sábado, 6 de agosto de 2016

BERLIM, PARTE UM


Cinco dias em Berlim permitiram desfazer o enigma desta cidade inscrita a ferro e fogo na memória cultural e política da minha geração. Não basta conhecer os últimos cem anos de História, ter seguido a passo a literatura, o cinema e a memorabilia gay. Relatos avulsos de um punhado de amigos ajudam, mas é preciso ver e compreender. Tentarei alinhavar alguns tópicos. Berlim é uma cidade civilizada, limpa e, até prova em contrário, segura. Os berlinenses são educados e prestáveis. Nas principais avenidas, os passeios são muito largos, embora a cidade, ao fim de 27 anos de reunificação, continue a ser um imenso estaleiro. As zonas de fronteira entre Leste e Oeste foram rapidamente reconstruídas e ocupadas — como por exemplo toda área que vai de Potsdamer Platz à Porta de Brandemburgo —, com edifícios assinados pela nata da arquitectura mundial, mas o interior dos bairros só agora está a ser afinado. Sirva de exemplo a majestosa Unter den Linden, o equivalente local dos Champs Élysées. Fiquei instalado no seu topo, no mítico Adlon Kempinski, a dois minutos da Porta de Brandemburgo. O hotel teve uma primeira vida, de 1907 a 1945, mas foi totalmente destruído pelos Aliados. Em 1997, oito anos após a queda do Muro, a família Kempinski reconstruiu o edifício. Por lá passou toda a gente (realeza e plebeus) que foi alguém: era o pouso preferido de Thomas Mann. Gostei francamente de lá ter ficado hospedado. O Adlon ocupa um terço de um quarteirão, estando o espaço que sobra ocupado, a Leste, pela embaixada britânica, e a oeste pela embaixada americana. No mesmo quarteirão, virado à Pariser Platz, resta ainda um nicho para o DZ Bank, obra de Frank Gehry, e para a simpática Akademie der Künste, de arte contemporânea. A rua da embaixada britânica, a Wilhelmstraße, está cortada ao trânsito automóvel entre Unter den Linden e Behrenstraße.

Berlim é uma cidade cara. Verdade que a variação de preços acompanha a passagem de um bairro para outro. Em Mitte, a zona envolvente do Adlon, tudo é caríssimo. Mas em Kreuzberg, zona multicultural frequentada por turistas com preocupações de natureza intelectual, a diferença é residual. Exemplo: em Mitte, uma bica custa três euros, num café de rua gerido por turcos antipáticos; em Kreuzberg custa 2,5 euros num café com WiFi gerido por rapazinhos louros de pele de pêssego e simpatia desarmante.

Quase todos os hotéis de prestígio estão concentrados em Unter den Linden, Behrenstraße e Friedrichstraße. As zonas comerciais por excelência são a Friedrichstraße e a Kurfürstendamm, vulgo Kudamm. Em ambas, a primeira no antigo Leste, a segunda no antigo sector americano, existem centros comerciais homéricos, além de lojas elegantes das marcas mais reputadas: Cartier, Prada, Kors, etc. Na Friedrichstraße ficam os concorridos Quartier 205-6-7. O 206 é obra do chinês Pei, o da pirâmide do Louvre. Atrás do Quartier 206 fica a Gendarmenmarkt, uma praça agradável, onde está o Konzerthaus, com a estátua de Schiller em frente, e as igrejas alemã e francesa. O Quartier 207 são as Galerias Lafayette, obra do francês Jean Nouvel. A Kudamm é magnífica: comércio, cafés, restaurantes, bares, hotéis populares, uma babilónia étnica. O Reinhard’s é o equivalente de Les Deux Magots. Tomar um chá ou um drink na esplanada é ver passar o mundo. Um chá custa entre 6 e 9 euros. Muitos rapazes morenos com a braguilha ostensivamente aberta, o que pressupõe outro tipo de comércio. O Reinhard’s fica na esquina da Fasanenstrasse, uma rua cheia de galerias de arte e pequenas lojas especializadas: arte déco, antiquários, livrarias, lentes zeiss, etc. Também ali está a discreta Literaturhaus, com uma boa livraria e um bonito jardim de rosas onde se pode almoçar.

Num dos topos da Kudamm, logo a seguir à Igreja da Memória, começa a Tauentzienstraße, onde fica o famoso KaDaWe, um Corte Inglês a multiplicar por dez. As secções gourmet do sexto piso são superlativas.

