Mike Pence, 57 anos, governador do Indiana, actual vice-presidente eleito dos Estados Unidos, foi ontem designado para chefiar o Gabinete de Transição. Primeira tarefa: despedir os quatro mil funcionários que trabalham para a Casa Branca, as agências governamentais e outros organismos estatais. Pence é um conservador radical, cristão evangélico e defensor do Criacionismo. Advoga a proibição do aborto e da procriação medicamente assistida, o fim das pesquisas com células estaminais, o fim dos direitos humanos associados às pessoas LGBT, o fim da educação sexual no ensino, o reforço do Patriot Act, a deportação imediata de imigrantes ilegais (incluindo crianças nascidas nos Estados Unidos), o controlo das fronteiras mesmo para turistas e, last but not least, o fim das leis anti-tabagismo. Até anteontem, o lugar esteve ocupado por Chris Christie, 54 anos, governador de New Jersey.
sábado, 12 de novembro de 2016
sexta-feira, 11 de novembro de 2016
TRUMP & EDP
Este mapa mostra, a vermelho, a presença da EDP RENOVÁVEIS nos Estados Unidos, país onde opera desde 2007. Hoje, em Wall Street, as acções da empresa caíram 1,07 USD$. Não é preciso explicar o motivo, pois não?
Além dos EUA e de Portugal, a empresa opera em Espanha, França, Bélgica, Polónia, Roménia, Itália, Reino Unido, Canadá, México e Brasil.
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19:00
EUROSONDAGEM
Maioria de Esquerda = 54,9%. Sozinho, o PS tem o mesmo score que a PAF. Clique na imagem do Expresso para ler melhor.
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14:00
LEONARD COHEN 1934-2016
Aconteceu na passada segunda-feira, dia 7, mas só ontem a notícia foi divulgada: Leonard Cohen morreu. Tinha 82 anos. Poeta, compositor e cantor, Cohen pôs-nos todos a cantar Hallelujah, a canção de 1984 que se tornou um hino de dimensão planetária. Canadiano de origem judaica (era praticante), deixou álbuns memoráveis, como, entre outros, Songs of Leonard Cohen (1967), Songs from a Room (1969), Songs of Love and Hate (1971), o meu preferido, New Skin for the Old Ceremony (1974), Death of a Ladies’ Man (1977), Various Positions (1984), I’m Your Man (1988), The Future (1992), Dear Heather (2004), Old Ideas (2012), Popular Problems (2014) e You Want It Darker (2016). Entre 1956 e 2012 publicou catorze livros de poesia e dois romances: The Favourite Game (1963) e Beautiful Losers (1966). Em 2011 recebeu o Prémio Príncipe das Astúrias na categoria Literatura. Desde os anos 1990 que o seu nome era apontado para o Nobel da Literatura.
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11:11
WEST WING
Por enquanto são especulações, mas, a confirmarem-se, não auguram nada de bom. Sarah Palin, 52 anos, antiga governadora do Alaska e membro destacado do Tea Party, tem estado a ser apontada como futura responsável pela pasta do Interior, ou seja, “ministra” da segurança interna. Trump vai cair na rasteira? Por seu turno, Rudy Giuliani, 72 anos, antigo mayor de Nova Iorque (no 11 de Setembro era o patrão da cidade), seria o próximo Attorney General, ou seja, a figura de topo do sistema judicial. Para a Defesa iria o senador Jeff Sessions, 69 anos, um crítico da NATO que defende o degelo das relações com a Rússia. As Finanças ficariam nas mãos de Jamie Dimon, 60 anos, actual CEO e chairman do JP Morgan. Mas não era Trump que não queria nada com Wall Street? Cereja em cima do bolo: Newt Gingrich, 73 anos, islamófobo assumido, o homem que quis destituir Clinton por causa do alegado blowjob de Ms Lewinsky, parece destinado a ser o próximo Secretary of State, ou seja, o ministro dos Negócios Estrangeiros. Gingrich é um acérrimo defensor do TTIP, o acordo transatlântico de comércio livre que Trump queria rasgar. A ver vamos.
