terça-feira, 14 de março de 2017

TURQUIA VS UE

A Turquia não autoriza o regresso a Ankara do embaixador da Holanda. Ausente do país, o embaixador preparava-se para regressar ao seu posto. «Não fomos nós que criámos esta crise», disse Numan Kurtulmus, vice-primeiro-ministro e porta-voz do Governo turco.

segunda-feira, 13 de março de 2017

BREXIT EM FORÇA

Esta noite, a Câmara dos Comuns chumbou os diplomas da Câmara dos Lordes sobre o Brexit. Por 335 votos contra 287, foi rejeitada a protecção dos direitos dos imigrantes (incluindo os da UE) residentes no Reino Unido. Por 274 votos contra 135, foi rejeitada a exigência de votação parlamentar no fim das negociações. Theresa May ficou com as mãos livres para fazer o que quiser.

O FOLHETIM

O Ministério Público desistiu de meter Vale de Lobo no pacote de acusações a Sócrates. Inexistência de provas sustentáveis, esclarece Judite de Sousa. Aliás, nem provas nem... agarrem-se, indícios! Nada. Como o antigo primeiro-ministro ainda estava a ser interrogado quando a TVI deu a notícia, pode-se conjecturar tudo. O facto do prazo ir derrapar (a deadline era a próxima sexta-feira, dia 17) não é novidade, mas Judite sublinha que os prazos são meramente indicativos. Portanto, mais um mesito, na melhor das hipóteses. Razão tinha o Presidente da República quando, hoje de manhã, na sessão de abertura da conferência “Justiça igual para todos”, promovida pela Associação 25 de Abril e realizada na Gulbenkian, se manifestou desconfortável com o estado da Justiça. E disse-o com ar sisudo, coisa rara nele.

domingo, 12 de março de 2017

NAPALM

Lembram-se da tirada famosa de Robert Duvall, martelada ao som da Cavalgada das Valquírias, de Wagner? Esta: «Adoro o cheiro de napalm logo pela manhã.» É a frase mais citada de Apocalypse Now, o filme de Coppola. Aplica-se com propriedade à situação actual na Europa. O que está a passar-se entre a Holanda e a Turquia é de uma gravidade extrema. Na prática, os dois países estão com as relações diplomáticas cortadas: embaixadas encerradas em Haia e Ankara, consulados encerrados em Roterdão e Istambul. Um ministro turco impedido de desembarcar em Amesterdão, uma ministra turca impedida de entrar no consulado do seu próprio país, detida e expulsa de Roterdão. Comícios de apoio ao referendo de Erdogan, cancelados e proibidos na Holanda. Motins de rua desde ontem à noite. Erdogan ameaça proibir o acesso de companhias aéreas holandesas à Turquia. É muita coisa junta.

Na Alemanha, a situação mantém-se dentro de limites razoáveis. Foram autorizados trinta comícios, mas Merkel foi ao Bundestag dizer que não admitia comparações com o regime nazi. Os holandeses, que também não gostaram de ouvir Erdogan dizer que eles têm mentalidade e actuam em função de reminiscências nazis, estão a esticar a corda, até porque no próximo dia 15 há eleições gerais.

ESCALADA


Aumenta a tensão entre a Holanda e a Turquia. A embaixada holandesa em Ankara foi encerrada pelas autoridades turcas, bem como o consulado em Istambul. O ministério turco dos Negócios Estrangeiros aconselhou o embaixador holandês a meter férias longas. Entretanto, Fatma Betül Sayan Kaya, ministra turca dos Assuntos Familiares, foi mesmo expulsa da Holanda. Ahmed Aboutaleb, o presidente da Câmara de Roterdão, foi claro: «Ela foi expulsa para o país de onde veio.» Lembrar que Ahmed Aboutaleb, muçulmano, é um imigrante marroquino com dupla nacionalidade. No Twitter, a governante publicou o statement que a imagem mostra. A violência prossegue nas ruas.

Clique na imagem.

