Sábado, Abril 30, 2011

MESMO AQUI AO LADO


Portugal tem 11 milhões de habitantes e 600 mil desempregados (11,1% da população activa). Um número insustentável, estamos todos de acordo. Mas, quem ouvir a oposição, julgará que somos um fenómeno na realidade europeia. Sucede que a Espanha acaba de actualizar os números do desemprego. Ora a Espanha tem 46 milhões de habitantes e 4,9 milhões de desempregados. Precisamente 21,2% da sua população activa. Tudo indica (eles o dizem) que ultrapassará ainda este ano a barreira dos cinco milhões de desempregados. São números terríveis. Não desculpam a situação portuguesa. Mas não vale a pena tapar o sol com a peneira da tranquibérnia anti-governo.

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Sexta-feira, Abril 29, 2011

INCONSTITUCIONAL


A bandalheira não passou no Tribunal Constitucional. O Acórdão n.º 214/2011, de 29 de Abril, é claro: são inconstuitucionais todas as normas do Decreto n.º 84/XI, da Assembleia da República, aprovado pelo PSD, CDS-PP, PCP, BE e PEV. O PSD quer ser governo, mas não quer chatices. Sobretudo, não quer chatices com a Fenprof. Para as evitar, tudo fará. Começou por dar um pontapé na avaliação de professores. O tiro saiu-lhe pela culatra.

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HOJE ACORDEI ASSIM




Beckham com a OBE na lapela errada.
Nick Clegg e senhora. Elton John e senhor.

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LEONARDO PADURA


Hoje no Público:

Este livro são três homens: Leon Trótski, Ramón Mercader e Leonardo Padura. Trótski (1879-1940), o poderoso comissário da Guerra que Estaline expulsou do Partido em Outubro de 1927. Mercader (1914-1978), o catalão que assassinou Trótski a soldo da polícia secreta soviética. Padura (n. 1955), o cubano que escreveu este épico de recorte contemporâneo.

Padura é conhecido em todo o mundo como criador do detective Mário Conde, protagonista de novelas policiais de grande sucesso. Em Portugal estão traduzidas todas: a tetralogia Cuatro estaciones (1991-1998) e duas posteriores. Mas é também o autor de uma extraordinária biografia do poeta José María Heredia, Romance da Minha Vida (2005). Agora, com O Homem que Gostava de Cães, título que foi buscar a um conto de Chandler, refaz a história de um dos crimes mais hediondos do século XX. Nada menos que uma viagem ao fundo da perversão da grande utopia comunista. Nem sequer é o primeiro a interessar-se pelas circunstâncias da morte do fundador do Exército Vermelho e, em particular, pela enigmática figura do seu assassino. Um bom precedente é A Segunda Morte de Ramón Mercader, que o espanhol Jorge Semprún publicou (em francês) em 1969. Pela mão de Losey, o cinema também pegou no tema.

Sem perder de vista a realidade, Padura manipula a ficção de modo a unir as pontas soltas da narrativa histórica, oficial ou oficiosa, do assassinato. Para tanto, intercala o tempo discursivo: prisão, desterro, fuga e exílio do dissidente bolchevique (Cazaquistão, Turquia, França, Noruega e México); o plano da NKVD, a poderosa polícia de Estaline, para o eliminar; bem como o work in progress do manuscrito de Iván Cárdenas Maturell (o narrador), síntese das confidências que Jaime López (o homem que gostava de cães) lhe fez durante catorze anos. Resultado: uma «história revulsiva de ódio, engano e morte», tendo como balizas Alma-Ata e Coyoacán.

É esse livro-a-haver (o manuscrito de Iván dado a conhecer por Daniel, «mais de quinhentas folhas dactilografadas, repletas de riscos e de acrescentos...») que permite estabelecer o fio da intriga. Ao mesmo tempo que dá espessura à personalidade de Mercader, faz luz sobre a biografia do próprio Padura: «Lembro-me de que saí daquele gabinete com uma mistura imprecisa e pastosa de sentimentos (confusão, desassossego e muito medo) mas, sobretudo [...] o que aconteceu na realidade foi que me lixaram para o resto da minha vida, porque, além de agradecido e cheio de medo, saí dali profundamente convencido de que o meu conto nunca devia ter sido escrito, que é o pior que podem levar um escritor a pensar.»

Contrariamente a Trótski, objecto de centenas de estudos, a vida do seu assassino continua marcada por zonas de sombra. Para aceder a uma parte da verdade, O Homem que Gostava de Cães exigiu muitos anos de «reflexão, leitura, investigação, discussão e, sobretudo, de assombro e horror». Marxistas ortodoxos e anticastristas credenciados uniram-se na geral condenação desta saga de amor, loucura e morte. Não é difícil perceber o incómodo. O livro é um permanente jogo de espelhos entre a URSS dos anos 1920-30 e a falência do modelo cubano, ilustrada de forma eloquente pelo fracasso da Apanha da Cana de 1970. A quota autobiográfica irrita sobremaneira os detractores de Padura.

E Trótski com isto? O rival de Estaline, o renegado dos catecismos, não viveu em Cuba, mas no México, onde desembarcou em Janeiro de 1937, mesmo sabendo que «o perigo que a sua vida correria nesse país seria tão grande como o de dormir nu na costa do fiorde gelado de Hurum.» Ali fez amizade com Diego Rivera, amou Frida Kahlo e criou os fundamentos da IV Internacional. Quem de facto viveu em Cuba foi Mercader. Após 20 anos de prisão na Cidade do México, foi a Moscovo (1961) receber a medalha de Herói da União Soviética, radicando-se no ano seguinte em Havana.

Terá sido para evitar querela historiográfica que Padura meteu a biografia de Trótski (e, por extensão, a de Mercader; ou, se preferirmos, de Jacques Mornard, a identidade que assumia perante conhecidos e autoridades) num romance sobre a revolução cubana? Facto é que o extenso inventário de peripécias biográficas em torno de Trótski e Mercader obnubila a ficção: «López falava da perturbação que o polémico pacto Molotov-Ribbentrop tinha provocado no seu amigo Ramón e na mãe, Caridad del Río.» O mesmo se diga do perfil da mãe do assassino: drogas, prostituição, militância política, etc. Na estrutura narrativa, Caridad é a pista dos avanços e recuos dos antifranquistas (e, em consequência, de como Estaline, mais preocupado com o colapso da Checoslováquia, deixou cair a República espanhola).

Sob a crosta da História, numa hábil «acumulação de lembranças e de culpas», Padura escreve o guião de uma vingança pessoal. Rindo do veredicto da Comissão Dewey, que considerou fraudulentos os processos de Moscovo (assim absolvendo Trótski), Estaline, que não tinha pressa, esperou pelo dia em que Mercader fizesse o que o mandaram fazer. Em Coyoacán, no dia 21 de Agosto de 1940, a picareta do filho de Caridad abriu o crânio de Trótski em dois.


