terça-feira, 13 de dezembro de 2016

CRÓNICA DE FRANKFURT



Estava por fazer a crónica dos seis dias que passei em Frankfurt na semana passada. Chegada num domingo de sol radioso e cinco graus negativos. A partir das quatro da tarde nunca mais vi sol. Foram dias cinzentos, com vento, nevoeiro cerrado, gelo nas pontes e fiapos de neve. Frankfurt não é uma cidade exaltante, mas respira civilização e dinheiro. Quem conhece os museus de Nova Iorque, Londres, Paris, Madrid, Amesterdão, etc., não descobre nada de novo no Städel, excepto, claro, um excepcional acervo de pintura alemã, aliás magnífica. Mas não faltam os nomes universais, de Watteau a Picasso, sem esquecer Andy Warhol e outros contemporâneos reunidos na luminosa ala subterrânea. Noutro registo, a Kunsthalle é de visita obrigatória: várias alas com exposições temporárias de clássicos e novíssimos. Haverá mais uma dúzia de museus. A zona de Rathaus, onde fica o Römer (a Câmara da cidade desde 1405), encontra-se transformada num estaleiro por causa da recuperação das fachadas conforme modelo dos séculos XV a XVII. Contudo, consegui entrar na Igreja de São Nicolau e ouvir o carrilhão ao vivo. O caos atinge o paroxismo com as famosas barracas de Natal a entupirem. A Feira ocupa todo o centro da cidade, mas em Rathaus, devido às obras, representam um estorvo. 

Os amantes de ópera, bailado e música clássica têm muito por onde escolher. Frankfurt tem duas óperas: a Velha (1880), em Opernplatz, e a Nova (1951), na Willy Brandt Platz. A Alte Oper foi bombardeada em 1944, reconstruída e reaberta em 1981 como sala de concertos. Os espectáculos de ópera passaram todos para a Nova, um edifício magnífico com uma programação de primeiríssima água. Durante a minha estadia estiveram em cena La Bohème, de Puccini, Eugen Onegin, de Tchaikovsky, Ezio, de Gluck e Der Goldene Drache, de Peter Eötvös. No sábado, dia 10, estreou Die Zauberflöte, de Mozart, que queria muito ver, mas o regresso a Lisboa foi na véspera. Além das óperas há recitais a solo, como o do barítono Johannes Martin Kränzle, marcado para hoje.

Sobre gastronomia, item que desatina os puritanos, diz-me a experiência de cinco visitas (num lapso de dez anos) que em Frankfurt come-se muito bem a partir de uma média de 70 euros por boca. Média casal: 140. Este valor corresponde a uma refeição composta por couvert, uma garrafa de água, uma garrafa de vinho, dois pratos principais, uma sobremesa, um café e um chá. Por esse valor temos direito a cozinha de qualidade, serviço irrepreensível, asseio absoluto, bom ambiente, decoração adequada e conforto. Os indígenas jantam muito cedo, mas os restaurantes de que vou falar estão cheios às onze da noite. Praticamente não há turistas. Não cito restaurantes de luxo, nem de chefs com estrela Michelin. Os exemplos situam-se, pelo padrão de Lisboa, algures entre a Bica do Sapato e o Solar dos Presuntos. Pela minha experiência, o custo de vida subiu, da Primavera de 2014 para cá, uns dez por cento. Cinco moradas a que regresso sempre: o Charlot (italiano), em Opernplatz, a Brasserie An Der Alten Oper, que fica mesmo ao lado — ambos virados para a Alte Oper  —, o The Ivory Club (cozinha colonial indochinesa), em Taunusanlage, o Meyer, em Große Bockenheimer Straße, e o Zarges no extremo oposto da mesma rua. Desta vez descobrimos um restaurante turco fabuloso, o Sümela, em Taubenstraße. E um indiano simpático, o Taj Mahal, do outro lado do rio, em Schweizer. O hotel onde costumamos ficar, o Steigenberger Frankfurter Hof, tem quatro restaurantes: o Français (nunca experimentei), estrelado, vocacionado para milionários do Dubai; o Oscar, bastante simpático; o Hofgarten, vulgar; e o Breeze by Lebua, cozinha asiática de fusão, que experimentei agora. Carote-ote-ote. A simpatia do staff e a decoração não justificam os cifrões. O senhor Lebua passa metade do ano em Banguecoque e a outra metade em Frankfurt. Tudo visto, o italiano Charlot continua imbatível, servindo o melhor ragú que jamais comi. Consta que a Brasserie An Der Alten Oper tem Varoufakis entre os clientes famosos. (Os empregados são gregos.) O Sümela foi toda uma experiência turca a roçar o erótico. E o Ivory Club voltou à sua melhor forma. Não vale a pena tentar comer barato. Frankfurt não é Lisboa. Uma refeição de 30-40 euros, para duas pessoas, é um desastre.

