Sexta-feira, Setembro 30, 2011

ISALTINAR


Isaltino Morais esteve preso 24 horas porque um juiz queria ficar na história. O autarca foi detido ontem no momento em que, no âmbito do 250.º aniversário do Foral de Oeiras, se preparava para inaugurar o “conjunto escultórico” de Pedro Cabrita Reis que vemos na imagem.

A prisão foi ilegal: Isaltino tem pendente no Tribunal Constitucional um recurso de efeitos suspensivos. Hoje, o Tribunal de Oeiras decretou a libertação imediata de Isaltino com base no princípio in dubio pro reo. O autarca abandonou a prisão da PJ pouco antes das 19h. A frase mais ouvida é: Estragaram o fim-de-semana ao Marques Mendes.

A título de curiosidade, refira-se que o “conjunto escultórico” de Pedro Cabrita Reis custou, e vou citar David Justino, assessor do Presidente da República, perto de dois milhões de euros, somando o cachet do artista (1.250.000 euros) com o IVA respectivo, mais o «custo do arranjo do espaço ajardinado que está a ser feito pelos funcionários da Câmara Municipal de Oeiras...» Pornografia pura, diz Justino.

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ISTO DAVA UM FILME


A revista Sábado que ontem chegou às bancas dedica oito páginas a Duarte Lima, desde o tempo em que, órfão de pai aos 11 anos, ajudava a mãe a vender peixe em Miranda do Douro. À beira de completar 56 anos (Novembro), Duarte Lima tornou-se um homem imensamente rico. A investigação de António José Vilela e Maria Henrique Espada está recheada de detalhes picantes. Na sua casa da Av Visconde de Valmor, em Lisboa, Duarte Lima dava jantares impressionantes, confeccionados in situ por Luís Suspiro; no fim do ágape, o chef vinha à sala explicar aos convidados  —  entre outros, Manuel Maria Carrilho, Ricardo Salgado, João Rendeiro, Horácio Roque, Adriano Moreira e José Sócrates  —  a génese das suas criações. Ângelo Correia, que o lançou na política em 1981, nunca foi convidado para esses jantares. O andar da Visconde de Valmor foi decorado por Graça Viterbo: a decoradora cobrou 705 mil euros. Quando entrou para a Universidade Católica, graças a uma bolsa que o isentou das propinas, foi ignorado pelos colegas: era pobre, vestia-se mal e vinha da província. Só Margarida Marante se aproximou dele. Duarte Lima oferecia-lhe alheiras confeccionadas pela mãe. Em 1980 já era maestro do coro da Católica. Pacheco Pereira e Santana Lopes assistiam embevecidos aos seus concertos de órgão. O estágio de advocacia foi feito no escritório do socialista José Lamego, então casado com Assunção Esteves, actual presidenta da AR. O primeiro casamento (1982) foi celebrado pelo bispo de Bragança. Em 1983 chegou a deputado e, em 1991, a líder parlamentar e vice-presidente do PSD. Nos anos 1980-90 era das poucas pessoas a quem Cavaco atendia o telefone a qualquer hora. Até que, em 1994, o Indy, então dirigido por Paulo Portas, obrigou o Ministério Público a investigar as suas contas. Demitiu-se de cargos políticos e aguardou a conclusão do processo. Com o assunto arrumado, candidatou-se em 1998 à Distrital de Lisboa do PSD. Ganhou, derrotanto Passos Coelho e Pacheco Pereira. A leucemia afastou-o do cargo. Volta ao Parlamento por dois mandatos: 1999-2002 e 2005-2009. Segundo a revista, Duarte Lima depositou nas suas contas, entre 1986 e 1994, mais de cinco milhões de euros, parte considerável (25%) em cash. É membro da Comissão de Ética do Instituto de Oncologia de Lisboa e fundou a Associação Portuguesa Contra a Leucemia. Agora é o principal suspeito do assassinato de Rosalina Ribeiro.

Nada disto me impressiona, excepto o facto de Duarte Lima ter obtido do BPN, em 2008, pouco antes da nacionalização do banco, um empréstimo de 6,6 milhões de euros, «contraído sem a apresentação de qualquer garantia». O affaire Duarte Lima é um caso de polícia. Mas o affaire BPN, sendo também um caso de polícia, é sobretudo um assunto de Estado. E nenhum jornal ou revista investiu ainda o bastante para o dilucidar.

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TSU OR NOT TSU


Estamos todos lembrados: o PSD sustentou a campanha eleitoral no efeito mágico da redução da taxa social única. Sócrates explicou que era um disparate. Passos Coelho fez dela o avatar que transformaria Portugal no Camelot da pós-modernidade. Iluminados do economês andaram semanas a fio a disputar a primazia do ponto G. 3 pontos / 9 pontos / 12 pontos. Fartos de aturar Catroga, os técnicos da Troika compraram o item. O PSD ganhou as eleições. O governo de Passos tomou posse a 21 de Junho. Amanhã é Outubro e ninguém sabe onde pára a TSU. A descida da taxa social única deu o que tinha a dar. Ainda bem. Os patrões iam empochar e os trabalhadores hipotecar o seu futuro. Não contanto já com os efeitos colaterais da desorbitagem do IVA. Enfim, o i explica hoje o que está previsto fazer para não mexer na TSU.

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DIA DA VERGONHA


Hoje é o dia da vergonha. Não é preciso explicar porquê. Ou é?

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CITAÇÃO, 378


Vasco Pulido Valente, Os 100 dias, hoje no Público. Excertos, sublinhado meu:

«Esta semana toda a gente se ocupou dos primeiros 100 dias do Governo. [...] O que não se viu ainda foi um plano de reforma coerente, claro e compreensível. Não há um plano para a reforma da administração central, não há um plano para a reforma da administração local, não há um plano para a reforma do sector empresarial do Estado, não há um plano para a reforma da Saúde. Não há um plano para nada. [...] Parece uma caçada aos pardais. [...] O ministro das Finanças, com o seu pequeno ar de contabilista melancólico, não chega a ninguém. [...] E o sr. ministro Relvas, sem qualquer autoridade que o país reconheça, ocupa quase sozinho o palco, e gesticula e berra, provavelmente sem consequência. [...]

