sábado, 6 de janeiro de 2018

OS MAIS BELOS POEMAS PORTUGUESES


Em 1995, mais coisa menos coisa, o editor José da Cruz Santos contactou 25 poetas a quem pediu que escolhessem os 25 mais belos poemas portugueses de sempre. Alguns desses poetas (Sophia, Eugénio, Fiama, Graça Moura, etc.) já morreram. Mas só agora o resultado chegou às livrarias, em dois volumes totalizando 1.260 páginas. O 1.º vai de Afonso X a Ricardo Reis, e o 2.º de Álvaro de Campos a Paulo Teixeira. Nestes dois volumes estão 361 poemas, de 116 poetas, nascidos entre 1221 e 1962. Sanadas as repetições, as 625 escolhas deram lugar aos 361 poemas antologiados. A título de curiosidade, refira-se que o poema mais citado foi O Sentimento dum Ocidental, de Cesário Verde.

Luís Adriano Carlos, poeta, ensaísta e professor da Faculdade de Letras da Universidade do Porto, assina as 34 páginas da introdução, Crítica do gosto literário. O leitor estranhará que, a despeito da erudição, Luís Adriano Carlos faça listas de quem não foi escolhido (uma delas termina praticamente na minha house maid...), ao invés de deter-se nos eleitos. A ausência de verbetes biobibliográficos é outro óbice. Dou um rebuçado a quem souber quem é o poeta António H. Balté. Como de regra, Herberto Helder, João Miguel Fernandes Jorge e Joaquim Manuel Magalhães não autorizaram a publicação de poemas seus.

A primeira meia dúzia dos eleitos é constituída por Camões, com 22 poemas; Nemésio com 17; Sá-Carneiro com 15; Sena e Eugénio com 13 cada um; e o Pessoa ortónimo com 12. Falta gente? Falta sempre gente, mas, numa antologia de gosto, nem podia ser de outro modo. Porém, o cômputo é equilibrado. Uma lista feita por mim não podia ignorar 20 daqueles poemas. Gostei de me ver representado com um poema de 1983.

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quinta-feira, 4 de janeiro de 2018

CAETANO & SCHWEBLIN


Hoje na Sábado escrevo sobre Verdade Tropical, a autobiografia de Caetano Veloso (n. 1942) que chegou finalmente a Portugal. Para esta edição comemorativa do vigésimo aniversário da sua publicação, o autor acrescentou um texto que ilustra o seu estado de espírito em 1997, confessando, sem pudor, que escreveu o livro para confrontar Paulo Francis: «conhecer a reação dele parece que me era necessário.» Mas Francis, um crítico célebre que tinha trocado o Rio por Nova Iorque, morreu precisamente em 1997, antes do livro sair: «Ele morreu quando eu esperava a explicitação do diálogo.» Caetano tinha-se exposto a pensar no que diria o implacável mogul. A decepção virou depressão. Fazendo questão de dizer que não é gay, nem bi, nem hetero («Somos sexuais»), Caetano execra as perseguições movidas, um pouco por toda a parte, contra os homossexuais. Cita com detalhe o caso de Cuba, com as óbvias excepções permitidas aos notáveis. Como sabem os seus admiradores, o activismo político do autor passa sobretudo por questões culturais e identitárias. Os incidentes verificados com a edição americana de Verdade Tropical vão com certeza desconcertar quem vive fora do mundo da edição. Isabel de Sena, filha de Jorge de Sena, foi a tradutora da edição da Knopf, e Caetano gostou do que leu. Mas o editor responsável alterou a ordem dos capítulos, rasurou alguns, e mandou uma colaboradora (que não sabia português) reescrever outros. Estas coisas acontecem todos os dias no universo editorial de língua inglesa, mas não é costume os autores comentarem. A edição francesa foi um desastre por ter sido feita a partir daquela. Os dois meses de prisão, antes do exílio em Londres partilhado com Gilberto Gil, são descritos com parcimónia. Sobre a capital britânica, o inesperado: «em dois anos e meio, não fui uma só vez ver uma peça de teatro inglesa, não assisti a um só concerto de música clássica, não entrei numa livraria ou numa biblioteca, e só fui aos museus […] na semana de voltar ao Brasil.» Os leitores portugueses vão com certeza achar curiosas as referências feitas ao actual Governo português, bem como ao cantor Salvador Sobral. Quatro estrelas. Publicou a Companhia das Letras.

