Terça-feira, Dezembro 27, 2011

A DECADÊNCIA DA EUROPA


Portugal não serve de exemplo porque as periferias não fazem História. Mas a Inglaterra é um sintoma. Uma história exemplar:

Duas amigas minhas vão passar dez dias a Londres na primeira quinzena de Janeiro. Uma delas fez toda a sua formação escolar em inglês, tendo vivido vinte anos em Londres (1978-98). As duas usam a net com a naturalidade de quem respira. Interessadas em ver espectáculos (música, dança, teatro) durante as mini-férias, tentam adquirir os respectivos ingressos através das agências especializadas de Londres. Resultado da pesquisa: a agência A só vende os bilhetes mais caros; a B só os mais baratos; a C só coxias laterais; a D só para espectáculos à tarde; a E só para espectáculos à noite; a F só balcões; etc. A maioria não mostra a planta da sala. Todas cobram taxas abusivas sobre o preço de bilheteira. As minhas amigas desistem da pesquisa inglesa. Procuram agências de Nova Iorque. Denominador comum: planta da sala em 1.º lugar; todos os horários disponíveis; todo o tipo de lugares à venda; taxas inferiores às inglesas. Compram em NY os ingressos pretendidos. Ou seja, para comprar bilhetes para espectáculos em Londres, contacte agências americanas.

Isto não é só patético. Isto é um retrato daquilo em que a Europa se transformou.

[Na imagem, o Wyndhams Theatre de Londres.]

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