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11:00
PERDER NA SECRETARIA
Afinal os resultados oficiais só fecharam esta madrugada. Hillary rompeu a barreira de sessenta milhões de votos, obtendo mais 280.646 do que Trump. Não lhe serve de nada, mas os eleitores americanos devem reflectir se é mesmo no figurino de ‘Grandes Eleitores’ que querem continuar. Em 2012, Trump execrou o sistema que agora lhe deu a vitória. Hillary não foi liquidada como proclama a opinião indígena. Isso não faz sentido. Hillary não ganhou a Casa Branca porque o quadro constitucional americano é diferente do europeu. Na Europa teria ganho por um voto, nos Estados Unidos perdeu apesar da vantagem de 280 mil votos sobre Trump. Dito de outro modo, perdeu nos termos da Lei, não perdeu por ser fria ou por ter feito operações plásticas. Clique na imagem para ver os detalhes.
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07:00
quinta-feira, 10 de novembro de 2016
ZIMLER & LAWRENCE
Hoje na Sábado escrevo sobre o romance mais recente de Richard Zimler (n. 1956), O Evangelho segundo Lázaro. O livro parece uma provocação. Face ao título, um leitor que tenha ouvido falar da Bíblia sem nunca a ter folheado julga estar perante a versão ficcionada de um dos livros históricos da sagrada Escritura. Isso não acontece. Zimler escreve sobre a ressurreição de Lázaro, ocorrida quatro dias após a sua morte. O episódio vem narrado no Evangelho segundo João, e apenas nesse, porquanto os de Mateus, Marcos e Lucas fazem silêncio sobre o controverso milagre. (O Lázaro citado no Evangelho de Lucas é outro.) Este Lázaro que narra o romance de Zimler é aquele a quem o apóstolo João se refere como Lázaro Zebedeu, o de Betânia, alvo de atenção de artistas de várias épocas, sendo Rembrandt e Van Gogh os mais conhecidos. Sabemos que João rompeu as balizas dos Evangelhos sinópticos (Mateus, Marcos e Lucas), dilatando de um para três anos o tempo da narrativa. Zimler faz mais, pois preenche as lacunas que João omite. Dito de outro modo: ao jeito de um thriller, explica as circunstâncias da ressurreição de Lázaro. Estamos no domínio da ficção pura, como de regra num romance. Verdade que Zimler parte dos estudos hermenêuticos que a figura do “discípulo amado” (Lázaro) tem suscitado até aos nossos dias. Faz isso de forma envolvente, como demonstrado no texto dirigido ao bem-amado: «Quero que saibas isto […] se alguma vez te sentires receoso ao cair da noite, enrolar-me-ei por trás de ti e abraçar-te-ei no lugar onde se esconde o trovão, tal como sempre fiz.» Amigos desde crianças, a ligação de Jesus a Lázaro teria sido um dos detonadores da conjura que levou à crucificação. Em matéria tão sensível como a de recriar o quarto Evangelho, Zimler calibra bem o plot, indiferente à querela académica que tem rodeado a figura de Lázaro. A fechar, o volume dispõe de um útil glossário de termos hebraicos. O autor optou por grafar os nomes próprios na «versão habitual ao tempo da colonização romana da Terra Santa e não nas versões modernas», embora Lázaro, o narrador, seja designado de duas formas: Eliezer, o nome hebraico, e Lazarus, o equivalente grego. Quatro estrelas. Publicou a Porto Editora.