Para os amantes de arquitectura em altura, a Potsdamerplatz é o sítio ideal: arranha-céus tipo Manhattan, o Ritz-Carlton (o bar é excelente, mas dois whiskies custam 48 euros), o Sony Center com a sua gigantesca cúpula em aço, etc. A Filarmonia fica a dois passos, mas só reabre no próximo dia 26. E também a Gemäldegalerie, um bom museu com arte europeia dos séculos XV a XVIII. Uma das secções do Muro passava na Potsdamerplatz. Fazendo a pé o trajecto até à Porta de Brandemburgo, podem ver-se fotos de como era no antigamente. Fica aí o Memorial do Holocausto, também conhecido por Memorial aos Judeus Mortos da Europa, projectado por Peter Eisenman e inaugurado em 2005. Ocupa uma área de cerca de vinte mil metros quadrados. Há muitos memoriais em Berlim: aos homossexuais vítimas do regime nazi, aos deputados comunistas e socialistas assassinados a seguir ao incêndio do Reichstag, aos ciganos, etc. A memória é um ferrete.

No cimo do Bundestag fica a famosa cúpula em vidro de Norman Foster. Com pena, não fui visitar. As reservas pela Internet estavam bloqueadas para as próximas semanas e a possibilidade de fazer uma marcação in loco implicava ficar duas horas numa fila. Fora de questão.

Preferi ir para a ilha dos museus, que são cinco. A saber: o Altes Museum, com antiguidade grega, romana e etrusca; a Alte Nationalgalerie, com impressionismo alemão e francês; o Pergamon, com monumentos da antiguidade; o Neues Museum, recuperado recentemente por Chipperfield, onde podemos ver a cabeça de Nefertiti e réplicas do tesouro de Tróia que os russos levaram no fim da guerra; e o Bode Museum, com peças Alta Idade Média. Não fomos ao Pergamon porque era preciso comprar o ingresso (extra-passe) noutro contentor, e os 40 minutos gastos no contentor anterior chegaram e bastaram. A zona está toda em obras. Ao lado da ilha fica o Museu de História Alemã, muitíssimo bom. A parte menos interessante é uma escada em caracol desenhada pelo omnipresente Pei. Como digo, o museu é óptimo, mas a cafetaria não tem nada do que vem na lista. Nada. Não era por ter acabado, o empregado explicou que a lista tem anos e nunca foi mudada. No caminho para a ilha dos museus passei pela Dussmann, uma livraria magnífica em Friedrichstraße.

A grande decepção foi Alexanderplatz, uma espécie de Martim Moniz em dobro. A torre de televisão da antiga RDA fica quase colada. Nenhum interesse. Não houve tempo para visitar Prenzlauer Berg, antigo bairro proletário hoje ocupado por yuppies.

Acerca de restaurantes. As surpresas mais agradáveis foram a Ganymed Brasserie (Schiffbauerdamm, 5), consta que a preferida da senhora Merkel, o Borchardt (Französische Straße, 47), o Grosz (Kurfuerstendamm, 193) e o Pauly Saal (Auguststraße, 11). O Gendarmerie (Behrenstraße, 42) vale pela decoração e atmosfera cool. Aparentemente, tem o maior mural de madeira do mundo, pintura neo-expressionista de Jean-Yves Klein. O staff é simpático mas a comida é medíocre. A grande decepção foi a Enoiteca Il Calice (Walter Benjamin Platz, 4), onde tudo é pretensioso, a começar pela morada. Com excepção do Borchardt e do Grosz, que têm preços sensatos, os equivalentes dos restantes cobram em Lisboa menos 40%.

Continua. A imagem mostra a torre de televisão da antiga RDA. Clique.

sexta-feira, 5 de agosto de 2016

VICTOR SERGE


Na edição da Sábado que ontem chegou às bancas e livrarias, escrevo sobre O Caso do Camarada Tulaev, do russo Victor Serge (1890-1947). O autor tem vários livros publicados em Portugal, em especial os de natureza panfletária, e uma biografia de Trotsky, mas este seu romance, o mais importante de todos, só agora foi traduzido. Obra póstuma, incensada por Brodsky e Susan Sontag, usa o Grande Terror estalinista como foco central. Serge, que nasceu na Bélgica e morreu no México, tinha quase 30 anos quando pisou solo russo pela primeira vez. Anarquista, bolchevique, trotskista e, a partir de 1928, opositor declarado de Estaline, que o mandou prender duas vezes, foi libertado e expulso da URSS em 1936 após pressão de intelectuais europeus. Começa a diáspora. O Caso do Camarada Tulaev corresponderá ao período mexicano, embora a edição original (1949) seja francesa. Serge descreve com nitidez as circunstâncias em que decorreram as purgas do regime soviético, bem como o carácter autofágico da polícia secreta, que prendia, torturava, deportava e abatia os adversários reais ou imaginários. A escrita é seca e auto-referencial. A saga de alguém que viveu por dentro os equívocos e dissensões do movimento comunista. Três estrelas. Publicou a E-Primatur.

