Quinta-feira, Julho 28, 2011

J. RENTES DE CARVALHO


Hoje na Sábado escrevo sobre Os Lindos Braços da Júlia da Farmácia, de J. Rentes de Carvalho (n. 1930), e o último thriller do italiano Andrea Camilleri (n. 1925), A Intermitência. Radicado na Holanda desde 1956, Rentes de Carvalho é um expatriado que nos últimos anos se tornou um autor de culto junto de leitores jovens pouco familiarizados com o Portugal de Salazar. Camilleri é o inventor do comissário Montalbano (em homenagem a Montalbán, o inventor de Pepe Carvalho), mas este policial sem Montalbano nem por isso é menos interessante.

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Quarta-feira, Julho 27, 2011

ROMA


Enquanto os bárbaros não chegam.

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Terça-feira, Julho 26, 2011

CONTAS À VIDA


Já a partir da próxima segunda-feira, 1 de Agosto. O passe mensal entre o Cais do Sodré e Cascais, correspondente a 3 zonas, passa de 37,45 para 42,90 euros. E o mensal de Campanhã a Aveiro, correspondente a 6 zonas, dos actuais 54,45 para 61,60 euros. Clique para ler melhor.

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ENGORDAR O ESTADO


Na Era Sócrates, a Caixa Geral de Depósitos tinha um presidente e sete administradores. Na Era Passos prepara-se para ter, ainda esta semana, um chairman (o actual presidente, Faria de Oliveira), um presidente, dois vice-presidentes e onze administradores. Emagrecer o Estado, dizem eles.

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CITAÇÃO, 364


Pedro Santos Guerreiro, O albergue espanhol, ontem no Negócios. Excertos, sublinhados meus:

«A nomeação da administração da CGD é muitas vezes o teste do ácido de um governo estreante. Para medir a sua partidarização. Para contar os boys. [...] Nesta administração está o homem do Presidente, o do primeiro-ministro, o do ministro das Finanças, o do ministro dos Negócios Estrangeiros e o dos Assuntos parlamentares. Banqueiros é que há poucos. [...] Norberto Rosa, Jorge Tomé, Rodolfo Lavrador e Pedro Cardoso são os repetentes e ainda bem, haja quem saiba de banca de investimento e sistema financeiro. José de Matos, o novo presidente executivo, também sabe, merece o benefício da dúvida, mas é inexperiente na actividade comercial. Não lhe falta à volta, todavia, quem saiba de negócios. Até de mais. [...] Albergue espanhol é uma expressão francesa para lugares confusos, onde se juntam pessoas de culturas diferentes e sem regras. A Caixa começa assim e começa mal. Porque no final disto tudo sobra uma enorme perplexidade: há de tudo neste “onze”, de quem sabe muito de política, muito de banca de investimento, muito de mercado monetário, muito de Direito, muito de advocacia de negócios, muito de supervisão, muito de sistemas de pagamentos, muito de governo de sociedades. Na Caixa só não há é ninguém que saiba de uma coisa: de banca tradicional

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Segunda-feira, Julho 25, 2011

2083


À medida que os detalhes vão sendo conhecidos, o estupor aumenta. Anders Breivik, 32 anos, filho de um diplomata residente em França que esteve colocado nas Embaixadas da Noruega em Londres e Paris, anti-semita, cristão fundamentalista, membro da International Christian Military Order (organização radical de extrema-direita), andou anos a preparar o massacre. Comprou e registou em seu nome uma propriedade agrícola de modo a poder comprar os fertilizantes necessários ao fabrico de bombas. O extenso manifesto que deixou inclui uma lista de alvos portugueses (pessoas e locais) a atingir, entre eles Durão Barroso, o reactor nuclear da Bobadela (Loures), refinarias da Galp, o porto de Sines, etc. Um encanto de rapaz. Se for condenado à pena máxima, cumprirá 21 anos, o limite que a Noruega permite.

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O DIA EM QUE ELES CASARAM


Trinta dias após a sua aprovação pelo Senado, realizaram-se ontem em Nova Iorque os primeiros casamentos entre pessoas do mesmo sexo. Com milhares de pedidos para satisfazer, ontem, domingo, só puderam realizar-se 764 casamentos, assim distribuídos por área de residência: Manhattan (293 casais), Brooklyn (66), Queens (66), Staten Island (32), Bronx (27) e outras cidades do Estado (280). Obama felicitou-os.