Escrevo ainda sobre Crepúsculo em Itália, de D.H. Lawrence (1885-1930). A posteridade fixou o seu nome como autor de O Amante de Lady Chatterley, o romance de 1928 que só em 1960 seria publicado no Reino Unido. Mas Lawrence, homofóbico apesar do Bloomsbury, romancista, poeta e ensaísta, também escreveu livros de viagens. Crepúsculo em Itália foi o primeiro. A recente tradução portuguesa inclui o prefácio de Jan Morris, que o classifica como «reportagem metafísica». Lawrence era então um principiante, facto que não belisca a qualidade da obra. «Concebido como uma série de ensaios» (Morris), relata a viagem que fez com Frieda von Richthofen, sua amante, em vésperas da Primeira Guerra Mundial. O leitor interessado na Itália deve começar pela página 51. O que fica para trás é um texto (eivado de teologia bávara) premonitório do conflito a haver. O pavor do campo e a descrição do lumpemproletariado traduzem bem a proverbial rudeza: «Estes operários italianos trabalham o dia inteiro […] no seio da desintegração, como larvas no queijo apodrecido. […] A recordação do vale do Ticino é para mim uma espécie de pesadelo.» Ou seja, um balde de água fria na tradição arcádica. Quatro estrelas. Publicou a Tinta da China.
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11:33
PAPA MIGAS
As pessoas, e são muitas, que andam a chorar baba e ranho pela morte do Pap'Açorda original (1981-2016), que agora funciona, mal, no primeiro andar do Mercado da Ribeira, podem, se quiserem, ir ao PAPA MIGAS. Continuam lá os famosos lustres, o reposteiro de veludo, o longo balcão, as cadeiras rosa-de-rosa e o resto. Portanto, só não volta ao n.º 57 da Rua da Atalaia quem não quiser. A gerência mudou de mãos, sim, sendo agora da responsabilidade de um conhecido restaurateur do bairro. Não falo de cor: jantei lá ontem, depois da estreia do magnífico Novo Dancing Eléctrico, de Enda Walsh, no Teatro da Politécnica (Artistas Unidos), e foi uma grata surpresa reencontrar o espaço julgado perdido. Para já, só serve jantares. Gostei francamente.
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10:30
quarta-feira, 9 de novembro de 2016
A VIDA COMO ELA É
Sejamos claros: o Trump da campanha acabou com a sua vitória. Exemplo muito simples: o homem que andou meses a dizer que Hillary devia estar presa, por corrupção e crimes contra os interesses americanos, é o mesmo que hoje exorta os americanos a saldar «a grande dívida de gratidão» que têm com ela... «pelos serviços prestados ao nosso país.» Não é preciso fazer desenho, pois não?
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12:50
REGRAS
Como a contagem de votos prossegue, tudo muda a cada minuto. Neste momento, Hillary já ultrapassou Trump em trinta e tal mil votos. Mas a vantagem pode inverter-se. Seja como for, nada disto muda o resultado. A partir do momento em que Trump obteve os 271 Grandes Eleitores necessários à eleição (e ele tem 279), a coisa ficou decidida.
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11:44
ACONTECEU
Trump ganhou as eleições. No momento em que escrevo [10:47], quando ainda falta apurar resultados, o candidato Republicano detém 279 votos no colégio eleitoral, contra 218 de Hillary. No tocante a votos expressos, Trump tem uma vantagem de 150 mil. Ambos romperam a barreira dos 58 milhões de votos.
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10:48
terça-feira, 8 de novembro de 2016
AS DUAS AMÉRICAS
A mais recente previsão do FiveThirtyEight, quando faltam menos de quatro horas para a abertura das urnas na Costa Leste. Aguardar para ver. Clique na imagem.
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07:00
segunda-feira, 7 de novembro de 2016
ENTRADA DE LEÃO, SAÍDA DE SENDEIRO
James Comey, o director do FBI, veio ontem dizer que afinal não existe evidência de crime, ou qualquer outro tipo de ilegalidade, no conteúdo dos emails de Hillary que a agência sinalizou no fim do mês passado. O assunto tinha sido encerrado em Julho, ilibando Hillary, até que a carta de 28 de Outubro veio baralhar tudo. Agora, em carta enviada ontem aos congressistas, Comey afirma nada haver a apontar à candidata, encerrando de vez as investigações.
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09:00
A VER VAMOS
A 24 horas da abertura das urnas é esta a previsão do FiveThirtyEight. Mas convém não deitar foguetes antes de tempo. Em termos de votos, a média de todas as sondagens dá 48,4% a Hillary e 45,3% a Trump. Sobre Grandes Eleitores (e são necessários 270 para garantir a eleição), Hillary conta para já com 294 e Trump com 242. A ver vamos.
