Morreu hoje Armando Baptista-Bastos, jornalista e escritor que o país inteiro conhecia simplesmente como Baptista-Bastos. BB, como era tratado no milieu, começou a escrever em jornais em 1953. Escreveu em quase todos, escreveu sobre quase tudo, entrevistou quase toda a gente que conta, fez reportagens, e ainda teve tempo para nos deixar oito romances, colectâneas de crónicas e volumes de ensaio. Também trabalhou na rádio, na televisão e em cinema. Resumindo: durante mais de sessenta anos, nunca esteve parado. Ficou célebre a série de dezasseis entrevistas encomendadas pelo Público, em 1999, com a pergunta famosa: «Onde é que você estava no 25 de Abril?» Com a sua morte desaparece uma das testemunhas centrais do século XX português. Se nunca leu, vá à procura de Cão Velho Entre Flores, romance de 1974. Sim, era um homem de Esquerda, mas até a Direita ultramontana o respeitava. Tinha 83 anos.
terça-feira, 9 de maio de 2017
VALLS NUNCA DESILUDE
Macron toma posse no próximo domingo, dia 14. Ontem soube-se que o seu movimento, En Marche!, concorrerá às eleições legislativas de Junho com nova designação: La République en Marche. Na qualidade de presidente eleito, Macron abandonou a liderança partidária, sendo substituído interinamente por Catherine Barbaroux. O congresso de meados de Julho confirmará, ou não, a nova direcção.
Frisson do dia: Manuel Valls, antigo primeiro-ministro e candidato derrotado nas primárias do PS, vai abandonar os socialistas e quer concorrer nas listas da... République en Marche:
«Comme j’invite d’ailleurs tous les députés sortants, les progressistes, ceux qui ont appelé à voter Emmanuel Macron avant le premier tour, ceux qui souhaitaient sa victoire, moi je serai candidat de la majorité présidentielle, et souhaite m’inscrire dans ce mouvement qui est le sien, la République en marche».
Sempre achei o homem um videirinho. Parece que tinha razão.
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Eduardo Pitta
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09:30
segunda-feira, 8 de maio de 2017
CAPA & CONTRACAPA
Capa e contracapa do Libé. Mas a ideia não é nova: o Diário de Notícias fez o mesmo em 14 de Junho de 2005, com Álvaro Cunhal e Eugénio de Andrade, que tinham morrido ambos na véspera. Clique na imagem para ver melhor.
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11:55
FICOU ASSIM
Os números oficiais. Mais de 16 milhões de eleitores (exactamente 16 170 672) preferiram abster-se, votar branco ou nulo. Apesar de tudo, ainda não foi a débâcle da França dos valores europeus. Clique na imagem para ler melhor.
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10:00
A FRANÇA ACORDOU?
Apesar de uma abstenção alta — 25,4% é um valor elevado para a tradição francesa —, a história acabou bem. No entanto, os 66,06% de Macron significam que um terço dos eleitores (os que votaram Le Pen) continua a rever-se na extrema-direita mais xenófoba. A imagem é do Monde. Clique nela.
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09:00
domingo, 7 de maio de 2017
BLASÉ OU OUTRA COISA?
Números oficiais: até às cinco da tarde (em França) tinham votado 65,3% dos eleitores. Na primeira volta, até à mesma hora, tinham votado 69,5%.
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Eduardo Pitta
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16:16
MACRONLEAKS
A história repete-se. A exemplo do que aconteceu na campanha de Hillary, quando milhares de documentos internos no comité eleitoral Democrata foram pirateados, chegou a vez de Macron ser vítima de igual devassa. O movimento político En Marche!, que suporta a campanha do candidato, confirmou ter sido hackeado anteontem à noite. Um ataque massivo e coordenado deu origem à difusão de vasta documentação interna, grande parte da qual está a ser manipulada e truncada nas redes sociais e em tablóides europeus, russos e americanos.
