quarta-feira, 1 de novembro de 2017

PARIS REVIEW & SANDRO WILLIAM JUNQUEIRA


Hoje na Sábado escrevo sobre o terceiro tomo de entrevistas compiladas da Paris Review. Fundada em 1953, a revista mantém-se como uma das mais prestigiadas do mundo. A sua mudança para Nova Iorque, ocorrida em 1973, ditou a continuidade. Com 222 números publicados até ao momento, continua a ter nas entrevistas a sua pièce de résistance. Em Portugal estão traduzidas três colectâneas, sendo o volume mais recente da responsabilidade de Alda Rodrigues. Este número inclui entrevistas com Alice Munro (1931), Dorothy Parker (1893-1967), Elena Ferrante (1943), George Steiner (1929), Henry Miller (1891-1980), Emmanuel Carrère (1957), John Steinbeck (1902-1968), Julian Barnes (1946), Karl Ove Knausgard (1968), Lydia Davis (1947), Susan Sontag (1933-2004) e W.H. Auden (1907-1973), ou seja, sete escritores vivos e cinco já desaparecidos. A inclusão de Ferrante e Knausgard faz vénia à repercussão mediática das obras respectivas, enquanto Carrère preenche a quota francesa. Nove são ficcionistas puros, um é poeta, e os outros dois são ensaístas, embora Sontag, notabilizada como tal, também tenha escrito romances. A entrevista mais longa é com George Steiner. Setenta páginas prodigiosas nas quais acompanhamos o raciocínio do último renascentista vivo. A partir de temas concretos, o autor confessa o ‘atrito’ com a ficção: «precisam de um romancista a sério, que eu não sou.» O mesmo para a poesia. Por isso ficou pensador, controverso dos dois lados do Atlântico, erudito como muito poucos, senhor de uma cosmogonia única. Não há espaço para resumir as respostas que deu em 1994, mas elas valem pelo livro todo. Sontag também é brilhante, mas olha para a posteridade. Ferrante é prosaica. Auden enfatiza o senso comum em registo sarcástico (e trata o companheiro de uma vida como senhor Kallman). Knausgard, entrevistado por James Wood himself, concede que não escreve bem: «A verdade é que sou demasiado autocrítico para ser escritor, e fui muito crítico com este projecto. Foi uma tortura.» Refere-se aos seis volumes de A Minha Luta. O norueguês põe o acento tónico no politicamente correcto: já ninguém discute o que interessa porque o feminismo e o multiculturalismo é que são importantes. Barnes nunca desilude. Carrère é o único que pronuncia… chique. Cinco estrelas. Publicou a Tinta da China.

Escrevo ainda sobre Quando as Girafas Baixam o Pescoço, de Sandro William Junqueira (n. 1974). Entre os novos ficcionistas, a sua voz distingue-se com nitidez. Autor de quatro romances, uma peça de teatro e dois livros para a infância, Sandro William Junqueira manipula com fluência um universo semântico muito pessoal. O livro mais recente é uma alegoria bem escarolada da não-razão de sobreviver: «Naquela urbanização há um buraco. Uma falha no ordenamento do betão.» A linearidade é enganadora. O imáginário do autor dribla o leitor mais precavido. Os interstícios da prosa vão sendo sinalizados por ecos do Modernismo. Montado numa sucessão de sketches, o romance secciona a narrativa em cem micro-capítulos. O sexo é recorrente: «enfiou dentro de si o maior número de dedos que conseguiu.» Certa ideia de cenografia molda várias passagens. Vera, uma das protagonistas, «tem um filho atravessado na barriga. E tem o pai do filho atravessado na garganta. […] Mas ela sabe que não pode ter duas coisas atravessadas no corpo ao mesmo tempo.» Não é despiciendo supor que, em data incerta, Sandro William Junqueira possa vir a autonomizar uma das estórias. Quatro estrelas. Publicou a Caminho.

TERROR EM NOVA IORQUE


Halloween trágico. Ontem ao fim da tarde, guiando uma carrinha de caixa aberta e gritando Allahu akbar, um homem de 29 anos atropelou dezenas de ciclistas em Nova Iorque, na ciclovia contígua ao rio Hudson. Oito pessoas morreram e onze estão em estado grave. Cinco dos oito mortos são argentinos. O atacante, oriundo do Uzbequistão, vivia em Nova Iorque desde 2010 e tinha consigo documentação do Daesh. Só foi detido (com um tiro na barriga) depois de percorrer 1,6 quilómetros e deixar um rasto de sangue e bicicletas destruídas. É o ataque mais grave ocorrido em Nova Iorque desde o 11 de Setembro.