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08:30
sábado, 5 de novembro de 2016
SENA
A Guerra & Paz deu à estampa mais um volume da correspondência de Jorge de Sena, desta vez com Eugénio de Andrade. Mais de seiscentas páginas onde estão coligidas 146 cartas de Sena, 119 de Eugénio e 12 de Mécia de Sena, tudo escrito entre 1949 e 1978. Sob a designação de carta incluem-se postais. O volume foi organizado por Mécia e Isabel de Sena, mas as notas, extremamente rigorosas (sem elas perdia-se grande parte do contexto), são de Jorge Fazenda Lourenço. O índice remissivo permite aceder com facilidade a pessoas, obras e publicações avulsas. Depois dos volumes dedicados a Mécia, Eduardo Lourenço, Guilherme de Castilho, Vergílio Ferreira e José-Augusto França, editados pela Imprensa Nacional, bem como os dedicados a Carlo Vittorio Cattaneo e António Ramos Rosa, editados pela Guimarães, a Guerra & Paz tem vindo a divulgar a correspondência seniana: Sophia de Mello Breyner Andresen, Raul Leal, Delfim Santos, João Gaspar Simões e agora Eugénio. Como sempre, Sena fala de tudo (costumes, literatura, vida académica, política, gossip, viagens) sem poupar nos elogios a terceiros. Eugénio fala dele próprio.
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11:55
GAP
O estudo da Aximage ontem divulgado no Jornal de Negócios e no Correio da Manhã apresenta os seguintes resultados:
PS — 38,3% / PSD — 28,7% / BE — 9% / CDU [PCP+PEV] — 7,3% / CDS — 6,4%. Dito de outro modo: maioria de Esquerda = 54,6% / PAF = 35,1%. Quase vinte pontos de diferença (19,5%) é um gap e tanto!
Nota curiosa, os indecisos são apenas 2,2%.
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08:00
QUEM DIRIA HÁ UM ANO?
Há um ano era puro delírio, mas o facto é que foi ontem aprovado (na generalidade), com apoio do PS, BE, PCP e PEV, o segundo Orçamento de Estado elaborado pelo Governo de António Costa. Estamos a falar do OE 2017.
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07:30
sexta-feira, 4 de novembro de 2016
BREXIT
Leio nas redes manifestações de júbilo com a decisão do Tribunal de Londres sobre a exigência de votação parlamentar para accionar o art.º 50. É muito estranho, porque grande parte dessas manifestações tem sido subscrita por mulheres, e não me lembro de as ter visto exigir que a Assembleia da República votasse o resultado do referendo ao aborto.
Eu não gosto de referendos, sejam eles sobre que tema forem. Mas, estando consagrados na Lei, o seu resultado tem de ser respeitado. O resultado foi claro: 52% dos votantes no referendo não querem continuar na UE. Portanto, quem quer torcer a realidade deve emigrar para a Coreia do Norte. Ou lutar pela abolição dos referendos.
Downing Street recorreu da decisão e mantém o fim de Março como a data em que dará início formal à saída.Theresa May falou ontem mesmo com Merkel e Juncker, a quem garantiu que Brexit means Brexit.
O que o Tribunal conseguiu foi uma dilação de prazos. Na prática, o Reino Unido já saiu. Em Janeiro não assumirá, como lhe competia, a presidência da UE. A alta-finança corrigiu a pontaria. Além de pequenas minudências que envolvem bolsas, financiamentos, projectos, etc., que têm estado a ser cancelados nos últimos meses.
