Recebi hoje a antologia hebraica Cavafy’s Sons and Grandsons, organizada e traduzida por Rami Saari e publicada em Israel. Portugueses somos três: Cesariny, com seis poemas, Nava com onze, e eu próprio com dez. Infelizmente não é bilingue. A edição foi patrocinada pelo Helsinki Collegium for Advanced Studies. Clique na imagem.
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quinta-feira, 3 de março de 2016
quarta-feira, 9 de setembro de 2015
CONVINHA REEDITAR, 6
Repito o que escrevi um dia: a obra de Luiza Neto Jorge (1939-1989) tem a exactidão de um relâmpago. A sua obra poética completa foi publicada em 1993 e, salvo uma antologia de 1997, não me recordo que tenha voltado aos prelos. Em 2006 a revista Relâmpago dedicou-lhe o seu n.º 18, mas hoje quase ninguém fala de Luiza, que morreu aos 49 anos, viveu emigrada em Paris (1962-1970), traduziu Sade, Verlaine, Yourcenar, Genet, Brantôme, Gombrowicz, Bataille, Nerval, Claudel, Artaud, Ionesco, Stendhal, Diderot, Éluard, Goethe e muitos outros, escreveu argumentos e diálogos para cinema, tudo à margem das paróquias catedráticas. Luiza não patrocinou salões literários nem frequentou as capelas Bon Chic, Bon Genre. Em vez disso, deixou uma obra parcimoniosa e um punhado de dispersos, que Fernando Cabral Martins organizou com método. Pela tradução de Morte a Crédito, de Céline, recebeu o prémio do PEN Clube. Se um dia alguém se lembrar de seleccionar os melhores poemas da língua portuguesa, O Poema Ensina a Cair figurará na primeira meia dúzia.
Publicada por
Eduardo Pitta
à(s)
13:00
quarta-feira, 26 de agosto de 2015
CONVINHA REEDITAR, 4
A maior parte dos portugueses nunca ouviu falar de João Pedro Grabato Dias, pseudónimo literário do pintor António Quadros (1933-1994), que começou por ser professor da Escola Superior de Belas Artes do Porto, depois andou por Paris como bolseiro da Gulbenkian, para de seguida radicar-se em Lourenço Marques, onde viveu durante vinte anos (1964-84) e se revelou poeta em 1968. Toda a obra foi publicada em Moçambique. António Quadros, de seu nome completo António Augusto Melo de Lucena e Quadros, é autor da letra de alguns dos maiores êxitos de Zeca Afonso, que também viveu em Moçambique (1964-67), onde, por intermédio de Rui Knopfli, conheceu e fez amizade com o futuro autor de Qvybyrycas.
Com extenso e corrosivo prefácio de Jorge de Sena, que em 1972 andou por Moçambique, Qvybyrycas foi publicado para assinalar os 400 anos da publicação de Os Lusíadas. António Quadros, já então autor de quatro livros assinados como Grabato Dias, publicou a obra com o heterónimo Frei Ioannes Garabatus. (Em 1975, no auge da descolonização, inventaria outro, Mutimati Barnabé João, suposto guerrilheiro da Frelimo e autor de Eu, o Povo.) Aos 10 cantos e 1102 estâncias do poema de Camões, Garabatus opôs 11 cantos e 1180 estâncias. Esse acréscimo de um canto e 78 estâncias não foi inocente, como Sena explica com detalhe. Não há equivalente na poesia portuguesa mas a crítica universitária assobiou para o lado e a outra não deu por nada.
Em Portugal, Qvybyrycas foi reeditado em 1991, tendo o seu Terceiro Canto sido impresso em 1998 num dos livrinhos da Expo 98. É talvez chegada a hora de voltar a dar o livro à estampa. Clique na imagem.
Publicada por
Eduardo Pitta
à(s)
11:21
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