Nas próximas semanas devem realizar-se uma média de mil por dia. O Estado de Nova Iorque juntou-se ao Connecticut, Iowa, Massachusetts, New Hampshire, Vermont, District of Columbia (Washington) e à tribo Coquille da Nação Navajo. Michael Bloomberg, o Mayor de NY, apadrinhou o casamento de dois assessores seus: John Feinblatt e Jonathan Mintz, ao alto, com as filhas adoptivas (Bloomberg está à direita da imagem). O governador Andrew M. Cuomo ofereceu em sua casa o copo de água a um casal de amigos advogados. A imagem inferior mostra dezenas de casais a aguardar vez numa conservatória de Manhattan. Clique nas imagens.

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Domingo, Julho 24, 2011

GANHOU O TOZÉ


António José Seguro ganhou as directas do PS, sucedendo a Sócrates no cargo de secretário-geral. Números oficiais só no próximo dia 30, mas os provisórios apontam para um score de dois terços (contra um terço de Assis). As directas dos grandes partidos são um assunto demasiado sério para ser deixado nas mãos dos militantes. O país não pode arriscar ter como primeiro-ministro alguém que é cooptado pela máquina.

Para já, promete dar liberdade de voto aos deputados. Significa que, em nome dessa liberdade, cada um faz como quer em assuntos vitais? Estou a pensar no Memorando da Troika, por exemplo. E na putativa revisão constitucional à qual Seguro se opõe com ênfase.

Assis (em quem teria votado se pudesse) foi claro na derrota: «Não concebo a existência de oposições internas. Nunca me constituirei numa reserva moral ou política.»

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Sábado, Julho 23, 2011

AMY WINEHOUSE 1983-2011


Morrem cedo os que os deuses amam? Amy foi encontrada morta em sua casa. Tinha 27 anos. Obituário de Caroline Sullivan para o Guardian.

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CITAÇÃO, 363


José Pacheco Pereira, Índice de situacionismo, sublinhado meu:

«Não estará na altura de perguntar pelo site na Internet onde estarão todas as nomeações feitas pelo novo governo e que nos foi prometido como forma de sabermos até que ponto há ou não há jobs for the boys? É que é agora que estão a ser feitas as nomeações e o que se sabe até hoje não mostra nenhuma diferença substancial nas escolhas de boys em relação a governos anteriores.»

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Sexta-feira, Julho 22, 2011

OSLO & UTOEYA


Com Oslo praticamente sitiada e o número de mortos a aumentar, as notícias do massacre na ilha de Utoeya (onde um homem disfarçado de polícia disparou sobre centenas de jovens) não são nada tranquilizadoras. Estão confirmadas dezenas de mortes. O atirador é norueguês e foi preso: chama-se Anders Behrin Brevik e tem ligações à extrema-direita.

Aparentemente, os dois factos estão relacionados. O Arbeiderpartiet, o Partido Trabalhista do primeiro-ministro Jens Stoltenberg, organizou ali a sua Universidade de Verão: o massacre deu-se enquanto aguardavam a chegada de Stoltenberg.

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OSLO, 22 DE JULHO


Uma forte explosão destruiu esta tarde (eram 14:20h em Lisboa) a sede do governo norueguês, instalada num edifício de dezassete andares. Jens Stoltenberg, o primeiro-ministro, não estava no gabinete, que ficou em escombros. São contraditórias as notícias sobre o número de mortos e feridos. Mas Oslo está um caos. Clique nas imagens.

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ABSOLVIDOS


Margarida Fonseca Santos, Carlos Fragateiro e José Manuel Castanheira foram hoje absolvidos do crime de ofensa à memória do major Silva Pais, último director da PIDE. Não podia ser de outro modo.

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LUCIAN FREUD 1922-2011


Morreu anteontem. A notícia vem atrasada mas não perde relevância por isso. O retrato (autor desconhecido) é de 1958.

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KAREN BLIXEN


Hoje no Público:

Isak Dinesen, aliás Karen Blixen (1885-1962), gostava de dizer que tinha três mil anos. Em 1959, quando visitou Nova Iorque pela primeira vez, ninguém por um momento duvidou da sua palavra. Turbante na cabeça e diamantes nas orelhas, a figura espectral da baronesa Blixen-Finecke fazia jus à lenda. Vinte e seis anos mais tarde, Meryl Streep faria dela um ícone popular: «Tive uma fazenda em África, no sopé das montanhas Ngongo.» O filme de Sydney Pollack é um compósito das memórias africanas recolhidas no volume que junta África Minha e Sombras no Capim.

Publicado em 1937, África Minha relata os dezoito anos (1913-31) em que Blixen viveu no Quénia, explorando uma plantação de café localizada a vinte quilómetros de Nairobi. O facto de estar situada a dois mil metros de altitude permitia “destilar” a paisagem circundante: «A essência forte e depurada de um continente.» Infelizmente, também se ressentia no resultado das colheitas...

