terça-feira, 18 de fevereiro de 2020

COLECÇÕES DO ESTADO


David Santos, 48 anos, historiador e crítico de arte, antigo director do Museu Nacional de Arte Contemporânea do Chiado, bem como do Museu do Neo-Realismo (em Vila Franca de Xira), com larga experiência em curadoria artística, é o novo Curador da Colecção de Arte do Estado.

As novas funções implicam que abandone a direcção-geral do Património, onde, desde Fevereiro de 2016, exercia o cargo de subdirector-geral.

A partir de Março, David Santos terá a responsabilidade de gerir a circulação das cerca de mil e trezentas obras do património artístico público. Ou seja, de acordo com o comunicado do ministério da Cultura, «dar um novo passo no desenvolvimento de uma estratégia pública para a arte contemporânea.» Trata-se, portanto, de agilizar a prometida descentralização das colecções do Estado, em articulação com outros museus nacionais.

O David, de quem sou amigo há trinta anos, é o homem certo no lugar certo.

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segunda-feira, 17 de fevereiro de 2020

PATRIMÓNIO


Não sei se Bernardo Alabaça tem ou não tem perfil para director-geral do Património Cultural, cargo que ocupará a partir do próximo dia 24. Não o conheço.

Entretanto, convinha não misturar alhos com bugalhos. Jornais conspícuos falam dele como de um broker do imobiliário que tivesse saltado directamente da Remax para o Palácio da Ajuda.

Sucede que a nomeação, da responsabilidade do ministério da Cultura, terá tido em conta o facto de Alabaça, mestre em Finanças pelo ISCTE, ter sido anteriormente director-geral de Infraestruturas (no ministério da Defesa) e subdirector-geral do Tesouro e Finanças (no ministério das Finanças). Isto não fará dele o dirigente ideal, admito, mas há que dizer das coisas o que elas são.

Os cargos são poucos para os intelectuais da praça? Paciência.

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domingo, 16 de fevereiro de 2020

SERRALVES A TRÊS DIMENSÕES


Provavelmente o sítio mais cosmopolita do Porto, visitado por turistas de todas as origens, o Museu de Serralves distribui óculos de três dimensões de formato XXL às pessoas (um terço dos quais serão estudantes menores) que vão ver a mostra colectiva Electric.

Existem óculos para todas as pessoas? Não havendo, o museu desinfecta os que tem?

É que anda muita gente a crucificar a directora-geral da Saúde por, alegadamente, ter uma postura soft face ao problema do Covid-19 mas, neste caso concreto, nem um pio. A arte justifica o desleixo?

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sábado, 15 de fevereiro de 2020

ELECTRIC


Estou há três dias no Porto mas não fui a Serralves ver Electric, a exposição de realidade virtual que junta Anish Kapoor, Nathalie Djurberg, R. H. Quaytman, Hans Berg, Koo Jeong A e Olafur Eliasson.

Ilusionismo bidimensional e realidade tridimensional não são a minha chávena de chá.

A fotografia de Paulo Pimenta inserta no Público mostra o buraco, perdão, a obra de Kapoor onde um visitante italiano do museu caiu de uma altura de dois metros e meio, tendo de ser internado no Hospital de São João, do Porto.

Comentários para quê?

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quarta-feira, 12 de fevereiro de 2020

BRASIL CENSURA


Chegou a vez de São Paulo. A portuguesa Isabela Figueiredo junta-se a outros autores (Camus, Padura, García Márquez, Harper Lee, etc.) cujos livros não podem ser distribuídos por intermédio da campanha Remissão em Rede, um programa de incentivo à leitura nas prisões do Brasil.

Este acto de censura junta-se à recente decisão dos governos estaduais da Rondônia e de Roraima de proibirem, no ensino público, a divulgação de obras clássicas de autores como Camilo Castelo Branco, Machado de Assis e outros.

Assim vai o mundo.

Na imagem, capa da edição brasileira do livro de Isabela. Clique.

COVID 19


Já todos percebemos que a situação é mais grave do que nos fizeram crer. Estamos noutro patamar.

Entretanto, são cada vez mais as vozes (incluindo médicos de todo o mundo) que exigem o afastamento de Tedros Adhanom Ghebreyesus do cargo de director-geral da OMS, considerado por muitos incapaz de gerir a situação.

O etíope é acusado de usar paninhos quentes para não melindrar Pequim nem beliscar os grandes interesses económicos internacionais. Ontem, finalmente, descobriu que o Covid 19 é o inimigo público número um.

As Nações Unidas já receberam um relatório com mais de trezentas mil assinaturas questionando a actuação de Tedros Adhanom Ghebreyesus:

«Em 23 de Janeiro de 2020, ainda Tedros Adhanom Ghebreyesus se recusava a declarar emergência mundial de saúde o surto de vírus na China. A OMS tem de ser neutra em termos políticos. Sem nenhuma investigação, Tedros Adhanom Ghebreyesus acredita apenas nos dados fornecidos pelo Governo chinês. [...]»