TURNING POINT

A Holanda impediu Mevlüt Cavusoglu, ministro turco dos Negócios Estrangeiros, de entrar no país. Cavusoglu ia participar num comício de apoio ao referendo que aumenta os poderes de Erdogan. Em seu lugar foi Fatma Betül Sayan Kaya, ministra turca dos Assuntos Familiares, que fez a viagem de carro a partir da Alemanha. Mas o presidente da Câmara de Roterdão, Ahmed Aboutaleb (marroquino, muçulmano, imigrante com dupla nacionalidade), mandou bloquear todos os acessos ao centro da cidade e a ministra foi impedida de chegar ao consulado turco. A embaixada da Turquia em Haia, bem como o consulado em Roterdão, foram encerrados. A ministra vai ser deportada. Esta noite, milhares de manifestantes da comunidade turca enfrentaram (e tudo indica que o motim prossiga) a polícia holandesa em vários pontos da cidade. Depois dos incidentes na Alemanha, onde vivem três milhões de turcos, chegou a vez da Holanda desafiar Erdogan. Isto não augura nada de bom.

sábado, 11 de março de 2017

QUEM DIRIA


Estas manchetes não são do AVANTE. São do Observador e do Negócios. Clique nelas.

ACUSAÇÃO NA RUA

A poucos dias do prazo anunciado pelo MP, dois jornais, o Correio da Manhã e o Expresso, antecipam hoje o teor da acusação contra Sócrates. Corrupção, dizem eles. Apenas diferem nos montantes: o CM fala de 32,8 milhões de euros, enquanto o jornal de Pinto Balsemão fica por 23 milhões. Nos dois casos, as notícias estão detalhadas ao cêntimo. Comentários para quê?

sexta-feira, 10 de março de 2017

EUROSONDAGEM


Maioria de Esquerda = 55,5%. A diferença entre o PS e o PSD é agora de 9,5 pontos. E, mesmo sozinho, o PS continua a ultrapassar a PAF. Clique na imagem do Expresso para ler melhor.

quinta-feira, 9 de março de 2017

DULCE GARCIA


Hoje na Sábado escrevo sobre Quando perdes tudo não tens pressa de ir a lado nenhum, o primeiro romance de Dulce Garcia. O livro confirma o óbvio: nos últimos vinte anos, a melhor ficção portuguesa tem sido escrita por mulheres. Nada a ver com “escrita no feminino”. Falo de literatura escrita por mulheres. O fôlego narrativo de Quando perdes tudo não tens pressa de ir a lado nenhum faz subir a fasquia dessa evidência. Mérito não despiciendo, a autora tem um invejável desembaraço vocabular. Terreno movediço: Isabel é uma mulher à deriva na zona de fronteira entre a loucura e o senso comum. Protagonista e co-narradora (o romance é contado a duas vozes), Isabel, «a mulher do saco», acampa no aeroporto. É ali que passa a sua vida em revista. À luz crua dos flashbacks, os dela e os de Afonso, amante com estatuto de narrador, aquele que lhe roubou «uma existência arrumadinha para [a] lançar na mais atroz das solidões», conhecemos os porquês, o meio em que cresceu, o espaço em que se move, o perfil violento do pai, a mãe acomodada, suicidados de passagem (Virginia Woolf, Stig Dagerman, Sylvia Plath), crianças apanhadas pelo fogo cruzado dos pais, o irmão Quim atirado «para baixo de um camião» com apenas 35 anos, enfim livre dos fantasmas que o assombravam, paixões itinerantes, mentiras, ciladas, ataques de pânico, o dia em que Isabel resolveu separar-se do marido: «O Luís Miguel reagiu calmamente à notícia da nossa separação. […] Fomos para casa em silêncio. Despi-me, deitei-me. Chorei. E depois adormeci. Acordei com ele a masturbar-se.» É muita coisa junta, o plot não é linear, nem amável, mas a vida também não. Podia ser uma história como tantas. O que a resgata do lugar-comum, o que faz daquele obsessivo triângulo amoroso um pormaior, é o retrato em grande angular de uma mulher entregue a si própria, indiferente a regras e convenções. Prosa seca, isenta de autocomplacência ou qualquer tipo de floreados: «querido, estás a maçar-me, sai de cima de mim». Por mim dispensaria os inserts sobre a hyperthymesia, a síndrome de Riley-Day ou o DIU (e outros como estes), mas não serão as fontes de autoridade a beliscar o prazer do texto. Cinco estrelas. Publicou a Guerra & Paz.