Nenhum impecilho perturba a leitura desde a primeira frase. Igual ao ar que respiramos («coisa viva sobre a terra»), a exactidão da voz dispensa floreados. Dito de outro modo: 350 páginas de puro assombro.

Para Blixen, o mundo parecia ter desabado em 1931. Denys Finch-Hatton, amigo e amante, morreu na queda do bimotor que pilotava. O crash de 1929, arrastando consigo a cotação do café, arruinou-lhe o negócio. Vê-se obrigada a deixar África, divorciada (o marido abandonou-a em 1921) e na bancarrota: «Não conseguíamos pagar as dívidas e não tínhamos dinheiro para gerir a plantação.» Partiu com a certeza de que os guerreiros massai continuariam a olhar para a casa da fazenda como os camponeses da Umbria viam a casa «onde São Francisco e Santa Clara conversavam acerca de teologia.» A comparação não é despicienda.

Centrais à compreensão da vida dos colonos brancos no Quénia dos anos 1920, as páginas dedicadas aos que faziam de Ngongo ponto de paragem: Denys Finch-Hatton, caçador, aviador, desportista nato, músico, apreciador de arte e bons vinhos; Berkeley Cole, que todas as manhãs bebia uma garrafa de champanhe na floresta («Mas, minha querida, é tão triste», comentou no dia em que o bebeu em copos grosseiros); o senhor Bulpett, também conhecido por Tio Charles, que fora amante da Bela Otero e um dos primeiros a chegar ao cume do Matterhorn; Ingrid Lindstrom, que depois da falência da cultura do linho não desistiu e prosperou plantando pítero, essencial ao fabrico de perfumes; Gustav Mohr, o norueguês loquaz, farto de sisal e de bois; Emmanuelson, prestidigitador errante; Darrell Thompson, que lhe deixou um pónei em herança; os outros todos. Finch-Hatton e Berkeley Cole, como também Sir Northrup MacMillan, tinham lugares de destaque «como serpentes de bronze.» Blixen não esquece os nativos kikuyu, cujas tradições, rituais e idiossincrasias descreve com empatia. Grande ausente da narrativa, o barão Bror von Blixen-Finecke.

Farah Aden, o criado somali que em 1913 foi esperar por ela ao porto de Adem, dirigiu Ngongo durante quase dezoito anos: «dirigiu a minha casa, os meus estábulos e os meus safaris.» Sem nunca terem chegado a nenhuma conclusão sobre a idade de cada um («os muçulmanos regem-se por anos lunares»), a querela unia-os. Separaram-se quando Blixen regressou à Dinamarca: «tive a sensação de estar a perder uma parte de mim própria.» A partir dessa data nunca mais montou ou fez tiro. E passou a escrever com a mão esquerda.

A despeito da sua natural fluência, Sombras no Capim não tem o mesmo vibrato. Publicado em 1960, quando África era só lembrança, Blixen racionaliza o que outrora fora matéria de paixão. Discreteia sobre criados (Farah, Kamante, Ismael, Juma, etc.), tribos indígenas (wakambas, kawirondos, etc.), imigração somali, política colonial britânica, comércio de marfim, tráfico de escravos, os Mau-Mau (a sociedade secreta dos nativos kikuyu que deu o tiro de partida do movimento independentista), o quotidiano de Rungstedlund, a propriedade da família situada a norte de Copenhaga, onde morreu, recordando as colinas azuis de Ngongo.

Contudo, Blixen, que não é facilmente comparável com outros escritores, excepto, talvez, com a italiana Natalia Ginzburg (outra demiurga), não cabe nas baias da memorabilia africana. Contos como Uma História Imortal, com acção em Macau (1952, filme de Orson Welles em 1968) ou A Festa de Babette, epítome da gourmandise (1958, filme de Gabriel Axel em 1987), fazem dela um caso singular. Em Portugal estão traduzidos vários dos seus livros, incluindo os famosos Sete Contos Góticos que em 1934 deram início à obra canónica.

Esta reedição recupera a tradução que Ana Falcão Bastos fez de África Minha em 1986 (em 2001, Maria Manuel Tinoco fez outra). Sombras no Capim, que em 1988 fora traduzido por Helena Ramos, surge agora numa versão conjunta de Ana Falcão Bastos e Cláudia Brito.

Ela teve uma fazenda em África, in Ípsilon, 22-7-2011, p. 40. Cinco estrelas.

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Quinta-feira, Julho 21, 2011

RACIONALIZAR


Por maioria, a Câmara de Lisboa aprovou ontem o novo mapa de freguesias da cidade, que passam de 53 para 24. A compressão dá origem a novas designações. Nem tudo é mau.