Por último, uma experiência inédita. No regresso a Lisboa, no aeroporto, fui obrigado a tirar os sapatos (mas não o cinto), minuciosamente analisados, primeiro à mão, depois no raio X, por um funcionário azedo que esteve mais de cinco minutos a apalpar-me de frente e de trás, tarefa que incluiu massagem da zona dos tornozelos e calcanhares. Não estou a reclamar, limito-me a descrever um facto. Normas de segurança são normas de segurança. Como nunca me tinha acontecido nada tão intrusivo, em lado nenhum (em Miami, em 2008, tive de despir o blazer e despejar o saco a tiracolo), fui apanhado de surpresa.

Por falar do aeroporto de Frankfurt, o 4.º mais movimentado da Europa, registo com agrado que certas áreas (o acesso às portas 52-70), se não são novas, foram renovadas de ponta a ponta, com equipamento novo: passadeiras rolantes, placards, sinalética, assentos, lugares reservados para deficientes, mesas para computadores, lojas, restaurantes, salas de repouso com espreguiçadeiras, etc. Tudo a brilhar de limpeza. Na Primavera de 2014 ainda as casas de banho eram imundas. Agora são luminosas, amplas e limpas.

A imagem ao alto foi obtida na passada quinta-feira, dia 8, ao meio-dia, a partir de uma das pontes que atravessam o Meno. A de baixo mostra as barracas de Natal em Hauptwache, uma espécie de Rossio local. Clique nelas para ver melhor.

POIS


Capa da última Time. Nenhuma surpresa na escolha. O punctum do retrato, feito pelo fotóografo Nadav Kander, está na cadeira Luís XV. Se fosse Hillary provavelmente seria fotografada numa cadeira Mies van der Rohe. Clique na imagem.

GUTERRES NA ONU


Guterres fez ontem o juramento como secretário-geral das Nações Unidas. À cerimónia assistiram, entre outros, o Presidente da República e o primeiro-ministro António Costa. A foto é de Reinaldo Rodrigues para o Diário de Notícias. Clique na imagem.

segunda-feira, 12 de dezembro de 2016

RAP

Numa das cem entrevistas que deu nos últimos dez dias, Ricardo Araújo Pereira lamentou-se ao jornal i da impossibilidade de fazer «um sketch sobre marrecos, coxos e mariconços». Já sabíamos que, em Portugal, consoante a origem social ou lugar cativo na hierarquia de classes, os homossexuais masculinos se dividem em três grupos: homossexuais, gays e bichas.

O primeiro grupo subsume os altos cargos do Estado, diplomatas, catedráticos, membros do Gotha, maçons de topo, deputados, banqueiros, gestores, brokers, o baronato das Grandes empresas e políticos avulsos. Fora do círculo das duzentas pessoas que controlam o Who’s Who, o silêncio é de regra. O segundo, dito gay, engloba os representantes da intelligentsia, antiquários, decoradores, estilistas e, de um modo geral, happy few com boa imprensa. No terceiro, o das bichas tout court, cabe tudo o que sobra, com destaque para artistas e cabeleireiros. Até aqui, nada de novo.

Mas Ricardo Araújo Pereira lamenta não poder achincalhar os mariconços. Eu não sei o que é um mariconço. Será uma bicha de call center? Um entertainer? Lamento pelo Ricardo, homem culto e inteligente, de quem gosto, mas assim não vamos lá. A sorte dele é ser o Ricardo, caso contrário teríamos meio mundo a dizer dele o que Mafoma não disse do toucinho.

