segunda-feira, 15 de julho de 2019

GORDIEVSKY POR MACINTYRE


A capa engana. Reproduz a edição original hardcover, mas nem por isso deixa de parecer um bestseller série B. Nada mais errado. The Spy and the Traitor: The Greatest Espionage Story of the Cold War (2018), do historiador britânico Ben Macintyre, é uma excelente biografia de Oleg Gordievsky, ex-coronel do KGB que trabalhou para o MI6 britânico entre 1974 e 1985. Com outra identidade, Gordievsky, actualmente com 80 anos, vive hoje algures na Inglaterra.

O livro é viciante. Macintyre não é Le Carré, mas anda lá perto. Condenado à morte após a deserção para Londres, Gordievsky sobreviveu em 2007 a uma tentativa de envenenamento quando vivia no Surrey. O volume inclui dezenas de fotografias e uma minúcia informativa pouco comum em obras do género. Da bibliografia de Macintyre constam livros sobre (entre outros) Eddie Chapman, o famoso agente Zigzag, e Kim Philby, o mítico espião britânico oriundo do grupo de Cambridge que desertou para Moscovo em 1963.

Se gosta de thrillers, este tem a vantagem de ser sobre factos verídicos.

sexta-feira, 12 de julho de 2019

EUROSONDAGEM


PS sozinho obtém mais do que a PAF [PSD+CDS]. PSD fica 15 pontos abaixo do PS.

Maioria de Esquerda = 57% 

PAN igual ao CDS, que cai quase para metade.

Clique na imagem do Expresso.

quinta-feira, 11 de julho de 2019

CESARINY BIOGRAFADO


Hoje na Sábado escrevo sobre O Triângulo Mágico, a biografia de Mário Cesariny escrita por António Cândido Franco, professor de linguistica e literatura na Universidade de Évora. Biógrafo de Agostinho da Silva, autor de romances histórico-biográficos, estudioso do surrealismo, especialista em Pascoaes e editor da revista libertária A Ideia, Franco encarregou-se de fazer a tão esperada biografia de Cesariny, poeta e pintor, nome maior do surrealismo português.

O volume inclui quadro genealógico, Portaló, doze capítulos, um epílogo, vários anexos, portfolio fotográfico, índice de abreviaturas e uma extensa tábua bibliográfica activa e passiva. Franco, que conheceu pessoalmente o seu biografado, teve acesso a importantes acervos de correspondência (sendo o mais importante o do artista plástico Cruzeiro Seixas), tendo conversado com testemunhas idóneas do percurso de Cesariny. Índice onomástico não há. O texto acompanha a cronologia, mas tem múltiplas derivas. Muito bem documentada toda a história do Grupo Surrealista de Lisboa.

Numa narrativa de cunho próprio, isenta de hagiografia, Franco não deixa de fora nenhum dado importante: nascimento (1923) na Rua da Palma, brevíssima passagem pelo liceu, início da amizade (1935) com Cruzeiro Seixas, passagem pela Escola António Arroio, estudos de música com Lopes Graça, primícias literárias (1944) à boleia do neo-realismo, amizade com Isabel Meyrelles, descoberta (1947) do surrealismo, o Café Gelo, primeiros quadros e colagens, ruptura (1948) com O’Neill e o Grupo Surrealista de Lisboa, estreia em livro — Corpo Visível, 1950 —, morte do amigo António Maria Lisboa, anos de liberdade vigiada (1953-58) pela polícia a pretexto da condição homossexual, primeira exposição individual em Lisboa (1958), cumplicidade electiva com Natália Correia, publicação de Nobilíssima Visão (escrito em 1945 mas só publicado em 1959), diatribes de e com Jorge de Sena e Gastão Cruz, elogios de Gaspar Simões, amizade com Maria Helena Vieira da Silva e Árpád Szenes, bolseiro da Gulbenkian, viagem a Paris (onde esteve preso) e largas estadias em Londres a partir de 1964, zanga com Luiz Pacheco, organização da representação nacional à Exposição Surrealista Mundial de Chicago (1976), visita à Pirâmide do Sol em Teotihuacan, tença por mérito cultural atribuída pelo Estado, publicação do volume antológico Textos de Afirmação e de Combate do Movimento Surrealista Mundial (1977), tentativa gorada de obter o lugar de adido cultural na embaixada de Portugal na Cidade do México por alegado veto do embaixador José Fernandes Fafe, suicídio de Ricarte-Dácio (1995), republicação sistemática da obra pela Assírio & Alvim, Grande Prémio de Arte da Fundação EDP (2005), Grã-Cruz da Ordem da Liberdade, cancro, morte (2006) e a surpresa do testamento: espólio artístico para a Fundação Cupertino de Miranda, mais de um milhão de euros em dinheiro vivo para a Casa Pia de Lisboa.

