Espero acordar amanhã com boas notícias, malgré a interrupção da contagem de votos na Pensilvânia, pedida por Trump.
Imagem: Guardian. Clique.
Espero acordar amanhã com boas notícias, malgré a interrupção da contagem de votos na Pensilvânia, pedida por Trump.
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Deixo aqui as três primeiras estrofes da canção famosa dos Abba. Sirvam para ilustrar o óbvio: o modelo eleitoral norte-americano não é igual ao europeu continental. Ponto.
«I don't want to talk / About the things we've gone through / Though it's hurting me / Now it's history / I've played all my cards / And that's what you've done too / Nothing more to say / No more ace to play / / The winner takes it all / The loser standing small / Beside the victory / That's her destiny / / I was in your arms / Thinking I belonged there / I figured it made sense / Building me a fence / Building me a home / Thinking I'd be strong there / But I was a fool / Playing by the rules [...]»
— The Winner Takes It All , 1999.
Visando pessoas sentadas em cafés e esplanadas, os tiroteios começaram às 20h locais. Um dos atacantes, um macedónio de 20 anos, alegadamente apoiante do Daesh, foi abatido pela polícia junto à Ruprechtskirche. Foram efectuadas dezenas de prisões, embora a polícia continue sem saber o número de terroristas envolvidos.
Tudo se passou nas imediações da principal sinagoga de Viena, a Stadttempel. Os espectadores da Staatsoper (imagem) e do Burgtheater foram retidos dentro das salas durante quatro horas, sendo então retirados sob forte escolta policial.
Esta manhã, o centro da cidade continua fechado (e todas as escolas encerradas), patrulhado por milhares de polícias.
Sebastian Kurz, o Chanceler, decretou três dias de luto nacional.
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A personagem de Mildred Ratched é tão absorvente que Evan Romansky e Ryan Murphy criaram uma prequela do romance de Ken Kesey que está na origem do filme de Forman.
Assim nasceu Ratched, a série da Netflix que abre com Danse Macabre de Saint-Saëns e nos agarra logo pelo deslumbramento da fotografia.
Na série, Sarah Paulson faz de Mildred Ratched, uma mulher fria e calculista, abusada em criança, sociopata, assassina e lésbica. A seu lado encontramos a sempre notável Judy Davis, Finn Wittrock (o serial killer em torno do qual gira a trama), Cynthia Nixon, Sharon Stone, Amanda Plummer, Vincent D’Onofrio, Jon Jon Briones (o homem das lobotomias que cita Egas Moniz), Charlie Carver, Alice Englert e, por último mas não em último, a extraordinária Sophie Okonedo, numa performance de cortar a respiração.
Tudo se passa entre 1947 e 1950, quase sempre no Lucia State Hospital, uma instituição alegadamente psiquiátrica da Califórnia, localizada em Monterey. Violência e sexo em doses não recomendáveis a almas sensíveis.
O plot ressente-se da agenda política: Vincent D’Onofrio, no papel de Governador da Califórnia, é uma caricatura de Trump. Mas também de proselitismo: não é crível que em 1947 a secretária de um Governador estadual seja casada com um negro. Mesmo tratando-se de um casamento de fachada — ela lésbica, ele homossexual —, tal não era exequível nos círculos políticos norte-americanos dos anos 1940. Para já não falar do espírito MeToo que perpassa ao longo dos oito episódios da série. De qualquer modo, um excelente entretenimento.
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A imprensa internacional noticia e o Público também: 2,58 milhões de eslovacos (metade da população do país) fizeram ontem, sábado, o teste Covid. Desse total, 1% deu positivo.
Liderada por Jaroslav Naď, ministro da Defesa da Eslováquia, a operação terá mobilizado 40 mil médicos e equipas de apoio, soldados, polícias, funcionários administrativos, mas também voluntários, uns e outros distribuídos por cinco mil locais de testagem.
Mesmo tratando-se de testes de antígeno, os chamados testes rápidos, não deixa de ser impressionante.
Celebrizado pelos sete filmes em que interpretou o personagem criado por Ian Fleming, Connery provou ser um grande actor noutro tipo de papéis. Entre 1954 e 2012 protagonizou 78 filmes, número que não inclui séries e filmes de televisão. Ganhou um Óscar (actor coadjuvante), três Globos de Ouro e três Bafta.