Há quinze dias, com um mês de atraso relativamente aos primeiros casos identificados na China, onde tudo começou a 27 de Dezembro, a nova estirpe de coronavírus estava alegadamente controlada.

Hoje sabemos que não está. Pior: o período de incubação não é de 14 dias, mas de 24. Os números oficiais registam 1.115 mortos até ontem, mas na China nem sempre os números oficiais coincidem com a realidade.

Artigos publicados na imprensa chinesa, quem diria, reportam casos de dezenas de famílias infectadas, em Wuhan, as quais estariam sem qualquer tipo de acompanhamento médico.

Quatro navios de cruzeiros estão em regime de quarentena. E só no Diamond Princess, ancorado em Yokohama (Japão) com 2.670 passageiros e mil tripulantes a bordo, foram registados 174 casos de infecção letal.

Sem as amarras da UE, o Reino Unido (oito casos identificados) já decretou emergência de saúde pública.

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terça-feira, 11 de fevereiro de 2020

CASAMENTO GAY EM BELFAST


No dia do sexto aniversário da sua união de facto, Robyn Peoples e Sharni Edwards casaram esta tarde, em Belfast.

Foi o 1.º casamento entre pessoas do mesmo sexo registado na Irlanda do Norte, após a aprovação da lei em Westminster, há sete meses.

A imagem do Guardian mostra o momento em que ambas brindavam no hotel de Carrickfergus onde se realizou o copo-d'água. Clique.

LUCIA BERLIN POR ALMODÓVAR


Pedro Almodóvar aproveitou a passagem por Hollywood para confirmar que ainda este ano rodará dois novos filmes.

Primeiro, uma curta-metragem sobre La Voix Humaine de Cocteau, a interpretar por Tilda Swinton.

A seguir, uma adaptação de Manual para Mulheres de Limpeza, o livro que celebrizou a norte-americana Lucia Berlin (1936-2004) onze anos após a sua morte.

Almodóvar parece o realizador adequado para recriar o universo disfuncional de Lucia Berlin, um compósito de falta de dinheiro, empregos precários como professora, três casamentos falhados, quatro filhos, problemas de saúde muito graves, alcoolismo, toxicodependência e nomadismo compulsivo entre os Estados Unidos, o México, a Argentina e o Chile.

Por todas essas razões, Lucia foi uma outsider dos círculos institucionais da comunidade literária, e só a publicação póstuma do Manual... (2015) fez dela um nome de culto.

Os dois filmes serão rodados em inglês.

Na imagem, Almodóvar e Bong Joon-ho na noite dos Óscares. Clique.

segunda-feira, 10 de fevereiro de 2020

ÓSCARES 2020


Ontem foi noite de Óscares. O grande vencedor foi o coreano Bong Joon-ho, realizador de Parasitas, que ganhou quatro Óscares: melhor filme, melhor realização, melhor argumento original e melhor filme internacional.

Pela 1.ª vez na história da Academia de Hollywood, o mesmo filme coincide nas categorias de melhor filme e melhor filme internacional (estrangeiro). Ainda pela 1.ª vez, um filme de língua não-inglesa vence o prémio de melhor filme.

O preferido, 1917, de Sam Mendes, levou três Óscares, mas todos em categorias técnicas.

Nas interpretações não houve surpresas: Joaquin Phoenix, Renée Zellweger, Brad Pitt e Laura Dern foram laureados como melhor actor, melhor actriz, melhor actor secundário e melhor actriz secundária.

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sexta-feira, 7 de fevereiro de 2020

NOS 80 ANOS DE YVETTE K. CENTENO


Yvette K. Centeno faz hoje 80 anos. Não é todos os dias que temos o prazer de celebrar o 80.º aniversário de um grande autor. A data está a ser assinalada pela Antena 2. Esta manhã, foi transmitida uma entrevista feita por Paulo Alves Guerra e, ao longo do dia, textos de Yvette K. Centeno serão lidos por Fernando Jorge Oliveira.

Filha de mãe polaca e pai português, Yvette K. Centeno nasceu em Lisboa em 1940. Poeta, ficcionista, dramaturga, ensaísta e tradutora, publicou há poucos meses a sua poesia reunida (1961-2018), Entre Silêncios, editada pela Glaciar.

