quinta-feira, 25 de outubro de 2018

FUTUROLOGIA

Faltam três dias para a segunda volta das eleições no Brasil. Vou dizer por antecipação o que me parece vai acontecer se, como tudo indica, Bolsonaro for eleito.

A velocidade das decisões dependerá do score obtido: muito rápidas se for igual ou superior a 60%; mais lentas se inferior a 55%. Mais lentas quer dizer só em 2019.

O Congresso Nacional (constituído pelo Senado Federal e a Câmara de Deputados) será dissolvido.

Neste momento, o PT conta com seis senadores (em 81), sendo o partido com maior número de deputados: 56 dos 513. Não chega para aprovar ou contrariar lei nenhuma, mas Bolsonaro tudo fará para ter o seu Congresso.

O PT será ilegalizado. Só por milagre Dilma e Haddad não terão o mesmo destino de Lula.

Será aprovado um novo Código Penal, com a possível reintrodução da pena de morte.

Os direitos, liberdades e garantias da população vão regredir a 1964, ano em que os militares afastaram João Goulart.

Será revogada toda a legislação relacionada com igualdade de género, direitos LGBTI, aborto e tudo o que cheire a normas progressistas.

Os media vão sentir, forte e feio, limites à liberdade de expressão, novelas da Globo incluídas.

Oxalá me engane. Fica escrito por antecipação para conferir mais tarde.

HOLLINGHURST & LYNCH


Hoje na Sábado escrevo sobre O Caso Sparsholt, do inglês Alan Hollinghurst (n. 1954), que em trinta anos publicou seis romances. O melhor continua a ser o primeiro. O mais recente acaba de ser traduzido: as quinhentas páginas do costume, o nível semântico a que o autor nos habituou, quotidiano homossexual em registo upper class, transgressão moderada, ambientes sofisticados, códigos de casta e, claro, dezenas de personagens. A fórmula não falha. Dividido em cinco capítulos, o livro cobre várias décadas. O título remete para um escândalo fictício, envolvendo David Sparsholt, o pai do protagonista. Tudo começa em Oxford durante o Blitz de 1940. David era um rapaz muito atraente à beira de completar dezoito anos e de ingressar na Royal Air Force. Freddie Green narra essa primeira parte: «havia uma vontade de sublimar e enobrecer o corpo de Sparsholt para lá da realidade, já de si sublime.» O intróito contextualiza a narrativa. Nascido em 1952, Johnny é filho daquele mesmo David que electrizara o college. Retratista e restaurador de antiguidades, o seu percurso ilustra a evolução de costumes na Inglaterra. Após anos de sexo clandestino, tal como seu pai, gozou a libertação: clubes gays, aplicativos móveis para encontros de natureza sexual (como o Grindr), casamento com outro homem, uma filha gerada por doação de esperma a uma amiga lésbica. Hollinghurst regista o ar do tempo com sentido pedagógico. É deveras interessante a forma como transpõe para a vida de Johnny o quotidiano dos amigos que o pai fizera em Oxford. Omite a sida porque foi assunto foi tratado em romance anterior. Londres substitui Oxford, mas o universo social mantém-se: artistas e escritores oriundos da boa sociedade. Após a morte do marido (vítima de cancro da próstata), Johnny aceita retratar, ao jeito de conversation piece, a família de Bella Miserden, uma «loura pragmática» que conhecera por acaso na National Portrait Gallery. Os Miserdens eram novos-ricos ligados à multimédia, o tipo de gente que Johnny não frequentava. Atento às nuances comportamentais, Hollinghurst sugere nexo de causalidade entre a fase depressiva e a aceitação do trabalho. David praticamente desaparece do plot. Quatro estrelas. Publicou a Dom Quixote.

Escrevo ainda sobre Espaço Para Sonhar, a biografia de David Lynch (n. 1946) escrita por Kristine Mackenna e pelo biografado. A edição portuguesa descobriu o filão biográfico. Ainda bem. Ela redigiu a biografia, ele acrescentou-lhe páginas de memórias. A solução não é comum, mas resultou. Obra a quatro mãos, portanto. Além de cineasta, Lynch também é actor, músico, pintor, fotógrafo, designer de móveis e autor de um livro sobre meditação transcendental que expõe o modo como aprendeu a controlar a sua própria violência. Ou seja, o mais próximo que hoje encontramos de um homem da Renascença. Para melhor compor o retrato, Kristine Mackenna fez mais de cem entrevistas com actores, agentes, amigos, antigas mulheres (Lynch casou quatro vezes), familiares, músicos e colaboradores. O mais interessante são as revelações sobre o móbil de certos filmes. Por exemplo, Lost Highway não existiria sem o caso O.J. Simpson. O fascínio por sangue é um item revelador. O volume inclui dezenas de fotografias, filmografia, cronologia de exposições, bibliografia, notas, e o indispensável índice remissivo. Uma edição cuidada. Quatro estrelas. Publicou a Elsinore.