A imagem é do New York Times. Clique.

terça-feira, 31 de outubro de 2017

O FUGITIVO


Puigdemont está na Bélgica, disse hoje em conferência de imprensa, «porque Bruxelas é a capital da Europa e o problema catalão é um problema europeu». Bem pode esperar sentado. Disse mais: tenciona manter ali um Govern no exílio, e só voltará a Espanha se e quanto tiver garantias. Tudo isto dá a medida da trapalhada em que meteu parte da população catalã, ávida de uma independência pronta-a-servir, mas iludida ao ponto de não ter parado um minuto para pensar em detalhes como a moeda própria e o limbo diplomático.

Aguardemos os próximos desenvolvimentos. Para já, fica no ar a perplexidade de milhões de espanhois e o repto lançado por Kris Peeters, vice-primeiro-ministro do Governo belga: «Se declaraste a independência tens de estar com o teu povo. Não aqui.» Paul Bekaert, o advogado flamengo da ETA, foi contratado pelo ex-President, mas onde ele faz falta é em Espanha, a defender os que não fugiram.

segunda-feira, 30 de outubro de 2017

PUIGDEMONT & OS CINCO


Lluís Llach, deputado catalão do partido Junts pel Sí, escreveu no Twitter que Puigdemont e os ex-consellers que o acompanharam vão estabelecer em Bruxelas um Govern no exílio. Com Puigdemont seguiram Joaquim Forn, Meritxell Borràs, Antoni Comín, Dolors Bassa e Meritxell Serret, que ocupavam as pastas do Interior, Governação, Saúde, Trabalho e Agricultura. A fuga fez-se de carro entre Barcelona e Marselha, e de avião entre Marselha e Bruxelas.

A imagem mostra Puigdemont e os cinco. Clique para ver melhor.

SAÍDA PELA ESQUERDA BAIXA


No dia em que foi acusado de rebelião, golpe de Estado, desvio de fundos públicos e delitos conexos, Puigdemont e um grupo de ex-consellers (entre 5 e 8, conforme as fontes) fugiram para Bruxelas. O Governo belga vê com apreensão a sua presença no país, pois um pedido de asilo político abriria um conflito na UE.

A atitude de Puigdemont contrasta com o do seu ex-vice, Oriol Junqueras, que permanece em Barcelona. Como em tudo, ou se tem guts, ou não tem.

Clique na imagem.

ACUSADOS


Num acórdão de 118 páginas, José Manuel Maza, procurador-geral do Ministério Público de Espanha, acusa Puigdemont, Carme Forcadell e os membros da Mesa do Parlament, Junqueras e os consellers do Govern catalão, dos crimes de rebelião, sedição, desvio de fundos públicos e delitos conexos. Para evitarem a prisão, cada um dos 20 arguidos terá de pagar 300 mil euros de fiança.

Carles Puigdemont, Carme Forcadell, Oriol Junqueras, Jordi Turul, Raül Romeva, Antoni Comín, Josep Rull, Dolors Bassa, Meritxell Borràs, Clara Ponsatí i Obiols, Joaquim Forn, Lluís Puig i Gordi, Carles Mundó, Santiago Vila, Meritxell Serret i Aleu, Lluís María Corominas, Lluis Guinó, Anna Simó, Ramona Barrufet e Joan Josep Nuet i Pujals têm de apresentar-se ‘com urgência’ em Madrid.

Na imagem, a primeira página da acusação. Clique.

sábado, 28 de outubro de 2017

O DAY AFTER


Suprema ironia, Soraya Sáenz de Santamaría, vice-presidenta do Governo espanhol, provavelmente a ministra mais conservadora de Rajoy, ocupa agora o cargo de Presidenta da Generalitat. Ficará no lugar até ao regresso da normalidade, ou seja, até à entrada em funções do Governo que sair das eleições autonómicas de 21 de Dezembro. Caiu por terra a ideia de um ‘comissário’ de perfil técnico. 

