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sábado, 14 de abril de 2018

MILOS FORMAN 1932-2018


Após doença breve, morreu ontem à noite, na sua casa do Connecticut, o realizador checo Miloš Forman, naturalizado americano desde 1968. Autor de filmes que ficaram no imaginário popular, como foi o caso de, entre outros, O Baile dos Bombeiros (1967), proibido após a invasão de Praga pela URSS, Voando Sobre um Ninho de Cucos (1975, cinco óscares), Amadeus (1984, oito óscares) e Valmont (1989), Forman, que também era actor, tornou-se um nome de referência da história do cinema. Filho de pais judeus, praticamente não os conheceu, pois foram mortos num campo de concentração nazi. Tinha 86 anos.

sexta-feira, 30 de março de 2018

PLÁGIO, DIZ ELA


Como é que um realizador com os pergaminhos de João Botelho se mete numa alhada destas? Plot: o filme mais recente de Botelho chama-se A Peregrinação, mas pouco tem a ver com Fernão Mendes Pinto. Em compensação, tem tudo a ver com O Corsário dos Sete Mares, romance histórico de Deana Barroqueiro sobre a vida de Fernão Mendes Pinto.

A leviandade não termina aqui. O crítico de cinema Nuno Pacheco, escrevendo no Ípsilon, fala de personagens e cenas inventadas por Deana Barroqueiro como se fossem da Peregrinação. Botelho diz agora que não conseguiu contactar Deana Barroqueiro porque na LeYa ninguém atende telefones. Então ficamos assim.

Os media portugueses todos calados. 

Clique na imagem do jornal Hoje Macau

segunda-feira, 5 de março de 2018

OSCARES 2018


Não vi os filmes de Guillermo Del Toro (este nem tenciono ver), Frances McDormand, Gary Oldman, Allison Janney e Sam Rockwell. Isto dito, não me pronuncio sobre a justeza dos prémios. Mas, pelo que leio nos jornais, ninguém ficou entusiasmado.

Clique na imagem.

domingo, 4 de março de 2018

TÔNIA CARRERO 1922-2018


Vítima de paragem cardíaca durante uma intervenção cirúrgica numa clínica do Rio de Janeiro, Tônia Carrero morreu ontem à noite. Tinha 95 anos. A actriz sofria de hidrocefalia, razão do seu desaparecimento do espaço público nos últimos seis anos. Mais conhecida, em Portugal, pelas novelas, Tônia Carrero tem um longo historial no teatro, tendo interpretado Shakespeare, Albee, Dürrenmatt, Ibsen, Feydeau, Tchekhov, Pirandello, Sartre, Duras, Tennessee Williams, Bernard Shaw, Noel Coward, Lillian Hellman, Plínio Marcos, William Luce e outros. Também fez cinema (vinte filmes) e performance, como em Quartett, de Heiner Muller. Tônia Carrero era mãe do actor Cecil Thiré.

quinta-feira, 22 de fevereiro de 2018

NUNCA EM LIVERPOOL


Os últimos dias de vida de Gloria Grahame (1923-1981) são o tema do filme As Estrelas Não Morrem em Liverpool, de Paul McGuigan, com Annette Bening, Jamie Bell, Vanessa Redgrave e outros. Graças a flashbacks, sabemos o que se passou entre 1979 e 1981, mas o essencial são os últimos dias de vida da actriz, que foi morrer a Nova Iorque, contra vontade (morreu horas depois de desembarcar). Apesar de quarenta filmes, quatro casamentos (um deles com o filho de Nicholas Ray, que fora seu segundo marido), sucesso de bilheteira e um Óscar, Gloria Grahame caiu no esquecimento. O filme é baseado no livro homónimo do actor Peter Turner, que foi seu amante quando tinha 27 anos, e Gloria 56. Como sempre, Annette Bening é magnífica, Jamie Bell tem uma performance notável, e Vanessa Redgrave, que aparece numa única cena de talvez cinco minutos, nunca desaponta. Eu gostei muito.