PÓS-DEMOCRACIA


Quem quer que tenha enviado os engenhos explosivos e as cartas com pó branco (antraz?) para as residências de Hillary e Bill Clinton, Obama e família, do antigo procurador-geral Eric Holder, de John Brennan, antigo director da CIA, das congressistas democratas Debbie Wasserman Schultz e Maxine Waters, da redacção da CNN em Nova Iorque, do magnata George Soros (acusado pelos Republicanos de financiar a campanha contra o juiz Brett Kavanaugh), mas também, soube-se entretanto, para Joe Biden, vice de Obama, sabia que apenas os pacotes dirigidos à CNN e a Soros chegariam ao destino. Todos os outros fazem parte de uma lista de personalidades cujo correio é verificado antes de ser entregue.

O objectivo era provocar alarme, e isso foi conseguido com o pacote que chegou à CNN. O edifício teve de ser evacuado, o recado deu a volta ao mundo, Trump viu-se obrigado a comentar o assunto numa sessão da Casa Branca dedicada ao combate ao tráfico de opiáceos, Hillary fez um statement, Andrew Cuomo, governador do Estado de Nova Iorque, e Bill de Blasio, mayor da cidade, deram uma conferência de imprensa a repudiar o sucedido.

A ver vamos o resultado que isto tudo dá.

Na imagem, o engenho enviado à CNN.

terça-feira, 23 de outubro de 2018

ERDOGAN & KHASHOGGI

Hoje mesmo, dia em que começou a cimeira económica de Riade (versão superlativa do Forum de Davos), Erdogan foi ao Parlamento turco falar sobre o assassinato de Jamal Khashoggi:

«Os serviços de segurança turcos têm provas de que foi um assassinato político premeditado, meticulosamente planeado, executado de forma selvagem. [...] Não duvido da sinceridade do rei Salman. Mas é necessária uma investigação independente, com a participação de vários países. [...] A Turquia e o mundo só ficarão satisfeitos quando os responsáveis superiores e todos os intervenientes directos forem responsabilizados

Não passou despercebida a vénia ao rei saudita. Mohammed bin Salman, o príncipe herdeiro que governa o reino, nunca foi mencionado, mas já toda a gente percebeu que foi ele o cérebro da operação.

É extraordinário ver o Presidente turco tão empenhado no esclarecimento da morte de Khashoggi. Porque, desde a tentativa de golpe de Estado em Julho de 2016, a Turquia mantém presos mais de cem jornalistas (seis foram condenados a prisão perpétua), encerrou jornais, e tem controlo férreo sobre os media e as redes sociais. A explicação de que seria amigo de Khashoggi é curta.

Entretanto, vários países (os Estados Unidos, a França, a Alemanha, a Holanda e o Reino Unido) cancelaram a sua participação na cimeira económica de Riade, uma iniciativa do príncipe Mohammed bin Salman.

IMPORTA-SE DE REPETIR?

Preocupados com o Brasil? Talvez seja altura de nos preocuparmos com Portugal.

A Associação Sócio-Profissional Independente da Guarda Nacional Republicana afirmou, em comunicado público, ou seja, em documento oficial, que «os criminosos [...] não são merecedores do mesmo respeito e consideração, por parte do Estado e da comunidade, atribuídos ao cidadão comum.» Não se trata de uma opinião isolada. Trata-se de um comunicado da GNR.

Vivemos num Estado de Direito? A sério?

sábado, 20 de outubro de 2018

JAMAL KHASHOGGI


O assassinato de Jamal Khashoggi (1958-2018), um de vários correspondentes estrangeiros do Washington Post, não foi a primeira nem será a última execução de um jornalista. Pondo de lado o horror do episódio (o jornalista terá sido desmembrado em vida, acabando por morrer ao fim de sete minutos, no momento da decapitação), o que surpreende é a pronta reacção da Turquia, país que não é um modelo de liberdades e garantias.