Escocês, Sean Connery era filho de um operário católico e de uma empregada doméstica protestante. Sem educação formal, foi distribuidor de leite, pedreiro, polidor de caixões, camionista, marinheiro, jogador de futebol e candidato a Mr Universo. Abandonou a Marinha Real devido a problemas de saúde. A rainha fê-lo cavaleiro em 2000.
Imagem: Connery em 1962. Clique.
Através de um longo artigo de Joana Gorjão Henriques e de editorial assinado por Amílcar Correia, o Público divulga hoje o relatório da Inspecção-Geral da Administração Interna sobre a morte, por asfixia, do ucraniano Ihor Homeniuk, na noite de 11 para 12 de Março, nas instalações do SEF do Aeroporto de Lisboa.
Setenta páginas eloquentes. Síntese:
— agressões brutais e tortura por parte de três inspectores (em prisão domiciliária), tratamento degradante, atentado à dignidade humana, falta de medicação e prestação de auxílio por parte de outros inspectores, enfermeiros e seguranças do SEF. Foram instaurados processos disciplinares a doze funcionários do SEF.
Lembrar: Ihor Homeniuk foi encontrado morto na manhã do passado 12 de Março, nas instalações do SEF do Aeroporto de Lisboa, «de mãos algemadas atrás das costas, tornozelos amarrados ao corpo e calças puxadas até aos joelhos.»
Segundo o relatório, se não fosse o médico legista (e, acrescento eu, a denúncia do assassinato feita na noite de 29 de Março, pela TVI, a partir de uma denúncia anónima), o crime poderia ter passado incólume face à posição do director de Fronteiras de Lisboa.
Encoberto durante 18 dias, a embaixada da Ucrânia soube do crime pela televisão.
Como diz Amílcar Correia, «A negligência e a omissão concertada de que deram provas os envolvidos permitem duvidar de que o que aconteceu foi uma excepção. [...] A existência de qualquer espécie de Abu Ghraib em solo português envergonha o Estado e cada um de nós.»
Está em vigor desde as zero horas de hoje a Resolução do Conselho de Ministros n.º 89-A/2020, de 26 de Outubro. Determina que os cidadãos não podem circular para fora do concelho de residência habitual. Vigora até às 6 da manhã do próximo 3 de Novembro.
As excepções incluem trabalhadores com declaração da entidade patronal / profissionais de saúde / trabalhadores de instituições de saúde e de apoio social / militares / polícias / agentes de protecção civil / agentes das forças e serviços de segurança / pessoal militarizado / pessoal civil das Forças Armadas / inspectores da ASAE / titulares de cargos políticos / deputados / juízes e magistrados / notários e conservadores / sindicalistas / dirigentes dos parceiros sociais / membros de partidos políticos representados na Assembleia da República / padres e equiparados / pessoal de apoio dos órgãos de soberania e dos partidos com representação parlamentar / pessoas de retorno à residência habitual / deslocações para saída do território nacional / portadores de bilhetes de espectáculo / etc.
O diploma encontra-se publicado, supõe-se que seja para cumprir, mas o Presidente da República diz que são só recomendações. Em que ficamos?
Obtida hoje de manhã, a imagem mostra alguns dos milhares de pessoas que, desde ontem, afluem à Nazaré para ver as ondas gigantes.
Walter Chicharro, o presidente da Câmara, foi claro: «O que está a acontecer é uma normal sessão de free-surf de ondas gigantes.»
Ora bem! Quem fala assim não é gago. E eu prefiro este registo Tarantino aos melodramas napolitanos de outras paragens.
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Abstiveram-se o PCP, o PAN, o PEV e as duas deputadas não inscritas.
Votaram contra o BE, o PSD, o CDS, o CHEGA e a IL.
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Foi hoje publicada em Diário da República a Lei n.º 62-A/2020. O diploma impõe, transitoriamente e a título excepcional, a obrigatoriedade do uso de máscara em espaços públicos, em todo o território nacional.
— «É obrigatório o uso de máscara por pessoas com idade a partir dos 10 anos para o acesso, circulação ou permanência nos espaços e vias públicas sempre que o distanciamento físico recomendado pelas autoridades de saúde se mostre impraticável. [...] A presente lei vigora pelo período de 70 dias...»
A uma semana das eleições presidenciais, o Senado americano confirmou — por 52 votos contra 48 — Amy Coney Barrett como juíza do Supremo Tribunal.
Se os resultados eleitorais forem contestados, caberá ao Supremo, agora com maioria conservadora, desatar o nó górdio.