Annette Bening não recebeu nem está nomeada para nenhum prémio, porque Hollywood não lhe perdoa (a ela e a Warren Beatty, seu marido) a militância leftist.

sexta-feira, 16 de fevereiro de 2018

FERNANDO LEMOS


Descobri Fernando Lemos quando, em 1963, o Círculo de Poesia da Moraes reeditou Teclado Universal, cuja primeira edição, publicada em 1953 pelos Cadernos de Poesia, não conhecia. Mais tarde foram os extraordinários retratos de O’Neill, Cesariny, Sophia, Vespeira, Glicínia, Arpad & Vieira, Azevedo, Casais, Sena e tantos outros amigos. Não fotografo gente que não conheço bem. A vaidade que o Alberto de Lacerda tinha do retrato que ele lhe fizera. Uma parte da obra de pintor foi-me revelação em 2011, na Fundação Arpad-Vieira.

Ontem, finalmente, pude ver o filme que Jorge Silva Melo levou dez anos a completar — como, não é retrato?. E como valeu a pena! Auditório do CAM da Gulbenkian a rebentar de gente para oitenta minutos de pura magia.

À beira de completar 92 anos, Fernando Lemos é um prodígio de energia. Este homem que Portugal perdeu em 1953, o ano da partida para o Brasil (a convite de Jaime Cortesão), é uma figura incontornável das artes plásticas, também portuguesas, mas sobretudo brasileiras, porque os últimos 65 anos foram brasileiros. Acontece aos melhores: Maria Helena é francesa, Paula inglesa e Lemos brasileiro. Custa, mas é verdade. Não sei se o filme vai ser reposto em sala ou apenas na televisão. A maioria dos portugueses mais novos nunca ouviu falar de Fernando Lemos, fotógrafo excelentíssimo, artista plástico, resistente antifascista, homem de mil interesses. Era bom que o filme o resgatasse do nicho da memória dos happy few.

Imagem: Lemos fotografado por German Lorca. Clique.

sábado, 20 de janeiro de 2018

CALL ME BY YOUR NAME


Sim, fui ver. Não, não é uma obra-prima. Mas devia ser visto por todos os papás e mamãs com filhos menores. E talvez exibido em escolas do ensino secundário. Adaptado do romance homónimo de André Aciman, o escritor judeu sefardita, nascido em Alexandria, que ensina teoria literária em Nova Iorque, o filme sinaliza todas as idiossincrasias do autor: tradição hebraica, cultura árabe e homossexualidade. O romance é de 2007, o filme é de 2017. James Ivory escreveu o argumento e co-produziu. A realização é de Luca Guadagnino, que passou a infância na Etiópia e é filho de mãe argelina. Sublinho intencionalmente o melting pot.

Timothée Chalamet, 22 anos, e Armie Hammer, 31, são os protagonistas desta história de amor vivida em 1983, em Crema, na Lombardia. Plot: arqueólogo italiano de origem judaica contrata assistente judeu-americano para o ajudar nos meses de férias, filho do arqueólogo (dezassete anos) apaixona-se pelo assistente do papá (vinte e muitos anos), o qual retribui com o dobro da convicção, os pais do adolescente percebem e apoiam, as férias acabam, os dois passam uma semana sozinhos nas montanhas, o americano regressa a casa e, na tarde do Hanukkah, telefona a dizer que vai casar por imperativo social. Seguir com atenção a conversa do pai com o filho depois da separação. As cenas entre os dois rapazes são persuasivas e estão filmadas com elegância, mesmo a do pêssego besuntado com esperma. Não esquecer que tudo isto se passa na Itália de 1983, entre gente culta, com desafogo económico e respeito pelas tradições hebraicas. Ecos de Visconti e vagas reminiscências de Il giardino dei Finzi-Contini (Vittorio de Sica, 1970) vêm-me à memória. Por último, a música de Sufjan Stevens não me parece nada adequada ao ambiente encantatório do filme, mas se calhar sou eu que sou cota.

sábado, 4 de novembro de 2017

ASSÉDIO


Se a espiral de insinuações, revelações e acusações prosseguir, a próxima entrega de Óscares será assim. Clique na fotomontagem.

quarta-feira, 25 de outubro de 2017

WENDERS


O Presidente da República condecorou Wim Wenders com o grau de Comendador da Ordem do Mérito. Para Marcelo Rebelo de Sousa, o realizador alemão, laureado na mesma cerimónia com o Prémio Europeu Helena Vaz da Silva, marca-nos a todos porque... «Cada passo da nossa vida corresponde a um ou dois filmes seus.» Vero? Nanja comigo.

