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terça-feira, 21 de dezembro de 2021

BRUXELAS SEGURA TAP


Ao fim de um ano de análise do processo, Margrethe Vestager, comissária da Concorrência, autorizou todas as ajudas que o Estado português suportou e vai suportar com a TAP.

Os mais de três mil milhões de euros distribuem-se pelos 462 milhões do ano em curso, os 107,1 milhões no âmbito dos apoios Covid, e os 2,55 mil milhões a haver.

Como contrapartida, a companhia terá de abdicar de dezoito slots / reduzir a frota / formalizar os despedimentos previstos no plano de reestruturação / separar-se da Portugália / mas também desinvestir na Cateringpor, na Groundforce e na manutenção efectuada no Brasil.

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sexta-feira, 29 de outubro de 2021

PARA MEMÓRIA FUTURA


Quem durante o debate do OE 2022 ouviu Rui Rio e outros próceres da Direita e extrema-direita, julgaria o país à beira de novo resgate.

A imagem é do Expresso. Clique.

quarta-feira, 27 de outubro de 2021

OE CHUMBADO


Estava escrito nas estrelas: aliada à Direita e à extrema-direita, a Esquerda à esquerda do PS acaba de chumbar a proposta de Orçamento de Estado para 2022.

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segunda-feira, 25 de outubro de 2021

ELEIÇÕES À VISTA

Vamos portanto para eleições, porque António Costa — e muito bem — não aceitará apresentar novo orçamento. O Presidente da República talvez preferisse um delay, mas o primeiro-ministro não está para aí virado.

Portanto é fácil antever o resultado. Eleições em Fevereiro ou Março, provável maioria de Direita (mesmo que o PS seja o partido mais votado) se, como tudo indica, PSD, CDS e IL concorrerem coligados, impossibilidade de refazer a maioria parlamentar de Esquerda, aprovação garantida de um Orçamento de Estado feito à medida do patronato, etc. Mas não é isso mesmo que os esquerdalhaços querem?

sábado, 23 de outubro de 2021

IMPASSE

Parece que chegámos ao sábado de todas as decisões. Regressado de Bruxelas, António Costa tem agendadas reuniões com Jerónimo de Sousa e Catarina Martins. A ver vamos o resultado.

Entretanto, os representantes das confederações patronais abandonaram a Comissão Permanente de Concertação Social, solicitando, todos em bloco, audiência ao Presidente da República.

Embora não as deseje, o primeiro-ministro não tem medo de eleições antecipadas. E é o que acontecerá se o OE 2022 for chumbado, porque não o estou a ver a apresentar segunda versão à medida dos caprichos de uns e de outros. 

Por muito rápido que seja o processo, não haveria eleições antes do fim de Março. O prazo mínimo entre a dissolução do Parlamento e o acto eleitoral não pode ser inferior a 42 dias, mas há que contar com a coreografia institucional: demissão do PM, eventual convite do PR para que Costa se mantenha, reuniões com partidos, convocação do Conselho de Estado, etc. (e tudo isto com a lentidão suficiente para que PSD e CDS realizem os seus congressos). Dito de outro modo, com eleições no fim de Março, apenas no fim de Junho seria provável novo OE.

Mas o que são seis meses com o país a viver de duodécimos, com os fundos europeus geridos pelo Governo demissionário e com todas as alterações laborais metidas na gaveta?

Os princípios são muito bonitos mas não pagam contas ao fim do mês.

quarta-feira, 29 de setembro de 2021

A TRAPALHADA

O statement que o Presidente da República fez ontem de manhã (aos media que o abordaram na rua) foi uma desautorização clara do ministro da Defesa.

João Gomes Cravinho havia proposto a demissão do Chefe de Estado-Maior da Armada, colocando no seu lugar o vice-almirante Gouveia e Melo. Aparentemente, o PR fora apanhado de surpresa. Afinal não foi assim.

Como se soube mais tarde, o almirante Mendes Calado, actual CEMA, foi reconduzido no cargo no passado mês de Fevereiro com o compromisso de sair em Fevereiro de 2022, compromisso que era do conhecimento do PR. Mais: Mendes Calado fora informado pessoalmente pelo ministro da antecipação da sua saída.

