sábado, 14 de novembro de 2015

FUSILLADE


A manhã trouxe os números da tragédia. Os sete atentados ocorridos ontem à noite em Paris deixaram um saldo de 126 mortos. Este número inclui 15 terroristas: oito abatidos pela polícia, sete que se fizeram explodir. Assim que pôs fim à ocupação do Bataclan, a polícia deparou com 87 mortos. Feridos são mais de trezentos, um terço em estado grave. O massacre foi reivindicado pelo ISIS. Com militares na rua, a capital francesa é hoje uma cidade de portas fechadas: a Torre Eiffel, comércio, museus, serviços públicos, instalações desportivas, monumentos, escolas, cafés, bares, restaurantes, cinemas, teatros, ginásios, piscinas, a Disneyland Paris, alguns transportes públicos, etc. Continuam encerradas as fronteiras da França. Londres e Nova Iorque estão em alerta máximo.

Nas imagens: capa do Público e interior do Bataclan. Clique.

sexta-feira, 13 de novembro de 2015

CARNIFICINA


O terror voltou: Paris é uma cidade sitiada. Mortos confirmados (os corpos encontrados na rua após o tiroteio contra o restaurante Petit Cambodge e o bar Le Carillon) são para já 46. No mítico Bataclan, onde actuava a banda americana Eagles of Death Metal, estão sequestradas entre 60 a 100 pessoas, metade das quais terão sido executadas. Hollande, retirado do Estádio de França onde assistia a um jogo de futebol, decretou o estado de emergência em toda a França. As fronteiras foram encerradas e o espaço aéreo interdito. Há notícia de que estão neste momento encerrados os cafés, bares, restaurantes e casas de espectáculos da capital francesa. Esperar o pior.

A imagem é do Libération. Clique.

TAP


A TAP foi vendida. Melhor dito: 61% do capital da TAP mudou de mãos. Era do Estado, passou para a Atlantic Gateway. Dinheiro ainda ninguém viu. O contrato foi assinado ontem, à porta fechada, passava das dez da noite. Hoje, Neeleman & Pedrosa vão (14:30) ao refeitório da companhia apresentar-se aos trabalhadores. Até ao próximo dia 19, os novos patrões têm de injectar 150 milhões de euros na tesouraria. Sem esse dinheiro, parece que não há forma de pagar combustível e os salários deste mês. A CGD adianta a verba, tendo o Estado como avalista. Os restantes 119 milhões podem ser pagos até Junho de 2016. Depois logo se vê.

LEVIANDADE

Quando me contaram, pensei que era anedota. Mas não. Passos Coelho propôs mesmo uma revisão extraordinária da Constituição, de modo a permitir eleições “imediatamente”. O disparate começa no invocado carácter extraordinário. Tendo a última revisão ocorrido há mais de cinco anos, a próxima será sempre de natureza ordinária. E depois temos os prazos. Admitindo que o PS fizesse a vontade a Passos, porque sem os votos do PS nenhuma revisão se fará, nem extraordinária nem ordinária, subsistem os prazos estabelecidos. Claro que esses prazos podem, e devem (mas não neste momento), ser encurtados, mas a sua redução dificilmente iria além de 30 dias. Ou seja, com muito boa vontade de todas as partes, Parlamento e Presidente da República incluídos, e fazendo tudo a correr, nunca haveria eleições antes de Maio. Ora como elas se podem realizar em Junho, se o próximo Presidente da República decidir dissolver o Parlamento, o que poderá fazer a partir de 4 de Abril, a manobra tresanda a futilidade. Nisto tudo, o que me surpreende é o descaso relativamente ao OE 2016. Neste momento, atento o comportamento da PAF, ter ou não ter Orçamento de Estado parece ser tão irrelevante como escolher a cor da gravata.

quinta-feira, 12 de novembro de 2015

SE ATÉ O ECONÓMICO RECONHECE


Quem o diz é o Económico, porta-voz dos interesses da Direita. Excerto:

«Há um conjunto alargado de informação estatística na dependência do Governo que está por publicar. São dados detalhados da Segurança Social, do Fisco ou sobre as empresas públicas, cujo acesso deveria ser — por lei ou ética — facilitado. [...] Desde logo, não há resultados sobre o “enorme aumento de impostos”. Em 2012, o Governo de Passos Coelho, com o então ministro das Finanças Vítor Gaspar, decidiu aumentar significativamente a carga fiscal. Mas ainda hoje não são conhecidos detalhes sobre o impacto destas medidas — contactado, o Ministério das Finanças não respondeu. Todos os anos o Governo publica as estatísticas do IRS e do IRC, mas este ano ainda não foram divulgadas no Portal das Finanças. Tanto em 2013 como em 2014, os dados foram divulgados no final de Maio. [...]»