Além de Puigdemont, Junqueras e todos os membros do Governo catalão, também foram demitidos 150 altos funcionários da Generalitat. Um deles foi Trapero, director-geral dos Mossos d'Esquadra.

sexta-feira, 27 de outubro de 2017

CATALEXIT & 155


Por 214 votos a favor, 47 contra e uma abstenção, o Senado espanhol aprovou a aplicação, na Catalunha, do art.º 155 da Constituição. A medida, que entra em vigor amanhã, destitui Puigdemont do cargo de Presidente da Generalitat, exonera todos os membros do Governo catalão, inibe o Parlament de legislar contra os interesses de Espanha, retira autonomia aos Mossos d'Esquadra, permitirá intervir em todos os organismos públicos da Catalunha (a TV3 é um deles), etc. Em Maio de 2018 haverá eleições autonómicas. Rajoy reuniu o Conselho de Ministros para ratificar a decisão do Senado

Cerca de uma hora antes, o Parlament catalão tinha aprovado a declaração unilateral de independência da Catalunha por 70 votos a favor, 10 contra e duas abstenções. A votação fez-se por voto secreto, em urna (uma imposição dos independentistas), depois de 52 deputados anti-independência terem abandonado o plenário.

Clique na imagem do El País.

O DIA D?


O Parlamento catalão prevê votar hoje a declaração unilateral de independência da Catalunha. A sessão estava marcada para as 11 da manhã, hora portuguesa, mas ainda não começou porque mais de metade dos deputados não chegaram. Constituir «una República catalana como estado independiente soberano, democrático y social...» é a proposta conjunta da CUP e de Junts pel Sí.

Se a DUI for aprovada, como se prevê, terá de ser eleita no prazo de 15 dias uma comissão constituinte.

Em rota de colisão com os independentistas, demitiu-se ontem o historiador Santi Vila, consejero (ministro) da Economia e Conhecimento do Govern catalão.

Enquanto isto, em Madrid, o Senado prepara-se para votar a intervenção na Catalunha.

As imagens mostram a primeira e última páginas das dez que constituem a proposta de DUI. Clique nelas.

quinta-feira, 26 de outubro de 2017

TRAPALHADA


Dando curso às suas habituais indecisões, Puigdemont anunciou ontem que iria hoje a Madrid defender no Senado os anseios da Catalunha. Ao princípio da noite, desistiu. Esta manhã fez crer que convocaria eleições autonómicas para 20 de Dezembro. O anúncio formal esteve anunciado para as 13:30h, foi adiado uma hora, e cancelado às 14:20h. Frente ao Palau, milhares de estudantes gritaram: Puigdemont traidor. Queremos a independência já!

Às cinco da tarde, o Presidente da Generalitat foi ao Parlamento catalão passar a bola:

«[...] No hay ninguna garantía que justifique la convocatoria de unas elecciones. No acepto las medidas del articulo 115 por injustas. He intentado obtener las garantías para hacer estas elecciones pero esto no ha obtenido una respuesta responsable del PP que ha aprovechado para añadir tensión. [...]»

Disse e abandonou o edifício. A sessão plenária prossegue.

Cabe perguntar: porquê e para quê a trapalhada do referendo do passado dia 1? Entretanto, mais de 1.500 empresas transferiram as suas sedes sociais e fiscais para fora da Catalunha. Quando, amanhã ou no sábado, a Catalunha for intervencionada ao abrigo do art.º 155 da Constituição de Espanha, a quem vão os catalães pedir responsabilidades?

Clique na imagem do jornal Català Digital.