O primeiro-ministro não gostou do bruá e, na companhia do ministro, foi a Belém. Após a reunião, a Presidência esclareceu: «O Presidente da República recebeu, a seu pedido, o Primeiro-Ministro, que foi acompanhado pelo Ministro da Defesa Nacional. Ficaram esclarecidos os equívocos suscitados a propósito da Chefia do Estado-Maior da Armada.» O laconismo diz mais que mil palavras.

Repito um breve trecho do que escreveu o deputado Porfírio Silva: «Hoje ouvi o PR dizer que se tinha combinado com um altíssimo responsável de uma prestigiadíssima instituição nacional, aquando da respectiva nomeação, que não cumpriria o seu mandato até ao fim... para dar a oportunidade a outro camarada de ocupar esse lugar de altíssima responsabilidade antes de abandonar o activo

Comentários para quê?

sexta-feira, 2 de julho de 2021

COMEÇA HOJE


Restrições à circulação entre as 23h e as 5 da manhã. Mas convém não confundir dever de [a Resolução com força de lei: «devem abster-se»] com obrigação. Ainda vivemos em democracia.

Imagem: recorte da Resolução do Conselho de Ministros n.º 86-A/2021, in Diário da República n.º 126/2021, 3.º Suplemento, Série I, de 1 de Julho.

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quarta-feira, 9 de junho de 2021

TAP COM LIDERANÇA FEMININA


Após dias de rumores, foi hoje confirmado que Christine Ourmières-Widener, 57 anos, engenheira aeronáutica diplomada pela École Nationale Supérieure de Mécanique et d'Aérotechniqueé, será a nova CEO da TAP.

Madame Ourmières-Widener foi CEO da britânica Flybe, a maior companhia aérea regional europeia que, por insolvência, cessou toda a operação em Março do ano passado.

Do seu currículo consta a passagem (1988-2016) pela administração da Air France, companhia onde foi responsável pela operação do Concorde. Mais tarde integrou a administração da Air France/KLM. Também passou pela companhia aérea irlandesa CityJet.

Entretanto, Miguel Frasquilho deixa o cargo de chairman, sendo substituído por Manuel Beja.

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terça-feira, 8 de junho de 2021

TRANQUIBÉRNIA


A nomeação de Pedro Adão e Silva para presidir à Comissão Executiva das Comemorações dos 50 anos do 25 de Abril parece ter irritado muita gente. Mas fica mal ao líder da Oposição referir-se-lhe nos termos em que o fez.

Queriam o quê? Um neto de Salazar à frente das comemorações da queda da ditadura? Um antigo membro da Falange?

É natural que o PS tenha escolhido um antigo Secretário Nacional seu. Antigo porque Pedro Adão e Silva abandonou a política activa em 2005. O PSD escolheria um vice-presidente, o PCP um membro destacado do Comité Central, etc.

Nascido em 1974, o ano da revolução, doutorado em Ciências Sociais e Políticas pelo Instituto Europeu de Florença, professor de sociologia e políticas públicas no ISCTE, autor de obras sobre o estado social, surfista, meu amigo, Pedro Adão e Silva parece-me um boa escolha. O próprio Presidente da República enalteceu as suas qualidades.

contabilidade de Rui Rio é de merceeiro deprimido. As insinuações são indignas do chefe da Oposição.

quarta-feira, 19 de maio de 2021

TAP & TJE


Em Junho do ano passado, por intermédio do Orçamento Suplementar ao OE 2020, o Governo fez um empréstimo à TAP no valor de 946 milhões de euros. Com o aval da Comissão Europeia, essa ajuda podia chegar a 1,2 mil milhões de euros. Sem esse dinheiro, a TAP fechava.

Na altura, a Associação Comercial do Porto interpôs providência cautelar contra o apoio estatal à TAP, mas o Supremo Tribunal Administrativo não deu provimento à demanda.

Quem também se queixou foi a Ryanair, companhia privada, irlandesa, que apelou para o Tribunal de Justiça Europeu. O veredicto soube-se hoje: 

«A decisão da Comissão que declara o auxílio de Portugal a favor da companhia aérea TAP compatível com o mercado interno é anulada por não estar suficientemente fundamentada.» 

Não obstante, o efeito do acórdão fica suspenso por dois meses. Até o processo estar dirimido, a TAP não é obrigada a devolver o dinheiro que recebeu desde Junho de 2020. Para já, a Comissão Europeia vai rever o teor da fundamentação que sustenta o apoio. 