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BRINCAR COM O FOGO


Então é hoje o dia D. Paul De Grawe, professor de economia internacional na Universidade de Lovaina, não tem medo das palavras: A zona euro está à beira da implosão. Durão Barroso, para se fazer ouvir (numa altura em toda a gente já percebeu que é Rompuy que conta), faz coro: «Ninguém deve ter ilusões: a situação é muito séria.» Ontem, ao jantar, em Berlim, Merkel e Sarkozy concertaram o mínimo denominador comum. Ciente da gravidade da situação, Obama telefonou. A ver vamos.

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PATRÍCIA REIS


Hoje na Sábado escrevo sobre Por Este Mundo Acima, de Patrícia Reis (n. 1970), universo fantasmático situado numa Lisboa pós-hecatombe; e também sobre Metade da Vida, de Darin Strauss (n. 1970). Exercício de mnemónica, o romance de Patrícia Reis excede o propósito de contar uma história: o seu carácter polifónico permite leituras adequadas às particulares idiossincrasias de cada leitor. Darin Strauss, que no ano passado recebeu o National Book Critics Circle Award por este livro, relata um episódio da sua vida: o atropelamento de uma colega, quando tinha 18 anos. Pungente.

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Quarta-feira, Julho 20, 2011

PASSOS, MAOMÉ & CRATO


Nunca pensei citar Santana Castilho, que ainda há 15 dias chamou mentiroso ao primeiro-ministro:

«Foi deplorável Pedro Passos Coelho ter dito que não revoga a avaliação do desempenho porque agora só tem três meses, quando, em Março, quando a propôs, tinha seis. Se isto fizesse algum sentido, que não faz (Passos Coelho sabe bem que não fala a verdade), então devia tê-lo dito em campanha. E não disse. Mais: esqueceu-se de que, em Novembro de 2009, o PSD deu ao PS um mês para fazer a mesma coisa? Entretanto, entre o programa eleitoral do PSD e o programa do Governo, sumiram-se os princípios que deveriam nortear o futuro modelo. Dissimuladamente, como convinha!»  —  Público, 6 de Julho.

Hoje, também no Público, volta à carga. Nuno Crato está na mira. Excertos, sublinhados meus:

«Todos sabem, mas são poucos os que se insurgem contra a incoerência e o ludíbrio na política. Passos Coelho, candidato, disse da carga fiscal o que Maomé não disse do toucinho. [...] A primeira medida que Passos Coelho, primeiro-ministro, tomou, foi confiscar um belo naco do rendimento do trabalho dos portugueses. Lapidar! [...] Como já afirmei publicamente, o expediente da suspensão do encerramento das 654 escolas não é mais do que uma manobra política de duplo efeito [...] No início de Julho, Nuno Crato suspendeu o fecho de 654 escolas. Dias volvidos, confirmou que 266 das 654 encerrariam imediatamente. Não teremos de esperar muito para confirmar o ludíbrio total. [...] Matando com ferro, com ferro começou a morrer no quadro desta pífia adaptação curricular do ensino básico, a que procedeu de forma monolítica. [...] No 1º ciclo, onde residem carências graves, tudo ficou na mesma. No restante, o mais relevante são mais horas para Matemática e Língua Portuguesa, como defendeu Maria de Lurdes Rodrigues em 2008. [...] É imprudente, numa formação básica, reservar para a Matemática e para a Língua Portuguesa o conceito de disciplinas estruturantes. [...] Ou quer-se, desde logo, subordinar tudo a um determinado modelo de homem e sociedade?»

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A HONRA PERDIDA DOS TORIES


Lendo a imprensa portuguesa fica-se com a sensação de que o affaire NoW só envolve bandalhos: os Murdoch, pai e filho, Coulson, Rebekah e outros que tais. Sean Hoare, o repórter tão convenientemente morto, é apresentado como alguém que ao pequeno-almoço snifava uma linha de coca. Como ainda há gente decente, Nick Davies defende a honra do antigo colega. A imprensa portuguesa, vá-se lá saber porquê, faz de conta que David Cameron soube anteontem da existência do News of the World. Facto é que, nos últimos cinco meses, o primeiro-ministro britânico deu 26 audiências aos responsáveis editoriais do jornal. E a gente a pensar que coisas destas só no Zimbabwe. No Partido Conservador, apesar de ainda não haver contestação directa à sua liderança, alguns membros começaram a ponderar a hipótese de pressionar Cameron a renunciar. Adiante.

