A PALHAÇADA
Para justificar a acção de resgate da dívida, o governo grego (e o português também) aponta o fantasma da bancarrota. Isso justificaria submissão total às exigências da Troika: Comissão Europeia, Banco Central Europeu e Fundo Monetário Internacional. Os efeitos imediatos da bancarrota seriam três: fim das importações, ruptura da tesouraria do Estado e descrédito internacional. Como importar alimentação e combustíveis? Como pagar salários e pensões? Etc. Isto para não falar de um previsível Corralito, ou seja, o congelamento das contas bancárias. Por exemplo, na Argentina, apesar da mudança de Presidente, de governo e de ministro das Finanças, o Corralito durou quase sete meses, contados entre 3 de Dezembro de 2001 e o fim de Junho de 2002. (Em 2005, a Argentina levantou outra vez a cabeça. Hoje pertence ao G20.)
Para o cidadão comum, o “empréstimo” de 130 mil milhões de euros decidido na madrugada de segunda para terça-feira não serve para nada. O dinheiro vai ser alocado em conta separada para ressarcir os credores da Grécia. Dito de outro modo: a Europa está a criar condições para minimizar os danos colaterais que a bancarrota grega provocaria nas economias alemã e francesa e, por contágio, em toda a zona euro. Ninguém acredita que a Grécia consiga pagar uma dívida que, depois do perdão parcial de 107 mil milhões, representa 169% do PIB. Ao fim de cinco anos de recessão, a palhaçada devia fazer corar de vergonha os europeus.
No próximo dia 27, o Parlamento alemão terá de aprovar o famoso “empréstimo” de 130 mil milhões de euros (o mesmo acontecerá, dia 29, na Holanda). Entretanto, Wolfgang Bosbach, da CDU, já disse que o novo pacote é intolerável. E a Federação dos contribuintes alemães apela aos deputados para que rejeitem o “empréstimo”.
Etiquetas: Crise do euro, Grécia


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