O Paulo Gorjão voltou a ter blogue em nome próprio, o
Vox Pop. Congratulo-me com o facto. Pergunta ele: «
Olho para o que foi feito por José Sócrates desde 2005 e dou comigo a pensar: muito concretamente, a maioria absoluta foi essencial para a concretização de que medidas estruturais?» Sem pretender ser exaustivo, lembro algumas com variado grau estruturante:
— Início da consolidação orçamental;
— Acentuadas limitações no exercício de cargos públicos: limite dos mandatos dos autarcas, impossibilidade de acumular pensões, nova fórmula nas aposentações dos deputados, etc.;
— Reforma da Segurança Social;
— Novo Código do Trabalho, apesar do PCP e do BE;
— Nova regulamentação do Código de Processo Penal;
— Alteração profunda da Lei da Nacionalidade;
— Nova Lei das Finanças Locais;
— Processo de avaliação dos docentes do ensino básico, preparatório e secundário, medida que levou 100 mil pessoas à rua, num protesto apoiado pelo PCP, o BE e o PSD;
— Início da reforma do SNS, que acabou com a demissão, aplaudida também pelo PSD, de Correia de Campos;
— Extinção dos subsistemas corporativos na Saúde para magistrados, militares e polícias, com protesto compreensível dos visados, e desaprovação enfática do PSD;
— Início da reforma da administração pública, apesar do PCP e do BE, e do protesto do PSD às segundas, quartas e sextas (nos outros dias o PSD abstém-se);
— Novo Estatuto do Ensino Superior;
— Lei da Procriação Médica Assistida, apesar do PSD e do CDS-PP;
— Lei do Aborto, apesar do PSD e do CDS-PP;
— Lei do Tabaco;
— Liberalização do comércio farmacêutico.
Cito de cor, e sem hierarquia valorativa. Posso mesmo estar a esquecer uma que outra medida importante. É pouco? É mais do que fizeram todos os governos desde 1974. Portanto, a questão é: sem maioria absoluta, qual destas medidas teria sido aprovada?