Nota lateral: no mundo de língua inglesa o termo queer é usado com orgulho. E não há forma de traduzir queer senão por bicha.

sábado, 10 de dezembro de 2016

ITALO CALVINO


Esta semana escrevo na Sábado sobre Um Otimista na América, de Italo Calvino (1923-1985), o italiano que nasceu em Cuba, lutou na Resistência italiana contra os nazis e viveu treze anos em Paris. Nome central da Literatura do século XX, autor de romances e ensaios, Calvino também escreveu este diário da primeira viagem que fez aos Estados Unidos, entre Novembro de 1959 e Maio de 1960, a convite da Fundação Ford, depois de abandonar o Partido Comunista Italiano em Agosto de 1957. Em 1961, já com provas revistas, desistiu de publicar o livro, «demasiado modesto como obra literária e não suficientemente original como reportagem jornalística», confissão feita a Luca Baranelli, de certo modo contrariando a sua própria premissa: «Os livros de viagens são uma maneira útil, modesta e no entanto completa de fazer literatura.» Seria preciso esperar por 2014 para que Um Otimista na América visse a luz do dia. Calvino não foi o primeiro, nem terá sido o último intelectual marxista a deixar-se fascinar pelos Estados Unidos, melhor dito, a América. Em 1948, já Simone de Beauvoir publicara o magnífico L’Amérique au Jour le Jour, relato da sua estadia de quatro meses no ano anterior. Mas há uma diferença de tom: enquanto a Beauvoir, que visitou o país praticamente em cima do fim da guerra, usa um arsenal de reticências, Calvino não disfarça o fascínio pelo “milagre” americano. Nada lhe escapa: costumes, arquitectura, o Village pós-Henry James, volatilidade do quotidiano, hábitos e tiques do meio literário (viajou na dupla qualidade de escritor e consultor literário da editora Einaudi), colégios privados, psicanálise, a obsessão com o agendamento de qualquer compromisso, dress code e códigos de classe, imigrantes italianos, ensino da literatura, cultura da negritude, o Mardi Gras, a intolerância do segregacionismo, o Sul profundo, sexo e automóveis, vida nocturna, Las Vegas, imprensa, peculiaridades das mulheres, hotéis (item que também seduziu a Beauvoir), os vinhos do Vale de Sonoma, Chicago vs Nova Iorque, ditadura da publicidade, o porquê da Broadway “entortar” a partir da Rua 10, etc., em suma, um minucioso tour d’horizon sobre a sociedade americana. Seria pleonástico acrescentar que tudo flui em prosa excelentíssima. Cinco estrelas. Publicou a Dom Quixote.

domingo, 4 de dezembro de 2016

ATÉ JÁ


Desiludam-se: não vou almoçar com Mario Draghi. Clique na imagem.

sexta-feira, 2 de dezembro de 2016

CAIXA

Paulo Macedo, que estava na calha para vice-governador do Banco de Portugal, aceitou ser o próximo CEO da Caixa Geral de Depósitos. Apesar dos salários “milionários”, que se vão manter, o BE e a comissão de trabalhadores da Caixa aplaudem a escolha de Costa. Rui Vilar fica como Chairman. O PCP aos costumes disse nada.

Os nomes da nova administração, da qual fará parte Esmeralda Dourado, seguem hoje para Frankfurt, ou seja, para o BCE. Lembrar que Esmeralda Dourado foi convidada para CEO da Caixa e recusou, levando à escolha do António Domingues.

Macedo foi administrador executivo e director-geral do Millennium BCP, director-geral dos Impostos (auferindo 23 mil euros mensais, em vez dos cinco mil da tabela da Função Pública) entre 2002 e 2007, fundador da seguradora Médis, ministro da Saúde (2011-15), sendo neste momento administrador da Ocidental Vida.