Clique na imagem.

ANTONIO SKÁRMETA


Hoje na Sábado escrevo sobre O Carteiro de Pablo Neruda, do chileno Antonio Skármeta (n. 1940). Não é vulgar que o sucesso de um filme mude o título do livro que lhe deu origem. Mas foi o que sucedeu com este. O êxito do filme de Michael Radford foi de tal ordem que, a partir de 1994, Ardente Paciência (1985) passou a publicar-se como El Cartero de Neruda. No prólogo, Skármeta confessa ter levado catorze anos a escrever a história de Mario Jiménez, o filho de pescador que decide tornar-se carteiro, explicando as razões que o levaram à Ilha Negra. Tudo começa em 1969, época em que a contestação popular ao governo de Eduardo Frei Montalva prenunciava a chegada ao poder de Salvador Allende, «o primeiro marxista votado democraticamente» e grande amigo de Neruda. Ao contrário da lenda, o livro nada tem de naïf. Vencido pelo cancro, Neruda morreu doze dias depois do golpe de Pinochet, estando a dupla dimensão de poeta e activista no centro da intriga. Por seu turno, a relação peculiar que se estabelece entre o carteiro e o poeta que em 1971, em plena vigência do governo de unidade popular, recebeu o Prémio Nobel da Literatura, acrescentou à novela uma aura simbólica. Três estrelas e meia.

NOVEMBRO 2015


No Twitter fazem-se ameaças de morte às escâncaras. A imagem supra ilustra a instigação pública a um crime. Num país com o Governo demitido (e, portanto, impedido de elaborar o Orçamento de Estado), o Presidente da República permite-se ir passar dois dias à Madeira. Enquanto isso, Paulo Rangel alerta o Parlamento Europeu para «o acordo de forças da extrema-esquerda com o PS», fazendo por esquecer que 62% do eleitorado das últimas Legislativas votou contra a política que ele representa. Tudo isto a duas semanas do 40.º aniversário do 25 de Novembro. Clique na imagem para ler melhor.

quarta-feira, 11 de novembro de 2015

VALSA LENTA

A ver se a gente se entende. A Presidência da República não é uma mercearia de bairro, daquelas que estão abertas das 9 às 19 mas fecham das 13 às 15 para almoço. Isto dito, não percebo por que razão o PR não recebeu ontem mesmo (a queda do Governo foi consumada pouco depois das cinco da tarde) o Presidente da Assembleia da República, o primeiro-ministro demitido e o secretário-geral do PS. Podia e devia tê-lo feito, sem prejuízo de começar a ouvir hoje os partidos com representação parlamentar. Mas não. Sua Excelência tem o seu ritmo, e só hoje, quando forem 15:45, receberá Ferro Rodrigues. Entretanto decorrerá (16:00) a cerimónia em que Assunção Esteves e Guilherme d’Oliveira Martins serão agraciados com a Grã-Cruz da Ordem Militar de Cristo. E depois (16:30) é a vez de Passos Coelho. Não consta da agenda da Presidência nenhuma audiência com António Costa. Significa isto que para o PR é indiferente haver OE 2016 ainda em Dezembro ou só em Fevereiro. Passos & Portas estão de mãos atadas. Os diplomas PAF destinados a prorrogar a vigência das leis extraordinárias que caducam a 31 de Dezembro, caíram com o Governo. Mas nada impede o Parlamento de legislar. Enfim, no momento em que até a imprensa internacional põe o acento tónico no contra-relógio, Sua Excelência age como se o país pudesse esperar.

PERFEITO


Aqui está uma bela capa.
A foto é de Enric Vives-Rubio. Clique nela.

terça-feira, 10 de novembro de 2015

ANDRÉ GLUCKSMANN 1937-2015


Morreu hoje o filósofo francês André Glucksmann, nascido no seio de uma família judaica, autor de uma obra controversa iniciada em 1966, a qual evoluiu do maoísmo para o neo-conservadorismo. A ruptura com a Esquerda deu-se em 1975, quando publicou La Cuisinière et le Mangeur d’Hommes. Réflexions sur l’État, le Marxisme et les Camps de Concentration. Guy Hocquenghem foi um dos seus mais acérrimos detractores. Foram muitas as polémicas em que se envolveu, em temas tão diversos como o Vietname, o Maio de 68, a pedofilia, as intervenções da NATO nos Balcãs, a defesa de Israel e do Tibete, a energia nuclear, etc. Tinha 78 anos.

