Terça-feira, Dezembro 06, 2011

FARTAR VILANAGEM


O que se está a passar com as nomeações para os conselhos de administração dos hospitais é revelador de que nada mudou. É assim há 37 anos, assim continuará. Agora é o PSD a pôr e dispor, reservando umas migalhas para o CDS-PP. As mexidas são feitas ao arrepio da troika: o Memorando de Entendimento recomenda “não mexer” no que está. [estava, em Maio] Já não falo da campanha eleitoral, durante a qual Passos Coelho prometeu um futuro limpo. Como vimos, à primeira oportunidade fez disto um esgoto a céu aberto. Alega o PSD que os concursos para novos dirigentes apenas se aplicam aos institutos públicos e direcções-gerais, o que deixa de fora os hospitais, que são “entidades públicas empresariais”. Et pour cause...

Por exemplo, no Hospital de Viseu, que agora se chama Centro Hospitalar Viseu/Tondela, a nomeação de dois militantes do PSD para a respectiva administração gerou repulsa até no seio do CDS-PP, tendo o deputado Helder Amaral, vice-presidente do grupo parlamentar, declarado a sua indisponibilidade «para pedir sacrifícios aos portugueses e depois patrocinar o amiguismo da pior espécie que julgava ser uma prática do passado.» O senhor nasceu ontem?

Também no Centro Hospitalar do Médio Tejo, que agrega os hospitais de Tomar, Abrantes e Torres Novas, se verificaram nomeações decorrentes da filiação partidária: os novos senhores (Joaquim Esperancinha, António Lérias e João Lourenço) vieram de uma empresa de tubos de plástico com sede no Cartaxo. Comentários para quê?

Nada disto é novo. Mas no tempo de Soares, Mota Pinto, Sá Carneiro, Balsemão, Cavaco, Guterres, Barroso, Santana e Sócrates, ninguém foi ao bolso dos portugueses escudado no discurso da redenção da Pátria.

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