Escrevo ainda sobre Distância de Segurança, o primeiro romance da escritora argentina Samanta Schweblin (n. 1978), que há seis anos é conhecida dos portugueses.  Quem leu os contos de Pássaros na Boca (2011) identifica a origem deste livro. A autora controla o imaginário nevrótico com a naïveté e a cadência que associamos à literatura para a infância: dicurso pedagógico, sincopado, não vá o leitor perder-se nos interstícios da história. O expediente não interfere com a recorrente intromissão do obscuro: «A minha mãe disse que aconteceria alguma coisa má. […] Já quase não há distância de segurança, o fio está tão curto…» O fio condutor enreda o plot num amálgama de derivas. Como detonador, um vírus mortal, que tanto pode ser antrax como outro tipo de agente biológico letal, no que parece ser uma alusão enviesada aos produtos agrícolas geneticamente modificados (neste caso, soja). O medo circula no ar. Os animais não são poupados. A terra devastada é ali. Tudo visto, confirma-se que o conto é a forma em que Samanta Schweblin melhor se exprime. Distância de Segurança foi um passo em falso. Duas estrelas. Publicou a Elsinore.

MODERNO ANTES DOS MODERNOS


Passou ontem na RTP-2 um documentário sobre Ruy Athouguia (1917-2006), um arquitecto que marcou Lisboa e Cascais, um dos maiores da arquitectura portuguesa, infelizmente pouco citado. Formado pela Escola Superior de Belas-Artes do Porto, Ruy de Sequeira Manso Gomes Palma Jervis d’Athouguia Ferreira Pinto Basto sofreu o ónus dos homens e mulheres da sua geração que não pertenceram ao Partido Comunista. As origens aristocráticas, a fortuna da família, o facto de ter pertencido à alta sociedade e o total alheamento da vida política e dos lobbies corporativos, contribuíram para a omissão. A obra não pode ser rasurada, mas, à sua volta, o silêncio é ensurdecedor. Lá fora, Corbusier e Alvar Aalto, entre outros, não pouparam elogios. Para quem não sabe, Athouguia foi o arquitecto do Bairro das Estacas, da Escola do Bairro de São Miguel, da Escola Teixeira de Pascoaes, do Liceu Padre António Vieira, do Edifício Roma, do conjunto de seis edifícios da Praça de Santo António, do edifício-sede e do museu da Fundação Calouste Gulbenkian, etc., tudo isto em Lisboa, bem como de várias obras em Cascais, das quais se destacam a sua própria casa (amplamente citada, fotografada e estudada em revistas estrangeiras da especialidade), bem como as icónicas Casa Sande e Castro e a Torre do Infante. Em Abrantes, o Cineteatro São Pedro também é de sua autoria. O documentário de Nuno Costa Santos e Ricardo Clara Couto contou com depoimentos de Eduardo Souto Moura, muito enfático sobre a importância da obra de Athouguia, Graça Correia, Ana Tostões, Vasco Avillez e outros. O serviço público é isto.

terça-feira, 2 de janeiro de 2018

GUIDA MARIA 1950-2018


Vítima de cancro, morreu hoje a actriz Guida Maria, que no próximo dia 23 faria 68 anos. Guida Maria estreou-se com 7 anos de idade e nunca mais parou. Frequentou o Conservatório Nacional e, em Nova Iorque, a American Academy of Dramatic Arts e o Actors Studio. Até 1978 fez parte do quadro da companhia residente do Teatro Nacional D. Maria II. Popularizada pela televisão, também fez teatro e cinema. Com Os Monólogos da Vagina, de Eve Ensler, teve uma das suas interpretações mais recordadas: a peça esteve em cena no Casino Estoril, durante 4 meses, passando em seguida para o Teatro Villaret e depois para o Auditório dos Oceanos, tendo sido reposta no Casino Estoril entre Outubro e Dezembro de 2016.

