Quinta-feira, Agosto 28, 2008

O GENOCÍDIO DE KOUCHNER


Se dúvidas houvesse acerca da irrelevância da França no mundo, a actual presidência europeia acabava com elas. No imbróglio do Cáucaso, Sarkozy simplesmente não conta. Verdade que Bernard Kouchner não ajuda. O irrequieto ministro das Relações Exteriores do governo Fillon podia ter precipitado (anteontem) uma crise planetária ao denunciar a iminência do “genocídio” que a Rússia preparava para... a madrugada seguinte, na Geórgia. Assim como quem anuncia a próxima estreia das Folies-Bergère. Sucede que pelo menos a Europa conhece o currículo de Kouchner (militância comunista, expulsão, fundação da organização Médicos sem Fronteiras, dissidência, fundação da organização Médicos do Mundo, apoio ao PDKI curdo, o Biafra, o Kosovo, apoio à invasão do Iraque ao arrepio da posição oficial da França, colaboração com o Movimento Emaús, etc.), razão pela qual o “aviso” não provocou sequer um comentário de circunstância. Como pode a Europa ser levada a sério? A silly season não explica tudo.

Etiquetas: ,

Terça-feira, Agosto 26, 2008

MYRA NOS JOGOS


No Reino Unido, toda a gente sabe quem é Myra Hindley (1942-2002), a mulher que ajudou Ian Brady a raptar, violar, torturar e matar cinco crianças e adolescentes com idades compreendidas entre os 10 e os 17 anos. Os crimes tiveram lugar entre 1963-65, em Manchester. Myra e Ian Brady foram presos e condenados em 1965. Antes de morrer de ataque cardíaco, Myra passou 37 anos na cadeia. As pessoas que não lêem tablóides conhecem-na porque Marcus Harvey, nome de referência dos YBAs, fez o retrato dela. Esse retrato esteve exposto em 1997 na Royal Academy of Arts, foi vandalizado, retirado, fazendo hoje parte do espólio da Tate Modern. Agora, esse retrato, ou seja, uma obra de arte representativa da contemporaneidade britânica, foi incluído no vídeo promocional (do comité olímpico britânico) dos Jogos de Londres, a realizar em 2012. Ao ser exibido em Pequim, deixou Brown estupefacto e furioso. Boris Johnson, o mayor de Londres, idem. Será que o vídeo tem música dos Sex Pistols (No One is Innocent: «God save Myra Hindley, God save Ian Brady... etc.») e dos Smith (Suffer Little Children), bandas que imortalizaram Myra? Ah!, decididamente, os criativos não entendem os pruridos middle class.

Etiquetas: , ,

Sábado, Agosto 23, 2008

PORNO SILLY


As farmácias vendem batons com ácido hialurónico, os quais, reza a publicidade, garantem (ao fim de 15 minutos, e durante algumas horas) o efeito de uma bioplastia labial sem o incómodo da injecção. Por meia dúzia de euros, a boca Deneuve vira lugar-comum. É a democratização da toxina botulínica, vulgo Botox. O pior é a extensão semântica aplicada a lábios. Uma cliente irada exigia reparação das gretas. Inchou até gretar. Não se via? Pois não. Era preciso arregaçar a saia.

Etiquetas:

Terça-feira, Junho 24, 2008

A EMERGÊNCIA SOCIAL


Nuno Morais Sarmento, actual presidente do Conselho de Jurisdição do PSD, deve pensar que os outros são parvos. Ontem, na Rádio Renascença, disse que se o PSD fosse governo... trocaria o projecto do TGV por... «apoios à emergência social». Uma forma como qualquer outra de reeditar a famosa tese de Barroso: «enquanto houver uma criança numa fila de hospital, não teremos novo aeroporto...» Mas o raciocínio não se aplicava ao TGV, o qual podia coexistir com crianças em filas de hospital. Tanto assim que o XV Governo Constitucional, chefiado por Barroso, aprovou quatro linhas de TGV (uma quinta linha, entre o Algarve e Huelva, ficava dependente de mais estudos). Nesse governo, Nuno Morais Sarmento era ministro da Presidência, Manuela Ferreira Leite ministra de Estado e das Finanças, e Carmona Rodrigues ministro das Obras Públicas. E o executivo que se seguiu, o XVI, chefiado por Santana Lopes, também aprovou quatro. Nesse governo, Nuno Morais Sarmento era ministro de Estado e da Presidência, Bagão Félix ministro das Finanças, e António Mexia ministro das Obras Públicas. Por contraste, o actual governo apenas aprovou duas. Como é que Nuno Morais Sarmento quer ser levado a sério?

