quinta-feira, 14 de maio de 2020

EQUÍVOCO


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BIPOLARIDADE

Metade do país execra Sócrates por, no auge da crise das dívidas soberanas, ter alegadamente conduzido o país à beira do incumprimento.

Agora que temos as contas certas, e um ministro das Finanças respeitado dentro e fora do país, são praticamente os mesmos que pedem a cabeça de Centeno.

Nada disto surpreende. Quatro quintos dos votantes portugueses regem-se pela velha dicotomia Benfica / Sporting. A maioria vota para contrariar, muito poucos por convicções ideológicas.

Repito o já dito: os mais reaccionários dos meus amigos votam todos no BE porque, dizem eles, é a única forma de impedir uma maioria absoluta do PS. Podiam votar no PCP, ou no PSD, partidos transversais à sociedade portuguesa, com base social de apoio bem definida num caso como noutro, mas não o fazem. (Claro que tenho amigos progressistas que votam no BE, mas são uma minoria.) Isto para não falar das contradições entre mais Estado e menos Estado, querela resolvida com a eleição de um deputado liberal.

E assim sucessivamente. De repente, toda a gente exige layoff porque sim, à revelia de procedimentos mínimos. Sabendo nós como se processa o modus operandi da economia portuguesa, todo o relaxe deve ser evitado.

O melodrama à volta do “destino” de Centeno radica nesta bipolaridade.

quarta-feira, 13 de maio de 2020

CENTENO & NB


Toda a gente se lembra da noite do primeiro domingo de Agosto de 2014, quando Carlos Costa, governador do Banco de Portugal, anunciou em directo a Resolução do BES. O Grupo Espírito Santo implodia em horário nobre e das cinzas do BES nascia o Novo Banco. Nunca tal se tinha visto na Europa. Embora previsto pelo BCE, foi uma estreia absoluta. No dia seguinte ficou a saber-se que mais de metade dos ministros (era o Governo Passos & Portas) tinham assinado na praia. 

Passaram seis anos. O Fundo de Resolução, constituído pelos Bancos a operar no país, enterrou 3,9 mil milhões de euros no Novo Banco. Mas a venda ao Lone Star, em 2017, não exonerou os compromissos contratuais. Dito de outro modo, os Governos de António Costa não podem assobiar para o lado. Há poucos dias foram mais 850 milhões, devidamente inscritos no OE 2020. Mas ainda faltam mais mil milhões.

Encenar uma ópera-bufa a pretexto de uma verba inscrita no Orçamento de Estado (ou seja, um diploma escrutinado por todos os deputados, aprovado por uma maioria deles, promulgado pelo Presidente da República, referendado pelo primeiro-ministro e publicado em Diário da República), não lembra ao Diabo. Abstenho-me de comentar a polémica em torno de gaps de comunicação.

A Direita, no seu conjunto, e uma parte significativa da Esquerda, julgou ter chegado o momento de abater Centeno, que ainda esta tarde, ouvido no Parlamento, foi claro: «Os senhores fizeram na praia a mais desastrosa Resolução da história da Europa...» Rui Rio pediu a demissão do ministro das Finanças. Deputadas do BE e do CDS deram pinotes de corça. Pivôs de telejornal salivaram com o desfecho da reunião que à mesma hora juntava Centeno e o primeiro-ministro. Nenhuma destas criaturas parou para pensar nas consequências financeiras e reputacionais de um incumprimento?

Mas tudo acabou em anticlímax. Os dois abandonaram juntos a residência oficial e uma nota esclarece:

«O Primeiro-Ministro e o Ministro de Estado e das Finanças tiveram hoje uma reunião de trabalho, no quadro da preparação da próxima reunião do Eurogrupo, que terá lugar sexta-feira, e da definição e calendário de elaboração do Orçamento Suplementar que o Governo apresentará à Assembleia da República durante o mês de Junho. [...] Ficou também confirmado que as contas do Novo Banco relativas ao exercício de 2019, para além da supervisão do Banco Central Europeu, foram ainda auditadas previamente à concessão deste empréstimo. [...] Este processo de apreciação das contas do exercício de 2019 não compromete a conclusão prevista para Julho da auditoria em curso a cargo da Deloitte, relativa ao exercício de 2018, que foi determinada pelo Governo nos termos da Lei n.º 15/2019, de 12 de Fevereiro. O primeiro-ministro reafirma publicamente a sua confiança pessoal e política no Ministro de Estado e das Finanças, Mário Centeno.»