A história do renegado, in Ípsilon, 29-4-2011, pp. 48-49. Quatro estrelas.

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Quinta-feira, Abril 28, 2011

CITAÇÃO, 342


Diogo Leite Campos, vice-presidente do PSD:
Cinco mil e oitocentos euros por mês, em qualquer país europeu, é classe média baixa.
Duvida? Veja o vídeo.

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QUAL PSD?


O país vai para eleições antecipadas porque o PSD provocou a queda do governo. Não é nenhum drama. Acontece numa altura particularmente difícil, mas tudo tem remédio. O PSD não mudou de direcção há dois dias. Pedro Passos Coelho lidera o partido desde 26 de Março de 2010. Porém, treze meses não foram suficientes para o maior partido da oposição explicar ao país a alternativa que representa.

O homem que dizia estar pronto a governar com o FMI, anda hoje a fugir da troika com o rabo entre as pernas. O homem que prometeu uma Constituição nova, deu o dito por não dito assim que se apercebeu da estupefacção geral. O homem que chumbou o PEC IV por considerar extremamente gravosas as medidas nele inscritas, publicou no NYT um artigo em que acusa o mesmo PEC IV de documento tíbio. [Não vai tão longe como devia.] O homem que se fez eleger em nome de um compromisso de mudança, foi buscar para mentor, negociador do Orçamento de Estado e eventual futuro ministro das Finanças, um antigo ministro de Cavaco. O homem que diz ser preciso dizer a verdade, tem dito tudo e o seu contrário a cada lapso de 24 horas. O homem que mandou derrubar o governo para evitar que a oposição interna o derrubasse a ele, não conseguiu apresentar ao país, a cinco semanas das eleições, o seu programa de governo. O homem que quer ser primeiro-ministro de Portugal anda perdido no meio de recados que chegam dos senhores feudais [Ou tens eleições no país ou no partido... Escolhe!, terá dito Marco António, o de Gaia] e do próprio Presidente da República, obrigado a explicar o óbvio no Facebook.

A todas estas, ninguém sabe o que quer o PSD. Preto no branco. Afinal, foi o PSD que provocou eleições. Não pode agora assobiar para o lado. Ontem, na SICN, António Carrapatoso teve o mérito da clareza. Mas, até ver, Carrapatoso não é o líder do PSD. Ainda só é o teórico do movimento Mais Sociedade. Quem a 5 de Junho quiser votar no PSD, vota exactamente no quê e em quem?

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Quarta-feira, Abril 27, 2011

VITORINO MAGALHÃES GODINHO 1918-2011


A poucas semanas de completar 93 anos, morreu ontem o historiador e sociólogo Vitorino Magalhães Godinho, a quem se devem estudos definitivos sobre os descobrimentos portugueses e a introdução das ciências sociais no ensino superior nacional. Membro destacado dos Annales, Magalhães Godinho deixa uma obra muito extensa, iniciada em 1940. Catedrático jubilado da Universidade Nova de Lisboa, antigo ministro da Educação e director da Biblioteca Nacional, só em 1983 a sua tese de doutoramento, defendida na École Pratique des Hautes Études (Paris) em 1966, Os Descobrimentos e a Economia Mundial, foi publicada em Portugal. A Estrutura da Antiga Sociedade Portuguesa (1971) e Les sciences humaines et la mutation du monde: réflexions inactuelles (1998) são duas das dezenas de obras que fazem dele um autor de referência.

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CRESPO OU CPC?



As jornalistas Ana Taborda e Myriam Gaspar entrevistaram Almerindo Marques para a revista Sábado. Alguém como Almerindo Marques, que foi banqueiro antes e depois do 25 de Abril (Banco da Agricultura, BES, BNU, CGD, Fonsecas & Burnay, Barclays); secretário de Estado da Administração Escolar (1976-78); membro fundador da rede Multibanco, da qual foi presidente até 1986; deputado, presidente da RTP (2002-07) e presidente das Estradas de Portugal desde 2007, tem muito para contar.

O que não é comum é o tom frontal do entrevistado.

Sobre um oficial de campo de Kaúlza. «Havia um senhor que tinha um programa que abusivamente registou na SPA como da sua autoria (era uma adaptação de França) e registou-se a ele como apresentador exclusivo. Recebia royalties do programa, mas quem pagava os custos era a RTP. Chamei-o e disse-lhe que tinha poucos dias para sair pela porta grande, com os mesmos direitos que os outros. O segredo ficava entre nós os dois. Chamou-me filho da puta. Tinha sido oficial de campo de Kaúlza de Arriaga.»

Sobre José Rodrigues dos Santos. «Se não tivesse vindo para a EP, ele tinha ido para a rua, a confirmar-se o que estava no processo disciplinar. As pessoas têm medo dele. Fiz-lhe um processo disciplinar e ele percebeu imediatamente que o ia despedir. Por isso, movimentou montes e vales, incluindo a embaixada dos EUA, que fez tudo para ele não sair. Sabem dizer-me porque é que é sempre ele que aparece nas guerras no estrangeiro? O primeiro ministro pediu-me para decidir em 48 horas. E o José Rodrigues dos Santos, bem avisado, quando começou a contagem decrescente para o processo disciplinar, meteu férias, atrasando a decisão (conseguiu autorização de um administrador). Teria saneado de forma muito relevante a RTP se o tivesse posto na rua.»

Este post foi corrigido. Conferir aqui.

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Terça-feira, Abril 26, 2011

O BANDO DOS QUATRO


O retrato ao alto faz hoje a capa do Diário de Notícias. Vemos o Presidente em exercício e os seus antecessores no momento em que ocupavam o palanque de Belém. Depois do inqualificável discurso da noite da eleição, e do statement de facção proferido no Parlamento no dia da inauguração, Cavaco viu-se obrigado, no transe actual, a apoiar-se nas muletas de Soares, Eanes e Sampaio. Para seu e nosso mal, Cavaco tornou-se, a partir de 9 de Março, Presidente de metade dos portugueses (a outra metade perdeu-lhe o respeito). Ciente de que a situação aguentava até ao fim do ano, transformou a anunciada “magistratura activa” numa Fronda ao governo. Não bastando o apoio explícito ao maior partido da oposição, permitiu-se o patrocínio à manif de 12 de Março.

Sabemos agora que o tiro lhe saiu pela culatra. A cacicagem do PSD obrigou Passos Coelho a provocar a queda do governo, [«Ou tens eleições no país ou no partido... Escolhe!», terá dito Marco António, o de Gaia] acto consumado a 23 de Março com o chumbo do PEC IV. Cavaco não previu a precipitação, nem a reacção imediata de Sócrates, e ficou com o bebé nas mãos.