MARÍAS & REYES


Hoje na Sábado escrevo sobre o primeiro dos três volumes que compõem O Teu Rosto Amanhã, um dos romances mais famosos do espanhol Javier Marías (n. 1951). Este primeiro volume, que agora voltou às livrarias, tem por subtítulo Febre e lança. Eterno nobelizável, romancista, ensaísta e tradutor dos mais notáveis entre os seus pares europeus e americanos, Javier Marías serve-se da sua vasta experiência anglo-saxónica (viveu a infância e parte da adolescência nos Estados Unidos, onde o pai se exilou por causa de Franco) para construir a teia oxbridge que está no centro do romance. O narrador tem o dom de ler as consciências, antecipando comportamentos e acontecimentos futuros: «A mim pagaram-me para contar o que ainda não era nem tinha sido...» Como será o nosso rosto amanhã? A ideia de uma organização secreta, porventura inexistente, apostada em escrutinar um futuro a haver, remete para Philip K. Dick e outros. Tudo começa com o pacto estabelecido entre Jacques Deza e Sir Peter Wheeler, esse «falso ancião» capaz das maiores maquinações. Escrito e publicado em 2002, este primeiro volume de O Teu Rosto Amanhã oscila entre o presente e o passado, com ênfase particular nos meandros da Guerra Civil Espanhola. Jacques Deza, provável alter-ego do autor, e narrador autodiegético da obra, não deixa escapar nada: esquecimento, traição, racismo, ódios, sexo, filosofia, serviços secretos britânicos e russos, repressão franquista, Hugo Chávez, Literatura, Tristram Shandy (uma das traduções de Javier Marías), Ian Fleming, Orwell, Geração de 27, gossip diplomático, Margaret Thatcher, idiossincrasias, Brecht, etc. Em pano de fundo omnipresente, o Mal, na peculiar concepção do autor: «Hoje existe um gosto de se expor ao mais baixo e vil, ao monstruoso e ao aberrante…» Por vezes, a sintaxe cola-se à forma de inventário (acontece nas citações bibliográficas inseridas na narrativa), mas não se trata de menor apuro. Javier Marías domina todos os recursos estilísticos, encaixando na prosa, com naturalidade, registos aparentemente antagónicos. A tentação do ensaio surge nos interstícios da narrativa, facto que não é novidade na obra ficcional do autor. O mesmo se diga do excesso de apontamentos eruditos. Este volume inclui iconografia. Cinco estrelas. Publicou a Alfaguara.

Escrevo ainda sobre O Livro de Emma Reyes. A infância da pintora colombiana Emma Reyes (1919-2003) está contida nas 23 cartas que preenchem o Livro. Emma nasceu num bairro de lata de Bogotá, tendo sido entregue ainda criança ao ‘cuidado’ de uma mulher que a mantinha trancada num quarto sem janelas, sem água e sem luz eléctrica. Mais tarde foi internada num convento de freiras onde durante 15 anos sofreu abusos de vária ordem. Dos pais não há notícia. Depois da evasão (1938) aprendeu a ler e escrever, viajou à boleia pela América Latina, casou no Uruguai e ganhou uma bolsa para estudar em Paris, onde casaria pela segunda vez e privaria com Germán Arciniegas e outros. Foi Germán quem a convenceu a pôr o passado por escrito (o livro foi publicado em 2012 por decisão dos herdeiros do historiador). As cartas começam no dia em que De Gaulle abandonou o Eliseu. Este volume inclui o fac-símile dessa primeira carta, bem como desenhos. Emma Reyes faz o relato do indizível sem autocomplacência: «Nesse ano, e por culpa do Diabo, o Papa não recebeu o nosso presente.» Não obstante a secura, terrível. Cinco estrelas. Publicou a Quetzal.

quarta-feira, 25 de outubro de 2017

ATÉ QUE ENFIM


A decisão foi tomada hoje à noite pelo Conselho Superior de Magistratura.
Clique na imagem do Expresso.

WENDERS


O Presidente da República condecorou Wim Wenders com o grau de Comendador da Ordem do Mérito. Para Marcelo Rebelo de Sousa, o realizador alemão, laureado na mesma cerimónia com o Prémio Europeu Helena Vaz da Silva, marca-nos a todos porque... «Cada passo da nossa vida corresponde a um ou dois filmes seus.» Vero? Nanja comigo.

Tenho ali uma vintena de realizadores que me foram marcando ao longo da vida (Antonioni, Altman, Bergman, Buñuel, Carpenter, Cassavetes, Chabrol, DeMille, Fellini, Hawks, Kazan, Kubrick, Losey, Minnelli, Pasolini, Polanski, Pollack, Ray, Rohmer, Wilder), e este cavalheiro não consta. Mas gostos não se discutem. Em todo o caso, que a Presidência da República tenha sido capaz de um upgrade de Katia Guerreiro para Wim Wenders é um bom sinal.

Clique na imagem.

terça-feira, 24 de outubro de 2017

MOÇÃO CRISTAS REJEITADA

Por 122 votos contra 105, o Parlamento rejeitou a Moção de Censura do CDS. Votaram contra: PS, BE, PCP, PEV e PAN. Votaram a favor: CDS e PSD. O Presidente da República queria nova legitimação? Aí a tem.