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COVID-19


Portugal, 13 de Maio de 2020.

terça-feira, 12 de maio de 2020

COVID-19


Portugal, 12 de Maio de 2020.

segunda-feira, 11 de maio de 2020

COVID-19


Portugal, 11 de Maio de 2020.

domingo, 10 de maio de 2020

NÃO ESQUECER

Na noite de 11 para 12 de Março, Ihor Homenyuk, cidadão ucraniano, foi torturado e assassinado nas instalações do Serviço de Estrangeiros e Fronteiras do Aeroporto de Lisboa. Foi encontrado de mãos algemadas atrás das costas, tornozelos amarrados ao corpo e calças puxadas até aos joelhos.

Encoberto durante 18 dias, o crime foi tornado conhecido no dia 29 de Março à noite, graças a uma denúncia anónima divulgada pela TVI. A embaixada da Ucrânia soube do acontecido pela televisão. No dia seguinte, foram demitidos e presos os três inspectores do SEF suspeitos de homicídio. Uma juíza mandou-os para casa em regime de prisão domiciliária.

Na noite da barbárie, durante o período em que esteve detido, «inspectores, seguranças, enfermeiros, o médico que declarou o óbito, entraram ou ficaram à porta da sala e viram-no assim...», pode ler-se no Público.

Não se sabe que medidas foram tomadas contra outro pessoal do SEF que terá testemunhado ou tido conhecimento dos factos: «[...] pelo menos mais três inspectores, entre eles um coordenador, estiveram no local. Isso mesmo mostram as imagens de videovigilância...», lê-se no Público.

Isto é muito grave, mas, aparentemente, pouca gente ficou impressionada.

SÉRGIO SANT'ANNA 1941-2020


Vítima de Covid-19 morreu hoje no Hospital Quinta d’Or, do Rio de Janeiro, o escritor brasileiro Sérgio Sant’Anna, infelizmente pouco conhecido em Portugal, não obstante ter aqui publicados alguns livros.

Embora tenha escrito romances, novelas, teatro e poesia, foi como contista que se notabilizou. Entre outros títulos, destacaria A Senhorita Simpson (1989), o volume antológico Contos e Novelas Reunidos (1997) e O Vôo da Madrugada (2003), mas também o romance As Confissões de Ralfo (1975). Quatro vezes laureado com o Prémio Jabuti, contos seus foram adaptados ao teatro e ao cinema. Tinha 78 anos.

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COVID-19


Portugal, 10 de Maio de 2020.

sábado, 9 de maio de 2020

VACINAS

O meu optimismo já conheceu melhores dias, mas, mesmo agora, não quero ser (nem parecer) pessimista. Isto para dizer que me parece mais sensato deixar de falar em vacinas para o Covid-19.

Vejamos: não há vacina para o SARS, que apareceu em 2002. Passaram 18 anos. Nem para o MERS, que apareceu em 2012. Passaram 8 anos. Recuando ao século XX, convém lembrar que ainda não existe vacina contra a SIDA, surgida em 1981. Até 2019, a SIDA matou cerca de trinta e dois milhões de pessoas.

Então por que carga de água surgiria uma vacina para o Covid-19, de preferência a tempo do Verão de 2021? Porque as televisões contratam funâmbulos para entreter a malta?

Quero acreditar que, nos próximos 12 ou 15 meses, possa ser viável uma terapêutica que minimize o Covid-19, que até ao momento infectou quatro milhões de pessoas (exactamente 4.077.936) e matou outras 280 mil em todo o mundo.

A SIDA também se tornou uma doença crónica graças aos retrovirais. É nisso que temos de acreditar. Vir à televisão prometer vacinas não me parece sério.

COVID-19


Portugal, 9 de Maio de 2020.

UK APERTA CONTROLO


Com mais de duzentos mil infectados, o Reino Unido aperta o controlo de fronteiras.

Boris Johnson explica amanhã os detalhes da “quarentena” que será imposta aos nacionais e estrangeiros que entrem no país a partir da próxima segunda-feira, dia 11. A medida inclui chegadas por comboio (o Eurostar), navio e avião.