Professora catedrática jubilada da Universidade Nova de Lisboa, de que foi uma das fundadoras, é considerada a mais importante especialista portuguesa em simbologia. Sirvam de exemplo os seminários que orientou sobre a filosofia hermética em Pessoa. Em 1980 criou o Gabinete de Estudos de Simbologia (UNL) e, em 1994, na Fundação Calouste Gulbenkian, o ACARTE, ou seja, o Serviço de Animação, Criação Artística e Educação pela Arte. Orientou seminários e proferiu conferências em diversas universidades estrangeiras, casos de Harvard, Brown, Massachusetts Dartmouth, Tulane, Oxford, Londres, Berlim, Colónia, Paris, Madrid e outras. Foi ainda co-fundadora do CITAC da Universidade de Coimbra.

Além do supracitado «Entre Silêncios», volume da poesia reunida, destaco da sua vasta bibliografia: Quem Se Eu Gritar (1962), As Palavras Que Pena (1972), Os Jardins de Eva (1998), Do Longe e do Perto (2011, diário), No Rio da Memória (2017, memórias), A Alquimia e o Fausto de Goethe (1982), Fernando Pessoa: o Amor, a Morte, a Iniciação (1984), Literatura e Alquimia (1987), A Arte de Jardinar. Ensaio de Literatura Comparada (1991). Mas sobram as peças de teatro, das quais destacaria As Três Cidras do Amor (1991), os livros de literatura infantil e, naturalmente, muitos mais títulos de ficção e ensaio.

Criadora, professora, estudiosa da mística judaica, consultora de organismos culturais nacionais e estrangeiros, Yvette K. Centeno ainda arranjou tempo para traduzir Goethe, Celan, Brecht, Stendhal, Char, Fassbinder, etc.

Tendo vivido largas temporadas em Paris (onde privou com Prévert e Michaux) e uma parte da infância em Buenos Aires, Yvette K. Centeno foi agraciada ao mais alto nível pela França e pela Alemanha, mas, nem por isso, deixa de ser uma das personalidades mais discretas da vida cultural portuguesa.

Parabéns, Yvette.

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quinta-feira, 6 de fevereiro de 2020

OS PORQUÊS

A tranquibérnia em torno do Orçamento de Estado tem de ser vista à luz de duas realidades:

— Amanhã começa o Congresso do PSD, onde Rui Rui ainda não tem garantida maioria na composição do Conselho Nacional.

— A partir de Julho, durante um ano, a Assembleia da República não pode ser dissolvida.

Rio tinha de fazer prova de vida. Em vez disso, enredou-se em coreografias Kabuki.

A blindagem da Assembleia da República é um imperativo constitucional: são os últimos seis meses de Marcelo colados aos primeiros seis meses do novo mandato presidencial, seja com Marcelo ou qualquer outro/a.

Acresce a presidência portuguesa do Conselho da União Europeia, entre 1 de Janeiro e 30 de Junho de 2021, período coincidente com a blindagem da AR.

Isto leva-nos à fussanga do PSD e do BE, que viram nesta discussão uma janela de oportunidade para alterar o status quo.

DONE


Assunto arrumado.
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IVA NO OE 2020

Durante o debate do OE 2020 foram chumbadas todas as propostas de redução do IVA da electricidade.

As que previam descida de 23% para 6%. As que previam descida de 23% para 13%. As que previam retroactividade a 1 de Janeiro (PCP). As que previam redução a partir de 1 de Julho (BE). As que previam redução a partir de 1 de Outubro, com contrapartidas (PSD).

O Bloco de Esquerda votou ao lado do CHEGA. Foi o único partido que o fez.

KIRK DOUGLAS 1916-2020


Kirk Douglas morreu ontem, aos 103 anos. Protagonizou cerca de cem filmes, entre 1946 e 2008. Faceta menos conhecida é a de autor: entre 1988 e 2014 escreveu e publicou oito romances, uma autobiografia, um livro de memórias e dois livros de auto-ajuda espiritual. Mas, para a minha geração, continua a ser Spartacus. A foto é de 1950.

Clique na imagem, uma foto de 1950.

quarta-feira, 5 de fevereiro de 2020

PETS & IRS


Por proposta do PAN, aprovada, os medicamentos para animais passam a ser dedutíveis no IRS.

Por falar nisso: as máscaras anti-coronavírus para animais de companhia entram na categoria de medicamento?

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PAN CHUMBA METRO


No passado 5 de Julho, no Parlamento, todos os partidos, contra a vontade do PS, chumbaram a construção da linha do Metro que ligaria o Rato ao Cais do Sodré, com estações na Estrela e em Santos.

Ontem, na discussão do OE 2020, que previa a referida circular, o PAN conseguiu chumbar a proposta do Governo.

Ao lado do PAN votaram o PSD, BE, PCP e CHEGA. O CDS absteve-se. A IL votou ao lado do PS contra a suspensão da obra.