GOVERNO CHUMBADO

Eram 17:17 quando Ferro Rodrigues, Presidente da Assembleia da República, confirmou a queda do XX Governo Constitucional, rejeitado por uma moção do PS aprovada por 123 deputados do PS, BE, PCP, PEV e PAN.

O 10 DE NOVEMBRO


Aqui chegados, creio que toda a gente já percebeu a importância de ter apeado António José Seguro. Se fosse vivo, Cunhal faria hoje 102 anos. Clique nas imagens.

NOS 40 ANOS DA DESCOLONIZAÇÃO

Ontem, no Diário de Notícias, Fernanda Câncio publicou dois textos sobre os 40 anos da Descolonização. No primeiro, cita conversas tidas comigo, com Isabela Figueiredo, Dulce Maria Cardoso e Vanessa Rato. No segundo, faz o mesmo com Inês Gomes, autora da série Depois do Adeus, e Elsa Peralta, curadora da exposição Retornar.

Como a Fernanda facultou um desses textos no FB, já apareceu uma criatura a manifestar irritação («Confesso que estes relatos por muito criticos que sejam, irritam-me») e a citar, em inglês, um cidadão do Gana. Não sei nem me interessa saber que partes dos relatos provocaram azia. Da longa conversa que tive com a Fernanda, respigo um brevíssimo excerto:

«A ponte aérea fez-se para Angola, as pessoas em Moçambique foram deixadas à sua sorte, tiveram de fugir pelos seus meios, daí muitas terem ido para a África do Sul, porque era ao lado. [Mas] das coisas muito duras ninguém fala. Porque é despertar os demónios e reabrir as feridas. [Coisas como] os campos de reeducação para brancos que se fizeram em Moçambique, as pessoas que morreram, se suicidaram, ficaram doidas

Era aqui que eu queria chegar. E como essa realidade é desconhecida da maioria dos portugueses, vou citar uma passagem do meu livro de memórias:

«Graça Machel reconheceria mais tarde, quando era já senhora Mandela, que a intimidação dos portugueses tinha sido um acto deliberado para nos afastar de vez. Isso explica as prisões em massa efectuadas na noite de 30 de Outubro de 1975. Nesse dia, a partir das dez da noite, foram presas todas as pessoas não identificadas encontradas na rua, em transportes públicos, cinemas, cafés, bares, restaurantes e clubes nocturnos (e só na Rua Araújo havia meia dúzia). Eu fazia parte dos que não tinham consigo o bilhete de identidade. Fui preso junto ao Hotel Clube, o belo edifício de 1898 onde hoje funciona o Centro Cultural Francês. Ia a caminho de casa com o Jorge quando fui interpelado por uma patrulha. Levaram-me para o campo de treino de cães da polícia, perto do zoo, onde permaneci durante catorze horas. (E só esse tempo porque minha mãe bateu às portas certas.) Eu e milhares como eu. Por estar documentado, o Jorge foi deixado em paz. Avisou minha mãe e ambos passaram a noite a tentar resolver a situação. Enquanto estive sob custódia, pude observar a seguinte triagem: um indivíduo branco mandava separar os rapazes de cabelo comprido e as raparigas de saia curta. Não sei o que lhes aconteceu ou o que poderia ter-me acontecido. Era inútil contar com a protecção da Embaixada de Portugal. O primeiro embaixador português a seguir à independência era um indivíduo preocupado em agradar à Frelimo. [...] Desde 1963, ainda no tempo de Eduardo Mondlane, a Frelimo mantinha na Tanzânia os denominados campos de reeducação. Os mais conhecidos eram os de Nachingwea e Bagamoyo. No Niassa, em Moçambique, ficava o de Mitelela. Para esses campos foram enviados dezenas de milhares de indivíduos. Por esta ordem: negros, mestiços, brancos e indianos. A comunidade chinesa não foi incomodada. Dois terços dos detidos enlouqueceram, morreram de fome ou foram executados. O terço que sobrou ficou reduzido a zombies que mendigam pelas ruas de Maputo, Nampula e outras cidades. Vim a saber que um vizinho, um miúdo que não teria ainda 20 anos, foi abatido ao tentar fugir do campo onde estava. O pico das purgas deu-se entre 1975 e 1990, época em que o totalitarismo teve rédea solta e ninguém piou.» — cf pp 28-31 de Um Rapaz a Arder, memórias 1975-2001, Quetzal, 2013.

