segunda-feira, 17 de agosto de 2015

FUTUROLOGIA

Admitindo com boa vontade que o resultado das próximas legislativas corrobora os números das sondagens conhecidas até ao momento, e que os indecisos diminuem, e que o voto útil reforça a bipolarização, um exercício de futurologia poria o PS com 41% dos votos e a coligação PAF com 37%. Portanto, mais votos para o PS. Porém, a distribuição desses votos pelos círculos (não esquecer as ilhas e a emigração) poderia dar 108 deputados à coligação PAF e 107 ao PS. Mais votos, menos deputados, não é uma impossibilidade. Um imbróglio.

domingo, 16 de agosto de 2015

BRASIL, HOJE

Quem tem familiares ou amigos a viver no Brasil há mais de 30 anos e, por essa razão, recebe informação detalhada da realidade local, percebe que o abandalhamento atingiu níveis homéricos. Se não renunciar, Dilma está a um passo do impeachment. Igual percepção têm os que lêem a imprensa brasileira com regularidade. Hoje, domingo, exigindo a destituição da Presidente, realizam-se manifestações em cerca de 200 cidades. Os mais informados sabem que substituir Dilma por Aécio Neves teria como consequência uma forte guinada à Direita para trocar os bolsos à propina. Michel Temer seria sempre uma solução de intervalo. Fui ver o que é que o Público pensa de tudo isto (o Público é um jornal que tem sempre jornalistas a voar para o Rio na cola de escritores muito lá de casa) e descubro o quê? A preocupação número um dos portugueses é o cinema francês, a quem o jornal dedica hoje dez páginas (4-13), entre reportagem, entrevista, gráficos, estatísticas e opinião. Sobre Dilma nem uma linha. Então ficamos assim.

sábado, 15 de agosto de 2015

AGOSTO

Não me recordo de um Agosto tão deprimente como o actual. A falta de pudor dos media e, em especial, da televisão, recupera tempos ominosos. Vivemos praticamente como há 50 anos. Em Agosto de 1965 eu tinha 16 anos e vivia em Lourenço Marques. Tinha estado em Portugal uma única vez, de férias, entre Julho de 1964 e Fevereiro de 1965. Não gostei do que vi. É verdade que os jornais de LM não podiam dizer mal de Salazar, permitindo-se censurar intervenções de Adriano Moreira, que fora ministro do Ultramar (1961-63) e responsável pela abolição do Estatuto do Indigenato. Mas ninguém tinha ilusões. Os campos estavam bem definidos: éramos nós e eles. Agora vivemos numa sopa da pedra. O povo que enche os festivais da sardinha e os Woodstocks domésticos só não tem é um Pessa à sua altura.

quinta-feira, 13 de agosto de 2015

HÉLIA CORREIA


Hoje na Sábado escrevo sobre O Separar das Águas e Outras Novelas, de Hélia Correia (n. 1949), que junta neste volume o livro de estreia — o que dá o título ao conjunto — com Villa Celeste e Soma, três novelas de 1981, 1985 e 1987, respectivamente. Era bom que o Prémio Camões, que este ano lhe foi atribuído, contribuísse para chamar a atenção para a obra de uma autora avessa a holofotes e uma das grandes vozes da literatura portuguesa contemporânea. Os que descobriram Hélia Correia há poucos anos, fosse num romance como Adoecer, ou nos poemas magníficos de A Terceira Miséria, queixando-se da dificuldade em encontrar os livros mais antigos, podem agora começar do princípio. Quando pela primeira vez se publicou, O Separar das Águas trouxe consigo uma voz singular, devedora de algum realismo fantástico, porém isento de mimetismo. A obra futura deu outra tonalidade à dimensão profética, mas, por enquanto, toda a ênfase fará de Vilerma um retrato do estupor do país que vivia entalado entre o estertor da República, as aparições de Fátima e o triunfo dos bolcheviques. Uma escrita rica de harmónicas acentua a polifonia do discurso narrativo, qualquer que seja a realidade ficcionada (e neste caso são três, sem correlação entre si) pela trilogia. Exemplar. Quatro estrelas e meia.