RAZIA

Nos anos 1980 e 90, a sida dizimou um terço das figuras mais proeminentes da vida cultural americana. Da literatura à fotografia, passando pelo teatro, cinema, música, bailado, artes plásticas, ciência, universidade, jornalismo, publicidade e moda, a lista de mortos é eloquente. Quase todos homens, mas a morte da modelo Gia Carangi, em Novembro de 1986, provou à opinião pública que as mulheres não eram poupadas.

Nos últimos três meses, a vaga de denúncias por assédio sexual ameaça fazer o mesmo, mantendo os acusados vivos, para opróbrio universal. Tudo começou em Outubro, quando o produtor Harvey Weinstein foi acusado de abuso por várias actrizes. A vaga não parou. Entre actores, staff dos estúdios, altos responsáveis por instituições culturais, senadores e funcionários do Congresso, são mais de quinhentos os homens acusados nos Estados Unidos. O mais recente em data é o antigo bailarino Peter Martins, director do New York City Ballet, que se demitiu hoje, na sequência da divulgação de uma carta anónima, datada de 9 de Dezembro, na qual é acusado de ter obtido favores sexuais de duas dezenas de bailarinos da companhia. Como o mítico James Levine, director emérito da Metropolitan Opera, já tinha passado pelo mesmo em 3 de Dezembro, quando um homem de 48 anos, antigo aluno seu, o acusou de ter sido molestado durante durante oito anos consecutivos (1985-93), é caso para dizer que foram decapitadas as direcções das duas principais instituições culturais de Nova Iorque.

Tudo isto no dia em que 300 mulheres, ligadas à indústria cinematográfica, fundaram o Time’s Up, uma espécie de ONG que tenciona dar apoio e aconselhamento legal a vítimas de assédio sexual nos seus locais de trabalho, incluindo homens.

domingo, 31 de dezembro de 2017

MUNDO CÃO


Julga que a imagem é do Rio Janeiro ou São Paulo? Engana-se. A imagem foi obtida no bairro Skid Row, de Los Angeles. Exactamente. A cidade do glamour, onde acaba de ser vendida uma mansão por 500 milhões de dólares (sim, quinhentos). Em Skid Row vivem cerca de 60 mil sem-abrigo, ou seja, mais de 10% do total de sem-abrigo do país, que são 553 mil.

Segundo a OCDE, os países desenvolvidos com maior número de sem-abrigo são o Canadá, com 0,44% da população total, a Suécia (0,36%), o Reino Unido (0,25%) e os Estados Unidos (0,17%). Dá que pensar.

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quinta-feira, 28 de dezembro de 2017

