Passou tempo suficiente para ser dito sem contradita. Se há blogue literário por excelência, esse blogue é o
Bibliotecário de Babel, de José Mário Silva. Literário no sentido em que deviam sê-lo as revistas literárias que não temos. [Não temos, não. A
Colóquio-Letras, que ainda não acabou, é uma excelente revista de estudos literários; a
Textos e Pretextos, que parece que acabou, idem; a
Inimigo Rumor, que acabou mesmo, idem em clave luso-brazuca; a LER, também desaparecida, mudou o perfil em 2000; as
Águas Furtadas é uma estimável revista multidisciplinar; e
Os Meus Livros uma revista sobre livros, por sinal a única com periodicidade regular. Sobram publicações avulsas, de âmbito académico, umas vocacionadas para estudos de literatura comparada, outras para o sexo dos anjos em pós-graduação metafísica.] O
Bibliotecário de Babel funciona como agenda — realização de colóquios e seminários, encontros de escritores, lançamentos, feiras do livro, prémios, traduções, notícias da edição e do
milieu, aniversários de poetas (quem mais se lembrou que Al Berto teria feito 60 anos no passado dia 11?), etc. —, mas não abdica de opinião. É justamente a quota de opinião que o distingue de outra morada afim,
Mundo Pessoa, o blogue da Casa Fernando Pessoa, gerido (e bem) por Ricardo Gross com a distanciação que se espera de um sítio institucional. Coisas diferentes, portanto. Quanto tenho visto, o ecumenismo do
Bibliotecário de Babel tem sido de regra. Uma vez que os jornais desistiram da cena literária, haja ao menos um sítio onde ir conferir. Na imagem ao alto vê-se a sala de leitura da Biblioteca Pública de Nova Iorque.