Etiquetas: ,

Terça-feira, Junho 10, 2008

O REFERENDO IRLANDÊS


A Irlanda está ao rubro com o referendo ao Tratado de Lisboa a realizar na próxima quinta-feira. Para já, o resultado médio das sondagens dá uma vitória estreita aos partidários do Sim. Do lado do Não tem sido usado todo o tipo de argumentos. O meu preferido é este, do senhor Declan Ganley: o Tratado... «vai permitir a detenção de crianças com mais de três anos para fins pedagógicos». Ah!, a criatividade não tem limites...

Etiquetas: ,

Quinta-feira, Maio 15, 2008

AO LADO


A batalha campal prossegue. Guilherme Valente, da Gradiva, abandonou a UEP e propõe um abaixo-assinado. Bárbara Bulhosa, da Tinta da China, solidariza-se e reafirma: «Também nós consideramos inaceitável que a CML depois de ter dado a organização da Feira do Livro à APEL, conceda directamente 720 m2 de espaço a um grupo empresarial que nem sequer se inscreveu para participar como todos os outros. Se tal acontecer, a CML estará a avalizar a prepotência, a arrogância e a falta de respeito por todos os editores.» No ínterim, Isaías Gomes Teixeira disse aos media que o grupo Leya vai estar no Parque Eduardo VII porque a Câmara autorizou a sua presença. Ou seja, diz quem acompanha o milando, pode acontecer que a Leya não venha a estar dentro dos exactos limites concessionados à APEL, mas estará seguramente ao lado. Naturalmente, 720 metros quadrados não passam despercebidos.

Etiquetas: , ,

Quarta-feira, Maio 14, 2008

INTERESSE PÚBLICO


O imbróglio da Feira do Livro de Lisboa atingiu o paroxismo. Primeiro, a gente lê este comunicado e fica com azia. Ninguém explica aos burocratas da Câmara de Lisboa que um comunicado com mais de dez linhas perde eficácia? Depois, vem a cereja em cima do bolo: «[...] Mostrando-se intransigente em relação aos pavilhões da Leya, que representa autores como Lobo Antunes, Lídia Jorge e Saramago, a APEL corre o risco de perder o subsídio camarário: a autarquia pode vir a invocar a perda de interesse público do evento, por via da possível ausência destes autores.» Muito curiosa esta noção de interesse público.

Etiquetas: , ,

Terça-feira, Março 04, 2008

O MEP


Um senhor chamado Rui Marques, que foi (dizem os jornais) alto-comissário para a Imigração e o Diálogo Intercultural, quer fundar um novo partido: o Movimento Esperança Portugal. De acordo com palavras suas, será um partido «situado ideologicamente ao centro [...] para que Portugal possa dar uma resposta a esta crise». Mas como o intuito é concorrer às próximas eleições europeias, não dá a bota com a perdigota. A esperança na portugalidade devia ter como primeiro objectivo concorrer às autárquicas e legislativas, dois escrutínios que, como o das europeias, também se realizam em 2009. No contexto, as eleições europeias deviam ser secundárias, porque sinecuras em Bruxelas é o tipo de coisa que não quadra com a «gente comum» que Rui Marques pretende arregimentar. A simples ideia de que um partido «ideologicamente ao centro» possa dar resposta à crise, quando todos os comentadores de todos os quadrantes convergem no diagnóstico de que o Centrão é a fonte todos os impasses e equívocos, dá a medida do nonsense. Por este andar, qualquer dia o país é um enorme ensaio geral de stand-up comedy.