Passos Coelho é um homem
[...] à procura do compromisso e da “unidade”. E um homem hesitante à procura de firmeza e respeito. É muito capaz de perder pelos dois lados.»

[Imagem: Público, foto de François Lenoir.]

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Quinta-feira, Setembro 29, 2011

TOCAR RABECÃO


O novo Museu dos Coches insere-se numa vasta área de intervenção da Frente Tejo que inclui a requalificação do Jardim Tropical e dos jardins do Palácio de Belém, o remate da fachada poente do Palácio Nacional da Ajuda, a instalação da Escola Portuguesa de Arte Equestre, bem como a revalorização integrada de toda a zona ribeirinha de Lisboa. O edifício do novo Museus dos Coches estará levantado do chão, assente em pilares de 4,5 metros, dando assim origem a uma praça de 12 mil metros quadrados.

A Frente Tejo foi criada em 2008, sendo a sua extinção uma prioridade de Miguel Relvas.

O ministro da Propaganda fez saber que o edifício (em fase adiantada de construção) do novo Museu dos Coches deveria abrigar, não os coches, mas um museu da Expansão... É deveras anedótico ver o ministro da Propaganda recuperar a ideia peregrina de Isabel Pires de Lima. A antiga ministra da Cultura não conseguiu impor o projecto de instalar o Museu Mar da Língua (sic) no barracão onde há 70 anos funcionou o Museu de Arte Popular, mas está a um passo de ser vingada por Relvas.


Esperamos todos que António Costa, presidente da Câmara de Lisboa, troque as voltas ao disparate. Esperam alguns, eu incluído, que Francisco José Viegas, secretário de Estado da Cultura, faça ouvir a sua voz.

O arquitecto brasileiro Paulo Mendes da Rocha (n. 1928), Prémio Pritzker em 2006, autor do projecto do novo Museu dos Coches, não comenta. É supérfluo acrescentar que o picadeiro de Belém não permite exibir a totalidade dos 80 coches do espólio. Não obstante, continua a ser o museu mais visitado do país. A mudança de finalidade do edifício em construção acarretaria grandes e onerosas alterações. Mas o que é isso ao pé da vaidade e do quero & posso do ministro da propaganda?

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CHRISTOS TSIOLKAS


Hoje na Sábado escrevo sobre A Bofetada, romance do australiano de origem grega Christos Tsiolkas (n. 1965), vencedor do Commonwealth Prize 2009. A Bofetada é narrado a várias vozes, tendo cada personagem direito a capítulo autónomo. Um melting pot de idiossincrasias étnicas, sexo, mentiras, crianças, xenofobia, tabaco, álcool, anfetaminas, etc. Com acção centrada em Melbourne, o romance desconstrói o padrão de sucesso australiano.

Escrevo ainda sobre V., romance de estreia de Thomas Pynchon (n. 1937), autor de culto de várias gerações. Pynchon é considerado o predecessor de gente tão diferente como, entre outros, Don DeLillo, Salman Rushdie e David Foster Wallace. V. foi publicado em 1963 e traduzido em Portugal em 1989. Essa tradução de Rui Vanon foi substituída por outra, de Salvato Telles de Menezes, que a Bertrand acaba de fazer chegar às livrarias. A sobrecarga de referentes culturais é imensa, mas o leitor comum deve alhear-se da arqueologia hermenêutica. É isso o prazer do texto.

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Quarta-feira, Setembro 28, 2011

A VIGARICE


Depois de amanhã, Dia do Diploma, os melhores alunos do ensino secundário iam receber o Prémio de Mérito. Um diploma e um cheque de 500 euros. Iam mas já não vão. Crato mandou cancelar o prémio. Ontem. A medida afecta alunos das regiões Norte, Centro, Lisboa e Vale do Tejo. Os directores das escolas foram apanhados de surpresa. Seria a 4.ª vez que o prémio seria atribuído. Pormenor curioso: a medida era conhecida em Coimbra desde o passado dia 14.

Murro no estômago, considera a Confederação Nacional das Associações de Pais. Como as cerimónias do Dia do Diploma vão ter lugar nos termos em que estavam previstas, embora sem prémio, professores, pais e alunos têm uma oportunidade de dizer o que pensam da vigarice. Ou esgotaram a indignação na fronda contra Maria de Lourdes Rodrigues?

Adenda. Uma leitora deste post no Facebook: «Uma vergonha [...] Podiam ter poupado na comitiva do Cavaco aos Açores para dar 500 euros a 100 miudos do país

Lapidar. José Medeiros Ferreira: «Assim se ajuda a desfazer o espírito do Estado de Direito

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Terça-feira, Setembro 27, 2011

CITAÇÃO, 377


José Vítor Malheiros, Um país ocupado, hoje no Público. Excertos, sublinhado meu:

«É espantoso como, no espaço de poucos meses, tanta coisa mudou. Não só nas nossas expectativas mas, principalmente, nas nossas atitudes. [...] Isto não é uma crise porque não estamos a corrigir nada do que nos trouxe até aqui. Isto não é uma crise porque não é um sacrifício que estejamos a fazer em nome do futuro. Isto é algo que estamos a ser obrigados a reviver em nome do passado. Isto é apenas o regresso do passado, a vitória do que julgámos vencido mas regressou da tumba. Esta é uma vingança do passado, por nos termos preocupado tanto com o presente que nos esquecemos do futuro. Isto é uma ocupação.