quarta-feira, 12 de agosto de 2015

CONVINHA REEDITAR, 2


Tinha 17 anos quando pela primeira vez li A Bastarda, de Violette Leduc (1907-1972). É daqueles livros — o exemplo extremo será Guerra e Paz, de Tolstoi — que temos de voltar a ler depois dos 40. Romance autobiográfico avesso a todas as categorias morais, A Bastarda «mostra com excepcional clareza que uma vida é a conquista de um destino por uma liberdade assumida.» São palavras de Simone de Beauvoir no prefácio da obra. Leduc conquistou esse destino. Oriunda das classes trabalhadoras, filha ilegítima, lésbica assumida, estranha ao beau monde, torna-se amiga de Maurice Sachs, por intermédio de quem conhece Beauvoir, Sartre, Camus, Cocteau, Genet, Sarraute, Jouhandeau e outros. Constrói uma obra parcimoniosa: entre 1946 e 1971 publica dez livros, sendo A Bastarda o mais importante. A tradução da romancista Natália Nunes que vemos na imagem foi publicada em 1966 (a capa só podia ser de João da Câmara Leme). Sejamos claros: esta obra-prima tem de voltar às livrarias.

terça-feira, 11 de agosto de 2015

MEMÓRIA CURTA

As pessoas têm memória curta. Em Julho de 1985, Soares surpreendeu o país ao anunciar a sua candidatura a Presidente da República. Meses depois, com o apoio de Eanes e do PRD, Zenha entrou na corrida. Ângelo Veloso, candidato do PCP, desistiu a favor de Zenha antes da 1.ª volta. E havia também Maria de Lourdes Pintasilgo. Dito de outro modo, quatro candidatos de Esquerda, sendo dois da cúpula do PS. Na 1.ª volta, os resultados foram respectivamente de 25,4% / 20,8% / e 7,3% [Soares-Zenha-Pintasilgo]. Na 2.ª volta, Soares venceu Freitas do Amaral. O pior que nos podia acontecer agora era eleger um Messias. Contudo, a contradição está instalada. As pessoas que aplaudem as «nano-seitas» (como lhes chama o Rui Zink) travestidas em partidos políticos são as mesmas que arrancam os cabelos de cada vez que aparece ou ameaça aparecer alguém disposto a concorrer às Presidenciais de 2016. Não há necessidade.

sexta-feira, 7 de agosto de 2015

EUROSONDAGEM


Resultados da Eurosondagem divulgados esta tarde pelo Expresso.
Clique na imagem.

quinta-feira, 6 de agosto de 2015

KAREN JOY FOWLER

 
Hoje na Sábado escrevo sobre Estamos todos completamente fora de nós, de Karen Joy Fowler (n. 1950), romance que ganhou no ano passado o prémio PEN/Faulkner na categoria de ficção. Já se sabia que Fowler defende os direitos dos animais, mas a autora desconcertou meio mundo ao fazer de um chimpanzé-fêmea a “irmã” de Rosemary, a narradora desta história sobre uma família pouco convencional: «Passei os primeiros dezoito anos de vida identificada por este único facto: ter sido educada com um chimpanzé.» Dito de outro modo, Fern não era um animal de estimação, era membro da família, «a irmãnzinha de Lowell, a sua sombra, a sua fiel companheira.» Lowell é o irmão humano de Rosemary. O mesmo se diga de Mary, outro chimpanzé. Estamos no limite do racional, mas a narrativa nunca derrapa, porque Fowler tem uma escrita segura, culta, pontuada de compaixão, humor e extrema racionalidade. Não é por acaso que a datação dos capítulos traz indexados alguns factos que ajudam a contextualizar o ar do tempo (entre outros exemplos, a crise dos reféns na Embaixada dos Estados Unidos em Teerão). Digamos que uma espécie de magia faz de cimento do plot. E tudo gira em torno de Fern, cuja lembrança percorre os anos de crescimento de Rosemary. O punctum é a relação dos humanos com os animais, sendo Fern uma metáfora das ambiguidades decorrentes. Quando Fern desaparece, Rosemary (então com cinco anos) passa a viver atormentada, longe de supor, como descobrirá mais tarde, que a “irmã” não fora levada para uma quinta, mas sim para um laboratório universitário onde o doutor Uljevik a meteu numa jaula com outros chimpanzés (ela que nunca convivera com os seus iguais), pois «tinha de aprender qual era o seu lugar, tinha de perceber o que era.» São ínvios os caminhos da psicologia comportamental. Na realidade, o livro disseca a questão sempre escorregadia do direito à identidade. Rosemary é adulta no momento em que a história é narrada. Lowell foi preso pelo FBI por se opor às experências com orcas. Fern persiste uma ferida aberta. Convenhamos que Tolstoi fez a síntese perfeita: «cada família infeliz é infeliz à sua maneira.» Tudo isto roçaria o nonsense não se desse o caso de Fowler ser uma autora de recursos sólidos. Um dos expedientes assenta na citação de filmes: eles explicam os estados de apatia, euforia ou disforia. No capítulo Sete dá-se o reencontro dilacerante de Fern com Rosemary. Publicou a Jacarandá. Cinco estrelas.