Que isto é um thriller dos antigos, ninguém duvida. Jonathan Freedland explica porquê. Agora só falta ao governo de Sua Majestade responder a estas perguntas. Ao pé disto, Berlusconi é um menino de coro.

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Segunda-feira, Julho 18, 2011

YATES SAI, HOARE MORRE


Depois de Sir Paul Stephenson, comissário-chefe da Scotland Yard, foi hoje a vez de John Yates, o número dois (imagem), se demitir.

Para adensar o clima, o repórter Sean Hoare, responsável pela denúncia das escutas ilegais (alegou ter feito escutas cumprido ordens directas de Andy Coulson, antigo braço direito de Cameron), foi encontrado morto em sua casa.

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SE ELE O DIZ


Elementar, meu caro Watson.

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STEPHENSON SAI, REBEKAH ENTRA


Sir Paul Stephenson, 57 anos, o poderoso comissário-chefe da Polícia Metropolitana de Londres (Scotland Yard) desde 2009, demitiu-se este domingo na sequência do escândalo NoW. Stephenson reconheceu que alguns subordinados passaram informações aos jornais de Murdoch. Onde é que a gente já viu isto? Leia aqui a carta de demissão.

Entretanto, também ontem, Rebekah Brooks foi presa. E ainda a procissão vai no adro.

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Domingo, Julho 17, 2011

CITAÇÃO, 362


José Medeiros Ferreira, Sempre era um Tribunal. Sublinhado meu:

«No tempo do Regime anterior creio que era o Supremo Tribunal de Justiça quem passava uma espécie de Atestado aos candidatos a eleições, mesmo que estas não fossem livres. Agora leio no Expresso, um concorrente do Diário da República em versão impressa, que um relatório das “Secretas” pode ser apreciado para fins de nomeação governamental, como terá acontecido com Bernardo Bairrão. Isto é mesmo assim? Ninguém chama ninguém à AR? Os serviços de fiscalização dos serviços de informação não dão de si? Ou também há relatórios sobre os membros que devem fazer essa fiscalização?»

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DOIS E DOIS SÃO QUATRO


O braço-de-ferro entre republicanos e democratas sobre o tecto da dívida americana pode ser mais simples do que parece. A direita (os republicanos) descobriu o caminho mais curto para impedir a reeleição de Obama. Atingido o limite da dívida, que é de 14,3 biliões (milhões de milhões) de dólares, os Estados Unidos estão à beira do default. A deadline é o próximo 2 de Agosto. Até lá, republicanos e democratas jogam tudo por tudo. Se os republicanos levarem a melhor, nem que seja por um curto período de 72 horas (no dia 4 vencem-se compromissos externos no valor de 30 mil milhões de dólares), o efeito das ondas de choque seria devastador (em todo o mundo, entenda-se). Tão devastador que há quem aposte na roleta russa: nada fazer até ao dia 5 ou 6 de Agosto e, numa decisão patriótica de última hora, salvar a honra perdida da West Wing logo a seguir. Para sempre associado a três ou quatro dias de tumulto nos mercados financeiros, Obama estaria ferido de morte.

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Sábado, Julho 16, 2011

STRESS


Deu isto. Clique. Gráfico roubado ao Público.

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O DIABO VESTE PRADA


Rebekah Brooks, 43 anos, directora executiva da News International e principal responsável pelas escutas ilegais do tablóide inglês News of the World, demitiu-se ontem, «profundamente abalada pelo sofrimento causado a tanta gente». O empurrão fatal foi dado pelo príncipe saudita Al-Waleed bin Talal Alsaud, accionista da News Corporation: «Jamais aceitarei lidar com uma companhia que tenha à sua frente uma mulher ou um homem com nódoas na sua integridade

Murdoch também já pediu desculpas públicas. E Les Hinton, o influente director do Wall Street Journal, resignou, pondo fim a uma carreira de 52 anos na News Corporation. David Cameron respirou de alívio. O affaire NoW arrisca-se a ser para o seu governo o mesmo que o buzinão da ponte (1994) foi para Cavaco.

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E VÃO 266


Do lote de 600 já só sobram 334. Nuno Crato, ministro da Educação e Ciência, confirmou ontem o encerramento imediato de 266 escolas do 1.º ciclo. Nada contra. Pelo contrário. Os bufões-de-fila é que dão mau nome à profissão.

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Sexta-feira, Julho 15, 2011

EM QUE FICAMOS?


Por causa desta sentença, que o presidente do Sindicato dos Profissionais da Polícia considera «muito dura», 29 polícias da esquadra das Mercês, no Bairro Alto (imagem), meteram baixa por doença. Apenas o comandante se apresentou ao serviço. Se isto fosse no tempo de Sócrates, a direita estaria a arrancar os cabelos, a exigir a demissão do ministro da Administração Interna e a promover comissões parlamentares de inquérito. Como não é, ninguém pia. Comentários para quê?