Tenho ali uma vintena de realizadores que me foram marcando ao longo da vida (Antonioni, Altman, Bergman, Buñuel, Carpenter, Cassavetes, Chabrol, DeMille, Fellini, Hawks, Kazan, Kubrick, Losey, Minnelli, Pasolini, Polanski, Pollack, Ray, Rohmer, Wilder), e este cavalheiro não consta. Mas gostos não se discutem. Em todo o caso, que a Presidência da República tenha sido capaz de um upgrade de Katia Guerreiro para Wim Wenders é um bom sinal.

Clique na imagem.

domingo, 20 de agosto de 2017

JERRY LEWIS 1926-2017


Com 91 anos, morreu hoje Jerry Lewis, um dos maiores comediantes de Hollywood. Celebrizou-se com a parceria que durante sete anos o ligou a Dean Martin: nada menos que dezassete filmes entre 1949 e 1956. A natureza da relação de ambos ainda hoje é motivo de controvérsia. Quando a dupla se desfez, impôs-se a solo como actor, realizador, guionista e produtor de cinema e televisão. Entre dezenas de outros, filmes como The Bellboy (1960) e The Nutty Professor (1963) ficaram na memória de todos. Kennedy, de quem era amigo, aconselhou-o a nunca tomar posições públicas sobre política. Distrofia muscular, diabetes e cancro da próstata foram algumas das suas doenças. Nos anos 1950 e 60 foi, de facto, o rei da comédia.

terça-feira, 8 de agosto de 2017

DUNQUERQUE


Se ainda não viu, vá ver Dunkirk, de Christopher Nolan, com um elenco de actores pouco conhecidos, mas Jack Lowden não me escapou. Kenneth Branagh, única estrela, não adianta nada ao filme. O protagonista, se assim lhe podemos chamar, é Fionn Whitehead, que vêem na imagem. Receio que os espectadores com menos de 50 anos não percebam o que estão a ver. O filme atém-se ao essencial: a retirada anglo-francesa de Dunquerque, entre 25 de Maio e 4 de Junho de 1940. Onze dias decisivos em que foram resgatados trezentos mil homens por mar. O escritor inglês P. G. Wodehouse, que vivia em Le Touquet, na região de Pas-de-Calais, não só não ficou incomodado com a carnificina (cerca de cem mil mortos, dois terços dos quais britânicos), como se tornou colaboracionista nazi. Mas isso o filme não conta. Foi a seguir a Dunquerque que Churchill fez o discurso famoso: «Iremos até ao fim. Lutaremos na França. Lutaremos nos mares e oceanos, lutaremos com confiança e força crescente no ar, defenderemos a nossa ilha, qualquer que seja o custo. Lutaremos nas praias, lutaremos nos terrenos de desembarque, lutaremos nos campos e nas ruas, lutaremos nas colinas. Nunca nos renderemos.» Só não percebo por que razão o título não foi traduzido. Porquê Dunkirk em vez de Dunquerque?