Uma ocupação com muito mais colaboracionistas que resistentes
[...] Colaboracionistas maravilhados com a pujança física do ocupante, com a sua filosofia hegemonista, com a sua musculada e sadia visão do mundo, com um mundo de eficiência e sem parasitas [...] e com total obediência aos chefes e ao serviço dos mais ricos. [...]»

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O EMBUSTE


Em resultado do chumbo do PEC IV, o governo português, chefiado por Sócrates, viu-se obrigado a pedir o resgate da dívida pública. Após negociações em que participaram o Banco de Portugal, PS, PSD, CDS-PP, todas as confederações patronais, CGTP, UGT, Ordens, Illuminati de vária índole, Deco e grupos de pressão avulsos (senhorios, ensino privado, etc.), foi assinado no passado 11 de Maio um Memorando de Entendimento com a Comissão Europeia, o Banco Central Europeu e o FMI. A isto convencionou chamar-se Acordo da Troika. Não tem mal que os media tenham adoptado essa designação.

Isto foi a votos, tendo ganho o PSD. Porém, todos os dias, ministros e secretários de Estado repetem ad nauseam estar a cumprir as exigências da Troika. Não é verdade. O governo de Passos Coelho está a tentar cumprir o programa com que se apresentou a votos, dando todos os indícios (antes e durante a campanha) de que Catroga seria chanceler do Tesouro. Estão com certeza recordados que foi ele o chefe da equipa do PSD, co-autor, mais pintelho menos pintelho, do texto final do Memorando. Catroga seria descartado na primeira oportunidade, mas foi à boleia desse embuste que muita gente votou PSD. Sabe-se hoje que o resgate foi mal negociado; Silva Lopes, Daniel Bessa, Medina Carreira e outros já explicaram porquê.

A subserviência reiterada (consta do Memorando, a Troika exige, etc.) de governantes e deputados é repelente. Isto não exclui algumas criaturas do PS. As eleições de 5 de Junho não se fizeram para eleger uma comissão liquidatária. Mas não passa um dia sem que o governo endosse a governança aos senhores da imagem.

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Segunda-feira, Setembro 26, 2011

E APANHAR ONDE APANHAM AS GALINHAS?


Em entrevista dada ontem à ARD, Merkel defendeu a perda de soberania dos países que não cumpram os critérios de estabilidade. Quem não cumpre tem de ser obrigado a cumprir. Isto, com 75% do eleitorado alemão a reprovar a sua actuação na gestão da crise do euro. Ouça aqui a entrevista.

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Domingo, Setembro 25, 2011

SISMO NA V REPÚBLICA FRANCESA


Pela primeira vez em 53 anos, o PS francês venceu hoje com maioria absoluta as eleições para o Senado. Os socialistas obtiveram mais 24 lugares que o conjunto da direita. Vemos na imagem François Hollande e Martine Aubry, os mais fortes candidatos socialistas às presidenciais de 2012. Um deles vai substituir Sarkozy.

Ler: Pour la première fois depuis 1958, le Sénat bascule à gauche.

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BAILINHO DA MADEIRA


Em 2008, Cavaco Silva «foi à Assembleia Regional da Madeira dizer quatro coisas muito claras: 1.º) que a região é um “caso de sucesso económico e social”; 2.º) que “o desenvolvimento aqui registado deve servir de estímulo para Portugal inteiro”; 3.º) que a Madeira mostra ao País “que é possível fazer melhor”; 4.º) que é “legítimo” que o governo regional exija “mais e melhor da parte das autoridades da República”. [...] No mesmo ano que o Presidente da República apresentava a Madeira como um exemplo para o País...», uma auditoria às autarquias da Região dava conta de «um buraco de 89,1 milhões de euros de encargos assumidos e não pagos.»  —  cf. revista Sábado, Editorial.

Cavaco Silva, que foi primeiro-ministro durante dez anos (1985-1995), e é Presidente da República desde 9 de Março de 2006, nunca leu os relatórios do Tribunal de Contas que há mais de 20 anos publica em Diário da República o montante das “despesas escondidas” da Madeira?

[Imagem: retrato da ilustradora Patrícia Furtado.]

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Sábado, Setembro 24, 2011

CESÁRIA


Um dia, em Nova Iorque, num bar de Tribeca, a voz de Cesária acompanhou-me durante duas horas. Em Paris, em Janeiro de 1993, Vasco Graça Moura escolhia música clássica na Virgin Megastore dos Champs-Elysées (eu procurava L’Orfeo de Monteverdi, na gravação que Philip Pickett fizera com a New London Consort meses antes), mas era a voz de Cesária que cortava o frio da manhã. Nunca a ouvi ao vivo, mas, onde quer que vá, de Medellín a Mykonos, ouço-a no geral silêncio dos seres e das coisas.

Agora parou. Aos 70 anos, o coração fez um pacto com Miss Perfumado. Ficam os discos (o primeiro é de 1965, e não de 1988, como ontem ouvi dizer na televisão; 1988 foi o ano da consagração francesa, trampolim para o vasto mundo), isso basta. Detentora da Légion d’honneur outorgada por Sarkozy em 2009, Cesária tem direito ao repouso. Obrigado, Cesária.

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Sexta-feira, Setembro 23, 2011

PRÉMIO MÁXIMA DE LITERATURA


O Prémio Máxima de Literatura foi hoje atribuído a Os Íntimos, de Inês Pedrosa (n. 1962), directora da Casa Fernando Pessoa. Composto por Maria Helena Mira Mateus, Valter Hugo Mãe, Leonor Xavier e Laura Torres, o júri decidiu por unanimidade. É a segunda vez que Inês Pedrosa recebe o prémio: a 1.ª foi em 1998. O prémio de ensaio foi atribuído a Monarquia Constitucional 1807-1910, da historiadora Maria de Fátima Bonifácio (n. 1948). Parabéns a ambas.