Para desgraça sua e nossa, o guião acelerou. O país exigiu eleições; o governo foi forçado a pedir ajuda externa (a partir do momento em que a opinião pública tomou conhecimento do colapso iminente de dois grandes bancos e, em consequência, da eventual ruptura de pagamentos); a sombra do default paira sobre as nossas cabeças. Cavaco percebeu, da pior maneira possível, que tinha feito na tomada de posse o único statement que não podia fazer. Se, no CCB, a 23 de Janeiro, irritado com uma abstenção superior a 53% (e menos meio milhão de votos que em 2006), deu mostras de fraco carácter, o sentido de Estado exigia dele, a 9 de Março, a grandeza de que não foi capaz. E assim se chegou ao garden-party de Belém.

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Segunda-feira, Abril 25, 2011

37 ANOS


Faz hoje 37 anos que um golpe militar pôs fim ao Estado Novo. Em 25 de Abril de 1974 os portugueses tiveram direito ao dia inicial inteiro e limpo. A maioria dos saudosistas da ditadura bolça inanidades a partir da mais completa ignorância. Nesse dia, começou a chegar ao fim uma guerra que em treze anos mobilizou meio milhão de portugueses. Foi extinta a polícia política. A imprensa deixou de submeter-se ao exame prévio da Censura. No dia 27, contra a opinião da Junta de Salvação Nacional, uma força de fuzileiros e paraquedistas (sob o comando de Abrantes Serra e Mário Pinto) começou a libertar os presos políticos. Só da prisão de Caxias saíram oitenta, entre eles Saldanha Sanches, Nuno Teotónio Pereira e José Tengarrinha; mas não Palma Inácio, considerado preso de delito comum... Não vale a pena tentar tapar o sol com a peneira. Vivemos noutro país. Quem não percebe, devia meter explicador. Sempre é melhor do que ir parar à cadeia, como teria acontecido nesses “bons velhos tempos”.

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Sábado, Abril 23, 2011

CITAÇÃO, 341


José Pacheco Pereira, O cão e o Corão, hoje no Público. Breves excertos, sublinhados meus:


«[...] Por cá, também um qualquer cão toca todos os dias no Corão, dando origem a uma selva de insultos, juras, fúrias, processos de intenção a propósito de… muito pouco ou nada. Nos blogues, na maioria dos blogues políticos, este é o estilo do dia: longas polémicas com fortes palavras sobre qualquer coisa que seja parecida com o focinho do cão a tocar num livro sagrado, prefigurando quase sempre o partido ou o lado em que está arregimentado o taliban de serviço. [...]

O saber é sempre desvalorizado para que não se possam fazer comparações, e os julgamentos de carácter e os processos de intenção são o pão nosso do dia-a-dia. Um bom observador percebe que esses julgamentos de carácter são mais ilustrativos dos seus autores do que dos seus destinatários. São excelentes retratos dos próprios, feitos ao espelho nocturno da impaciência dos injustos. Não é preciso ser especialmente perspicaz, para perceber que, como nos partidos, já há gente a fazer pela vida nos blogues, com cálculo, “prestando serviços” e esperando a devida recompensa. E meia dúzia de gigantones de verbo insultuoso, pensamento curto e ânimo futebolístico lá transitam pela via da mediocridade reinante. [...]

Na verdade, eles não trazem experiência, nem mais-valia, trazem a voz grossa e grosseira do gritador de claque que se exercita nos bancos de um estádio a chamar coisa obscenas ao outro clube, com as palmadas grosseiras de aprovação do resto da claque. O alimento desta turba, especialmente excitada em período eleitoral, são as múltiplas variantes do cão que toca no Corão. [...]

Um dos casos mais evidentes foi o radicalismo inconsciente de “correr o Sócrates o mais depressa possível”, a que no PSD se deu ouvidos e cujo resultado ameaça ser ou mantê-lo, contra todas as evidências, ou dar-lhe o melhor cenário possível para um retorno ao poder a curto prazo. E o melhor cenário possível, não custa perceber, é um PSD ganhador por uma pequena margem sobre um PS que sai do seu annus horribilis sem grandes estragos. Sócrates escapará ao pior da crise, a execução do plano de austeridade do FMI passará a responsabilidade do PSD, e este estará na primeira bancada da Assembleia a conduzir uma oposição revanchista e perigosa face a um PSD muito debilitado por uma vitória que será de Pirro. [...]»

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Sexta-feira, Abril 22, 2011

FALSA QUESTÃO


Sem ironia: não percebo o milando com a ausência de Teixeira dos Santos nas listas do PS. Teixeira dos Santos não é um profissional da política. É professor da Faculdade de Economia do Porto, onde dá aulas desde 1973. Foi professor do Instituto Superior de Estudos Financeiros e Fiscais, onde deu aulas entre 1993-95. No tempo de Guterres, foi secretário de Estado do Tesouro e Finanças (1995-99). A seguir, durante cinco anos (2000-05), foi presidente do Conselho Directivo da Comissão do Mercado de Valores Mobiliários. Foi aliás à CMVM que Sócrates o fui buscar para fazer dele ministro de Estado e das Finanças, cargo que ocupa sem interrupção desde 21 de Julho de 2005. Uma única vez foi incluído nas listas de deputados: em 2009. Continuando ministro, nunca exerceu o cargo. Por que carga de água seria agora metido nas listas? Para as abandonar a seguir à posse, como faz um terço dos eleitos? Isso sim, prejudica a confiança na democracia. Acenar com candidatos que não estão dispostos a cumprir mandato.

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O PASSEIO DA AVENIDA


Em Julho do ano passado, escrevi aqui: José Sá Fernandes, vereador do Espaço Público e Espaços Verdes da Câmara de Lisboa [...] quer transformar a Avenida da Liberdade numa tasca a céu aberto. [...] Ou muito me engano, ou a CML prepara-se para substituir a tralha de Abecasis por tralha igual.

Dito e feito. Cinco novos quiosques abrem no início de Maio na Avenida da Liberdade. Explorados pela empresa Banana Café, que ganhou a concessão por dez anos, vão servir caipirinhas, saladas, refeições leves (ao preço médio de seis euros), pizzas & bruschettas, cachorros quentes, batidos de fruta, gelados, bolo de chocolate, etc. A partir de Novembro abre o sexto, especializado em crepes. Das 9 da manhã às 11 da noite; às quintas, sextas e sábados, até às duas da manhã.

Como se vê pela imagem, o equipamento pouco difere da Era Abecasis. O resto a seu tempo se verá. Um mau começo: o Trimar, mesmo em frente ao elevador da Glória, não foi substituído. Fica como testemunha do desleixo terceiro-mundista.


[A foto é de Ricardo Silva, para o Público.]

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Quinta-feira, Abril 21, 2011

EUROSONDAGEM


Expresso, SIC e Rádio Renascença.