ANA MARGARIDA & RHODES


Hoje na Sábado escrevo sobre Pequenos Delírios Domésticos, de Ana Margarida de Carvalho. Depois do universo distópico que caracteriza o seu segundo romance (obra que a levou a bisar o Grande Prémio de Romance e Novela da Associação Portuguesa de Escritores), a autora regressa ao real com este livro de contos que leva por título um verso “roubado” a Sérgio Godinho. À laia de prefácio, Chão zero dá testemunho da devastação que assolou o país durante os incêndios de Outubro: «A minha infância é um esgoto atravancado de detritos.» A casa dos bisavós perdida num mar de cinza. Com invulgar economia retórica, e muita eficácia, a frase-síntese diz tudo. Um poema da autora, Apfelstrudel, separa esse texto de abertura do resto do livro. Estamos agora no centro das periferias desapossadas: os prédios-gaiola com as suas «vidraças enjauladas» e toda a panóplia Kitsch que dá cor à miséria dos que têm abertura de telejornal garantida, esse microcosmo de onde por vezes saem voluntários para as madrassas do ódio. Manuel, ou Man-hu-el (o rapaz convertera-se), foi um deles. A Síria pareceu-lhe uma boa solução para virar costas à disfunção familiar. Era isso ou continuar «aos caídos, a arrumar carros, a assaltar velhotas pensionistas para pagar a próxima dose…» Mas na hora da verdade faleceu-lhe a certeza. E o Chico também não foi capaz. O desfecho é absolutamente português. Não deixa de ser uma ironia que o adjectivo «domésticos» surja no título de um livro cujos primeiros contos estão focados em problemas de natureza planetária, tais como a tragédia das migrações e seus efeitos colaterais. Homens e mulheres, aos milhares, que o Mediterrâneo vai engolindo, depois de terem fugido da guerra, da fome, da escravidão, de toda a sorte de abusos e violências. A ilusão da terra prometida foi-lhes fatal: «E alguns, fiados nesse doce rugir da indulgência, deixam-se ir…» O conflito entre Israel e a Palestina não é esquecido. Ana Margarida de Carvalho tem uma prosa limpa, fluente em vários registos, dotada de vocabulário anterior ao regime tuiteiro. Sirvam de exemplo contos como Uma Vida em Centrifugação ou, mais denso, Os Elefantes Têm Sismógrafos nos Pés. Quatro estrelas e meia. Publicou a Relógio d’Água.

Escrevo ainda sobre Instrumental, a polémica autobiografia de James Rhodes (n. 1975), o pianista. Depois da querela judicial intentada pela ex-mulher, o livro pôde finalmente publicar-se. O facto de Rhodes não omitir os abusos sexuais sofridos em criança, fonte de danos na coluna vertebral e do stress pós-traumático que o atormentou durante anos, foi o argumento usado, pois poderia perturbar o filho. Lendo as páginas 99 e 100 percebe-se porquê. Por fim, um tribunal superior desatou o nó e o livro saiu. Ainda bem, porque é o relato desassombrado de um artista que foi ao fundo e conseguiu voltar à tona: «O abuso sexual na infância tem o efeito imediato de nos decepar uma perna…» O leitor não pode deixar-se iludir pelo índice. Por trás dos títulos dos capítulos (obras de música clássica) estão histórias muitas vezes chocantes, narradas com desembaraço, ironia e, podemos dizê-lo, elegância. A superioridade moral dos ‘militantes’ das redes sociais, a cultura da celebridade, o uso de drogas, a hipocrisia da opinião pública relativamente aos casos de pedofilia, os transtornos psicológicos, e outros temas, preenchem páginas bem conseguidas. Mas também ficamos a conhecer a história das Variações Goldberg, de Bach. Cinco estrelas. Publicou a Alfaguara.

BEST OF INTERNACIONAL 2017


As minhas escolhas estrangeiras de 2017, publicadas hoje na revista Sábado. Três romances, uma biografia e uma colectânea de ensaios.

Celebrado como contista, George Saunders estreou-se no romance com Lincoln no Bardo. Em registo tardo-modernista, o livro ficciona a depressão sofrida por Abraham Lincoln após a morte do terceiro filho. A sintaxe desconcerta, a filiação à literatura do absurdo obscurece por vezes a narrativa, mas o leitor deixa-se levar pelos fantasmas que assombram a obra.

Toda a gente ouviu falar de Nathan Zuckerman, o protagonista de nove romances que Philip Roth publicou entre 1979 e 2007. O Escritor Fantasma inaugurou a série, mas chegou ao nosso país depois dos outros. Digressão sobre as origens judaicas do autor, a cena literária de Manhattan, a vida americana nos fifties e as contingências do sexo, o livro é um prodígio de sarcasmo em prosa de primeiríssima água.