EUROSONDAGEM


Maioria de Esquerda = 53%. Clique na imagem do Expresso para ler melhor.

segunda-feira, 1 de agosto de 2016

BERLIM


Até já. Clique na imagem.

domingo, 31 de julho de 2016

PORTELA

Cinco argelinos invadiram ontem às 19:50 a pista principal do Aeroporto de Lisboa, que por essa razão esteve encerrado durante 35 minutos. Provenientes de Argel, os homens foram presos pela polícia. Um deles ficou ferido e recebeu tratamento hospitalar. Ainda não se conhece a motivação do acto. Imigração ilegal para entrar no espaço Schengen? Amanhã serão ouvidos por um juiz.

sábado, 30 de julho de 2016

METADE?


Se estes números correspondem à realidade (o gráfico é do Diário de Notícias), não percebo por que motivo continua a haver tanta gente a devolver a casa ao banco. Clique na imagem.

sexta-feira, 29 de julho de 2016

BREXIT À MODA DELA

Os britânicos não mudam: querem comer o bolo e ficar com o bolo. Theresa May já se encontrou com Merkel, Hollande e Renzi. Mas também com Enda Kenny, o PM irlandês; Robert Fico, o PM eslovaco; e Beata Szydło, a PM polaca. A todos disse que o Reino Unido pretende continuar a usufruir das vantagens do mercado comum, mas interditar a livre circulação de pessoas. Merkel foi clara: sem livre circulação de pessoas, não há mercado comum. Por seu turno, a primeira-ministra britânica também esclareceu que não tenciona seguir o modelo norueguês. A Noruega não faz parte da UE, mas, para participar do mercado comum, permite a livre circulação de pessoas, bens, capitais e serviços.

TAMBÉM TU, FMI?

Uma auditoria independente feita pelo FMI ao resgate português (2011-15) põe tudo em xeque: o prazo de intervenção, considerado excessivamente curto; as previsões económicas; o fracasso da consolidação orçamental; a reincidência em estratégias erradas e o pacote fiscal. Passos, Gaspar, Maria Luís e Carlos Costa podem limpar as mãos à parede.

quinta-feira, 28 de julho de 2016

JULIAN BARNES


Hoje na Sábado escrevo sobre O Ruído do Tempo, de Julian Barnes (n. 1946), autor que nos últimos dezasseis anos publicou quatro romances, uma colectânea de contos, um volume de memórias e outro de ensaios sobre arte. As memórias e os ensaios (Courbet, Fantin-Latour, Degas, Bonnard, Magritte, Braque, etc.) foram os temas que o absorveram depois da morte da mulher, a agente literária Pat Kavanagh. Agora chegou este novo romance, sobre o compositor russo Dmitri Chostakovich. Trata-se portanto de um romance biográfico, circunstância que não preocupa o autor nem defrauda o leitor: «Todos os romances são biográficos», disse Barnes, e o senhor de La Palice não diria melhor. A tal respeito, a Nota do Autor é de meridiana clareza. Chostakovich, o mais importante compositor da era soviética, foi um joguete nas mãos de Estaline. Logo em 1936, antes de completar trinta anos, uma ópera sua, Lady Macbeth de Mtsensk, aclamada de Nova Iorque a Buenos Aires, mas também em Moscovo e Leninegrado, desagradou ao Grande Pai da Nação. Estaline abandonou o teatro e, no dia seguinte, o Pravda deu à estampa um violento editorial: «Chinfrim em vez de música», anti-ópera para degenerados, etc. A catilinária fora redigida pelo próprio Estaline? A ortografia parecia corroborar… A partir dali, Lady Macbeth de Mtsensk seria proscrita. Chostakovich, que já vira amigos seus serem presos e fuzilados, não tinha ilusões. Com o propósito de «destruir a asfixia burguesa, o Partido tomara conta dos assuntos culturais. O editorial do Pravda tinha de ser lido como um mandado judicial. Dali aos interrogatórios da NKVD foi um passo. Em 1948, por ordem de Estaline, Chostakovich vai a Nova Iorque participar no Congresso Cultural e Científico para a Paz Mundial. Stravinski, o seu ídolo, era o alvo a abater. Recebido com empatia por punhado de intelectuais americanos («a colher de mel numa barrica de alcatrão»), a humilhação da entrevista colectiva do Waldorf Astoria foi um golpe fatal. Barnes faz um retrato extremamente subtil do compositor. Veja-se o encontro com Akhmátova. Descritos com aparente parcimónia, os anos de chumbo avançam e recuam graças à criteriosa inserção de flashbacks. A música redime tudo? Quatro estrelas.