Se isto irrita o maralhal, paciência.

segunda-feira, 9 de novembro de 2015

NADA SERÁ COMO DANTES


Ontem fez-se História. Doravante, o 8 de Novembro de 2015 poderá ficar marcado como o dia em que a Esquerda portuguesa percebeu o óbvio: prejudica o país defender idiossincrasias particulares em detrimento de um denominador comum. Passados 40 anos sobre o 25 de Novembro, o PS assume o compromisso de governar com o apoio parlamentar do BE, do PCP e dos Verdes. Em 4 de Outubro, os portugueses elegeram deputados, cabendo portanto ao Parlamento decidir quem deve governar.

O nó górdio foi desatado pelo PCP, quando, ao início da noite, Jerónimo de Sousa transmitiu a decisão unânime do Comité Central: «Nada obsta à formação de um Governo de iniciativa do PS que assegure uma solução duradoura na perspectiva da legislatura.» Estando na sala quem não soubesse o que é uma legislatura, o líder comunista precisou: «Como não houve revisão constitucional, uma legislatura são quatro anos.» Claro como água.

Duas horas mais tarde, o PS reuniu a sua Comissão Política, a que se juntaram deputados e eurodeputados. O partido decidiu formalizar uma aliança parlamentar com o BE, o PCP e os Verdes, e apresentar uma moção de rejeição ao programa de Governo que hoje começa a ser discutido no Parlamento. A proposta de António Costa foi aprovada por 69 votos a favor e cinco contra, sem abstenções. (No sábado, a Comissão Nacional havia mandatado Costa com 163 votos a favor, sete contra e duas abstenções.) O secretário-geral do PS está portanto em condições de derrubar Passos Coelho e apresentar uma alternativa ao Presidente da República.

A contestação da ala direitista esvaziou. Francisco Assis foi claro: «Desejei boa sorte a António Costa, que vai ser primeiro-ministro e, obviamente, não vou fazer mais nenhuma consideração, porque o caso está internamente resolvido. A minha posição é conhecida, o partido vai seguir por outro caminho, mas tenho de respeitar as decisões tomadas democraticamente

Tudo indica que o XX Governo Constitucional seja rejeitado amanhã. Cavaco, Passos & Portas devem ter presente que foi a intolerância dos últimos quatro anos que levou a este desfecho. Aconteça o que acontecer, nada será como dantes.

A imagem é de José Caria, para o Expresso.

domingo, 8 de novembro de 2015

40 ANOS

Cheguei a Portugal faz hoje 40 anos. Transcrevo do meu livro de memórias:

Deixei Moçambique no dia 8 de Novembro de 1975. Tinha 26 anos. Nesse sábado, em Lisboa, o Governo mandou dinamitar os emissores da Rádio Renascença, controlada pela extrema-esquerda. — Um Rapaz a Arder, memórias 1975-2001, Quetzal, 2013.