Romance em três partes, O Teu Rosto Amanhã é provavelmente a obra mais famosa do espanhol Javier Marías, eterno nobelizável. Oscilando entre presente e passado, cruzando toda a sorte de referências culturais, políticas e sociológicas, o virtuosismo do autor faz um tour d’horizon ao século. Os volumes subtitulam-se, respectivamente, Febre e lança / Dança e sonho / Veneno e sombra e adeus. Notável.

A biografia de Nelson Rodrigues escrita por Ruy Castro é um monumento do género. Nelson, dramaturgo, cronista, romancista, contista, repórter e guionista, não foi um personagem liso, e é provável que só Ruy Castro estivesse à altura de pôr em letra de forma a vida do homem controverso que fez o teatro brasileiro entrar no século XX. A vários títulos, O Anjo Pornográfico é um capítulo da História do Brasil.

Seguir o raciocínio de George Steiner, o último renascentista vivo, releva do puro prazer. A selecção de 28 ensaios publicados na revista New Yorker, entre 1967 e 97, corroboram o papel central do autor no pensamento crítico dos últimos 60 anos. Soljenítsin, Orwell, Céline, Borges, Chomsky, Brecht, o caso Anthony Blunt visto sob nova luz, etc., são dissecados com a ‘força bruta de inteligência’ com que Steiner agarra o leitor da primeira à última página.

BEST OF NACIONAL 2017


As minhas escolhas de ficção nacional publicadas hoje na revista Sábado.

Chegada tarde à vida literária, Cristina Carvalho tem vindo a impor-se à revelia dos lobbies instalados. Rebeldia, o seu romance mais recente, conta a história de uma mulher que, no auge do salazarisno, decide ser senhora do seu destino. Narrado com a tinta forte do realismo sem filtro, o romance tem passagens de rara violência verbal, carga sexual incluída.

Com uma escrita limpa e polida até ao osso, Bruno Vieira Amaral é das vozes mais assertivas da ficção nacional — ao ponto de ter inscrito o Bairro Amélia no cânone. Hoje Estarás Comigo no Paraíso demonstra como, a partir de uma grelha autobiográfica habilmente ficcionada, o romance coloca ao leitor questões da sua própria contemporaneidade.

O romance de estreia de Dulce Garcia, Quando perdes tudo não tens pressa de ir a lado nenhum, confirmou a vitalidade da ficção nacional escrita por mulheres. Numa prosa seca, isenta de autocomplacência, a autora ilustra o terreno movediço de todos os interditos: sexo, droga, violência e disfunções familiares, atrito conjugal. Epítome do estranhamento, a  ‘mulher do saco’ entrou assim na galeria das heroínas de ficção.

sexta-feira, 22 de dezembro de 2017

IRONIA

Se, em vez de eleições legislativas, a Catalunha tivesse votado ontem um referendo, a vitória teria sido do bloco constitucionalista, que obteve 52,1%. Dito de outro modo, continua a ser maior (embora por margem curta) o número daqueles que não querem a independência.

ELEIÇÕES CATALÃS


O partido mais votado foi, sem surpresa, o CIUDADANOS de Inés Arrimadas, com 37 deputados. Do outro lado, contra as sondagens, JUNTS PER CATALUNYA de Carles Puigdemont ficou em 2.º lugar (e não em terceiro), com 34. Em 3.º ficou a ERC de Oriol Junqueras, com 32. O PSC de Miquel Iceta elegeu 17. O partido de Rajoy & Albiol afundou-se, passando de 11 para 3 deputados. Nota curiosa: depois dos ziguezagues da campanha, CATALUNYA EN COMÚ-PODEM de Xavier Domènech colocou-se do lado constitucional. Tudo somado, o bloco independentista elegeu 70 deputados, e os constitucionalistas, apesar de terem obtido mais votos (52,1%), só elegeram 65.

