da República fez ainda o elogio da governação ulterior a 2015, com ênfase na gestão das contas públicas e consequente prestígio externo, devolução de rendimentos às famílias e distensão social. 

— No Salão Nobre, na habitual sessão de cumprimentos, convidados e deputados fizeram vénia como se estivessem perante Isabel II.

— Cavaco abandonou a AR sem cumprimentar Marcelo.

— Fui eu que não vi, ou Rui Rio não esteve presente na Assembleia da República?

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segunda-feira, 8 de março de 2021

LEITURA DA HISTÓRIA


Por razões longas de explicar, as elites moçambicanas (e, a partir dos anos 1930, também as classes médias) nunca gostaram de Salazar, olhando para o Estado Novo como uma realidade distante e abstrusa. Isto para dizer que, por parte da população branca de Moçambique, a oposição ao regime começou com a queda da Primeira República.

Moçambique fica do outro lado do mundo, faz fronteira com seis países de língua inglesa e, nessa medida, o modo de vida salazarento era uma abstracção para quase todos.

O livro de que vou falar — Brancos de Moçambique. Da oposição eleitoral ao salazarismo à descolonização (1945-1975) — foi publicado em 2018, mas só agora dele tomei conhecimento. Acrescenta muito pouco ao que já sabia. Mas, para a generalidade dos leitores portugueses, representa uma boa introdução ao que era a vida na Colónia.

Bem documentado, o historiador Fernando Tavares Pimenta, professor da Universidade de Coimbra, faz um tour d’horizon à administração colonial de Moçambique, vista sob o prisma da oposição local.

Resumindo muito: análise exaustiva até aos anos 1960, quadros estatísticos elaborados a partir dos censos oficiais, interpretação sociológica correcta e transcrição oportuna de fontes. Menos bem a parte relativa à vida cultural, acerca da qual muito mais haveria a dizer. Meia dúzia de omissões (sobretudo no último capítulo) não beliscam o interesse da obra.

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domingo, 7 de março de 2021

GLÓRIA DE SANT'ANNA


UM POEMA POR SEMANA — Para hoje escolhi Desde Que o Mundo, de Glória de Sant’Anna (1925-2009), voz ímpar da poesia escrita em Moçambique.

Natural de Lisboa, Glória de Sant’Anna foi para Moçambique em 1950, ali tendo vivido até Dezembro de 1974. Em Moçambique nasceram cinco dos seus seis filhos, publicou sete livros, foi professora do ensino secundário em Nampula, Pemba e Vila Pery, além de ocasional radialista. Fez tudo isto mantendo distância da cena literária de Lourenço Marques.

Além de doze livros de poesia, publicou contos, crónicas e memórias. Livro de Água (1961) recebeu o Prémio Camilo Pessanha da Academia das Ciências de Lisboa. Colaborou com poesia e prosa na imprensa moçambicana e portuguesa.

Em 2012, o Grupo de Acção Cultural de Válega (Ovar) instituiu o Prémio Glória de Sant’Anna, que começou a ser atribuído no ano seguinte.

Em 2019, Luís Loforte e Edmundo Galiza Matos, dois antigos alunos seus, organizaram Quando o Silêncio é Sujeito — Um Tributo a Glória de Sant’Anna, volume publicado em Moçambique que colige depoimentos e breves ensaios críticos de escritores e intelectuais seus contemporâneos.

O poema desta semana, publicado no auge da Guerra Colonial, pertence ao livro Desde Que o Mundo e 32 Poemas de Intervalo (1972). A imagem foi obtida a partir de Amaranto — toda a poesia publicada entre 1951 e 1983 —, volume publicado em 1988, em Lisboa, pela Imprensa Nacional-Casa da Moeda.

[Antes deste, foram publicados poemas de Rui Knopfli, Luiza Neto Jorge, Mário Cesariny, Natália Correia e Jorge de Sena.]

sábado, 6 de março de 2021

LÍDIA NO CONSELHO DE ESTADO


Uma boa notícia: Lídia Jorge será Conselheira de Estado no segundo mandato de Marcelo. Escritora consagrada, Lídia Jorge também é uma mulher esclarecida, culta e de espírito livre, acrescentando uma voz de Esquerda ao principal órgão de consulta do Presidente da República.

Foto: Eduardo Pitta, 2020. Clique.