As únicas excepções são as pessoas oriundas das ilhas anglo-normandas, da Ilha de Mann e da República da Irlanda. Todos os outros terão de preencher um formulário electrónico, com indicação de morada fixa, para efeito de controlo policial.

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sexta-feira, 8 de maio de 2020

CENTENO & O FAZ


O artigo do Frankfurter Allgemeine Zeitung sobre Centeno provocou orgasmos-gêiser no comentariado de Direita. Foi penoso de ver a forma como os pivôs portugueses entraram em transe.

Segundo o jornal alemão, Centeno apresenta-se «mal-preparado nas reuniões [demonstrando] incapacidade para promover compromissos...» Insistindo na saída do ministro, que estaria interessado em trocar a presidência do Eurogrupo pela governança do Banco de Portugal, o FAZ faz o óbvio: lobby a favor de Nadia Calviño, ministra espanhola dos Assuntos Económicos.

Há meses que Espanha tenta colocar a sua ministra à frente do Eurogrupo, intenção desmentida pela própria, que não poupa elogios a Centeno.

Este tipo de campanhas faz parte do jogo político (com manobras de artilharia pesada nos canais diplomáticos). Nada de novo.

Novo, diria mesmo repelente, só mesmo a forma como a “notícia” tem sido tratada em Portugal. Vendo bem, nem isso é novo. Assim que chegou ao Governo, em Novembro de 2015, Centeno tornou-se um homem a abater. E não só pela Direita. Alguma razão haverá.

Clique na imagem do Frankfurter Allgemeine Zeitung.

COVID-19


Portugal, 8 de Maio de 2020.

quinta-feira, 7 de maio de 2020

COVID-19


Portugal, 7 de Maio de 2020.

quarta-feira, 6 de maio de 2020

RECESSÃO 2020


Estamos a dar um grande trambolhão mas, se as projecções da UE para 2020 estiverem certas, só a Alemanha dará um tombo menor.

Fica o registo para conferir em Janeiro de 2021.

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COVID-19


Portugal, 6 de Maio de 2020.

terça-feira, 5 de maio de 2020

REGIME DE EXCEPÇÃO?

Hoje, à saída de Belém, onde o Presidente da República os anda a receber, alguns patrões dos media (Observador, Público, Visão, DN, TSF, etc.) queixaram-se do atraso no prometido apoio, ou seja, na compra de publicidade institucional no valor de quinze milhões de euros, verba considerada insuficiente por todos.

Dispenso detalhes de mercearia. Vamos ao que interessa. São os mesmos media que, todos os dias, fazem chicana com ajustes directos na compra, pelo ministério da Saúde, de máscaras e material médico.

Os mesmos que omitem o essencial: no âmbito da pandemia, os ajustes directos para aquisição de máscaras e material médico têm cobertura legal desde, salvo erro, 18 de Março.

Portanto, qual é a pressa? Publicidade institucional não cabe na categoria de «máscaras e material médico...» Presumo que tudo se faça por concurso (com visto do Tribunal de Contas), como é de regra, e eles são os primeiros a lembrar.

NÃO É ESPANTOSO?

Foi preciso dois médicos do Hospital Universitário Paris Seine-Saint-Denis revelarem, no International Journal of Antimicrobial Agents, que o vírus chegou a França em Dezembro do ano passado, para Christian Lindmeier, porta-voz da OMS, vir hoje dizer o óbvio: «Não é surpreendente e é possível que mais casos possam ser detectados.» Ao mesmo tempo, aconselhou outros países a fazerem investigações a casos no final de 2019. É preciso lata.

Vejamos a cronologia:

06 de Janeiro — a OMS revela pela primeira vez a existência de uma nova estirpe de coronavírus, datando o seu aparecimento de 27 de Dezembro de 2019, na China. Sabe-se hoje que a data real é 17 de Novembro.

30 de Janeiro — a OMS decreta Emergência de Saúde Pública de Interesse Internacional.

11 de Fevereiro — a OMS baptiza a nova estirpe de coronavírus como SARS-CoV-2, vulgo Covid-19.

11 de Março — Com cinco mil mortos em 114 países, a OMS declara pandemia.

05 de Maio — 3,7 milhões de infectados e mais de 253 mil mortos em todo o mundo.

Um dia saberemos quem sabia o quê desde quando.

COVID-19


Portugal, 5 de Maio de 2020.