Em Barcelona e Tarragona, os constitucionalistas obtiveram maioria absluta. Os independentistas conseguiram o mesmo em Girona e Lleida. A participação foi de 81,9%. O que vai sair daqui não se sabe.

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quinta-feira, 21 de dezembro de 2017

LM


Quem me conhece sabe que não sou dado a saudosismos. Mas não posso ignorar que nasci e vivi até aos 26 anos em Lourenço Marques. Nunca lá voltei. Não quero voltar. Este livro é sobre a cidade que acabou em Junho de 1975, quando ainda se chamava Lourenço Marques. O nome actual, Maputo, chegou 9 meses depois da independência de Moçambique. O autor, João Mendes de Almeida, é médico otorrinolaringologista no Funchal. Como não esqueceu a sua cidade, dedicou-lhe este grosso volume de grande formato (28,5x21,5cm) e capa dura, com 630 páginas em papel couché e centenas de fotografias. Na área do desporto, em especial nas modalidades mais praticadas (natação, ténis, hóquei, basquetebol, vela, remo, caça submarina, ginástica desportiva, hipismo, esgrima, etc.) é um verdadeiro Who's Who. O mesmo não se pode dizer da área cultural, com omissões gritantes e escolhas equívocas. Não obstante, uma obra de referência.

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ELEIÇÕES NA CATALUNHA

Hoje, cerca de 5,6 milhões de catalães votam a novo Parlamento. Segundo as últimas sondagens, constitucionalistas e independentistas estão tecnicamente empatados. Os partidos mais importantes são, do lado constitucionalista, o CIUDADANOS de Inés Arrimadas, o PSC de Miquel Iceta, e o PP de Xavier García Albiol; e, do lado independentista, a ERC de Oriol Junqueras, JUNTS PER CATALUNYA de Carles Puigdemont, e a CUP de Carles Riera. Numa zona de sombra, nem sim nem sopas, CATALUNYA EN COMÚ-PODEM de Xavier Domènech. Quando foram 7 da tarde em Portugal saberemos o previsível desfecho.

segunda-feira, 18 de dezembro de 2017

OUTRA VEZ


Os neo-nazis regressaram ao Governo da Áustria. Sebastian Kurz, 31 anos, Chanceler eleito e líder do Partido Popular, coligou-se com Heinz-Christian Strache, 48 anos, líder do Partido da Liberdade, o FPÖ, fundado em 1956 por proeminentes nazis. Não é a primeira vez que o FPÖ chega ao poder, mas, em 2000, a controvérsia junto da opinião pública austríaca e internacional, de Israel e da UE foi tanta, que Jörg Haider não chegou a entrar no Governo. Agora, Heinz-Christian Strache é vice-chanceler, e o FPÖ nomeou 6 dos 13 ministros, entre eles os do Interior, Defesa e Negócios Estrangeiros.

Heinz-Christian Strache queria referendar a saída da UE, mas o acordo de coligação deixa o tema em stand by. O que está decidido é fechar imediatamente as portas à imigração. Ontem, em Viena, ocorreram manifestações anti-fascistas defronte do Palácio Imperial de Hofburg, reprimidas por cerca de dois mil polícias, helicópteros e canhões de água.