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RUY BELO


Com capa de Pedro Calapez, está na rua o n.º 178 da Colóquio-Letras. Este número é dedicado a Ruy Belo, embora a edição inclua um suplemento (em volume autónomo de 152 páginas) sobre as relações hispano-portuguesas do Siglo de Oro. Sobre o autor de Aquele Grande Rio Eufrates escrevem Carlos Felipe Moisés, Diana Pimentel, Fernando J. B. Martinho, Isabel Morujão, Manuel António Ribeiro, Pedro Eiras e Silvina Rodrigues Lopes. Duas cartas de Ruy Belo, inéditas, uma dirigida a Natércia Freire (em Março de 1964), outra a Nuno Júdice (em Novembro de 1971), completam o dossiê. A de Natércia é reproduzida também em facsimile. Além da homenagem a Ruy Belo, a revista inclui as tradicionais secções de ensaio e recensão crítica, bem como notas & comentários, poesia e crónica. Reproduções de obras de Calapez fazem de cortina entre algumas secções.

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NINGUÉM ESTÁ IMUNE AOS SACRIFÍCIOS


Na sua viagem aos Açores, que termina amanhã, Cavaco Silva fez-se acompanhar da primeira-dama e de uma comitiva de 30 pessoas que inclui o chefe da Casa Civil (e senhora), quatro assessores, dois consultores, doze elementos da Segurança, dois fotógrafos oficiais, um médico pessoal, uma enfermeira, dois bagageiros e um mordomo. Não foi possível confirmar se um dos três elementos por identificar é uma fadista privativa.

Naturalmente, ninguém está imune aos sacrifícios.

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PPC & BIBI TRANCADOS NO QUARTO


Passos Coelho e Paulo Portas estão em Nova Iorque para participar na 66.ª sessão da assembleia-geral das Nações Unidas. O pedido de reconhecimento do Estado palestiniano está na ordem do dia. Portas foi ver o Ground Zero. Passos encontrou-se (ontem) com Benjamin Netanyahu, primeiro-ministro de Israel; hoje terá idêntico encontro com Mahmud Abbas, presidente da Autoridade Palestiniana. OK.

Onde é que a porca torce o rabo? Aqui: o encontro do primeiro-ministro de Portugal com o primeiro-ministro de Israel verificou-se no quarto de hotel onde Bibi está hospedado. No quarto do hotel! Uma hora trancados. O edifício das Nações Unidas não dispõe de salas para encontros bilaterais? O primeiro-ministro de Portugal não tem acesso a essas salas?

Entretanto... Palestinian sources say they believe Washington has bullied several security council members, including Portugal, into withdrawing their support for the Palestinian move by threatening to withhold support in financial institutions for its stricken economy...

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Quinta-feira, Setembro 22, 2011

EM DIRECTO E A CORES


Sejamos claros: a Europa está à beira da implosão. Pode durar mais quinze dias, não dura certamente até ao Natal. É só o tempo de resguardar os bancos alemães e franceses, blindar os Pirinéus para evitar as ondas de choque de Espanha, “salvar” a Itália. Portugal, naturalmente, não entra na História. O governo que está é irrelevante. Este ou qualquer outro (menos acriançado) não conta no desenho do novo Reich. Portanto, perder tempo com a entrevista do primeiro-ministro, a possibilidade de um segundo resgate, a coreografia da TSU, o desaparecimento em combate do Álvaro, as dívidas da Madeira, o enésimo inquérito-crime da PGR, as vacas que riem para Cavaco, a nova política da Cultura, o acto censório que levou à demissão abrupta do inspector-geral da Administração Local, os pidecos do Relvas, e outras frioleiras, não leva a lado nenhum. Um destes dias acordamos com a Europa a implodir em directo na televisão. Lá onde tudo começou.

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ASSOBIAR PARA O LADO


Ninguém fez caso dos relatórios do Tribunal de Contas. Além das cópias institucionais, os relatórios estão publicados no Diário da República. Para que servem os chefes de gabinete, adjuntos, assessores, secretárias e arrastadeiras? Os indiferentes (dois Presidentes da República, três primeiros-ministros, dois PGR, quatro ministros das Finanças, deputados, três presidentes do Tribunal Constitucional... etc.) vêm citados na cacha do DN. Agora arrancam os cabelos. E se fossem dar uma volta ao jardim da Celeste?

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MIGUEL REAL


Hoje na Sábado escrevo sobre A Guerra dos Mascates, de Miguel Real (n. 1953), prodígio de narrativa barroca sobre a guerra do açúcar na capitania de Pernambuco. Mascates era o nome por que eram conhecidos os comerciantes portugueses que em 1709 impuseram a emancipação do Recife. A expulsão dos holandeses (1654) colocou a dívida pública nas mãos dos mascates, agravando o conflito com as famílias aristocráticas de Olinda  —  os Vieira de Mello, Cavalcanti, etc.  —, proprietárias dos engenhos de açúcar. O ritmo avassalador do discurso pode atordoar leitores de pouco traquejo, uma vez que Miguel Real, ao contrário dos amanuenses da literatura, mexe na História com o desembaraço do outsider. Sobre o mesmo tema, o brasileiro José de Alencar escrevera já em 1871. Escrevo também sobre A Livraria, de Penelope Fitzgerald (1916-2000). Na sua aparente trivialidade, o romance suscita a questão sempre actual da vida em comunidade: o cortejo de egoísmos, tiques e idiossincrasias dos que têm medo da própria sombra.

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Quarta-feira, Setembro 21, 2011

JÚLIO RESENDE 1917-2011


O pintor Júlio Resende morreu hoje de manhã, a um mês de completar 94 anos. Quem não frequenta museus conhece pelo menos o mural Ribeira Negra, um dos seus trabalhos mais emblemáticos, colocado na entrada nascente do túnel da Ribeira, no Porto. Com quarenta metros de comprimento por três de altura, o painel que deu origem ao mural pode ser visto em espaço próprio do edifício da Alfândega do Porto. Os desenhos podem (e devem) ser vistos na Fundação que leva o nome do autor.

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O CHUMBO DO PEC IV DEU NISTO


Este quadro-síntese, elaborado pelo governo e divulgado hoje pelo Público, é esclarecedor. A execução orçamental piorou drasticamente a partir de Junho, mês em que o défice diminuiu 21%. Em Maio a diminuição tinha sido de 52%. Verdade que, relativamente aos primeiros 8 meses de 2010, o défice do Estado nos primeiros 8 meses de 2011 caiu 22%. Mas isso ficou a dever-se ao desempenho do período Janeiro/Maio. Sócrates e Teixeira dos Santos tinham, apesar de tudo, mão na massa. Não sou eu que digo, é o quadrinho do governo. Isto apesar de as receitas fiscais terem subido 5,1%. E como não? Todos os dias nos vão ao bolso...

Entretanto, Passos Coelho prevê pedir um novo pacote de ajuda. Então ficamos assim. Clique na imagem.

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ANA VIDIGAL


Inaugura hoje na Baginski a nova exposição de Ana Vidigal, Estilo Queen Anne. Rua Capitão Leitão, 51 / 22:00h. Para happy few.

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Terça-feira, Setembro 20, 2011

IF


Pedro Marques Lopes, Tem a palavra o sr. primeiro-ministro, Diário de Notícias, excertos:

«Se Alberto João Jardim tivesse o mínimo de vergonha na cara, retirar-se-ia imediatamente do cargo que ocupa. [...] Se Cavaco Silva fosse efectivamente o presidente de todos os portugueses e o garante do regular funcionamento das instituições, faria uma declaração ao País sobre o assunto e não insultava os seus concidadãos afirmando que “ninguém está imune aos sacrifícios”. [...] Se Passos Coelho quisesse mostrar respeito pelos sacrifícios dos portugueses, diria imediatamente que Jardim não tem condições para desempenhar o cargo que ocupa, nem tem lugar no PSD. [...]»

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CITAÇÃO, 376


Alberto João Jardim, sobre o buraco de 1,9 mil milhões de euros, valor que inclui os 220 milhões descobertos ontem:

«O Sócrates, o Teixeira dos Santos e o seu deputado Maximiano que fez esta pouca vergonha toda à Madeira, tinham uma lei em que o Governo da República podia aplicar sanções sobre o governo regional, se o governo regional continuasse com obras a fazer dívida, porque eles não nos tinham dado o dinheiro e não nos autorizavam a fazer dívida. [...] Foi por isso que não era aconselhável, porque eles ainda nos tiravam mais dinheiro, se andássemos a mostrar o jogo todo a um Governo socialista que não era sério. Nós estávamos em estado de necessidade e, por isso, agimos em legítima defesa. [...]»  —  Clique na imagem do Público.

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Segunda-feira, Setembro 19, 2011

THE PRINTED BLOG


Saiu há quatro dias o n.º 2 da Printed Blog. O n.º 1 esgotou-se sem que o tivesse visto. Joana Azevedo dirige, Marta Lança coordena, Ana Santiago edita. Luís Gomes, o director comercial, garante a logística.

Entre muitos outros, este n.º 2 junta Ana Bacalhau, Barry Hatton, Clara Azevedo, myself, Gonçalo Waddington, Helena Sacadura Cabral, Hugo Gonçalves, Irene Pimentel, José Mário Silva, José Pedro Santa-Bárbara, Lauro António, Marina Costa Lobo, Miguel Marujo, Miguel Vale de Almeida, Mónica Marques, Nuno Costa Santos, Pedro Rolo Duarte, Rui Zink, Sara Figueiredo Costa e Sofia Afonso Ferreira. Impressa em formato grande e papel couché brilhante, tem 48 páginas e custa 1,95 euros. O meu texto é sobre ter vivido em África antes da descolonização.

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A VIDA COMO ELA É


O TGV entre Lisboa e Madrid vai mesmo avançar. A estação desenhada por Souto Moura fica pelo caminho, porque não faz parte da nossa tradição mecenática doar obras à comunidade (mesmo que seja só um projecto de arquitectura). E o Estado não tem dinheiro para pagar encomendas faraónicas. Clique na imagem do Público para ler o rodapé. 

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O MAL AMADO


A Cinemateca exibe hoje às 22:00h um dos filmes emblemáticos do Novo Cinema português: O Mal Amado (1973), de Fernando Matos Silva. É provável que muita gente tenha visto filmes mais recentes de Matos Silva  —  entre outros, A Luz Submersa, 1999; O Rapaz do Trapézio Voador, 2003  —, mas não O Mal Amado, que a ditadura impediu de ser exibido (o negativo foi confiscado pela Pide). Abordando o tema da guerra colonial, só em Maio de 1974 pôde chegar às salas. João Mota, Maria do Céu Guerra e Zita Duarte fazem parte do elenco. No Dicionário do Cinema Português 1962-1988, Jorge Leitão Ramos diz que O Mal Amado é «a história de um jovem emparedado entre várias esferas de Poder [...] no estertor do Império.» Convém recordar. Até porque não deixar morrer a memória é uma obrigação da Cinemateca.

Adenda às 14:40h. A projecção do filme foi agendada para 19 de Outubro.

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Quinta-feira, Setembro 15, 2011

VIRGINIE DESPENTES


Hoje na Sábado escrevo sobre Apocalypse baby, de Virginie Despentes (n. 1969). Filha de sindicalistas, empregada de limpeza, prostituta, animadora de peep shows, crítica de cinema porno, e cineasta desde 2000, Virginie estreou-se na literatura em 1994, com o romance-choque Baise-moi, inédito em Portugal. Apocalypse baby, que venceu o Prémio Renaudot 2010, é um road-book com acção localizada entre Paris e Barcelona, misturando a fuga de uma adolescente da classe média-alta com lesbianismo branché, Françoise Dolto, códigos de conduta inRocks, Opus Dei, serviços secretos, gripe das aves..., etc. Se gosta de Houellebecq vai gostar de Virginie. Escrevo ainda sobre Deste Lado da Luz, do irlandês Colum McCann (n. 1965), romance inspirado na construção do túnel de metro que liga Manhattan a Brooklyn. Colum McCann é autor do muito citado Deixa o Grande Mundo Girar (2009), também editado pela Civilização.

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Terça-feira, Setembro 13, 2011

FUI


Lá sou amigo do rei

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Segunda-feira, Setembro 12, 2011

ANDY WHITFIELD 1972-2011


Andy Whitfield, o Spartacus do século XXI, morreu ontem aos 39 anos vítima de um linfoma. Blood and Sand fez dele um ícone da virilidade. Agora acabou.

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FALTA DE VERGONHA


Anos a fio, sob um coro de bloggers alucinados (alguns com interesses profissionais beliscados pelas adjudicações), a direita e a esquerda disseram da Parque Escolar o que Mafoma não disse do toucinho, ao mesmo tempo que grupos de cidadãos faziam petições e interpunham providências cautelares contra o que consideram ser as madrassas do regime. Porém, hoje, o primeiro-ministro que caucionou a fronda, inaugura com pompa e circunstância duas escolas made in Sócrates na região de Viseu, uma em Abraveses, a Escola Professor Rolando de Oliveira, para 300 alunos; outra em Rio de Loba, a Escola Mestre Arnaldo Malho, para 220 alunos. A 1ª custou 3,8 milhões de euros, a 2ª custou dois milhões. Dispõem ambas de biblioteca, equipamento informático, cozinha hi-tech, refeitório, campos de jogos e horta pedagógica. A de Rio de Loba tem ainda uma sala para crianças autistas, equipada segundo parâmetros do método TEACCH, ou seja, Treatment and Education of Autistic and related Communication Handicapped Children.

Daqui a pouco, nas televisões, veremos Passos Coelho e o Crato a louvarem-se no empreendimento. A falta de vergonha não tem limites.

Adenda. Mário Nogueira e um grupo de professores afectos à Fenprof estragaram a festa da inauguração da escola de Abraveses... interpelando Passos Coelho sobre a não-colocação de milhares de professores.

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Domingo, Setembro 11, 2011

O FUTURO


Quando forem 13:40h em Portugal, serão inaugurados os dois lagos com cascata que vemos ao alto. Inserido em três hectares de relva e árvores (ainda a crescer), este Memorial foi desenhado pelo arquitecto judeu-americano Michael Arad. A localização dos lagos corresponde ao local onde assentavam as duas torres. As cascatas têm 15 metros de altura. Em 2012 abrirá ao público o Museu 9/11, projecto do gabinete norueguês Snohetta. Os edifícios ficam para mais tarde. À esquerda, a Freedom Tower, do arquitecto americano David Childs, tem inauguração prevista para Novembro de 2013. Ao centro, a torre-diamante do inglês Norman Foster só em 2015, não se sabe em que mês. O terminal ferroviário (treze linhas de metro, etc.) deve abrir em 2014.

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CONTA-ME COMO FOI


O sound + vision de João Lopes e Nuno Galopim publica hoje um dossiê com depoimentos pessoais sobre como foi vivido o 11 de Setembro de 2001. Se quiser ler o meu é só clicar.

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Sábado, Setembro 10, 2011

É REAL


A foto ao alto (clique nela para ampliar) não é um fake. Foi tirada por Thomas Hoepker no próprio dia do ataque, embora só tenha vindo a público em 2006. Faz parte das imagens que a revista do Expresso hoje divulga. A imprensa da época ficou chocada com o blasé do grupo. Eles desmentiram: estavam chocadíssimos! A revista do Expresso desta semana é um exemplo de bom jornalismo. Não havia era necessidade de contratar Pedro Cabrita Reis para fazer uma declinação da capa que a New Yorker publicou a seguir à tragédia.

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FAZ AMANHÃ DEZ ANOS


Não esquecemos. Não queremos esquecer. Clique.

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CADÊ OS ACTORES?


Um mamífero quer ir ao teatro. Pega no jornal para ver o que está em cena. Indeciso entre Shaffer e Fassbinder, o desempate depende dos actores. Mas os anúncios do Teatro Nacional D. Maria II são omissos. Vem lá tudo: o nome do tradutor, do encenador, do sonoplasta, do figurinista, do técnico de luz, dos cabeleireiros, etc. E muito bem. Actores, porém, nicles. Parte dos impostos do mamífero suportam estas excentricidades.

Será que Ivo Canelas, Diogo Infante (e mais sete), Cláudia Carvalho, Custódia Gallego (e mais quatro) são descartáveis? Ou tudo não passa de modéstia do director artístico, o actor Diogo Infante?

Assim como assim, omito o nome das peças em cena.

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CRATO: CAMBALHOTAS & MENTIRAS


Santana Castilho, autor de O ensino passado a limpo, entrevistado por João Pereira Coutinho e Janete Frazão para o Correio da Manhã. Santana Castilho fez parte dos dois governos liderados por Pinto Balsemão (o VII e o VIII; 1981-83). Highlights da entrevista em transcrição livre:


«[...] Escrevi o livro sobre os princípios orientadores da Educação... por incumbência de Passos Coelho. / Tirando três ou quatro frases plagiadas sem autorização e grosseiramente copiadas, o programa para a Educação é o contrário do que tinha proposto. / Há aqui alguma coisa que não conheço, é saber porque é que Pedro Passos Coelho andou durante quase um ano a falar comigo, concordando com tudo o que lhe ia propondo, e depois aparece um programa que não tem nada a ver com aquilo com que concordámos. / Não fui convidado para ser ministro. / Estou profundamente desiludido com o governo. / Sucedem-se as manifestações de desonestidade política. / Nuno Crato não está à altura do cargo, dá cambalhotas, começou o reinado como um autêntico palhaço...  / Nuno Crato não sabe o que é uma escola, não conhece a realidade do sistema educativo. / Uma coisa é falarmos no Plano Inclinado, outra coisa é actuarmos. / O modelo de avaliação de professores é tecnicamente miserável e, do ponto de vista humano, kafkiano e monstruoso. / É mentira que tenha extinguido direcções-regionais. Anunciou a extinção para daqui a um ano, nomeando nesse dia nove directores-regionais e mantendo a estrutura como estava. / A subserviência do primeiro-ministro aos prestamistas era dispensável. / O primeiro-ministro revela impreparação... [...]»


[Foto de Bruno Colaço.]

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NINE ELEVEN GREGO


Mais perto do que supomos o equivalente a um 11 de Setembro europeu. Motivo próximo: o Commerzbank perdeu 74% do seu valor desde o início do ano; e o Deutsche Bank metade. É a vida. A imagem é do i.

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Sexta-feira, Setembro 09, 2011

O MEU FILHO É PANELEIRO


Ontem, um engenheiro de Valadares, Gaia, foi entregar o filho de 15 anos a uma esquadra de polícia: O meu filho é paneleiro, não o quero em casa. O rapaz foi surpreendido na discoteca Pride (rua do Bonjardim, 1121, Porto) e levado à força para casa, na presença da polícia, chamada ao local.

Horas depois, o pai despejou-o na esquadra de Valadares. A polícia accionou o serviço de emergência social para tentar encontrar alojamento para o rapaz.

Três perguntas: a) Não há uma mãe nesta história? b) A polícia alertou o Ministério Público para o comportamento do pai do rapaz? c) A APAV vai, como lhe compete, tomar conta da ocorrência?

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SAUL BELLOW


Hoje no Público:


A imprensa cultural não deve andar a reboque das novidades. Sobretudo quando, como é o caso, a reedição de obras de referência sobreleva a espuma da cena literária.

Vem isto a pretexto de Ravelstein, último romance de Saul Bellow (1915-2005), de regresso às livrarias, em nova edição, dez anos após um lançamento que passou despercebido.

Como muita gente saberá, Ravelstein entra na categoria do roman à clef. Abe Ravelstein, o protagonista, é decalcado do filósofo Allan Bloom, judeu, homossexual, confidente de Ronald Reagan e Margaret Thatcher. Bellow e Bloom foram amigos. A diferença de idades (Bloom tinha menos quinze anos que Bellow) nunca constituiu óbice. Conheceram-se na Universidade de Chicago, onde ambos davam aulas. Mesmo nas suas indiscrições, o romance é uma homenagem sentida ao autor de Love and Friendship (1993). Antes que Bellow o tivesse dito em letra de forma, era tabu referir a sida como causa da morte precoce de Bloom: «Ele era seropositivo, e estava a morrer de complicações afins.»

Lugar-comum: não foi preciso esperar por Ravelstein para confirmar a mordacidade de Bellow. Logo a abrir, Chick (o narrador) afirma: «Quem quiser governar o país tem também de o entreter.» Passou o tempo em que as anedotas de Lincoln se viravam contra ele. No caso de Bellow, a mordacidade convive bem com o sentido de humor.

Depressa saltamos para o coração de Paris, mais exactamente para o Hotel Crillon, onde naquele momento se hospedam Ravelstein, Michael Jackson (cuja comitiva ocupa um andar inteiro), o narrador e a mulher. Digamos que o Crillon estabelece o paradigma. Após a publicação de um livro «difícil, mas popular [...] em ambos os hemisférios e em ambos os lados do Equador» (é provável que Bellow esteja a referir-se a Closing of the American Mind, que Bloom publicou em 1987), Ravelstein tornara-se rico, a espécie rara de professor que pode ir com o amante para uma suite do Crillon.

Sob o pano de fundo do intervalo pré-mortal de Ravelstein («Estou cheio de tusa... Nunca esperei que a morte fosse um tão estranho afrodisíaco»), o romance reflecte sobre as exigências da biografia enquanto género literário, segundo as experiências de Boswell e do dr. Johnson.

Ao pequeno-almoço, entre morangos, brioches e uma bateria de compotas made in Crillon, o amante ainda na cama, Ravelstein discreteia com Chick sobre os equívocos do Keynesianismo. A forma como conduz o diálogo não ilude Chick: «Ele queria que eu lhe fizesse a biografia...»

Cáustico sempre que alude aos Bloomsberries, que considera «incapazes de pensar» (estamos a falar de, entre outros, Virginia Woolf, Lytton Strachey, E. M. Forster e John Maynard Keynes), Ravelstein criou e alimentou o seu próprio grupo-de-mão: «Os seus membros... ocupavam agora posições de importância em jornais nacionais. [...] Um número considerável trabalhava para o Departamento de Estado. Alguns davam aulas na Academia Militar ou faziam parte da equipa de conselheiros da Segurança Nacional. [...] Ravelstein recebia deles relatórios frequentes.» Paul Wolfowitz, um dos seus alunos, é citado como Paul Nitze. Para o melhor e para o pior, Ravelstein preparou a «quarta vaga da modernidade». Allan Bloom não se pode queixar da nitidez do retrato...

A memorabilia não poupa Alexandra Ionescu Tulcea (citada no livro como Vela), a matemática romena que foi casada com Bellow. Sobre esta mulher dada às grandes abstrações, indiferente às nogueiras seculares da casa de New Hampshire, abominando Bloom com método, Ravelstein e Chick têm diálogos vitriólicos. Vela acusa o marido de estar enrolado com o outro. Chick ri com gosto: «Disse-lhe que nem sequer sabia como se praticava o ato, e que, na minha idade, não estava com disposição de aprender

Bellow tem uma escrita seca, isenta de adjectivação e parafernália retórica. A descrição dos últimos dias de Ravelstein é pungente. Faria sentido «lutar tão arduamente pela existência»? Nikki, o rapaz de Singapura que era havia muitos anos seu amante, zelou pela dignidade dos dias do fim. Mas Ravelstein não desarma com facilidade. À beira da morte continua a preocupar-se com a forma como a empregada polaca lava os copos de vinho: «É impossível deixar de pensar que estas mulheres devem ser igualmente brutas com os pénis dos homens...»

Talvez não seja excessivo dizer que Ravelstein é uma história de príncipes da Renascença, à qual a desembaraçada tradução de Rui Zink acrescenta o tom adequado.


Abe, aliás Bloom, in Ípsilon, 9-9-2011, pp. 36-37. Cinco estrelas.

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Quinta-feira, Setembro 08, 2011

CITAÇÃO, 375


Filipe Nunes Vicente, Quando largos anos têm cem dias. Excerto, sublinhados meus:

«Quando MFL venceu Passos Coelho nas directas, a facção compreendeu rápido. [...] À cautela, a facção tratou de fazer o trabalho. Pelo país, Passos anunciava TGV’s de mão de obra nacional, Nogueira Leite desancava nas propostas económicas da equipa de MFL, o DN funcionava como um eficente jornal de campanha (com os tais jornalistas isentos que hoje são assessores ou passistas final e ferozmente  assumidos). Os mais imaginativos até viram no Belemgate a machadada final no PSD de Manuela.

Quando a crise apertou e sete anos de PS socrático estiolavam, a facção amolou a faca. Na altura certa, deu o golpe com  a colaboração da esquerda parlamentar. Um rio de promessas, todos os cortes eram fáceis, as políticas a seguir eram óbvias, a mudança uma coisa genética e auto-evidente. O desmentido passa ser um modo de vida, mas a facção pode bem com isso.

Quando estão quase a passar cem dias, a facção faz, agora sim, uma
grimace. Refila porque ele há muitos barões que falam demais. Estas coisas é que interessam à facção, nascida para a mecânica das distritais e alçada nas agências de comunicação. É natural, porque uma facção (não confundir com o governo todo, porque há lá gente de bem) não deixa de ser um guinhol de interesseiros só porque uma crise económica a enfiou no poder. Não entendem, revoltam-se, encomendam artigos, blogues, posts.

Quando a poeira  assentar, uma  coisa é certa: uma facção no poder só tem uma fracção do poder


[A cacha é do Público de hoje. Clique na imagem para ler.]

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HERTA MÜLLER


Hoje na Sábado escrevo sobre Hoje preferia não me ter encontrado, de Herta Müller (n. 1953), escritora alemã de origem romena, Prémio Nobel da Literatura em 2009. Herta é uma sobrevivente da Weltliteratur, publicou 24 livros (os dois primeiros em Bucareste) até 2009, tendo recebido igual número de prémios. Este livro descreve o tempo de mentira do quotidiano da Roménia social-fascista: dias cinzentos, flashbacks pejados de recordações atrozes (como quando Lilli é esventrada por cães), ironia “romena”... Como provam vários episódios, a coreografia do medo não tem limites.

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A MINHA É MAIOR QUE A TUA


Lembram-se do que a direita dizia de Luís Amado?
A foto é da Reuters, a legenda do DN.

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Quarta-feira, Setembro 07, 2011

CRISTAS BAIXA A CRISTA


Lembram-se da extinção da Parque Expo anunciada a 19 de Agosto? Assunção Cristas, CDS, ministra da Agricultura, baixou a crista. Afinal, a Parque Expo vai durar até, pelo menos, Setembro de 2013. John do Souto Antunes, CDS, director financeiro da empresa, vai substituir o actual presidente. Tratou-se apenas de mudar o patrão do antigamente pelo patrão do actualmente.

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LEI 49/2011


É legal. A salamização do subsídio de Natal. Leia aqui o teor da Lei n.º 49/2011 hoje publicada na p. 4358 da 1.ª Série do Diário da República. Não tem como escapar. Seja trabalhador por conta própria ou de outrem

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SEIGNEUR DE LA PALICE


Vítor Gaspar, ministro das Finanças: No imediato não é possível fazer cortes na despesa. Foi para ouvir isto que o PEC IV foi chumbado? E que tal fixar um limite de 8 colaboradores por gabinete ministerial? Um chefe de gabinete, um adjunto, um assessor, três secretárias e dois motoristas chegam e sobram numa administração racional. Paula Teixeira da Cruz, ministra da Justiça, vive com 7. Medida simbólica? Com certeza: o que parece, é. Ninguém percebe que tenham sido recrutadas 769 criaturas nas últimas seis semanas. Ainda por cima com 500 distribuídas desta forma aleatória.

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Terça-feira, Setembro 06, 2011

TEM PAI QUE É CEGO


Quando o British Hospital surge numa conversa, tendemos a perguntar: o de Campo de Ourique ou o das Torres de Benfica? O hospital pertence ao Grupo Português de Saúde desde o início dos anos 1980. O Grupo Português de Saúde pertence ao universo da Sociedade Lusa de Negócios, a tal que tinha um banco dentro. Exactamente: o BPN. O banco serviu para financiar a compra do British. Um fiasco. Entre 1999 e 2009, o British recuou de uma média anual de 12 mil consultas para cerca de 1800. Entre 2004 e 2007, o presidente do Grupo Português de Saúde foi o economista José António Mendes Ribeiro, o qual, quando saiu do grupo, deixou um passivo de perto de cem milhões de euros.

Pois foi precisamente José António Mendes Ribeiro que o ministro da Saúde, Paulo Macedo, foi buscar para coordenar o grupo de trabalho que vai propor os cortes a aplicar no Serviço Nacional de Saúde.

Isto, que podia ser uma charla dos Malucos do Riso, é o ponto em que estamos.

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