Ms Barrett, 48 anos, católica ultra-conservadora, antiga líder pastoral das mulheres da seita People of Praise, vai ocupar o lugar deixado vago pela morte da juíza Ruth Bader Ginsburg.
Ms Barrett é contra o Affordable Care Act (vulgo Obamacare), a imigração, o aborto, o casamento entre pessoas do mesmo sexo, etc. É a favor do uso de porte de armas, mesmo por pessoas condenadas por crimes de sangue
Nos últimos 150 anos, foi a primeira vez que um juiz do Supremo foi confirmado apenas pelo partido proponente.
A versão actual é de Ben Wheatley, e tem nos principais papéis Lily James, Armie Hammer e, encarnando Mrs. Danvers, a fabulosa Kristin Scott Thomas. No filme de Hitchcock eram Joan Fontaine, Laurence Olivier e Judith Anderson. Quem leu o romance homónimo de Daphne du Maurier percebe a criteriosa escolha de Kristin Scott Thomas para o papel-chave da governanta de Manderley.
Não sendo uma obra-prima, são 120 minutos de bom cinema.
Com 39,2% dos votos e 25 deputados eleitos, o PS ganhou as legislativas regionais mas perdeu a maioria absoluta.
Abstiveram-se 54,6% dos eleitores.
Resultados finais: PS 39,2% / PSD 33,7% / CDS 5,5% / CHEGA 5% / BE 3,8% / PPM 2,3% / PAN 1,9% / IL 1,9% / PCP 1,6%.
Elegeram deputados: PS, PSD, CDS, CHEGA, BE, PPM, PAN e IL.
Sapatos de Corda — Agustina é um relato desempoeirado da vida da escritora: a família, o Douro, os livros, os anos de Esposende, a casa do Gólgota, os Verões em Guéthary, a gestão parcimoniosa das amizades, a desconfiança do milieu literário, a natural coqueteria, o enfado com o paroquialismo indígena, a política, as viagens, os filmes de Manoel de Oliveira, o apoio do marido. Excertos de cartas escritas por Agustina à mãe e à filha iluminam o texto. O mesmo se diga da vasta iconografia: fotografias de várias épocas, reproduções, desenhos de Alberto Luís e Mónica Baldaque.
Em matéria de revelações, sirva de exemplo a história do Jaguar: Agustina, que não dava importância nenhuma a automóveis, pediu um Jaguar a Cupertino de Miranda a título de direitos de autor pela biografia encomendada pelo banqueiro. O Jaguar, cinza com estofos vermelhos, seria mais tarde vendido a um militar de Abril.
Há mais, naturalmente. Até porque Mónica Baldaque não omite o seu próprio percurso: infância, relações com os pais, colégio, anos de Lisboa — onde concluiu o curso de pintura na Escola Superior de Belas-Artes —, namoricos, vida profissional, casamento, filhos, direcção de dois museus (Soares dos Reis, Literatura), artistas e escritores com quem privou, acompanhamento da reedição da obra de Agustina, etc. O episódio envolvendo um improvável Corto Maltese é uma das várias passagens enigmáticas do livro.
Enquanto não chega a biografia de Agustina escrita pelo historiador Rui Ramos, Sapatos de Corda — Agustina é o melhor que li até hoje sobre a Sibila. Nessa medida, se Barthes falou no prazer do texto, seria fútil repetir o óbvio.
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Com duas particularidades: a medida é extensiva a todo o país, independentemente da vontade dos executivos autónomos; e as decisões dos tribunais serão nulas. Esperar para ver.
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O diploma impõe a obrigatoriedade de uso de máscara, para maiores de 10 anos, durante 70 (setenta) dias.
Votado em simultâneo na generalidade, especialidade e votação final global, o diploma chegará ainda hoje à Presidência da República.
PCP, PAN e IL levantaram objecções à aplicabilidade da Lei, em especial no tocante à fiscalização. O BE queria máscaras gratuitas para toda a gente, mas a sua proposta foi chumbada.
Fora do Parlamento, uma manifestação da Plataforma Cidadania XXI chamou a atenção para «os atentados flagrantes à Constituição e às inibições das liberdades individuais com a desculpa da Covid-19.»
A Plataforma Cidadania XXI está ligada ao movimento Médicos Pela Verdade (associação de médicos de saúde pública, epidemiologistas e virologistas), a qual, a pretexto da mortalidade além-Covid, vai apresentar uma providência cautelar contra o ministério da Saúde.
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