O que quer o PAN? Isto: «A urgente contratação dos trabalhadores necessários à manutenção e ao normal funcionamento do Metropolitano de Lisboa, tendo em conta as diversas áreas onde se verifica carência de pessoal. [...] Um estudo técnico e de viabilidade económica que permita uma avaliação comparativa entre a extensão até Alcântara e a Linha Circular. [...] Estudos técnicos e económicos necessários com vista à sua expansão prioritária para o concelho de Loures. [...] Uma avaliação global custo-benefício, abrangendo as várias soluções alternativas para a extensão da rede para a zona ocidental de Lisboa...»

Parece sensato. O povo agradece e, fosse como fosse, as tias da Lapa não andam de Metro.

Na imagem, a picotado, a extensão chumbada. Clique.

BUTTIGIEG


Homossexual casado com um homem, Pete Buttigieg, 38 anos, protestante, Democrata, poliglota, formado em História e Literatura por Harvard, antigo tenente da Marinha, mayor de South Bend desde 2012 (venceu os Republicanos em duas eleições consecutivas), foi o inesperado vencedor do Caucus do Iowa com 27% dos votos expressos.

É muito cedo para prever o que vai acontecer em Julho, na Convenção Nacional do Partido Democrata que designará o oponente de Trump. Daqui até lá muita água vai correr sob as pontes. E depois em Novembro o pesadelo.

Mas que já ninguém nos tira esta satisfação.

Na imagem, Buttigieg (esquerda) e o marido, Chasten Glezman. Clique.

segunda-feira, 3 de fevereiro de 2020

GEORGE STEINER 1929-2020


Morreu hoje George Steiner, ensaísta, crítico literário e professor de literatura comparada nas universidades de Genebra, Oxford, Nova Iorque, Harvard e Cambridge.

Steiner nasceu em Neuilly-sur-Seine, um subúrbio elegante de Paris, no seio de uma família de banqueiros judeus-austríacos emigrada em França desde 1924 para fugir ao anti-semitismo dos círculos vienenses. No início de 1940, os Steiner mudaram-se para Nova Iorque. Morreu em Cambridge, na Inglaterra, onde vivia há muitos anos. Tinha 90 anos.

«Gostava de ser lembrado como um bom professor de leitura...», disse numa entrevista em 1994.

Entre os cerca de quarenta livros que escreveu, inclui-se um romance sobre Hitler — The Portage to San Cristobal of A.H., 1981 —, e quatro colectâneas de contos.

Mas é o Steiner ensaísta que fica. Gostaria de destacar quatro títulos: Linguagem e Silêncio (1958), Extraterritorial (1968), Errata (1997, autobiografia), e Gramáticas da Criação (2001). Humanista, preocupava-se com temas tão diferentes como as origens da linguagem, a escrita extraterritorial que caracteriza grande parte da literatura universal, o significado do mito da Torre de Babel, o acto de traduzir, etc. A fama chegou na segunda metade dos anos 1960, quando sucedeu a Edmund Wilson na secção de crítica literária da New Yorker. Um dos volumes da sua vasta obra colige precisamente os textos publicados na revista entre 1967 e 1997.

Como escrevi um dia, ler Steiner é ouvir o turbilhão de um pensamento ágil, articulado nas suas mais subtis harmónicas. Sempre admirável.

Deixa viúva a historiadora britânica Zara Shakow Steiner, com quem casou em 1955.

Na imagem, Steiner em 2008. Clique.

CLUB DES CORDELIERS

No dia em que tem início a discussão na especialidade do OE 2020, a saída de cena do Livre, que perdeu representação parlamentar, muda a composição da Assembleia da República.

O que pensam disto os 56 mil votantes da papoila?

A deputada Joacine Katar Moreira exerce desde esta manhã como independente. Vai mudar de lugar e vê reduzida a subvenção anual do seu gabinete na AR, que passa de 117 mil para 57 mil euros. O partido em cujas listas concorreu mantém intacta a sua subvenção.

Lembrar que ainda ontem, na manif anti-racismo, JKM afirmou: «Nasci para estar ali e é ali que vou estar.» A star is born?

domingo, 2 de fevereiro de 2020

ACABOU O FOLHETIM?

Com a chegada, esta noite (20:20), à base militar de Figo Maduro, dos dezassete portugueses repatriados da China, espero que tenha acabado o folhetim do repatriamento de nacionais.

Pela conferência de imprensa que se seguiu, ficámos a saber duas coisas:

— Todos os repatriados se voluntariaram para ficar em isolamento durante 14 dias, uns no Hospital Pulido Valente, outros no Hospital Júlio de Matos, aka Parque da Saúde, ambos de Lisboa.

— Um avião que fazia a ligação entre Hong Kong e Reykjavik foi proibido de aterrar na Islândia, tendo de ser desviado para os Açores, onde os passageiros desembarcaram.