Entre outros, O Triângulo Mágico tem o mérito de deixar claro o motivo pelo qual um poeta com obra de tal envergadura nunca recebeu um prémio literário. Verdade que, num gesto simbólico, a Associação Portuguesa de Escritores lhe atribuiu, praticamente no leito de morte, o Grande Prémio Vida Literária. Tudo o afastava do establishment literário: de origem proletária, refractário aos salões bem pensantes, viveu de costas voltadas para a Academia, fez apostasia com o neo-realismo, teve problemas com a polícia de costumes, escreveu em jornais de Direita (O Dia, Jornal Novo, O Diabo) contra os militares e a Esquerda marxista, insultou gente influente e, pecado maior, nunca escondeu a sua predilecção por marujos. Valeram-lhe os amigos, sobretudo Cruzeiro Seixas, mesmo durante a longa ausência deste em Angola; Ricarte-Dácio, generoso mecenas dos anos de Londres; Alberto de Lacerda, a quem ficou a dever o conhecimento da capital britânica e, por arresto, contactos preciosos; Helder Macedo e Luís Amorim de Sousa, anfitriões das escapadas inglesas — a sequência de Poemas de Londres contém alguns dos melhores poemas que escreveu —; e, já no fim da vida, Manuel Hermínio Monteiro e Manuel Rosa. Poderá não ser a biografia definitiva, mas não pode ser ignorada. Quatro estrelas. Publicou a Quetzal.

quarta-feira, 10 de julho de 2019

IRLANDA DO NORTE MAIS LIVRE

Por 383 votos a favor e 73 contra, o Parlamento britânico aprovou ontem o casamento entre pessoas do mesmo sexo na Irlanda do Norte.

E por 332 a favor e 99 contra, a interrupção voluntária da gravidez. Nada disto era possível na Irlanda do Norte. O aborto até podia ser punido com prisão perpétua.

As duas votações foram livres, isto é, autónomas da disciplina parlamentar.

Entretanto, Westminster estuda a possibilidade de alargar as civil partnerships (uniões de facto) aos casais heterossexuais.

RACISMO É CRIME

Nos termos do alínea b) do n.º 2 do artigo 240.º do Código Penal, a associação SOS Racismo vai apresentar hoje ao Ministério Público uma queixa-crime contra a historiadora Maria de Fátima Bonifácio.

«O racismo é crime, não é uma opinião. E o texto de Fátima Bonifácio é um manifesto racista!», sublinha o comunicado da SOS Racismo.

Afirmações de MFB que estão na origem da queixa-crime:

— os “ciganos” e os “africanos” não pertencem a uma “entidade civilizacional” que a autora denomina de “cristandade”

— os “ciganos” e os “africanos” não “descendem” da Declaração Universal do Direitos do Homem

— os ciganos são “inassimiláveis”

— os ciganos manifestam “comportamentos disfuncionais” incompatíveis com as “regras básicas de civismo”

— os ciganos forçam as suas adolescentes ao abandono escolar e ao casamento

— os “africanos e afrodescendentes” são “abertamente racistas” e “detestam-se” entre si e aos ciganos.

segunda-feira, 8 de julho de 2019

O CARTOON DE MFB

O artigo que Maria de Fátima Bonifácio publicou anteontem no Público é execrável. Ponto. Sobre isso estamos conversados.

A indignação nacional vazada nas redes sociais — e o editorial de Manuel Carvalho, director do jornal — dão a medida da heresia.

Mas verifico com espanto que o direito à liberdade de expressão irrestrita deixou de estar em pauta. Vamos ver porquê.