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A CARTA DE ANTÓNIO CAPUCHO


Carta de António Capucho, conselheiro de Estado:


«Tenho a obrigação moral e política de transmitir o seguinte [...] Fui ontem perguntado telefonicamente pelo Presidente do PSD sobre a minha disponibilidade para encabeçar uma lista à Assembleia da República e ser proposto para uma Vice-Presidência deste órgão de soberania. Acrescentou que seria ele a encabeçar a candidatura ao Conselho de Estado, eventualmente Pinto Balsemão seria o segundo e depois se veria a possibilidade de me acrescentar à lista. [...] Quanto à Assembleia, recusei liminarmente apresentar-me às eleições se não tivesse subjacente a candidatura à respectiva Presidência [...] não poderia aceitar ser Vice-Presidente de Fernando Nobre por uma questão de coerência. Se o Partido deseja a minha candidatura ao Parlamento não pode ignorar [...] que fui Vice-Presidente do Parlamento Europeu, Ministro dos Assuntos Parlamentares e Líder Parlamentar, para além de todos os outros cargos que o meu curriculum atesta. Fui cabeça de lista em Setúbal e em Faro, ganhei eleições para o Parlamento Europeu contra o PS com João Cravinho, e obtive por três vezes mais de 50% dos votos nas eleições para a Câmara de Cascais.

Consequentemente, não aceito a minha secundarização face a alguém que não tem
curriculum político [...] Mas, mais grave e chocante é o inexplicável compromisso de candidatar Fernando Nobre à Presidência da Assembleia (candidatura cujo desfecho está longe de ser garantido, mesmo com uma maioria parlamentar do PSD). Estamos a falar da segunda figura do Estado, que pode ser chamado em qualquer momento a substituir o Presidente da República, caso em que teríamos um político sem preparação e anti-europeísta no cargo cimeiro do Estado. Estamos a falar de um cargo que, para além das funções meramente protocolares, exige uma experiência parlamentar sólida (não é por acaso que sempre foram eleitos para o efeito personalidades com larga e consistente experiência política e parlamentar). Por outro lado, proporcionar a Fernando Nobre um mandato na Presidência da Assembleia, significa catapultá-lo para a candidatura seguinte à Presidência da República. Se ele decidir avançar, o PSD estará então em condições de lhe negar o apoio?

Provavelmente não, depois de o ter apoiado para segunda figura do Estado... E mesmo que o PSD decida apoiar outro candidato, com perfil mais adequado para suceder a Cavaco Silva, é evidente que terá pela frente em Fernando Nobre um adversário forte, por nós promovido. Em suma, o PSD, preterindo militantes prestigiados e com perfil muito mais adequado para a Presidência da Assembleia, acolhe nas suas listas em lugar de destaque e com perspectivas de promoção a segunda figura do Estado, uma personalidade independente sem perfil adequado, muito polémica, sem consistência nem coerência política e de duvidosa atractividade eleitoral, tudo com o pretexto de alargar as listas a independentes e dar voz a um prestigiado representante da sociedade civil. Não posso pactuar com esta opção nem deixar-me subalternizar depois de tudo o que fiz nos passados 37 anos ao serviço do meu País e do PSD. Prefiro ficar de fora.
[...]»

Leia na íntegra aqui.

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SONDAGEM MARKTEST


Resultados da sondagem Marktest hoje divulgada, realizada entre os dias 11 e 13 de Abril para o Diário Económico e a TSF: PS 36,1%. PSD 35,3%. CDU 8,1%. CDS-PP 7,5%. BE 6,0%.

Sublinhar que o PS sobe 11,6% e o PSD desce 11,4%. Depois do convite a Nobre, da cacofonia de certos candidatos e do comportamento esquizofrénico do partido face ao resgate da dívida, admira que o tombo do PSD não tenha sido maior.

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Quarta-feira, Abril 20, 2011

HUMANOS & ARTIFICIAIS


Filósofo entre engenheiros, Porfírio Silva (n. 1961) publicou mais um livro: Das Sociedades Humanas às Sociedades Artificiais, trabalho que incide numa «constelação de teorias e práticas científicas que inclui, por exemplo, a Inteligência Artificial e a Nova Robótica.» Mestre em Filosofia e doutor em Epistemologia e Filosofia das Ciências, investigador do Instituto de Sistemas e Robótica do IST, Porfírio Silva tem um percurso académico que fala por si: de Louvain a Lisboa, passando por Madrid, a exigência tem sido timbre de alguém que, como diria Inman Harvey, «faz filosofia com uma chave de fendas». Se, entre outras coisas, quer perceber o que é o determinismo metafísico e as ciências do artificial, nada como ler o livro.

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Terça-feira, Abril 19, 2011

QUEM RECEBE, QUEM É?


O Sol corrigiu a tese, mas a nódoa ficou. Clique.

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CITAÇÃO, 340


Diogo Leite Campos, vice-presidente do PSD, quer acabar com os benefícios sociais e fiscais, defendendo a criação de um cartão social de débito. Explica porquê:

«O Estado dá benefícios fiscais para a saúde, educação e transportes e não sabe se o benefício fiscal está a ser bem utilizado. [...] Há muita gente que recebe subsídio para a renda ou abono de família e depois gasta o dinheiro noutras coisas

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O OVO DA SERPENTE


O partido Fidesz que governa a Hungria e controla dois terços do Parlamento quer que as mães de filhos menores tenham direito a dois votos. József Szájer, deputado, explica: «Vinte por cento da sociedade húngara é constituída por crianças. É um grupo considerável que fica de fora de tudo. O interesse das gerações futuras não é tido em conta na tomada de decisões.» O argumento radica na evolução do conceito de sufrágio. (As primeiras mulheres a votar, as neo-zelandesas, só o puderam fazer a partir de 1893, etc.) Entretanto, até 30 de Junho, a Hungria assegura a presidência do Conselho da Europa.

Regressam os fantasmas de 1939 e a Europa assobia para o lado. Como fez aqui e também aqui.

Lembrar que o Fidesz fez aprovar ontem uma nova Constituição, que entrará em vigor em Janeiro de 2012, a qual permite ao partido tutelar as instituições à revelia do governo em funções; limita o poder do Supremo Tribunal e estabelece limites severos à liberdade de imprensa. A rua protestou, a oposição votou contra, mas o texto passou.


[Na imagem, Viktor Orbán, duas vezes primeiro ministro da Hungria: entre 1998-2002, e de novo desde Maio de 2010.]

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CITAÇÃO, 339


Notícias do Albergue: «[...] está a nascer uma nova classe política [...] impondo-se pela seriedade, independência e superioridade moral

A imagem foi roubada à primeira página do Público.

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Segunda-feira, Abril 18, 2011

OPÇÕES


Inacreditável. O Plano Inclinado não conseguiu candidatar ninguém! Agora que o PSD tinha oportunidade de abrir ao centro-esquerda (convidando, por exemplo, Daniel Bessa, Luís Campos e Cunha, Medina Carreira, Nuno Crato, Tereza Pizarro Beleza, Vítor Bento, etc.), preferiu abrir à ala direita da Nova Democracia. Enfim, são opções.