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10:30
quinta-feira, 3 de novembro de 2016
LE CARRÉ & ADÍLIA
Hoje na Sábado escrevo sobre O Túnel de Pombos, o livro de memórias de John le Carré (n. 1931), o tipo de obra que deixa toda a gente a salivar. A origem do título vem revelada no prefácio, servindo de parábola à vida e obra do autor, que foi diplomata e trabalhou durante vários anos nos serviços secretos britânicos. Ainda por lá andava quando publicou os primeiros quatro livros, entre eles o celebrado O Espião que Saiu do Frio (1963). Isso explica a necessidade do pseudónimo, forma de tornear a Lei dos Segredos Oficiais. O Túnel de Pombos consiste numa colecção de episódios que pontuam a vida do autor. Trinta capítulos são inéditos, os outros oito tiveram publicação prévia entre 1994 e 2014 na Inglaterra e nos Estados Unidos. A dificuldade reside na escolha, porque le Carré tem uma escrita de primeiríssima água e um sentido de humor vintage. A introdução sinaliza o modus operandi do livro: «Estas são histórias verdadeiras, contadas de memória […] A verdade real reside, se reside algures, não nos factos, mas nos matizes.» Fica tudo dito. No texto mais longo e duro do livro, le Carré expõe a complicada relação com o pai: «Demorei muito tempo a conseguir escrever sobre Ronnie, vigarista, fantasista, preso ocasional e meu pai.» Os restantes têm outro carácter. A partir de incidentes da vida diplomática, filmes realizados com base em livros seus, a Guerra Fria, a presença de ex-nazis de altas patentes no sistema judicial e na polícia da antiga RFA, o apoio de segmentos da classe média alemã ao grupo Baader-Meinhof, o momento em que Brodsky soube que tinha ganho o Nobel da Literatura de 1987, Alec Guinness doublé de Smiley, os preparativos para uma entrevista com Bernard Pivot, o chalé suíço, as idiossincrasias de Richard Burton, os encontros com Arafat, a coragem do repórter de guerra Jerry Westerby, o degelo de Gorbachev, o esquizofrénico encontro com um dos patrões da máfia russa na Moscovo de 1993 (o pós-Perestroika encontra-se dissecado em três romances seus), o cartão de crédito de Stephen Spender, etc., le Carré preenche quase quatrocentas páginas de leitura compulsiva e imprescindível. Cinco estrelas. Publicou a Dom Quixote.
Escrevo ainda sobre Bandolim, Adília Lopes (n. 1960). Após trinta livros de poesia, chegou o tempo de Adília escrever parte das suas memórias. Bandolim não é outra coisa senão um diário, ilustrado com uma dúzia de retratos. Não faz sentido metê-lo numa colecção de poesia. O livro dispensa a “nobilitação”. Todas as anotações aqui reunidas corroboram a persona de Adília. Histórias da infância e adolescência, ditos em família, apontamentos de Lisboa e em especial sobre a zona de Arroios, participações em festivais de poesia, episódios da vida escolar, Kristeva e a teoria das catástrofes, a gata Faruk, Amadeo no Beaubourg, intertextualidades, Érico Verissimo (onde tudo começou), recordações dos anos 1970, Barthes, tradições orais, farmácias, Joyce, a Bíblia, o texto do catálogo de uma exposição, psicanálise e darwinismo, o Liceu Pedro Nunes, os Abba & Wagner, Newton, trocadilhos, aforismos, dois ou três poemas, mas também citações de Camilo, Lispector, Campos, Dickinson, Craveirinha, Cernuda, D. Francisco Manuel de Melo e muitos outros. Servindo-se de uma ironia corrosiva, Adília elevou o Kitsch ao cânone: «Eu nunca saí da casa da infância. Ainda tenho os tesouros quase todos.» Num tom aparentemente desfocado, Bandolim diz mais que muitos cartapácios autobiográficos. Quatro estrelas. Publicou a Assírio & Alvim.
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terça-feira, 1 de novembro de 2016
DIA 8 VEREMOS
A sondagem mais recente, publicada hoje no New York Times.
Apesar das manobras de James B. Comey, o director do FBI que no passado 28 de Outubro quebrou a regra de, nos últimos 60 dias da campanha, não se pronunciar sobre qualquer candidato (e ele fez mais do que pronunciar-se), os americanos continuam a apostar em Hillary. Em abaixo-assinados de altos-funcionários do FBI, editoriais, artigos de opinião assinados por políticos e juízes, etc., Comey tem sido acusado de ter feito o que se julgava impossível desde os ominosos tempos de Hoover.
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