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quarta-feira, 19 de junho de 2019

BORIS, AGAIN


Realizou-se esta tarde a terceira volta para eleger o novo líder do Partido Conservador e futuro primeiro-ministro do Reino Unido.

Votaram todos os 313 deputados, não havendo votos nulos ou brancos. Pela terceira vez, Boris Johnson venceu.

Resultado final: Boris Johnson 143 /Jeremy Hunt 54 / Michael Gove 51 / Sajid Javid 38 / Rory Stewart 27.

Stewart já foi afastado do próximo round. Restam portanto 4 candidatos dos 11 iniciais.

Clique na imagem do Guardian.

quinta-feira, 13 de junho de 2019

SUCESSÃO DE MAY


A primeira volta das eleições para líder dos tories, hoje efectuada, deu este resultado:

Vencedor, Boris Johnson, com 114 votos.

Os outros: Jeremy Hunt, 43 / Michael Gove, 37 / Dominic Raab, 27 / Sajid Javid, 23 / Matt Hancock, 20 / Rory Stewart, 19.

Por não terem obtido o score mínimo de 17 votos para poderem passar à segunda volta, foram eliminados:

Andrea Leadsom, antiga líder da Câmara dos Comuns, 11 / Mark Harper, 10 / Esther McVey, 9.

Após três voltas reservadas a deputados e membros do Governo, a votação final será feita por todos os militantes do partido.

Clique na imagem do Guardian.

quarta-feira, 12 de junho de 2019

O FOLHETIM


Temendo o que aí vem (estamos a falar do senhor ou da senhora que substituirá Theresa May como líder dos tories e, nessa qualidade, chefe de Governo), o Labour e alguns conservadores pró-europeus da Escócia e dos Verdes apresentaram hoje nos Comuns uma moção visando impedir um Brexit sem acordo.

Dito de outro modo, quiseram travar o passo a Boris Johnson, que promete sair sem acordo e sem pagar. Foram derrotados por 309 contra 298 votos.

Por mais voltas que dêem, a realidade é uma: eles querem sair, e querem fazê-lo sem acordo. May era um empecilho. Mas a Fronda continua.

Clique na imagem.

sexta-feira, 24 de maio de 2019

DONE


Ao início da manhã, à porta do n.º 10 de Downing Street, Theresa May anunciou que renuncia ao cargo de líder do Partido Conservador no próximo 7 de Junho.

O próximo primeiro-ministro será o tory que substituir May.

Em síntese, a primeira-ministra lamentou ter sido incapaz de fazer respeitar o resultado do referendo de 2016 que impôs a saída do Reino Unido da UE.

Discurso directo — «Fiz o melhor que pude. Negociei os termos da nossa saída e o novo relacionamento com a Europa. Fiz tudo o que podia para convencer os deputados a apoiar esse acordo. Infelizmente, não consegui fazê-lo. E tentei três vezes. [...] Por isso, anuncio hoje que renunciarei ao cargo de líder do Partido Conservador e Unionista na sexta-feira, 7 de Junho, para que um sucessor possa ser escolhido. Concordei com o presidente do Partido e com o presidente do Comité de 1922 que o processo para eleger o novo líder comece na semana seguinte. Mantive Sua Majestade a rainha plenamente informada das minhas intenções, continuando a servir como seu primeiro-ministro até que o processo esteja concluído. [...] O meu sucessor terá que honrar o resultado do referendo. O referendo não foi apenas um apelo para deixar a UE, mas o começo de mudanças profundas no nosso país, um país que realmente funcione para todos. Tenho orgulho do progresso que fizemos nos últimos três anos

Se nada de extraordinário acontecer, Boris Johnson será o próximo líder tory e, por inerência, primeiro-ministro. Entre os seus apoiantes estão os mais influentes brexiteers do Partido Conservador, casos de Johnny Mercer, Gavin Williamson, Jacob Rees-Mogg e Zac Goldsmith. Boris, 54 anos, historiador, nasceu em Nova Iorque, foi mayor de Londres (2008-16) e ministro dos Negócios Estrangeiros entre 2016 e 2018.

Mas pode dar-se uma reviravolta e a escolhida ser Andrea Leadsom, 56 anos, Lord President of the Council e líder da Câmara dos Comuns, que ontem se demitiu desses cargos para forçar May a resignar. Ms Leadsom, 56 anos, é uma ardente brexiteer.

Agora que May bateu com a porta, são às centenas as mensagens de apoio de membros do seu e de outros partidos, do mayor de Londres e até do primeiro-ministro da República da Irlanda.

Clique na imagem do Guardian.

quinta-feira, 23 de maio de 2019

SERÁ DESTA?