Lembram-se da polémica internacional provocada pela publicação, a 30 de Setembro de 2005, de doze caricaturas de Maomé no jornal dinamarquês Jyllands-Posten? O jornal reivindicava o direito a «desafiar, blasfemar e humilhar o Islão...».

Em Janeiro de 2006, tablóides noruegueses, suíços, franceses, espanhóis, italianos, húngaros e polacos solidarizaram-se com o jornal dinamarquês, publicando alguns desses cartoons. Em Fevereiro, o Die Welt, o El País e o Monde, três jornais de referência, aderiram discretamente à cruzada. Em Portugal, pelo menos dois jornais, o Público e o Expresso, fizeram o mesmo, demarcando-se ambos, em editorial, da afronta anti-Islão. Em França, o proprietário do France Soir despediu o editor do jornal. O mundo de língua inglesa ignorou o assunto.

Por que razão o Jyllands-Posten publicou os doze cartoons? Porque um dinamarquês de nome Kaare Bluitgen, conhecido pela sua islamofobia, escreveu um livro sobre a vida de Maomé, destinado às crianças e juventude, onde apresenta o profeta como pedófilo e criminoso de guerra. Nenhum desenhador quis ilustrar a obra e Bluitgen queixou-se do facto. Vai daí, o Jyllands-Posten, jornal popular de grande circulação, deu eco às queixas, convidando 40 caricaturistas a fazer cartoons de Maomé. Doze aceitaram. Deu no que deu.

A tranquibérnia durou mais de um ano: crise diplomática entre a Dinamarca e o mundo árabe (reunião da Liga e da Conferência Islâmica, embaixadores retirados de Copenhaga), embaixada da Dinamarca em Beirute destruída, embaixadas da Dinamarca e da Noruega vandalizadas e incendiadas em Damasco, ataques a igrejas católicas, atentados contra diplomatas, etc., saldou-se em mais de duzentos mortos. Ao pé disso, os ataques ao Charlie Hebdo, em 2011 e 2015, embora letais, não levaram tão longe a discussão da liberdade de expressão irrestrita.

Com os blogues no auge em Setembro de 2005, as discussões foram homéricas. Nove em cada dez bloggers defendiam a tese da liberdade de expressão irrestrita. Fui dos poucos a contrariar a tese, o que me valeu insultos, mal-entendidos e cortes de relações. Continuo a pensar como pensava.

Na época, dei como exemplo: «Se, por hipótese, em vez do livro sobre Maomé, o sr. Bluitgen tivesse publicado uma versão do Kama Sutra em que a figura da rainha da Dinamarca fosse o móbil, o coro solidário atingia estas proporções?» O post é de 4 de Fevereiro de 2006, e pode ser lido no meu livro de crónicas Intriga em Família, de 2007.

Dito de outro modo: há causas boas e más. Ainda bem. O argumento da liberdade de expressão irrestrita é que se mantém maleável em matéria de pesos e medidas.

MITSOTAKIS ABSOLUTO


Com maioria absoluta, Mitsotakis é o novo primeiro-ministro grego.

Entretanto, os neo-nazis da Estrela Dourada perderam representação parlamentar, uma vez que não conseguiram o score mínimo de 3% para entrar.

Mas em seu lugar entraram dez deputados da Solução Grega, partido de extrema-direita apoiado pela igreja ortodoxa, que em Maio elegeu deputados para o Parlamento Europeu.

Clique no gráfico de El País.

domingo, 7 de julho de 2019

GRÉCIA


Uma sondagem à boca das urnas feita após as eleições de hoje, dá a vitória, com maioria folgada, previsivelmente absoluta, ao partido Nova Democracia (centro-direita), actualmente liderado por Kyriakos Mitsotakis, 51 anos, antigo banqueiro, deputado desde 2004.

Mitsotakis é filho do antigo primeiro-ministro Konstantinos Mitsotakis.

O Syriza de Tsipras ficaria em segundo lugar, a uma distância de doze pontos.

Clique no gráfico do Guardian.

sexta-feira, 5 de julho de 2019

CIRCULAR CHUMBADA


Com a abstenção do PS, e o voto favorável de todos os partidos, o Parlamento chumbou hoje a construção da linha do Metro que ligaria o Rato ao Cais do Sodré, com estações na Estrela e em Santos.