domingo, 17 de dezembro de 2017

THE CROWN


Viver em democracia tem custos. Quem viu ou vê a série britânica The Crown, de Peter Morgan, que passa na Netflix, surpreende-se com a forma como temas ‘melindrosos’ são tratados. A relação de Isabel II com o marido não omite a faceta de mulherengo do Duque de Edimburgo. O próprio passado de Filipe é dissecado sem filtros: as simpatias nazis da família são expostas de forma bruta. Por falar em nazismo, o Duque de Windsor (o rei Eduardo VIII, que abdicou em 1936) não sai nada bem no retrato. O assunto não constitui novidade, mas nunca tinha sido tratado sem ambiguidades. O Duque queria mesmo regressar ao trono pela mão de Hitler. A crise do canal do Suez e a demissão de Eden mostram bem a hipocrisia brit. O mesmo se diga do escândalo Profumo, que não poupa o Duque de Edimburgo, habitué das festas de Stephen Ward, o osteopata que fornecia meninas à alta sociedade. Muito interessante o modo como o casamento da princesa Margarida com Tony Amstrong-Jones é ilustrado: a série põe o futuro Lord Snowdon na cama com outros cavalheiros, o que também não é uma revelação, mas uma coisa são rumores, outra bem diferente pôr os factos na televisão. Junte a tudo isto álcool e drogas. Ainda só vamos na segunda temporada, que termina em 1964, com o nascimento do príncipe Eduardo, o quarto filho da rainha, portanto imagina-se o que virá a seguir, com a entrada em cena de Diana. Não esquecer que a rainha e o marido estão vivos. Em Portugal, nem com gente morta há 500 anos seria possível.

CASAS


Após a devastação dos fogos, tornou-se necessário reconstruir 800 casas no Norte e Centro do país. Uma boa oportunidade para mudar a paisagem rural, um pesadelo de casas altas como catedrais, telhados alucinantes, escadas exteriores, muros com rebites dourados, ninfas de gesso no portão e ausência de árvores nos quintais. Neste momento, em Pedrógão Grande, estão prontas 112 casas novas. A que se vê na foto é um bom exemplo do que devia ser a regra. Mas, no mesmo local, existem outras reconstruídas segundo o modelo rural-canónico. É uma pena deixar passar esta oportunidade única.

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sábado, 16 de dezembro de 2017

IMPORTA-SE DE REPETIR?


Comparar Cavaco Silva com Cary Grant, como a antiga primeira-dama faz no Sol, significa que a Senhora não conhece a biografia do actor. Forçado a viver no armário, Mr Grant casou cinco vezes, mas era bissexual. A sua relação amorosa mais importante foi com o actor Randolph Scott, e durou doze anos: 1932-44. Mas as diabruras de Grant não ficam por aqui. A partir dos anos 1950 tornou-se consumidor de LSD, e terá sido ele a convencer a sua grande amiga Grace Kelly a animar as festas do palácio monegasco com os famosos pacotinhos de cocaína que eram distribuídos aos convidados. Acusações de violência doméstica contra as mulheres também fazem parte do CV do actor. Claro que Cary Grant foi um ícone heterossexual, mas Rock Hudson também, representando ambos, em épocas diferentes, o ideal de beleza masculina. Mulheres de sucessivas gerações sonharam com eles. Mas do que os dois gostavam era de homens. A comparação de Maria é bizarra.

Foto de Cary & Randolph escolhida entre dezenas. Clique.

sexta-feira, 15 de dezembro de 2017

RARÍSSIMAS


O folhetim ainda vai no adro. Uma auditoria divulgada há pouco demonstra que foi Joaquina de Magalhães Teixeira, antiga vice-presidente (saiu em Julho) da associação, quem desviou donativos em dinheiro no valor de 270 mil euros, enviados para a Delegação Norte, na Maia. Além dessa verba, também não depositou mais 57 mil euros. Foi Paula Brito Costa quem, em Julho, alertou a Judiciária.

Toda a roupa suja na RTP, a partir das 20h.

PESSOA 2017


O arquitecto Manuel Aires Mateus, 53 anos, é o vencedor do Prémio Pessoa 2017. Em Portugal, a obra mais recente é o edifício-sede da EDP, em Lisboa. No estrangeiro, é o Centro de Criação Contemporânea de Tours. Manuel Aires Mateus leccionou na Graduate Scholl of Desing, de Harvard (USA), leccionando actualmente na Accademia di Architettura de Mendrisio, na Suíça. Um prémio merecido.

EUROSONDAGEM


Maioria de Esquerda = 55,8%. Sozinho, o PS ultrapassa a PAF em 5,4%. Clique na imagem do Expresso para ler melhor.