terça-feira, 7 de março de 2017

ORA BEM


A Associação 25 de Abril, presidida por Vasco Lourenço, repudiou em comunicado a decisão da FCSH de cancelar a conferência de Jaime Nogueira Pinto, tendo disponibilizado as suas instalações para a realização da conferência, se e quando o orador entender. A imagem é do Expresso. Clique.

UE DE PRIMEIRA E DE SEGUNDA


Reunidos em Versailles, Hollande, Merkel, Gentiloni e Rajoy, ou seja, os representantes das quatro maiores economias da UE, foram unânimes: a UE deve continuar, porém a velocidades diferentes. Se não for assim, implode. O statement dá o mote à cimeira do próximo dia 25, data em que se comemora o 60.º aniversário do Tratado de Roma. Resta saber o que, em termos práticos, significa esta «préfiguration de l’Europe à plusieurs vitesses...» Um euro de 1.ª e um euro de 2.ª, com paridades diferentes face ao dólar americano? É isso? O documento final é claro: «L’unité n’est pas l’uniformité.» Preparados para descer à segunda divisão?

Foto: Le Monde. Clique nela.

DISCURSO DIRECTO, 45

Ferreira Fernandes, hoje no Diário de Notícias. Excerto, sublinhado meu:

«Jaime Nogueira Pinto deveria falar esta tarde, na Faculdade de Ciências Sociais e Humanas, sobre ‘Populismo ou democracia: o brexit, Trump e Le Pen’. [...] A direção da faculdade cancelou a intervenção por exigência da associação de estudantes. E eis o ponto da situação: na Faculdade de Ciências Sociais e Humanas a democracia cedeu ao populismo. Ora, o brexit e Trump já aconteceram e Le Pen pode vir a acontecer — e, já agora, na minha opinião, todos errados — porque os três souberam conquistar com conversa a aprovação da maioria. Não deveriam os estudantes, por definição gente que anda a aprender, ouvir os argumentos dos adversários para saber como os combater? Este episódio trouxe-me à memória outro, muito invocado recentemente na morte de Mário Soares, porque este o referira em entrevista. Quando se exilou em França, em 1970, Soares foi convidado a dar aulas na Universidade de Vincennes. Durante semanas, não conseguiu falar porque os estudantes achavam-no um mole social-democrata. Não estou a comparar Soares com Nogueira Pinto, não é relevante para aqui, tomo nota é da semelhança dos censores

segunda-feira, 6 de março de 2017

ONDE ANDAM OS CHARLIES?

Foi cancelada uma conferência de Jaime Nogueira Pinto marcada para amanhã à tarde na Faculdade de Ciências Sociais e Humanas da Universidade Nova de Lisboa. Motivo: um grupo de alunos não gosta do orador e considera o tema — Populismo ou Democracia? O Brexit, Trump e Le Pen em debate — fascista. Abstenho-me de qualificar. Fico é curioso de saber onde andam os Charlies, os tais da liberdade de expressão sem limites e a qualquer custo.