Em vez disso, os deputados preferem dois prolongamentos diferentes:

— ligação do Areeiro a Braço de Prata, com estações em Chelas e Marvila.

— ligação de Sete Rios a Alcântara, com estação intermédia em Campolide.

A mim continua a fazer-me confusão o desinteresse por Campo de Ourique, que nunca constou de plano nenhum.

Clique na imagem para ver o detalhe.

quinta-feira, 4 de julho de 2019

MENASSE & VENTRELLA


Hoje na Sábado escrevo sobre A Capital, do austríaco Robert Menasse (n. 1954), vencedor do Prémio Livro Alemão em 2017. Nascido no seio de uma família judaica, autor de uma obra muito extensa, na ficção e no ensaio, fez agora a sua estreia na edição portuguesa com este romance bem esgalhado sobre o modus operandi da Comissão Europeia. Para o escrever, Menasse instalou-se em Bruxelas, onde passou seis anos a “espremer” altos funcionários da UE — os énarques e os outros —, a consultar arquivos e a ler documentação de índole diversa, em especial os tratados de Maastricht, Schengen e Lisboa. Também estudou os mecanismos de funcionamento da Comissão, enquanto investigava as rotinas e a vida pessoal dos funcionários do edifício Berlaymont, sobretudo os da direcção-geral de Educação e Cultura, um departamento sem dinheiro ou qualquer espécie de influência. A partir daí, ficcionou o ‘Big Jubilee Project’ que teria por objecto colocar as memórias de Auschwitz no centro das comemorações do 50.º aniversário do Tratado de Roma. Misturar o Holocausto com a burocracia transnacional europeia («as nações, as identidades nacionais, tudo isso passou ali a ser uma noção sem efeito») parece-me uma metáfora excessiva, mas temos de a levar à conta de sarcasmo. O mesmo se diga do modo como evoca Musil e O Homem sem Qualidades. Menasse coreografa bem as personagens que decidem a vida dos europeus. Bem vista as coisas, são todos iguais: alemães, gregos, franceses ou húngaros. Os episódios pícaros matizam a narrativa, e têm eficácia instrumental, mas prevalece o juízo reticente. Sirva de exemplo a síntese da adesão austríaca: «A Áustria aderira à UE e durante bastante tempo os representantes dos interesses nacionais não entenderam que lhes fora montada uma armadilha.» Nada que não tivesse dito num livro de 2012 sobre “a fúria” dos europeus. Doravante, ninguém poderá dizer que a União Europeia não inspirou o guião de uma ópera bufa que nem sequer deixa de fora o consabido conflito Norte/Sul, ilustrado pelas divergências entre o presidente da Comissão Europeia e o presidente do Conselho Europeu, homens de nacionalidades diferentes e culturas antagónicas. Quatro estrelas. Publicou a Dom Quixote.

Escrevo ainda sobre História de Uma Família Decente, da italiana Rosa Ventrella. Quem gosta do universo ficcional de Elena Ferrante vai com certeza apreciar esta saga. Não confundir universo ficcional com registo semântico. Em vez de Nápoles, Bari, também no Sul miserável de Itália, mas na outra costa. A Apúlia não é a Campânia, embora os problemas sejam os mesmos. Infelizmente, os desapossados das margens são iguais em toda a parte. Ventrella usa o discurso, sempre fluente, para dar voz às mulheres. Maria, por exemplo. Tem 12 anos, conhecem-na por Malacarne, ferrete da avó Antonietta, e todos os dias sofre o abuso da pobreza. Em plena sala de aula, Pasquale não hesita: «Com a altura que tens estás mesmo a jeito para me abocanhares a pichota.» O trivial, naquele bairro. A tradição tem muita força (eram os anos 1980) e os mais fracos submetem-se à opressão. Romance de formação e, de certo modo, de redenção social, História de Uma Família Decente é uma grata surpresa. Quatro estrelas. Publicou a Dom Quixote.

quarta-feira, 3 de julho de 2019

O ESSENCIAL

A Direita e a a extrema-direita não têm grandes razões para andarem satisfeitas.