Escrevo ainda sobre O Estrangeiro, de Albert Camus (1913-1960), autor duplamente estrangeiro à intelligentsia francesa, facto que não o impediu de construir uma das obras mais marcantes do século XX. Foi agora reeditada a novela que assinalou o reconhecimento que teve o seu corolário em 1957, ano em que recebeu o Prémio Nobel. Este homem nascido na Argélia, que só conheceu o pai em fotografia, teve contra si o estigma da identidade pied noir, da exclusão social, da tuberculose que o impediu de ser futebolista e (mais tarde) de passar na agregação para professor de filosofia, do combate sem tréguas que o Partido Comunista francês lhe moveu a partir de 1951, pagou caro o ónus da coerência ideológica: a sua morte aos 46 anos teria sido consequência de um atentado encomendado ao KGB por Dmitri Shepilov. O Estrangeiro é Meursault, narrador do absurdo: um homem que o tribunal condena à guilhotina não por haver assassinado um árabe, mas pela «insensibilidade de que deu provas após a morte da mãe num asilo: «Que me importava se, acusado de um crime, era executado por não ter chorado no enterro da minha mãe?» A história do checo morto à martelada pela mãe e pela irmã (Meursault reflecte sobre isso na solidão da cela) serve de parábola do sem sentido da existência. Edição Livros do Brasil. Quatro estrelas.

IMPORTA-SE DE REPETIR?

«[...] nenhum eleitor pode aceitar, sem náusea, que um ex-primeiro-ministro movimente, furtivamente, avultadas verbas através de envelopes.» Quem o escreve é Viriato Soromenho Marques, hoje, no Diário de Notícias.  Como tenho VSM na conta de homem informado, uma asserção de tal calibre só pode decorrer da sentença de um tribunal (supondo que não foram extintos) transitada em julgado. Ando mesmo distraído, porque até a acusação que terá dado lugar a julgamento me passou ao lado.

quarta-feira, 5 de agosto de 2015

CONVINHA REEDITAR, 1


Começo hoje uma nova secção: Convinha reeditar. Tentarei chamar a atenção para obras que desapareceram das livrarias.

Étienne de La Boétie (1530-1563), humanista e filósofo, amigo dilecto de Montaigne, que revela nos seus Ensaios ter o Discours de la servitude volontaire — texto fundador daquilo a que hoje chamamos desobediência civil — sido escrito quando La Boétie tinha entre 17 e 18 anos e era estudante de Direito. Montaigne e La Boétie foram íntimos. Diz o primeiro: «No nosso primeiro encontro, que foi por acaso numa grande festa de sociedade, vimos logo que estávamos tão próximos um do outro, que nos conhecíamos tão perfeitamente, que vimos não haver nada capaz de nos separar.» A tradução portuguesa que a imagem mostra foi publicada em 1986. Convinha reeditar este livrinho fundamental, tanto mais imprescindível no momento em que os valores da liberdade são todos os dias desautorizados.

terça-feira, 4 de agosto de 2015

ALBEE


A colecção de livros de teatro dos Artistas Unidos & Cotovia dispensa apresentações. Salvo melhor informação, mantém-se como único espaço de publicação regular de obras de teatro.  Acaba de sair um volume dedicado ao dramaturgo americano Edward Albee (1928), com as peças The Zoo Story / The Sandbox, ambas traduzidas por Rui Knopfli, e The Death of Bessie Smith, por Egito Gonçalves. Como curiosidade, refira-se que The Zoo Story foi representada em Lourenço Marques pelo TALM, em 1966, com direcção de Mário Barradas, então radicado na capital de Moçambique. (A estreia em Lisboa verificou-se apenas em 1973, com direcção de Costa Ferreira.) Jorge Silva Melo​ está mais uma vez de parabéns.

AUGÚRIO

Desde o início do ajustamento, no Verão de 2011, que sustento a tese de que metade do país passa, ou parece passar, imune à devastação do desemprego, da estagnação da economia, do arbítrio fiscal, dos efeitos da emigração dos mais jovens, do ataque cerrado a pensionistas, da supressão de apoios sociais, do corte generalizado de salários (em especial na Função Pública e, dentro desta, em classes profissionais como médicos, enfermeiros e professores), do afrontoso retrocesso dos direitos laborais, da crise do euro, etc. Muito pouca gente concorda comigo. Eu insisto, não por teimosia, mas pelo que vejo à minha volta. Hoje mesmo, duas notícias corroboram o meu juízo: duplicou o investimento privado em PPR e, no mês passado, o número de automóveis novos vendidos dá uma média diária de 553. A partir daqui, é fácil adivinhar o que nos espera em Outubro. Oxalá me engane.

quinta-feira, 30 de julho de 2015

SUSAN SONTAG

 
Hoje na Sábado escrevo sobre a reedição de Olhando o Sofrimento dos Outros, de Susan Sontag (1933-2004). Tal como as edições de língua inglesa, a primeira edição portuguesa trouxe na capa a gravura de Goya que na actual edição surge na página 2. Isto não é um detalhe. É desleixo. O texto reporta à célebre fotografia de Eddie Adams sobre a execução, em 1968, de um rapaz vietcong: «Colocando-se ao lado do seu prisioneiro, de modo que o seu perfil e a cara do preso ficassem visíveis para as câmaras atrás dele, Loan disparou à queima-roupa.» Nada a ver com o enforcado de 1812 que o leitor tem à frente. Tomando como ponto de partida as reflexões de Virginia Woolf sobre as raízes da guerra, Olhando o Sofrimento dos Outros, último livro publicado em vida, de certo modo prolonga os Ensaios Sobre Fotografia que em 1977 fizeram de Sontag um nome incontornável, que surpreendia a cada nova obra. Pondo o dedo na ferida, Sontag explica com fluência e erudição como da Guerra da Secessão às bandeiras de Iwo Jima (americanos) e do Reichstag (russos), fotos de massacres em África publicadas como sendo nos Balcãs, mais o beijo de Doisneau, a encenação foi de regra, prática contrariada pela Guerra do Vietname e pelo 11 de Setembro. Extremamente pedagógico. Quatro estrelas.

A TRETA

 
Ao contrário do que apregoa muita gente, os programas do PS e o da coligação de suporta o Governo [PSD+CDS] não se confundem. O item Segurança Social é bem revelador: a treta do tecto para descontos obrigatórios, ficando o remanescente para o que cada um quiser, é uma perversão da cadeia de solidariedade.

Infelizmente, muita gente (mesmo de Esquerda) não sabe o que isso significa. Entretenham-se a votar em partidos criados a correr com a finalidade de arranjar emprego para meia dúzia de personalidades com lugar cativo nos media, e depois queixem-se. A imagem é do Diário de Notícias.

domingo, 26 de julho de 2015

UM ANO DEPOIS

 
«Esta informação foi avançada ao PÚBLICO pela própria Procuradoria-Geral da República, na sequência de um pedido de esclarecimento feito pelo jornal.» — O banqueiro saiu do TCIC pelo seu próprio pé e seguiu para Cascais sem escolta policial. O respeitinho é de facto uma coisa muito bonita. Imagem do Público.