A direcção da FCSH lamenta o sucedido e pretende convidar Nogueira Pinto para um evento «mais académico». Mais académico? E este era o quê? Desportivo?

quinta-feira, 2 de março de 2017

OCTAVIO PAZ


Hoje na Sábado escrevo sobre Vislumbres da Índia, do mexicano Octavio Paz (1914-1998). Não é novidade para ninguém que o autor é um dos mais notáveis poetas do século XX. Como ensaísta é menos conhecido entre nós, mas acaba de ser reeditado o último livro que publicou, Vislumbres da Índia, que está longe de ser um livro de viagens tout court. Trata-se de um ensaio sobre o país onde exerceu funções diplomáticas nos anos 1950, e de novo a partir de 1962, então já como embaixador. Apoiado numa experiência de muitos anos, Paz reflecte sobre a diversidade da Índia, nos mais variados temas: o denominador comum da língua inglesa, política, sistema de castas, arquitectura, cultura (artes plásticas, poesia, música, filosofia), gastronomia e religiões, em particular a hindu e a islâmica. É evidente que o livro inclui descrições do quotidiano de Bombaim e Deli, bem como referências a viagens ao Afeganistão e outros países, sem esquecer a guerra sino-indiana de 1962, mas o foco central tem índole diferente. Paz detém-se com minúcia no legado colonial britânico («A Índia moderna é inexplicável sem a influência da cultura inglesa…»), por oposição à colonização hispânica do México. Com admirável poder de síntese, traça um quadro nítido da evolução do país, desde os anos mais duros da ocupação, até aos massacres de 1947 (entre muçulmanos e hindus) que deram origem a meio milhão de mortos e à fractura em Paquistão e Índia. Seguindo um raciocínio claro, o autor introduz o leitor na teia das complexas relações de poder: secularismo do Estado, o exército como «defensor da ordem e da Constituição» (ao arrepio da tradição latino-americana de indutor de desordens civis), a máquina bem oleada do Civil Service, o papel determinante do Partido do Congresso, os perfis de Gandhi e Nehru, islão vs hinduísmo, hábitos e costumes, etc. Em suma, um verdadeiro companion do que foi a Índia até à primeira metade dos anos 1990. O desencontro de Gandhi e Rabindranath Tagore surge ilustrado pela prática da queima de roupa e outros produtos importados. Ao ideólogo do Satyagraha (não-violência), adversário de tudo o que fosse estrangeiro, Tagore opôs: «Prefiro dar essas roupas aos que andam nus.» Como este, outros episódios aparentemente prosaicos pontuam o livro. Cinco estrelas. Publicou a Relógio d’Água.

COLAPSO ANUNCIADO

No primeiro capítulo do programa sobre o colapso do BES, que a SIC começou ontem a transmitir, fica estabelecido que o Banco de Portugal tinha em seu poder, desde 8 de Novembro de 2013, todas as informações que conduziram, oito meses mais tarde, ao afastamento (verificado em 13 de Julho de 2014) de Ricardo Salgado da presidência do BES. Três semanas depois, a 3 de Agosto, um domingo, ocorreu a cisão entre BES e Novo Banco. O que significa todas as informações...? Significa um minucioso dossier que põe em causa a idoneidade do presidente e mais três administradores do BES, ou seja, Ricardo Salgado, Amílcar Morais Pires, José Maria Ricciardi e Paulo José Lameiras Martins. Isto no dia 8 de Novembro de 2013. Mas Salgado só saiu oito meses depois. Entretanto, num comunicado difundido horas depois do programa, o BdP esclarece que «a informação existente à data [Novembro de 2013] tinha que ser devidamente verificada e confirmada.» Pronto. Levou oito meses a verificar. Pelo meio, mais exactamente em Maio de 2014, houve uma subscrição pública para aumento de capital. O Presidente da República e o primeiro-ministro vieram à televisão dizer que não havia nada mais sólido e sério do que o BES.

quarta-feira, 1 de março de 2017

BREXIT & IMIGRANTES

Por 358 votos contra 256, a Câmara dos Lordes aprovou um pedido de emenda à vontade da primeira-ministra britânica. Theresa May tem repetido que os três milhões de imigrantes da UE residentes no Reino Unido vão manter os direitos actuais (residência, autorização de trabalho, saúde, apoios sociais), mas isso não está escrito no diploma do Governo sobre o Brexit. E os lordes querem a garantia em letra de forma. A ver vamos como reage a Câmara dos Comuns, para onde o diploma voltou. Os tories não estão com vontade de mexer no texto original: Somos pessoas sérias! Dito de outro modo: a garantia está dada, não há que a pôr por escrito.