terça-feira, 1 de agosto de 2017

SAM SHEPARD 1943-2017


Aconteceu no dia 27 de Julho, mas só ontem a família divulgou. Vítima de esclerose lateral amiotrófica, Sam Shepard morreu. Tinha 73 anos. Mais conhecido como actor de teatro e cinema, Shepard foi um escritor e dramaturgo laureado, tendo recebido o Pulitzer em 1979. Como eu gostava de ver os Artistas Unidos fazerem Buried Child, que ainda o ano passado foi novamente encenada em Londres, com Ed Harris no protagonista. Também escreveu argumentos para cinema, como por exemplo os de Zabriskie Point (1970, Antonioni), Paris, Texas (1984, Wenders) e, a partir de uma peça sua, Fool for Love (1985, Altman). Durante vários anos, a Village Voice atribuiu-lhe o Obie, o mais importante prémio do teatro Off-Broadway. Foi casado durante trinta anos com Jessica Lange, mãe dos seus filhos mais novos. A ligação amorosa com Patti Smith provocou turbulência no casamento com a primeira mulher, mas o casal mudou-se para Londres. Em 2009 e 2015, Shepard foi preso por conduzir embriagado. Além de teatro, escreveu contos e livros de memórias.

segunda-feira, 31 de julho de 2017

JEANNE MOREAU 1928-2017


O dia começa mal. A governanta de Jeanne Moreau encontrou-a morta esta manhã. A Moreau foi uma das poucas actrizes que não precisou de Hollywood para nada: trabalhou com todos os realizadores que importam (Orson Welles foi um deles) e foi sempre magnífica. A minha geração, que cresceu com ela, mais as Magnani e as Signoret, contraponto europeu aos ícones americanos, vê morrer todos os dias um mundo que deixou de existir. O primeiro filme de que me lembro é Jules e Jim (1962), de Truffaut. Mas é impossível ter visto tudo, numa carreira com cerca de 130 filmes, sem contar com as séries e documentários para televisão, mais as 60 peças de teatro. Agora acabou. Tinha 89 anos.

segunda-feira, 17 de julho de 2017

GEORGE ROMERO 1940-2017


Vítima de cancro no pulmão, morreu ontem George Romero, o realizador que inventou os zombies. Quem não se lembra de filmes como A Noite dos Mortos-Vivos (1968) ou, meu preferido, O Despertar dos Mortos (1978), passado no cenário fantasmático de um shopping? Era um realizador de segunda linha? E daí?

segunda-feira, 27 de fevereiro de 2017

ÓSCARES


Depois da trapalhada que foi a troca de envelopes no momento de anunciar o melhor filme do ano, gaffe que implicou subida ao palco da equipa errada, os principais vencedores foram:

Moonlight, melhor filme do ano
Damien Chazelle, melhor director, La La Land
Casey Affleck, melhor actor principal, Manchester by the Sea
Emma Stone, melhor actriz principal, La La Land
Mahershala Ali, melhor actor coadjuvante, Moonlight
Viola Davis, melhor actriz coadjuvante, Fences
Melhor argumento original, Manchester by the Sea
Melhor argumento adaptado, Moonlight
Melhor filme estrangeiro, The Salesman (Irão), de Asghar Farhadi
Melhor documentário, OJ: Made in America, de Ezra Edelman

La La Land, que não vi nem tenciono ver, recebeu seis dos catorze óscares para que estava nomeado. De Moonlight vi os primeiros doze minutos. É impossível estar numa sala (Corte Inglês) com gente a falar como se estivesse no bazar e telemóveis a apitar. Pode ser que um dia, em casa.

Na imagem, da esquerda para a direita, Mahershala Ali, Emma Stone, Viola Davis e Casey Affleck. Clique para ver melhor.

segunda-feira, 16 de janeiro de 2017

MARIA CABRAL 1941-2017


Morreu no sábado, dia 14, em Paris, a actriz Maria Cabral, rosto mítico do Novo Cinema Português. Tinha 75 anos. A notícia foi dada hoje pela Academia Portuguesa de Cinema. Maria Cabral tornou-se célebre com O Cerco (1970), de Cunha Telles, tendo protagonizado vários outros filmes, tais como O Recado (1971), de Fonseca e Costa, Vidas (1984), também de Cunha Telles, No Man’s Land (1985) de Alain Tanner, e Um Adeus Português (1986), de João Botelho. Do seu casamento (1964-71) com Vasco Pulido Valente nasceu uma filha, Patrícia Cabral, que foi nos anos 1980 a mais iconoclasta crítica literária portuguesa.