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09:00
quinta-feira, 4 de maio de 2017
PATRÍCIA REIS
Hoje na Sábado escrevo sobre o romance mais recente de Patrícia Reis (n. 1970), A Construção do Vazio. Toda a literatura é circular. Vários personagens do livro andam connosco há uma década. O ciclo fechou. Patrícia Reis é muito hábil na forma como dá vida ao universo ficcional que construiu a partir de No Silêncio de Deus (2008). Nessa altura chegou Manuel Guerra, entretanto falecido, em casa de quem o manuscrito que agora vê a luz do dia teria sido encontrado. Depois, Por Este Mundo Acima (2011) trouxe Sofia, nascida para ser vítima de humilhação e abuso, obrigada a sobreviver sabendo que nem toda a maldade será castigada. Tentando obliterar os fantasmas da infância, Sofia é uma menina-tesoura enclausurada no vazio em que cresceu. A escrita seca de Patrícia Reis não dá azo a delíquios. Pelo contrário: as palavras têm a exactidão dos factos. Neste caso, o horror da violência em família. Sofia tem dez anos e o pai faz dela o que lhe apetece: «De quatro, como um animal, na casa de banho, amarrada à força do meu pai…». A mãe faz por ignorar. O desfecho indicia outra vida, mas a insegurança persiste. Seguro, só o domínio narrativo da autora. Quatro estrelas. Publicou a Dom Quixote.
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09:00
terça-feira, 2 de maio de 2017
BURACO NEGRO
Em 2002, no 1.º de Maio, as centrais sindicais francesas juntaram-se e celebraram a data juntas, mobilizando dois milhões de franceses. Ambas foram claras no não a Jean-Marie Le Pen. Como resultado, Chirac foi eleito dias depois com 82,2% dos votos, contra 17,8% do fundador da FN. Ontem, cada central optou por desfilar sozinha, e nenhuma invectivou Marine Le Pen. A mobilização cumpriu os mínimos. Macron foi ignorado. Definitivamente, a França entrou num buraco negro.
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Eduardo Pitta
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08:00
quinta-feira, 27 de abril de 2017
JOHN FANTE
Hoje na Sábado escrevo sobre 1933 Foi um Mau Ano, do americano John Fante (1909-1983), autor pouco conhecido entre nós que deixou uma obra breve mas consistente. Bukowski considerava-o seu mestre e, nos últimos vinte anos, a crítica mais exigente faz-lhe vénia. A novela póstuma 1933 Foi um Mau Ano chegou agora à edição portuguesa. A diabetes que o levou à cegueira e amputação das duas pernas, ao mesmo tempo que explica o seu relativo apagamento da cena literária, é uma razão plausível para o livro ter ficado por concluir. Fante, que nasceu no seio de uma família de Abruzzo, é o celebrado autor do quarteto novelístico Bandini, que abre (embora tenha sido o último a ser publicado) com Estrada para Los Angeles, um dos seus livros traduzidos em Portugal. A escrita sofisticada do autor resgata a intriga da sua aparente trivialidade: vivendo em Roper, no Colorado, Dominic Molise, o narrador, vive emparedado entre o sonho do basebol e as contingências da Grande Depressão que sucedeu ao crash de 1929. Mesmo incompleto, 1933 Foi um Mau Ano não deixa de ser um autêntico Bildungsroman, ou seja, um romance de formação por intermédio do qual o autor põe em pauta uma panóplia de questões identitárias. Quatro estrelas. Publicou a Alfaguara.
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10:14
quarta-feira, 26 de abril de 2017
CONTRA O SILÊNCIO
Como os media portugueses omitem a presença e as palavras de Etienne Cardiles na homenagem que Hollande prestou ao seu companheiro Xavier Jugelé, assassinado pelo Daesh no passado dia 20, deixo aqui excertos dessas palavras. Etienne Cardiles, diplomata, disse:
«Xavier, jeudi matin, comme de coutume, je suis parti travailler et tu dormais encore. […] Tu as pris ton service à 14 heures dans cette tenue de maintien de l’ordre dont tu prenais tant soin parce que ta présentation devait être irréprochable. Tes camarades et toi aviez reçu la mission de rejoindre le commissariat du VIIIe arrondissement. […] On t’a désigné comme point de stationnement le 102 des Champs-Elysées, devant l’institut culturel de Turquie. Ce type de mission, je le sais, te plaisait, parce que c’était les Champs-Elysées et l’image de la France. Parce que c’était aussi la culture que vous protégiez. A cet instant, à cet endroit, le pire est arrivé, pour toi et tes camarades. […] Je suis rentré le soir sans toi avec une douleur, extrême et profonde, qui s’apaisera peut-être un jour, je l’ignore. […] Pour ce qui me concerne, je souffre sans haine. J’emprunte cette formule à Antoine Leiris dont l’immense sagesse face à la douleur a tant fait mon admiration que j’avais lu et relu ces lignes il y a quelques mois. C’est une leçon de vie qui m’avait fait tant grandir qu’elle me protège aujourd’hui. Lorsque sont parus les premiers messages informant les Parisiens qu’un événement grave était en cours sur les Champs-Elysées et qu’un policier avait perdu la vie, une petite voix m’a dit que c’était toi. Et elle m’a rappelé cette formule généreuse et guérisseuse: Vous n’aurez pas ma haine. Cette haine, Xavier, je ne l’ai pas parce qu’elle ne te ressemble pas. Parce qu’elle ne correspond en rien à ce qui faisait battre ton cœur, ni ce qui avait fait de toi un gendarme puis un gardien de la paix. Parce que l’intérêt général, le service des autres et la protection de tous faisaient partie de ton éducation et tes convictions et que la tolérance, le dialogue et la tempérance étaient tes meilleures armes. Parce que derrière le policier, il y avait l’homme, et qu’on ne devient policier ou gendarme que par choix: le choix d’aider les autres, de protéger la société et de lutter contre les injustices. […] C’était la vision que nous partagions de cette profession, mais une facette seulement de l’homme que tu étais. L’autre facette de l’homme était un monde de culture et de joie, où le cinéma et la musique prenaient une immense part. […] Une vie de joie et d’immenses sourires, où l’amour et la tolérance régnaient en maîtres incontestés. Cette vie de star, tu la quittes comme une star. […] Je voudrais dire à tous ceux qui luttent pour éviter que ces événements se produisent, que je connais leur culpabilité et leur sentiment d’échec et qu’ils doivent continuer à lutter pour la paix. […] A toi, je voudrais te dire que tu vas rester dans mon cœur pour toujours. Je t’aime. Restons tous dignes et veillons à la paix et gardons la paix.»
Entre outras personalidades, assistiram à cerimónia de condecoração póstuma o Presidente da República, Hollande, o primeiro-ministro Bernard Cazeneuve, outros ministros, Anne Hidalgo, maire de Paris, o antigo PM Valls, os candidatos Macron e Marine Le Pen, bem como muitos diplomatas, generais e os mais altos representantes das forças de segurança.
A imagem (e transcrição do texto) é do Libération. Clique nela.
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10:00
terça-feira, 25 de abril de 2017
NÃO CONTEM COM O MEU ÓDIO
Xavier Jugelé, o polícia morto na fusillade do passado dia 20, em Paris, era casado com um homem. Falando na homenagem que a República prestou a Xavier, olhando todos nos olhos, Etienne Cardiles, o viúvo, foi claro:
Vous n’aurez pas ma haine. Cette haine, Xavier, je ne l’ai pas parce qu’elle ne te ressemble pas.
Estavam lá todos: Hollande, que condecorou Xavier Jugelé a título póstumo; o Governo em peso, Macron, madame Le Pen, diplomatas, generais, os mais altos representantes das forças de segurança, etc. Numa França esfrangalhada, isto também é uma espécie de 25 de Abril.
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14:00
segunda-feira, 24 de abril de 2017
UM BANQUEIRO NO ELISEU
A vitória de Macron levanta a questão de saber como é que um homem sem partido (o movimento En marche! não é um partido) formará governo se, como se prevê, vença a segunda volta a realizar a 7 de Maio. Irá buscar personalidades próximas do PS, do qual foi militante entre 2006 e 2009? Vira-se para os Republicanos? Faz um melting pot dos dois? Quem é que indicará para primeiro-ministro? Mundo não lhe falta. Mundo e jogo de cintura. Um homem que foi secretário-geral da Presidência da República (2012-14) e ministro da Economia e da Indústria (2014-16), conhece bem o milieu político e trata por tu a alta-finança internacional. Não esquecer que Macron é uma ‘criação’ da casa Rothschild. Tudo indica que o PS francês vai aproveitar a embalagem para tirar partido da vitória do seu antigo militante.
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09:33
domingo, 23 de abril de 2017
DUELO MACRON VS LE PEN
Quando estão contados dois terços dos votos, os resultados das Presidenciais francesas são estes. A imagem é do Monde. Clique para ver melhor.
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23:00
quinta-feira, 20 de abril de 2017
FUSILLADE
A três dias da 1.ª volta das presidenciais francesas, um atentado reivindicado pelo Daesh fez um morto (um polícia) e dois feridos graves, nos Campos Elísios, em Paris. O ataque deu-se entre a loja Marks & Spencer e a estação de metro Franklin D. Roosevelt. A avenida continua cortada ao trânsito.