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O PRINCÍPIO DA IMPLOSÃO


Obtendo 39 lugares no Parlamento, a extrema-direita finlandesa pode ser considerada a vencedora das eleições. Ver aqui o quadro geral. Em 2007, o partido liderado por Timo Soini, que vemos ao alto, conseguiu 4% dos votos, elegendo cinco deputados; ontem conseguiu 19% e trinta e nove deputados. Foi o terceiro partido mais votado. Em primeiro lugar ficaram os conservadores (com 20,4% e 44 deputados) e, em segundo, os social-democratas (com 19,1% e 42 deputados). Os centristas ficaram em quarto lugar (com 15,9% e 35 deputados), o que representa uma derrota da primeira-ministra Mari Kiviniemi. A abstenção foi de 30%.*

Acerca do eventual apoio ao resgaste da dívida portuguesa, decisão que terá de passar pelo Parlamento finlandês, o radical de extrema-direita Tuua Kuusinem, eleito deputado, afirmou: «Somos um país de 5,5 milhões de pessoas que não se pode dar ao luxo de dar dinheiro a outros países.» No meio da tragédia do desmoronar da Europa, o bailout português é irrelevante.

* Alguns jornais situaram a abstenção em 68% por terem confundido a votação antecipada (31,7%) com o total.

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Domingo, Abril 17, 2011

TUDO ISTO É FADO?


Depois do raspanete do comissário Olli Rehn, que repetiu em inglês o famoso Por qué no te callas?, Cavaco entrou em estado de negação. Otelo anda há dias a dizer enormidades. O patrão do Pingo Doce é a nova coqueluche das televisões. Marinho Pinto incita à abstenção. O PSD tenta uma revisão informal da Constituição prometendo a um trafulha a eleição para um cargo cuja eleição não depende da sua vontade. Fazendo tábua rasa dos eleitores, o referido trafulha deixa claro que não está em causa ser um mero deputado: aceitou o convite com o «exclusivo e inequívoco propósito» de ser presidente do Parlamento. Por este andar, o vídeo supra deixa de ser uma relíquia histórica. Vejam. E meditem.

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Sábado, Abril 16, 2011

OU TACHO OU RACHA


O homem quer tacho. Se não desistir a tempo, acaba humilhado sob pateada geral. Clique para ler a legenda do Expresso. Foto de António Pedro Ferreira.

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Sexta-feira, Abril 15, 2011

CADA MACACO NO SEU GALHO


Marques Mendes indignava-se há pouco com o facto de ser Pedro Silva Pereira, ministro da Presidência (e não Teixeira dos Santos) a mediar as negociações entre o governo e a troika. Cada cavadela cada minhoca, disse. Sucede que o ministro das Finanças perdeu a paciência para aturar interlocutores que dizem dele o que Mafoma não disse do toucinho. E passou a bola. Mais frio, Silva Pereira controla melhor eventuais danos colaterais. Por outro lado, a reunião da Primavera do FMI, em Washington, levou à capital americana os estados-maiores da finança internacional. É lá que estão Teixeira dos Santos e Carlos Costa, governador do Banco de Portugal. Tendo acesso directo a Dominique Strauss-Kahn (ao alto), não faria sentido que perdessem tempo com o pessoal menor da troika. Para isso temos os Moedas.

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OUTRO PSD


Em termos de representação parlamentar, o PSD que sair das próximas eleições será outro PSD. Basta conferir os nomes dos 22 cabeças-de-lista do partido. Daqui mando um abraço ao Francisco José Viegas, que vai bater-se por Bragança.

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FILÓSOFOS EXPLICAM A LITERATURA


O Laboratório de Estudos Literários Avançados (ELAB) da Faculdade de Ciências Sociais e Humanas da Universidade Nova de Lisboa promove, entre 28 de Abril e 16 de Junho, um Curso Livre de Estudos Avançados de Literatura. A lição de abertura será proferida por Américo Lindeza Diogo, da Universidade do Minho. Nas sete semanas seguintes, Platão, Derrida, Wittgenstein (a 19 e 26 de Maio), Cavell, Davidson e Aristóteles serão o objecto das lições de José Pedro Serra, Silvina Rodrigues Lopes, Nuno Venturinha, António Marques, António Feijó, Miguel Tamen e Humberto Brito. Filósofos explicam a literatura é o tema destas aulas da Primavera. As inscrições estão abertas. O ELAB foi fundado e é dirigido por Abel Barros Baptista.

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Quinta-feira, Abril 14, 2011

JUROS A 17,5% NA OPERAÇÃO CITIGROUP


Em 2003, era Durão Barroso primeiro-ministro e Manuela Ferreira Leite ministra das Finanças, Portugal ia ser multado, pela Comissão Europeia, por défice excessivo. O que fez Manuela? Cedeu, ao Citigroup, um pacote de dívidas fiscais e à Segurança Social no valor de 11,44 mil milhões de euros. Com a operação, o Estado recebeu em troca 1,7 mil milhões de euros. A engenharia financeira reduziu o défice, é verdade, mas minou a Previdência. Segundo dados do Eurostat, a cobrança das dívidas ficou em 80%. De acordo com uma auditoria do Tribunal de Contas, o Estado português pagou até Fevereiro de 2010 um total de 2,1 mil milhões de euros (resgate, juros e despesas de operação). À época, perguntada no Parlamento sobre o montante de juros, a ministra das Finanças respondeu: «Não sei se tenho de pagar juros ou não. Não paguei nada.» Sabemos agora. Afinal, o que são 17,5% de juros? Passos Coelho sabia disto, ou também não?

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A MAGISTRATURA DO TÉDIO


Não gosto de regimes presidenciais. Defendo há muito tempo que o Presidente da República devia ser eleito por colégio eleitoral (exemplos: Alemanha, Itália, etc.) formado no Parlamento. Mas uma coisa é o que defendo e outra as exigências da Constituição. O sufrágio universal não serve para nada se o Presidente da República fizer de Belém a sua Balmoral privada. O espectáculo a céu aberto das birras do PSD é simplesmente intolerável. A troika europeia deve julgar que apanhou o avião errado. Cavaco pode e deve dar um murro na mesa. Se o PSD persistir na tarantela dos últimos dias, o Presidente da República tem a obrigação de explicar ao país, o mais tardar antes do fim-de-semana, as consequências da bancarrota. No ponto a que chegamos, o PSD não tem alternativa senão aceitar as condições do resgate. Fazendo-o contrariado, deve apresentar-se a eleições dizendo isso mesmo. Depois, se as ganhar, tenta reformular o pacote. Mas isso será quando formar governo, com a legitimidade dos votos e o apoio do país. Até lá não serve de nada distribuir folhas A4 para televisão ver.