quarta-feira, 30 de novembro de 2016

ISABELA FIGUEIREDO


Por amanhã ser feriado, a Sábado saiu hoje. Nesta edição escrevo sobre A Gorda, de Isabela Figueiredo (n. 1963). Não é novidade mas convém repetir: a autora mudou o paradigma da literatura pós-colonial em língua portuguesa. Dito de outro modo, pôs um ponto final nos relatos delicodoces da borrasca imperial. Fez isso ao publicar o corrosivo Caderno de Memórias Coloniais, obra estudada em várias universidades, sobretudo anglo-americanas, e não amacia o tom no romance A Gorda, acabado de chegar às livrarias. Como Isabela não tem medo das palavras, nem escreve para agradar aos lobbies dominantes, o resultado desconcerta os incautos. Em Portugal há temas que qualquer aspirante a escritor interiorizou como interditos. O resultado é uma ficção dissociada da realidade. Os mais inteligentes (estou a falar da geração sub-50) deslocam o epicentro das narrativas para fora de fronteiras, e os outros, com raras excepções, debitam prosas pífias sobre vacuidades. Isabela faz tudo ao contrário. Chama as coisas pelos nomes, ignora os moldes que sobraram do nouveau roman, exorciza o beatério pequeno-burguês e fornica a céu aberto: «Montada sobre ele […] não pertenço a lugar algum, sexo e cérebro são uma esfera de luz-prata na qual nos suspendemos por segundos, não mais, cegos, só dor luminosa no lugar do nada…» Nenhum resquício de auto-complacência: internato da Lourinhã, formação escolar, clivagens sociais, gastrectomia como móbil, impecilhos da meia-idade, fronda dos professores durante o socratismo, Diktat alemão, o filho que não houve, doença e morte do pai e da mãe. Nos interstícios, percalços de um amor proibido. Mesmo quando nos fala de psichés de umbila ou de botecos da Arrentela, Isabela não faz outra coisa senão desmontar os clichês do realismo indígena. Tudo visto da outra margem. A história de Maria Luísa, a tal que deveio Gorda, expatriada de Moçambique aos 12 anos de idade, crescendo e fazendo-se mulher até ao regresso da família dez anos mais tarde. O fluxo de consciência ou, se preferirem, o monólogo interior, isenta-se de qualquer espécie de edulcorante: «A triagem remeteu-me para a psicanalista do Campo de Santana, na qual passaria os cinco anos seguintes a matar o papá.» Desenganem-se aqueles que supõem A Gorda uma obra sobre as sequelas da descolonização. Não é. O livro inclui a trilha sonora adequada. Da lista proposta recomendaria One, dos U2. Cinco estrelas. Publicou a Caminho.

Escrevo ainda sobre Paris França, de Gertrude Stein (1874-1946). A minha geração ainda se lembra dela, porque ela foi uma percursora do que mais tarde se chamaria literatura gay. Em 1903, Gertrude publicou Q.E.D., o primeiro livro em que o termo gay foi utilizado no sentido actual. Mesmo em 1933, quando saiu The Autobiography of Alice B. Toklas (as memórias de Gertrude por intermédio da voz de Alice, sua companheira de toda a vida), ainda era pouco comum. Tendo vivido parte da infância em Paris, Gertrude regressou aos Estados Unidos para fazer estudos universitários (medicina, psicologia e filosofia), radicando-se em Paris aos 26 anos. Não admira que a obra suscite curiosidade. Afinal, trata-se do livro em que Gertrude discorre sobre a cidade onde viveu até morrer. Pela sua casa passaram todos os Modernistas, bem como toda a gente que foi importante na primeira metade do século XX. Picasso, Hemingway e Pound eram habitués. Mas Paris França não se ocupa do salão da Rue de Fleurus. É uma memorabilia dos primeiros anos, cheia de aforismos: «a França podia ser civilizada sem pensar no progresso». Os puritanos vão execrar o lugar de destaque dado à gastronomia. Quatro estrelas. Publicou a Relógio d’Água.

terça-feira, 29 de novembro de 2016

OE 2017 APROVADO

O OE 2017 foi hoje aprovado em votação final global. Votaram a favor o PS, o BE, o PCP, o PEV e o PAN. O PAF (PSD+CDS) votou contra. Igualmente aprovadas, com a mesma votação, as Grandes Opções do Plano. E vamos no segundo Orçamento de Estado da maioria de Esquerda.

