domingo, 2 de dezembro de 2018

NATÁLIA


Por razões que não vêm ao caso, reli hoje a parte do diário de Natália Correia (1923-1993) que reporta ao período entre 1974 e 75. Compreendo cada vez melhor por que razão esta mulher, que foi poeta, dramaturga, romancista, contista, ensaísta, historiadora da Literatura, cronista, memorialista, editora e deputada (minimizo o facto de ter sido proprietária do Botequim, o bar que agitava as noites boémias da intelligentsia), provoca tantos anticorpos na Academia. Vendo bem, personalidade e Obra rompem as balizas de assepsia da vida cultural portuguesa.

Como disse Jorge de Sena, Natália foi alguém que «soube transformar o escândalo numa espécie de terror sagrado do provincianismo embevecido...» Juntando a tudo isto o facto de ter casado quatro vezes, e de ter sido considerada, durante duas décadas, a mulher mais bela de Lisboa, temos a chave do descaso.