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Quarta-feira, Abril 13, 2011

NOTÍCIAS DO BLOQUEIO, 2


A exemplo do que tentou sem sucesso, no ano passado, com relação à Grécia, o grupo alemão Europlis entregou no Tribunal Constitucional da Alemanha um pedido de providência cautelar contra a ajuda financeira a Portugal. Apesar de, como mostra o quadro ao alto, tendo em vista o PIB nacional e a população respectiva, Portugal receber uma percentagem inferior à da Grécia e da Irlanda. Os irlandeses mais que duplicam. Clique na imagem para ver melhor.

Depois de Manuela Ferreira Leite, António Capucho e Marques Mendes, também Luís Filipe Menezes recusou, sob o eufemismo de novas funções, integrar as listas do PSD. Esta necessidade de demarcação pública face à actual direcção do PSD tem um significado.

O porta-voz de Fernando Nobre declarou que caso o presidente da AMI não consiga ser eleito presidente do Parlamento, renuncia ao mandato de deputado. Conferir aqui.

Sócrates começou hoje a receber os partidos com representação parlamentar com vista a obter um consenso alargado em torno do resgate da dívida. No momento em que escrevo foram já recebidos o PSD, o CDS-PP e o BE. A delegação social-democrata foi chefiada por Passos Coelho, que se fez acompanhar de Eduardo Catroga. A reunião durou 50 minutos, tendo o líder do PSD afirmado: «Não vale a pena partirmos para estas negociações com uma espécie de imagem de gato escondido com rabo de fora. Não precisamos de ter esqueletos no armário nos próximos três anos.» Acho bem. Segundo declarações do ministro das Finanças, «só temos dinheiro até Maio.» Fica por esclarecer o alcance das palavras de Teixeira dos Santos: até Maio significa até aos salários de Maio inclusivé, ou já não?

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O SEU A SEU DONO


Vai um grande alarido em dois ou três blogues de direita a propósito de uma fotografia que publiquei sábado passado mostrando Passos Coelho com a mulher e a filha. Uma bonita fotografia, diga-se em abono da verdade. Ilustra a citação seguinte: «a falta de prudência de Passos Coelho que pensa que aquilo com que anda a lidar se concentra em sair bem nas manchetes dos jornais ou nas sondagens...» (Pacheco Pereira). Escolhida entre várias que podiam ter sido utilizadas, nas quais o líder do PSD surge acompanhado da mulher e da filha. Não se trata de uma caricatura obscena do género das que é frequente ver em vários blogues, que me abstenho de citar, grande parte delas a roçar a pornografia, envolvendo políticos de vários quadrantes, as quais não perturbam ninguém e, muitas vezes, são replicadas com aplauso geral. Pelo contrário, neste blogue há um cuidado especial na escolha das ilustrações, de modo a não beliscar o carácter e a honra dos visados. Mas, infelizmente, 37 anos de democracia não chegaram para diluir o puritanismo que enforma grande parte da opinião pública. 

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Terça-feira, Abril 12, 2011

NOTÍCIAS DO BLOQUEIO, 1


O dinamarquês Poul Thomsen (ao alto), director do departamento europeu do Fundo Monetário Internacional, o alemão Jürgen Kröger, director-geral dos Assuntos Económicos e Financeiros da Comissão Europeia, e o italiano Massimo Suardi, adjunto de Kröger, constituem a troika do resgate a Portugal. A seu tempo se verá qual vai ser o Wellington da nossa afronta. (Em 1813, o inglês Arthur Wellesley, duque de Wellington, sentava-se, em São Carlos, no lugar do rei. De facto, era ele o rei.) Kröger já cá tinha estado outras vezes, a última das quais em Fevereiro, a acompanhar a elaboração do PEC IV.

Depois de Manuela Ferreira Leite, também António Capucho e Marques Mendes recusaram entrar nas listas de deputados do PSD.

Em 2009, o PSD abanou o osso da presidência da Assembleia da República, prometendo o lugar a João de Deus Pinheiro. Assim que verificou tal impossibilidade, o antigo comissário europeu renunciou ao mandato. Entretanto, enquanto o pau vai e vem, o espectáculo dado pelo porta-voz de Fernando Nobre é indecoroso.

Os economistas José Reis e José Manuel Pureza, da Universidade de Coimbra, Manuel Brandão e Maria Manuela Silva, do Instituto Superior de Economia e Gestão, entregaram ontem, na Procuradoria Geral da República, uma queixa-crime contra três agências de rating: Standard & Poors, Moodys e Fitch. Alegam conflito de interesse.


[O título desta série, Notícias do Bloqueio, foi roubado ao poeta Egito Gonçalves.]

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SEM VERGONHA


Andamos há um mês a ouvir dizer que Sócrates não avisou Passos Coelho do conteúdo do PEC IV. Ou por outra, que o avisou através de um telefonema lacónico na noite de 10 de Março. Isto foi repetido em vários tons pela direcção do PSD (Passos himself, Relvas, Marco António, Paula Teixeira da Cruz, etc.), em artigos do Povo Livre, por antigos líderes do partido (Mendes e Menezes), deputados, comentadores, jornalistas e corifeus da bloga.

A imagem ao alto reproduz a afirmação feita por Passos Coelho num comício em Viana do Castelo.

Porém, ontem, entrevistado por Judite de Sousa, Passos Coelho confirmou ter estado na residência oficial de São Bento, no dia 10 de Março, a discutir com Sócrates os termos do PEC IV.

Como se pergunta aqui, «[...] E agora, Pedro Passos Coelho? O país está a olhar para si — incrédulo. Acha que pode continuar escondido atrás do arbusto? Já não se trata apenas de esconder as medidas para a consolidação financeira. É que estamos em presença de uma mentira com a qual se justificou a crise política  —  e toda a estratégia do PSD ruiu como um castelo de areia

Simplesmente lamentável.

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SONDAGEM INTERCAMPUS


Os resultados da sondagem da Intercampus para a TVI, efectuada entre os dias 8 e 10 do mês em curso, são os seguintes: PSD 38,7%. PS 33,1%. CDS-PP 9,4%. CDU 8,1%. BE 7,6%. O fosso entre PS e PSD é cada vez mais estreito. O grosso dos inquiridos mantém o cepticismo face à alternativa passista.

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Segunda-feira, Abril 11, 2011

ALI BABÁ


Fernando Nobre aceitou ser cabeça-de-lista do PSD pelo círculo de Lisboa com a condição de ser o candidato do partido ao lugar de presidente da Assembleia da República. A decisão diz muito da personagem, dando, do mesmo passo, a medida do desrespeito que a actual direcção do PSD nutre pelo Parlamento. A circunstância de dar por adquirido o ovo no cu da galinha (será preciso maioria absoluta de deputados para eleger o homem) é irrelevante.