TRAGÉDIA

A queda do avião da LAMIA que transportava para Medellín a equipa de futebol do Chapecoense, provocou 76 mortos. Sobreviveram cinco passageiros: três jogadores (Alan, Danilo e Jackson), um dos 21 jornalistas que acompanhavam a equipa, e uma hospedeira de bordo. A equipa brasileira ia disputar o primeiro jogo da final da Copa Sul-Americana, que se realiza na Colômbia.

TERROR


É muito estranho o silêncio dos media nacionais (aparentemente só o Observador se ocupou do caso) relativamente ao ataque de ontem na Universidade Estatal do Ohio, situada em Columbus. Até porque o quadro docente inclui portugueses. Tudo começou às 10 da manhã locais, quando um rapaz somali de 18 anos atropelou aleatoriamente vários estudantes do campus, ferindo outros com uma faca de talho. Por junto parece haver onze vítimas. A polícia abateu o atacante no local. A Ohio State University foi fundada em 1870. 

Clique na imagem.

segunda-feira, 28 de novembro de 2016

CAIXA DOIS

A ver se a gente se entende. As declarações de rendimento & património dos detentores de cargos políticos têm, por Lei, que ser entregues no Tribunal Constitucional. Sublinhar: cargos políticos. Um bom princípio.

A partir daí, o TC, após análise, e em caso de irregularidade ou omissão, devia alertar os interessados. Não havendo resposta, o TC teria por obrigação accionar os mecanismos adequados num prazo razoável (digamos, um mês). Não imagino que mecanismos possam ser esses.

Isto dito, em circunstância nenhuma os media teriam acesso às referidas declarações. Quem diz os media diz qualquer tipo de coscuvilheiro. Naturalmente que, em casos de natureza judicial, o Ministério Público poderia, mediante autorização prévia de um juiz, ter acesso a elas. Para o interesse público é irrelevante saber se A ou B têm veleiros, mansões ou carros de alta cilindrada.

CAIXA UM

António Domingues demitiu-se ontem de CEO e Chairman da Caixa Geral de Depósitos. A decisão tem efeitos a 31 de Dezembro. Devia tê-lo feito no dia em que começou o folhetim entrega-não-entrega declaração de rendimentos & património ao Tribunal Constitucional. Além de Domingues, também bateram com a porta Emídio José Bebiano Moura da Costa Pinheiro, Henrique Cabral de Noronha e Menezes, Paulo Jorge Gonçalves Pereira Rodrigues da Silva (administradores executivos), Pedro Norton de Matos, Angel Corcóstegui Guraya e Herbert Walter (não-executivos). Ainda sobram quatro, um deles Rui Vilar.

sexta-feira, 25 de novembro de 2016

SONDAGEM DA CATÓLICA


O PS encontra-se à beira da maioria absoluta. Maioria de Esquerda = 57%. PAF = 36%. CDS empatado com CDU: 6% cada.

Resultados do CESOP da Universidade Católica para o Diário de Notícias, a RTP, o Jornal de Notícias e a Antena Um.

Clique na imagem.

quinta-feira, 24 de novembro de 2016

EUCANAÃ FERRAZ


Hoje na Sábado escrevo sobre Poesia, do brasileiro Eucanaã Ferraz (n. 1961). Não é a primeira vez que o autor escolhe Portugal para publicar obras inéditas no Brasil. Foi assim com Desassombro, sucede de novo com Poesia, grosso volume de mais de seiscentas páginas que colige a poesia publicada entre 1990 e 2016, editado com a seriação invertida (começa pelo mais recente, fecha com o de estreia). Carlos Mendes de Sousa assina o extenso prefácio: «Este livro é o livro que esperávamos.» Com efeito, raras vezes o grão voz devém com tanta nitidez. O poeta celebra a vida em versos de exemplar tessitura: «Você não entendeu nada, como eu poderia / pôr um porre ou um raio de sol ou um Tylenol / sobre a tristeza, se ela é a verdade que fala? // Você não sabe amar, meu bem, não sabe / o que é o amor, como na canção. Que foi / que lhe ensinaram na escola?» Mas o arroubo amoroso não o distrai do mundo, e a tensão retórica (e prosódica) tem momentos deveras conseguidos: «De repente a cúpula de Santa Maria in Trastevere hasteou a tarde / bizantina no ouro das linhas retas». Leitura obrigatória. Cinco estrelas. Publicou a Imprensa Nacional.