[Foto de Rui Gaudêncio, Público.]

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Quinta-feira, Julho 14, 2011

CORMAC McCARTHY



Hoje na Sábado escrevo sobre Nas Trevas Exteriores de Cormac McCarthy (n. 1933), um clássico absoluto; e ainda sobre O Executor de Lars Kepler. Por causa do filme dos irmãos Coen que toda a gente cita para impressionar a malta, Cormac McCarthy tornou-se o santo-e-senha das classes médias urbanas. Em 1968, quando foi publicado, Nas Trevas Exteriores não provocou a rejeição universal que o seu tema central (incesto entre irmãos) teria provocado hoje. Tradução irrepreensível de Paulo Faria, que há poucos meses fez sair uma nova e melhor tradução da obra-prima de McCarthy, Meridiano de Sangue. Sobre o autor, dizer o óbvio: faz a cartografia da violência americana como ninguém antes ou depois dele. Noutro registo, O Executor prossegue a saga do comissário de polícia Joona Lina (cf. O Hipnotista, editado também pela Porto Editora). Lars Kepler é o pseudónimo de um casal de escritores suecos: Alexander Ahndoril (n. 1967), dramaturgo e romancista, e Alexandra Coelho Ahndoril (n. 1966), uma rapariga do Sardoal especialista em Fernando Pessoa. Sim, é um policial. Nórdico.

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TROTSKISTA, DIZ ELA


Então ficamos assim.
A rapaziada do BE anda a comprar todos os exemplares do jornal.

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CITAÇÃO, 361


João Pinto e Castro, Notas do subterrâneo, ontem no Jornal de Negócios. Excertos, sublinhado meu. Convém ler o original na íntegra:

«Quando, em 2002, as notas de euro começaram a sair dos nossos ATM, eu não ignorava que a nova moeda era uma concretização deficiente de uma boa intenção. [...] a grande viragem veio no princípio de 2010, quando, convicta de que, para ela, o pior já passara, a Alemanha proclamou o princípio “cada um por si” e declarou que cada estado deveria tratar de reequilibrar rapidamente as suas contas públicas sem contar com a ajuda dos restantes. A solidariedade implícita entre os países da Zona Euro fora definitivamente revogada e os mercados entenderam o que isso significava. Os juros das dívidas soberanas dos países mais fragilizados começaram de imediato a divergir dos da alemã. [...] Querem toda a verdade? Cá vai ela, mas não se queixem se doer. É certo que os países sob ataque não podem permanecer no euro nem podem sair dele. Aí reside a esperança germânica de que a Zona Euro não se desmoronará. Mas não é preciso que eles saiam do euro, basta que o euro saia deles. Um dia, todos entenderão que um euro depositado em Portugal, em Espanha ou na Itália não vale o mesmo que um euro depositado na Alemanha ou na Holanda. As multinacionais que ainda não o fizeram, todas as grandes empresas e os cidadãos titulares de um património significativo carregarão num botão e, de um dia para o outro, secarão as tesourarias dos bancos locais. Nesse momento, vários países estarão na verdade fora da Zona Euro. [...] O processo de desintegração chegou agora à Itália e à Espanha. Na ausência de meios financeiros bastantes para socorrê-las, chegámos ao fim da linha. Ninguém pode pagar tudo o que deve: nem a Grécia, nem nós, nem ninguém. Resta o plano alternativo há muito congelado pelo receio de correntes de opinião chauvinistas. Com atraso considerável, Merkel reconhecerá por fim que, seja qual for o nome que queiramos dar-lhes, as euro-obrigações são as melhores amigas do euro e da Alemanha. Depois, quando se reformar, poderá intitular as suas memórias: Frau Strangelove or: How I Learned to Stop Worrying and Love the Eurobond.»

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Quarta-feira, Julho 13, 2011

E SE A VÍTIMA FOSSE UM RAPAZ PORTUGUÊS?


Rui Neto e Osvaldo Magalhães, agentes da PSP, foram ontem condenados a penas de prisão efectiva: o primeiro a 4 anos e 3 meses, o segundo a 4 anos. Ficou provado terem agredido um alemão de 23 anos (Adrian Grunert), em Lisboa, em Julho de 2008. Motivo: o rapaz, estudante de linguística no programa Erasmus, viajava pendurado num eléctrico sem pagar bilhete. Detido no Largo Conde Barão quando o veículo estava parado, foi levado para a esquadra das Mercês onde foi despido e esmurrado.