Vem a talhe de foice lembrar os nomes dos sucessivos presidentes: Henrique de Barros, PS (Constituinte, 1975-76), Vasco da Gama Fernandes, PS (1976-78), Teófilo Carvalho dos Santos, PS (1978-80), Leonardo Ribeiro de Almeida, PSD (1980-81), Francisco Oliveira Dias, CDS (1981-82), Manuel Tito de Morais, PS (1983-84), Fernando Amaral, PSD (1984-87), Vítor Crespo, PSD (1987-91), Barbosa de Melo, PSD (1991-95), Almeida Santos, PS (1995-2002), Mota Amaral, PSD (2002-05) e Jaime Gama, PS, desde Março de 2005. Nenhum destes homens foi ou é um outsider da vida parlamentar.

Ao invés, Fernando Nobre, que nunca foi eleito para (nem exerceu) nenhum cargo político, tem pautado as suas intervenções pelo arbítrio: em 2006, foi membro da comissão política da candidatura de Mário Soares à presidência; foi mandatário nacional do Bloco de Esquerda nas eleições europeias de 2009; no mesmo ano, foi membro da comissão de honra da candidatura de António Capucho (PSD) à Câmara Municipal de Cascais.


[Na imagem, instalação de Pedro Cabrita Reis nos Passos Perdidos.]

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CITAÇÃO, 339


João Lopes, O PS não se reuniu em Nuremberga. Exemplar. Excertos:


«[...] a banalização de qualquer história — a começar pela história do Holocausto — favorece a decapitação dos valores mais básicos da inteligência individual e colectiva; [...] o debate político, com todas as diferenças e clivagens que implica, não se confunde com a acumulação de insinuações, anedóticas ou criminais, sobre os adversários; [...] nenhuma visão jornalística, mesmo ideologicamente (e legitimamente) orientada, se pode enraizar na banalização da história e na acumulação de insinuações.

Importa discutir esta triunfante cultura da ligeireza e da irresponsabilidade que, incrustada no carácter
“juvenil” de algumas formas de intervenção na Net, todos os dias favorece o não-pensamento — e muitas formas de facciosismo pueril.

A classe política perde todos os dias um pouco mais da sua credibilidade junto dos eleitores não reagindo a esta proliferação de um
“jornalismo” que se esgota na violência do sarcasmo fulanizado. [...]»

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Domingo, Abril 10, 2011

REGENERAÇÃO PASSISTA


Em nome da regeneração da política, Fernando Nobre, fundador da AMI e candidato derrotado às presidenciais, será o cabeça-de-lista do PSD pelo círculo de Lisboa. Depois da recusa de Manuela Ferreira Leite, a desorientação parece evidente. O óbvio teria sido convidarem Santana Lopes, que até foi presidente da Câmara de Lisboa. Desta vez, com uma máquina partidária oleada, teremos direito a tudo: até, quem sabe, spots mostrando crianças famintas disputando migalhas do bico das galinhas...

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UMA BOA NOTÍCIA


Nem tudo são más notícias. O regresso de Eduardo Ferro Rodrigues à política activa é um sinal de esperança. Trocar o palacete da rue André Pascal (em Paris) pelo plenário da Assembleia da República dá a medida do desprendimento. O embaixador de Portugal na OCDE vai ser o cabeça-de-lista do PS pelo círculo de Lisboa.

Vale a pena recordar o percurso deste economista e professor universitário nascido em 1949. Activista estudantil, foi, nos anos 1970, um dos fundadores do MES, movimento extinto em Novembro de 1981. Em 1986 aderiu ao PS, chegando a secretário-geral em 2002, cargo de que se demitiu a 9 de Julho de 2004, manifestando público desacordo com a decisão de Jorge Sampaio nomear Santana Lopes sem recurso a eleições. No mesmo dia abandonou o lugar de conselheiro de Estado. Várias vezes deputado, foi ministro do Trabalho e Solidariedade (1995-2001) e do Equipamento Social (2001-2002). É, desde 2005, embaixador de Portugal na OCDE. A direita não gosta dele.

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Sábado, Abril 09, 2011

SIDNEY LUMET 1924-2011


Sidney Lumet, o director que preferia as ruas de Nova Iorque aos sets de Hollywood, morreu hoje. Tinha 86 anos. Gosto de quase tudo o que fez, em particular Night Falls on Manhattan (1996), The Verdict (1982), Dog Day Afternoon (1975) e Serpico (1973). Os especialistas citam muito 12 Angry Men (1957), que nunca vi. Num confronto ficou a perder: a sua Gloria (1999), com Sharon Stone, é inferior à de John Cassavetes (1980) com Gena Rowlands. Morreu o último clássico?

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CITAÇÃO, 338


José Pacheco Pereira, Vergonha, hoje no Público. Excertos finais, sublinhados meus:


«[...] Por isso, senti vergonha e humilhação quando li o comunicado do Ecofin, uma enorme bofetada a todos nós, que deveria ser dada nos destinatários certos [...] Depois vem uma bofetada em Passos Coelho: segundo Katainen, que certamente fez sempre os seus trabalhos de casa porque é considerado o melhor ministro das Finanças da Europa e é vice-presidente do PPE, o partido a que pertence o PSD, o pacote de medidas “terá de ser mais duro e mais abrangente do que aquele que foi rejeitado pelo Parlamento”. O mesmo PEC IV é sempre referido como sendo o “ponto de partida” para todas as exigências que nos são impostas. E o facto de isso ser insistentemente referido é tudo menos inocente: não quiseram o PEC IV, vão ver como o PEC V ainda vai doer muito mais. Há um sentimento de irritação e até de vingança nestas palavras.

Vamos pagar a politiquice de Sócrates [...] mas também a falta de prudência de Passos Coelho que pensa que aquilo com que anda a lidar se concentra em sair bem nas manchetes dos jornais ou nas sondagens, e (talvez) o excesso de passividade do Presidente da República. Mas, que raio!, será que não estão informados, por vias directas ou travessas, do que se passa e dependem dos artigos do Financial Times? [...] Só pensaram em si mesmos, no seu êxito político e dos seus partidos. [...]»


[Foto: revista Caras.]

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Sexta-feira, Abril 08, 2011

FOLHETIM SEABRA


Presente em mais uma audiência do Tribunal Supremo do Estado de Nova Iorque, o assassino confesso de Carlos Castro ouviu hoje a procuradora Maxine Rosenthal refutar ponto por ponto todas as alegações do seu advogado. O juiz Solomon, que quer ver os relatórios psiquiátricos que David Touger prometeu há cinco semanas (mas ainda não mostrou), marcou nova audiência para o próximo dia 29. Seabra é acusado pelo Ministério Público de Nova Iorque de homicídio em segundo grau, cuja moldura penal vai de 25 anos a prisão perpétua.


[Foto Louis Lanzano, AP / Expresso.]