AFINAL FORAM NOVE

A restauração portuguesa não passou de 17 para 34 Estrelas Michelin, como chegou a ser antecipado, mas de 17 para 26. Nada mau.

Dois saltam de uma para duas estrelas: The Yeatman e Il Gallo d’Oro, o primeiro no hotel homónimo de Vila Nova de Gaia, o segundo no Funchal.

Com uma estrela entram Alma (Lisboa), Loco (Lisboa), Lab by Sergi Arola (Sintra), Casa de Chá da Boa Nova (Leça da Palmeira), Antiqvvm (Porto) e William, no Hotel Reid’s Palace do Funchal. O L’And Vineyards de Montemor-o-Novo, que tinha perdido a sua em 2015, volta a ter uma.

quarta-feira, 23 de novembro de 2016

PRÉMIOS & ESTRELAS

Por uma série de razões, as pessoas impressionam-se muito com prémios, sem terem em conta os factores objectivos e subjectivos que os determinam. Isto vale para Literatura, Ciência, Música, Arte, Teatro, Cinema ou Gastronomia. Adiante. Agora estamos na fase Estrela Michelin.

No momento em que escrevo, Portugal detém dezassete estrelas em catorze restaurantes. Três (o Belcanto, o Ocean e o Vila Joya) com duas, os restantes com uma estrela cada. Logo ao fim da tarde são anunciadas as Estrelas 2017 para Portugal e Espanha. Sim, é o que estão a pensar. Existem padrões específicos para cada região: Europa, Reino Unido, Península Ibérica, Estados Unidos, Médio Oriente, Ásia, etc. Consta que Portugal passará das actuais 17 para 34. O dobro, portanto.

Enfim, eu conheço alguma coisa do universo estrelado português (a Fortaleza do Guincho, o Eleven, a Casa da Calçada, o Pedro Lemos, o Ocean, o Henrique Leis, o São Gabriel e o Gallo d’Oro) e, francamente, não percebo um salto desta natureza. A ver vamos. A título de curiosidade: nenhum dos meus restaurantes preferidos faz parte desta lista. Mas gostos não se discutem.

terça-feira, 22 de novembro de 2016

QUASE DOIS, AFINAL


Alguns media portugueses insistem, como acabo de ler, que a vantagem de Hillary sobre Trump é de «cerca de um milhão de votos». Que raio de fontes consulta esta gente? Na realidade, Hillary tem 1,7 milhões de vantagem sobre Trump. Não serve para ser eleita. Mas isso é outro campeonato.

Hillary obteve 63,6 milhões de votos (48%) e Trump 61,9 milhões (46,7%).

Imagem do Independent. Clique.

segunda-feira, 21 de novembro de 2016

FILLON AFASTA SARKOZY

Com 44,1 % dos votos expressos, François Fillon, 62 anos, primeiro-ministro de Sarkozy entre 2007 e 2012, venceu a primeira volta das Primárias da Direita francesa. Alain Juppé (28,6 %) ficou em segundo lugar, contra as sondagens que o davam como vencedor absoluto logo à primeira. Sarkozy (20,6 %) em terceiro vê-se afastado da corrida.

domingo, 20 de novembro de 2016

PRIMÁRIAS DA DIREITA EM FRANÇA

Realizaram-se hoje as Primárias dos candidatos de Direita às presidenciais francesas de Abril do próximo ano. Até às quatro da tarde (cinco em França) já tinham votado 2,5 milhões de eleitores. Quando forem 19:30 em Portugal haverá projecções. Se nenhum candidato obtiver 50%, terá de haver segunda volta. Para votar, cada eleitor pagou dois euros.

Candidataram-se:

Alain Juppé, 71 anos, republicano, antigo primeiro-ministro e actual maire de Bordéus, o favorito das sondagens;
Bruno Le Maire, 47, republicano;
François Fillon, 62, republicano, antigo primeiro-ministro;
Jean-François Copé, 52, republicano;
Jean-Frédéric Poisson, 53, democrata-cristão, maire de Rambouillet;
Nathalie Kosciusko-Morizet, 43, republicana;
Nicolas Sarkozy, 61, republicano, antigo Presidente da República.