Escrevo ainda sobre Bicha, de William S. Burroughs (1914-1997), que antes de ser escritor teve várias profissões, entre elas a de exterminador de baratas e percevejos. A seguir foi barman e outras coisas. Este homem, oriundo de famílias patrícias, neto do inventor das máquinas de calcular e escrever, formou-se em Harvard e depois foi para Viena fingir que estudava medicina. Homossexual, heroinómano desde a adolescência, dissidente da Cientologia, praticante do cut-up dadaísta, deixou uma obra extensa (ficção, ensaio) onde se destaca o romance Festim Nu, publicado em 1959. Bicha, agora traduzido, teve uma primeira versão (1952) nunca publicada. O que lemos é a versão de 1985. Oliver Harris serve-se da introdução para explicar que o livro não é consequência do assassinato da segunda mulher de Burroughs. (Em 1951, numa festa, Burroughs matou-a com um tiro no rosto. Se era para imitar Guilherme Tell, como disse à polícia, teve azar.) Foi para o México, porque sim. O livro é uma narrativa desordenada sobre o quotidiano de um homossexual freak. Em apêndice datado de 1985, Burroughs dá conta dos anos passados no México, e essa parte é a melhor do livro. Uma estrela. Publicou a Quetzal.

ASCO

Impedida de pôr no ar a tourada das sanções, a SICN promoveu ontem à noite um debate conduzido por Clara de Sousa, no qual participaram dois advogados e três jornalistas. Intuito: provar que Sócrates é responsável por toda a corrupção desde 25 de Abril de 1974. Não estou a ironizar. Um jornalista do Expresso e outro de que nunca ouvi falar, meteram tudo no mesmo saco: derrocada do BES, tranquibérnia da PT, OPA da Sonae sobre a PT, compra da VIVO, Vale de Lobo, Grupo Lena, terrenos em Luanda, PPP, Cova da Beira, Freeport, tentativa de controlo da TVI, gastos sumptuários, etc. Tipo: vamos liquidar o tipo de qualquer maneira. O paroxismo foi tal que até o Gomes Ferreira teve de pôr água na fervura, lembrando que esse conjunto de situações, a configurarem crime, não foram obra de um homem só. Afinal, onde estão os ministros, secretários de Estado, directores-gerais, autarcas, banqueiros e assessores que respondem pelos dossiers? Do lado dos advogados, João Araújo (em nome de Sócrates) e Rogério Alves (suponho que em nome da equidistância tecnocrática), houve uma tentativa de recentrar o debate, mas foi em vão. Aguentei talvez 20 minutos. Asco absoluto.

O BANDO DOS QUATRO

A decisão de não aplicar sanções a Portugal e Espanha foi tomada com o voto contra de quatro comissários: o alemão Günther Oettinger, o finlandês Jyrki Katainen, o letão Valdis Dombrovskis e a sueca Cecilia Mälmstrom. Carlos Moedas terá feito uma boa defesa das nossas razões, e faz todo o sentido que tenha sido assim, porquanto as sanções decorreriam do défice (0,2%) de 2015, ou seja, da gestão PSD/CDS, na qual Moedas teve um papel central. Dijsselbloem, ministro holandês das Finanças e presidente do Eurogrupo, ficou desapontado com a decisão, mas não participou na reunião da Comissão.

quarta-feira, 27 de julho de 2016

FOI-SE O TABU


A realidade tem muita força. Notícia e imagem do Expresso. Clique.

DÉJÀ VU

A simples presença de alguém como Donald Trump nas Presidenciais americanas dá a medida da akrasia universal. Mas não é caso virgem. Quem se lembrar da campanha de 1964 tem na memória a figura sinistra de Barry Goldwater, o candidato oficial do Partido Republicano, defensor acérrimo de que as armas nucleares eram mesmo para usar. E prometeu fazê-lo contra a URSS. Goldwater tinha então 55 anos (Trump tem 70), era e voltou a ser eleito senador (Trump é empresário, sem currículo político). Os sectores moderados do Partido Republicano, que tentaram, sem sucesso, nomear Nelson Rockefeller, preferiram votar na reeleição de Johnson. É verdade que, nos últimos 50 anos, o mundo mudou muito, mas Trump não é uma novidade na vida americana. Os mais novos podem não saber da existência de Goldwater, mas já se esqueceram de Sarah Palin?