quinta-feira, 29 de dezembro de 2016

MÃE & FILHA


Para mal dos meus pecados, não faço parte da legião de pessoas que conhecia a Princesa Leia de Star Wars. Nem sabia que Carrie Fisher era filha de Debbie Reynolds (1932-2016), que morreu ontem durante os preparativos do funeral da filha. As gerações mais novas não sabem quem foi Debbie Reynolds, que protagonizou setenta filmes, mais coisa menos coisa. Tenho de voltar a ver The Unsinkable Molly Brown, que em 1964 emocionou a minha juventude. Vejam, para tomar o pulso a uma actriz imensa.

Na imagem, Debbie e a filha. Clique.

segunda-feira, 17 de outubro de 2016

SNOWDEN


Se ainda não viu, veja. Snowden de Oliver Stone é um daqueles filmes que temos de ver. Tirando Nicolas Cage e Tom Wilkinson, ambos em papéis secundários, o elenco é preenchido por quase-desconhecidos. Mesmo o protagonista, Joseph Gordon-Levitt, era para mim um nome exótico. (Mas no fim temos direito a uns minutos com Edward Snowden himself.) Não é o plot que é um pesadelo. É o mundo em que vivemos desde o 11 de Setembro de 2001.

quarta-feira, 2 de março de 2016

NOÉMIA DELGADO 1933-2016


Com 82 anos, morreu hoje a cineasta Noémia Delgado um dos nomes centrais do cinema documental português. Máscaras (1976), sobre os caretos e as festas tradicionais do ciclo de Inverno nas aldeias de Trás-os-Montes, é uma das suas obras mais conhecidas. Noémia Delgado nasceu na Huíla, mas foi para Lourenço Marques antes de completar um ano de idade, ali vivendo durante mais de vinte anos. Saiu de Moçambique em 1955, e foi casada (1957-71) com o poeta Alexandre O’Neill, de quem teve um filho, o fotógrafo Alexandre Delgado O’Neill (1959-93), já falecido.

terça-feira, 9 de fevereiro de 2016

AINDA NÃO ACABÁMOS


Gosto de memórias, com os seus lapsos, um buraco aqui, outro ali, zonas de sombra, o foco de luz onde queremos que esteja. Memória é olhar para fora, para os outros, para as coisas. Jorge Silva Melo já escreveu as suas, Século Passado, livro magnífico que a Cotovia publicou em 2007. Agora, nos 20 anos dos Artistas Unidos, fez um filme como se fosse uma carta, monólogo belíssimo sob o olhar vivo de João Pedro Mamede. São Luiz a rebentar pelas costuras para seguir uma vida. Os Verdes Anos, Manuel Wiborg, António, Um Rapaz de Lisboa, Glicínia Quartin, cinemas de bairro, cinemas de estreia (sim, eram coisas diferentes), Walsh, Minnelli, o snack-bar Pic-Nic, Lia Gama, Mário Dionísio, desenhos de Jorge Martins, a Papelaria Progresso transformada por Conceição Silva, Luís Miguel Cintra adolescente, Andreia Bento, o Bloco das Águas Livres de Teotónio Pereira, Ivo Canelas, Álvaro Lapa lembrando a humilhação, a Fronda dos estudantes nos idos de 60, Rúben Gomes, a carta aberta que Medeiros Ferreira escreveu ao povo português na véspera de partir para o exílio (não sei se os detractores do AO90 deram pelo regimen, pelo sòmente, etc., que pontuam o texto de 1968), Américo Silva, A Capital, E Depois (Bal-Trap), Roma, Spiro Scimone, Maria João Luís, poetas amados nas capas do Escada, work in progress de Sofia Areal, João Perry, tantos que lá estão. Deixo a Luiza para o fim, Luiza Neto Jorge, maior entre as maiores, franzina, outsider da resistência de salão, tão injustamente esquecida. Foi ela que nos disse que «o poema ensina a cair». Esqueço gente. Esquecemos sempre. Vai haver DVD? Devia.