Etiquetas:

Sexta-feira, Fevereiro 08, 2008

O GRÉMIO LISBONENSE


Em Novembro do ano passado, um tribunal deu ordem de despejo ao Grémio Lisbonense. Entretanto, a Câmara de Lisboa reconheceu a utilidade pública da associação fundada a 26 de Outubro de 1842 (chamava-se então Academia Fraternal Harmónica) que ainda hoje ocupa o primeiro andar do edifício da Rua dos Sapateiros que fica colado ao Arco do Bandeira, no Rossio. Quem não conhece a varanda da Inquisição, mesmo por cima do arco? Aparentemente, de nada valeu à Câmara o reconhecimento do seu mérito. Hoje, pouco passava das 15h, a polícia apareceu para garantir o despejo, apanhando de surpresa quem lá se encontrava a trabalhar. Ele há coisas curiosas.

Adenda. Segundo noticia o Público, a polícia atingiu ao princípio da noite várias pessoas com bastonadas, entre elas Mário Cruz, repórter fotográfico da agência Lusa.

Etiquetas: ,

Domingo, Dezembro 23, 2007

MENEZES VIVE NA LUA?


Luís Filipe Menezes quer que o governo nomeie Miguel Cadilhe presidente da Caixa Geral de Depósitos caso se verifique a saída de Santos Ferreira, uma vez que o actual CEO da Caixa é apontado como futuro CEO do grupo Millennium BCP. Em abono da sua tese, citou tempos pretéritos: o patrão da Caixa era escolhido no interior do maior partido da oposição. Foi realmente assim durante mais de vinte anos. Sucede que Cadilhe foi administrador do BCP depois de 1999, e o Banco de Portugal fez saber que estão sob investigação todos os gestores que passaram pela administração do BCP a partir de Janeiro de 1999. E ainda não sabemos o resultado da auditoria em curso na SEC, um sobressalto adicional e uma consequência directa de o BCP estar cotado na Bolsa de Nova Iorque. Isso faz deles culpados? Não. Mas, enquanto o pau vai e vem, Miguel Cadilhe, como os outros cavalheiros com o mesmo handicap, não tem condições objectivas para presidir a coisa nenhuma. Menezes vive na lua?

Etiquetas: ,

Quarta-feira, Dezembro 12, 2007

CHINA, I PRESUME?


Está em linha uma petição contra a ASAE por, alegadamente, ter sido proibida a “utilização de chávenas de porcelana para chás e cafés e de copos de vidro para outras bebidas” (sic). Podiam ter sido mais originais e ter inventado que a ASAE proibiu os espirros em lugares públicos. Alguém pôs a boca a circular, a maralha entrou em parafuso. Não é extraordinário que estas coisas aconteçam. O que é extraordinário é que “passem” para jornais de referência.

Etiquetas: ,

Quinta-feira, Novembro 29, 2007

ACORDO ORTOGRÁFICO, 2


Uma pérola extraída do dossier referido em baixo: «Vasco Teixeira, presidente da Porto Editora, interroga-se, por seu lado, sobre o que vai o Governo fazer com as centenas de milhares ou milhões de livros que acabou de adquirir para o Plano Nacional de Leitura. Quando o acordo começar a ser aplicado nas escolas, argumenta Vasco Teixeira, os livros das bibliotecas terão também que ser substituídos, porque, “numa fase de sedimentação da aprendizagem, ter acesso a duas grafias confunde as crianças” [...]

Dando de barato o disparate, não é tocante esta presunção de magotes de crianças, confundidas, taditas, nas bibliotecas das escolas? A Briolanjita, bué da vivaça, indecisa entre Houaiss e Palma-Ferreira nas versões que ambos fizeram do Ulysses de Joyce...

Etiquetas: , , , ,

Terça-feira, Outubro 09, 2007

IMPORTA-SE DE REPETIR?


João César das Neves, sobre o Irão dos mullahs. Ontem, no Diário de Notícias. Negrito meu:


«[...] Por outro lado, o primeiro regime teocrático xiita da História não é uma ditadura desmiolada. É uma democracia que há quase três décadas manobra com argúcia na cena mundial. Mas o programa nuclear do Irão constitui o problema mais sério da situação presente.»