sábado, 25 de julho de 2015

COLECÇÃO SEC

Hoje, no Público, Vanessa Rato ocupa três páginas com a radiografia possível da soi disant Colecção SEC. Um bom trabalho jornalístico: datas, nomes, detalhes, cronologia. Não são opiniões. São factos. Obras perdidas, obras roubadas, obras com paradeiro desconhecido, obras por inventariar, obras a decorar gabinetes ministeriais ou de embaixadas, obras em Serralves, obras nas caves do CCB, obras na Câmara Municipal de Aveiro, obras rejeitadas (de Judd, Kosuth, Serra, Baselitz e outros) por ignorância de burocratas, etc. Neste Et cetera cabem as 262 obras à guarda da Universidade de Aveiro desde 2006. E porquê Aveiro? Tudo somado e subtraído, quantas obras tem afinal a Colecção SEC? No consulado de Isabel Pires de Lima parece que eram 1271, mas o actual director-geral das Artes, Carlos Moura-Carvalho, disse esta semana à Lusa que eram 1115. Em que ficamos? A forma mais amável de caracterizar o imbróglio é dizer que isto é um caso de polícia.

quinta-feira, 23 de julho de 2015

ROXANE GAY


Hoje na Sábado escrevo sobre Um Estado Selvagem, de Roxane Gay. O romance faz uma espécie de radiografia do Haiti, país de onde é originária a sua família. Mireille Duval Jameson, a haitiana-americana de classe média alta que decide passar férias no país de origem, é sequestrada durante treze dias. Será o bode expiatório do sucesso do pai, um empresário muito rico que «pagava a vários criminosos para que os seus camiões pudessem entrar em certos bairros...» Romance identitário em registo de thriller, a autora ajusta contas com o que poderá ter sido o quotidiano de familiares e amigos, o êxodo em massa dos anos 1980, a banalidade da violência. Escrita limpa, political correctness e boas intenções. Três estrelas.

A LEGITIMIDADE DO VOTO

Grande sururu com as listas de candidatos a deputados do PS. O mais importante, parece-me, é fazer ir a votos um conjunto de personalidades que estarão na calha (admitindo que o PS ganhe e forme Governo) para futuros cargos ministeriais. Devia mesmo ser a regra: ninguém entrar no Governo sem passar pelos votos. Voltando às listas, é preciso uma grande dose de naïveté para acreditar que Alexandre Quintanilha, Carlos César, Helena Freitas, Manuel Caldeira Cabral, Margarida Marques, Maria Manuel Leitão Marques, Mário Centeno, Paulo Trigo Pereira, Tiago Brandão Rodrigues, Vieira da Silva, mais uns quantos, vão sentar-se no hemiciclo. E é assim que deve ser. Sem a legitimidade do voto, um governante está sempre no fio da navalha.

quarta-feira, 22 de julho de 2015

A VIDA COMO ELA É

A notícia não é uma novidade absoluta, mas até aqui só alguns jornais estrangeiros a tinham referido, de forma discreta e com reticências. Agora faz parangona na imprensa grega. Tsipras queria mesmo voltar ao dracma mas, para isso, precisava de dinheiro para emitir a nova moeda e garantir reservas monetárias. Varoufakis e Kammenos (o líder dos Gregos Independentes) andaram meses a monitorizar a equipa técnica que tratava dos aspectos práticos e jurídicos da operação. Por isso Tsipras foi a Moscovo, mas Putin é contra a saída da Grécia do euro e recusou abrir os cordões à bolsa. Pequim e Teerão também recusaram emprestar dinheiro para esse fim. Agora, dezenas de deputados exigem ser informados dos detalhes deste imbróglio.

terça-feira, 21 de julho de 2015

EUROPA A SEIS

É grande a tentação de comparar a proposta de Hollande com a silly season. Seria um erro fazê-lo. Hollande, para vergonha da Esquerda europeia, propõe um jogo perigoso. A ideia de uma Europa Premium, ou de Vanguarda (adjectivo dele), constituída pela França, Alemanha, Bélgica, Holanda, Itália e o Luxemburgo, dá a medida de como a Europa começa a desmoronar.