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CITAÇÃO, 337


Vasco Pulido Valente, Tudo inocentes?, hoje no Público. Excertos, sublinhados meus:


«[...] o mais deprimente destes meses de Março e Abril [...] foi a irrupção de génios pela televisão e pela imprensa que já sabiam a história inteira e se preparam agora para explicar por que razão o FMI era preciso (e, para a maior parte, ele era preciso há muito tempo) e o que pouco a pouco nos trouxera a este trágico sarilho. Com o seu arzinho presunçoso e professoral, economistas, financeiros, banqueiros, filósofos e arraia-miúda vieram revelar ao indígena atónito que nada, ou quase nada, se fizera de lógico e sensato de 1990-95 para cá. Não vale a pena repetir a ladainha. Ninguém duvida que o nosso enormíssimo buraco não se cavou num dia. Infelizmente, esta constatação pede uma pergunta óbvia: em que se ocupavam os sábios que hoje com tanto gosto nos predicam, enquanto os partidos (o PS e o PSD) arruinavam o país?

[...] Quem se deixa chegar onde chegámos, levado por três dúzias de políticos, sempre reeleitos e até, às vezes, respeitados, não merece outro nome. E, pior ainda, quem desiste da verdade acaba inevitavelmente por desistir de si próprio


[Na imagem, entronização de Cavaco Silva no XII Congresso do PSD, Figueira da Foz, Maio de 1985. Onde tudo começou. Na 1.ª fila, da esquerda para a direita, Fernando Nogueira, Eurico de Melo, Cavaco, Fernando Correia Afonso, António Capucho, Dias Loureiro e Santana Lopes. Clique para ver o resto com detalhe.]

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Quinta-feira, Abril 07, 2011

ACONTECEU


Aconteceu: Portugal vai pedir o resgate da dívida. Os rumores começaram ontem de manhã, atiçados pelo Financial Times, foram dados como adquiridos numa inopinada entrevista que o ministro das Finanças resolveu dar a meio da tarde e, por fim, confirmados na declaração que o primeiro-ministro fez ao país às 20:35h. Tudo tinha de ficar decidido antes da reunião do Ecofin que se realiza amanhã em Budapeste.

Há pouco, no Facebook, o Presidente da República escreveu: «Reafirmo, perante os Portugueses, que o actual Governo contará com todo o meu apoio para que não deixem de ser adoptadas as medidas indispensáveis a salvaguardar o superior interesse nacional e assegurar os meios de financiamento necessários ao funcionamento da nossa economia. [...]»

Nisto tudo, uma certeza: a Banca precisa, já, de quinze mil milhões de euros. Mas como o Fundo Europeu de Estabilização não funciona às mijinhas, temos de negociar, já, o pacote global: noventa mil milhões. Nessa medida, tem sido penoso ouvir (e ler) os disparates que jornalistas e comentadores repetem ad nauseam.

O melhor bocado está guardado para o fim: o dia em que o PSD aprovar em dobro, com pompa e circunstância, o que chumbou a 23 de Março.

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Quarta-feira, Abril 06, 2011

TUDO EM ABERTO


Sondagem do CESOP da Universidade Católica divulgada há pouco mais de uma hora: PSD 39%. PS 33%. CDU 8%. CDS-PP 7%. BE 6%. Brancos e Nulos 6%. Outros 1%. Clique na imagem Confira aqui.

Face ao estudo anterior, o PS sobe 7%. O BE perde 6%. A CDU regressa ao 3.º lugar do ranking. A soma da direita (PSD + CDS-PP) não chega para atingir a maioria absoluta. O estudo, feito para o Diário de Notícias, RTP, Antena 1 e Jornal de Notícias, realizou-se nos dias 2 e 3 de Abril, no auge da discussão do eventual resgate da dívida soberana.

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FLM. DIA 3



Dando continuidade aos dias 1 e 2, passemos ao grand finale. Com um dia tão bonito, ainda hoje me pergunto como foi possível encher um auditório às 11 da manhã. Para mal dos meus pecados, fui agendado para a mesa 4, dedicada aos Escritores esquecidos. Comigo estavam o italiano Antonio Scurati e os portugueses Afonso Cruz, António Fournier e Violante Saramago. Francesco Valentini, fundador da Nova Delphi, moderou a sessão. Scurati (n. 1969), professor de literatura em Milão, romancista, cronista do La Stampa e autor de um conhecido programa de televisão, Lettere dal nord, foi o primeiro a falar. Fê-lo em italiano, numa intervenção centrada nos impasses da sociedade italiana da Era Berlusconi. A seguir falei eu, tentando não me afastar do conceito de esquecimento... Quem era quem no dia 24 de Abril de 1974, quem sobreviveu à queda da ditadura, quem, mesmo assim, está hoje esquecido (e razões possíveis). Afonso Cruz, que entrou a seguir, falou de Plotino e Kazantzakis. Violante Saramago lembrou Aquilino Ribeiro e, a fechar, António Fournier, docente de português em Turim, contou a história de um submarino alemão que foi rebocado por um barco norueguês até à Madeira. O público reagiu em conformidade, a boa disposição era visível e o calor intenso. Lá fora, a tarde explodia.

Depois do almoço, a Nova Delphi lançou uma edição do De Profundis de Oscar Wilde prefaciada por Miguel Vale de Almeida. Não pude assistir mas tenho notícia de que não gorou expectativas. Pelo contrário (nem outra coisa seria de esperar do Miguel). Seguiu-se a quinta e última mesa do Festival. Francisco Faria Paulino, o moderador, fez uma intervenção de 40 minutos. Depois deu a palavra a Pedro Vieira, que fez uma performance, Mário Zambujal e Graça Alves. Sobrou pouco tempo para a sessão de encerramento, antes da partida para o aeroporto.

Terminava um fim-de-semana prodigioso, descontraído, revendo amigos, fazendo outros (Afonso, António, Célia, David, Diana, Diogo, Francesco, Guilherme, Manuela, Nuno Q, Micaela, Paulo, Raquel, Sandro), trocando experiências. Deixamos o Funchal às 18:40h, a melancolia a tomar conta de todos. Em violento contraponto com o dia da chegada, o vôo faz-se em silêncio.

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JULIANO MER-KHAMIS 1958-2011


O actor Juliano Mer-Khamis foi assassinado anteontem num campo de refugiados da Palestina. Mahmoud Abbas, presidente da Autoridade Palestina, condenou o acto. Este árabe-israelita de 52 anos (faria 53 a 28 de Maio) era filho de uma israelita pró-Palestina e de pai cristão palestiniano. Os radicais palestinianos nunca lhe perdoaram a «corrupção moral» que representava misturar rapazes e raparigas nas mesmas peças. O seu teatro foi duas vezes incendiado. Cinco balas à queima-roupa fizeram o que o fogo não conseguiu.

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O ALCOVITEIRO JÁ SE DEMITIU?


Os conselheiros de Estado não podem ser demitidos. Mas podem demitir-se. Bagão Félix já o devia ter feito. O degradante espectáculo das facções está a transformar o órgão de consulta do Presidente da República numa chafarica. A leviandade de um indivíduo não pode ser corroborada, a favor ou contra. Há limites para a tranquibérnia!

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