Etiquetas: , ,

Domingo, Agosto 12, 2007

IMPORTA-SE DE REPETIR?


Margarida Pinto Correia, entrevistada pelo semanário Sol, “imprevistamente”, dizem eles:


«A Direita está cheia de preconceitos que se instalam, dominam e oprimem. Um filho de uma família de Direita tem muito menos abertura de espírito do que um filho de uma família de esquerda. E faz-me impressão uma sociedade em que se premeie apenas o mérito, independentemente das condições à partida. Isso é a Direita e isso faz-me muita impressão.»

Etiquetas: , ,

Terça-feira, Junho 19, 2007

O MEU ESTUDO É MELHOR QUE O TEU


A Associação Comercial do Porto vai “estudar” a solução Portela+1. Não percebo. Então a ACP vai gastar meio milhão de euros (no mínimo) para estudar uma solução que não lhe diz respeito? Se essa solução vingar, na forma Portela & Alcochete, em que é que isso muda o “desígnio” da ACP? Em que é que isso beneficia o Porto? Não seria melhor a ACP gastar o dinheiro num estudo que ajude a transformar o Aeroporto de Pedras Rubras num verdadeiro aeroporto — por enquanto é só cenário com serviço de metro —, autonomizando-o de qualquer futura opção de Lisboa? Quando é que as “forças vivas” da Invicta percebem que não vão a lado nenhum enquanto continuarem obcecadas com a agenda mediática de Lisboa?

Etiquetas: , , ,

Quinta-feira, Abril 12, 2007

PATCHWORK


Estreia hoje no CCB a versão teatral de Correspondance à trois que Armando Silva Carvalho traduziu e a Assírio & Alvim publicou em Março do ano passado. A obra colige um punhado de cartas trocadas entre Rilke, Pasternak e Marina Tsvetáeva no Verão de 1926. Em Junho, a peça encenada por Inês de Medeiros (e interpretada por ela, Cláudio da Silva e Amândio Pinheiro) vai ao Porto, ao Teatro Nacional de São João. Armando Silva Carvalho, o tradutor, só soube da encenação da obra pelos anúncios do espectáculo. Nessa altura, que foi há meia dúzia de dias, descobriu também que a tradução vem creditada em seu nome e no de Vasco Pimentel, o assistente de encenação e dramaturgia. Se calhar são duas traduções, cosidas uma à outra. Se calhar. Certeza, não há. Ainda ninguém explicou. Sucede que Armando Silva Carvalho não preza o patchwork (e menos ainda à sua revelia).

Etiquetas: ,

Quinta-feira, Janeiro 18, 2007

IMPORTA-SE DE REPETIR? [15]


Andei por fora, aproveitando para estar cinco dias sem ler jornais e blogues e sem ver televisão. O vasto mundo passou ao largo. No regresso, trabalho a dobrar e algumas surpresas. Nenhuma maior do que esta:

«O procurador-geral da República na qualidade de presidente do Conselho Superior do Ministério Público, foi ouvido nesta quarta-feira, na Comissão de Assuntos Constitucionais da Assembleia da República. Aí, na sequência de uma interpelação de uma deputada [...] que referiu expressamente a existência de queixas contra blogs, produziu afirmações que precisam de um esclarecimento público, porque foram produzidas em público. Disse que “os blogs são uma vergonha” e ainda disse que pedia para “não lhe trazerem blogs”, para além de uma expressão equívoca sobre a indignidade do exercício de um direito relativo a quem escreve em blogs, segundo entendi e interpretei. [...]» — cf. Grande Loja do Queijo Limiano (o autor do post é magistrado).

Etiquetas:

Sábado, Dezembro 30, 2006

IMPORTA-SE DE REPETIR? [14]


«[...] A título de único exemplo, aquele magnífico ensaísta, antes nosso total desconhecido, de que a Relógio d'Água acaba de publicar várias obras. [...]»