Nos corredores de Westminster são cada vez mais enfáticos os rumores de que Theresa May pode renunciar, nas próximas horas, ao cargo de líder do Partido Conservador.

A decisão abriria caminho à escolha do seu sucessor ou sucessora, na chefia do partido e do Governo, pois uma coisa implica a outra.

No Reino Unido os primeiros-ministros não se demitem. Excepto se puderem garantir à rainha que para o seu lugar irá X ou Y.

O calendário negociado com Sir Graham Brady, presidente do Comité 1922, apontava para 10 de Junho, mas o clima de tensão aumentou (um Brexit com acordo, como May pretende, é cada vez mais contestado pelo partido), e foi o próprio Brady a estabelecer que o prazo limite fora antecipado para amanhã, dia 24.

O líder do partido que chefiar o Governo ocupa por inerência o n.º 10 de Downing Street.

A ver vamos.

Clique na imagem do Guardian.

quarta-feira, 10 de abril de 2019

SEIS MESES


Depois de quase sete horas de discussão, com jantar pelo meio, os 27 aceitaram prorrogar o Brexit até 31 de Outubro.

Mas Macron exigiu, e fez valer o seu ponto de vista, que em Junho seja feito o ponto da situação do comportamento do Reino Unido. Leia-se, do comportamento dos Comuns. Ou seja: se, antes de Outubro, de preferência antes de 30 de Junho, Westminster aprovar o Acordo negociado com a UE, o Brexit deve ser antecipado.

A intransigência de Macron fez gorar os planos de Tusk, que tentou, sem sucesso, sensibilizar os 27 para um ano de prorrogação. 

Clique na imagem.

O DIA D


Quando forem cinco da tarde em Bruxelas, começa a cimeira extraordinária para decidir a nova data do Brexit. Para já, a data em cima da mesa é a próxima sexta-feira, dia 12. Mas Theresa May quer que seja 30 de Junho (e ontem obteve uma vitória no Comuns, que fixaram a data em forma de lei). Junker sugeriu 31 de Dezembro. Mas Tusk, farto das birras de Westminster, prefere 31 de Março de 2020. Não vale a pena especular sobre o que vai acontecer.

Na imagem, May e Macron ontem em Paris. Clique.

sábado, 6 de abril de 2019

PASSAPORTES BRITÂNICOS


Os britânicos que requereram passaporte, ou renovação da validade do actual, começaram a receber os novos. E alguns surpreenderam-se com o desaparecimento (no topo da capa) da expressão 'European Union'.

Mas o Home Office (o ministério do Interior) já disse que é assim mesmo. Mais: enquanto não esgotar o stock, continuam a ser impressos em cartolina bordeaux, mas ainda este ano voltarão ao azul ultramarino que existiu durante mais de cem anos.

Na imagem, os dois passaportes lado a lado. Clique.

sexta-feira, 5 de abril de 2019

DÉGOÛTANTE


Falando em nome de Macron, Amélie de Montchalin, ministra francesa dos Assuntos Europeus, reiterou a posição da França de que o adiamento do Brexit não faz sentido, pois não interessa nem à UE nem ao Reino Unido.

Além da França, também a Alemanha e a Holanda já fizeram saber que o pedido de Theresa May (adiamento até 30 de Junho) não é plausível nem credível.

Imagem: cartaz a gozar com a primeira-ministra britânica e com o líder da Oposição. Clique.

O CONSELHO DE REES-MOGG


O honorável Jacob Rees-Mogg, putativo sucessor de Theresa May, não faz a coisa por menos:

«Se uma extensão longa nos deixar presos à UE, deveríamos criar obstáculos, vetando qualquer aumento no orçamento, obstruindo o exército supostamente da UE e bloqueando os esquemas integracionistas de Macron

Quem fala assim não é gago.

Clique na imagem do Twitter.

CHOVER NO MOLHADO


Theresa May perdeu a noção da realidade? Hoje voltou a escrever a Donald Tusk, solicitando adiamento do Brexit para 30 de Junho, uma data já rejeitada pela UE, por obrigar à participação do Reino Unido nas eleições europeias de Maio e, a qualquer momento, a repetição dessas eleições, se entretanto os britânicos baterem com a porta.

Nas imagens, a primeira (excerto) e última página da carta da primeira-ministra britânica. Clique

quinta-feira, 4 de abril de 2019

MERKEL NA IRLANDA


Para acertar os detalhes de um possível hard Brexit no próximo dia 12, Leo Varakdar, o primeiro-ministro da Irlanda, recebeu Angela Merkel hoje em Dublin. Anteontem já tinha estado com Macron em Paris

Só os deputados britânicos continuam entretidos em Westminster, onde a Câmara dos Lordes irritou os trabalhistas, adiando para segunda-feira, dia 8, a discussão de um projecto de lei que o Labour queria ver aprovado hoje à tarde.