Com o veto à nomeação de Frans Timmermans, o Grupo de Visegrado aqueceu-lhes a alma. Mas a realidade crua é esta: não conseguiram pôr Manfred Weber, líder do PPE, a presidir à Comissão Europeia, nem Jens Weidmann, presidente do Bundesbank, a presidir ao Banco Central Europeu.

Chama-se a isto uma derrota em toda a linha.

Portanto, não vale a pena chorar sobre o leite derramado. As escolhas foram cinzentas? Talvez. Mas os falcões foram travados.

UM PORTUGUÊS NA VICE-PRESIDÊNCIA

O Parlamento Europeu tem 14 vice-presidentes. Catorze. É obra! Resta-nos a consolação de saber que um dos eleitos é português, o socialista Pedro Silva Pereira.

E, com 557 votos, foi o segundo mais votado dos catorze. Só a irlandesa Mairead McGuiness lhe passou à frente, com 618 votos.

ITÁLIA GANHA PE


Por 345 contra 322 votos, o jornalista italiano David-Maria Sassoli, 63 anos, membro do Partito Democratico (centro-esquerda), foi esta manhã eleito Presidente do Parlamento Europeu. Houve 37 votos brancos e nulos. A vitória chegou à segunda volta: na primeira, Sassoli obtivera apenas 325.

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terça-feira, 2 de julho de 2019

PM BELGA NO CONSELHO EUROPEU


Charles Michel, 43 anos, membro do partido liberal Mouvement Réformateur, primeiro ministro-belga em exercício (mas demissionário há sete meses), foi escolhido pelos 28 para substituir Donald Tusk como Presidente do Conselho Europeu.

Tal como acontecerá com Ursula von der Leyen, escolhida para substituir Juncker como Presidente da Comissão Europeia, também Charles Michel terá de ver a sua escolha confirmada pelo Parlamento Europeu.

Terá sido para esse lugar que António Costa estava convidado, mas recusou, porque o seu compromisso é com Portugal. Há muito que os rumores circulavam, mas só ontem o primeiro-ministro confirmou a existência do convite para um lugar de topo.

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URSULA


Ursula von der Leyen, 60 anos, oriunda de uma família aristocrática, médica, ministra alemã da Defesa, democrata-cristã, foi escolhida pelos 28 para substituir Jean-Claude Juncker como Presidente da Comissão Europeia. Será a primeira vez que uma mulher ocupa o cargo.

É filha de um antigo director-geral da Comissão, actual ministro-presidente da Baixa Saxónia.

Membro da CDU desde 1990, antiga ministra de Estado, tem larga experiência governativa nas áreas da Defesa, Trabalho, Segurança Social, Família e Juventude.

Natural de Bruxelas, Ursula é casada com um professor de medicina que também é CEO de uma empresa de engenharia médica. O casal tem sete filhos.

Depois do veto do Grupo de Visegrado (Eslováquia, Hungria, Polónia, República Checa) à nomeação do social-democrata Frans Timmermans, Ursula foi a solução.

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LAGARDE NO BCE


Christine Lagarde, 63 anos, francesa, advogada, directora executiva do Fundo Monetário Internacional, foi escolhida pelos 28 para substituir Mario Draghi como presidente do Banco Central Europeu.

Madame Lagarde foi três vezes ministra: Comércio Externo, Agricultura, Economia.

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ANDRÉ CALDAS NA OPART


André Caldas é o novo presidente da OPART, a empresa que gere o São Carlos e a Companhia Nacional de Bailado. A sua equipa inclui a violinista Anne Vitorino d'Almeida e o economista Alexandre Miguel Santos.

André Caldas, advogado e mestre em História do Direito, é docente da Faculdade de Direito da Universidade de Lisboa.

Até hoje, ocupou as funções de chefe de gabinete de Mário Centeno (estava no cargo desde 2015). Na área da Cultura, passou pela direcção da Associação Musical Lisboa Cantat (2001-03), a cujo coro sinfónico pertenceu. E foi ainda um excelente presidente da Junta de Freguesia de Alvalade, cargo que abandonou para ocupar a tempo inteiro o lugar no gabinete do ministro das Finanças.

O facto de sermos amigos não me inibe de manifestar publicamente satisfeito com esta nomeação.

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sábado, 29 de junho de 2019

STONEWALL, 50 ANOS


Para a maioria das pessoas, os motins de Stonewall não dizem nada. Mas foi com eles que nasceu a cultura gay, hoje estudada em todas as universidades que se prezam.