Marinho Pinto, bastonário da Ordem dos Advogados, considera a pena adequada: «Não é pesada em face da gravidade dos crimes imputados. [...] Há cenas de verdadeira tortura praticadas nas esquadras da PSP, postos da GNR e pela PJ.» Para que conste.

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TARANTELA


A tarantela está para durar. Este quadro, roubado ao Público, relativiza a nossa desgraça. A ver vamos como estaremos daqui a seis meses. Clique na imagem.

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PLANO INCLINADO


Nuno Crato andou anos a perorar contra o ministério da Educação. Propôs mesmo a sua implosão. Agora que chegou a ministro, já disse tudo e o seu contrário sobre 600 escolas que eram para fechar e ele não quer fechar mas talvez tenha mesmo de fechar. Logo se vê. A todas estas, a máquina não liga peva à doutrina do ministro. Ou muito me engano, ou vamos ter manifs a pedir o regresso de Maria de Lourdes Rodrigues.

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Terça-feira, Julho 12, 2011

CITAÇÃO, 360


Francisco Assis, candidato a líder do PS, em resposta aos delíquios de Tozé Seguro:

«Repugna-me a ideia de que é possível transformar a vida política num imenso magma de afectividade, porque isso é a redução e a destruição da política. A política não é a dimensão do afectivo, isso é outra dimensão das nossas vidas. A política é a dimensão da discussão das ideias, do debate, da contraposição, das convergências e divergências em torno de projectos, ideias e propostas

[Hoje, na SICN, às 22:10h, debate entre Assis e Seguro.]

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DANÇAR À BEIRA DO PRECIPÍCIO


O tiro de partida da Revolução Francesa foi dado no dia 16 de Agosto de 1788, em Paris. Nesse dia, o Crédito morreu. Menos de um ano depois era o 14 de Julho. Madame de La Tour du Pin fez a síntese do vórtice: «Rimos e bebemos até à beira do precipício.»

Em Roma, Berlusconi e Tremonti estão a um passo do abanão fatal. Em Washington, Obama tem de convencer os republicanos da necessidade de subir o tecto da dívida. Se não conseguir, os Estados Unidos entram em default no próximo 2 de Agosto.

O que faz correr Rompuy, que chegou há pouco a Madrid e estará em Lisboa a seguir ao almoço?

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Segunda-feira, Julho 11, 2011

DÍVIDAS ODIOSAS


A SICN exibiu ontem à noite um documentário de Aris Hatzistefanou e Katerina Kitidi sobre a crise grega: Debtocracy / Dividocracia. A seu respeito, disse o Guardian de Londres: «O melhor filme de análise económica marxista alguma vez feito.» Se dissermos que é um Inside Job grego não estaremos a ser irónicos.

Ponto a reter, o enfoque na dívida odiosa. A doutrina é de 1927: «Quando um regime déspota contrai uma dívida, não para as necessidades ou interesses dum estado, mas em vez disso para reforço pessoal, para suprimir a inssureição popular, etc, esta dívida é odiosa para o povo e todo o estado. Esta dívida não obriga a nação... [...] Os emprestadores cometeram um acto hostil contra o povo, e não podem esperar que a nação que se libertou de um regime déspota assuma tais dívidas odiosas, que são dívidas pessoais do antigo governante.» Autor: o russo Alexander Nahum Sack.

Casos em que o conceito foi utilizado com sucesso: dívida do México contraída pelo imperador Maximiliano; dívida de Cuba ao regime colonial de Espanha; dívida do Iraque contraída por Saddam Hussein; dívida do Equador ao FMI, declarada odiosa em Dezembro de 2008 pelo presidente Rafael Correa.

Na Grécia, sectores influentes da opinião pública querem fazer o mesmo. Está na hora de ler (e sugerir a tradução) do livro ao alto, cuja recensão pode ser lida aqui.

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Domingo, Julho 10, 2011

ROLAND PETIT 1924-2011


Vítima de leucemia fulminante, morreu este domingo em Genebra o bailarino e coreógrafo francês Roland Petit, fundador do Ballet dos Campos Elíseos (1945) e do Ballet Nacional de Marselha (1972), que dirigiu até 1998. A mais célebre das suas mais de cinquenta coreografias continua a ser Le Jeune Homme et la Mort (1946), com libreto de Cocteau e música de Bach. Tinha 87 anos.

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Sábado, Julho 09, 2011

SEM COMENTÁRIOS


Detalhe da capa do i. Clique na imagem.

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DÉJÀ VU


Desde 1961 que a irritação patrioteira não tomava conta do país. Em 1961, a cada nova resolução do Conselho de Segurança das Nações Unidas contra Portugal (e foram várias), Salazar mandava organizar uma manifestação espontânea. Realizaram-se várias. Uma das maiores deu-se em Dezembro desse ano, quando os exércitos de Nehru ocuparam Goa. O país dos brandos costumes pediu a cabeça de Vassalo e Silva assim que soube que o último governador do Estado Português da Índia ordenara a rendição. Salazar poupou-lhe a cabeça mas prendeu-o e expulsou-o das Forças Armadas.

Serve o preâmbulo para explicar os mecanismos de indignação colectiva.

A fronda contra as agências de rating segue o modelo. Cavaco esteve calado enquanto Sócrates mandava. De repente, o Chefe do Estado afirma sem pudor que  as agências de rating norte-americanas são uma ameaça à estabilidade da economia europeia. Percebe-se a irritação. A poucos dias das eleições, ainda o PSD dizia (com o beneplácito de Cavaco) que a mudança de governo alteraria por completo o diagnóstico dessas agências. Facto é que a Moody's ficou imperturbável com o pacote Gaspar, agindo em conformidade.

Se as pessoas tivessem visto este filme, percebiam o que está em jogo. Inside Job esteve dois meses nas salas e há poucas semanas até foi oferecido com uma edição do Expresso, semanário que em Novembro do ano passado patrocinou uma sessão privada para a qual foram convidadas todas as notabilidades que diariamente vêm à televisão pastorear a malta. Onde é que está a surpresa com a sentença da Moody's?

Com certeza que estas agências são perniciosas! Mas onde estavam há dois meses os indignados de hoje?

[Na imagem, Christine Lagarde, actual directora do FMI, entrevistada em Inside Job.]

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Sexta-feira, Julho 08, 2011

NEWS OF THE WORLD


Não sei se estão lembrados: no passado 21 de Janeiro, dia em que fez 43 anos, Andy Coulson, ideólogo e director de comunicação do governo conservador, braço-direito do primeiro-ministro David Cameron, demitiu-se por ter ficado provado ser ele o responsável pelas escutas ilegais feitas entre 2005 e 2007 pelo News of The World, escutas que, sabe-se agora, nem pouparam as vítimas dos atentados de 7 de Julho em Londres. (Antes de ser convidado para o governo de Sua Majestade, Coulson tinha sido director do tablóide.) Hoje, o cavalheiro foi preso. E o jornal fechado.

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CITAÇÃO, 359


Miguel Guilherme, 52 anos, actor, entrevistado hoje pelo i. Excerto, sublinhado meu:

«A cultura tem de deixar de ser tão mariquinhas. Eu não gosto de choramingões, e há trinta anos que vejo gajos a choramingar e a traírem-se uns aos outros, a andar de punho cerrado e por trás a lamber o cu ao ministro ou ao secretário de Estado. Por isso, sabes o que te digo, eu caguei. Podes mesmo escrever, eu caguei para isso, cago para a política cultural. [...] Há coisas que não deviam ser subsidiadas, pura e simplesmente, ponto. Estão a tirar o lugar a outros. Os critérios não existem: são do compadrio [...] Cá temos pouco dinheiro e pouca atenção. Historicamente, o PSD sempre teve muito pouca sensibilidade cultural, o que é curioso porque o Durão Barroso sempre gostou das artes performativas. Vi-o muitas vezes, tal como ao Paulo Portas, em espectáculos, mas nunca vi gente de esquerda.»

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Quinta-feira, Julho 07, 2011

VLADIMIR NABOKOV


Hoje na Sábado escrevo sobre o primeiro volume dos Contos Completos de Nabokov (1899-1977) e também sobre Domínio Público, novo romance de Paulo Castilho (n. 1944). Acerca de Nabokov, o óbvio: a Rússia deu à literatura americana o seu maior contista. Sim, é o cavalheiro que escreveu Lolita (1955). Num dos contos coligidos, Terror, veja como Nabokov passou a perna a Sartre. (Aqui que ninguém nos ouve: não era difícil.) Mestre da prosódia muito hábil nos cambiantes e harmónicas da narrativa, Nabokov é “o” estilista por excelência. O sétimo romance de Paulo Castilho é um thriller que mistura literatura, sexualidades itinerantes (gay incluída), gajas do BE (as melhores a seguir às do CDS), Sócrates (o nosso), ética, acompanhantes de luxo e agências de rating... Tudo entre o Douro e o Alentejo. Ah! Também há uma Dra. Maria que teve de fechar as janelas do Palácio de Belém para não ouvir os gritos de uma neurótica assumida...

Na área do ensaio tenho agora como parceiro Miguel Morgado.

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