sábado, 7 de novembro de 2015

PANCHO MIRANDA GUEDES 1925-2015


Morreu o Pancho. A notícia, seca, chegou depois do jantar. Pancho, como era conhecido o arquitecto Amâncio d’Alpoim Miranda Guedes, nasceu em Lisboa mas viveu em Moçambique desde criança: ainda não tinha 7 anos quando chegou a Lourenço Marques. Formou-se em arquitectura na Universidade de Witwatersrand, em Joanesburgo, mas o Estado Novo obrigou-o a vir a Portugal homologar a licenciatura. Viveu na capital de Moçambique entre 1932 e 1975, ano em que representou Moçambique na Bienal de Veneza. São de sua autoria algumas das obras mais emblemáticas de Lourenço Marques, como acontece com os edifícios de habitação Dragão (1951), Prometheus (1951), Leão Que Ri (1956), Tonelli (1958), Simões Ferreira (1962), Parque (1974) e outros, os edifícios de escritórios Mann George (1952), Abreu (1953), Spencer & Lemos (1953) e Octavio Lobo (1967), os últimos três formando gaveto na Praça Mac Mahon, as casas Matos Ribeiro (1952), Gonzaga Gomes (1955) e outras, a Fábrica de Pão Saipal (1954), o mítico restaurante Zambi (1954), o Colégio dos Irmãos Maristas (1955), o Cinema Infante (1963), o Convento de São José de Lhanguene (1967), a Escola de Enfermagem do Hospital Miguel Bombarda (1969), a Igreja Anglicana de São Cipriano do Chamanculo (1970), mas também obras fora da cidade, como por exemplo o Instituto Agrário de Boane, concluído em 1975. A minha geração passou noites homéricas no bar do Hotel Polana, que ele “reinventou” no fim dos anos 1950, sem beliscar a patine do hotel que Hugh Le May construiu em 1921. Foi com ele que aprendi a olhar para a paisagem urbana. Além de arquitecto foi escultor e pintor, estando representado em museus um pouco por toda a parte. Viveu na África do Sul nos últimos 40 anos, com um breve intervalo (1996-97) em Lisboa. Na zona de Colares (Sintra) fica o Casal dos Olhos, por todos conhecido como “a casa de Pancho Guedes na Eugaria”. A partir dos anos 1980, retrospectivas da sua obra foram apresentadas em Joanesburgo, Londres, São Paulo, Maputo e Lisboa. Leccionou na Witts (Joanesburgo) e, por breves períodos, em Los Angeles, Haifa e Lisboa. A sua morte é uma perda para a Cultura portuguesa. Tinha 90 anos.

sexta-feira, 6 de novembro de 2015

DISCURSO DIRECTO, 28

Fernanda Câncio, hoje no Diário de Notícias. Excerto, sublinhado meu:

«[...] E reencontrei em mim, como nas pessoas à minha volta, a capacidade da esperança. Envergonhada, medrosa, a disfarçar (é muito mais sofisticado e seguro ser cínico), mas esperança. Pessoas crescidas com sorrisos tontos, infantis, comovidos, a darem-se licença de acreditar, a darem-se licença de entusiasmo. [...] Pior que desenganar a esperança (que, reconheça-se, será muito mau e muito triste) é avançar sem um acordo seguro, assinado, ajuramentado; um acordo que não se desfaça ao primeiro problema, ao primeiro safanão da realidade, ao primeiro dilema governativo. Um acordo em que se possa confiar. Lembrem-se: esperámos tanto por isto que nos esquecemos de esperar. Não nos desiludam — mais uma vez

AGGIORNAMENTO, 1


Assunto arrumado. PS e BE têm acordo fechado.
A imagem é do Diário de Notícias. Clique.

quinta-feira, 5 de novembro de 2015

DANA SPIOTTA


Hoje na Sábado escrevo sobre Stone Arabia. As Crónicas Secretas de Nik Worth, da norte-americana Dana Spiotta (n. 1966), autora que faz parte do grupo de autores “novos” com boa imprensa. Stone Arabia é terceiro dos quatro livros que publicou, e foi finalista do prémio do National Book Critics Circle em 2012. Não acontece com todos. É natural a curiosidade em torno da obra de alguém que os portugueses conhecem desde a publicação de Destruir a Prova. Spiotta escreve sobre a contemporaneidade urbana: música pop, sexo, individualismo, guerra, fanzines, tudo num registo absolutamente cool. O tom seco e ágil respeita à melhor tradição das escolas de escrita criativa. Para quem não sabe, Stone Arabia é o nome de uma comunidade amish do Estado de Nova Iorque. O livro gira em torno do universo das bandas de rock de garagem, porque Nik Worth, um personagem de ficção inspirado na vida do padrasto da autora, foi «uma estrela secreta do rock». Nik compôs canções enquanto a saúde permitiu. Agora já nem guitarra consegue tocar. Sucessivos flashbacks ajudam a perceber o seu percurso. Factos reais sinalizam a acção. Fala-se das fotos encenadas pelos soldados americanos na prisão iraquiana de Abu Ghraib, bem como de Daniel Pearl, o jornalista do Wall Street Journal sequestrado no Paquistão e assassinado pela Al-Qaeda. Três estrelas.

quarta-feira, 4 de novembro de 2015

DISCURSO DIRECTO, 27

Pedro Nuno Santos, em entrevista ao Público, hoje. Excerto:

«Esta é a questão mais importante de todas: percebermos finalmente que elegemos um Parlamento e que os Governos emanam das maiorias criadas no Parlamento