UNIDADE DE MISSÃO


Tiago Oliveira, 47 anos, doutorado em Governança de Risco de Incêndio, investigador do Centro de Estudos Florestais da Universidade de Lisboa, responsável pela protecção florestal do grupo Navigator, foi empossado esta manhã como Chefe da Unidade de Missão para a Protecção Civil. Em termos protocolares e de responsabilidade, o cargo é equivalente ao de secretário de Estado, ficando Tiago Oliveira na dependência directa do primeiro-ministro. A dimensão das responsabilidades é imensa. Tiago Oliveira terá de pôr na ordem as várias associações de bombeiros, coordenar as forças de segurança envolvidas, estabelecer prioridades, canalizar meios humanos e materiais, enfim, reconstruir o país ardido e criar condições para que o 15 de Outubro não se repita.

segunda-feira, 23 de outubro de 2017

CAPAZES


A associação feminista CAPAZES vai apresentar queixa ao Conselho Superior de Magistratura contra o relator do acórdão da Relação do Porto que, no passado dia 11, a propósito de adultério, invocou a Bíblia e o Código Civil de 1886. Ou seja, contra o juiz desembargador Neto de Moura e a juíza Maria Luísa Arantes que também assinou.

Na imagem, primeira página do referido acórdão. Clique.

EM QUE FICAMOS?

Afinal, o que quer Puigdemont? Impôs o ‘referendo’ do passado dia 1 e, com base nele, foi ao Parlamento catalão no dia 10 declarar o direito da Catalunha à independência sob a forma de República, tendo suspendido acto contínuo os seus efeitos.

Entretanto, no dia 21, o Governo espanhol accionou o art.º 155 da Constituição, decisão que terá de ser votada no Senado (onde o PP detém maioria absoluta) no próximo dia 27. Puigdemont reconhece a humilhação mas não tira consequências dela.

Até ao momento, mais de 1.300 empresas, incluindo todas as cotadas no IBEX 35, retiraram da Catalunha as suas sedes sociais e fiscais. Puigdemont assobia para o lado.

Puigdemont gosta de manifestações. Fora isso, não parece capaz de nada. Trapero, o comandante dos Mossos, foi acusado de sedição, demitido e constituído arguido no passado dia 4. O que fez Puigdemont? Nada. Jordi Sànchez, presidente da Assembleia Nacional Catalã, e Jordi Cuixart, presidente de Òmnium Cultural, foram presos no passado dia 16 acusados de incitamento à violência. Puigdemont foi à manif solidária.

Não estaria na altura de suspender a suspensão da DUI?

E nem falo de eleições, porque Puigdemont foge delas como o Diabo da cruz.

Soube-se hoje que Puigdemont vai falar ao Parlamento catalão no próximo dia 26, véspera do plenário do Senado em Madrid. Mais uma lamechise em prol do diálogo? Eu, se fosse independentista (não sou), estaria profundamente decepcionado.

domingo, 22 de outubro de 2017

CATARINA SAIU


O Governo mudou de ministros e de secretários de Estado. Mas essas mudanças acarretaram alteração da sua orgânica. Sob tutela do ministro Adjunto havia duas secretarias de Estado: Autarquias Locais, ocupada por Carlos Miguel; Cidadania e Igualdade, ocupada por Catarina Marcelino.

Agora, o novo ministro Adjunto, Pedro Siza Vieira, fica sem secretarias de Estado. As que o seu antecessor tutelava passaram: uma para a Administração Interna (Autarquias Locais), outra para a Presidência e Modernização Administrativa (Cidadania e Igualdade). E foi criada uma nova secretaria de Estado, dita da Protecção Civil, sob tutela do MAI. Estas mudanças ditaram a saída de Catarina Marcelino, aparentemente porque a ministra da Presidência, Maria Manuel Leitão Marques, quis outra cara no seu ministério. Podemos não gostar ou não perceber, mas, para o melhor e para o pior, estas coisas acontecem nos governos, nas empresas, nos clubes, nas associações, nas escolas, nas direcções-gerais, nos institutos, nas fundações, etc.

A imagem é de Catarina Marcelino, a secretária de Estado demitida apesar de ter feito um bom trabalho.

PERGUNTA OPORTUNA

O Presidente da República quer saber, e já agora eu também, por que razão os deputados (sobretudo os que foram eleitos pelos círculos afectados) ainda não foram visitar os concelhos ardidos. Será porque não têm galochas?

SÉCULO XXI?


Isto não aconteceu na Arábia Saudita. Aconteceu no Porto.
Clique na imagem do Jornal de notícias.