Ontem, após dezassete dias de pressão por parte de Ankara, Washington e Londres, a Arábia Saudita acabou por reconhecer a morte de Khashoggi no interior do consulado saudita em Istambul, onde o jornalista se tinha deslocado, no passado dia 2, para obter documentação necessária ao casamento com uma turca. Segundo as autoridades de Riade, a morte terá ocorrido em consequência de uma luta corpo a corpo. Mas, se é assim, o que os impede de devolver o corpo?

Riade também diz que os responsáveis directos são 18, e estão presos. Três altos funcionários dos serviços secretos sauditas, um deles muito próximo do príncipe herdeiro Mohammad bin Salman, teriam sido demitidos.

A Turquia avisou os Estados Unidos, com base em gravações de imagem e som: Khashoggi foi desmembrado até morrer. Ou seja: a Turquia assume que monitoriza o interior de instalações diplomáticas estrangeiras. Não é inédito, mas permanece um interdito.

Isto suscita outra questão: os alegados assassinos puderam regressar à Arábia Saudita (existem imagens do embarque) sem serem incomodados pelas autoridades turcas. Porquê?

O próprio empenho de Trump, que mandou um emissário falar com o rei saudita, não deixa de ser curioso. Afinal, a defesa da liberdade de expressão não faz parte dos traços distintivos do presidente americano.

O assassinato de Jamal Khashoggi suscita a repulsa do mundo civilizado, com certeza que sim. O que continua por explicar é o tom da reacção de Ankara e Washgington, porque nenhuma destas ondas de choque bate certo.

sexta-feira, 19 de outubro de 2018

REFORMAS ANTECIPADAS


As redes sociais espelham a realidade: uma pessoa escreve branco, mas, lá onde escrevemos branco, quase todos lêem preto. Acontece a todo o momento.

Pelos vistos, acontece o mesmo a deputados em funções. Muitos de nós ouviram Carlos César, Rui Rio (o único que não é deputado), José Soeiro, Diana Ferreira e Assunção Cristas, dizerem que as novas regras das reformas antecipadas não constam do OE 2019. Ontem tive mais que fazer, mas hoje fui consultar a Proposta de Lei 385/2018, de 13 de Outubro, ou seja, a proposta do Orçamento do Estado para 2019.

Na imagem vê-se a página 87, onde aparece o artigo 90.º que regula o tema. O articulado é claro. Os excelentíssimos deputados não sabem ler?

A peixeirada do CDS, a indignação do PCP, a perplexidade do BE e a surpresa do PSD, fazem parte do jogo político. A reacção da bancada parlamentar do PS suscita interrogações.

Em consequência do sururu no PS, Vieira da Silva, o ministro, esclareceu ontem à noite: «Haverá um processo de transição em que os direitos dessas pessoas se manterão durante o tempo necessário.» Dito de outro modo, o articulado vai ser alterado. Muito bonito. Isto não podia ter sido feito antes?

Clique na imagem.

quarta-feira, 17 de outubro de 2018

ROVISCO SAI

O general Rovisco Duarte, Chefe do Estado-Maior do Exército, demitiu-se esta tarde, alegando, em comunicado distribuído às Forças Armadas: «As circunstâncias políticas assim o exigiram.» Exactamente o contrário do que diz o site da Presidência da República: «Invocando razões pessoais, pede a resignação do cargo...»

Não esquecer que, ontem mesmo, Carlos César, membro do Conselho de Estado, presidente do PS e líder da bancada parlamentar socialista, disse à TSF que a saída de Azeredo Lopes não punha um ponto final no caso de Tancos: «Espero consequências do ponto de vista das Forças Armadas, em particular, do Exército

Foi o empurrão decisivo.

THE CHILDREN ACT


Gosta de Emma Thompson? E dos livros de Ian McEwan? Então vá ver The Children Act, ou seja, A Balada de Adam Henry. O livro é de 2014 e está traduzido em Portugal. O filme é de 2017 mas só este ano teve distribuição comercial (estreou em Londres em Agosto). Emma Thompson está superlativa. A realização de Richard Eyre tem um quê de operático, ou não fosse ele quem é. No livro, o grau de ambiguidade é maior, mas o filme tem o registo certo. Magnífico. Face à acelerada infantilização do cinema, filmes como este fazem bem.

sexta-feira, 12 de outubro de 2018

DEMISSÃO ANUNCIADA

Azeredo Lopes demitiu-se esta tarde. Então e as chefias militares? O caso fica resolvido com a demissão do ministro da Defesa? O Presidente da República, que é também comandante supremo das Forças Armadas, considera-se esclarecido?

O 22 DE JULHO DE 2011


Se tem Netflix, veja o filme 22 de Julho, de Paul Greengrass, disponível desde anteontem. Convém não esquecer.