Situação análoga se passa nos Países Baixos com a KLM. A companhia holandesa foi ajudada em 3,4 mil milhões de euros e o TJE também quer a ajuda melhor explicada.

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segunda-feira, 17 de maio de 2021

CONTRA A HOMOFOBIA



Hoje, 17 de Maio, Dia Internacional contra a Homofobia, Transfobia e Bifobia, a residência oficial do primeiro-ministro ostenta a bandeira arco-íris. Foi António Costa em pessoa quem a hasteou. 

O mesmo sucede na Câmara Municipal de Lisboa e no edifício onde funciona o conselho de ministros.

Imagens de São Bento e da CML.

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quarta-feira, 7 de abril de 2021

ANTIGOS COMBATENTES

Nos termos da Lei n.º 46/2020, de 20 de Agosto, encontra-se desde ontem em vigor a isenção do pagamento de taxas moderadoras no acesso às prestações do Serviço Nacional de Saúde, tais como (entre outras) consultas, exames complementares de diagnóstico e serviços de urgência.

O benefício é extensivo a viúvas e viúvos, bem como a cônjuges sobrevivos de uniões de facto judicialmente reconhecidas.

Enquanto não for distribuído o Cartão de Antigo Combatente, basta apresentar o Cartão de Cidadão.

Outra benesse a Lei é a gratuitidade do passe intermodal nos transportes públicos.

Quem tiver dúvidas ou necessitar de esclarecimentos adicionais pode telefonar para o Balcão Único da Defesa.

quarta-feira, 31 de março de 2021

CLARO COMO ÁGUA


Muita gente julga que os diplomas de apoio aos trabalhadores independentes, aos sócios-gerentes, às famílias prejudicadas pelo encerramento das escolas e, last but not least, aos profissionais de saúde, foram obra do BE, do PCP e do PAN. Errado. 

O que esses Partidos fizeram, com a Direita, os liberais e a extrema-direita às cavalitas, foi alterar a legislação que o Governo já aplica aos referidos sectores da população.

Exemplo: onde estava o valor A puseram o valor B e onde a situação X tinha que obedecer a regras passou a ser um direito indiscriminado. Nada menos que 500 milhões de euros daqui até Dezembro. O Parlamento aprovou e o Presidente da República promulgou.

Sucede que, tal como ficou, o Governo podia, se quisesse, fazer de conta que os diplomas não existem. Quem o permite é o Presidente: «Os diplomas podem ser aplicados, na medida em que respeitem os limites resultantes do Orçamento de Estado vigente.» O primeiro-ministro não foi por aí.

Na sua comunicação ao país, ontem ao fim da tarde, António Costa fez notar: «O senhor Presidente procurou limitar os danos constitucionais destas leis, propondo uma interpretação que esvazia o seu efeito prático, e até reforça os poderes do Governo...»

Disse mais: «O Governo não pode deixar de cumprir uma Lei da Assembleia da República enquanto esta vigorar, mesmo que a entenda inconstitucional e só o Tribunal Constitucional pode declarar com força obrigatória geral a inconstitucionalidade de uma Lei. [...] Os cidadãos beneficiários têm o direito de saber com o que podem contar... [...] Como iríamos aplicar esse limite? Dando apoios a uns e não a outros? Dando apenas aos que fossem mais rápidos a pedir, até se esgotar o plafond disponível, e recusando todos os pedidos posteriores? Reduzindo o montante do apoio pago a todos, violando o disposto na Lei? [...] A incerteza jurídica gera insegurança e mina a confiança nas instituições

Não quero imaginar uma situação destas nas mãos dos/as malabaristas do costume.

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segunda-feira, 29 de março de 2021

QUADRATURA

O Presidente da República promulgou ontem, domingo, os três diplomas da Assembleia da República que formalizam medidas sociais urgentes no âmbito da situação pandémica. Os diplomas foram aprovados pelo PSD, BE, PCP, PEV, PAN, CDS, IL, CH e as duas deputadas não inscritas.

O PS absteve-se num caso, votando contra nos outros. Motivo: a Constituição proíbe a apresentação, pelo Parlamento, de iniciativas que impliquem aumento de despesa ou redução de receitas. Ou seja, que contrariem o Orçamento do Estado em vigor. Aquilo que em linguagem comum se chama Lei-travão.

Nas razões aduzidas para a promulgação, escreve o Presidente:

«Os três diplomas em análise implicam potenciais aumentos de despesas ou reduções de receitas, mas de montantes não definidos à partida, até porque largamente dependentes de circunstâncias que só a evolução da pandemia permite concretizar. E, assim sendo, deixando em aberto a incidência efetiva na execução do Orçamento do Estado

Diz ainda o Presidente: «os diplomas podem ser aplicados, na medida em que respeitem os limites resultantes do Orçamento do Estado vigente

Em que ficamos? Eu diria que é dar com uma mão e tirar com a outra.

sexta-feira, 12 de fevereiro de 2021

BAZUCA DA UE


António Costa assinou hoje em Bruxelas, em nome dos 27, o Fundo de Recuperação Europeu, vulgo Bazuca.

O dinheiro começa a chegar aos estados-membros no início do 2.º semestre, depois de aprovados todos os 27 planos. O português será apresentado para a semana.

Na imagem vêem-se, da esquerda para a direita, o primeiro-ministro português, Ursula von der Leyen, presidente da Comissão Europeia, e David Sassoli, presidente do Parlamento Europeu.

Imagem: TVI. Clique.

segunda-feira, 4 de janeiro de 2021

BALÃO FURADO

Miguel Romão, responsável pela nota interna enviada pelo ministério da Justiça à REPER (a representação de Portugal junto da UE), com erros no currículo do procurador europeu José Guerra, demitiu-se hoje do cargo de director-geral da Política de Justiça.

Lembrar que a nota foi enviada em Novembro de 2019. Quem, visando atingir a ministra Francisca Van Dunem, foi desenterrar um caso ocorrido há catorze meses, viu sair o tiro pela culatra.

domingo, 13 de dezembro de 2020

SER OU NÃO SER


Como é natural, o statement de André Caldas sobre estar casado com um homem continua a provocar ondas de choque. Os jornais da manhã não ignoram a entrevista dada à revista da Universidade de Lisboa. Um deles nem se esquece de referir que o marido do secretário de Estado da Presidência do Conselho de Ministros é diplomata.

Tudo isto é natural nos países civilizados. Lembro-me bem da boa disposição de Merkel no casamento com outro homem de um antigo ministro seu dos Negócios Estrangeiros.

Nós por cá temos alguns exemplos de políticos que assumem publicamente a sua identidade sexual, como é o caso de Alexandre Quintanilha, o deputado do PS que casou em 2010 com o escritor Richard Zimler (sendo a união muito anterior), de Graça Fonseca, ministra da Cultura, de Adolfo Mesquita Nunes, antigo deputado e vice-presidente do CDS, para só citar casos de personalidades com responsabilidades públicas.

Em 2009, Miguel Vale de Almeida, antropólogo e activista LGBT, foi eleito deputado nas listas do PS. Creio que foi o primeiro a entrar em São Bento sem nada na manga.

Por isso me faz confusão que escritores e artistas novos (estou a pensar em gente com menos de 50 anos, alegadamente progressista), bastante conhecidos, não sejam capazes de dar um passo em frente. É pena. 

Sobre políticos de ambos os sexos que fazem tabu da sua identidade sexual, abstenho-me de comentar.

Clique na imagem da ULisboa.

sábado, 12 de dezembro de 2020

O NOME DAS COISAS


Estou orgulhoso do André Caldas, secretário de Estado da Presidência do Conselho de Ministros. Conheço-o desde o tempo em que foi Presidente da Junta de Freguesia de Alvalade, funções que acumulava com as de chefe de gabinete de Mário Centeno, quando este foi ministro das Finanças e presidente do Eurogrupo.

Antes de entrar a tempo inteiro na política, o André foi professor de Direito Romano na Universidade de Lisboa, presidente da OPART (organismo que tutela a Orquestra Sinfónica Portuguesa, o Teatro Nacional de São Carlos e a Companhia Nacional de Bailado), integrou a direcção da Associação Musical Lisboa Cantat, em suma, era um homem da Cultura.

O facto de sermos amigos não me inibe de manifestar publicamente a minha admiração pela entrevista (sobre vários temas) dada à revista da Universidade de Lisboa.

Excerto:

«Não sei exatamente porque é que a homofobia existe. Acho que é um jugo do qual a sociedade se libertará, mas ainda há algum caminho para lá chegar. O que é que podemos fazer? As pessoas públicas viverem a sua homossexualidade com naturalidade. Sou o primeiro membro do governo casado com uma pessoa do mesmo sexo e não faço disso especial alarde público, mas também não sinto que seja apenas um aspeto da minha vida pessoal. E espero que isso possa significar, para os jovens portugueses, que não estão condenados a um ostracismo. Se houver um jovem que, pelo meu exemplo, se possa sentir mais livre para viver a sua orientação sexual abertamente, eu ficaria muito feliz. Nunca me senti vitimizado em razão da minha orientação sexual, mas tenho consciência de que, sendo de Lisboa e de um contexto social e familiar progressista, a minha experiência não se compara com a de outras pessoas homossexuais. Não nos podemos permitir vitimizar-nos, e devemos desarmar os nossos adversários vivendo abertamente a sexualidade. Ninguém me pode aviltar em função da minha orientação sexual, porque não o admito. Se alguém me aviltar, não me posso sentir diminuído – sinto, pelo contrário, que o outro é diminuído. Enquanto sociedade, temos de perceber que existe diversidade e que as pessoas não são diminuídas por integrarem uma minoria, de índole sexual ou outra. E quem pertence a uma minoria tem de ter uma grande energia para se dar permanentemente ao respeito

Ora bem. Parabéns, André.

Clique na imagem do Observador.

sexta-feira, 11 de dezembro de 2020

A REESTRUTURAÇÃO


Ouvida na íntegra a comunicação com que Pedro Nuno Santos, ministro das Infraestruturas e Habitação, antecedeu a conferência de imprensa desta manhã, retive:

— Foi ponderada a insolvência da TAP, mas os seus custos eliminaram essa opção.

Até 2025, a TAP vai perder 6,7 mil milhões de euros.

— Antes de 2024, será necessário injectar na TAP um total de 3,8 mil milhões de euros.

— No imediato a TAP precisa de 970 milhões de euros. E ao longo de 2021 mais 300 milhões.

— As ineficiências e a desvantagem competitiva da TAP são anteriores à pandemia.

— As ineficiências foram agravadas a partir de 2015 com a gestão privada. Em 2020, a pandemia fez o resto.

— O rácio de tripulantes da TAP, por voo, é superior ao standard.

A TAP tem mais 19% de pilotos e mais 28% de tripulantes do que as companhias de bandeira da Europa. O ministro citou a Ibéria, a Lufthansa e a Air France/KLM.

— Os custos laborais, por piloto, subiram 37% entre 2017 e 2019. 

— Têm de ser despedidos dois mil trabalhadores efectivos. 

— Os trabalhadores contratados são dispensados.

— No imediato, a TAP reduz a frota de 108 para 88 aviões, privilegiando a utilização dos modelos A321 e A320.

— Os cortes salariais serão progressivos, até ao limite de 25%, aplicando-se apenas ao remanescente de 900 euros.

— É para manter o spoke–hub das rotas com o Brasil, América do Norte e África Ocidental.

— A redução de rotas ainda não está totalmente definida.

A seguir falou o secretário de Estado do Tesouro, mas já não ouvi. Também não ouvi as perguntas e respostas dos media.

terça-feira, 8 de dezembro de 2020

TAP NA AR


Depois de amanhã, quinta-feira, o plano de reestruturação da TAP é apresentado à Comissão Europeia.

Portugal terá de negociar forte, porque a reestruturação prevista fica aquém das exigências de Bruxelas.

Depois da Comissão, o Governo vai levar o plano à Assembleia da República. Faz muito bem. A decisão obriga os partidos da Oposição a dizerem, preto no branco, o que pretendem fazer com a companhia. Percebe-se o incómodo de Rui Rio e Catarina Martins, dois dos que subitamente descobriram a «legitimidade» do Governo para gerir o dossiê. 

É muito fácil dar soundbites sem apresentar soluções. Num prazo muito curto, a TAP precisa de mais mil milhões de euros, embora o OE 2021 só tenha inscrito metade desse valor. Portanto, mais mil milhões a juntar ao empréstimo extradordinário do Verão passado (1,2 mil milhões de euros) autorizado por Bruxelas.

Chegou a hora das vestais sujarem as mãos.

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