Terça-feira, Maio 31, 2011

EUROSONDAGEM


Tracking Poll para a SIC, a RR e o Expresso.

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VORACIOUS



Abstraia-se da música, estranha à banda sonora do filme. Concentre-se em Eric Balfour e Lauren Lee Smith, o par de Lie with me (2005). Para gente adulta.

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CLIENTELISMO


Para combater o clientelismo do PSD.
Clique na imagem para ler melhor.

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Segunda-feira, Maio 30, 2011

EUROSONDAGEM


Tracking Poll para a SIC, a RR e o Expresso.

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SONDAGEM INTERCAMPUS


Tracking Poll para a TVI e o Público.
Às segundas-feiras há sempre boas notícias para o PSD.

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O ALTO-COMISSÁRIO


O que se dizia em voz baixa passou a ser dito em voz alta. O próximo governo, qualquer que ele seja, não vai ter tempo para pôr em prática as exigências da troika calendarizadas já para Julho. Entre outras: vender o BPN e acabar com as Golden shares do Estado. Mesmo na eventualidade do próximo governo tomar posse dez dias depois das eleições (o que seria tão extravagante como mandar o dr. Nobre numa missão a Marte), os prazos são impossíveis. Convém lembrar que o governo que sair das eleições tem de apresentar o seu programa no Parlamento.

Entretanto, um alto funcionário em Bruxelas terá dito à SICN (e aparentemente só à SICN, porque a imprensa europeia é omissa na matéria) que a Comissão veria com bons olhos a nomeação imediata de um alto-comissário para fazer a ponte entre o governo e a oposição, de modo a elaborar os diplomas legais que permitam o cumprimento dos prazos. Dito de outro modo: garantindo a fluidez da logística

Não sei se a SICN toma o desejo pela realidade mas, se o recado da Comissão for para ser tomado à letra, Guilherme d'Oliveira Martins seria a personalidade indicada para o cargo. Presidente do Tribunal de Contas, presidente do Conselho de Prevenção da Corrupção, presidente do Centro Nacional de Cultura, antigo ministro de vários governos (Presidência, Educação, Finanças) e professor universitário, Oliveira Martins tem o respeito de todos os quadrantes ideológicos.

Mas tudo isto pode ser apenas contra-informação.

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Domingo, Maio 29, 2011

IMPORTA-SE DE REPETIR?


Quando, em Novembro de 2008, Manuela Ferreira Leite, então líder do PSD, propôs suspender a democracia por seis meses, muitos tomaram a coisa por boutade. Não era. Ontem, Manuela Ferreira Leite propôs a neutralização de Sócrates: «Nem tranquila fico se ele ficar na oposição, porque acho que ele na oposição vai ser tão pernicioso para o país quanto na liderança do país. Vai fazer a maior das afrontas a tudo que vai ser feito para cumprir o acordo que ele próprio assinou e que diz que é a solução do país...» (cf. Público) Como desterrar o líder do PS para Santa Helena não faz grande sentido, é provável que Manuela Ferreira Leite esteja a pensar numa solução mais expedita. Nem digo qual, para não chocar as almas simples. Uma coisa é certa: isto não augura nada de bom.

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Sábado, Maio 28, 2011

CAIR NA REAL


O PSD e o CDS-PP andaram como baratas tontas à volta da troika. Catroga até chamou a si o mérito do acordo. Indiferente à feira das vaidades, a troika negociou o que havia a negociar com o Estado português, representado pelo governo. Convém lembrar que a troika se fez representar por três altos funcionários que chefiaram uma delegação de trinta técnicos. No dia 3 de Maio foi assinado o memorando. [Memorando: anotação para facilitar a lembrança de algo; mensagem escrita, breve e informal, usada como instrumento de comunicação administrativa... etc.] Passos Coelho e Paulo Portas assinaram cartas congratulatórias.

Parece que descobriram ontem que o memorando deu origem a um documento final, assinado por Teixeira dos Santos, ministro de Estado e das Finanças, Carlos Costa, governador do Banco de Portugal e pela Comissão Europeia. Esse documento foi aprovado em reunião do Ecofin (realizada a 17 Maio) por todos os ministros das Finanças da UE. A descoberta deixou-os preocupados: o documento que substitui o memorando antecipa de Setembro para o fim de Julho a aprovação de certas medidas. OK. Não estão preparados? É isso? Palettes de economistas e não têm tudo pronto para resgatar a honra perdida do país logo na madrugada de 6 de Junho? Tanto think tank para quê, afinal?

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LER PARA CRER


Todos os dias, bloggers e twitters da extrema-direita à extrema-esquerda insultam adversários políticos de forma soez. Não poupam ninguém: Presidente da República, presidente da Assembleia da República, primeiro-ministro, ministros, secretários de Estado, deputados, presidentes dos Tribunais superiores, magistrados, diplomatas, lideranças partidárias, chefes militares, hierarquia da Igreja, autoridades reguladoras, escritores, jornalistas, sindicalistas, polícias, banqueiros, dirigentes desportivos, etc.

Tudo é permitido em nome da liberdade de expressão. Fulano é cabrão, beltrana é lésbica, sicrano é panasca. A liberdade de expressão é sem limites! Lembram-se?  Assessores parlamentares fazem da bloga uma abjecção. Sobre Fernanda Câncio já foi dito (entre outras barbaridades) que devia ser afogada. E por aí fora. O Ministério Público não pestaneja.

Porém, o procurador-geral da República, Pinto Monteiro, não gostou de ler o artigo em que Miguel Pinheiro, director da revista Sábado, compara o discurso de vitória de Cavaco Silva aos discursos de Fátima Felgueiras e Isaltino Morais. Mandou portanto abrir um inquérito. O MP deu procedência e acusou o jornalista de crime de ofensa à honra do Presidente da República. O caso está agora a ser instruído no Tribunal de Instrução Criminal de Lisboa. Comentários para quê?

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Sexta-feira, Maio 27, 2011

SONDAGEM INTERCAMPUS


Depois do sobressalto do dia 23, o PSD dá um trambolhão de 3,8%.
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EUROSONDAGEM


O impasse. Tracking Poll para a SIC, a RR e o Expresso.

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NOVO REFERENDO, DIZ ELE


Pedro Passos Coelho conquistou a liderança do PSD impondo uma imagem de homem do seu tempo: manifestou-se a favor da interrupção voluntária da gravidez e do casamento entre pessoas do mesmo sexo; por outro lado, não se lhe conhecem posições contra a revisão da lei das uniões de facto, a nova lei do divórcio (que Manuela Ferreira Leite prometeu revogar) ou a reprodução medicamente assistida. Quanto se sabe e vê, não é racista. Dito de outro modo, apoiou sempre as questões que certa direita chama fracturantes.

Eis senão quando surge a defender novo referendo à IGV, i.e., à lei do aborto. Perante a avalanche de críticas, matizou a promessa com a necessidade de reavaliar a aplicação da Lei. Mas avaliar o quê? A consciência das pessoas é escrutinável? Esta inflexão coloca-o do lado dos que querem «empurrar as pessoas que são vítimas dessas circunstâncias para o aborto clandestino.» Até as famílias 24 de Abril das Avenidas Novas estão estupefactas!

Sabe-se que o PSD procura estancar a hemorragia de votos para o CDS-PP. O que não se sabia era que Passos Coelho adequa a cartilha às circunstâncias. Nada disto nos devia surpreender. O homem que foi desenterrar Catroga, Fernando Nobre e Dias Loureiro é com certeza capaz de tudo por uma cadeira em São Bento. É pena.

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SOPHIA DE MELLO BREYNER ANDRESEN



Hoje no Público:

A publicação recente da 2ª edição de Obra Poética de Sophia de Mello Breyner Andresen (1919-2004) merece alguns comentários.

Entre Novembro de 2003 e Outubro de 2004, a Editorial Caminho publicou, em catorze volumes, a edição definitiva desse vasto corpus poético. Tal empresa ficou a dever-se a Luis Manuel Gaspar, como sabe muita gente e Maria Andresen Sousa Tavares confirmou em carta publicada no Jornal de Letras de 17 de Setembro de 2003: «Por equívoco [...] é-me atribuída a coordenação, com Luis Manuel Gaspar, do levantamento, reunião e organização de inúmeros poemas e outros textos dispersos que foram sendo publicados durante décadas, por Sophia, em jornais, revistas, etc. [...] De facto, a Luis Gaspar deve-se todo o trabalho de busca de dispersos, inventariação de poemas abandonados de uma edição para outras, inventariação de variantes, assim como o respectivo acerto e aparato crítico. [...] O seu a seu dono.» Esse minucioso trabalho inclui verbetes biobliográficos, opções de ortografia e demais aspectos de natureza editorial.

À época, escrevendo sobre a edição conjunta dos catorze volumes, lamentei que não tivesse sido possível reunir em volume único toda a poesia de Sophia, a quem devemos a nitidez da dicção, paganismo visionário, ética radical, sentido trágico da existência, empenho nas causas sociais, convívio com as coisas e os seres.

Finalmente, em Outubro de 2010, surge o esperado volume único de Obra Poética, organizado por Carlos Mendes de Sousa, que mantém sem alterações significativas a fixação de texto estabelecida por Luis Manuel Gaspar. Neste volume são pela primeira vez divulgados 29 poemas dispersos (recolhidos por Gaspar), bem como um inédito de 1943 que o PÚBLICO publicou na sua edição de 23 de Julho de 2009.

Afirma Carlos Mendes de Sousa, na Nota de Edição (pp. 7-8), que as edições de 2003-04, «designadas definitivas, foram organizadas por Luis Manuel Gaspar.» Mas o cotejo dos catorze volumes permite verificar: Vols. 1-7, Edição de Luis Manuel Gaspar; Vols. 8-10 e 12, Edição de Maria Andresen Sousa Tavares e Luis Manuel Gaspar; Vols. 11, 13-14, idem, com a ressalva de que a fixação de texto (creditada a Gaspar nos volumes precedentes) passou a ser feita «segundo critérios acordados com» a filha da autora. Diz ainda Sousa que a presente edição «segue e actualiza os critérios de fixação de texto» (p. 7). Por ‘actualizar’ podemos considerar a opção tomada relativamente a determinadas idiossincrasias ortográficas de Sophia.

Exemplo óbvio será o do verbo dançar, que Sophia grafava com ‘s’: «Dansam as árvores puras sacudidas» (cf. Dia do Mar, 1947, e edição ‘definitiva’ de 2003). Em mais do que uma entrevista, Sophia reiterou esse seu modo de escrever: «A única palavra portuguesa cuja ortografia precisa de ser mudada é dança, que se deve escrever com ‘s’, como era antes, porque o ‘ç’ é uma letra sentada, uma letra pesada. Escrevo com ‘s’, mas há sempre o desastre de os tipógrafos ou as pessoas que me passam os textos à máquina acharem que é um erro e emendarem para ‘ç’...» (DN, 24-11-94.) Isso mesmo é verificável na exposição Uma Vida de Poeta, recentemente organizada por Teresa Amado e Paula Morão na Biblioteca Nacional. Sousa discorda: «Não tendo a autora determinado que tal singularidade passasse a ser regra na sua obra, seria abusivo considerar que Sophia pretendeu instaurar um preceito de uso ortográfico próprio.» (p. 8) Assim desapareceu essa marca textual.

Numa edição tão cara, compreende-se mal que a paginação seja pouco rigorosa no respeito da divisão estrófica dos versos. Dito de outro modo, salvo conhecedores profundos da obra de Sophia, a mudança de página não permite ver (a olho nu) onde termina uma estrofe e começa outra. Minudências? Decerto. Sucede que em poesia a noção de espaço é intrínseca à leitura. Nesse particular, a edição 2003-04 tem uma fiabilidade acrescida.

Nesta 2ª edição, dada à estampa já em 2011, saúde-se (entre outras) a correcção operada no poema Crepúsculo dos Deuses (p. 506; cf. Geografia, 1967), cuja estrofe final fora em Outubro de 2010 acoplada à anterior: «Ide dizer ao rei que o belo palácio jaz por terra quebrado / Phebo já não tem cabana nem loureiro profético nem fonte melodiosa / A água que fala calou-se».

Fica o mais importante: uma obra ímpar.


Ne Varietur, in Ípsilon, 27-05-2011, p. 40. Cinco estrelas.

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Quinta-feira, Maio 26, 2011

A VIDA COMO ELA É

CRISTINA CARVALHO


Hoje, na Sábado, escrevo sobre A Casa das Auroras, história gótica e oitavo romance de Cristina Carvalho (n. 1949), ed. Planeta; e A Viagem dos Cem Passos, primeiro e único romance de Richard C. Morais (n. 1960), ed. Dom Quixote. Cristina Carvalho, filha do poeta António Gedeão e da escritora Natália Nunes, chamou a atenção dos mais distraídos com O Gato de Uppsala (2009, Sextante). O americano Richard C. Morais nasceu em Lisboa, tendo passado mais de metade da sua vida na Europa: estudou na Suíça e foi editor-chefe (1986-2003) do bureau europeu da Forbes. O romance segue os passos de um chef de cozinha muçulmano (e expatriado) que triunfa no coração da França profunda, num registo que é um prodígio de ironia e sensibilidade.

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DE REGRESSO



Como prometido, resumo da minha participação na Festa do Livro do Funchal. Versão telegráfica, para não perturbar os beatos do costume. Dia 23. Ainda não é meio-dia quando ponho o pé em terra e fico ao colo de uma equipa que junta profissionalismo e generosidade em doses iguais. Sim, estou a falar do Paulo Ferreira, da Micaela Camacho, do Diogo Coelho, da Sara Peres e do Carlos Coelho. Almoço animado pela presença do Pedro Vieira. Tarde na Casa das Mudas, o magnífico centro de artes que Berardo instalou na Calheta. A Calheta fica a meia-hora do centro do Funchal, depois de Câmara de Lobos e da Ribeira Brava. Na Ponta do Sol há um delicioso hotel de charme, implantado no alto de um penhasco, com bar virado ao mar. (Omito detalhes para evitar que a pasteleira azede as bolas de Berlim.) Apetece dizer, com Natália: Ó, subalimentados do sonho... Jantar já sem o Pedro, que regressou ao contenente. Noite longa de ponchas. Dia 24. O campus da Penteada é como todos em Portugal: mais carros que alunos. Sala cheia, gente sentada no chão, duas horas de conversa solta. Diana Pimentel (ao alto), a professora que introduziu a sessão, está visivelmente satisfeita com o feedback. Eu também. Almoço na Venda da Donna Maria, já com a Patrícia Reis, que entretanto tinha chegado. Directo para a RTP Madeira antes de duas horas de piscina no hotel. Ao fim da tarde, na qualidade de Autor do Dia, conversa no Teatro Baltazar Dias. Público interessado mas diferente do da Universidade: no lugar dos estudantes, uma plateia de adultos onde, para espanto meu, estava o padre Martins, o polémico sacerdote suspenso a divinis. Resumo: sala cheia, livros todos vendidos, questões pertinentes colocadas pela assistência e até o inesperado come out de uma senhora. A avaliar pela reacção de Teresa Brazão, directora do departamento de Cultura, Turismo e Desporto da Câmara do Funchal, não podia ter corrido melhor. Jantar e cama, que o dia tinha sido longo. Dia 25. Não garanto que o Golden Gate seja a esquina do mundo, como é de uso dizer-se, mas a esplanada é uma espécie de Café de La Paix do Funchal. Depois do almoço, passeio ao Monte (não subi de teleférico nem desci de cesto). Na Quinta do Monte, sobranceira ao jardim Imperial, tirei a prova dos nove: o Blandy’s Malmsey 15 anos é superlativo. A partir dali, tudo a correr: checkout, os primeiros dez minutos da sessão da Patrícia, aeroporto. Era noite cerrada quando o avião descolou de Santa Catarina. Comigo foi assim. Com os que me antecederam, entre eles a Lídia Jorge, o Pedro Vieira e o José Mário Silva, idem. Com os que vão a seguir (a Patrícia Reis cruzou-se comigo), entre eles a Helena Marques, o Mário Zambujal, o José Luís Peixoto e o Valter Hugo Mãe, deve ser parecido. Em suma: muito bom. 

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Segunda-feira, Maio 23, 2011

FUNCHAL, AGAIN


Embarco hoje para o Funchal onde, amanhã, vou falar à Universidade (11:30h) e depois participar como Autor do Dia numa sessão (18:30h) a realizar no Teatro Baltazar Dias a convite da Festa do Livro.

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Domingo, Maio 22, 2011

RITO DE PASSAGEM


Sejamos claros: qualquer governo que saia das eleições de 5 de Junho dura só até à Páscoa de 2012. E vai com sorte (significa que conseguiu aprovar o próximo Orçamento). Se for o PS a liderar, com ou sem coligação, a direita tem um balão de oxigénio: muda a direcção do PSD, arruma as ideias e vai a votos coligada: PSD+CDS-PP. Se for o PSD a liderar, com maioria ou sem ela, Sócrates volta em ombros daqui a um ano. Nenhuma destas soluções resolve os nossos problemas. O desemprego atingirá patamares insustentáveis. Cavaco vai ficando cada vez pior no retrato. Bloggers oligofrénicos terão porventura de ser internados. Infelizmente, a realidade tem muita força.

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Sábado, Maio 21, 2011

VINTE MAMÍFEROS. MIL EMPRESAS


Quem fez a denúncia foi Francisco Louçã, e fez bem, mas os dados são públicos: de acordo com um relatório da CMVM, existem em Portugal 20 pessoas colocadas nas administrações de mil empresas diferentes. Cada uma dessas pessoas ocupa, em média, 50 cargos. A mais bem paga aufere 2,5 milhões de euros por ano. As outras um pouco menos. A mim não me incomoda nada o que os outros ganham. Mas num país onde há meio milhão de pensões de valor inferior a 200 euros, exige-se algum decoro. A falta dele está patente no descaramento com que alguns destes tycoons vão regularmente à televisão perorar sobre o estado da economia. Como dizia o outro, eles comem tudo. Ah! E nenhum deles é (ou foi) o Rui Pedro Soares.

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Sexta-feira, Maio 20, 2011

SONDAGEM INTERCAMPUS


Tudo na mesma. O único a subir é o CDS-PP.

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O ACELERADOR


Não sei se estão lembrados: o caso Portucale foi desencadeado pelo abate ilegal de três mil sobreiros na Herdade da Vargem Fresca, em Benavente, onde a empresa homónima pretendia construir um resort turístico. O abate foi possível graças a um despacho do governo Santana Lopes, assinado pelos ministros do Ambiente (Nobre Guedes), Agricultura (Costa Neves) e Turismo (Telmo Correia), poucos dias antes das legislativas de 2005. O caso chegou este ano a julgamento. Entre pessoal político, gestores e funcionários, os arguidos são onze: Abel Pinheiro, Carlos Calvário, José Manuel de Sousa, Luís Horta e Costa, António de Sousa Macedo, Manuel Rebelo, António Ferreira Gonçalves, Eunice Tinta, João Carvalho, Teresa Godinho e José António Valadas. São acusados de tráfico de influências e falsificação de documentos. Os ministros signatários do despacho (Guedes, Costa e Correia) não foram acusados de qualquer crime pelo Ministério Público.

Ontem, Miguel Relvas, antigo e actual secretário-geral do PSD, foi ouvido como testemunha do processo. Para espanto dos juízes, que se mostraram admirados com a intervenção do secretário-geral de um partido em questões governamentais (exemplo: alargamento da concessão de auto-estradas), Relvas declarou ter acelerado processos entre autarquias e o governo de Santana Lopes em nome do interesse público. Não é extraordinário?

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CITAÇÃO, 349


Vasco Pulido Valente, A miséria da política, hoje no Público. Excerto, sublinhado meu:

«[...] Os partidos desapareceram perante o papel privilegiado do seu “chefe” e do primeiro-ministro ou putativo primeiro-ministro. E é assim que Pedro Passos Coelho se atreve a declarar que não governará se, por engano ou perfídia, o povo português não lhe der a maioria  —  a ele, pessoalmente, o cantor e o economista, que nunca entrou numa simples Secretaria de Estado. E é assim que, perdida a ideia de que os deputados são representantes de Portugal inteiro, que (segundo consta) brotou na cabeça do dr. Cavaco a extraordinária convicção de que lhe cabe escolher como e quem irá, ou não irá, pastorear os nativos. Esta campanha de 2011 trouxe ao de cima toda a miséria do país: desde a miséria financeira, à miséria económica e à miséria da política. Talvez seja bom perceber de onde ela vem.»

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Quinta-feira, Maio 19, 2011

ADAM HASLETT


Hoje, na Sábado, escrevo sobre Union Atlantic, romance magnífico de Adam Haslett (n. 1970), ed. Cavalo de Ferro; e também sobre Fado, Samba e beijos com língua, de Hugo Gonçalves (n. 1976), ed. Clube do Autor. Haslett tem uma escrita que faz a síntese do pós-modernismo puro e duro de David Foster Wallace com o realismo histérico de Jonathan Franzen. Neste livro, sumaria o modo como a desregulação iniciada nos anos 1990 pôs fim á filosofia do New Deal, dando origem ao crash de 2008. Por seu turno, Hugo Gonçalves, herdeiro da geração Indy, é um autor a descobrir: o conto Pillow Lips pode ser o embrião de um futuro bom romance.

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ESCRITORES-HÓSPEDES


O brasileiro João Gilberto Noll, 65 anos, inaugura o ciclo de escritores-hóspedes da Casa Fernando Pessoa. Vai dormir uma noite no quarto (imagem) onde Pessoa viveu nos últimos quinze anos de vida. E, depois, passar a experiência a texto. Em 2012, um livro reunirá os testemunhos de todos os hóspedes.

Para quem não saiba, Noll é uma das grandes vozes da literatura brasileira. Autor de uma obra iniciada em 1980 com a colectânea de contos O Cego e a Dançarina, foi professor convidado de Berkeley (USA) e do King's College de Londres. A forma mais expedita de tomar contacto com o autor é mandar vir do Brasil o volume de 785 páginas que a Companhia das Letras editou, coligindo todos os contos e romances publicados até 1997. Verdade que, depois dessa data, Noll publicou mais nove títulos, o mais recente dos quais Anjo das Ondas (2010). Venceu cinco vezes o Jabuti: em 1981, 1994, 1997, 2004 e 2005.

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Quarta-feira, Maio 18, 2011

CITAÇÃO, 348


Bernard-Henri Lévy, Défense de Dominique Strauss-Kahn, excertos:

«Je ne sais pas ce qui s’est réellement passé, avant-hier, samedi, dans la chambre du désormais fameux hôtel Sofitel de New-York. [...] Ce que je sais c’est que rien, aucun soupçon, car je rappelle que l’on ne parle, à l’heure où j’écris ces lignes, que de soupçons, ne permet que le monde entier soit invité à se repaître, ce matin, du spectacle de sa silhouette menottée, brouillée par 30 heures de garde à vue, encore fière. [...] Et ce que je sais, encore, c’est que le Strauss-Kahn que je connais, le Strauss-Kahn dont je suis l’ami depuis vingt cinq ans et dont je resterai l’ami, ne ressemble pas au monstre, à la bête insatiable et maléfique, à l’homme des cavernes, que l’on nous décrit désormais un peu partout: séducteur, sûrement; charmeur, ami des femmes et, d’abord, de la sienne, naturellement; mais ce personnage brutal et violent, cet animal sauvage, ce primate, bien évidemment non, c’est absurde. [...] Son arrestation survient à quelques heures de la rencontre où il allait plaider, face à une chancelière allemande plus orthodoxe, la cause d’un pays, la Grèce, qu’il croyait pouvoir remettre en ordre sans, pour autant, le mettre à genoux. Sa défaite serait aussi celle de cette grande cause. Ce serait un désastre pour toute cette part de l’Europe et du monde que le FMI, sous sa houlette, et pour la première fois dans son histoire, n’entendait pas sacrifier aux intérêts supérieurs de la Finance. Et, là, pour le coup, ce serait un signe terrible

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CONSELHEIRO DE PASSOS COELHO


Não é uma anedota de mau gosto: Manuel Dias Loureiro, o senhor BPN, está a aconselhar Pedro Passos Coelho. Já se sabia que Miguel Relvas tinha ido a Miami encontrar-se com o antigo ministro e Conselheiro de Estado, mas uma coisa é um encontro discreto em South Beach (no bar do Ritz-Carlton, por exemplo), outra bem diferente ser recebido na sede da São Caetano. Sabia-se que ele andava por aí, mas tão perto é uma novidade absoluta. Comentários para quê?

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Terça-feira, Maio 17, 2011

TIRO PELA CULATRA


Passos Coelho: Sou o mais africano dos candidatos.

Timóteo Macedo, presidente da Associação Solidariedade Imigrante, ao jornal i: «Mas é africano porquê? Porque a mulher é africana? Porque tem uma filha africana? Casei com África... Isso é uma hipocrisia, um paternalismo. Foi um mau princípio de conversa que Passos teve com a imigração. Esta atitude tem sido a da sociedade portuguesa em relação às comunidades mais excluídas, uma atitude de feridas mal saradas do colonialismo que não tratam os cidadãos como iguais a si, porque se tratassem não tinham de dizer que a mulher nasceu em tal sítio.»

Celeste Correia, deputada do PS e presidente da assembleia-geral da Associação Caboverdiana, ao jornal i: «É vergonhoso que um político que pretende ser primeiro-ministro use a cor da mulher e os antecedentes da família para tentar captar votos na comunidade portuguesa de origem africana e dizer que por causa disso tem uma sensibilidade diferente

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MOMENTO TABLÓIDE


O que terá levado um homem sofisticado e poderoso como Dominique Strauss-Kahn a preferir o Sofitel de Times Square aos três ou quatro hotéis do Upper East Side onde os Grandes têm lugar cativo? Algum pack extra?

O gerente do Sofitel de Times Square é português e amigo de Fátima Campos Ferreira. A empregada do hotel que acusa DSK é uma muçulmana negra natural da Guiné-Conacri.

Vi escrito em blogues portugueses (onde mais podia ser?) que pagar 24 mil euros por um fato é sintoma de cleptocracia. Deviam transmitir a indignação ao embaixador americano em Lisboa. DSK e Obama têm o mesmo alfaiate.

Anne Sinclair, mulher de DSK e uma das jornalistas mais bem pagas de França, herdou uma fortuna considerável. É a senhora que vemos ao alto.

Não é estranho que, poucos minutos após a detenção de DSK, o facto tenha sido relatado no twitter com detalhes? É que a polícia de NY só revelou a operação duas horas mais tarde... Para conversa de porteira consultar os sites franceses Atlantico e 24 Heures.

Diário de Notícias: DSK e Renato Seabra juntos em Rikers Island.

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CITAÇÃO, 347


Luís Januário, Um troféu na crise, excerto:

«A imagem exibida pela polícia americana do presidente do FMI merecia uma atenção demorada. [...] Este homem, que umas horas antes era tudo, está agora desprovido de toda a dignidade (aos justicialistas que acharem a frase excessiva aconselho que se façam algemar). Foi-lhe retirada a gravata e os atacadores. Ele, que convenceu tanta gente com a palavra, não pode recusar as câmaras assestadas sobre a face. Olhem a face de DSK: é a face de Saddam, o diabo iraquiano, no cadafalso de Bagdad. O lisboeta informado, humilhado pela troika há oito dias, pode agora exultar. [...] O presumível crime de DSK é pouco referido. Mas como é evidente, o homem não foi preso por administrar o FMI. O puritanismo hipócrita exulta e, desta feita, a imprensa europeia está toda sentada no chá americano.»

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Segunda-feira, Maio 16, 2011

SONDAGEM INTERCAMPUS


Mantém-se o taco a taco. Desta vez é o PSD que lidera por 0,7%.

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SARKOZY SEM OPOSITOR


DSK vai aguardar preso o julgamento ou um possível acordo.

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CULPADO? INOCENTE?


Um crime é um crime. Ponto. Não é agravado pelo facto de ser cometido numa suite do George V (ao pé do qual o Sofitel de Times Square, onde DSK esteve hospedado, faz triste figura). Isto para dizer que a crítica dos media ao estilo de vida milionário de DSK releva do atavismo puritano mais larvar. Socialista, judeu e bon vivant, DSK gosta de Porsches e mulheres bonitas, tem um apartamento na Place des Vosges, uma casa num bairro elegante de Washington e veste fatos por medida que custam 24 mil euros. E daí? Queriam que se vestisse na rua dos Fanqueiros? Nisto tudo, uma coisa importa. Saber se Strauss-Kahn, o senhor FMI, abusou ou não abusou da criada de quarto. Daqui a algumas horas um juiz decidirá. Se forem provados indícios de culpa (o tribunal terá a última palavra), o FMI perde um grande director, a zona euro perde um dos seus e a França perde o candidato com maiores possibilidades de derrotar Sarkozy em 2012. Mas ninguém é insubstituível. O chinês que se segue vai com certeza dar dores de cabeça a muita gente.

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PROFS: MAIS DO MESMO


Santana Castilho publicou um livro em que verbera, forte e feio, o programa do PSD para a Educação. Isto não seria notícia não se desse o caso de Pedro Passos Coelho ser o autor do prefácio desse livro. Mais: o líder do PSD foi ao lançamento, ouvindo da boca do testa-de-ferro da Fenprof o que Mafoma não disse do toucinho: Aquilo que está no programa é a continuidade do modelo que os professores rejeitaram. Passos diz em privado o que o programa desmente. Ouça o vídeo. Não admira que Vasco Pulido Valente, ainda ontem, tenha caracterizado Passos como um estudante gaffeur em quem o país não pode confiar. Isto de ser africano, alemão e alentejano conforme se está na Buraca, na Auto-Europa ou em Canal Caveira... provoca crise identitária.

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Domingo, Maio 15, 2011

PSD BY GEORGE ROMERO


Faltava Fernando Nogueira para o PSD atingir o patamar zombie. Depois de Catroga e Nobre, só nos faltava que o PSD fosse desenterrar à sinecura angolana do Millennium-BCP mais um antigo ministro de Cavaco. A aparição deu-se perto de Sintra onde, em vez de apoiar as virtudes do PSD, Nogueira vituperou Paulo Portas: «Era preciso haver um cataclismo para o líder do CDS-PP aspirar ser primeiro-ministro.»

Este homem, que Cavaco destratou publicamente em 1995, não aprendeu nada. A esquerda agradece. Ninguém acreditou ser possível reeditar a temporada 2004 do circo Santana. Mas está a ser.

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BLESSURES MINEURES


Ontem, pouco antes de ir para a cama, fui surpreendido com o alegado abuso de Strauss-Kahn. Hoje começam a conhecer-se os detalhes sórdidos. Afinal, a imprensa marron é igual em toda a parte. Segundo o New York Post, um tablóide de Times Square, «The French political [...] was arrested for allegedly sodomizing a Manhattan hotel maid yesterday...» E com isso, Ângela Merkel, com quem Strauss-Kahn tinha hoje um encontro, ficou com o domingo livre.

Isto aconteceu ao homem que se preparava para concorrer com Sarkozy ao Eliseu, o socialista Dominique Strauss-Kahn, professor de Economia no Institut d'Études Politiques de Paris, na École Nationale d'Administration e em Stanford; director-geral do FMI desde Novembro de 2007; várias vezes deputado entre 1986 e 2007; autarca no Val-d'Oise (1995-97); ministro da Indústria e Comércio Exterior (1991-93) e da Economia e Finanças (1997-99); três vezes Secretário Nacional do PS francês: em 1986-89, 2002-03 e 2005-07. Os advogados, William Taylor e Benjamin Brafman, declaram Strauss-Kahn não culpado.

Digo preparava-se porque, depois do incidente de ontem à tarde, mesmo tratando-se de um francês, a pretensão levou um forte abanão. A rapariga que o acusa recolheu ao Roosevelt Hospital, traumatizada com a profusão de pentelhos: «Strauss-Kahn was in the bathroom, and emerged naked, chased her down a hallway and pulled her into a bedroom, where he jumps her...» Assim vai o mundo.

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STRAUSS-KAHN PRESO


O francês Dominique Strauss-Kahn, 62 anos, director-geral do Fundo Monetário Internacional, foi preso no aeroporto JFK dez minutos antes de embarcar para Paris. Motivo: uma empregada de hotel queixou-se de abuso sexual. A detenção verificou-se às 16:45h de sábado, hora de Nova Iorque (21:45h em Lisboa). Siga os detalhes no NYT. Lembrar que o senhor FMI seria o grande opositor de Sarkozy nas presidenciais francesas de 2012. Para já, o blogue de Anne Sinclair, mulher de Strauss-Kahn, não comenta.

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Sábado, Maio 14, 2011

CITAÇÃO, 346


Francisco José Viegas entrevistado hoje pelo i. Resposta à pergunta sobre poder vir a ser ministro da Cultura de um futuro governo liderado pelo PSD:

«Nem sequer vai haver Ministério da Cultura. Não penso nisso. Acho absurdo também que se discuta a estrutura do governo que vai nascer das eleições. Se há coisa que não me preocupa é ter poder. Prefiro ter o poder de ser autor e editor, são também formas de exercer o poder

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Sexta-feira, Maio 13, 2011

SONDAGEM INTERCAMPUS


Os números são eloquentes: desde a sondagem Intercampus de 12 de Abril, o PS subiu 3,7%. Ao invés, o PSD caiu 4,8%. E o CDS-PP subiu 4%. PCP e BE continuam a cair. Nada disto é surpreendente. A escolha de Fernando Nobre, os pintelhos de Catroga, a razia de notáveis, a aparente naïveté de Passos Coelho, a esquizofrenia da quinzena do resgate, as contradições programáticas, etc., não são de molde a tranquilizar ninguém. Passos prometeu um partido Novo, mas o mais que conseguiu foi meter no mesmo saco ministros de Cavaco, secretários de Estado de Guterres, mandatários do BE e outro pessoal menor. Clique na imagem para ver com detalhe este novo estudo da Intercampus para o Público e a TVI.

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Quinta-feira, Maio 12, 2011

PRÉMIO CAMÕES


Manuel António Pina, 67 anos, poeta, é o novo Prémio Camões. Antes dele, os portugueses laureados foram Miguel Torga, Vergílio Ferreira, José Saramago, Eduardo Lourenço, Sophia de Mello Breyner Andresen, Eugénio de Andrade, Maria Velho da Costa, Agustina Bessa Luís e, em 2007, António Lobo Antunes. Nove brasileiros, dois angolanos, um caboverdiano e um moçambicano também receberam o prémio. Manuel António Pina é o mais novo dos laureados.

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IGNÁCIO DE LOYOLA BRANDÃO


Hoje, na Sábado, escrevo sobre Não Verás País Nenhum, do brasileiro Ignácio de Loyola Brandão (n. 1936), ed. Ulisseia; e Correntes do Índico, de Joaquim de Oliveira Ribeiro (n. 1956), ed. Guerra & Paz. Publicado em 1981, traduzido em vários países mas só agora editado em Portugal, Não Verás País Nenhum antecipa o apocalipse ambiental: sobreaquecimento provocado pela destruição da camada de ozono, escassez de água e outros recursos naturais, Amazónia transformada em deserto, necessidade de reciclar a urina (isso ou a sede), Nordeste devastado, pandemias virais, caos urbano, violência, corrupção, seca, desemprego, fome... Notável. O de Oliveira Ribeiro é uma espécie de Lourenço Marques revisited...

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Quarta-feira, Maio 11, 2011

A GAFFE


O que não falta são economistas a escrever em blogues. Dois ou três até são (ou dizem sê-lo) catedráticos. E alguns são (ou foram) assessores económicos do PSD. Isto para dizer que know how é coisa que não devia faltar. Mas nenhuma destas luminárias se comoveu com a gaffe de Pedro Passos Coelho, que foi a uma conferência perorar sobre as taxas marginais do IVA, dislate que repetiu no debate com Jerónimo de Sousa. Apesar dos pivôs de economês, as televisões passaram o dia a ampliar o nonsense, sem se darem ao trabalho de explicar que taxas marginais só existem no IRS. Enfim, estamos a falar do homem que quer ser primeiro-ministro de Portugal.

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O INCONTINENTE


Entrevistado hoje pelo Público, Catroga compara Sócrates a Hitler: «O Hitler tinha o povo atrás de si até à derrocada, até à fase final da guerra. Faz parte das características dos demagogos conseguirem arrastar multidões.» Com isto, este indivíduo, que nunca foi eleito para coisa nenhuma, insulta milhões de portugueses. A senilidade não desculpa tudo. O putativo candidato a ministro das Finanças de um governo do PSD vai acabar por ser o coveiro do partido de Passos Coelho. Por este andar, o PSD nem uma derrota honrosa consegue.

[Imagem: detalhe da capa do Público, com foto de Enric Vives-Rubio.]

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Terça-feira, Maio 10, 2011

É ISTO O PSD?


Repito o que disse há dois meses: a gerontocracia do cavaquismo reloaded capturou o PSD. Catroga, que em Novembro próximo completa 70 anos, é candidato a ministro das Finanças de um futuro governo do PSD. Verdade que, para tanto, é preciso que o PSD ganhe as eleições com maioria absoluta. Se as ganhar com maioria relativa terá de negociar com um parceiro. E Catroga está longe de ser consensual. Não é um problema de idade, é uma questão de credibilidade. Vai uma aposta em como o CDS-PP veta o nome? Mais uma vez, Belém põe em risco o resultado eleitoral do PSD. Em 2009, o Belémgate liquidou Manuela Ferreira Leite. Neste momento, a cada nova aparição de Catroga, milhares de potenciais eleitores do PSD arrepiam caminho. Foi penoso assistir ontem ao Prós & Contras: Catroga perdeu o decoro, exaltou-se, meteu os pés pelas mãos, engasgou-se, levou um raspanete de António Pires de Lima, foi desmentido por Silva Pereira (em matéria de privatização da CGD) e por economistas presentes na sala (em matéria de impostos), ouviu Carlos Coelho dizer que não tinha percecebido patavina da charla... e António Esteves Martins sublinhar o eco indecoroso do debate. Pior não era possível. Como é que uma direcção que apostou na mudança se deixa enredar na teia deste populismo serôdio? Sabemos hoje que o famoso episódio do Blackberry é uma marca de carácter.

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Segunda-feira, Maio 09, 2011

SONDAGEM INTERCAMPUS


Na noite da passada sexta-feira, a edição online do Público divulgou a primeira de uma série de oito sondagens a realizar pela Intercampus até ao próximo dia 30. A segunda, de que se reproduz ao alto o gráfico, foi há pouco posta em linha. Mantém-se a tendência de subida do PS e do CDS-PP; e de descida do PSD e do BE. O cenário continua pastoso. A próxima é na sexta-feira, dia 13.

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O POVO UNIDO JAMAIS SERÁ VENCIDO


Não me incomoda que os jornais estejam alinhados ideologicamente. Isso acontece com quase todos os títulos de referência da imprensa internacional. Mas nenhum desses jornais confunde orientação ideológica com notícias. A orientação manifesta-se no Editorial, cujo, por essa razão, não deve ser assinado. O que se passa em Portugal é diferente: quatro dos cinco matutinos (a excepção é o i...) tornaram-se, com maior ou menor grau de sofisticação, extensões do Povo Livre. Hoje, a primeira página do Diário de Notícias chega a ser embaraçosa. Com uma tal barragem de apoios, a qual inclui colunistas que (no Público) comparam Sócrates a Hitler, o PSD está obrigado a obter nunca menos de 50% dos votos expressos. A ver vamos o resultado.

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Domingo, Maio 08, 2011

É ISTO?


A quatro semanas das eleições o PSD apresenta hoje ao fim da tarde o seu programa eleitoral. Prioridades: 1. Reduzir o número de deputados de 230 para 181. Como se fosse coisa que pudesse ser feita por decreto do governo... (É necessário o acordo de quatro quintos dos deputados em efectividade de funções.) 2. Um futuro governo do PSD terá 10 ministros e 25 secretários de Estado. 3. O projecto do TGV vai ser reanalisado, significando que, o mais tardar no fim do ano, a ligação Lisboa-Madrid volta a ser prioritária. 4. Redução da taxa social única. 5. Extinção dos governos civis. 6. Pacto fiscal inter-partidos. 7. Desacelerar os ingressos na Função Pública, de modo a permitir apenas um ingresso por cada cinco saídas. (A quota actual é um para três.) Mas as seis ou sete luminárias que falam em nome do PSD dizem que a Função Pública está sobredimensionada! O PSD não assinou o memorando da troika? Se estão lembrados, a troika exige o despedimento (até 2013) de 23 mil funcionários. Em que ficamos?

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Sábado, Maio 07, 2011

PREFIRA NACIONAL


Disse ontem o Presidente da República: «[...] muitos Portugueses terão de alterar os seus padrões de consumo, adiando despesas, evitando gastos supérfluos e desnecessários, preferindo produtos nacionais, reduzindo o endividamento.» Mas no supermercado de uma cadeia de distribuição dominante, uma daquelas que gostava de mudar de governo, não consigo encontrar alhos portugueses. Só espanhóis. Clique na imagem para ler a etiqueta. Entretanto, em casa, conferindo o talão de caixa, vejo que as natas, o leite condensado e o Altenburger Ziegenkäse (queijo alemão) são taxados a 6% de IVA; e o vinho a 13%. Juro que não estive na marcha da maconha.

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CITAÇÃO, 345


José Pacheco Pereira, Um dia estranho, hoje no Público. Brevíssimos excertos, sublinhado meu:

«Este é um dia estranho. Mais estranho ainda porque a sua estranheza passa despercebida a muita gente. [...] Ninguém acha mal, estranho, bizarro, que burocratas, funcionários, sem qualquer legitimidade democrática, apareçam a dizer o que devemos fazer e a comentar com displicência o que fizemos ou não fizemos. Os patrões deles nem sequer se dignaram aparecer. Tinha sido melhor. A senhora Merkel sempre foi eleita pelos alemães [...] Como tudo hoje se mede pela eficácia eleitoral, os ouvidos portugueses que ouviram a troika [...] mediram cada palavra pela bitola eleitoral: esta afirmação serve a oposição e o PSD, esta serve o Governo e o PS. Na arregimentação extrema que se passa hoje nas hostes nacionais, a conferência de imprensa fica legitimada pelos ganhos eleitorais que se pode tirar das palavras dos funcionários e ninguém sequer se sentiu minimamente insultado e humilhado por ver três burocratas a falarem com notório desprezo sobre o país. O pior da racionalização para esta indiferença, e até para o gosto perverso na humilhação, é que “é bem feito”, como se o “é bem feito” fosse apenas para Sócrates, Teixeira dos Santos e os seus partidários. Não é, é para todos os portugueses. [...] Depois olha-se para os jornais e as sondagens funcionam como um indicador de inevitabilidade, mostrando o mesmo absurdo que é quanto mais se precisa de mudar, não há forças para a mudança, o conservadorismo da indiferença impera. Está tudo tão mal que mais vale manter-se tudo como está. Onde não há esperança, não há mudança

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VEJA


O que os Finlandeses precisam de saber acerca de Portugal.

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Sexta-feira, Maio 06, 2011

BRASIL DÁ UM PASSO EM FRENTE


No Brasil, por enquanto, não é possível o casamento entre pessoas do mesmo sexo. Mas, ontem, numa decisão histórica tomada por unanimidade o Supremo Tribunal Federal reconheceu que, a partir de agora, os casais homossexuais que vivem em união de facto têm os mesmos direitos que os casais heterossexuais. Adopção incluída. Fertilização in vitro incluída. Mais: direito sucessório, pensão de alimentos, seguros de saúde, benefícios fiscais, etc. Algumas destas disposições já vigoravam no Rio Grande do Sul (desde 2004) e no Rio de Janeiro (desde 2007). Agora é uma lei nacional.

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CITAÇÃO, 344


Manuel Carvalho, Um contrato com muitas letras pequenas, hoje no Público. Excertos, sublinhado meu:


«Custa a entender o ar displicente com que alguns líderes políticos comentaram o acordo entre a troika e o Governo. [...] O plano que se cumprirá até 2013 é hipócrita. Não apresenta nenhuma medida bombástica capaz de arrebatar críticas generalizadas, mas impõe uma série de acções discretas que, em conjunto, talvez sejam piores do que os cenários criados nas últimas semanas pela ansiedade, o mau jornalismo e a propaganda. Globalmente, é mais severo do que tudo o que já foi apresentado. [...] Bem sabemos que não há alternativa realista a este brutal aperto, nem forma de contestar a imposição externa das bases de um programa de governo ao arrepio da democracia [...] Não haverá cortes de salários, mas acabaram as devoluções do IRS que faziam parte importante do planeamento financeiro das famílias; não há suspensão do 13.º mês, mas quem teve a má ideia de comprar casa vai deixar de poder deduzir encargos no IRS, vai pagar mais IMI e, como se o acordo não bastasse, vai pagar mais juros. As pessoas pagarão também mais nos transportes, na luz, nos hospitais e quem tiver uma reforma confortável terá de fazer contas. [...] Podia ser pior, podia ser como na Grécia, sem dúvida. Mas o que a troika nos deixa após estas semanas é uma batalha dura e longa. Não temos alternativa aos seus impactes e podemos aceitar que há que sofrer agora para rir no futuro. [...]»

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SONDAGEM UNIVERSIDADE CATÓLICA


Os resultados da mais recente sondagem do CESOP da Universidade Católica para o Diário de Notícias, RTP, Antena 1 e Jornal de Notícias, explicam muita coisa.

Então é assim: PS 36%. PSD 34%. CDS-PP 10%. CDU 9%. BE 5%. Face ao estudo anterior do CESOP, o PSD cai cinco pontos e o CDS-PP sobre três. A soma da direita fica aquém da maioria absoluta. O PS lidera, como seria de esperar (os erros do PSD são clamorosos), mas com estes resultados ninguém vai a lado nenhum.

O gráfico ao alto vem hoje na capa do Diário de Notícias. Clique para ver melhor.

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Quinta-feira, Maio 05, 2011

DONE!


Hoje de manhã, o Conselho de Ministros aprovou o pacote de resgate: Portugal recebe 78 mil milhões de euros a uma taxa de 3,25%. A seguir, o ministro das Finanças deu uma conferência de imprensa. No momento em que escrevo, a troika faz o mesmo. As boas notícias eram conhecidas:

Subsídios de férias e de Natal intocados. Redução apenas para as remunerações de valor igual ou superior a 1550 euros. Salário mínimo garantido. Pensões inferiores a 1550 euros sem cortes. Pensões mínimas actualizadas. Idade legal da reforma inalterada.

As más podem resumir-se assim:

Vencimentos da Função Pública e salários do sector empresarial do Estado congelados até 2013. Necessidade de despedir (até Dezembro de 2013) 1% dos funcionários da administração central e 2% da administração local e regional. Por junto, cerca de 23 mil pessoas. Redução de cargos de chefia na Função Pública. Subsídios de maternidade e desemprego sujeitos a imposto. Redução das comparticipações da ADSE. Duração do subsídio de desemprego desce de 36 para 18 meses. Valor máximo do subsídio de desemprego desce de 1200 para 1040 euros. Liberalização das rendas antigas. Aumento dos transportes, gás e electricidade. Equiparação da carga fiscal dos pensionistas aos trabalhadores do activo. Fim da dedução dos juros das hipotecas em sede de IRS. Redução do tecto com as despesas de educação e saúde em sede de IRS. Agravamento dos impostos sobre a habitação, automóveis, álcool e tabaco. Taxas de justiça mais caras. Redução dos apoios e subsídios ao ensino privado. Redução das transferências do OE para as autaquias. Subida do IVA na Madeira e nos Açores (mantendo-se, mesmo assim, inferior ao do continente). Redução drástica de concelhos e freguesias. Grandes obras públicas congeladas: TGV, aeroporto de Lisboa, etc. Parcerias público-privadas em stand by. Obrigação de vender o BPN até Julho próximo. Privatização da ANA, TAP, GALP, REFER, CP, CTT, REN, etc. Venda da quota de 19% que o Estado ainda detém na EDP. Fim da Golden Share na PT.

O BPN tem de ser vendido nos próximos 90 dias. Duas privatizações têm de estar feitas até ao fim do ano. Mas a generalidade das medidas entra em vigor no dia 1 de Janeiro de 2012.

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