Clique no tuíte de Leo Varakdar.

BREXIT & PE

Karin Kneissl, ministra austríaca dos Negócios Estrangeiros, não acredita que os 27 concedam ao Reino Unido uma extensão longa do artigo 50, fazendo notar que uma data posterior a 22 de Maio obrigaria o Reino Unido a participar nas eleições europeias. Pergunta ela: Que tipo de político britânico estaria disposto a participar nessas eleições?

Mas diz mais: a eventual renúncia desses deputados, daqui a oito ou nove meses (os trabalhistas parecem estar a apostar num adiamento do Brexit até ao fim do ano), obrigaria à realização de novas eleições para o PE.

Porquê? Porque a legitimidade de um Parlamento eleito a 28 países desapareceria no momento em que ficassem apenas 27. Mais: o presidente da Comissão Europeia que sair destas eleições, também ficaria ferido de legitimidade. Afinal, é o Parlamento Europeu que elege a Comissão. Ora o resultado obtido por 28 não tem de coincidir com o veredicto de 27.

Os britânicos estão a esquecer-se de um detalhe importante: quem manda no calendário são os 27 parceiros, não são as oscilações de humor dos Comuns.

Entretanto, a ver vamos o que decidem os Lordes sobre a proposta de Yvette Cooper, a deputada trabalhista que ontem conseguiu fazer aprovar, por um voto (312 vs 311), um projecto de lei que impede o Brexit sem acordo. Por norma, os Lordes levam meses a tomar decisões. Mas estão desde ontem à noite a ser pressionados a decidir no espaço de 24 horas. Se tal fosse aceite, representaria, nas palavras de Lorde Forsyth, um acto de tirania.

O folhetim prossegue.

quarta-feira, 3 de abril de 2019

REBELIÃO NO N.º 10


A intenção de Theresa May encontrar-se com Corbyn para negociar os termos de um Brexit soft — ou seja, sair da UE mantendo a união aduaneira —, está a provocar ondas de choque de proporções muito sérias. Nigel Adams, e outros, enfatizaram que era impensável «fazer um acordo com um marxista».

Ontem, depois de quase oito horas de reunião, o Governo dividiu-se: 14 ministros manifestaram-se pela saída no próximo dia 12, sem acordo; e 10 pela tentativa de fazer aprovar o acordo chumbado três vezes. No n.º 10 de Downing Street ninguém concorda com a extensão do artigo 50, mesmo curta, ou seja, até 22 de Maio. A hipótese de uma união aduaneira é quase unanimemente considerada «altamente indesejável».

A rebelião atingiu o turning point. Stewart Jackson disse mesmo: «Não está na hora de Graham Brady e o Comitê Executivo 1922 alterarem as regras e provocarem nova votação sobre se mantêm confiança na primeira-ministra

Uma eventual alteração das regras tem a ver com o facto das moções de confiança ao chefe do Governo só se poderem efectuar com um ano de intervalo. Sucede que, em 12 de Dezembro de 2018, May derrotou por 200 contra 117 votos uma moção contra si. Sem alteração das regras, os tories vão ter de esperar pelo próximo 12 de Dezembro.

Na imagem, a capa do Daily Telegraph de hoje, com os retratos dos 14 ministros que querem sair já e sem acordo. Clique.

terça-feira, 2 de abril de 2019

MACRON EXASPERADO


Falando hoje no Eliseu, ao lado de Leo Varadkar, taoiseach da República da Irlanda, o Presidente francês foi claro:

«Uma extensão do artigo 50 que envolva a participação do Reino Unido nas eleições europeias está longe de ser evidente. Ninguém a pode tomar como garantida. A nossa prioridade será o bom funcionamento da União Europeia e do mercado único. A União Europeia não pode continuar refém da solução para uma crise política no Reino Unido. Não podemos passar os próximos meses resolvendo novamente os termos do nosso divórcio. Se não houver acordo, a culpa é do Reino Unido

Entretanto, o Governo britânico continua reunido desde as 9 da manhã. Nunca uma reunião de ministros no n.º 10 de Downing Street ultrapassou os 90 minutos. Hoje já lá vão sete horas...

Na imagem, Macron e o taoiseach irlandês. Clique.

segunda-feira, 1 de abril de 2019

TUDO CHUMBADO


Prossegue o folhetim do Brexit. Esta noite, os Comuns chumbaram novamente as quatro propostas colocadas à consideração dos deputados: nem revogação do artigo 50, nem segundo referendo, nem união aduaneira idêntica à que existe entre a Noruega e a UE, nem Brexit soft (manter os laços com a EFTA). Querem sair à bruta? Façam favor.