Cf. Luís M. Faria, in Expresso, balanço literário de 2006. A coluna de Luís M. Faria não cita nenhum título, nenhum autor, e o único editor mencionado é o que consta do fragmento supra. Também não há imagem da capa de nenhum dos livros do tal «magnífico ensaísta, antes nosso total desconhecido». Balanço do vazio? No mesmo dossiê, mas extra-Faria: Bilhete de Identidade, de Maria Filomena Mónica, não é de 2006. É de 2005.

Etiquetas:

Segunda-feira, Novembro 13, 2006

IMPORTA-SE DE REPETIR? [13]


Ricardo Pais, encenador e director do Teatro São João, do Porto, entrevistado por Andréia Azevedo Soares e Raquel Abecasis, para o Público e a Rádio Renascença. Highlights:


Este corte não pode abrir precedentes para outras autarquias? Começa-se a discutir se é ou não obrigação de uma câmara municipal subsidiar a cultura quando há que investir ainda em outras coisas como saneamento, vias públicas e escolas básicas...

Recuamos 30 anos quando começamos a falar em saneamento versus cultura. A cultura é um factor de desenvolvimento como outro qualquer. O problema é que a pretensa entrega do Teatro Rivoli a uma exploração privada tem tido o apoio de um conjunto de comentaristas, uma espécie de tropa de elite que ocupa de uma maneira doentia a comunicação social. Gostaria de saber quais são os hábitos culturais desses comentaristas, quantas vezes por ano vão ao teatro, ao cinema ou ao museu, quantas vezes se deslocam efectivamente da pacatez dourada da sua casa ou dos seus trabalhos de investigação — a maior parte dos quais são “subsídio-pagos” através de instituições como o Instituto de Ciências Sociais, no pressuposto (certo) de que estão a fazer investigação histórica, mesmo que a História se considere ou não uma arte.

Não são muitos os comentaristas do Instituto de Ciências Sociais que escrevem na imprensa portuguesa. Se calhar valeria a pena pôr-lhes o nome.

Não. Cada um enfia a carapuça que entender. O país também percebe, com certeza. Eu realmente gostava de saber os hábitos culturais dessas pessoas. Obviamente que, se falamos de um investimento, temos de falar dos outros. Fala-se da cultura porque é mais simples. A cultura é a área por excelência da ignorância. Como nós temos uma classe média muito inculta e uma série de comentaristas autocomplacentes, nunca perguntamos a estas pessoas se elas porventura não estarão a falar daquilo que desconhecem.

Para si a cultura em Portugal tem de ser sempre subsidiada?

A cultura em Portugal tem de ser financiada. [...] Quanto a mim, companhias como o Teatro da Cornucópia ou o Teatro Aberto deveriam estar há muito tempo estabilizadas com fórmulas próprias inscritas no Orçamento de Estado. Não deveriam andar a concorrer a subsídio absolutamente nenhum.

Deveriam receber uma verba fixa?

Sim, que poderia ser maior ou menor consoante a crise. Quando se diz que se está a dar um subsídio ao Luís Miguel Cintra, pensa-se que o Estado está a pagar o Teatro da Cornucópia. Não é verdade. Se calcularmos os ordenados que Luís Miguel Cintra auferiu durante estes anos todos, veremos que esse montante exclui, por exemplo, os direitos de autor. Isto é, o Luís Miguel Cintra não se faz cobrar pelo seu trabalho como encenador. Na realidade, ao contrário daquilo que pode parecer, não é o Estado que está a subsidiar o teatro, são as companhias que estão a subsidiar o teatro.

Etiquetas:

Domingo, Agosto 20, 2006

IMPORTA-SE DE REPETIR? [9]


«Uma visão panorâmica da situação actual da poesia portuguesa terá de começar por esta verificação: estamos perante uma realidade polifónica complexa, um concerto aleatório de muitas vozes, cada uma com os seus ecos internos, as suas evocações particulares e as suas inflexões. [...]»


Cf. António Guerreiro, Expresso. Sublinhado meu. Pergunta inocente: nos últimos 100 anos (convém não ir muito longe para não descontextualizar), em que década, temporada, quinzena, semana ou rua é que a realidade dispensou a polifonia e as vozes (poéticas ou outras) dispensaram os seus ecos internos, as evocações, as inflexões, etc.?

Etiquetas: