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sexta-feira, 30 de outubro de 2015

EUROPA, 2015

Entretidos com o folhetim do Governo, temos passado ao lado da vaga migratória. Todos os dias morre gente no Mediterrâneo, nas costas grega e turca, nos Balcãs. Calais transformou-se num imenso bidonville. Todos os dias se erguem muros em países tidos como democracias. A cada hora que passa, a UE olha com maior indiferença o fascismo, já não larvar, mas explícito, de alguns Estados-membros. A intolerância grassa. Acabo de ver imagens terríveis de gente desesperada na fronteira da Eslovénia. É a guerra, na sua forma mais exacta.

segunda-feira, 24 de agosto de 2015

PESADELO

Só em Julho, cerca de 110 mil pessoas atravessaram o Mediterrâneo para entrar na Europa. Em 2014 foi um terço deste número. É a maior vaga migratória dos últimos 70 anos. Até há poucos meses vinham da Líbia, embora nos barcos da morte com destino a Lampedusa viessem refugiados de outros países do Magreb. Agora tudo mudou. Oriundos da Síria, do Iraque, do Afeganistão, da Eritreia, do Sudão e do Paquistão, dezenas de milhares de refugiados (um estatuto que não faz sentido aplicar aos paquistaneses) atravessaram a fronteira da Grécia com a Macedónia, onde foram metidos em comboios com destino à Sérvia. Vão esbarrar no muro que a Hungria colocou na frontreira. Ao pé disto, o que se passa em Calais e no Túnel da Mancha é pouco mais que um faits divers. Merkel e Hollande vão hoje discutir o assunto.