Guy Verhofstadt, porta-voz do Parlamento Europeu, foi claro no Twitter:

«A Câmara dos Comuns voltou a rejeitar todas as opções. O hard Brexit torna-se quase inevitável. Na [próxima] quarta-feira, o Reino Unido tem uma última chance de romper o impasse ou enfrentar o abismo

Clique na imagem.

TUDO PELO AMBIENTE


Com os Comuns mergulhados no caos das votações agendadas para hoje sobre o Brexit, hard ou soft, os activistas ambientais da Extinction Rebellion despiram-se na galeria do público de Westminster.

Clique na imagem do twitter de James Heappey, deputado tory.

sábado, 30 de março de 2019

REVOLTA


Em sinal de protesto contra o adiamento do Brexit, um homem de 44 anos, com a bandeira de São Jorge embrulhada à volta do corpo, passou a noite no telhado do túnel da estação internacional de St Pancras, no centro de Londres, obrigando ao cancelamento de todos os serviços do Eurostar agendados para hoje.

O Eurostar é o comboio de alta velocidade que liga Londres a Paris, Bruxelas, etc. O homem foi entretanto preso esta manhã. Milhares de pessoas ficaram sem transporte. E sem reembolso!

Imagem do Guardian. Clique.

REFERENDOS & PARLAMENTOS


Repetir pela enésima vez: não gosto de referendos. Porém, nos países em que estão consagrados constitucionalmente, têm de ser respeitados.

Em Portugal, os referendos apenas são vinculativos se o número de votantes for superior a 50%.

O que é que tem acontecido? Exemplo paradigmático: a despenalização do aborto. Dois referendos, ambos não vinculativos.

No primeiro, realizado a 28 de Junho de 1998, era Guterres primeiro-ministro e Soares Presidente da República, o número de votantes foi de 31,9% (os restantes 68,1% não votaram). A despenalização foi chumbada por 50,9% dos votantes.

No segundo, realizado a 11 de Fevereiro de 2007, era Sócrates primeiro-ministro e Cavaco Presidente da República, o número de votantes foi de 43,5% (os restantes 56,5% não votaram). Dessa vez, a despenalização foi aprovada por 59,2% dos votantes, apesar da violenta campanha da Direita ultramontana e da Igreja. Mas o resultado continuava não-vinculativo, porque mais de metade dos eleitores recenseados ignorou o referendo.

Com maioria absoluta, e o apoio claro de dois terços dos votantes, o PS levou o assunto ao Parlamento, conseguindo aprovar, por essa via, a despenalização da interrupção voluntária da gravidez realizada por opção da mulher.

Temos de ser coerentes: ou queremos democracia directa (referendos), ou acreditamos e queremos democracia representativa (regime parlamentar). Uma coisa não pode servir de bengala da outra.

Isto remete-nos para o referendo ao Brexit, no qual votaram 72,2% dos britânicos recenseados, ou seja, uma maioria comprometida. Não foram 30 nem 45 por cento, foram 72,2%. O intervalo (3,7%) entre o Sim e o Não foi curto? Um voto que fosse! A democracia tem regras.

sexta-feira, 29 de março de 2019

TRANQUIBÉRNIA


Por 344 contra 286 votos, os Comuns rejeitaram esta tarde, pela terceira vez, o Acordo de saída do Reino Unido da UE. Desta vez a rejeição foi menor, apenas 58 votos de diferença (contra os 230 de 15 de Janeiro e os 149 de 12 de Março), mas por um voto se perde e por um voto se ganha. Para a semana há nova votação. Infelizmente não é anedota.

Lembrar que Theresa May ofereceu a sua cabeça [demito-me se for aprovado], gesto que levou falcões como Boris Johnson, Jacob Rees-Mogg e Dominic Raab (o trio de putativos sucessores) a, desta vez, votarem a favor. Portanto, tudo indica que 12 de Abril seja a nova data do Brexit.

Devia ser hoje. Em 2016, um total de 52% dos britânicos votaram a favor da saída às 23:00 de 29 de Março de 2019. E a vontade desses 17,5 milhões de pessoas não pode ser traída nem tripudiada.

É uma pena que, face à derrota desta tarde, a primeira-ministra britânica não tenha anunciado, naquele exacto momento, em Westminster, que o Brexit ia ser cumprido como decidido em 2016. Ou seja, hoje às onze da noite.

Na imagem, Theresa May, hoje, em Westminster. Clique.