Lembra-se de Anders Behring Breivik? O partido a que pertence, o FrP, ou Fremskrittspartiet e Framstegspartiet, vulgo Partido do Progresso, faz parte do Governo norueguês desde 2013 e tem actualmente 27 deputados no Parlamento de Oslo.

A 22 de Julho de 2011, Anders Behring Breivik fez explodir um carro-bomba junto ao edifício onde funciona o Governo norueguês e, hora e meia mais tarde, abateu a tiro 69 adolescentes reunidos na ilha de Utoya num acampamento da juventude trabalhista. Por junto, Breivik provocou a morte de 77 pessoas e ferimentos graves em 209. No julgamento foi claro: A Europa e a Noruega têm de ser devolvidas aos europeus e aos noruegueses. Somos muitos. Um ano depois, o FrP estava no poder.

O OVO DA SERPENTE

Consoante o grau de proximidade, as afinidades electivas, o conhecimento da História e a noção de inscrição política (não confundir com inscrição partidária), o que se passa actualmente no Brasil provoca angústia, tristeza, pessimismo e indignação. O problema é que a tranquibérnia brasileira nos faz esquecer a realidade à nossa volta.

Sucede que a realidade europeia não é bonita de ver. Neste momento, partidos de extrema-direita têm assento nos parlamentos da Alemanha, Áustria, Hungria, Polónia, Itália, Suíça, França, Holanda, Dinamarca, Suécia, Noruega, Finlândia, Grécia, Eslovénia e Reino Unido. E fazem parte dos governos da Áustria, da Noruega, da Hungria e da Itália. Na Turquia, país membro da NATO, vive-se hoje como se viveu em Portugal durante o Estado Novo. Portanto, não custa nada perceber o que está em jogo.

quinta-feira, 11 de outubro de 2018

JEAN-PAUL DUBOIS


Hoje na Sábado escrevo sobre A Sucessão, do francês Jean-Paul Dubois (n. 1950). Seguindo à risca o padrão da ficção francesa contemporânea, o autor mete este mundo e o outro no mais recente dos seus romances. Paul Katrakilis, o narrador, é médico, filho e neto de médicos. Nunca exerceu. Em vez disso, tornou-se jogador profissional de pelota basca. Vem de uma família complicada: o avô Spyridon, antigo médico de Estaline, e o tio Jules, relojoeiro, suicidaram-se; a relação da mãe com o irmão roçava o incesto; o pai andava de bata e cuecas pelas alas psiquiátricas do hospital. Foi neste universo que Paul cresceu. Não admira que Miami tenha sido um intervalo de fuga para as suas obsessões. Mas Dubois não consegue alhear-se da Wikipédia. Sirva de exemplo o penúltimo parágrafo da página 144: «Borlin venceu a maratona…» / «Gorbatchev foi recebido…» / «a França de Mitterrand votava a lei…» Oito linhas estranhas ao plot. Há mais. A passagem do avô pela URSS tem momentos deveras surreais. A ideia seria falar de perda, mas o excesso de informação dinamita o propósito. Três estrelas. Publicou a Sextante.

quarta-feira, 10 de outubro de 2018

DRAWING ROOM LISBOA


É hoje inaugurado na Sociedade Nacional de Belas Artes o salão de desenho de Lisboa, uma feira de arte internacional onde estão representadas galerias de Portugal, Espanha, França, Alemanha, Grécia, Colômbia e Brasil. As portuguesas são a 111, a mais antiga do país, a Módulo, a Miguel Nabinho, a Monumental, a Presença (Porto), a Graça Brandão, a Fonseca Macedo (Açores), a Arte Periférica, a Pedro Oliveira (Porto) e a Carlos Carvalho. Oportunidade para ver, a partir das 17:00, dezenas de obras de artistas contemporâneos. À margem da Feira vão realizar-se conferências.

Hoje é para convidados, de amanhã a domingo para o público.

Portugueses representados, alguns por galerias estrangeiras:

Adriana Molder (1975), Ana Jotta (1946), Cecilia Costa (1971), Fernando Marques de Oliveira (1947), Joana Fervença (1988), Joana Pimentel (1971), João Felino (1962), João Gomes Gago (1991), Jorge Martins (1940), José Loureiro (1961), Luisa Cunha (1949), Luís Nobre (1971), Manuel San-Payo (1958), Marco Pires (1977), Margarida Lagarto (1954), Maria José Cavaco (1967), Martinho Costa (1977), Miguel Palma (1964), Nuno Gil (1983), Nuno Henrique (1982), Paulo Lisboa (1977), Pedro A.H. Paixão (1971), Pedro Cabrita Reis (1956), Pedro Calhau (1983), Pedro Gomes (1972), Pedro Vaz (1977), Rui Moreira (1971), Susana Gaudêncio (1977), Tiny Domingos (1968) e Vera Mota (1982). Mas também há Maria Helena Vieira da Silva (1908-1992).