EM QUE FICAMOS?

Em 26 de Junho, Donad Tusk, presidente do Conselho Europeu, nomeou Didier Seeuws, diplomata belga, para representar a UE nas negociações do Brexit. Hoje, Jean-Claude Juncker, presidente da Comissão Europeia, nomeou o francês Michel Barnier como negociador-chefe da Comissão Brexit. Didier Seeuws desistiu?

NONSENSE OU ALGO PIOR?

Adel Kermiche, o rapaz de 19 anos que ontem degolou o padre Jacques Hamel na igreja de Saint-Etienne-du-Rouvray, obrigando o sacerdote a ajoelhar-se antes de consumar o acto, usava pulseira electrónica desde que a Alemanha o extraditou para França em Março do ano passado, quando a criatura foi impedida pelas autoridades alemãs de viajar para a Síria. Em que mundo vive a polícia francesa?

terça-feira, 26 de julho de 2016

A FRANÇA EM GUERRA


O mapa do horror em França. Imagem do Guardian. Clique para ler as legendas.

TERROR NA MISSA

Esta manhã, dois homens armados de facas, declarando-se apoiantes do Daesh, degolaram o pároco e mataram outra pessoa, tendo sequestrado mais cinco fiéis na igreja de Saint-Etienne-du-Rouvray (zona de Rouen, Normandia). Entretanto, a polícia abateu-os. Hollande está no local e Valls reagiu no Twitter.

HORROR NO JAPÃO

Munido de uma faca de guerra, Satoshi Uematsu, 26 anos, entrou no Tsukui Yamayuri En, um lar de deficientes em Sagamihara, a cinquenta quilómetros de Tóquio, matou 19 pessoas e apunhalou outras 42, vinte das quais estão em estado muito crítico. Em tempos, o atacante trabalhou no referido lar, tendo tido alta de um hospital psiquiátrico no passado dia 2 de Março. Antes do ataque, o indivíduo avisou as autoridades da necessidade de exterminar todos os deficientes do país. Depois da matança entregou-se à polícia. Pronto, este é mesmo louco.

segunda-feira, 25 de julho de 2016

BAVIERA, AGAIN

Desta vez foi um sírio de 27 anos, um refugiado a quem foi recusada autorização de residência na Alemanha. Tudo se passou ontem à noite, em Ansbach (onde existe uma base militar americana), uma cidadezinha colada a Nuremberga, durante um festival de música rock. O atacante deflagrou-se, ferindo 12 pessoas. O festival foi cancelado. Lembrar que, no espaço de uma semana, é o terceiro atentado na Baviera: Würzburg no dia 18, Munique no dia 22, e ontem, dia 24, em Ansbach. Do outro lado do mundo, em Bagdade, a manhã de domingo ficou assinalada por (mais) um homem-bomba que, ao deflagrar-se na Praça Aden, causou 21 mortos e cerca de 40 feridos.

sábado, 23 de julho de 2016

NÃO HÁ COINCIDÊNCIAS


Fez hoje 40 anos, Soares tomou posse como primeiro-ministro do I Governo Constitucional. A efeméride foi assinalada a partir das 18:30 com uma cerimónia informal nos jardins do Palácio de São Bento, residência oficial do primeiro-ministro, António Costa, um dos oradores da sessão, juntamente com Rui Vilar e Pinto Balsemão. Comparecerem cerca de 250 personalidades, entre elas o Presidente da República, o presidente da Assembleia da República, o general Ramalho Eanes, Conselheiros de Estado, deputados, antigos e actuais ministros, Passos Coelho, etc. Internado de urgência, Jorge Sampaio não pôde comparecer. Embora convidado, Sócrates não apareceu.

Também hoje, um grupo de amigos decidiu homenagear Cavaco Silva, organizando um almoço para 80 comensais. A coincidência das datas (a homenagem a Cavaco podia ser feita em qualquer altura) fala por si. Cavaco foi convidado para a homenagem a Soares, tendo declinado com o argumento do seu próprio almoço. Marcelo passou pelo local, mas não participou no repasto. E lembrou a data de Soares. Ter tido educação em casa faz toda a diferença.

A foto é de António Cotrim, para a Lusa. Clique na imagem.