Resumidamente: faz agora 50 anos que os motins de Stonewall mudaram tudo. Começaram no dia do funeral de Judy Garland — 27 de Junho de 1969 —, ícone da comunidade gay, falecida em Londres mas trasladada para a América, ocasião para centenas de homossexuais levarem o caos a Greenwich Village, um bairro de Nova Iorque.

Durante três dias consecutivos, entre 27 e 29 de Junho, homens e mulheres fizeram frente ao assédio moral e à reiterada prática de chantagem da polícia, fazendo ver à sociedade americana, e em especial às autoridades, que uma democracia não pode permitir que uns sejam mais iguais do que outros. O ponto de partida das hostilidades foi o bar gay Stonewall Inn, em Christopher Street. Nunca mais nada foi como dantes.

A literatura sobre homossexualidade tem mais de três mil anos: o saco sem fundo da antiguidade clássica, os poetas da antologia grega (onde Safo tem lugar cativo), as contribuições de Homero, Virgílio e Petrónio, o Épico de Gilgamesh, epítome do amor viril, as estrofes espirituais de São João da Cruz, os poetas do Islão, desde o tempo em que as fronteiras do Islão chegavam a Silves, os poetas chineses Hsü Ling e Wu Chün, a decantada Chanson de Roland, os poetas turcos e persas dos divã — fonte do Westöstlicher Divan de Goethe, tal como do Diván del Tamarit de Lorca —, os infernos de Rimbaud e Verlaine, os estudos precursores de John Addington Symonds, Edward Carpenter e Henry Havelock Ellis e, naturalmente, as obras centrais de Whitman, Kavafis, Wilde, Gide, Botto, Gunn e muitos outros.

Contudo, ia ser necessária uma década de intervalo para que pudesse irromper e afirmar-se publicamente uma verdadeira geração de escritores gay pós-Stonewall. É o caso do grupo do Violet Quill Club, de que fazem parte, entre outros, Edmund White, Andrew Holleran e Felice Picano. É a partir daí que nasce a cultura gay. Para uma perspectiva de conjunto, ver The Violet Quill Reader (1994). A cultura gay distingue-se por afirmar a sua condição política sem recurso às madalenas de Proust.

A partir daqui parece-me fútil perguntar das razões das marchas do orgulho gay, iniciadas em 1970, em Nova Iorque, e hoje realizadas em mais de 60 países (em Portugal começaram em 2000). Mandela, por exemplo, participou numa das marchas sul-africanas. A mim, o que me faz confusão, é o défice de políticos e personalidades públicas portugueses capazes de darem a cara.

Na imagem, o livro editado em 1994 por David Bergman (na St Martin Press) sobre a emergência da literatura gay pós-Stonewall. Clique.

sexta-feira, 28 de junho de 2019

HÉLIA CORREIA


Com Um Bailarino na Batalha (2018), Hélia Correia venceu o Grande Prémio de Romance e Novela da Associação Portuguesa de Escritores.

Recorde-se que a autora recebeu em 2015 o Prémio Camões.

Nascida em Fevereiro de 1949, Hélia Correia é autora de doze romances, duas novelas, uma colectânea de contos, dois livros de poesia, cinco peças de teatro e um livro de histórias infantis.

Constituído por Clara Rocha, Cristina Robalo Cordeiro, Fernando Pinto do Amaral, Maria de Lurdes Sampaio, Salvato Teles de Menezes e, em representação da APE, José Manuel de Vasconcelos, o júri deliberou por unanimidade.

Parabéns, Hélia!

Clique na imagem.

quinta-feira, 27 de junho de 2019

QUE SE PASSA COM MERKEL?


Fiquei muito impressionado ao ver o tremor violento que acometeu Angela Merkel esta manhã, durante a posse (conferida pelo presidente Frank-Walter Steinmeier) da nova ministra alemã da Justiça.

No espaço de onze dias, é a segunda vez que tal acontece em público. Algo de grave se passa com a saúde da Chanceler.

Na imagem, Merkel já tem os braços cruzados. Neste momento vai a caminho de Osaka para a Cimeira do G20.

Clique na imagem da CNN.