Mónica Álvarez Careaga, Maria do Mar Fazenda, Adelaide Ginga (curadora) e Ivania Gallo são quatro das nove mulheres que fizeram o Drawing Room.

A imagem do convite é de Pedro A.H. Paixão, da 111. Clique.

terça-feira, 9 de outubro de 2018

NONSENSE


Já ouvi mais de uma vez: Isto é campanha, quando chegar a Presidente não faz nada daquilo. Penso exactamente o contrário. Quando chegar ao Planalto vai ser muito pior.

Em vez de mobilizar o país, Haddad foi a Curitiba falar com Lula. Ainda não percebeu que, de cada vez que o fizer, perde votos.

Dilma não está presa, pôde concorrer ao Senado, mas não conseguiu ser eleita. E ainda há quem precise de um desenho para perceber o colapso do PT.

No Estado do Rio de Janeiro, Bolsonaro teve uma média de 60%. No Rio propriamente dito (cidade) teve 58,2%. Quando é que Haddad lá vai? No Estado de São Paulo, Bolsonaro venceu em 629 das 645 cidades.

O que está a acontecer no Brasil é muito grave. Quase tão grave como imaginar que Haddad possa ser a solução. Agora é tarde. A Esquerda brasileira teve seis meses (Lula foi preso a 7 de Abril) para tentar fazer uma frente alargada de democratas. Em vez disso, fez pirotecnia. O resultado está à vista.

Clique no gráfico do jornal brasileiro Globo.

DE 1 PARA 52


Nas eleições de 2014, o PSL, ou seja, o Partido Social Liberal (Bolsonaro), elegeu um deputado. Um. Anteontem elegeu 52 e tornou-se o segundo maior partido com representação parlamentar do Brasil.

Clique no gráfico do jornal brasileiro Globo.

segunda-feira, 8 de outubro de 2018

REFERENDO NULO

Fazendo o trabalho sujo do Governo, que tem de manter as aparências em Bruxelas, a igreja ortodoxa romena mobilizou parte da opinião pública numa tentativa de mudar o artigo da constituição que define o casamento: em vez de «o casamento é a união entre duas pessoas», como consta na Lei, queriam «o casamento é a união entre um homem e uma mulher».

Embora o casamento entre pessoas do mesmo sexo não seja permitido na Roménia, os tribunais têm actuado na defesa dos direitos da comunidade homossexual, fazendo frente aos sectores mais retrógrados da sociedade.

Surgiu assim uma petição, assinada por 3 milhões de pessoas (o país tem 21 milhões de habitantes), que levou o Governo e o Parlamento a organizar o referendo, que se realizou sábado e domingo.

Mas os votantes foram apenas 20%, tornando o referendo nulo. As autoridades não revelaram as percentagens dos que votaram a favor ou contra a mudança.

SEGUNDA VOLTA NA CALHA

Com 48,6 milhões de votos (46,5%), Bolsonaro ficou em primeiro lugar. Disputará a segunda volta com Haddad, que obteve 29,9 milhões de votos (28,7%). No próximo 28 de Outubro saberemos o resultado.

Clique na imagem do jornal Estado de São Paulo.

domingo, 7 de outubro de 2018

BRASIL EM TRANSE

Mais de 147 milhões de eleitores recenseados vão hoje escolher o novo Presidente, 27 governadores, 54 senadores e centenas de deputados federais e estaduais. O voto é obrigatório no Brasil. O último Ibope, ontem divulgado, dava 41% a Bolsonaro e 25% a Haddad.

A SEGUNDA DERROTA DE ANITA HILL

Sob um coro de protestos das galerias do Senado, Brett Kavanaugh foi ontem confirmado juiz do Supremo Tribunal, por 50 votos contra 48. O democrata Joe Manchin votou a favor da nomeação. Dois senadores faltaram à votação. Entretanto, foram presas dezenas de activistas do MeToo. Depois da votação, Kavanaugh tomou posse. O Supremo Tribunal dos Estados Unidos fica agora com cinco juízes conservadores e quatro liberais.