Imagem: Le Monde. Clique.
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23:00
BRUNO VIEIRA AMARAL
Esta semana, na Sábado, escrevo sobre Hoje Estarás Comigo no Paraíso, de Bruno Vieira Amaral (n. 1978). Quem tenha lido o que escrevi há cerca de quatro anos sobre o primeiro romance do autor, não ficará surpreendido com o juízo que faço do segundo. Sublinhei então a qualidade da narrativa («o texto é brilhante»), bem como a evidência de que «temos escritor». Tudo se confirma. Bruno Vieira Amaral tem o enorme mérito de não escrever para a academia, nem complexos sobre Realismo. Em suma, as palavras têm vida própria, estão no sítio certo, e o leitor interessado em devaneios metafísicos terá de procurar noutra freguesia. Partindo de uma grelha autobiográfica, porém ficcionada, o autor intercala no plot reflexões de natureza hermenêutica que sinalizam o lugar do narrador. A investigação em torno do assassínio do primo João Jorge permite mergulhar nas remotas memórias da infância e adolescência: pai ausente, ecos da Angola colonial, o bairro em que cresceu, ilustrado com virtuosismo no romance anterior. Não me recordo, na literatura portuguesa das últimas décadas, de descrições tão vívidas dos anos da puberdade: mitos, rituais, erotismo, carências, matraquilhos, almoços de domingo, cromos da bola, a «praia do cagalhão», torneios com caricas, cumplicidades tribais, alcunhas. Verdade que desde As Primeiras Coisas temos o Bairro Amélia inscrito no cânone literário, mas agora podemos vê-lo em cinemascope. Factos reais intercalados com acuidade pontuam a evolução da história. Sirvam de exemplo os anos da fome em Setúbal ou o Caso Dona Branca. A destreza do narrador autodiegético ajuda, mas é o domínio dos recursos narrativos que dá eficácia à trama romanesca, servida por uma escrita limpa e polida até ao osso. De forma natural, o enquadramento histórico (em particular sobre Angola) “explica” a personalidade de vários personagens. Isso e as reminiscências da Luanda pré-independente. O mesmo se diga da reconstrução do assassinato de João Jorge: excertos de notícias de jornal, autos policiais, ressonância da vox populi, mnemónica atinente. Por último mas não em último, sublinhar o carácter identitário do texto, a força de uma prosa isenta de qualquer espécie de floreados retóricos: «Onde é que a história da nossa família contamina a nossa história individual?» A obra responde. Cinco estrelas. Publicou a Quetzal.
Escrevo ainda sobre o oitavo volume da série diarística Dias Comuns, de José Gomes Ferreira (1900-1985), volume que tem como subtítulo Livro das Insónias sem Mestre. Num país sem tradição memorialística — os exemplos de Raul Brandão, Torga, Saramago e Ruben A., não sendo os únicos, estão longe de fazer escola —, o diário de Gomes Ferreira tem, sobre outros, o mérito de ilustrar o comportamento do milieu durante a ditadura do Estado Novo. O autor não insinua nem discreteia em abstracto: cita nomes, datas, prémios, anedotário de café, mexericos, etc. O foco central é o país e a literatura. Apesar da aparente secura, não há azedume na prosa. Gomes Ferreira, que em vida foi um cavalheiro, mantém-se igual a si mesmo. Reportando ao período que vai de Agosto de 1969 a Janeiro de 1970, o volume não ignora as eleições do consulado de Caetano, quem era quem na CEUD e na CDE, a violência dos legionários, o cinismo da Pide, e até o manifesto dos escritores (cortado pela Censura), aqui reproduzido na íntegra, com o nome dos seus 83 signatários. A propósito: por que razão a poesia de Gomes Ferreira anda desaparecida há mais de vinte anos? Quatro estrelas. Publicou a Dom Quixote.
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11:00
terça-feira, 18 de abril de 2017
THERESA ANTECIPA
Para calar os detractores do Brexit, Theresa May anunciou há momentos que haverá eleições gerais antecipadas no próximo 8 de Junho. Com o Labour em frangalhos, e sem que os britânicos tenham começado a sentir os efeitos das negociações «duras» que ela pretende, o momento é ideal.
A imagem é do Guardian. Clique nela.
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Eduardo Pitta
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11:00
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