segunda-feira, 27 de fevereiro de 2017

ÓSCARES


Depois da trapalhada que foi a troca de envelopes no momento de anunciar o melhor filme do ano, gaffe que implicou subida ao palco da equipa errada, os principais vencedores foram:

Moonlight, melhor filme do ano
Damien Chazelle, melhor director, La La Land
Casey Affleck, melhor actor principal, Manchester by the Sea
Emma Stone, melhor actriz principal, La La Land
Mahershala Ali, melhor actor coadjuvante, Moonlight
Viola Davis, melhor actriz coadjuvante, Fences
Melhor argumento original, Manchester by the Sea
Melhor argumento adaptado, Moonlight
Melhor filme estrangeiro, The Salesman (Irão), de Asghar Farhadi
Melhor documentário, OJ: Made in America, de Ezra Edelman

La La Land, que não vi nem tenciono ver, recebeu seis dos catorze óscares para que estava nomeado. De Moonlight vi os primeiros doze minutos. É impossível estar numa sala (Corte Inglês) com gente a falar como se estivesse no bazar e telemóveis a apitar. Pode ser que um dia, em casa.

Na imagem, da esquerda para a direita, Mahershala Ali, Emma Stone, Viola Davis e Casey Affleck. Clique para ver melhor.

domingo, 26 de fevereiro de 2017

CAIS DO SODRÉ 2017


O Cais do Sodré actual. E ainda há quem barafuste com as obras na cidade.
Clique na imagem para ver melhor.

DISCURSO DIRECTO, 44

José Pacheco Pereira, A afronta de nos tomarem por parvos, ontem no Público. Excertos, sublinhado meu:

«[...] O que sabemos sobre o dinheiro saído para os offshores durante a governação PSD-CDS? Sabemos que foi muito, muitos milhares de milhões de euros, de que os dez mil milhões de que se fala agora são apenas uma parte. Sabemos que uma parte saiu legalmente e também sabemos, por vários processos em curso, que outra parte saiu ilegalmente. [...] Desde Passos Coelho, furioso e malcriado na Assembleia, até ao passa-culpas do anterior secretário de Estado dos Assuntos Fiscais, Paulo Núncio, até ao silêncio da ex-ministra das Finanças que acha que não é nada com ela, todos estão a tomar-nos por parvos. Afinal, a culpa foi dos serviços que não fizeram a estatística devida, ou dos procedimentos informáticos, que, pelos vistos, foram modernizados só para um dos lados do escalão de rendimentos, mas que parecem funcionar muito mal no topo dos rendimentos, porque, tanto quanto eu saiba, não foram os funcionários públicos, nem os reformados, nem os empregados do comércio, nem os operários, nem os enfermeiros, nem os polícias, que colocaram o dinheiro em offshores. Aliás, já não é a primeira vez que este tipo de implausibilidades acontecem nas finanças do Governo PSD-CDS, como foi o caso da “lista VIP”, já muito esquecido. Mas há pior: o secretário de Estado quer-nos convencer de algo muito mais grave: é de que não deu por ela que lhe faltavam os números do dinheiro que ia para os offshores. Das duas, uma: ou foi grossa negligência, ou preferiu olhar para o lado, visto que os números eram incómodos para o Governo. Mas, mesmo que seja assim, de novo a mera sensatez obriga-nos a considerar como absolutamente implausível que ele responsável pelo fisco, nunca se tenha perguntado, mesmo numa conversa casual: “Olhe lá, senhor director-geral, quanto dinheiro está a sair do país para os offshores?”. E Passos e a ministra também nunca sentiram sequer curiosidade sobre esse aspecto crucial da nossa economia, para verificarem que, afinal, não havia a estatística? Presumir que tenha sido assim é tomar-nos por parvos, insisto. E eu não gosto